Dossiê Benzema

Era março de 2007. A França olhava fixamente para a Eurocopa de 2008. Após um vice-campeonato mundial em 2006, com uma seleção já bastante envelhecida, o polêmico Raymond Domenech tentava renovar a seleção. Nomes hoje calejados, como Patrice Evra, Jérémy Toulalan, Rio Mavuba e Lass Diarra começavam a ganhar espaço especialmente em amistosos.

E foi exatamente em um desses jogos teste que começou a história de Karim Benzema na seleção francesa. Para encarar a Áustria, no dia 28 de março, no Stade de France, Domenech fez diversas experiências. Dos 11 da formação inicial, sete não tinham sequer dez jogos pelos Bleus, sendo um estreante: o prodígio, que tornaria-se mais tarde um garoto-problema, Samir Nasri.

Benzema, na época com 19 anos, assim como Nasri, era um prodígio francês. Desde que havia estreado entre os profissionais do Lyon na temporada 2004/05, não tinha números estrondosos. Mesmo assim, já ia para a segunda convocação. A primeira havia sido em novembro de 2006, ainda com 18 anos, quando somava meros quatro gols e 32 aparições no Campeonato Francês. Não debutou em função de uma lesão.

O azar não se repetiu naquela noite parisiense. No intervalo da partida, Domenech fez três alterações. Ao lado do veterano William Gallas e do companheiro de clube Eric Abidal, Benzema ingressara no time na vaga de Djibril Cissé.

O menino franco-argelino não precisou nem de dez minutos para mostrar do que era capaz. Em falta na linha de fundo pelo lado direito, Nasri, inteligente, cobrou rasteiro e para trás. Livre, Benzema acertou um chute ao seu estilo: colocado, de pé direito, nem muito forte, nem tão fraco, mas o suficiente para ser impossível de defender.

Era um amistoso, é verdade, mas já foi um belo cartão de visitas para um expoente de 19 anos: ali residia uma esperança de gols.

A partir dali, Benzema passou a sempre ser lembrado por Domenech e, constantemente, entrava no time. Com Thierry Henry e David Trezeguet em rota descendente da carreira e Nicolas Anelka longe de ser o nome dos sonhos, ter uma via alternativa se fazia necessário para aquele momento. Domenech sabia que Benzema era essa via.

Euro 2008: Primeira decepção

Com a explosão na temporada 2007/08, onde fez 20 gols em 36 jogos no campeonato nacional – 33 gols em 63 ao todo – tornou-se inevitável assumir a titularidade. E assim foi até a estreia na Eurocopa disputada na Suíça.

No debute contra a Romênia, Henry foi desfalque em função de um problema no nervo ciático. Com isso, Benzema formou dupla com Anelka. A partida foi decepcionante, fraca tecnicamente, e o placar não saiu do zero, em jogo que, definitivamente, não está na história da Eurocopa.

Foi o indício de que dias ruins viriam. Sem vencer diante da seleção mais fraca da chave e com Itália e Holanda pela frente, os Bleus precisariam mostrar mais caso quisessem avançar.

Nada feito. Com Benzema no banco e sem sequer entrar na reta final da partida, a França foi atropelada por uma irresistível Holanda de Sneijder, Robben e Van Persie, perdendo por 4 a 1. O atacante acabou sendo lembrado pela imprensa – ou aliviado por ela.

Na época, porém, Benzema já causava os primeiros furdunços internos. A imprensa francesa noticiava na época que o comportamento considerado arrogante e individualista incomodava outros atletas.

Ainda assim, bastava uma vitória diante da Itália para os franceses se classificar e Domenech acionou o garoto para iniciar o confronto. Entretanto, a expulsão de Eric Abidal, com menos de 25 minutos, selou o início da derrocada gaulesa. A Azzurra, assim como em 2006, mandava os franceses para casa decepcionados, desta vez, com o 2 a 0 no marcador.

Benzema atuou durante 90 minutos. Inclusive, no segundo gol italiano, anotado por Daniele De Rossi, a bola desviou nele, que estava na barreira, e saiu do alcance de Coupet. Ofensivamente, a participação mais efetiva foi em um chute rasteiro de fora da área, aos 13 minutos, com o placar ainda zerado, que saiu levemente a esquerda de Buffon. Apesar da frustrante participação, foi uma experiência válida para o atacante que tinha, na época, 20 anos.

