Cinco confrontos históricos entre Monaco e italianos

Monaco e times italianos é um confronto, de certa forma, recorrente. Desde a temporada 1961/62, quando os monegascos debutaram fora da França, foram 13 confrontos com clubes da Velha Bota, com três vitórias, três empates e sete derrotas, sempre em fases eliminatórias. Na lista histórica, os times da Itália estão atrás apenas de ingleses, alemães e espanhóis em partidas contra o representante do Principado.

Na atual temporada, a Juventus vai cruzar o caminho francês na semifinal da Champions League. Se levarmos em conta o retrospecto nos jogos anteriores, é bom o Monaco se preocupar, já que avançou de fase somente uma vez quando teve equipes de lá pela frente.

Para projetar o confronto da próxima quarta-feira, recordo hoje no blog cinco confrontos marcantes entre monegascos e italianos. Só para ressaltar, o levantamento será em ordem cronológica:

Roma – 1991/92

O baixinho Rui Barros (dir.) decidiu o confronto diante da Roma | Foto: Divulgação/Monaco

O primeiro confronto da lista aconteceu na temporada 1991/92, pelas quartas-de-final da extinta Taça dos Vencedores de Copas Europeias. O Monaco tinha, na época, um time forte comandado por Arsène Wenger e que ainda tinha no elenco nomes como Ettori, Emmanuel Petit e George Weah. A Roma, de Aldair e Rudi Völler, seria o primeiro grande adversário naquela edição, já que passara facilmente pelo galês Swansea (10 a 1 no placar agregado) e pelo sueco Norrköping (3 a 1 no agregado, com duas vitórias).

Na ida, no Olímpico de Roma, uma partida sem grandes emoções, onde o Monaco criou as melhores chances. George Weah e Rui Barros chegaram a acertar a trave em mais de uma ocasião, fazendo com que os monegascos deixassem a Velha Bota com a sensação de que poderiam ter obtido um resultado melhor.

Na volta, o estádio Louis II estava tomado de torcedores. Estiveram presentes 20 mil pessoas, um recorde histórico para o clube. Em campo, uma partida mais aberta, onde o Monaco levou a melhor pelo placar mínimo, gol de Rui Barros, avançando para a semifinal. Foi a única vez que o Monaco eliminou um clube italiano. Em seguida, os monegascos despacharam o Feyenoord, mas perderam a final para o Werder Bremen.

Milan – 1993/94

Duas temporadas depois, o Monaco voltava a encontrar um time italiano em seu caminho. Desta vez, o Milan, e agora na nova Liga dos Campeões da Europa. Naquela época, o torneio tinha formato diferente do atual e os monegascos precisaram passar por duas fases de mata-mata até chegarem a fase de grupos. Eram duas chaves, onde os dois primeiros colocados avançavam e faziam as semifinais.

O Monaco, ainda com Wenger no comando e com outros remanescentes no elenco, como o goleiro Ettori, Emmanuel Petit, Claude Puel e Lillian Thuram, mas com novas referências, como Viktor Ikpeba, Youri Djorkaeff e Jurgen Klinsmann, passou de fase no grupo A atrás do Barcelona e na frente de Spartak Moscou e Galatasaray.

Na semifinal em jogo único, simplesmente o Milan de Fábio Capello, e que contava com um esquadrão formado por Mauro Tasotti, Demetrio Albertini, Franco Baresi, Roberto Donadoni, Zvonimir Boban, Dejan Savicevic e outros tantos. Não deu outra! Jogando no San Siro, vitória milanista por 3 a 0, com gols de Desailly, Albertini e Massaro. Vale lembrar que o Milan se sagraria campeão futuramente, com uma impiedosa goleada por 4 a 0 sobre o Barcelona de Romário, Guardiola, Koeman e Stoichkov.

Inter de Milão – 1996/97

Em 1997, o jovem Henry não conseguiu ajudar o Monaco contra a Inter | Foto: Divulgação/Monaco

Chegamos a temporada 1996/97 e o Monaco, já bastante alterado em relação a anos anteriores (mas ainda com Petit, desta vez como capitão) novamente bateu de frente com uma equipe de Milão. Naquela ocasião foi a Internazionale, de Roy Hodgson, pela semifinal da Copa da Uefa. Curiosamente, o time do Principado foi o segundo francês da campanha nerazzurri, que passara também o Guingamp na primeira fase.

Na ida, em Milão, a Inter parecia que encaminharia a classificação com facilidade. Com três gols em um intervalo de 22 minutos, abriu 3 a 0 no time de Fabien Barthez, Sonny Anderson e Thierry Henry. Maurizio Ganz fez dois e Ivan Zamorano anotou o outro. Na etapa final, o Monaco perdeu Gilles Grimandi expulso, mas ainda conseguiu descontar Ikpeba, que saiu do banco para recolocar os franceses na parada para o jogo de volta.

Na França, o máximo que o Monaco conseguiu foi o 1 a 0, novamente com gol de Ikpeba. Importante ressaltar que essa partida de volta teve arbitragem polêmica do holandês Mario van der Ende. Ele anulou dois gols franceses e o tento que validou teve um claro toque de mão de Enzo Scifo. Por fim, a Inter passou, mas esbarrou no Schalke na grande decisão, que ergueu o troféu nos pênaltis, e o Monaco teve de se contentar com o título francês, servindo de gancho para o próximo jogo da lista.

