Um sopro de alívio

Jones deu o alívio necessário ao turbulento Schalke(Getty Images)

Jones deu o alívio necessário ao turbulento Schalke
(Getty Images)

Alguma coisa me dizia que o Schalke 04 poderia aprontar para cima do Galatasaray na Turquia, no jogo de ida da fase de oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Certamente, não era o atual momento dos dois times que me apontava isto. Um vem despencando em seu campeonato nacional e não inspira nenhuma confiança para o futuro, enquanto o outro lidera o principal torneio de seu país e trouxe dois atletas de renome para tentar assustar na competição. Era óbvio que os turcos eram favoritos e poderiam até passar por cima dos alemães já na ida.

Repito: algo me dizia que isso não iria acontecer!

Seja o que isso tenha significado, eu estava, em partes, certo. A partida acabou 1×1, de certa forma, injusto para o time alemão, que poderia ter conseguido algo melhor. A atuação do Schalke contra o Galatasaray foi surpreendente, não só pelo resultado, mas pela imposição e percepção dos detalhes defensivos do adversário.

O lado esquerdo turco, formado por Riera e Nounkeu, está tendo pesadelos até agora com Jefferson Farfán, afinal, o peruano, que voltou a atuar em sua posição habitual – ponta direita – armou um carnaval no setor e foi um dos principais jogadores do time. Draxler, embora um pouco perdido na função de armador, conseguiu colaborar com alguns contra-ataques na etapa complementar, assim como Michel Bastos. O brasileiro, porém, se perdeu um pouco na individualidade e apostou em muitos chutes descabidos de longa distância.

Vale ressaltar que o Schalke não se segurou na “muleta” da deficiência adversária. O Galatasaray ganhou pouquíssimas bolas pelo alto, nem por isso os alemães passaram a cruzar bolas na área insistentemente para ver no que dava. O time de Keller buscou novas alternativas de jogo, apesar da fraqueza aérea dos turcos.

Defensivamente, fiquei com alguns receios. Marco Höger, que vinha atuando como volante, voltou a lateral-direita – função que exercia quando chegou ao Schalke – e me pareceu muito afoito em alguns lances. A dupla central, formada por Höwedes e Matip, embora tenha falhado pouco, demonstrou alguma ansiedade nos cortes, sem brincar muito. Não que isso seja ruim, mas diversos lances poderiam ser mais trabalhados já de trás.

A decepção, novamente, foi Klaas-Jan Huntelaar. O holandês, que faz temporada muito abaixo do esperado, retornou de lesão no olho nesta partida e, digamos, não pareceu muito bem da vista ao não alcançar uma bola quase embaixo da trave na primeira etapa. A ineficácia de Ciprian Marica e a imaturidade de Teemu Pukki obrigam Keller a apostar apenas no holandês para o duelo de volta.

ORGULHO AMERICANO

Das vaias aos aplausos(schalke04.de)

Das vaias aos aplausos
(schalke04.de)

Autor do gol de empate no duelo, o norte-americano Jermaine Jones foi um dos pontos positivos do time alemão. O contestado volante colaborou com suas arrancadas para o ataque – uma das poucas, talvez única característica que me agrada no jogador – e na distribuição de jogo. O gol acabou sendo, por linhas tortas, uma resposta ao torcedor, alvo de críticas do norte-americano recentemente. Jones não gostou de ver a torcida, após a derrota contra o Greuther Fürth, fazer grande festa pelo retorno de Gerald Asamoah à Veltins Arena e vaiar o Schalke.

O pecado foi ter recebido um cartão amarelo que o tirou do jogo de volta. Só para fazer justiça a Jones, devo dizer que o cartão foi absurdo. Motivo da punição foi um pedido de cartão para um adversário que cometeu uma falta justamente em Jones. Não foi um pedido ríspido, nem acintoso, o que tornou a punição exagerada pelo lado do árbitro escocês William Collum.

Para a volta, Jens Keller terá de inventar na escalação, coisa que adora fazer. Possivelmente, o técnico azul real deslocará o capitão Höwedes para a lateral, recolocando Marco Höger para a cabeça de área e promovendo o retorno de Kyriakos Papadopoulos, que está parado desde novembro, mas que deve voltar a treinar na próxima semana. O grego formaria dupla de zaga com Joël Matip.