Benzema participou de dois jogos da Euro 2008 | Foto: Reprodução

Boa parte do fracasso daquele time já se devia as convicções de Domenech. Foram três escalações diferentes em três jogos e um 4-4-2 muito engessado. No ataque, não havia uma clareza sobre os posicionamentos dos atacantes e Benzema, que nos dois jogos que fez atuou mais afastado da área, muitas vezes se embolou com companheiros exatamente por essa confusão do time.

Benzema, ainda garoto e começando a enfrentar jogos de maior peso, era o menor culpado disso.

Caso Zahia e a Copa da África

Quem sabe em 2010? Primeira Copa em continente africano, França sedenta para afastar a má impressão deixada em 2008, cenário favorável para Benzema explodir. Somado a isso, veio a transferência para o Real Madrid, por 36 milhões de euros. Jogar ao lado de Cristiano Ronaldo, Kaká e outros tenderia a potencializar ainda mais suas qualidades. Entretanto, as polêmicas extracampo começaram a entrar na rotina do atacante.

Tudo começou em 5 de setembro de 2009. Naquela noite, a França enfrentaria a Romênia, em Paris. Os Bleus passavam maus bocados nas Eliminatórias para a Copa, com vitórias magras diante de seleções pouco expressivas e atuações nada convincentes. Para quem adora propagar o discurso de vitórias obrigatórias, essa partida diante dos romenos se encaixava aí.

Benzema, entretanto, começou no banco. Foi chamado para entrar aos 28 minutos da etapa final, no lugar de Yoann Gourcuff. A partida estava empatada por 1 a 1 e assim ficou até o fim. A polêmica pegou porque o atacante teria mostrado certa má vontade para entrar no jogo.

A atitude foi considerável inadmissível para Domenech. Para completar, meses depois, Benzema foi indiciado por, supostamente, ter tido relações sexuais com Dehia Zahar, uma prostituta menor de idade. Ele foi absolvido apenas em 2014, o que foi suficiente para que fosse descartado definitivamente pelo treinador e ficasse fora da Copa do Mundo de 2010. Nem mesmo o surgimento de André-Pierre Gignac no Toulouse poderia explicar aquela decisão.

Sete anos depois, Benzema pode até se dizer aliviado, já que não compôs o elenco que promoveu uma grande rebelião contra o próprio Domenech e protagonizou o maior fiasco da história dos Bleus.

Volta e seca

Passado o vexame no África do Sul, Domenech se foi, Laurent Blanc chegou e Benzema voltou. No primeiro jogo pós-Copa, entrou aos 16 minutos do segundo tempo, na vaga de Guillaume Hoarau. A titularidade, porém, veio apenas na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia, na qualificação para a Eurocopa.

A confiança de Blanc foi recompensada em grande estilo. Aos 26 minutos da etapa complementar, a partida estava empatada em 0x0, quando Benzema recebeu cruzamento rasteiro da esquerda. De costas para o gol, ele girou bonito, deixou o zagueiro para trás e mandou um lindo arremate de canhota para as redes.

Foi dali para cima. O começo de 2011 foi empolgante e Benzema dava pinta de que seria “o cara” tão procurado desde as aposentadorias de Zidane e Henry (da carreira e da seleção, respectivamente). Em amistosos ‘cascudos’ contra Brasil e Inglaterra, fez gols e ajudou nas duas vitórias, que deram cancha a um time que ainda estava desacreditado.

O que viria em diante, porém, foi decepção para o atacante. Depois da vitória contra os algozes brasileiros, em fevereiro de 2011, Benzema passou cinco jogos sem marcar, voltando a marcar em setembro do mesmo ano, na vitória por 2 a 1 sobre a Albânia. Seis partidas depois, às vésperas da Euro 2012, dois gols diante da Estônia, chegando a marca de 15 gols pela seleção francesa.