Juventus – 1997/98

Como campeões nacionais, os monegascos caíram já na fase de grupos da Liga dos Campeões do ano seguinte e conseguiram consistente campanha até a semifinal. Passaram em primeiro na chave que ainda tinha os alemães do Bayer Leverkusen, os portugueses do Sporting e os belgas do Lierse, e conseguiram eliminar o poderoso Manchester United nas quartas-de-final.

Na semifinal, o Monaco levou o azar de bater de frente com a Juventus e com um inspirado Alessandro Del Piero. Com dois gols de pênalti, um de falta e uma assistência, ele ajudou a Velha Senhora a construir um impiedoso 4 a 1, que praticamente eliminou os monegascos.

No Principado, o Monaco promoveu um bombardeio para tentar diminuir a vantagem, mas esbarrou em uma ótima noite de Peruzzi e novamente em Del Piero, que mais uma vez marcou. Os monegascos até venceram por 3 a 2, mas saíram de campo sem a vaga na final.

Juventus – 2014/15

O último confronto foi mais recente, nas quartas-de-final da temporada 2014/15. Na ocasião, o Monaco vinha de surpreendente classificação diante do Arsenal, enquanto a Juventus atropelou o Borussia Dortmund. Havia um favorito claro no confronto, mas não foi isso que se viu na prática. Um único gol, anotado num pênalti até hoje contestado – eu, particularmente, não achei falta e fiquei na dúvida se foi dentro da área – na partida de ida, em Turim, tratou de encerrar o sonho monegasco novamente com um 1 a 0, seguido de um empate sem gols na volta.

Bônus: Completam a lista de confrontos do Monaco contra italianos as eliminações para a Internazionale, nas oitavas-de-final da Copa dos Clubes Campeões Europeus, em 1963/64 (derrotas por 1 a 0 e 3 a 1); e na semifinal da Taça dos Clubes Campeões de Copas Europeias, para a Sampdoria, na temporada 1989/90 (empate por 2 a 2 na ida e derrota por 2 a 0 na volta).

Anúncios

Os números dizem muito (III) – “Mitoslav” Klose

O apelido de Miroslav Klose é “Miro”. É um apelido carinhoso, o diminutivo de seu primeiro nome.

Mas logo ao chegar na Itália, seus gols fizeram os torcedores da Lazio lhe chamar de “Mito”.  Isso antes do Derby della Capitale.

Já estávamos nos acréscimos da etapa completamentar. A Lazio, jogando a 2ª etapa inteira com um homem à mais empatava com a Roma por 1×1, até que o brasileiro Matuzalém deu belo passe para Miroslav Klose mandar pras redes. A festa foi imensa e certamente o apelido de “Mito” ficará marcado.

Mas ilude-se quem pensa que esse início de Klose pela Lazio é o melhor de sua carreira. Veja abaixo a comparação.

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa do Bayern, Klose marcou 5 gols

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa do Bremen, Klose marcou 5 gols

Em seus 6 primeiros jogos com a camisa da Lazio, Klose marcou 4 gols
 
*Os números acima se referem aos jogos pelo campeonato nacional

Na verdade, não quero rebaixar Klose e seu início na Lazio, e sim mostrar o quanto ele é regular e que essa história de que ele só faz gol na Seleção é uma balela sem tamanho.

Resumo da janela: Itália

Já estamos quase acabando a passada geral no que rolou na janela de transferências das principais ligas européias. Chegamos agora ao país que tem formato de bota, a Itália!

Matri se destacou na Juve

Na Itália, a equipe que mais gastou foi a Juventus. A Vecchia Senhora investiu mais de 85 milhões de euros em contratações, porém, não trouxe nenhum nome que balançasse as estruturas. Por 500 mil euros à mais que Vucinic, Alessandro Matri foi o investimento mais caro da Juve. Ele já havia atuado na equipe de Turim na última temporada, só que por empréstimo. Só que seus 9 gols em 15 partidas fizeram os dirigentes da Juventus gastarem 15,5 milhões de euros para trazê-lo em definitivo. Como foi citado anteriormente, por 15 milhões de euros, Vucinic veio pro 15 milhões de euros. A Juventus completou seus reforços de ataque com Quagliarella – outro que já estava na Juve por empréstimo e agora vem em definitivo -, Giaccherini, Estigarribia e Elia – os dois últimos são mais homens ofensivos do que atacantes propriamente ditos.

Além de Quagliarella e Matri, Simone Pepe, Frederik Sorensen e Marco Motta, que já estavam por empréstimo na Juventus, foram contratados em definitivo.

Stephan Lichtsteiner, Arturo Vidal, Michele Pazienza, e Andrea Pirlo completam a lista de chegadas na Vecchia Senhora. De todos esses, Vidal foi o mais caro, 10,5 milhões de euros.

Uma série de figuras conhecidas dos torcedores da Juventus deixaram o clube. Sissoko foi pro PSG, por empréstimo Felipe Melo foi para o Galatasaray, Salihamidzic foi pro Wolfsburg, Giovinco ficou no Parma, assim como Tiago permaneceu no Atlético de Madrid, Grygera foi pro Fulham e Jorge Martínez foi pro Cesena.