Uma coisa é certa nessas mexidas: Höger voltará para cabeça de área. A dúvida é se Keller abrirá mão da eficiência de Höwedes no centro para coloca-lo na lateral. Com Atsuto Uchida lesionado por tempo indeterminado, a tendência é que o técnico faça essa mexida por obrigação.

O importante para o Schalke é não se vislumbrar com o empate na Turquia. O time foi bem, ok. Conquistaram um importantíssimo resultado, ok, mas empolgação em uma hora dessas não é nada bom, principalmente com Sneijder e Drogba do lado oposto. O confronto está aberto, mas os alemães mostraram não estar mortos, como muitos, inclusive eu – apesar do fio de esperança –, imaginavam. Se a postura imponente for mantida, o Schalke tem tudo para superar as desconfianças de voltar as quartas-de-final da UEFA Champions League.

Agonia azul

Mal na Bundesliga, Schalke não se reencontra na temporada(Foto: Getty Images)

Mal na Bundesliga, Schalke 04 não se reencontra na atual temporada
(Foto: Getty Images)

O Schalke 04 encerrou 2012 com uma série de seis jogos sem vitórias e com uma inesperada eliminação na Copa da Alemanha para o Mainz. Essa série de eventos – exceto a queda na DFB Pokal – acabou custando o emprego do técnico Huub Stevens, que foi mandado embora após a derrota por 3×1 para o Freiburg, na última rodada do primeiro turno do Campeonato Alemão. Jens Keller foi chamado do time sub-17 e ficará no comando técnico até o fim da atual temporada.

Com Keller no comando, o Schalke está invicto em 2013, uma vitória e um empate, porém, nesses dois jogos, os Azuis Reais não animaram nem um pouquinho o seu exigente torcedor. Até mesmo no empolgante 5×4 contra o Hannover, o que se viu foi um resultado sendo construído em cima de uma defesa frágil e de uma noite de gala de Holtby. Em seguida, veio o empate diante Augsburg, então vice-lanterna da Bundesliga. Durante boa parte do jogo, o Schalke foi dominado pelo pequeno time bávaro, que criou as melhores chances de gol.

Nessa semana, vieram as piores notícias, começando com Lewis Holtby, principal jogador do time na temporada. Ele já estava vendido ao Tottenham Hotspur, mas iria para Londres apenas no meio do ano, porém, precisando reforçar o time urgentemente, os ingleses conseguiram convencer o Schalke a ceder o atleta agora.

Para completar, o Galatasaray, adversário dos alemães nas oitavas-de-final da UEFA Champions League, acertou com uma dupla de peso para o restante da temporada: Wesley Sneijder e Didier Drogba, ambos campeões europeus recentemente por Internazionale e Chelsea, respectivamente.

O Schalke, que iniciou a temporada bem, chega a esse importante estágio da temporada com um técnico inexperiente, mal armado, com investimentos impensados, com Holtby indo embora e com Huntelaar bem abaixo do esperado. Como se não fosse o bastante, os rivais Bayern e Borussia Dortmund são aclamados continente afora, enquanto o Galatasaray se apronta para as batalhas da Liga dos Campeões. Cenário nada animador.

Fica até difícil encontrar um culpado para esta situação do Schalke 04. O primeiro nome que vem à mente é o de Horst Heldt, manager do clube. É ele quem deveria trazer as peças necessárias para suprir as carências do time. Mas olhando por outro ângulo, não seriam os treinadores – Stevens e agora Keller – responsáveis por não apontar os locais certos de reposição? Enfim, todos têm um pouco de culpa, principalmente na questão de contratações.

O elenco do Schalke é tão desigual que as centenas de boas opções de meias contrastam com o escasso número de defensores. Mesmo sem Holtby, os Azuis Reais contam com Raffael, Afellay e Draxler para a mesma função. Tirando o brasileiro, o restante pode atuar pelos lados do campo, assim como Farfán, Obasi, Barnetta e o recém-contratado Michel Bastos.

