Os centroavantes do Bayern

Quem dera que Mario Gomez fosse reserva no Bayern, pura e simplesmente, pelos gols em profusão de Mario Mandžukić. Se Super Mario receber mais minutos, não duvido que bata o recorde do atual titular. Porém, o croata, como cheguei a dizer meses atrás, tem muito mais mobilidade e tira a previsibilidade que o time tem com Mario Gomez.

Normalmente, Mandžukić invertia seu posicionamento com Thomas Müller, mas notei nos jogos recentes que esse “troca-troca” é constante em todos os setores do ataque. Exceto Ribéry, que fica mais preso na esquerda – embora também apareça algumas vezes pelo centro – todos os homens de frente participam dessa rotação ofensiva. Em um mesmo jogo, os bávaros ficam com, pelo menos, três centroavantes diferentes, além das trocas na armação de jogadas.

Capturei algumas imagens do primeiro tempo de Wolfsburg x Bayern, duelo vencido pelos bávaros por 2×0, para demonstrar essa movimentação:

Com dois minutos, Mandzukic deixa a área para as entradas de Kroos e Müller

Com dois minutos, Mandzukic deixa a área para as entradas de Kroos e Müller

Nesse lance, o desenho em campo já coloca Mandzukic avançado

Nesse lance, o desenho em campo já coloca Mandzukic avançado

Menos de um minuto depois, Müller já está no ataque

Menos de um minuto depois, Müller já está no ataque

Observe esta jogada: note como Kroos, Müller e Mandžukić começam em uma posição e rapidamente conseguem mudar a formatação ofensiva.

A jogada começa com Kroos pelo centro e Müller na direita

A jogada começa com Kroos pelo centro e Müller na direita

Logo, Mandzukic avança e Kroos entende o recado

Logo, Mandzukic recua e Kroos entende o recado

No final da jogada, Kroos já era o centroavante

No final da jogada, Kroos já era o centroavante com Müller centralizado

Note também que, na saída de bola, o Bayern geralmente forma um triângulo, com o homem da bola centralizado e outros dois pelos lados para auxiliar. Normalmente, Bastian Schweinsteiger fica mais recuado para organizar essa saída.

Schweini começou o lance de trás

Schweini começou o lance de trás

É por essas e outras que Mario Gomez e até mesmo Robben não retornam ao time titular. São jogadores mais fixos e previsíveis e que só atrapalham a movimentação armada por Jupp Heynckes.

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TOP 7: As decepções da Euro

Muitos jogadores de futebol vivem de “momentos”. Em tal “momento” estão bem, em tal “momento” estão mal e por aí vai. Na etapa onde vivem o auge, os atletas tendem a achar que se manterão neste estágio ou evoluirão. Porém, nos momentos onde devem provar que vivem grandes “momentos”, esses jogadores decepcionam e fraquejam quando suas ações mais são necessárias.

Não foi diferente na UEFA Euro 2012. Alguns jogadores prometiam demais para a competição, mas não conseguiram corresponder a todas as expectativas e deixaram o torneio com uma pequena mancha em suas carreiras.

Confira abaixo, os sete jogadores que mais decepcionaram na Eurocopa:

Ben Arfa é mais um francês com histórico de indisciplina

7 – Hatem Ben-Arfa (França)

Uma das surpresas de Laurent Blanc na lista prévia para o torneio, Hatem Ben-Arfa teve premiada sua grande temporada pelo Newcastle com uma convocação para a fase decisiva da Euro. Com um lugar vago no setor ofensivo do time, ele possuía boas chances de ser o titular. Embora tenha estreado bem, a revelação do Lyon perdeu moral com o desrespeito a Blanc no confronto diante da Suécia. Ele atendeu o celular no vestiário e foi repreendido pelo técnico. Ainda assim, bateu boca com Blanc por uma substituição, dizendo que muitos jogaram menos que ele e permaneciam titulares. Sua rebeldia pode custar uma suspensão da FFF, além da moral já perdida com essa crise.

6 – Christian Eriksen (Dinamarca)

Grande aposta do futebol dinamarquês para o futuro, Christian Eriksen não conseguiu ser a “cabeça pensante” do meio campo de sua seleção. Principal jogador do Ajax campeão holandês da última temporada, o armador teve atuações pra lá de apagadas e deixou uma impressão ruim após o torneio. Eriksen tem apenas 20 anos e a Euro 2012 fez parte de seu amadurecimento, mas ele tem construído um histórico preocupante de sumiços em jogos importantes.

5 – Lukasz Piszczek (Polônia)

Após duas temporadas de destaque no bicampeão alemão, Borussia Dortmund, o polonês Lukasz Piszczek já desperta as atenções de várias equipes do Velho Continente, porém, deve ter decepcionado quem foi ao torneio só para vê-lo jogar. Esforçado na marcação e preciso nos cruzamentos, o lateral-direito se tornou, na Eurocopa, uma avenida na defesa e uma peça improdutiva no ataque. Suas atuações apagadas ajudam a justificar a precoce eliminação polonesa.

4 – Franck Ribéry (França)

Após temporada muito boa pelo Bayern, Franck Ribéry chegava, juntamente com Benzema, como a grande esperança para a França na Eurocopa. Porém, diferentemente do que se imaginava, a dupla não esteve em sintonia e o jogador bávaro pouco produziu. Aparentemente perdido em uma “ilha” no lado esquerdo, Ribéry corria, corria e corria, mas não saia do lugar. O francês é um dos que começa a alimentar a fama de “pipoqueiro”, embora eu discorde dela.