A Juventus deu uma bela reformulada em seu elenco. Investiu bastante, mas não trouxe nenhum grande nome – daria pra considerar Pirlo, mas ele teria de estar inteiro, coisa rara ultimamente – e terá de focar suas atenções em Del Piero, que talvez já não tenha pernas. Mas vale lembrar que já faz uns dois anos que falo que Ale não terá pernas pra carregar a Juventus e ele me desmente…

Um grupo de investidores liderado pelo executivo Thomas DiBenedetto comprou a Roma e botou dinheiro no clube. Até por isso, mais de 78 milhões de euros foram investidos nesta janela de transferências. Mas assim como a Juventus, o time da capital italiana não fez nenhum negócio de parar o trânsito.

Érik Lamela saiu logo cedo da Argentina para se aventurar na Roma

O jovem Érik Lamela foi a contratação mais cara do clube. Ele veio por 15 milhões de euros. Por uns trocados a menos, Pablo Osvaldo, ex-Fiorentina e que era o grande destaque do Espanyol, também chegou à Roma.

Os Giallorossi também trouxeram alguns garotos que querem mostrar serviço. Sem chances no Chelsea, o garoto de 20 anos, Fábio Borini vem por empréstimo do Parma; aos 21 anos, Miralem Pjanic tentará uma melhor consolidação no time titular da Roma, coisa que nunca conseguiu no Lyon; fiasco no Wolfsburg, Simon Kjaer, de 22 anos, terá uma grande chance de mostrar o bom futebol que apresentou nos tempos de Palermo; cria do Nantes, Loic Nego, aos 20 anos foi outro a migrar para a Roma. Sem falar de Bojan, contratado por 12 milhões de euros. O garoto de 21 anos gerou muita espectativa no Barcelona, mas perdeu muito espaço. José Ángel, de 22 anos foi outro garoto vindo da Espanha para a Roma. Dedo de Luís Enrique!

Mas com certeza, a melhor contratação da Roma foi para o gol: Maarten Stekelenburg, 6 milhões de euros. Foi relativamente barato e é muito bom goleiro. A Roma que tanto sofreu com Doni’s e Júlio’s Sérgio’s durante os últimos anos, finalmente terá um grande goleiro em sua meta.

Deixaram a Roma alguns jogadores que se desgastaram com o passar do tempo, como John Arne Riise, Doni e Jérémy Ménez. Mexès e Vucinic foram outras duas peças carimbadas do time titular da Roma que deixaram o clube.

Mas vale lembrar que o que anda fazendo barulho na Roma não são as contratações e sim o novo técnico, Luís Enrique, que não só trouxe um caminhão de jogadores da Espanha, como tem comprado briga com Francesco Totti…

Quem se mexeu bem mesmo foi o Milan. Só contratações cirúrgicas!

Taiwo tem tudo pra dar certo no Milan

Pra problemática lateral-esquerda, chegou de graça, Taye Taiwo. Bem na defesa, eficiente no ataque e dono de uma patada de canhota. Belo reforço! Pra não passar problemas na defesa, Mexès foi outro que veio de graça. Em tese, ele é banco de Nesta e Silva, mas com três boas opções, a rodagem no elenco será melhor executada. Alberto Aquilani veio por empréstimo do Liverpool. É mais uma chance a ele. Jogadores como Ibrahimovic, Amelia e Boateng, que estavam por empréstimo no clube, foram contratados em definitivo.

As saídas que ocorreram no elenco do Milan não causaram tanto barulho. Jogadores como Jankulovski, Sokratis, Borriello, Onyewu, Oddo e Legrottaglie estavam sem espaço e vão embora sem deixar saudade.

O Milan deu uma bela reforçada em seu elenco. Já não é mais tão velho e as opções estão em maiores quantidades. Massimo Allegri poderá fazer um rodízio maior em seu elenco, sem perder a qualidade do time.

Tá certo que a dupla de Milão está um pouco escondida em relação a dupla Juve-Roma, que contratou de montão, mas a timidez da Inter nessa janela foi algo notório.

A equipe perdeu Eto’o pro Anzhi da Rússia e esteve perto de perder Sneijder pro futebol inglês, mas nunca se posicionou com firmeza diante das diversas especulações. Era só aquele papinho do “não sai”, “ele quer ficar”, só o feijão com arroz mesmo.

Como de costume, muitos sulamericanos reforçando a Inter. O argentino Ricardo Álvarez veio por quase 12 milhões de euros – negociação mais cara do clube -, o brasileiro Jonathan chegou por 5 milhões, o uruguaio Forlán, contratação de mais destaque da Inter, veio por 5 milhões, enquanto o argentino Zárate chega por empréstimo da Lazio. Apenas Viviano, Nagatomo – estava por empréstimo, agora em definitivo – e Castaignos são os reforços “estrangeiros”.

Além de Eto’o, as outras duas saídas de destaque são as de Davide Santón e Goran Pandev. O primeiro acabou fazendo uma temporada ruim e mesmo quando era titular nos tempos de Mourinho, nunca havia convencido. Agora respirará ares ingleses no Newcastle. Já Pandev foi emprestado ao Napoli e lá poderá ser mais importante do que estava sendo na Inter, onde era diversas vezes criticado por seus sumissos dentro da partida.