Enquanto isso, mais atrás, na cabeça de área, Jens Keller tem o ótimo Neustädter a disposição, mas não conta com um bom parceiro. Marco Höger – que me agradava mais na lateral, mas foi efetivado no meio – é muito instável, Jermaine Jones é pra lá de limitado e Christoph Moritz sofreu sua quinta lesão em um intervalo inferior a um ano.

Achou ruim? Olhem a defesa. Christian Füchs é o único lateral-esquerdo disponível, Kolasinac até joga na posição, mas é improvisado. Os efeitos são vistos nas atuações recentes do austríaco, que se arrasta em campo. Na outra lateral, Atsuto Uchida só provou ser um lateral mediano, de fraca marcação, péssimo posicionamento, mas com alguma qualidade no ataque, e só. O problema maior vem no miolo da zaga. Tirando o capitão Höwedes – que vive apagando incêndios na lateral direita – não há nenhum outro zagueiro confiável. Contrastantes na idade – 21 e 32 anos, respectivamente –, Matip e Metzelder tem o futebol tão parecido… Beirando a mediocridade. Papadopoulos, que não é nenhum monstro, mas que é mais zagueiro que a dupla citada, está lesionado e só deve voltar em março.

Heldt: Grande culpado?(Foto: Getty Images)

Heldt: Grande culpado?
(Foto: Getty Images)

Aí voltamos ao momento em que devemos caçar os culpados. Heldt estava pensando em quê quando trouxe Michel Bastos e Raffael? Não são jogadores ruins, muito pelo contrário, mas foram contratações impensadas. O manager conseguiu desequilibrar ainda mais um elenco que já não era um exemplo de boa distribuição.

É preocupante! No pouco que vi do time com Keller, não creio que vá mudar muita coisa, o Schalke é um bando e é mal administrado. Não há cabimento trazer tantos homens de frente com uma defesa tão frágil e sem opções. Já estou até imaginando o duelo contra o Galatasaray. Neustadter vai ficar sobrecarregado com Sneijder no seu pé, assim como Höwedes, que, provavelmente, vai ter de jogar por dois para segurar Drogba.

Imagino até mais mexidas malucas de Jens Keller, que já teve de improvisar Barnetta na lateral-direita e Kolasinac na lateral-esquerda, só falta fazer com que Michel Bastos relembre seus tempos no Brasil atuando na defesa…

A janela de transferências irá se fechar e se nenhum meteoro cair em Gelsenkirchen representando uma ajuda divina ao Schalke, a situação será crítica, não só para esta edição da UEFA Champions League, mas também para a classificação para o próximo ano, que fica cada vez mais distante na disputa da Bundesliga.

Atitudes de uma grande torcida

Títulos são importantes. Mostram como o clube é forte e capaz de mostrar sua grandeza para os adversários. Mas tão importante – ou até mais importante – do que os títulos, é a sua torcida. Um clube não sobrevive com respeito sem sua torcida.

Empresários podem manter clubes, mas torcidas mantém glória, história, tradição e força!

A torcida do Schalke talvez seja um desses exemplos. Há mais de 50 anos os Azuis Reais não erguem a Salva de Prata e tem de se contentar com algumas copas nacionais e nos anos 90, a Copa UEFA, mais recentemente, uma semifinal de Champions League. Mesmo assim, o amor pelo clube não acaba, não à toa, vemos idosos e crianças na Veltins Arena, vestidos com a camisa do Schalke a cada jogo do time.

Falando na Veltins Arena, estádio moderno do clube azul real, você sabe quem idealizou este projeto? Não? Foi Rudi Assauer, então manager do Schalke. Foi uma ideia engenhosa: construir o primeira estádio da Alemanha de uso total de dinheiro privado, nada de dinheio público. E isso foi feito! 191 milhões de euros privados, tudo por conta do Schalke.