Robben segue tropeçando

3 – Arjen Robben (Holanda)

Arjen Robben fez uma temporada muito boa pelo Bayern, mas desandou no final, ao perder dois pênaltis decisivos para os bávaros. O holandês poderia ter encerrado bem a temporada na UEFA Euro, porém, manteve o embalo ruim na competição. Assim como seu parceiro, Ribéry, Robben parecia estar isolado na beirada do campo e não produziu nada, nem mesmo a tradicional jogada do corte pro pé esquerdo funcionou. Foi um dos que afundou junto com a barca holandesa na Eurocopa.

2 – Karim Benzema (França)

A camisa 10 da França já foi de Michel Platini e Zinedine Zidane. Em 2012, ela pertenceu a Karim Benzema e, obviamente, todos depositavam muita confiança no atacante do Real Madrid. Quem fez isso, se decepcionou. Autor de 18 finalizações no torneio inteiro, Benzema não fez nenhum gol e ainda caracterizou-se por jogar mais fora da área do que dentro dela. Embora tenha sido um dos mais esforçados da França, não fez o que era esperado de si: gols.

Artilheiro da Premier League, van Persie fez apenas um gol na Euro

1 – Robin van Persie (Holanda)

Artilheiro da badalada Premier League, o holandês Robin van Persie sofria com a sombra do goleador máximo da Bundesliga, Huntelaar. Ainda assim, Bert van Marwijck e os torcedores da Laranja depositavam enormes esperanças no atacante do Arsenal. Com treze finalizações e um mísero gol nos três jogos que participou, RvP é apontado, por este blogueiro que vos fala, como a grande decepção da Eurocopa. Poderia ter ajudado muito mais a sua seleção, mas não foi capaz e sucumbiu ainda na fase inicial.

*Crédito das imagens: Presse Sports, AFP e Getty Images

EURO 2012: Grupo da morte?

Entra torneio, sai torneio e a necessidade da mídia e torcedores em encontrarem um “grupo da morte” persiste. Até quando a maioria considera não haver algo do tipo, insistem em encontrar um “grupo do assalto” ou de algum que se aproxime da morte. Acredito que seja esse o caso do grupo B da UEFA Euro 2012.

Alemães e holandeses estiveram presentes nas semifinais da última Copa do Mundo e terão como concorrentes duas seleções que passaram despercebidas pelo citado torneio. É verdade que este é o único grupo da competição que reúne quatro times presentes no Mundial de 2010, mas isso não significa que seja um “grupo da morte”. Vejo Alemanha e Holanda acima de Portugal e Dinamarca.

Confira abaixo a análise dos quatro selecionados:

HOLANDA: Agora vai?

Seria Huntelaar o salvador da pátria?

Em todo torneio que chega, a Holanda gera certa expectativa em torno de seu desempenho. Sempre se espera boas campanhas e futebol vistoso, porém, a Laranja Mecânica sempre esbarrou em potências e, até hoje, só conquistou a Eurocopa de 1988. Para esta edição do torneio europeu a expectativa não é diferente!

Geralmente, olhamos para os craques holandeses e não para o conjunto que a seleção apresenta. Para esta Euro, há essa pequena mudança. Os principais jogadores do país não vivem o melhor momento técnico e psicológico e a parte estrutural acaba tornando-se um ponto mais primordial para as vitórias do que propriamente os destaques individuais.

Arjen Robben e Wesley Sneijder vêm de temporadas fracassadas por seus clubes. O primeiro, embora tenha números interessantes – 19 gols em 36 partidas -, pôs tudo a perder ao desperdiçar os pênaltis contra Borussia Dortmund e Chelsea. Por terem sido jogos na reta final da temporada, podemos dizer que Robben chega à Euro atravessando uma curva descendente.

Já Sneijder conviveu com as inúmeras lesões e não participou nem de trinta jogos na temporada. O holandês evoluiu na reta final, porém, o estrago já estava feito e ele pouco pôde fazer para ajudar a Inter. Fica a esperança holandesa que Sneijder possa repetir as brilhantes atuações de 2010, onde chegou a ser considerado por muitos como melhor jogador do mundo.

Robin van Persie ficaria incumbido de ser o grande nome desta Holanda. O atacante do Arsenal foi o artilheiro do Campeonato Inglês, com 30 gols. Porém, a indefinição de seu futuro pode atrapalhar. O clube londrino quer renovar seu contrato, mas outras equipes estão de olho no atleta, que faz um “charminho” para definir seu novo time.

Outro ponto que pesa contra van Persie é o seu “sumiço” em jogos decisivos. Mesmo com 26 gols com a camisa laranja, o atacante foi uma das decepções da Holanda na última Copa, marcando apenas um gol.

Porém, o técnico Bert van Marwijk tem uma excelente opção para eventuais más atuações – ou até para jogar ao lado – de van Persie: Klaas-Jan Huntelaar. O atacante do Schalke 04 teve passagens frustradas pelos poderosos Real Madrid e Milan, mas se encontrou na Alemanha. Artilheiro da Bundesliga com 29 gols, The Hunter já tem em seu currículo mais gols pela Holanda do que van Persie, 31 contra 28. Caso ultrapasse a marca de 40 tentos, o atacante do Schalke se tornará o maior artilheiro da história da Seleção Holandesa, deixando Patrick Kluivert para trás.

O detalhe é que caso marque dois gols, Huntelaar igualará o número de Johan Cruyff com 33 gols.

É um desafio e tanto para o jogador que apareceu muito bem no Ajax, mas que em grandes potências européias não conseguiu mostrar seu valor. Agora, consagrado na Alemanha, Huntelaar tem de assumir a “responsa” e ser o artilheiro que a Holanda tradicionalmente tem.

