EURO 2012: O grupo da vida

Para fechar esse balanço pré-Euro, chegamos ao Grupo D, o “Grupo da Vida”. Encontram-se nesta chave uma seleção se acertando, outra perdida entre diversas crises internas, outra com um dos maiores centroavantes da atualidade, além da seleção que recebe o torneio em sua casa e contará com o apoio da torcida.

Renovada, a França precisava justamente de um grupo como esse, onde saísse como favorita para conseguir confiança para o restante da competição; A Inglaterra, com muitos problemas internos e, mais recentemente, de contusão, dificilmente teria chances de se classificar em outro grupo; Ainda tem a Suécia, que conta simplesmente com Zlatan Ibrahimovic; Para fechar, uma das anfitriãs do torneio, a Ucrânia.

Confira abaixo a análise e as expectativas para cada uma das seleções nesta UEFA Euro.

UCRÂNIA: Que a torcida os ajude

Shevchenko encerrará sua carreira após a Eurocopa

Diferentemente da outra anfitriã, Polônia, a Ucrânia chega a Eurocopa com bem menos expectativas. Com sete jogadores acima dos 30 anos, o selecionado ucraniano participará pela primeira vez na história da competição européia com um time velho. O técnico Oleh Blokhin também possui em seu elenco oito atletas que, em 2006, estiveram com ele na Alemanha disputando a Copa do Mundo.

Falando no comandante ucraniano, este foi um dos problemas da seleção na preparação para a Euro. Myron Markevych iniciou no comando técnico, mas dividindo as atenções com seu time, o Metalist. Após problemas do clube com a federação ucraniana, ele teve de escolher entre um ou outro. O time que treinava desde 2005 foi a escolha. Em seguida, Yuriy Kalitvintsev assumiu interinamente, mas ficou por muito tempo, oito jogos, só atrasando o retorno de Blokhin, que já havia treinado a Ucrânia de 2003 a 2007. A indefinição só atrasou a formação do grupo e, também, uma sequência de trabalho não foi proporcionada e a seleção viveu tempos de incerteza.

Por isso, Blokhin aposta em figuras carimbadas, como Andriy Shevchenko, Artem Milevskiy, Andriy Voronin e Anatoliy Tymoshchuk, e ainda mantém como base do time os poderosos times locais, Dynamo e Shakhtar. Nove atletas do time de Kiev e seis da equipe de Donetsk foram chamados para a disputa do torneio.

Obviamente, o grande nome do time é Shevchenko, que dará um gás final na carreira nesta Eurocopa. O ex-atacante de Milan e Chelsea tenta vencer as lesões e assumir o protagonismo nessa Ucrânia que carece de atletas mais talentosos. Sheva é a grande referência do time, ao lado do experiente Milevskiy, que não viveu a melhor de suas temporadas pelo Dynamo.

Aos 22 anos, Yarmolenko e Konoplyanka surgem como boas esperanças para rejuvenescer o futebol do país, porém, ambos não parecem ser capazes de ter o brilhantismo que Shevchenko teve em seus tempos de Milan. A dupla atua no meio campo e deverá, não só municiar, como correr pela dupla do Dynamo.

A defesa não inspira nenhuma confiança. Blokhin teve problemas em definir o goleiro titular, graças às lesões de Dykan e Shovkovskiy e a suspensão por doping de Rybka. Pyatov do Shakhtar Donetsk deve ser o escolhido para assumir a titularidade, embora viva uma briga sadia com o atleta mais jovem do elenco, Maksym Koval, de 19 anos.

O ponto de confiança na defesa é Tymoshchuk, do Bayern. O volante, além de polivalente, é um dos líderes do time. Tymo é firme na marcação e não costuma comprometer nos passes.

Os ucranianos sabem que as chances de classificação são mínimas, mas o time e a torcida local querem dar um final de carreira digno ao maior jogador da história do país, Shevchenko. É óbvio que ele não repetirá as atuações de seus tempos de Milan, mas vai gastar suas últimas energias na Eurocopa.