Rudi Assauer teve esta ideia quando esteve em sua segunda passagem como diretor do clube de Gelsenkirchen. Em 1981, Assauer, que já tinha tido uma passagem pelo Bremen, chegara ao Schalke não só como dirigente, mas também como treinador. Isso foi só em 81, já que de lá até 86, ele foi diretor esportivo e depois, demitido. Em 93, ele retornou para o clube e teria uma grande passagem, sendo um dos líderes dos grupos que ergueram duas copas alemãs e uma Copa Uefa.

Assauer foi o grande supervisor da construção da Veltins Arena, porém, o clube gastou muito dinheiro e acabou passando por uma pequena crise financeira. Em 2006, o Stumpen-Rudi (Rudi Charuto, não preciso explicar, né?) foi denunciado por ter informações secretas da crise financeira do Schalke e Rudi deixava o clube.

No final de janeiro deste ano, o diário alemão Bild publicou uma notícia dizendo que Assauer estava com Alzheimer. A torcida do Schalke decidiu homenagear o homem que ajudou a escrever um pedaço considerável da história do clube.

No duelo contra o Mainz, no último sábado, muitos cartazes desejando boa sorte a Rudi Assauer. Mas uma bandeira me chamou a atenção: era a imagem do ex-dirigente carregando o troféu da Copa UEFA nas costas, com o tradicional charuto na boca. A foto é histórica, mas a bandeira é marcante.

Confira abaixo a homenagem!

 

Aposta de risco… Dúvida cruel

Fahrmann sentindo dores após cometer o pênalti em Kouemaha (Firo)

A duas semanas atrás, o Schalke 04 era duramente derrotado em casa por 2×1 para o Kaiserslautern. O placar foi magro, mas o futebol apresentado pelos visitantes durante os 90 minutos (principalmente nos primeiros 45) sugeriram inclusive um placar mais elástico e vexatório para os mandantes.

Mas na primeira etapa veio o golpe fatal: após rápida arrancada, o atacante Schechter deixou Kouemaha de frente para o goleiro Fährmann. Após ser fintado pelo atacante adversário, o arqueiro azul real não teve outra escolha a não ser cometer o pênalti. Fährmann acabou sendo expulso e Tiffert converteu o penal. Mas enganou-se quem pensou que jogar o resto da partida com um homem à menos e com 1×0 contra era o pior dos prejuízos pro Schalke. Na dividida com Kouemaha, Fährmann acabou contundindo o joelho e só deverá voltar aos gramados em 2012.

Um golpe forte no Schalke, que teve durante um bom tempo Manuel Neuer defendendo sua meta e raramente perdendo uma oportunidade de estar em campo. Fährmann ainda não se iguala a Manu técnicamente, mas pelo menos não vinha deixando os torcedores azuis reais com saudades do ex-arqueiro. Suas atuações seguras garantiam isso.

Coube a Huub Stevens e sua diretoria agirem. Estava meio na cara que não seria feita uma aposta em um dos goleiros do elenco. Mathias Schöber é experiente e tudo mais, mas só teve sequencia de jogos em seus tempos de Hansa Rostock, e isso foi de 2001 até 2007. De 2007 até agora, Schöber fez apenas 4 jogos pelo Schalke. Será que valia à pena apostar num goleiro veterano sem ritmo algum? Creio eu que não.

Unnerstall estreou na Bundesliga na derrota pro Kaiserslautern (DPA)

E Lars Unnerstall? Parece ser uma aposta válida, porém, arriscada. Válida porque é um goleiro jovem e caso venha mostrar serviço, pode até vir a ser o futuro titular. Arriscada porque só tem 21 anos e antes de substituir Fahrmann no jogo contra o Kaiserslautern, nunca havia jogado uma partida oficial pelo Schalke, a não ser pelo time B.

Mas seguindo à risca do que todos os clubes fazem, o Schalke foi atrás de um outro goleiro e decidiu fazer uma aposta um tanto quanto arriscada: Timo Hildebrand.

Aos 32 anos, o ex-goleiro do Stuttgart está a quase um ano sem jogar desde que deixou o Sporting Lisboa e pode-se dizer que chega nas mesmas condições de Schöber: goleiro experiente mas a um bom tempo sem jogar.