Se no ataque, gols não devem ser problemas, a defesa é a dor de cabeça de Marwijk. Van der Wiel, Heitinga e Mathijsen são entrosados, mas na lateral-esquerda, Pieters, substituto de Gio van Bronckhorst – que se aposentou após a Copa – está contundido e não disputará a Eurocopa. O volante Schaars deve ser improvisado na função.

A Holanda é certamente uma das grandes favoritas a conquista do torneio, porém, sempre existe aquele “pé atrás” com a seleção laranja. Além das tradicionais “amareladas” em jogos decisivos, a Laranja Mecânica obtêm o mesmo histórico inglês de quase nunca vencer uma disputa por pênaltis. No futebol moderno, onde o medo de perder sobrepõe-se a vontade de ganhar, esse se torna um detalhe importante.

Porém, van Marwijk tem gente capacitada para decidir jogos no tempo normal. Robben, Sneijder, van Persie e Huntelaar formam um quarteto interessante demais e podem atormentar as defesas adversárias.

CONVOCADOS:

Goleiros: Maarten Stekelenburg (Roma-ITA), Michel Vorm (Swansea-ING) e Tim Krul (Newcastle-ING)

Defensores: Khalid Boulahrouz (Stuttgart-ALE), John Heitinga (Everton-ING), Joris Mathijsen (Málaga-ESP), Ron Vlaar (Feyenoord), Wilfred Bouma (PSV), Gregory van der Wiel (Ajax) e Jetro Willems (PSV)

Meio-Campistas: Ibrahim Afellay (Barcelona-ESP), Mark van Bommel (Milan-ITA), Nigel de Jong (Manchester City-ING), Stijn Schaars (Sporting-POR), Wesley Sneijder (Inter de Milão-ITA), Kevin Strootman (PSV) e Rafael van der Vaart (Tottenham-ING)

Atacantes: Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04-ALE), Luuk de Jong (Twente), Dirk Kuyt (Liverpool-ING), Luciano Narsingh (Heerenveen), Robin van Persie (Arsenal-ING) e Arjen Robben (Bayern-ALE)

DINAMARCA: Bom passo para a renovação

Eriksen é o grande jogador dinamarquês do momento

Desde 2000 no comando técnico da seleção dinamarquesa, Morten Olsen traz para Ucrânia e Polônia uma geração renovada e que visa a Eurocopa como um torneio para fortalecer o time para a Copa de 2014. Jogadores como Christian Poulsen, Dennis Rommedahl, Thomas Kahlenberg e Stephan Andersen seguem no elenco que disputou a Euro de 2004, porém, eles se reúnem a outros nove jogadores com 25 anos ou menos.

O grande nome desta nova geração é Christian Eriksen, meia do Ajax. Nesta temporada da Eredivisie, o garoto distribuiu 21 assistências e foi um dos grandes nomes do título do Ajax. É um jogador ainda em fase de amadurecimento. Seu clube não disputa grandes ligas européias em alto nível e na Eurocopa Sub-21 do ano passado, Eriksen decepcionou na fraca campanha dinamarquesa.

Além do meia do Ajax, Andreas Bjelland e Daniel Wass são dois jogadores que participaram do torneio Sub-21 e que estarão na Ucrânia e na Polônia. Outro jovem atleta que estará presente na competição é Jones Okore, de 19 anos, defensor do campeão dinamarquês Nordsjælland.

No setor ofensivo, Olsen tem boas opções. O experiente Dennis Rommedahl deve auxiliar Eriksen na armação, enquanto o técnico Kahlenberg deverá disputar posição com Michael Krohn-Dehli, um dos poucos destaques da fraca campanha do Brondby na Dinamarca.

Na frente, a esperança de gols é Nicklas Bendtner. Inconstante nos clubes em que atua, o atacante de 1,92 de altura costuma jogar bem por sua seleção e não deixa de ser um perigo nas bolas aéreas. Como a Dinamarca deve atuar nos contra-ataques, o jogador do Sunderland tem a obrigação de aproveitar as raras chances que tiver.

Mesmo em processo de renovação, a Dinamarca ficou duas vezes na frente de Portugal, adversária na primeira fase. Nas eliminatórias para a Copa e para a Euro, os portugueses ficaram atrás dos dinamarqueses e se viram obrigados a disputar a repescagem. Esse histórico favorável diante dos lusitanos dá uma motivação ao selecionado nórdico que deve ser uma pedra no sapato de alemães e holandeses, favoritos do grupo. Imaginar um novo título, como em 1992, é um pouco demais, mas pensar que podem fazer barulho, isso os dinamarqueses podem sonhar. Digamos que será a Euro de “adaptação” dos novos jogadores ao futebol de alto nível.

