TOP 7: Os sete motivos que fizeram o Milan campeão

O Milan empatou em 0x0 com a Roma no Stadio Olímpico e se sagrou campeão italiano pela 18ª vez. Assim como fiz com o Borussia Dortmund – onde listei os sete jogos decisivos pro título do BVB -, farei um Top 7 com o time rossonero. Abaixo, fique sabendo quais foram os sete pontos cruciais para o título milanista:

– Brasileiros

Pato, Thiago e Robinho foram grandes peças milanistas (Reuters)

Isso é tradicional nos times italianos, a presença de brasileiros. Nos times campeões então é quase lei. A Inter da temporada passada tinha Júlio César, Lúcio e Maicon como grandes destaques. O Milan não foge a regra e teve Thiago Silva, Alexandre Pato e Robinho se destacando.

Thiago era o grande nome da defesa. Sempre firme nas divididas e atento nos desarmes e nos posicionamentos. Sua ausência se tornava uma catástrofe. Alexandre Pato fez talvez sua melhor temporada. Com 14 gols e duas assistências, o camisa 7 não fugiu dos jogos decisivos e nos duelos contra Internazionale e Napoli, foi o melhor em campo, conquistando assim o coração de Bárbara Berlusconi, filha de Sílvio Berlusconi, chefão do Milan. Já Robinho vestiu as sandálias da humildade e percebeu que com esse pensamento arrogante de se tornar o melhor do mundo não iria a lugar algum e decidiu se tornar mais um funcionário de uma grande empresa, e não o chefe da grande empresa. Nesse papel secundário, Robinho conquistou a confiança do treinador e simpátia de todos. Com 12 gols e 3 assistências, Robinho fez sua melhor temporada desde que chegou na Europa.

– Massimiliano Allegri

Allegri iguala feito de Arrigo Sacchi e Fábio Capello (Reuters)

O jovem técnico de 44 anos veio cercado de dúvidas, mas conseguiu ser diferente de seus antecessores. Não chegou a ser tão cauteloso quanto Carlo Ancelotti chegou a ser chamado, e não escancarou seu time, como fazia Leonardo e acabou encontrando um meio-termo. Armou um time que tem uma defesa forte e que é a menos vazada da Série A. O Milan sofreu apenas 23 gols, enquanto o 2º colocado na tabela de menos vazados, a Lazio, sofreu 33 gols. Além de ter um meio-campo de muita chegada ao ataque. Não chegou a ter um meio-campo de jogadores técnicos, mas sim de jogadores de boa chegada à frente.

O grande ponto positivo para Allegri foi não ceder as pressões da imprensa, torcida e dirigentes. Quando o Milan trouxe Ibrahimovic e Robinho para se juntar à Pato e Ronaldinho, logo veio aquela aclamação para Allegri colocar em campo o “Quarteto de Ases”. Mas o treinador não cedeu e nunca colocou esse quarteto em campo. Por fim, Ronaldinho perdeu espaço e Allegri não fez nenhum esforço para segurá-lo, deixando migrar para o Flamengo.

– Ibrahimovic…

Ibrahimovic e Seedorf vibram com o título (AFP)

O sueco foi a grande contratação milanista para a temporada. Ibra veio do Barcelona com o rótulo de grande estrela da companhia e durante algum tempo, fez jus a essa marca. Foram 14 gols marcados e 11 assistências. Se não fosse Ibrahimovic, o Milan talvez não chegasse a liderança da Série A, já que ele decidiu diversos jogos no primeiro turno, como o Derby della Madonnina, onde a vitória sobre a grande rival Inter, pelo placar mínimo, foi ocasionado de um gol do sueco.

Só que nessa última metade da temporada, Ibrahimovic caiu de rendimento. Seu último gol na Série A foi em fevereiro, contra o Napoli. De lá para cá, além da escassez dos gols, o sueco voltou a mostrar o porque de sua fama de bad boy e foi expulso em dois jogos de forma tola. Na primeira expulsão, aliás, ele chegou a ser julgado e suspenso, desfalcando o Milan no Derby della Madonnina do 2º turno.

– …Seedorf

Se Ibrahimovic decidiu no primeiro turno, o holandês Clarence Seedorf tratou de fazer seu papel no segundo turno. Durante boa parte do campeonato, o meio campista era banco no Milan e algumas vezes nem entrava. Mas de uns tempos para cá, Allegri decidiu colocar o holandês para jogar e se Ibra caiu de rendimento no 2º turno, o contrário pode ser dito de Seedorf, que passou a jogar muito.

Seus números não são muito expressivos, 3 gols e 5 assistências, mas nas últimas rodadas ele tem simplesmente sido espetacular. Se Seedorf foi especulado absurdamente no Corinthians, ele mostrou nos duelos contra Inter e Sampdoria, por exemplo, que ainda tem muita bola pra jogar no Milan.