A grande diferença de um para o outro é que técnicamente, Hildebrand é muito bom, não à toa ele têm o recorde de maior tempo sem sofrer gols na Bundesliga, 884 minutos, superando Oliver Kahn (nesta temporada, Neuer quase bateu seu recorde, tendo ficado 770 minutos).

Em seus tempos de Stuttgart, Hildebrand era considerado um dos melhores goleiros do mundo e disputava pau-à-pau com Oliver Kahn e Jens Lehmann a titularidade no gol da seleção alemã.

Hildebrand tinha uma carreira pronta pra decolar: recordes, títulos nacionais (foi capitão do Stuttgart campeão alemão de 06/07), passagens por seleções de base da Alemanha e disputa igualitária pela titularidade da seleção principal com feras do naipe de Kahn e Lehmann. Mas a sua carreira só ficou pronta pra decolar mesmo, pois houve falha na decolagem. Desde que deixou o Stuttgart, Hildebrand nunca mais foi o mesmo.

No Valencia, em 2007, não tinha a confiança dos treinadores e até quando ia bem, voltava ao banco de reservas. Em 2009, no Hoffenheim, reencontrou Ralf Rangnick, técnico que o lançou como profissional, mas as sucessivas lesões fizeram com que deixasse os azuis e brancos. No ano seguinte, Hildebrand se aventurou em Portugal, mas acabou fazendo apenas duas partidas oficiais pelo Sporting e ainda arranjou problemas com a torcida do time lisboeta. Não renovou seu contrato e foi embora.

Hildebrand e sua conhecida cabeleira loira nos treinos do Schalke (Getty Images)

O problema pro Schalke acaba se tornando mais sério, já que a última partida de Timo Hildebrand foi no dia 4 de novembro de 2010, quase um ano! Ao que tudo indica, o goleiro titular diante do Karlsruhe pela Copa da Alemanha será Unnerstall e se isso acontecer também no próximo fim de semana na Bundesliga, Hildebrand chegará a inacreditável marca de um ano sem jogar. E não foi culpa das lesões, foi do seu próprio declínio.

É por isso que classifico a aposta do Schalke como “aposta de risco”. Será que vale a pena apostar num goleiro decadente e que está quase um ano sem jogar? Eu não faria isso…

E pra colocar uma “dúvida cruel” na cabeça de Huub Stevens, o substituto imediato de Farhmann, Lars Unnerstall entrou bem e fez partidas convincentes. Aparentemente não sentiu o peso da camisa, dos jogos e nem da temida inexperiência. Tá certo, nos jogos que esteve em campo, Unnerstall não foi tão exigido. Apenas no jogo contra Kaiserslautern, onde os perigosos contra-ataques armados por Kouemaha, Schechter e Tiffert sempre incomodavam. Mas contra o AEK Larnaca e contra o Bayer Leverkusen, Unnerstall pouco trabalhou.

Mas se vale a aposta em Hildebrand, por que não perguntar o mesmo pra Unnerstall, por que não vale a aposta no jovem goleiro?

A comissão técnica do Schalke pode alegar a juventude do arqueiro, mas Leno, ter Stegen e Zieler são tão jovens quanto e são destaques da atual temporada da Bundesliga.

Se a questão for técnica, aí é outra história… O máximo que conheço de Unnerstall está reservado nos últimos três jogos do Schalke e em contra-partida, a comissão técnica o conhece bem melhor.

Mas agora levantando outra hipótese, tirando Hildebrand, Schöber e Unnerstall do contexto: em quem o Schalke deveria apostar como goleiro?

Sippel é respeitado pela torcida do Kaiserslautern (Reuters)

Eu defendo a ideia de que os Azuis Reais poderiam ir atrás de Tobias Sippel, goleiro reserva do Kaiserslautern. Desde que foi lançado no Lautern, Sippel tem mostrado enorme potencial, não à toa sempre está presente nas seleções de base da Alemanha. O seu problema está no condicionamento físico. Sippel sofre constantemente com as lesões. A última contusão lhe fez perder a posição de titular para Kevin Trapp, que devido as grandes atuações no final da última temporada, fez por merecer a titularidade.