CONVOCADOS:

Goleiros: Kasper Schmeichel (Leicester-ING), Stephan Andersen (Evian Thonon Gaillard-FRA), Anders Lindegaard (Manchester United-ING)

Defensores: Lars Jacobsen (Copenhagen), Daniel Wass (Evian Thonon Gaillard-FRA), Daniel Agger (Liverpool-ING), Simon Kjaer (Roma-ITA), Andreas Bjelland (Nordsjaelland), Simon Poulsen (AZ Alkmaar-HOL), Jores Okore (Nordsjaelland)

Meio-Campistas: Christian Poulsen (Evian Thonon Gaillard-FRA), Jakob Poulsen (Midtjylland), William Kvist (Stuttgart-ALE), Niki Zimling (Club Brugge-BEL), Thomas Kahlenberg (Evian Thonon Gaillard-FRA), Christian Eriksen (Ajax-HOL), Michael Silberbauer (Young Boys-SUI), Lasse Schone (NEC Nijmegen-HOL)

Atacantes: Dennis Rommedahl (Brondby), Nicklas Bendtner (Sunderland-ING), Michael Krohn-Dehli (Brondby), Tobias Mikkelsen (Nordsjaelland), Nicklas Pedersen (Groningen-HOL)

PORTUGAL: Por um brilho de Cristiano Ronaldo

Sem um “matador” na frente, Cristiano Ronaldo terá de se virar para ajudar Portugal

Finalista em 2004 e quadrifinalista em 2008, a seleção de Portugal chega à nova edição da Eurocopa sem grandes aspirações. Mesmo contando com um dos melhores jogadores do mundo, Paulo Bento carece de opções confiáveis nos demais setores do time, além de um rejuvenescimento do elenco. Do time vice-campeão mundial Sub-20 no ano passado, Nélson Oliveira é o único que disputou a competição e jogará a Euro.

Na defesa, o desmiolado Pepe e o supervalorizado Coentrão são as peças mais importantes. Com Ricardo Carvalho afastado da seleção por problemas com o treinador, Rolando surge como a grande opção para formar dupla com o defensor madridista.

Se na defesa o problema está na irregularidade dos principais atletas, no ataque o problema é técnico. Hélder Postiga e Hugo Almeida não são, nem de longe, jogadores em que se possam confiar a dura tarefa de marcar gols. A revelação Nélson Oliveira desponta como possível titular, mas como já foi visto na sua temporada pelo Benfica, ele carece de um amadurecimento.

Talvez a grande peça de apoio a Cristiano Ronaldo seja Luís Nani, mas o meia do Manchester United é outro que precisa provar muito na carreira. Mesmo em um clube de grande porte mundial, Nani não consegue ser um jogador que encha os olhos. Apesar de ser veloz e finalizar bem de longa distância, ele precisa aplicar isso em um ritmo mais expressivo durante os jogos.

A esperança acaba vindo mais de trás, com João Moutinho e Raúl Meireles. Bons passadores, a dupla pode ser um ponto de equilíbrio do time. Ambos têm características de marcação, mas também de avanço ao ataque, podendo se tornar elementos surpresas em jogos complicados.

Com esses problemas, o peso cai todo sobre Cristiano Ronaldo. O astro do Real Madrid vive grande forma, mas diferente do que acontece no seu clube, falta um melhor elenco de apoio. Em Portugal, ele terá de fazer tudo: do desarme, à finalização, o jogo português dependerá de CR7. Em um grupo que ainda conta com as semifinalistas da última Copa, Holanda e Alemanha, além da Dinamarca, seleção que tem deixado os lusitanos na freguesia, isso é muito pouco. Portugal precisa de um conjunto forte, mas falta material humano para Paulo Bento.

Bento, aliás, que em 2002 foi para a Ásia disputar a Copa do Mundo. Aquele time de Portugal tinha nomes consagrados, como Luís Figo, Jorge Andrade, Pauleta e Rui Costa, mas parou na primeira fase da competição. Dez anos depois, o time lusitano tem valores escassos e tudo cairá nas costas de Cristiano Ronaldo. História repetida?

CONVOCADOS

Goleiros: Rui Patrício (Sporting), Eduardo (Benfica) e Beto (Cluj-ROM)

Defensores: João Pereira (Sporting), Miguel Lopes (Braga), Pepe (Real Madrid-ESP), Bruno Alves (Zenit-RUS), Rolando (Porto), Ricardo Costa (Valencia-ESP) e Fábio Coentrão (Real Madrid-ESP)

Meio-campistas: João Moutinho (Porto), Raúl Meireles (Chelsea-ING), Carlos Martins (Granada-ESP), Miguel Veloso (Genoa-ITA), Rúben Micael (Zaragoza-ESP), Custódio (Braga)

Atacantes: Cristiano Ronaldo (Real Madrid-ESP), Nani (Manchester United-ING), Ricardo Quaresma (Besiktas-TUR), Silvestre Varela (Porto), Hugo Almeida (Besiktas-TUR), Hélder Postiga (Zaragoza-ESP) e Nélson Oliveira (Benfica)

ALEMANHA: Favoritos até a página 2

Jogando bem abaixo do normal, Schmelzer não se firma na Nationalelf

Após a Copa do Mundo, a Alemanha foi a seleção que apresentou o futebol mais vistoso do mundo. Bom toque de bola, controle de jogo preciso, velocidade e muita habilidade das jovens revelações do país. Os bons resultados credenciam o time germânico a conquista da Eurocopa, que não vem desde 1996. Porém, os problemas defensivos deixam os torcedores com um pé atrás.

Se no ataque, a dúvida de Joachim Löw é só de quem escalar, sempre sabendo que o nível será o mesmo, na defesa o problema é um mistério. Jerome Boateng, Per Mertesacker, Holger Badstuber, Mats Hummels e Marcel Schmelzer brigam por três vagas – levando em conta que uma é de Philipp Lahm -, mas os cinco não conseguem apresentar na seleção o que jogam em seus clubes. Pior do que simplesmente jogar bem na Alemanha, mas ser espetacular em seus times, é que os jogadores citados falham demais nos jogos internacionais, sendo totalmente o inverso do que são nos clubes.