A Inter não fez muito barulho na janela e até por isso a coloco no mesmo nível de Juve e Roma. Mas você pode pensar: “Como no mesmo nível se Juve e Roma contrataram bastante?”. Tá certo, contrataram de montão, mas não trouxeram nenhum grande jogador e contratações em massa não são sinônimo de resultado imediato. Por isso coloco a Inter no mesmo patamar de Juve e Roma. Em outras palavras, a chance de sair de mãos cheias ou mãos vazias é quase a mesma.

BOLA DENTRO (CHEGADAS)

– Contratado por 17,5 milhões de euros, Gokhan Inler chega com muita moral no Napoli. E tem tudo para se dar bem por lá. Suas boas temporadas na Udinese me passam essa sensação;

– O promovido Novara trouxe o japonês Morimoto. Esse caiu demais de uns tempos para cá, mas já mostrou no Catania que pode dar uma forcinha e evitar um rebaixamento;

Klose quer ser o homem-gol da Lazio

– Artilheiro no futebol alemão, Klose terá a chance de mostrar seu valor na Itália jogando na Lazio. Bola dentro dos Biancocelesti, isso se tiverem paciência com a adaptação de Miro, que pode demorar. Varia de atleta para atleta;

– O Bologna perdeu o selecionável Viviano, mas trouxe Gillet. Bom goleiro e que há um bom tempo estava no Bari;

– A Fiorentina trouxe Santiago Silva, que estava no Vélez. Atacante matador e tem tudo pra dar certo no Calcio;

BOLA DENTRO (SAÍDAS)

– O uruguaio Chevantón migrou pro futebol argentino, deixando o Lecce. Esse teve muitas chances no futebol europeu e nunca aproveitou;

– Do Napoli saiu José Sosa. Ainda é promissor, mas não estorou. Não foi no time napolitano que o estouro acontece e sai sem deixar saudades;

– O Parma vendeu pro Sporting o rodado Valeri Bojinov. Muito nome, pouca bola;

– A Lazio fez um belo negócio ao vender Muslera. Goleiro fraco, mas que fez uma bela Copa América. Os Biancocelesti conseguiram 6 milhões de euros ao vendê-lo pro Galatasaray;

– Adrian Mutu deixou a Fiorentina. Já estava sem clima depois dos diversos problemas de dopping;

BOLA FORA (CHEGADAS)

– Será que vale a pena pra Atalanta dar mais uma chance para Germán Denis? Foi mal no Napoli e na Udinese e nunca fez grande coisa em campos italianos;

– O Bologna trouxe Alessandro Diamanti. Esse passa de time em time e nunca é lapidado;

– A Fiorentina trouxe Rômulo, ex-Cruzeiro e Atlético/PR. Desde o início, o achei bem fraquinho. Típico lateral que ataca feito louco e dá muitas brechas na defesa;

– Outra jogador mediano que a Firenze trouxe foi Kharja, que estava na Inter;

– O Genoa trouxe Zé Eduardo, ex-Santos. Atacante medíocre e sabe-se lá como foi arranjar uma vaguinha no futebol italiano;

Até a próxima!

Roma conquista seu título na temporada

Totti decisivo (AFP)

Os clássicos italianos são um barato. São cercados de rivalidade nas arquibancadas e dentro de campo. Muitas vezes, o torcedor prefere ver seu time vencer o clássico regional e do que conquistar um título. É questão de gosto, mas acontece de encontrarmos fanáticos que chegam a esse ponto.

Lazio e Roma fizeram hoje o Derby della Capitale. Ambas as equipes não almejam o título e terão de se contentar com uma eventual vaga em alguma competição internacional. Muito pra um, pouco pra outro.

Os Biancocelesti estavam na 5ª colocação, com 51 pontos e durante bom tempo ficaram ocupando um dos postos na zona de classificação pra Champions League. Definitivamente é uma temporada acima do esperado, se levarmos em conta que a Lazio chegou até a lutar contra o rebaixamento na temporada passada.

Já os Giallorossi estavam na 6ª colocação, com 46 pontos, distante demais do título, distante da zona de classificação da Champions League e ainda era recém eliminado da mesma Champions League de forma vexatória, após tomar 6×2 do Shakhtar no placar agregado. Temporada pra lá de decepcionante, para um time que perdeu a chance de ser campeão italiano na última temporada.

Digo que “perdeu” o título italiano por causa desse jogo aqui, diante da Sampdoria, na 35ª rodada da Série A, quando a Roma, jogando no Olímpico lotado, perdeu pra Samp por 2×1 e desperdiçou a chance de permanecer na liderança da competição. A Inter tomou a ponta e levantou o caneco.

No clássico de hoje então, teríamos a Lazio querendo muito a vaga na Champions League e a Roma tentando se reconstruir e quem sabe, chegar a alguma competição internacional.

Mas se lembra o que digitei acima, dizendo que a “campanha da Lazio é acima do esperado”? Basicamente dá pra dizer que o time não tem cancha, não tem experiência, ou seja, cai fácil na presa do adversário. Assim dá pra descrever o clássico.

Dividida light (Reuters)

A partida foi ruim, muito truncada, poucas chances de gols e muitas pancadas. Costumo dizer que clássicos como esse tem porrada, sangue, braço decepado e tiro na cara. Na hora mais decisiva, a Roma catimbou e a Lazio caiu na armadilha.