CONVOCADOS:

Goleiros: Andrei Pyatov (Shakhtar Donetsk), Alexander Goryainov (Metalist Kharkiv), Maxim Koval (Dynamo Kiev)

Defensores: Taras Mykhalik, Yevgeny Khacheridi (ambos do Dynamo Kiev), Yaroslav Rakytsky, Alexander Kucher, Vyacheslav Shevchuk (do Shakhtar Donetsk), Yevgeny Selin (Vorskla Poltava), Bogdan Butko (Mariupol)

Meio-Campistas: Anatoly Tymoshchuk (Bayern-ALE), Oleg Gusev, Denis Garmash, Alexander Aliev, Andrei Yarmolenko (todos do Dynamo Kiev), Ruslan Rotan, Yevgeny Konoplyanka (ambos no Dnepropetrovsk), Sergei Nazarenko (Tavria Simferopol)

Atacantes: Andrei Shevchenko, Artem Milevsky (do Dynamo Kiev), Andrei Voronin (Dynamo Moscou-RUS), Yevgeny Seleznov, Marko Devic (ambos no Shakhtar Donetsk)

INGLATERRA: Um retorno sem estilo

A ausência de Rooney deve prejudicar a Inglaterra

Após nem se classificar para a Eurocopa de 2008, a Inglaterra volta a disputar o torneio europeu. Porém, o que deveria ser um retorno em grande estilo, não deve passar de mais um vexame para a enorme coleção que o English Team possui.

Assim como na Copa de 2010, o selecionado inglês tem seus problemas internos. No Mundial, o problema envolvia John Terry, Wayne Bridge e o já muito comentado -sabe-se lá porque “muito comentado” – “chifre”. Agora, o capitão do Chelsea está novamente envolvido no caso, só que desta vez é de racismo com Anton Ferdinand. Por causa disso, Rio Ferdinand, irmão de Anton, ficou de fora da lista inglesa.

Como todos também sabem, a troca de técnico no início de ano foi por causa do intercedimento da FA na capitania da seleção. Capello, técnico vencedor e experiente, não gostou disso e pediu seu boné e Roy Hodgson foi chamado para substituí-lo, enquanto muitos davam como certa a vinda de Harry Redknaap. O ex-técnico do Liverpool agora tem problemas físicos para ajeitar seu time. Frank Lampard, Gareth Barry e Gary Cahill já foram cortados por estarem lesionados.

O problema mais grave é de Wayne Rooney. Após chutar um jogador montenegrino nas eliminatórias para a Euro, o atacante do Manchester United foi suspenso por dois jogos e só poderá estrear na terceira rodada do torneio, quando, talvez seja tarde demais. Por causa dessa ausência, Hodgson vem tentando encontrar um centro-avante “tapa buraco” para esses dois jogos. Andy Carroll do Liverpool e Danny Welbeck do Manchester United foram os mais testados e a tendência é que o jovem Red Devil seja o titular.

Algumas dessas saídas forçadas deram uma rejuvenescida no elenco inglês. Além de Welbeck, os outros jovens convocados por Hodgson foram Jack Butland, Martin Kelly, Phil Jones, Jordan Henderson e Oxlade Chamberlain, todos eles abaixo dos 23 anos.

Sem Lampard e Barry, a Inglaterra terá de se virar com Parker – lesionado durante a parte final da temporada – e Gerrard – novamente abaixo do que pode render. Ambos são talentosos, mas tanto Lampard, quanto Barry fizeram boas temporadas por seus clubes e formariam uma dupla firme na faixa central do ortodoxo 4-4-2 inglês.

Com a saída da dupla central e a suspensão de Rooney, o peso cairá sobre Ashley Young. Após boa temporada pelo Manchester United, o camisa 11 inglês deverá atuar aberto pela esquerda e ser o diferencial do time, já que pela outra ponta deverá jogar o velocista Walcott. Young só precisa perder a fama de “cai-cai” que ganhou no final da temporada inglesa. Em uma Eurocopa, manter esse estilo lhe dará uma fama eterna e reconhecida mundialmente.