O grande exemplo disso é Marcel Schmelzer. O lateral-esquerdo do Borussia Dortmund domina a posição na Bundesliga, mas na Alemanha tem erros infantis na defesa e não vai bem no apoio ao ataque. Sobre a questão defensiva, a ausência de Kevin Grosskreutz pode explicar um pouco, já que ele auxilia demais na marcação, porém, a ineficácia ofensiva, que deveria ser um dos pontos fortes de Schmelzer, é um verdadeiro mistério.

Löw parecia inclinado a colocar Hummels, também do Dortmund, como titular, mas ele é outro que não repete na seleção as suas atuações pelo clube amarelo. A tendência é que Mertesacker forme dupla de zaga com Badstuber, embora, com a situação de momento, seja mais seguro apostar na entrosada dupla Boateng e Badstuber, que se entenderam bem no Bayern.

No setor ofensivo, o problema é somente o encaixe. Sami Khedira é o ponto de equilíbrio do time e é titular absoluto. Bastian Schweinsteiger não perde sua posição de jeito nenhum. Podolski e Özil são outros dois a terem a confiança de Löw. Sobraria uma vaga no meio-campo, onde Marco Reus, Thomas Müller e Toni Kroos brigariam por esta posição.

No ataque, uma luta sadia: Mário Gomez e Miroslav Klose. O primeiro foi artilheiro do Bayern por mais uma temporada e tem correspondido na seleção, enquanto o segundo deixou o time bávaro e se desafiou no futebol da Velha Bota e se deu bem na Lazio. A tendência é que o atacante de origem polonesa seja o titular, mas seja quem for o homem preferido de Löw para posição, a Nationalelf estará bem servida.

Mas ainda assim, a Alemanha é uma das grandes favoritas ao torneio, graças a esta geração jovem e talentosa que surgiu no país. Mas devemos dar ressalvas à defesa do time, que ainda não está formada e baterá de frente na primeira fase com os artilheiros máximos das ligas inglesa e alemã – van Persie e Huntelaar, respectivamente.

CONVOCADOS

Goleiros: Manuel Neuer (Bayern), Tim Wiese (Werder Bremen), Ron-Robert Zieler (Hanover 96)

Defensores: Holger Badstuber (Bayern), Jerome Boateng (Bayern), Benedikt Hoewedes (Schalke 04), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Philipp Lahm (Bayern), Per Mertesacker (Arsenal-ING), Marcel Schmelzer (Borussia Dortmund)

Meias: Lars Bender (Bayer Leverkusen), Mario Götze (Borussia Dortmund), Ilkay Gündogan (Borussia Dortmund), Sami Khedira (Real Madrid-ESP), Toni Kroos (Bayern de Munique), Thomas Müller (Bayern de Munique), Mesut Özil (Real Madrid-ESP), Lukas Podolski (Colonia), Marco Reus (Borussia Mönchengladbach), Andre Schürrle (Bayer Leverkusen), Bastian Schweinsteiger (Bayern)

Atacantes: Mario Gomez (Bayern de Munique) e Miroslav Klose (Lazio-ITA)

*Crédito das imagens: Reuters

Extremidade bávara

Desde que o Bayern bateu o Zürich na fase pré-grupos da UEFA Champions League, o que mais se fala em Munich é da possibilidade do time local disputar a final do torneio em sua casa. Sábado será este dia! Os bávaros, comandados por Jupp Heynckes, poderão participar da final do maior torneio do continente europeu em seu estádio, a Allianz-Arena.

Para chegar à final, que pode resultar em seu quinto título continental, o Bayern alternou durante a temporada os dois extremos, mas para conquistar mais um troféu, os bávaros terão de chegar novamente a ponta máxima de suas qualidades.

O começo de temporada do time alemão foi simplesmente avassalador. Mesmo com a derrota na abertura da temporada – 1×0 diante do Borussia Mönchengladbach -, o Bayern conseguiu, em seguida, estabelecer uma grande série invicta e sem sofrer gols. O goleiro, outrora odiado, Manuel Neuer ficou vários minutos sem sofrer gols e quase quebrou alguns recordes germânicos. Suas seguras atuações fizeram com que os torcedores bávaros deixassem a vaidade de lado e admirassem o arqueiro que defendia a meta de seu time.

Com dois gols a menos que Messi, Mário Gomez é o vice-artilheiro da Liga (Reuters)

Na frente, o ataque atuava de forma competente. Nas primeiras dez rodadas da Bundesliga, o setor formado por Mário Gomez, Franck Ribéry e Thomas Müller anotou 26 gols. Borussia Mönchengladbach e Hoffenheim foram as únicas equipes que não sofreram gols do Bayern. Em contrapartida, Hamburgo, Freiburg e Hertha sofreram cinco, sete e quatro – respectivamente – num mesmo jogo.

Além dos atletas citados no parágrafo anterior, Toni Kroos foi outro a obter grande destaque no time alemão. Sem nunca ter passado confiança para a imprensa e aos torcedores do Bayern, o meio-campista se encontrou nesta temporada ao jogar centralizado na linha de três armadores, demonstrando técnica, habilidade e precisão nos passes. A companhia de Bastian Schweinsteiger, obviamente, fez bem a Kroos, mas ele soube aproveitar bem e se tornou a cabeça pensante do time.

Ao término do primeiro turno, a sensação deixada para a Europa era de que o Bayern de Munich era a única equipe capaz de parar a dupla Real Madrid e Barcelona na UEFA Champions League. Com os times de Manchester eliminados ainda na fase inicial do torneio e com as equipes italianas demorando a encontrar a melhor forma, sobrava apenas o time bávaro com a dura missão de ser comparado à dupla espanhola.