Com a partida em 1×0 à favor da Roma – gol de Totti, de falta, num frangaço do Muslera -, os Giallorossi começaram a fazer cera no fim do jogo, prendendo a bola na linha de fundo, demorando pra cobrar faltas, laterais e outras ceras do tipo. Até que Radu deu uma cabeçada em Simplício, primeiro ato de descontrole. O segundo ato de descontrole envolveu o mesmo Fábio Simplício, que sofreu pênalti. Aliás, no jogo do 1º turno, Fábio Simplício também sofreu um pênalti, ou seja, ele foi o grande protagonista do clássico na temporada. No lance, Ledesma foi expulso e Totti converteu o penal.

Totti vibra com o gol (Fotonotizia)

Não é só por causa dos dois gols que Totti foi o grande personagem da partida. Ele apanhou um bocado. Travou duelos de gladiadores com Biava e Matuzálem, mas diga-se de passagem, não foi nenhum santinho em campo. Não fugia de uma dividida, deixa braço, perna, coração…Mas numa balança, ele apanhou mais e não se esquentou tanto como vive fazendo. Porém, com a bola no pé, foi o maestro romanista.

Foi o grande título da Roma na temporada, vencer os dois derbys da temporada. O time pode não erguer nenhum troféu, pode não valer vaga pra nada – embora eu seja um daqueles que ache que título tem seu valor, mesmo não dando vaga pra nenhuma competição -, mas tem o valor motivacional pros jogadores, que podem buscar uma motivação pro restante da temporada e o vale mais pros torcedores, que garantiram mais alguns meses de gozação aos torcedores da Lazio.

Agora pros Biancocelesti fica a sensação de que realmente falta cancha pro time. A Lazio perdeu a cabeça no fim do jogo. Deixou a Roma segurar a bola e impaciente, foi pra porrada. Vale lembrar que provavelmente o time romano vai disputar uma competição internacional na próxima temporada e não é perdendo a cabeça que eles vão fazer bonito.

Faltou um…Henry…um Vieira

Vá ser tolo assim lá.... (Getty Images)

O Arsenal foi eliminado da Champions League.

Esperado, pra não dizer muito previsível.

Tinha a vantagem, mas pegava um time muito melhor fora de casa.

Mas poderia sim vencer o jogo, o problema é que falta alguma coisa…Uma coisa chamada liderança.

Zanetti foi/é o líder da Inter

É difícil imaginar um time sem líder vencer a maior competição de clubes do mundo. Atuais campeões, a Inter tinha Javier Zanetti, que mesmo veterano, seguia esbanjando categoria, pulmão e garra. Campeão da Champions League 08/09, o Barcelona tinha Puyol com a raça e Messi a bola no pé. No ano anterior, Giggs, Scholes e Ferdinand eram os pilares do Manchester campeão europeu, junto com um tal de Cristiano Ronaldo. E daria pra citar outras centenas de exemplos, mas não quero me alongar.

Mas o Arsenal atual? Quem você enxerga com o dom de liderar a equipe, de bater no peito quando a coisa tá feia, que tem a vontade de mostrar que “eu sou o líder dessa bagaça e junto iremos longe”? Ninguém.

O capitão da equipe, Cesc Fábregas é – pelo menos pra mim – supervalorizado. Uns o chamam de craque, outros de gênio, mas pra mim não passa de um jogador muito boa, nada mais que isso. A tarja de capitão em seu braço não passa de um mero símbolo. Mero símbolo que outrora havia sido honrado com muito fervor e paixão por jogadores como Patrick Vieira e Thierry Henry.

Gostava de uma briga ou não o tal do Vieira?

Vieira comprava briga por seu time e mandava prender e soltar no meio campo londrino, já Henry era o genial, aquele que não só empurrava a bola pras redes, como era a referência e o diferencial. Fábregas não une nenhuma dessas qualidades. Ele some. Não briga, não tem vontade, corre, corre e nada mais que isso. A referência e o diferencial ficam reservados a poucos momentos – diminuidos pelos poucos momentos que joga. Que tipo de líder sai jogando de letra na entrada da área, dando de graça um gol ao adversário? Se você considera Fábregas um símbolo de liderança, ele é esse tipo.

Faltou um Vieira no lugar do Fábregas…assim como faltou um Henry no lugar de van Persie. Que expulsãozinha estúpida! Pra falar a verdade ele já poderia ser expulso de primeira, pois tentou agredir Dani Alves, mas conseguiu o grande feito de errar. Levou amarelo, tudo bem…No segundo tempo, ele recebe em impedimento e dá um bico na bola. A desculpa de que não ouviu o apito é válida, já que o Camp Nou estava lotado, mas o auxiliar ficou um mês com a bandeira erguida, ele poderia ter visto. Discordar, dizendo que foi injusta a expulsão, tudo bem, agora já vi gente dizendo que foi absurda. Ué, mas não tá na regra que bicuda depois do árbitro parar o lance não é cartão amarelo? Ele já tinha. Pra mim, Busacca foi correto na expulsão do holandês.

Agora, vendo o histórico do Henry no Arsenal, você acha mesmo que ele seria expulso de forma tão estúpida? Ele teria ao menos o bom senso de parar no lance.