Eu já disse que não apostaria em Hildebrand, devido a longa inatividade e o grave declínio na carreira, mas claro que existem os argumentos contrários e favoráveis a sua contratação, como a esperança de que ele possa voltar a agarrar como agarrava no Stuttgart. E Hildebrand pode sim fazer isso. Técnicamente, como já disse, ele é muito bom, mas sigo achando que não vale à pena arriscar desse jeito.

Mas agora a aposta já foi feita. Como disse acima, eu não apostaria em Hildebrand. Se a primeira impressão de Unnerstall for relativa com a realidade, apostaria no novato. Mas apostaria mesmo em Sippel. Achei uma aposta extremamente arriscada que o Schalke fez em Hildebrand, vide a desarrumação e momento de reconstrução que o time vive e creio eu que essa reconstrução não pode ser feita com um goleiro que está praticamente um ano sem jogar.

Hildebrand, Schöber ou Unnerstall? Huub Stevens terá de escolher (Reprodução: Bild.de)

‘Rangnickzação’ evoluída

O Schalke 04 “se livrou” de Ralf Rangnick. “Se livrou” está entre aspas, porque o termo mais adequado fosse a “amarelada” de Rangnick, que não aguentou a pressão e se mandou.

Isso fez bem ao Schalke. O ex-técnico do Hoffenheim cometeu vários equívocos durante sua época nos Azuis Reais, como insistir com Holtby de segundo volante, colocar Matip de zagueiro e afastar Raúl da área.

Porém, essa saída foi benígna até a página 2.

Huub Stevens retorna ao Schalke para recolocá-los nos trilhos (DPA)

Huub Stevens voltou ao Schalke, mas como diria Tite, “manteve a Rangnickzação” do time.

Stevens re-estreou nesta quinta-feira pelos Azuis Reais em um duelo pela Liga Europa, contra o Maccabi Haifa, mas escalou o time quase do mesmo jeito que era escalado por Rangnick. Raúl ainda era o meia central da linha de três meias do 4-2-3-1, enquanto o meia ofensivo, Lewis Holtby seguia como um segundo volante. O ponto positivo dos 11 iniciais de Stevens comparados a Rangnick é que Matip deixou a zaga e virou primeiro volante, enquanto o questionável Papadopoulos foi para a reserva.

Mesmo que na escalação o time era basicamente o mesmo, a postura era diferente.

Höger e Fuchs tinham liberdade para avançar como bem entendessem, não à toa, o austríaco anotou o primeiro gol do Schalke.

Só que essa foi a única evolução que notei, já que defensivamente, o Schalke não foi bem e esteve vacilante durante boa parte da peleja. Faltava entrosamento – Holtby e Matip era a nova dupla de volante, enquanto Höwedes e Metzelder voltavam a jogar juntos – e faltava atenção. Alguns dos erros cometidos pela defesa alemã não poderiam ser simplesmente atribuídos a falta de rodagem das duas duplas. Eram erros técnicos e de falta de atenção dos jogadores.

Aliás, voltando a falar dos laterais mais soltos, isso tinha um ponto positivo, que era ter mais alternativas e elementos surpresa no ataque, mas tinha um ponto negativo, que era a prisão dos dois volantes para a cobertura. Ter Holtby preso pra marcar sem poder encostar no ataque é um grande desperdício. O rapaz já não está adaptado ao novo posicionamento e agora querem que ele fique preso marcando sem que possa demonstrar sua técnica avançando ao ataque? É demais pra minha cabeça!

Outro detalhe: Raúl pode até ser um segundo atacante, mas ser o meia-central da linha de três não está dando certo. No jogo contra o Maccabi, o espanhol esteve nulo em campo. Não armou pros companheiros, não criou pra si, não fez nada. Isso é ruim também para os ponteiros Farfán e Draxler, que não tem um meia para acioná-los.

Talvez a mudança do esquema seja a melhor alternativa, pois Raúl não pode ficar tão longe da área e Huntelaar é o centro-avante do time e não pode ficar de fora.