Diferentemente de outras competições, a Inglaterra não chega como favorita e parece saber disso. Hodgson tem preparado seu time para jogar no contra-ataque, ao melhor estilo Chelsea. Os Blues conquistaram a Europa assim, será que a história se repetirá com o English Team?

CONVOCADOS:

Goleiros: Joe Hart (Manchester City), Robert Green (West Ham), Jack Butland (Birmingham City)

Defensores: Leighton Baines (Everton), Martin Kelly (Liverpool), Ashley Cole (Chelsea), Glen Johnson (Liverpool), Phil Jones (Manchester United), Joleon Lescott (Manchester City), John Terry (Chelsea), Phil Jagielka (Everton)

Meio-Campistas: Stewart Downing (Liverpool), Steven Gerrard (Liverpool), Jordan Henderson (Liverpool), James Milner (Manchester City), Alex Oxlade-Chamberlain (Arsenal), Scott Parker (Tottenham), Theo Walcott (Arsenal), Ashley Young (Manchester United)

Atacantes: Andy Carroll (Liverpool), Jermain Defoe (Tottenham), Wayne Rooney (Manchester United), Danny Welbeck (Manchester United)

SUÉCIA: Bastará a experiência?

Ibra: bem ou mal?

Sem nenhum jogador abaixo dos 23 anos, a Suécia chega para a sua quarta Eurocopa consecutiva buscando resultados melhores. Nas edições anteriores, a melhor campanha do selecionado nórdico foi em 2004, quando caiu apenas nas quartas-de-final.

Naquela edição da UEFA Euro, Zlatan Ibrahimovic surgiu para o mundo. Em um belo gol de calcanhar, contra a poderosa Itália, Ibra mostrou do que era capaz. Hoje em dia, a Suécia de Erik Hamren vive um dilema envolvendo o jogador. Na partida diante da Holanda, ainda nas eliminatórias para o torneio, o selecionado sueco não tinha Ibrahimovic à disposição, ainda assim, venceu por 3×2. Talvez tenha sido a melhor atuação da Suécia de Hamren.

Seria um problema ter Ibra no elenco? Acredito que não, até porque os suecos baseiam seu jogo no astro do time. Quando a missão é defender, Ibrahimovic será o atacante mais isolado, buscando meter pra dentro as poucas bolas que receber. Quando o time buscará mais o ataque, a tendência é que o atacante milanista tenha a companhia de Elmander no ataque.

Mesmo assim, a Suécia não é um time que possui apenas Ibrahimovic como destaque. Ola Toivonen foi autor de 18 gols pelo PSV na última temporada e é uma boa alternativa de ataque. No meio-campo, Hamren terá a sua disposição Kim Källström, Sebastian Larsson e Anders Svensson, todos bons passadores.

Porém, o sinônimo desta seleção sueca não é técnica, como os parágrafos anteriores dão a entender, mas sim “experiência”. Cinco atletas irão para sua terceira Euro, enquanto outros cinco irão para a segunda disputa. Apenas Olof Melberg está desde 2000 jogando o torneio europeu pela Suécia, será sua quarta participação.

Porém, Erik Hamren têm conseguido mesclar razoavelmente bem a juventude com a experiência. Mesmo sem ter atletas abaixo dos 23 anos, sete jogadores que estiveram disputando a Euro Sub-21 de 2009 – que a Suécia caiu nas semifinais para a Inglaterra – foram convocados para a disputa da Eurocopa.

A seleção sueca não vem para o torneio apenas para ficar como figurante. A única ausência foi na Copa de 2010 nos últimos doze anos, a Suécia quer se tornar mais do que um time de constantes aparições, para virar, quem sabe, uma potência. A chance de classificação é real, mas mesmo apresentando um bom conjunto, Ibrahimovic precisará estar inspirado para os suecos conseguirem ir longe

CONVOCADOS:

Goleiros: Andreas Isaksson (PSV Eindhoven-HOL), Johan Wiland, (Copenhagen-DIN), Pär Hansson (Helsingborg)

Defensores: Mikael Lustig (Celtic-ESC), Olof Mellberg (Olympiakos-GRE), Andreas Granqvist (Genoa-ITA), Martin Olsson, (Blackburn-ING),Jonas Olsson (West Bromwich-ING), Behrang Safari (Anderlecht-BEL), Mikael Antonsson (Bologna-ITA)