Os candidatos a “líderes do Arsenal”, Nasri e Wilshere se assemelham com os ídolos anteriores. Samir é técnico e tem aparecido quando preciso, lembrando Henry, já Jack tem ao menos disposição, coisa que Fábregas não teve e Vieira tinha. O único problema é que eles não tem exemplos no Arsenal pra seguir e podem cair no marasmo e relaxamento de uns e outros…

Reclamem do juíz...mas nem chutaram em gol (AFP)

O Arsenal reclama da arbitragem, se esquecendo que Messi foi calçado por Diaby dentro da área e Busacca nada marcou. Reclama da expulsão, se esquece que van Persie foi ingênuo e estúpido demais nos dois lances. Não custa lembrar que se ele não tentasse dar um safanão em Dani Alves, ele não seria expulso por dar uma bicuda na bola. Reclama do pênalti no terceiro gol, mas quem manda ficar socado dentro da área? Koscielny derrubou Pedro, foi pênalti. Mas se van Persie não fosse expulso e o pênalti em Pedrito não fosse marcado, alguém garante que os Gunners venceriam? Não! Pelo andar da carruagem, o 3×1 viria naturalmente, com ou sem ação da arbitragem. Mas poderia ser que o Arsenal vencesse. Com a bolinha que estava jogando, não venceria, mas vai saber…

Último detalhe pra Wenger e seus amiguinhos chorões: Se o Arsenal não tivesse tropeçado no ‘poderoso’ Braga na fase de grupos, teria ficado em 1º na sua chave e não pegaria o Barcelona.

Dá pra competir com isso? (AFP)

Sobre a partida, o 3×1 é incontestável. O Arsenal entrou pra se defender e não estava pronto pra atacar. Quando teve a bola não soube o que fazer. Não deu um mísero chute à gol – só a ingênua bicuda de van Persie que lhe rendeu uma expulsão -, seu tento foi um verdadeiro “achado” – Busquets desviou de cabeça pro gol. O Barcelona envolveu o adversário com sua troca de passes, meteu 3×1 de forma indiscutível, não foi o árbitro que estragou o jogo. Xavi jogou demais. Messi, igualmente. Iniesta apareceu quando preciso. Adriano foi um baita elemento surpresa. E repito: Mesmo que os lances em que o Arsenal se diz prejudicado não fossem anotados, continuo achando que o Barcelona meteria 3×1 de novo.

É o famoso chorôrô londrino…Wenger que procure encontrar uma liderança entre os garotos ou vai emendar mais alguns anos na fila…

REAÇÕES

Impedimos o adversário de fazer mais do que três passes seguidos e criamos muitas ocasiões de gol. Analisámos o jogo de ida e decidimos o que devia ser alterado para esta partida. Eles possuem uma filosofia de jogo, mas nós não deixamos que a colocassem em prática.

Josep Guardiola, técnico do Barcelona

São coisas que acontecem no futebol, existem regras no futebol, a culpa é sua

Eric Abidal, defensor do Barcelona

Nós perdemos contra um bom time, mas se tivéssemos ficado com 11 jogadores cada um, então eu poderia aceitar a eliminação. Infelizmente não foi esse o caso, e nós temos muitos lamentos hoje. A maneira como nós perdermos hoje torna isso difícil de aceitar

Arsene Wenger, técnico do Arsenal

Minha expulsão influenciou massivamente no resultado da partida. Foi uma piada completa. Como eu podia ouvir o apito quando existiam 95 mil pessoas pulando e fazendo barulho. Ele foi mal durante toda a noite, e eu não sei por que ele está aqui.

Robin van Persie, atacante do Arsenal

Olha só um ex-Arsenal se destacando...

No outro jogo do dia, nenhuma surpresa, embora tenha sido um vexame pro time perdedor. A Roma, que agora não é mais de Adriano – sorte pro clube romanista -, tomou 3×0 do Shakhtar Donetsk e deixa de forma vergonhosa a Champions League. O vexame foi maior porque quando a partida estava 1×0 pros ucranianos, Borrielo perdeu um pênalti. Quando a Roma esboçava uma reação, parecendo que podia conseguir algo, Mexès foi expulso e tudo foi pro lixo. O Shakhtar se classifica com méritos e olho nesse time. Não é aquela famosa equipe lotada de brasileiros que não jogam nada, é uma equipe que tem sim vários brasileiros, mas que são bons de bola.

REAÇÕES

Não podemos pensar que só vencemos a Roma por ter ficado com dez jogadores. Também jogámos muito bem contra 11 e teríamos igualmente ganho o jogo.

Mircea Lucescu, técnico do Shakhtar

Os rapazes mostraram que estão progredindo, apesar do resultado. Eles ainda podem fazer melhor, mas não há necessidade de ficar desmoralizado pelo resultado, pois estamos no caminho certo

Vincenzo Montella, técnico da Roma

Hino Mania – Roma

Esse é o segundo “Hino Mania”, agora destacando um time que legitimamente é sim copeiro, a Roma, que nesta semana tirou a Juve da Coppa Italia e fará a semifinal contra a Inter.

O hino da Roma se chama Non si discute, si ama, mas todos conhecem como Roma, Roma, Roma, que é cantado Antonello Venditti e desde 1974, esse hino é executado no Stadio Olímpico antes dos jogos da Roma. Confira a letra abaixo e logo em seguida, o link pra ouvir o hino (caso não consiga ouvir, veja o clipe com o hino).