– Adversários

Diga-se de passagem, o Milan não chegou a ter um grande adversário nesta temporada da Série A. Após tomar a ponta da Lazio, poucos o ameaçaram. Os Biancocelesti até tentaram, mas logo caíram. A Inter largou mal, teve uma grande arrencada, mas só fez cóssegas nos Rossoneros, nada que os encomodassem tanto. O Napoli foi quem o perseguiu mais diretamente, mas o time de Lavezzi, Cavani e Hamsik parece ter caído na própria desconfiança de que poderia chegar.

Outro ponto positivo pro Milan no tópico “Adversários” é que tropeços dos rivais sempre aconteceram e ajudavam os Rossoneros. O Napoli, por exemplo, caiu nas últimas rodadas pros bons times de Udinese e Palermo, mas ficou no zero com o fraco Brescia em casa. Enquanto a Inter, já teve o fato da péssima largada, e ainda soma-se tropeços tolos como a derrota pro Parma e o empate diante do Brescia, que já havia atormentado o Napoli. Ou seja, não foi só competência do Milan, mas também incompetência de seus rivais.

– Jogadores “medianos”

Aí Gattuso, não dirija! (Getty Images)

Você olha o elenco do Milan e certamente não vai suspirar de amores. Há muitos jogadores de nível discutível, por não terem técnica ou por baterem demais. Mas o fato é que esses caras contribuíram demais. Abate, por exemplo, jogava sempre de cabeça baixa e facilmente perdia a bola. Hoje não enche os olhos de ninguém, mas pelo menos não compromete e usa a velocidade a seu favor. Gattuso, conhecido por bater até na própria sombra, mostrou um futebol totalmente diferente e volta e meia distribuia passes de efeito. Boateng é o maior exemplo. Para mim, se chutar uma moita em qualquer lugar, saem vários Boateng’s iguaizinhos. Ele não tem técnica, chuta mal e é meio desmiolado. Em contrapartida, ele é muito voluntarioso e tem muita vontade dentro de campo e se tornou uma peça de confiança de Allegri.

No elenco do Milan há vários desses jogadores de nível duvidoso, mas eles jogaram bola. Bota na conta do Allegri ou foi só uma boa fase? O tempo dirá, mas o fato é que esses “medianos” foram importantes pro título.

– Sem dar sopa pro azar

Para ser campeão, o Milan não adotou a filosofia de bater os pequenos e segurar os grandes. Os Rossoneros trataram de bater times dos dois escalões, mas o que chama a atenção foi o aproveitamento diante dos times que estavam próximos na tabela. Contra a Inter, foram duas vitórias – 1×0 e 3×0 – e esses seis pontos foram primordiais pro Milan abrir essa vantagem pro rival local. Contra o Napoli, mesmo exemplo. Seis pontos conquistados em seis disputados.

A dupla da capital talvez tenham sido os únicos times a parar o Milan. A Lazio empatou os dois duelos, enquanto a Roma venceu no San Siro e empatou no Olímpico. Pontos que em certo momento da temporada, pareciam que iriam atrapalhar, mas nada confirmado.

Parabéns ao Milan! Campeão Italiano!

Quando um menino se torna um homem no futebol

Pato começando a se afirmar na carreira (AP)

Sempre há um momento em sua vida, seja uma época ou um acontecimento que lhe faz ter a verdadeira noção de que você não é mais um simples menino e é um verdadeiro homem. No futebol não é diferente.

O garoto surge na base, se destaca, ganha rótulo de promessa, sobe para o time profissional e lá fica tímido. Aos poucos vai ganhando espaço, se firmando, mas ainda deixa aquela pulga atrás da orelha de muita gente, que desconfia que ele ainda seja imaturo. Mas sempre chega o momento em que esse garoto prova que não é bem assim.

Esse momento chegou para a Alexandre Pato!

Ele já fez gol em Mundial de Clubes pelo Internacional, gols em competições sulamericanas e alguns poucos gols decisivos em suas passagens por Inter e Milan. Embora não se duvida do enorme potencial de Pato, sempre ficava uma certa dúvida sobre o que realmente esse rapaz viria a ser quando atingisse o seu auge. Tanto até que mesmo fazendo uma temporada muito boa pelo Milan, ele era muito criticado aqui no Brasil. Não sei como é a atitude da imprensa e da torcida na Itália em relação o brasileiro, mas no nosso glorioso país, Pato não servia para ser o 9 da Seleção, por exemplo.

Mas hoje, no Derby della Madonnina, senti que veio o amadurecimento do garoto e que nesta tarde de sábado – noite de sábado na Itália -, Alexandre Pato deixou de ser um mero “jovem jogador”, para se tornar “O jogador”.