Um novo ano chegou e tudo mudou para os lados do Bayern, que demorou a engrenar e atuar de forma convincente. Esses acontecimentos geraram algo óbvio, se tratando de um time do tamanho do Bayern, as críticas! A imprensa alemã começou a pegar pesado e a questionar Jupp Heynckes. No meio do vendaval, brigas entre os jogadores durante os jogos acabaram escancarando a crise no clube entre os meses de fevereiro e março.

Os problemas foram deixados de lado e o time bávaro voltou a jogar bola. Da derrota para o Bayer Leverkusen, no dia 3 de março, até o tropeço que resumiu sua vida útil na Bundesliga, contra o Dortmund, em 11 de abril, o Bayern venceu cinco jogos, anotando dezoito gols e sofrendo apenas três gols. Destes dezoito tentos, treze foram apenas em Hoffenheim e Hertha, sete e seis, respectivamente.

Na UEFA Champions League, os torcedores alemães tiveram a sorte de ver seu time no extremo inferior em apenas um momento, já que o Bayern passou tranquilamente pela fase de grupos – que tinha equipes fortes, como Manchester City e Napoli. O clima esquentou nas oitavas-de-final diante do Basel. Na derrota por 1×0, a imprensa alemã registrou discussões e possíveis trocas de agressões entre os atletas no vestiário. Foi exatamente aí que existiram os questionamentos ao time, todos eles afastados com o incontestável 7×0 do jogo de volta.

O confronto contra o fraco Olympique de Marseille nas quartas-de-final foi um mero treino para a série diante do Real Madrid. Após vencer por 2×1 na Alianz-Arena, os bávaros perderam na volta pelo mesmo marcador, mas superaram os merengues na disputa de pênaltis, tirando o doce da boca de José Mourinho, que enxergava uma grande possibilidade de conquistar a Europa sem nem precisar enfrentar o Barcelona, eliminado no dia anterior.

Jupp Heynckes pode novamente ser campeão europeu (AFP/Getty Images)

Mas a decisão do torneio expôs um problema antigo do Bayern: o elenco. Com vários desfalques no setor defensivo, Jupp Heynckes terá se inventar algo para poder cobrir as ausências, mas aí que está o problema: Ele vai ter que “inventar”, pois o grupo de jogadores bávaros não possibilita ao treinador uma opção simples e confiável.

Mesmo com a humilhante derrota por 5×2, diante do Dortmund na final da DFB Pokal, o Bayern chega com a mente no lugar. Desde a derrota pro mesmo algoz da copa nacional, mas na Bundesliga, o time bávaro passou a concentrar suas atenções na UEFA Champions League e levar o Campeonato Alemão com a barriga, sem passar sustos.

O Bayern também leva para a decisão “apenas” o problema da defesa, que outrora ajustada – sim, ajustada, sempre disse que a zaga bávara é subestimada -, estará remendada no duelo contra o Chelsea. O ataque está voando, até a dupla Robbéry, antes brigada, está bem, com o holandês de contrato renovado.

O sábado ficará marcado na história da Baviera, com a união afinca entre população e time. Na vitória ou na derrota, o dia 19 ganhará um lugarzinho especial na história bávara.

O Bayern não é o Sevilla!

Schweinsteiger mostra toda a força bávara (AFP)

Bayern de Munich, clube vinte e duas vezes campeão alemão, quinze vezes campeão da Copa da Alemanha e quatro vezes campeão europeu. Este é um currículo pra lá de invejável e digno de respeito mútuo. Mas os dias que envolveram o confronto dos bávaros contra o Real Madrid mostraram que muitos não tratam o time alemão assim.

No início, até davam ao Bayern o respeito que lhe era merecido, não só pela história, mas pelo time atual. Manuel Neuer, Arjen Robben, Franck Ribéry, Bastian Schweinsteiger e Mário Gomez são jogadores world class. Isso que nem citei alguns coadjuvantes que vira e mexe decidem algumas partidas. Não era um time milionário que seria capaz de desmerecer um elenco destes!

A única discordância que eu tinha da maioria das pessoas estava em relação à defesa do time bávaro. Claro que não é um setor que encha os olhos, mas foram apenas 21 gols sofridos nos 32 jogos da Bundesliga, a melhor defesa da temporada alemã.

Só que após o jogo de ida a história mudou. O gol de Mesut Özil transformou o Real Madrid em franco favorito e o Bayern em um Sevilla. O time da Andaluzia é visto nos últimos anos como um adversário forte, com bons valores individuais, mas que não tem capacidade de fazer frente à madridistas e blaugranas. É assim que trataram os bávaros que tinham 2×1 de vantagem.

Vi, li e ouvi coisas como “o Bayern vai ter de jogar muito mais no Bernabéu” – sempre levando em conta que os alemães foram superiores no jogo de ida – ou “o gol fora deixou o Real Madrid com enorme vantagem”. Calma aí, os bávaros possuem tanta tradição quanto os espanhóis, eles só não estão em uma liga enormemente badalada pela mídia. Não estou comparando a qualidade da Liga BBVA com a Bundesliga, mas o fato é que o Campeonato Alemão é mais “fechado”, não tem tantas estrelas e valoriza bastante os jogadores locais, coisa que não é muito normal na Espanha. Isso não quer dizer que na Alemanha não tenham bons times e que na Península Ibérica só existam equipes espetaculares..

Passam os dias e o Barcelona vive duas desilusões. No sábado, a derrota que provavelmente renderá o título nacional ao rival de Madrid, e na terça-feira o empate diante do Chelsea, que resultou na sua eliminação da UEFA Champions League. Esses tropeços só serviram para “derrubar” mais ainda o Bayern.