Meio-Campistas: Rasmus Elm (AZ Alkmaar-HOL), Sebastian Larsson (Sunderland-ING), Kim Kallstrom (Lyon-FRA), Anders Svensson (Elfsborg), Pontus Wernbloom (CSKA Moscow-RUS), Samuel Holmen (Istanbul BB-TUR), Emir Bajrami (Twente-HOL), Christian Wilhelmsson (Al-Hilal-ARA)

Atacantes: Zlatan Ibrahimovic (Milan-ITA), Johan Elmander (Galatasaray-TUR), Tobias Hysen (IFK Gotemburgo), Ola Toivonen (PSV Eindhoven-HOL), Marcus Rosenberg (Werder Bremen-ALE)

FRANÇA: Últimos ajustes

Benzema vestirá a lendária camisa 10 francesa

A Alemanha tem problemas nítidos na zaga; a Holanda ainda precisa encontrar um lateral-esquerdo; enquanto a Espanha jogará sem os líderes Villa e Puyol. Dentre aos selecionados postulantes ao título, podemos dizer que a França é a mais inteira entre todas.

Completamente destruída após a Copa do Mundo de 2010, Laurent Blanc chegou e botou ordem na casa. Arrumou a defesa, trouxe talento para o meio-campo e facilitou tudo para o matador Benzema. Chamar a França de grande favorita é exagero, mas o ex-treinador do Bordeaux tem pouca coisa para arrumar nesta tradicional seleção.

Na zaga, Rami e Mexès foram várias vezes utilizados por Blanc, mas ainda não passam grande confiança para o torcedor. Enquanto Patrice Evrá, aos 31 anos, parece sentir o peso da idade e vai enxergando o mais jovem Clichy tomar um pouco de seu espaço. Mas ainda assim, é um setor que o técnico parece ter controle absoluto e consciência do que faz.

O problema da cabeça de área é apenas de quantidade. Yohan Cabaye, que fez temporada fantástica pelo Newcastle, deve ser titular ao lado de Yann M’Vila, porém, o segundo teve problemas no tornozelo nos amistosos de preparação e talvez desfalque a França em alguns jogos. O problema está aí: se M’Vila não jogar, joga quem? Alou Diarra teve temporada terrível pelo Marseille, enquanto Matuidi tem pouca experiência internacional.

O oposto acontece na linha de armadores. A dúvida de Blanc não se deve a escassez e sim ao excesso de opções. Franck Ribéry e Samir Nasri parecem ter suas vagas garantidas. Jérémy Ménez e a novidade Hatem Ben Arfa lutam pela titularidade. Florent Malouda corre por fora, porém, ter sido banco durante toda a temporada no Chelsea e ainda ter sofrido uma lesão na reta final de temporada deve pesar na decisão de Blanc. Mathieu Valbuena teve temporada decepcionante, como quase todo o time do Marseille, e deve ser a última opção do técnico.

Yoann Gourcuff poderia ser uma alternativa para suprir essa ausência, porém, o meia do Lyon não conseguiu vencer as lesões. Ele até foi convocado para a pré-lista – isso após conseguir uma boa sequência de jogos no fim da temporada -, mas não convenceu nos amistosos e ficou de fora da lista final.

No ataque, Karim Benzema é titular indiscutível. O atacante do Real Madrid teve, nos números, a melhor temporada de sua carreira, superando 2007-08. Na citada temporada, quando ainda defendia o Lyon, o atacante anotou 31 gols e deu 10 assistências. Na temporada mais recente, Benzema balançou as redes 32 vezes e ainda deu 15 assistências.

Há quem defenda a tese de que o atacante do Real Madrid deva ter um parceiro de ataque, e este seria Olivier Giroud, artilheiro do Campeonato Francês pelo Montpellier. Acredito que Blanc só usará esse esquema quando for realmente preciso marcar gols, no desespero.