A empolgação de recuperar o respeito perdido na Copa de 2010 era grande, mas a Euro disputada na Polônia e na Ucrânia foi apenas mais um capítulo da turbulenta carreira de Benzema pela França.

Eliminado nas quartas-de-final, o atacante madridista deixou a competição de forma discreta, sem ter marcado um gol sequer e muito questionado pela imprensa local. O único jogo em que conseguiu se destacar foi no 2 a 0 diante da Ucrânia, onde deu as assistências para os dois gols.

Benzema deixou a Euro 2012 sem gols | Foto: Reprodução

Não havia dúvidas, Benzema era a grande decepção da França. Não apenas pelo nome que possui, tampouco por jogar no Real Madrid, mas estávamos falando do atacante que teve na temporada 2011/12 o período mais prolífico em gols na carreira. Em 64 jogos, marcou 35 gols, recorde máximo desde que surgiu em 2004/05.

A imprensa francesa valorizou o esforço, pontuou que o jogo dos Bleus fluía mais quando saia da área e ajudava a criar jogadas, mas não foi capaz de perdoar a ausência de gols.

Neste meio tempo, surgiram as críticas mais covardes, as direcionadas a sua origem argelina. Partidos de ultra-direita tentavam diminuí-lo e pediam sua expulsão da seleção. O fato de não cantar o hino nacional incomodava também. Não bastasse a falta de gols, havia a xenofobia em cima.

A seca, aliás, foi tenebrosa. Lembram dos dois gols contra a Estônia, ainda antes da Euro? O gol seguinte seria marcado quase 500 dias depois, 16 jogos seguintes, na goleada por 6 a 0 sobre a Austrália, em outubro de 2013.

Afirmação para 2014

Passada a decepção da Eurocopa de 2012, chegava o ciclo para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil. A novidade era a presença de Didier Deschamps como treinador. Campeão do mundo em 1998 como jogador, DD já possuía uma sólida carreira na casamata nos comandos de Monaco, Juventus e Marseille.

A França seria o ápice de seu período como treinador, e logo o disciplinador Deschamps sabia que precisaria ter como ponto chave a recuperação de Benzema. Na época em que o madridista sofria sem gols, Olivier Giroud explodia no Montpellier e seguia para a Premier League, trilhando os campos ingleses com a camisa do Arsenal. Nem por isso abriu mão de Benzema.

Medida acertada. A França seguiu para a Copa e no jogo em que mais era preciso de Benzema, ele apareceu.

Na repescagem, após perder para a Ucrânia na ida por 2 a 0, um turbilhão de emoções cercava o jogo de volta no Stade de France. A França estava entre o medo de ficar fora da Copa do Mundo e o temor de conseguir a vaga como em 2010, diante da Irlanda, com uma mãozinha de Henry.

Antes dos 25 minutos, o zagueiro Mamadou Sakho colocou a França em vantagem. A primeira palhinha de Benzema veio aos 29. Em retomada de bola no setor ofensivo, Ribéry cruzou fechado da esquerda e encontrou o camisa 10, quase embaixo da trave, para marcar. Mesmo em posição legal, a jogada foi invalidada.

Se foi por peso na consciência ou pura incapacidade não sabemos, mas minutos depois, em impedimento flagrante, Benzema fez o gol que explodiu o Stade de France. O 2 a 0 forçava a prorrogação, mas, naquele momento, todos lá dentro sabiam: a classificação viria – e veio na etapa final, novamente com Sakho.

Passados os apuros das eliminatórias e da repescagem, veio uma Copa do Mundo que não foi exitosa, mas que ajudou a recuperar o caráter competitivo perdido em torneios anteriores. Benzema, zerado em gols nas duas Euros que disputou, deixou o Brasil com três tentos – e só não fez mais, assim como não foi mais longe que as quartas-de-final, por causa de uma defesa surreal de Manuel Neuer, da Alemanha.

Sextape e os capítulos finais

Se 2014 foi o torneio para a retomada da autoestima, 2016 seria o momento da afirmação francesa. Anfitriã da Eurocopa daquele ano, os Bleus teriam um Benzema cada vez mais amadurecido ao lado dos ótimos Antoine Griezmann e Paul Pogba, cada vez mais ambientados ao cenário internacional.