O que mais vi após a eliminação catalã foi gente colocando o Real Madrid como franco favorito ao título (!!!), Cristiano Ronaldo com enormes chances de ganhar a Bola de Ouro pelo fato de Messi não jogar mais a Liga e coisas do tipo. Vi até pessoas da mídia esportiva destacando que “Mourinho é tão sortudo que pegará o Chelsea na final sem Meireles, Terry e Ramires”. E não foi um Rica Perrone da vida que falou isso e sim um cara que acompanha o futebol europeu. Pelo jeito, não acompanha tanto assim…

Mero engano – estou sendo bonzinho – do amigo, pois o “Sevilla alemão” ou a “zebra” mostrou para o mundo que não é bem assim que se deve tratar o poderoso time da Baviera. Jogando de igual pra igual, o Bayern provou que tem todo o peso do Real Madrid. O 2×1 madridista forçou o tempo extra e posteriormente as disputas de pênaltis, vencida pelos bávaros, em grande atuação do outrora odiado Manuel Neuer.

Casillas nada pôde fazer na cobrança de Schweinsteiger (Reuters)

Depois desta série de atos desrespeitosos de torcedores e mídia, vieram novas injúrias ao Bayern. Claro que tivemos elogios e críticas cabíveis aos bávaros, essas sim devemos levar em conta, mas sempre surgem aqueles que dizem “a zebra passeou em Madrid” ou “teremos uma final fraca em Munich”. Uns até apelaram pra ignorância e atacaram diretamente o próprio Real, como se eles tivessem perdido uma semifinal da UEFA Champions League para o Sevilla. Em outras palavras, tiraram todos os méritos do time alemão.

Onde está a tradição do Bayern? No lixo? Não sabem que ela existe? Então fazem o que acompanhando futebol? Bayern tem camisa, tem história, tem time, tem torcida e tem tudo que julgavam não ter nos últimos dias. Não precisa ser um maluco por futebol internacional para saber que o time bávaro é gigante. É muito mais que um clube, é uma marca. É como Flamengo e Corinthians, por exemplo. Não importa a fase que vive, sempre terá alguém fora do Brasil que conhecerá a dupla e saberá de suas forças.

É vergonhoso classificarem a final da Champions League como fraca, decepcionante e com adjetivos do tipo. A tradição está no lado bávaro e a força econômica no lado londrino. Será uma grande final, claro, sem o apelo que teria um Real x Barça, mas com dois times capazes de deixarem sua marca na história das finais de UEFA Champions League.

Assim espero!

O Jogo da Década

Para começo de conversa, o título do post nem seria este. Eu teria mais ousadia e diria que o duelo destacado será “O jogo do século”, mas como bom zagueiro que sou – ??? -, tenho um pouco de cautela e digo que Bayern x Real Madrid será o “Jogo da Década”.

E por que penso assim?

Ora, um duelo que bota frente a frente times do calibre de Bayern de Munich e Real Madrid em um campeonato como a UEFA Champions League por si só já é algo de outro mundo, mas a temporada de ambas as equipes dão impressões ainda maiores de que será um duelo marcante para a história da competição.

O Real Madrid de José Mourinho vai encaminhando a conquista da liga espanhola e na Champions League deixou CSKA Moscow e APOEL pelo caminho sem grandes dificuldades.

Cristiano Ronaldo tem em jogadores como Kaká, a ajuda para decidir (Reuters)

Cristiano Ronaldo tem sido o grande nome do time, batendo recordes atrás de recordes, mostrando que “pipoqueiro é a vó!”. O português só está abaixo de Messi e olhe lá, depende do ponto de vista. O argentino demonstra em campo mais genialidade, enquanto o gajo parece ter recursos ofensivos ilimitados. São dois craques, é inegável.

O Real também tem um bom conjunto, dando um excelente cartel de coadjuvantes para Ronaldo, como Dí Maria, Benzema, Kaká e Özil.

O Bayern parece viver o contrário. Não há uma estrela em destaque e vários bons coadjuvantes a seu redor, mas sim diversos nomes destacados e poucos figurantes.

Os jogadores mais chamativos dos bávaros são Arjen Robben e Franck Ribéry – a dupla Robbéry -, mas se olharmos de forma mais ampla, poderemos notar que Mário Gomez já decidiu uma dúzia de jogos, assim como Kroos e Schweinsteiger. Os coadjuvantes do Bayern são os homens responsáveis pelo trabalho sujo, como Philipp Lahm e Luís Gustavo.

O que parece desequilibrar o duelo em favor dos espanhóis é a defesa. Mas isso se dá pelos nomes e não pelos números. Uma zaga formada por Holger Badstuber e Jérôme Boateng não é muito confiável, mas foram apenas 18 gols sofridos. E um número desses num campeonato como a Bundesliga – conhecida pelos jogos abertos e cheios de gols – deve ser muito valorizado.

Mas uma coisa é certa: o Campeonato Alemão tem vários bons atacantes, a maioria em conjunto, capaz de marcar mais de 18 gols no Bayern, mas nenhum tem o nível do Cristiano Ronaldo. Anular o “Gerd bom” é uma coisa, mas impedir que o Gajo ótimo faça estragos é outra bem diferente. A história muda totalmente de contexto com isso.

Contexto: tai um ponto que acho que acrescenta demais a minha “tese” deste ser o jogo da década.