A França pode ser colocada entre as favoritas. Não perde desde 2010 e o técnico Blanc tem poucas dúvidas na montagem do time titular. É claro que manter essas dúvidas no percorrer do torneio não será legal, mas comparadas a outras seleções colocadas como favoritas, os problemas são menores.

CONVOCADOS

Goleiros: Cedric Carrasso (Bordeaux), Hugo Lloris (Lyon), Steve Mandanda (Olympique de Marseille)

Defensores: Gael Clichy (Manchester City-ING), Mathieu Debuchy (Lille), Patrice Evra (Manchester United-ING), Laurent Koscielny (Arsenal-ING), Philippe Mexès (Milan-ITA), Adil Rami (Valencia-ESP) e Anthony Reveillere (Lyon)

Meio-Campistas: Yohan Cabaye e Hatem Ben Arfa (Newcastle-ING), Alou Diarra (Olympique de Marseille), Florent Malouda (Chelsea-ING), Marvin Martin (Sochaux), Blaise Matuidi (Paris Saint-Germain), Yann M’Vila (Rennes), Samir Nasri (Manchester City-ING)

Atacantes: Karim Benzema (Real Madrid-ESP), Olivier Giroud (Montpellier), Jeremy Menez (Paris Saint-Germain), Franck Ribéry (Bayern-ALE) e Mathieu Valbuena (Olympique de Marseille)

*Crédito das imagens: Reuters

Ergam uma estátua para Messi!

Melhor time que já vi! (Getty Images)

Enfim pudemos acompanhar a final da Uefa Champions League jogada no Wembley e presenciamos também mais um título de certamente mais um dos grandes times da história do futebol.

Guardiola e sua terceira Champions League. Segunda como treinador.

Não adianta empurrar pra debaixo do tapete e dizer que ainda falta muito. Isso é levar longe demais a visão saudosista do futebol, como se não fosse possível surgir um time que no duro e físico futebol moderno, pudesse jogar bonito, jogar simples, jogar enchendo os olhos de quem o assiste.

O Barcelona, de Guardiola é sim um dos maiores times de todos os tempos!

Talvez Pep não tenha tantos méritos, apenas sorte por treinar um time sensacional, mas não custa lembrar que foi ele quem resgatou Busquets e Pedro nas canteras do clube. Não custa lembrar também que foi ele quem tirou Messi da ponta direita e o colocou centralizado, mais precisamente atrás dos volantes. Ele tem sim seus méritos, mas o que me agrada é que não estão enchendo a bola de Guardiola, assim como ele não pede para que levantem sua moral com o público. Todos vangloriam o time do Barcelona, o estilo de jogo e o modo como dominam as partidas e encantam seus fãs.

A cereja desse delicioso bolo barcelonista é Lionel Messi!

Messi vibrou muito! Olhem a cara do Vidic lá atrás....

Ele não destruiu simplesmente a partida disputada no Wembley. Messi acabou com o torneio. Pela terceira vez consecutiva ele se sagrou artilheiro da competição. Nos três anos em que ‘Lio’ foi o goleador máximo da Champions League, ele somou 29 gols.

Não sei se chega a ser um exagero deste blogueiro, mas o que vimos neste sábado foi uma das maiores atuações de um time em uma final de Champions League!

Faltava pegada ao meio campo inglês. Aliás, faltava uma clareza maior ao time do Manchester. Quando vi a escalação, logo pensei que Park era quem tentaria conter as subidas de Daniel Alves. Foi isso que aconteceu nos 10 minutos iniciais, onde o United marcou pressão e foi melhor, mas nos 80 minutos restantes, o que vi foi um Park tonto no meio campo e experiente Giggs parado na faixa esquerda do campo, tentando conter as subidas de um veloz Dani Alves. O brasileiro ficou diversas vezes livre, mas pouco recebeu a bola.

Mas durante o jogo, o Barça teve dois tipos de domínio de jogo. Na etapa inicial, “dominou” o jogo. Tinha mais a bola, Messi sempre conseguia uma escapada ou outra e o lado de Evrá era o ponto onde o Barça encontrava mais espaços. Foi por lá que Pedro se enfiou para abrir o marcador. Aliás, dá para citar uma série de lances de ataque do Barça que foram por lá. Não foi culpa só de Evrá, e sim falta de alguém que lhe auxilia-se na marcação.