Holtby ficou preso na marcação

Só que diferente de Rangnick, Huub Stevens mexeu muito bem no duelo contra o Maccabi Haifa. Ele tirou o perdido Matip e o preso Holtby para colocar Papadopoulos e Jurado. O grego ficaria mais na marcação, dando liberdade para o espanhol. E mais: Jurado ao menos tem alguma rodagem como segundo volante. Tá certo que faz uma partida boa em dez disputadas, mas essa experiência na posição de segundo volante já o coloca alguns degraus acima de Holtby.

Jurado entrou muito bem contra o Maccabi Haifa. Se movimentou no campo de ataque, avançou, criou alternativas e fez o que Schweinsteiger faz no Bayern: divide a armação com o meia-central. No caso do Schalke, Jurado fez tudo sozinho, porque Raúl era peça nula.

A vitória por 3×1 foi justa pro Schalke, que manteve seu bom volume de jogo e mesmo vacilando na defesa, acabou sendo a equipe mais eficiente e tendo a sorte de enfrentar um adversário fraco, que teve as chances, mas por deficiência técnica, acabou perdendo o jogo.

Mas é início de trabalho para Huub Stevens. Ele ainda tem tempo para perceber os defeitos supracitados e arrumar o time. O Schalke não tem um elenco maravilhoso, mas pode incomodar lá em cima na Bundesliga e quiçá na Liga Europa. Andou faltando um técnico que tivesse o time nas mãos. Se Stevens conseguir isso, será um grande passo para buscar um algo mais com o Schalke.

Huub Stevens começa bem, mas precisa rever os 11 iniciais

Schalke salvando sua honra

Ao invés de gastar minhas palavras sobre a final da DFB Pokal, coloco abaixo uma música para descrever o que representa esse título ao Schalke 04, que meteu 5×0 no Duisburg.

A música da cantora KT Tunstall se chama “Saving my face”, que traduzindo, se chama “Salvando minha honra”. Assim já dá para ter uma noção do que quero falar.

O refrão da música fala: “Estou sem sorte alguma. Sem fé. Eu daria tudo apenas por um sabor. Mas tudo está aqui, tudo fora de lugar. Perdendo minha memória e salvando minha honra (…)”.

Isso meio que descreve a história dos últimos anos do Schalke. Os Azuis Reais perderam alguns títulos de forma ridícula, estão em uma fila de mais de 50 anos, tiveram uma temporada ruim e como diz o refrão, “parecem estar perdendo sua memória”, mas com a histórica vaga para as semifinais da Champions League e agora com o título da DFB Pokal, eles “salvaram sua honra”, pelo menos nessa temporada.

E foi-se um dos últimos moicanos

Será que a torcida engole uma eventual ida para o Bayern?

O “amor à camisa” é algo que está em falta no mundo do futebol. Hoje em dia, pode-se contar nos dedos os casos de jogadores que rejeitam salários astronômicos para ficar ganhando menos em seu clube de coração.

Um dos últimos casos no planeta futebolístico será encerrado, provavelmente ao fim da temporada européia. O goleiro Manuel Neuer deixará o Schalke 04 no término de seu contrato em 2012 e deverá mesmo sair já no término da atual temporada.

Neuer tem 25 anos e está desde 1991 no Schalke 04, passando pelas categorias de base, pelo time B do Schalke e agora no time principal. Nesse período, o goleiro passou pelas Seleções alemãs sub-18, sub-19, sub-20 e sub-21, além da seleção principal, onde foi titular na Copa do Mundo de 2010.

Hoje, Manuel Neuer “representa” o Schalke. Ele não é um mero jogador do clube, mas é sim um ídolo e uma inspiração para futuros atletas azuis reais. Basta acompanhar sua história no clube. Ele está lá desde 1991! Já são 20 anos. Certamente está na história do clube.

Se já são raros os exemplos de jogadores que ficam em seus clubes por um bom tempo, imagina aqueles que ficam sem ter ganho nada…

No Brasil, vemos Rogério Ceni, que ganhou Libertadores, Mundial, Brasileirão, tudo pelo São Paulo. Na Europa, vemos Giggs, campeão inglês, europeu e mundial com o Manchester United, Javier Zanetti, campeão de tudo com a Inter, mas os que não ganham nada e permanecem por vários anos em seu time são raros. Tanto até que é normal ver atletas trocarem de clube com o discurso de “querer conquistar títulos”.