Tudo corria muito tranquilamente, sem grandes percalços, apenas no aguardo dos jogos da Eurocopa. Eis que vem a tona o escândalo que pôs capítulos finais a passagem de Benzema pela seleção francesa.

Em junho de 2015, conta Le Figaro, Mathieu Valbuena, na época concentrado com a seleção francesa para amistosos contra Bélgica e Alemanha, recebe um telefonema de alguém que dizia ter um vídeo íntimo do atleta com a namorada. Para não divulgar o vídeo, a pessoa pedia 100 mil euros.

O atleta, na época no Lyon, apresentou queixa à polícia e as negociações com os chantagistas passaram a ser feitas por um agente da polícia que se fazia passar por Valbuena.

No fim de outubro, a história ganhou outros contornos e jogadores começaram a abordar Valbuena sobre o vídeo. Benzema teria, inclusive, incentivado a pagar o resgate. A bomba explodiu quando Djibril Cissé foi detido por ter abordado o atleta. Ele foi liberado no mesmo dia quando disse que conversou com o meia-atacante na condição de amigo.

No fim de outubro, o jornal La Provence revelou que um homem chamado Axel Angot, próximo de vários jogadores franceses, estaria no centro da extorsão. Ele teria confirmado que o vídeo chegou até ele por um outro atleta e que, com a ajuda de outra pessoa, tinha decidido contatá-lo para extorquir 150 mil euros.

Chegava novembro e o caso se desdobrava. Uma pessoa que seria próxima de um dos irmãos de Benzema foi detida. Essa proximidade com os suspeitos, juntamente com a conversa entre os dois atletas em outubro, fez com que a polícia detivesse o madridista sob a suspeita de que tivesse tentado convencer Valbuena a pagar ao chantagista, o que faria dele cúmplice.

Benzema chegou a ser detido em 2015 | Foto: AFP

Desde então, o caso vem se arrastando. Na justiça, Benzema chegou a ver seu primeiro recurso ser rejeitado pela justiça francesa, mas em julho deste ano, o Supremo Tribunal de França concedeu razão ao madridista na sua luta contra a atuação da polícia durante o processo de investigação. Foi determinado que a investigação é ilegítima, mas a defesa do atacante continua com a briga para que o caso seja arquivado.

Se a justiça ainda não decidiu que rumo dar a essa história, dentro das quatro linhas o caminho parece bem traçado. Benzema, que foi suspenso, mas depois liberado a vestir a camisa da seleção francesa, não joga pelos Bleus desde outubro de 2015, na goleada por 4 a 0 sobre a Armênia. Curiosamente, fez dois gols naquela noite, provavelmente, os últimos dois com a camisa azul.

Com a renovação de Deschamps até 2020, difícil crer que volte a ser convocado, encerrando seu ciclo com 81 jogos e 27 gols (nono maior da história). O pior disso tudo é observar que, em tão pouco tempo, um dos atacantes franceses mais bem-sucedidos da história recente tenha conseguido ter uma passagem tão tumultuada pela seleção. A França merecia mais… Benzema merecia também. Nessa queda de braço, todos perdem.

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Deschamps 2020: Os reflexos da renovação de contrato

O que vinha sendo especulado há algumas semanas se concretizou na terça-feira (31): Didier Deschamps renovou contrato com a Federação Francesa de Futebol (FFF) e treinará a seleção nacional até 2020.

Até lá, DD, que assumiu a equipe em 2012, concluirá o ciclo da Copa do Mundo do próximo ano e terá mais uma Eurocopa pela frente. O desafio será conquistar feitos relevantes a frente de uma das mais talentosas gerações do futebol mundial, recolocando a França no hall das grandes seleções do planeta.

Essa renovação traz à tona diversos reflexos, negativos e positivos, e que devem ser contrabalanceados na hora de uma análise mais precisa sobre o benefício da escolha da FFF por manter DD por mais anos.