Um dos últimos suspiros de bom futebol do United foi aos 34 minutos, quando Rooney tabelou com Giggs e fez um golaço de pé direito. Mesmo assim, o Barça “dominou” o jogo.

Messi acabou com o segundo tempo (AP)

Na etapa final, aconteceu o segundo tipo de domínio: o DOMÍNIO. As palavras são as mesmas, mas eu quero dizer uma coisa mais ampla. O Barcelona seguiu jogando pelo lado direito de ataque, mas com ataques mais incisivos, encurralando o United. Dani Alves, antes esquecido, passou a ser mais acionado e Messi, que já vinha fazendo uma partida muito boa, chamando o jogo, deixando a marcação para trás e servindo seus companheiros, decidiu mostrar mais.

No segundo gol catalão, o argentino acertou um petardo de canhota. Dava para Van der Sar pegar? Para mim, não. A curva da bola tirou seu alcance e o holandês estava encoberto. No terceiro gol, ele deixou dois marcadores para trás e após bate e rebate, viu Villa fazer um golaço de pé direito.

Foi mágico! O Barcelona triturou o Manchester em poucos minutos. O time catalão fez o United parecer um time ruim!

Não foram dois gols que saíram por acaso, foram gols que saíram por seus méritos, pressionando e mostrando que não queriam prorrogação. Aliás, se os dois gols saíssem por acaso, acho que o United teria forças para empatar, mas os dois gols, do jeito que saíram, abalariam qualquer um.

Ferguson até escalou mal o time, mas mesmo que escalasse bem, a frase de Van der Sar define bem o Barcelona e define que mesmo bem escalado, talvez fosse difícil pro United vencer:

Eles são bons demais

Até Alex Ferguson reconheceu…

Fomos superados por um time fantástico, o melhor que já enfrentamos desde que estou à frente do Manchester. Eles mesmerizam você com suas trocas de passe e nós nunca conseguimos controlar Messi. Quando você enfrenta times que alcançam níveis como esses, fica difícil. Grandes times funcionam em ciclos e o ciclo do Barcelona neste momento é o melhor da Europa, não há dúvidas sobre isso

Messi e seus poderes alienígenas acionaram a drenagem (AP)

Deve ter batido aquela sensação que por quanto mais que tu tentasse, nada poderia fazer para bater o Barcelona. Os caras são demais! É de longe, o melhor time que vi jogar e Messi é o maior que já vi jogar.

O que esse cidadão tem feito desde que chegou ao Barcelona é algo de outro mundo, como diz o título do post, devem erguer uma estátua para esse alienígena que vive em nosso planeta!

Tenho medo de Messi. É verdade, medo. O que será desse rapaz aos 30 anos? Ele tem só 23 e joga isso tudo. Se Deus quiser, algum dia verei esse cidadão ‘in loco’. Seja na Catalunha, aqui no Brasil ou no Iraque em meio a uma guerra, ainda verei esse cara jogar em alto nível no estádio. Sem falar que em 2014 teremos (???) Copa do Mundo aqui no Brasil e durante algum tempo, eu lia piadinhas de que Messi calaria o Maracanã na final da Copa em Argentina x Brasil. Eu achava que era mais provocação e hoje acho que isso pode mesmo acontecer.

Aliás, procure outro jogador além de Messi que conseguiu dar uma caneta em Nemanja Vidic. Se encontrar, me avise, porque eu não me lembro de nenhum!

Não adianta vir com aquele papinho que a imprensa brasileira é puxa-saco do Barcelona. Não tem como não babar por esse time. O Marca, jornal tipicamente madridista colocou na home de seu site: “Um Barça de Sonhos”. O Olé da Argentina escreveu: “Deus salve o rei!”. Mas nenhuma ganha do site oficial do Manchester United:

Às vezes você tem que apenas levantar as mãos e admitir a derrota. Em Wembley, na noite de sábado, o Barcelona mostrou por que é considerado por muita gente o melhor time de futebol do planeta

Se quiserem também botar nesta estátua uma menção honrosa para Puyol, será justo também. Foi um ato muito nobre da parte dele deixar Abidal erguer a taça, depois do sofrimento que o francês deve ter passado.