Roma Roma Roma
core de ‘sta Città
unico grande amore
de tanta e tanta ggente
che fai sospirà.
Roma Roma Roma
lassace cantà,
da ‘sta voce nasce n’coro
so’ centomila voci
ciai fatto ‘nnamorà.
Roma Roma bella,
t’ho dipinta io
gialla come er sole
rossa come er core mio
Roma Roma mia
nun te fà ‘ncantà
tu sei nata grande
e grande hai da restà
Roma Roma Roma
core de ‘sta Città
unico grande amore
de tanta e tanta gente
m’hai fatto ‘nammorà

>>Hino oficial da Roma

Ouça também a torcida cantando, já que como disse acima, esse hino é cantado antes dos jogos da Roma

Agora confira com anúncio dos jogadores e tudo.

O fanatismo por Francesco Totti fez com que Piero Mirigliano gravasse essa música, Un Capitano, uma verdadeira homenagem ao camisa 10.

Se parli della Roma
tu pensi a Francesco
la maglia la bandiera de ‘ sta bella città.
c’è solo un capitano e gli devi rispetto
Francesco non si tocca mai!

Totti goal!Totti goal!
l’altri te vonno e tu je dici de no!
Totti goal! Totti goal!
Perchè sei Roma e senza te nun ce sto!

Er popolo romano, è un popolo signore
orgoglio giallorosso de ‘sta Roma che va’
“c’è solo un capitano”, e te lo grido cor core!
Francesco non mollare mai!

Campione dei campioni sei e sarai
sincero e generoso come sei
la classe nun è acqua e tu ce l’hai
Francesco non mollare mai!

Totti goal! Totti goal!
l’altri te vonno e tu je dici de no!
Totti goal! Totti goal!
Tu sei la Roma e senza te nun ce sto!

Se lembra do Antonello Venditti? Ele ficou tão empolgado que compôs mais duas músicas. A primeira música, a Grazie Roma foi composta após o scudetto de 1983 e a segunda música, Che C’è foi composta após o scudetto de 2001.

GRAZIE ROMA

Dimmi cos’è che ci fa sentire amici
anche se non ci conosciamo.
Dimmi cos’è che ci fa sentire uniti
anche se siamo lontani.
Dimmi cos’è, cos’è
che batte forte, forte, forte in fondo al cuore,
che ci toglie il respiro e ci parla d’amore.
Grazie Roma,
che ci fai piangere e abbracciarci ancora.
Grazie Roma, grazie Roma,
che ci fai vivere e sentire ancora una persona nuova.
Dimmi cos’è quella stella grande grande in fondo al cielo
che brilla dentro di te
e grida forte forte in alto al cuore,
Grazie Roma,
che ci fai piangere e abbracciarci ancora.
Grazie Roma,
grazie Roma, che ci fai vivere e sentire ancora una persona nuova.
Dimmi chi è chi è che mi fa sentì importante
anche se non conto niente,
che mi fa re quando sento le campane
la domenica mattina.
Dimmi chi è chi è
che mi fa campà sta vita così piena di problemi
e mi dà coraggio se tu non mi vuoi bene.
Grazie Roma,
che ci fai piangere e abbracciarci ancora.
Grazie Roma,
grazie Roma, che ci fai vivere e sentire ancora una persona nuova..


CE’CÈ

Che c’è
è ritornato il sole dentro me
e l’aria è più leggera come se
tutto l’amore che cercavi adesso c’è
e non ti manca niente al mondo.

Che c’è
che bella sta giornata insieme a te
di lacrime e di gioia come se
tutta la vita che speravi è qui per te
e non ti manca niente al mondo

Il tempo ci ritrova qui
ancora un’altra volta
i nostri cuori unisoni
legati un’altra volta
per te che ci fai liberi
ovunque al mondo siamo
in ogni giorno che vorrai
io griderò ti amo.

Perchè
sognavo questa Roma
e Roma c’è
e l’anima è leggera come se
tutto l’amore che cercavi adesso c’è
e non ti manca niente al mondo

E il tempo ci ritrova qui
uniti un’altra volta
i nostri cuori unisoni
cantare un’altra volta
per te che ci fai liberi
ovunque al mondo siamo
in ogni giorno che vorrai
io griderò ti amo.

Che c’è
è ritornato il sole dentro me
e l’anima è leggera come se
tutto l’amore che cercavi adesso c’è
e non ti manca niente al mondo.

Per te
sognavo questa Roma
e Roma c’è
e l’aria è più leggera come se
tutta la vita che speravi è qui per te
e non ti manca niente al mondo

Che c’è….

Agora vemos a torcida da Roma, na festa de 80 anos do clube, cantando Grazie Roma


Um time comum

Juve cai na Coppa Italia

Hoje quem vê a Juventus de Luigi Del Neri jogar chega a uma conclusão: “Que time comum!”

Foi a conclusão que tirei após o jogo de hoje. A Juve encarou a Roma pela Coppa Italia e não fez nenhum esboço de bom futebol. Pra falar a verdade, nem os Gialorossi apresentaram um bom futebol, foi um jogo ruim, mas a ruindade da Juventus “foi melhor” que a ruindade da Roma.

A Juve tinha uma saída de bola lenta. Dependia de mais da saída de Felipe Melo. Pro azar de Del Neri, o técnico Claudio Ranieri botou gente pra marcar a saída do brasileiro, que tinha dificuldades em colocar velocidade em sua saída de bola. Sissoko ou os zagueiros, quando tentavam sair jogando mantinham a lentidão. Pelos flancos, Pepe e Martínez fizeram partidas discretas. Pouco tocaram na bola. Pepe saiu contundido na etapa final, enquanto Martínez trocou algumas vezes de posição, de acordo com as alterações feitas por Del Neri, mas não correspondeu. Na frente, Amauri, que jogou só no primeiro tempo, não recebeu nenhuma bola e se limitou a disputar bolas no meio campo.