Negativamente, a conclusão é quase unânime: a pequena margem de progressão em qualidade de jogo. Deschamps tem em suas mãos uma vasta lista de atletas de grande talento, como Kyllian Mbappé, Antoine Griezmann, Paul Pogba, Thomas Lemar e outros tantos que compõem o elenco atual – fora os que sequer são lembrados. É gente suficiente para montar uma equipe capaz de fazer frente a qualquer seleção do mundo, apresentando futebol de ótimo nível.

O que tem sido visto dentro de campo, entretanto, está longe disso. Até mesmo na Eurocopa, onde foi vice-campeã, perdendo a final em casa para Portugal, os franceses estiveram longe de convencer. Tirando a excelente exibição na semifinal, diante da Alemanha, foram poucas aparições convincentes.

Iniciou-se o ciclo mundial, mas mesmo com o acréscimo de outros nomes talentosos, como Mbappé, o progresso foi mínimo. Apesar de ter garantido presença na Copa da Rússia sem grandes sustos – sete vitórias, dois empates e uma derrota – alguns dados chamaram a atenção, como ter o 15º ataque da qualificação europeia com 18 gols.

O site da UEFA aponta ainda que a França finalizou 180 vezes durante toda a competição, o que lhe dá média de um gol a cada dez chutes. Como exemplo de comparação, Bélgica e Alemanha, que tiveram os melhores ataques, precisavam de menos de cinco arremates (43 gols em 214 chutes e 43 em 209, respectivamente).

O contrastante é ver que os Bleus tiveram a sétima média de finalizações entre todas as seleções europeias. Muito chute e pouco aproveitamento.

Além do desempenho dentro de campo, Deschamps possui ainda os seus “soldadinhos”, expressão que o colega Renato Gomes gosta de usar nas edições de Le Podcast du Foot. Moussa Sissoko, Blaise Matuidi, Kingsley Coman são alguns dos exemplos de atletas que, invariavelmente, aparecem no time titular em momentos importantes, onde outros poderiam estar entre os titulares.

Deschamps deverá continuar fora da seleção | Foto: AFP

Nessa mesma linha, surge o caso de Karim Benzema. Seu último jogo pela seleção francesa foi em 8 de outubro de 2015. Desde então, esteve envolvido na polêmica do sex tape de Mathieu Valbuena, foi afastado e, de certa forma, perdoado pela FFF. Não por Deschamps.

Prestes a completar 30 anos, podemos cravar que aquela goleada por 4 a 0 sobre a Albânia, há dois anos, ficará registrada na história como sua última aparição pela seleção francesa.

Um fim trágico de um dos melhores atacantes que surgiu na França desde Thierry Henry. Habilidade, inteligência e faro de gol desperdiçados por polêmicas extracampo. E falo “polêmicas” mesmo, no plural.

Para refrescar a memória, vale lembrar que Benzema sempre foi alvo de críticas, especialmente de pessoas ligadas a extrema-direita francesa, por sua origem argelina, o que lhe tornaria “menos francês”, e também por não cantar a tão exaltada Marselhesa, o hino nacional.

Seus problemas também estiveram relacionados a relação com o técnico Raymond Domenech, que lhe deu a primeira chance nos Bleus em março de 2007. Em 2010, Benzema, na época se adaptando ao Real Madrid, sequer ficou na lista de 30 jogadores pré-convocados para a Copa do Mundo.

Um curto período antes, o atacante esteve envolvido em um escândalo sexual com uma prostituta menor de idade – importante frisar que a prostituição é legalizada na França, mas as prostitutas precisam ser maiores de idade. Além dele, Franck Ribéry também estava nesse imbróglio judicial – que resultou na absolvição da dupla.

Em menos de dez anos de serviços prestados à seleção, Benzema acumulou um histórico de polêmicas maior do que de boas atuações dentro de campo – 27 gols em 81 jogos, Olivier Giroud, por exemplo, já têm 28 tentos em 68 aparições.

Pontos positivos

Próximo desafio de DD será a Copa de 2018 | Foto: Guillaume Bigot

Sim, amigos, há pontos positivos na renovação de Deschamps. O principal deles, a meu ver, é a questão da recuperação do respeito internacional. Vamos lembrar que de 2008 a 2012, a seleção francesa emendou uma série de vexames, todos por causa de problemas extracampo que refletiram no desempenho coletivo, tendo como ápice a greve comandada por Nicolas Anelka, Patrice Evra e cia ltda. na Copa do Mundo de 2010, onde os Bleus foram eliminados na fase de grupos.