A dupla Robbéry vem se entendendo nos jogos recentes (Reuters)

Não há uma longa história recente de duelos entre bávaros e madridistas. Essa faixa da UEFA Champions League poderá ser escrita a partir destes confrontos, pois não há uma rivalidade antiga.

É óbvio que existir uma rusga entre os times é bom para “climatizar” o confronto, mas sem ela, o foco não muda, todos querem o jogo. É diferente de Barcelona x Chelsea, por exemplo, onde existe um sentimento revanchista de 2009. Vai ser difícil ver alguém não se lembrar daquele jogo. Mas em Bayern x Madrid, o foco vai ser a partida e nada mais.

Para mim, nem aquele interminável rali entre Barça e Real no ano passado se iguala a esta partida. Os insistentes duelos entre catalães e madridistas chegou a encher o saco de muitos, isso é fato. Alguns não agüentavam mais ver uns vangloriando o Barcelona, outros criticando a arbitragem, etc..

É um gigante duelo, sem dúvida, o Jogo da Década. Dois grandes times, grandes em história, grandes em jogadores, que tem potencial para ultrapassar as fronteiras decimais e protagonizarem um dos grandes duelos do século.

Por que não? É proibido ter jogo histórico atualmente?

Uns aprendem, outros desaprendem

Lahm sabe que o Bayern precisa convencer (Reuters)

Para se conquistar um campeonato, não basta jogar bem. Jogar bem não é sinônimo de vitórias. Por isso, de vez em quando, é muito bom “jogar feio”, alçar bolas na área, ir pra “empurrança”, enfim, vencer de uma maneira não tão “plástica”.

O Bayern de Munich cansou de fazer isso em temporadas anteriores. Os bávaros muitas vezes só incomodavam os adversários que estavam na sua frente na tabela de classificação após conquistarem vitórias truculentas e de placares magros. Já o Borussia Dortmund de Jurgen Klopp nunca foi disso. Sempre jogou bem, bonito e vistosamente. Não à toa, o momento de maior instabilidade na vitoriosa última temporada foi quando o time passou a jogar mal e por isso, os resultados não chegavam.

Mas este início de 2012 tem sido diferente!

O Borussia Dortmund ainda não perdeu em 2012 e embora tenha mostrado um futebol vistoso e muito bom em alguns jogos – como na vitória sobre o Hamburgo na Nordbank Arena -, o time caiu de produção nas últimas rodadas e bateu Nüremberg, Bayer Leverkusen e Hertha Berlin jogando abaixo do esperado e obtendo placares apertados.

Já o Bayern de Munich vive uma pequena crise. Robben é criticado por todos os lados, Müller segue sendo titular indiscutível, mesmo jogando muito mal e as lesões vão dando enormes dores de cabeça a Jupp Heynckes. O resultado disso tudo estão nos resultados, que não tem sido positivos e vão derrubando o time bávaro na tabela de classificação da Bundesliga.

De "puxeta", Grosskreutz deu a vitória ao Dortmund em Berlin (DPA)

Jurgen Klopp conseguiu fazer o Borussia Dortmund jogar mal e vencer. O grande exemplo é Kevin Grosskreutz. Tecnicamente, o camisa 19 nunca encheu os olhos, mas talvez seja o jogador mais tático do futebol alemão. E é justamente Grosskreutz, que dentre nomes como Kagawa, Barrios e Lewandowski, tem decidido jogos como o do último sábado, diante do Hertha Berlin.

Esse aprendizado – se é que podemos chamar de “aprendizado” jogar mal e vencer – pode ser o caminho para transformar o Dortmund de Klopp é um verdadeiro time campeão. A equipe precisa superar as adversidades e perceber que nem sempre dará pra jogar o máximo, tendo enfim, que vencer de forma truculenta.

Já o Bayern se perdeu deste caminho. No último sábado, encarou um agora organizado Freiburg – méritos para o novo técnico do time, Christian Streich – e não mostrou nenhuma alternativa eficaz para furar a defesa adversária. Ribéry agiu em lances esporádicos, Müller foi a velha peça nula, enquanto Robben – que atuou apenas no 2º tempo – desperdiçou a maioria das chances que teve.

Falta de Schweinsteiger? Talvez sim, mas não creditaria o mau futebol bávaro à ausência de Schweini. Não custa lembrar que a cria bávara já terminou 2011 machucado, voltou neste ano, mas jogando muito mal e novamente se contundiu. O Bayern já está acostumado a jogar sem ele.

Muitos fatores podem ser creditados a esta má fase. Um destes fatores é a enorme pressão que o time vem sofrendo, outro fator é o fato de alguns times já terem pegado a manha de jogar contra o time de Heynckes – qualquer time com uma marcação adiantada e relativamente forte, já pára o Bayern -, além, é claro, das intermináveis más fases de Robben e Müller.

Ribéry briga muito, mas também caiu de produção (Getty Images)

O resultado disto tudo é a ausência do bom futebol e dos resultados também. Dortmund e Mönchengladbach, outrora abaixo dos bávaros na tabela de classificação, hoje estão acima e ainda tem o Schalke logo abaixo.

Chega a ser cômica a situação das duas equipes. O BVB acostumado a jogar bem e de forma vistosa nos últimos anos, agora vence seus duelos jogando mal, enquanto o Bayern, outrora time que na “hora H” sabia o que fazer para se virar, hoje desconhece o caminho das pedras.

Mas fica a pergunta: o Bayern, com um elenco recheado de estrelas, voltará a mostrar o futebol eficiente? E o Dortmund? Tem consciência de que “jogar mal e vencer” geralmente tem prazo de validade? Bom, só o tempo dirá!