Del Piero não pode mais ser o "chefe da companhia"

Aí vem Alessandro Del Piero.

Aos 36 anos de idade, obviamente ele não tem mais o fôlego de dez anos atrás, mas a técnica, claro, ele não perdeu. O problema é que a Juve depende demais do camisa 10. Valia, por exemplo, olhar o exemplo do adversário da noite de hoje. A Roma tem como maior astro Francesco Totti. Ele é banco desse time. Meio irritado, é fato, mas é banco. Obviamente, os Gialorossi não dependem tanto de Totti, até porque jogadores como Borriello, Vucinic e Ménez ora ou outra estão decidindo, fazendo com que Totti não seja tão necessário quanto tempos atrás.

E na Juve? Quem decide na falta de Del Piero? Trezeguet e Nedved não estão mais lá. Vai esperar que um Krasic, que um Amauri, que um Iaquinta, Aquilani ou qualquer outro decida? Acho que não. São os típicos “trabalhadores” e não “donos”.

A Juventus não pode ser escrava do Del Piero. Daqui à pouco ele pára de jogar. E aí? O que acontece? Vai torcer pro Sissoko decidir? Claro que não! Forlán pode vir, mas o uruguaio não é mais um garoto, pode ajudar a Juve em poucos anos. É claro que Del Piero é craque, mas hoje ele está mais pra “funcionário da fábrica” do que pra “dono da fábrica” – se é que você me entende -, então ele não pode mais ser o grande astro da equipe.

Krasic apareceu como esperança de substituir Del Piero no posto de ídolo – até porque os dois atuam em posições diferentes, então somente na questão “ídolo” -, mas o sérvio tem se destacado mais na semelhança com Pavel Nedved do que no futebol, que até tem sido bom, mas nada que coloque a Juve numa posição honrosa na Série A. O jogo de hoje foi um exemplo disso. Krasic entrou no intervalo e até começou bem, buscando o jogo, mas logo entrou no marasmo que foi o jogo da Juve e declinou.

Luigi Del Neri tem culpa nisso. Esse 4-4-2 que ele “arma” é muito ineficiente e previsível. Do modo que ele escalou hoje – Felipe Melo e Sissoko pelo centro e Pepe e Martínez pelos flancos – era esperado um jogo pelas laterais mais efetivo, mas foram vistos lentos toques de bola e muito jogo pelo miolo de defesa. Martínez mal tocou na bola, assim como Pepe, embora seu lado tenha sido o mais explorado pela Juve…Mas com as subidas de Motta e não com a participação do camisa 23.

É verdade que Amauri e Iaquinta não são os atacantes dos sonhos, mas de nada adianta culpá-los se eles não recebem uma bola redondinha.

O jogo de hoje também pode ficar marcado por um momento curioso, que pode até se tornar polêmico: Aquilani esteve pronto para entrar, estando próximo à beira do gramado, mas na hora de entrar, Del Neri preferiu colocar Grosso. Até agora não vi nada nos sites italianos, pode ser que essa “polêmica” seja coisa de minha cabeça, hehe.

Até quando a Juventus perdia por 1×0 e via uma Roma recuada, preocupada em trocar passes e ver o tempo passar, não esboçava nenhuma reação, parecia achar que teria um jogo de volta, foi apática. Era bola no Del Piero e ele que se vire. Pobre coitado! Vovô do time e tendo que resolver.

Mas resumindo, a Juventus é um time comum. Tem uma defesa comum. Com um bom zagueiro – Chielini -, com um zagueiro sujeito a chuvas e trovoadas – Bonucci – e com laterais comuns – geralmente um que sobe mais e outro que fica preso -, um meio campo pouco criativo e um ataque que precisa de boas bolas – em alguns casos, excelentes bolas, pois boas não adiantam – pra marcar. Ou seja, time comum, time que merece a 6ª colocação da Série A, time que merece ser eliminado de uma Liga Europa com 6 empates em 6 jogos, mas que não é um time que honra o nome “Juventus”.

>>>>>>>>>>>>>

Taddei foi pra galera após o gol (EFE)

Sobre o jogo, partida chata…Muitos toques de lado, jogo lento, poucas chances de gol – ainda voltando ao tema Juventus, Júlio Sérgio não fez absolutamente nenhuma defesa – e muitas pancadas, mas olha só, Antonio Damato deu somente dois cartões amarelos, quando mais deveriam ser distribuidos. Ele também deixou de dar um pênalti claro em cima de Del Piero no finzinho do jogo. Mexés deu um abraço no camisa 10 e o derrubou e nada foi marcado.

Digamos que a Roma foi “menos ruim”. Criou poucas chances e fez dois gols, com Vucinic e Taddei e com méritos passa de fase, mostrando que é sim um time copeiro.

A Roma vai pegar a Inter, que nos pênaltis eliminou o Napoli. Na outra semifinal, teremos Milan e Palermo. Se na Espanha a final da Copa do Rei pode ser Barcelona e Real Madrid, na Itália podemos ter Inter e Milan.