Desde que assumiu o comando da equipe, após a saída de Laurent Blanc depois da decepcionante participação na Eurocopa de 2012, DD tratou de afastar problemas alheios as quatro linhas. Não só Benzema não voltou mais depois da polêmica com Valbuena, mas Samir Nasri, outro menino-problema, foi descartado sumariamente pelo treinador. Evra só retornou depois de muito tempo e de uma enquadrada do comandante.

Essa nova linha de trabalho fez com que a França passasse sem sustos ou turbulências pela Copa do Mundo de 2014 e pela Euro de 2016. Claro que controlando os ânimos dos atletas, é hora de cobrar resposta do conjunto armado pelo treinador dentro de campo.

Mas, mais do que a disciplina imposta e o afastamento de crises extracampo, vale a indagação: suponhamos que Deschamps seja demitido agora, quem assumiria? Vamos sempre nos lembrar que o futebol de seleções é um tabu para grandes técnicos, já que o dia-a-dia dos clubes, as repetições, os treinamentos constantes com os mesmos atletas, são substituídos por encontros esporádicos e em épocas que lhe impossibilitam de tratar o time com a intensidade que possa entender necessário.

Quem toparia essa bucha?

Zinedine Zidane? Será mesmo que Zizou deixaria o futebol de clubes, e arriscaria seu status obtido dentro de campo comandando agora a seleção?

Arsène Wenger? Seria um prêmio a sua brilhante carreira na Inglaterra, mas, aos 68 anos, teria interesse em assumir a França?

E um estrangeiro? Duvido muito que a FFF possa fazer essa escolha.

A decisão de renovar com Deschamps, antes mesmo de saber o que acontecerá no Mundial, pode ser controversa, mas a federação não deixa de ter seus argumentos para fazer isso. O problema é o contexto diferente. DD pegou uma seleção em frangalhos, com a moral afundada nas catacumbas do Stade de France e com uma série de perguntas na cabeça. Hoje, com o surgimento de jogadores talentosíssimos e o status de favoritismo para 2018, na Rússia, fica o questionamento de suas capacidades para levar esse time a um lugar maior.

Ben Yedder: a carta na manga

Destaque no Sevilla, Ben Yedder pede passagem na seleção | Foto: AFP

Wissam Ben Yedder é mais um dos tantos talentos inegáveis que a Ligue 1 mostrou ao mundo nos últimos anos. Habilidoso, atrevido e goleador, o atacante de 27 anos passou seis temporadas escondido no Toulouse, onde sempre foi a referência ofensiva e conseguiu o status de maior goleador da história do clube, com 71 gols em 174 partidas.

Na segunda temporada pelo Sevilla (mais um dos tantos atletas garimpados por Monchi), já possui média interessante de gols: em 50 aparições, balançou as redes 25 vezes – uma vez a cada duas partidas.

O curioso disso tudo, porém, é o fato de nunca ter sido lembrado uma vez sequer pelos técnicos que passaram pela seleção francesa. Difícil crer que haja uma explicação técnica para que um atleta que tenha entregue ao menos 15 gols em quatro temporadas seguidas em um time de segundo escalão (e mantido o pique na Espanha) não seja convocado.

Seu nome, ao menos, já ecoa nos veículos de imprensa da França. Na convocação para as partidas contra Bulgária e Bielorrússia, pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo, o técnico Didier Deschamps foi questionado sobre a ausência de Ben Yedder, já que começou a temporada metendo hat-trick na Liga dos Campeões e parecia ser uma escolha lógica. DD resumiu dizendo que há muita concorrência.

Encaixe no time

Ok, ele não tem a badalação de outros homens de frente, como Antoine Griezmann e Kyllian Mbappé, tampouco é peça de confiança, como Olivier Giroud, mas o atacante do Sevilla possui características associativas que dariam acréscimo interessante aos Bleus.