Neuer pode ganhar a Copa da Alemanha no fim da temporada

O Schalke está sem ganhar o Campeonato Alemão desde os anos 50 e o último título azul real foi a extinta DFP-Ligapokal – Copa da Liga Alemã, como queiram – em 2005 e desde que Neuer chegou as escolinhas do Schalke, em 1991, o time só ganhou 4 títulos e Neuer não participou de nenhum deles. Mas Manu permaneceu lá, firme e forte, acumulando grandes atuações e chamando a atenção de vários clubes. Mas o Schalke segurou Neuer, ou Neuer se segurou no Schalke.

Quem ficará com Neuer? O Bayern de Munich? Essa é uma incógnita. O goleiro já disse odiar o clube bávaro. Outra hora falarei detalhadamente desse “ódio” de Manu, mas vai agora só uma passada rápida: Em 2001, o Schalke precisava de uma vitória e uma derrota do Bayern para ser campeão alemão. Os Azuis Reais fizeram sua parte e venceram o Unterhaching, só que seu jogo terminou antes do jogo do Bayern, que perdia pro Hamburgo. A torcida invadiu o gramado, fez sua festa, só que no último minuto, os bávaros empataram, se sagraram campeões. Oliver Kahn comemorou o título segurando a bandeirinha de escanteio. A imagem ficou marcada em Neuer, que anos mais tarde repetiu o gesto em uma vitória do Schalke sobre o Bayern e que atrapalhou a caminhada bávara rumo ao título que ficara com o Wolfsburg.

O tiozinho não quer Neuer

Até por causa disso, não é só Neuer que odeia o Bayern, mas também a torcida bávara odeia o goleiro! Recentemente, nas semifinais da DFP Pokal, disputada entre Bayern x Schalke, os torcedores bávaros levaram vários cartazes com a frase: “Koan Neuer”. Não achei a verdadeira tradução dessa frase, mas é algo do tipo “não queremos Neuer”, ou “sem Neuer”. Enfim, é uma frase contrária a vinda do arqueiro.

Muitos acham que Neuer não jogará no Bayern por odiar o clube. Mas será? Na Alemanha é dado como certa a ida dele para a baviera. E se a torcida não gosta dele, o mesmo não pode ser dito da diretoria do clube, que vê Neuer como sonho de consumo.

Clubes como Manchester United e Arsenal também correm atrás do goleiro. Os Gunners não especulam tanto, pois parecem apostar suas fichas no jovem Sczezny. A especulação em torno dos Red Devils já foi maior, até porque dizem que o jovem De Gea já acertou com o clube. É um mistério o novo clube de Neuer!

Não sou daqueles saudosistas que acha que o jogador tem de ficar 756 anos em um só clube, acho sim que o atleta deveria muitas vezes pensar melhor em suas decisões, para ver onde realmente pode se fimar na carreira e se tornar um jogador de ponta. Mas também entendo que o atleta “sabe” o que faz.

Neuer e seus fãs

Mesmo eu sendo declarado torcedor do Borussia Dortmund, gostaria mesmo que Neuer permanecesse no Schalke 04. Ele criou uma relação legal com a torcida. É ídolo, é amado, enfim, é um exemplo para seus admiradores. Mas o que será que pesou para sua saída do clube? Por que não renovou seu contrato? Uma das teses seria um corte salarial. Não custa lembrar que o Schalke está nas semifinais da Champions League e só disputará a mesma competição se vencê-la na atual temporada. Deve haver um certo prejuízo no cofre azul real, por isso a venda agora, pois se for esperado o fim do contrato, ele sairá de graça.

Mas se for por dinheiro, sua fama de bom moço vai para o espaço! E se for pela falta de títulos então, minha teoria de “amor ao clube mesmo sem títulos” será totalmente descartada.

A torcida do Schalke já se atiçou após o anúncio e promete cantar uma canção anti-Bayern no jogo Schalke x Kaiserslautern, neste sábado.

Aguardemos os próximos capítulos!