Título mais do que merecido para um dos maiores times da história, que DOMINOU a partida taticamente e técnicamente. Parabéns Barcelona!

Experiência acima de tudo

O Barcelona jogará a final no Wembley para não criar a estigma de time que joga bonito e perde no fim, já o Manchester United jogará a peleja sem grandes pressões do gênero que deverá sentir o Barça. É um time rodado e muito experiente. É assim que vão os Red Devils. É o segundo post do aquecimento pra final de amanhã.
 

Juntos, Giggs e Van der Sar somam 77 anos

Pra vocês, amigos internautas: qual a diferença entre velhice e experiência?

Para este blogueiro, “velhice” se refere a algo gasto demais, algo antigo e obsoleto, ou seja, que teve sua função, já a cumpriu e hoje pode ser chamado de “inútil” em seu meio, enquanto “experiência” se refere a algo que se adquire com muita prática, com muita rodagem e com tempo de aprendizagem. Quando quero me referir ao Manchester United, quero também me referir a experiência.

Se você olhar Van der Sar, que tem 40 anos e Giggs, de 37, pode me chamar de louco por considerar os dois peças fundamentais do time inglês. Você pode imaginar: “Como dois caras que tendo suas idades somadas, tem 77 anos podem ser peças fundamentais de um time finalista do maior torneio de clubes do mundo?”. Talvez não haja um explicação lógica, e sim o simples e rude “eles são peças importantes e ponto”.

Van der Sar catou este pênalti e o United se sagrou campeão europeu de 2008

Mas o fato é que Van der Sar, que chega a sua 5ª final de Champions League – venceu uma pelo Ajax e uma pelo Manchester e perdeu uma de cada lado – parece ser como o vinho: vai melhorando com o passar dos anos. O holandês fará amanhã seu último jogo como profissional, deixando pros fãs de futebol aquele gostinho de quero mais, só que há certas horas que um homem precisa deixar o emprego de lado e tomar as rédeas da família. É o que Van der Sar fará. Sua mulher, Anne-Marie van Kesteren, teve derrame cerebral em 2009 e o arqueiro holandês chegou a perder alguns jogos daquela temporada para cuidar da mulher. Embora ele possa deixar muitos fãs com saudades de suas defesas, o melhor para Edwin é cuidar de sua mulher e filhos.

Pode-se dizer que Ryan Giggs surpreendeu nesta temporada. O galês jogou durante sua vida inteira como um winger – um ponta, como queira – e com a renovação do elenco, Giggs perdeu um pouco do espaço para jovens, como Nani e Valencia. Mas com as inúmeras lesões de Fletcher e a instabilidade de Paul Scholes, fez com que Giggs conseguisse espaço como segundo volante. O meia galês se deu muito bem nesta nova função e se tornou um meio campista completo.

Giggs chegou a jogar com Solskjaer, Yorke e Stam

Se Van der Sar se encaminha para a quinta final de Champions em sua carreira, mas atuando por dois clubes diferentes, a final que será disputada no Wembley será a quarta de Ryan Giggs, todas pelo Manchester e no momento, ele “vence” por 2×1.

Engana-se quem pensa que a experiência que há no time do Manchester United se resuma a Giggs e Van der Sar. No quarteto defensivo, por exemplo, Ferdinand, Vidic e Evrá participarão da terceira final de Champions League pelo Manchester United, sem falar que o lateral-esquerdo francês já jogou uma final de Champions pelo Mônaco. Carrick, Nani e Rooney engrossam a lista de atletas que jogarão sua terceira final de Champions League pelo United – mas leva-se em conta que Nani ficou no banco e não participou da final de 2009.

No banco de reservas do Manchester United ainda haverá a “bola de segurança” chamada Paul Scholes, que pode ser acionado para solucionar alguma instabilidade no meio campo.

Ferguson pode erguer a orelhuda pela terceira vez.