Abbiati vibrou com a milagrosa defesa que fez na etapa inicial

Decidir um clássico é para muitos. Isso mesmo. Para muitos. Nada impede um zagueiro casca grossa de fazer um gol decisivo nos acréscimos do árbitro. Mas ser o homem de um clássico que é praticamente uma final de campeonato é para poucos. Não consigo imaginar um ‘jogador comum’ fazer o que Alexandre Pato fez pro Milan no clássico de hoje.

Foram dois gols marcados e uma expulsão cavada, fora os demais lances individuais que me fizeram credenciar esse momento a Alexandre Pato.

Essa hora deve ser mágica para qualquer jogador. É o momento da afirmação! É justamente quando não se pode falhar, quando se deve chamar a responsabilidade, botar a bola debaixo do braço e ir pro jogo. Foi o que Pato fez. Na ausência de Ibrahimovic, ele foi o comandante do ataque e tacou o terror na defesa adversária.

Na primeira etapa, Pato mostrou estar no seu dia com menos de um minuto de jogo. Beiravam os 50 segundos de partida, quando Robinho dividiu com Júlio César e a bola sobrou pro camisa 7 marcar. O Milan fez quinze minutos excelentes, onde empurrou a Inter para seu próprio campo, mas com o passar do tempo, recuou e passou a apostar nos contra-ataques, com Alexandre Pato armando a boa maioria dessas jogadas.

Pato corrigiu o chute torto de Abate (AP)

Na segunda etapa, Pato foi mais decisivo. Ele primeiro cavou a expulsão de Cristian Chivu. Muita gente considerou correta a expulsão do lateral – no jogo de hoje, zagueiro – romeno, mas para mim, nem falta foi. Pato corria em direção diagonal, enquanto Chivu ia reto, já erguendo os braços. O camisa 7 milanista não foi empurrado, então a dúvida parte para as pernas, mas entendo eu que o brasileiro tropeçou. Ficou outra dúvida: se Pato tropeçou nas próprias pernas ou no Chivu. Como o lance foi na meia-lua da grande área, o romeno foi expulso. Como eu disse, Rizzoli pra mim errou ao dar a falta, mas ao marcar a infração, o jogador da Inter deveria ser expulso.

Se a Inter já estava mal no 11 contra 11, ficou pior com um à menos, se perdeu mais ainda e Pato e cia. deitaram e rolaram. O atacante brasileiro anotou seu segundo gol no jogo, completando chute torto de Abate. Era o dia dele! Deixou o campo aplaudido pelo estádio inteiro!

Ainda deu tempo de uma passagem relâmpago de Antonio Cassano. Ele mal entrou e sofreu e converteu um pênalti, levou dois cartões amarelos e foi expulso.

Sobre o jogo, 3×0 incontestável. O Milan jogou melhor desde a saída da bola, quando abriu o placar com menos de um minuto de jogo. Alexandre Pato será destacado depois. Robinho jogou bem, se movimentando, buscando jogo e em alguns momentos, se dando a luxo de ser displiscente. Van Bommel jogou bem também. Ora, não quis bater, quis jogar e teve boa atuação. Por incrível que pareça, Abate teve boa atuação. E o que dizer de Clarence Seedorf? Que atuação! Maestro no meio campo milanista. Armou, buscou jogo, participou das jogadas de ataque e teve atuação impecável.

Todos sabiam onde estava Bárbara Berlusconi, agora, Sneijder e Eto'o...

Já a Inter teve atuação terrível. A zaga foi uma lástima, o meio campo estava desorganizado e de resultado, um ataque que mal recebeu a bola. Até fiz essa brincadeira no twitter. Bárbara Berlusconi, filha de Sílvio e namorada de Pato, apareceu mais que Sneijder e Eto’o. Jogadores como Maicon e Cambiasso estiveram nervosos no jogo inteiro e produziram pouco. Se não fosse Júlio César, a Inter tomaria 5, 6…

Agora, Alexandre Pato. Jogou demais, foi o melhor em campo e está se tornando um homem no mundo do futebol. Ele ficará marcado após esse jogo. Daqui há dez, vinte anos, torcedores do Milan lembrarão que a grande atuação de Alexandre Pato rendeu um – que por enquanto é – provável título italiano. O atacante brasileiro também se lembrará, pois se atuações como a de hoje se repetirem em outros jogos de grande expectativa, esse clássico ficará reservado como o “momento em que virei homem, decidi um clássico decisivo”.

A situação do campeonato é a seguinte: O Milan lidera com 65 pontos e cinco pontos atrás, vem a Inter. Dificil pros Nerazzuri, que terão de dividir atenções com a Champions League e se o Schalke for eliminado, o tempo de atenção dividida vai aumentar e uma hora ou outra a Inter largará a Série A. São seis pontos a se tirar em 7 jogos.

O Napoli ainda pode encostar no Milan. Basta vencer a Lazio, que fica três pontos atrás do atual líder.

Mas mudando de assunto…mas nem tanto. Valeu a pena acompanhar o nosso esnquenta, heim? Foi um jogaço!