Pedra bruta do futsal (ficou até os 18 anos na modalidade e chegou até a jogar pela seleção francesa), Ben Yedder soube assimilar e adaptar as características das quadras nos campos. Trouxe consigo a habilidade, o drible em espaços curtos e criar jogadas de associação, capazes de abrir espaços.

O sevillista tem estilo que casa tanto com Griezmann, jogador igualmente móvel e inteligente, quanto com Giroud, que poderia se aproveitar dos desmarques de Ben Yedder para engordar suas estatísticas de gols.

Disciplina

Ben Yedder jogou apenas pela seleção de base | Foto: L’Equipe

Se o excelente desempenho e a capacidade de unir características com os demais homens de frente não é razão para convencer Deschamps, só resta crer que ele carregue algum tipo de desconfiança com Ben Yedder em função de um episódio de indisciplina no passado.

Em 2012, pela seleção de base, foi punido junto de outros atletas (Griezmann era um deles) por fugir da concentração para ir a uma festa. Na época do fato, foi suspenso por um ano pelo Comitê Disciplinar da Federação Francesa de Futebol.

O episódio, porém, parece ter ficado para trás e pouco se ouviu de polêmicas envolvendo o atleta. O caso mais chamativo desde então foi envolvendo o técnico Dominique Arribagé. Apesar de a guerra nunca ter sido declarada, era nítido o mal-estar entre treinador e jogador.

O impasse foi solucionado quando Arribagé foi demitido pelos maus resultados e o “paizão” Pascal Dupraz recuperou o bom futebol de Ben Yedder.

Para acrescentar ao currículo de bom moço do sevillista, sempre que questionado sobre a falta de convocações, nunca polemizou. Já chegou até a dizer que atletas de clubes maiores encontram mais facilidades para chegar à seleção (o que não é nenhuma mentira) mas nunca atacou Deschamps ou a federação.

Tampouco tentou se vitimar por ter origens tunisianas. Apesar de a seleção da Tunísia querê-lo no time de qualquer jeito, Ben Yedder já foi claro ao dizer que vai seguir trabalhando até ser lembrado pelos Bleus.

Visando 2018 e a busca por mais opções, que possam fornecer novos horizontes ao time, Deschamps deveria pensar com carinho no atleta do Sevilla, analisar sua evolução e colocá-lo no radar. Será que ele se lembra de 2014? Griezmann surgiu antes da Copa, foi chamado, correspondeu e está no time até hoje.

Ben Yedder pode ser outro caso igual. Não é um foguete de festa junina, que sobe, faz barulho e logo some. Ele é realidade e qualidade e pode ser a carta na manga para brilhar na Copa da Rússia.

Elas por ela

Corinne Diacre assume a seleção feminina da França | Foto: Divulgação/Clermont

Corinne Diacre é uma legítima desbravadora na França. Zagueira de larga carreira no país, inclusive com mais de dez anos de serviços prestados a seleção nacional, ela decidiu ir além, enfrentou a resistência e os preconceitos machistas, tornou-se assistente, treinadora e assumiu o Clermont, time da segunda divisão, tornando-se a primeira mulher a treinar uma equipe masculina no país.

Curiosamente, Corinne assumiu a equipe da região de Auvergne em 2014, exatamente após o fracasso de uma negociação do clube com outra treinadora. A portuguesa Helena Costa chegou a ser apresentada como comandante do time, mas, subitamente, renunciou ao posto alegando problemas particulares – versão que não bateu com a do presidente Claude Michy e a empresária Sonia Souid, que intermediou a transferência.

A passagem pelo Clermont, que muitos consideravam apenas uma jogada de marketing, foi encerrada surpreendentemente nesta semana. Só que diferentemente do que aconteceu no caso de Helena, Corinne deixou o clube por uma ótima causa: após três anos, com 50 vitórias, 39 empates e 44 derrotas, ela foi contratada pela Federação Francesa de Futebol (FFF) e assumirá a seleção feminina.