Mas em termos de experiência, nada no United se compara a Alexander Chapman Ferguson, ou simplesmente Fergie. Ele está no clube desde a temporada 86/87 e de lá para cá foram 12 títulos do Campeonato Inglês, cinco copas da Inglaterra, quatro copas da liga, dois mundiais e dois troféus da Champions League.

Experiência pouca é bobagem. Aliás, experiência talvez seja pouco para explicar Alex Ferguson. Ele simplesmente é um técnico de quase 70 anos, que está no ramo de treinadores desde os anos 70 – ele iniciou no escocês St. Mirren, em 74/75 – e não parou no tempo, está evoluindo junto com o futebol e me arrisco a dizer que ele é um dos extra-séries que não evolui junto com o esporte e sim que faz o esporte evoluir.

Sua bagagem, sua representatividade pro elenco do Manchester e sua postura nos jogos, me fazem crer que em jogos como esse, não basta só ter o melhor conjunto ou o craque da atualidade, mas basta ter é um treinador capaz de equilibrar o time e fazê-lo realmente jogar.

Se o Barcelona tem o futebol bonito e envolvente, o Manchester tem a experiência de quem já fez filas e mais filas de títulos na Inglaterra, além da sabedoria de que talvez não seja preciso mudar para bater o aparentemente imbatível adversário catalão, mas que seja melhor jogar pura e simplesmente do seu jeito.

– A Última Bola é Nele

Assim como fiz no post sobre o Barcelona, com o Manchester farei o mesmo esquema de mostrar a minha aposta para decidir amanhã.

Não sei se será este cara que decidirá. Tenho várias impressões pra partida de amanhã. Acho por exemplo, que se Giggs não precisar “se matar” pra marcar, tem tudo para ser decisivo, mas se precisar se esforçar mais marcando, não sei se terá condições físicas para poder decidir. Entendo eu também que Nani, às costas de Dani Alves pode ser uma peça chave para uma eventual vitória inglesa. Chicharito pode decidir também, como tem feito muito nesta segunda metade de temporada. Mas se fosse basquete e o Manchester precisasse de pontos para vencer faltando poucos segundos, a bola iria em Wayne Rooney.

Gol do renascimento de Rooney

O Shrek tem crescido no momento certo. Ele iniciou a temporada de forma ruim, ameaçando deixar o Manchester e demorou para engrenar, mas o dia 12 de fevereiro de 2011 ficou marcado como “o ressurgimento de Rooney”. No duro duelo contra o Manchester City, ele fez um fantástico gol de bicicleta, aos 33 minutos da etapa final, quando a partida estava empatada em 1×1. Aquele foi apenas o 6º gol de Rooney na temporada e de lá para cá, ele fez mais 9 gols, incluindo um hat-trick contra o West Ham, dois gols em dois jogos duros contra o Chelsea e um contra o Arsenal. O Rooney voltou!

Por isso entendo eu que se a coisa estiver feia e a vaca já estiver comprando a passagem pro brejo mais próximo, a bola vai na Wayne Rooney, nem que seja para dar um lançamento, fazer um drible no meio campo, cobrar um lateral e quem sabe, um memorável gol que valesse o título.

– Provável Escalação

Edwin Van der Sar; Fábio da Silva, Nemanja Vidic, Rio Ferdinand e Patrice Evrá; Antônio Valencia, Michael Carrick, Ryan Giggs e Luís Nani; Wayne Rooney; Javier “Chicharito” Hernández. 4-4-1-1.

Nenhuma grande surpresa na escalação do Manchester. Ferguson, que tinha muito o costume de preservar Rafael de jogos grandes, devido a sua inexperiência, não faz isso com o irmão do garoto e Fábio, lateral-esquerdo destro, jogará como titular na lateral-direita, deixando seu irmão, antigo titular, na reserva. Fergie faz bem em explorar este bom momento vivido pelo defensor brasileiro e quem sabe não chame a atenção de Mano Menezes, que estará no Wembley. Só se lembre, Fábio, se por acaso você se machucar, quebre a perna para que Mano acredite que você tenha se machucado. Marcelo não fez isso e está de fora da seleção…