Neste meio tempo, Corinne fez história no Clermont, não apenas por ter sido a primeira mulher a dar a cara a tapa na França e no machista mundo do futebol, mas por ter obtido reconhecimento na função. Logo na primeira temporada, em 2014/15, evitou o rebaixamento da equipe – o que era cotado desde o começo da competição – terminando em 12º, com 49 pontos. Na temporada seguinte, chegou a sonhar com o acesso, terminando em 7º lugar, a sete pontos da zona de classificação, isso tendo o menor orçamento entre os 20 times.

O resultado final disso tudo foi o reconhecimento vindo da conceituada revista France Football, que a escolheu como melhor técnico de 2015 na segunda divisão francesa.

Mais até do que os méritos táticos e técnicos, a grande revolução de Corinne foi internamente. Mesmo enfrentando preconceitos e até mesmo estranhezas, baseou sua rotina na confiança do grupo de atletas. Rígida com seus conceitos e formas de trabalho, conquistou o apreço do elenco e o respeito da comunidade futebolística, fazendo com que obtivesse know-how a ponto de assumir a seleção, com contrato de quatro anos.

No Clermont, Corinne conquistou a confiança dos atletas | Foto: Divulgação/Clermont

Desafio nas Bleues

Na seleção francesa, Corinne substituirá Olivier Echouafni, que não durou sequer um ano no comando da equipe. Após substituir Phillipe Bergeroo depois dos Jogos Olímpicos, não conseguiu bons resultados e as duras críticas depois da decepcionante campanha na Eurocopa pesaram para a mudança.

Na história, Corinne será apenas a segunda mulher a treinar as Bleues. Antes dela, Élisabeth Loisel ficou dez anos no posto e revolucionou o futebol feminino do país, classificando a seleção para a Copa do Mundo de 2003, primeira do time.

Já Corinne tem um Mundial em casa pela frente, em 2019. Como herança, desempenhos decepcionantes nos Jogos Olímpicos e na Eurocopa, onde as Bleues caíram em nas quartas-de-final nos dois torneios.

Tudo isso contrasta com o cenário dos clubes, onde a França chegou a ter dois times fazendo a final da Liga dos Campeões, com o Lyon vencendo o PSG nos pênaltis – OL, aliás, ganhou quatro das oito edições da competição. Além disso, das 18 jogadoras escolhidas para o time ideal da temporada 2016/17 do torneio, sete eram francesas.

Ou seja, apesar dos resultados ruins, Corinne Diacre não encontra terra arrasada. Longe disso, até. Com uma base formada por atletas do Lyon e do PSG, tem tudo para desempenhar ótimo papel e fazer com que a seleção tenha desempenho tão exitoso quanto dos clubes.

Estreia

Dois amistosos em setembro marcam a estreia de Corinne Diacre | Foto: Divulgação/Clermont

E a estreia de Corinne já será breve. Estão marcados dois amistosos para setembro: em Caen, enfrenta Chile, e em Calais pega a Espanha, nos dias 15 e 18, respectivamente.

Mais de Corinne Diacre

Para quem quiser conhecer mais do trabalho e da história da nova treinadora da seleção feminina da França, o colega de Le Podcast du Foot, Filipe Papini comentou sobre a trajetória da profissional em dezembro de 2015 no blog C’Est le Foot:

O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?

Kimpembe, Mendy, Mbappé… A necessária renovação de Deschamps

A França vice-campeã europeia em 2016 tinha no elenco oito jogadores com pelo menos 30 anos e somente quatro sub-23. Para um país que vem produzindo tantos bons atletas nos últimos anos, o recado para o futuro era claro: uma renovação era necessária para a Copa de 2018, na Rússia. Não pelos resultados recentes (além do vice europeu, o desempenho na Copa do Mundo de 2014 foi satisfatório), mas pela visão de inclusão entre os experientes ainda em forma com os jovens expoentes do país.

O técnico Didier Deschamps percebeu esta necessidade e começou a incluir os garotos na seleção. Na última convocação, para enfrentar Luxemburgo, pelas Eliminatórias Europeias, e Espanha, em amistoso, o número de ‘trintões’ caiu para cinco e de sub-23 subiu para oito. Medida mais do que acertada, tendo em vista que o jogo oficial é contra uma equipe inferior tecnicamente e o amistoso será um bom teste contra uma campeã mundial.

Mas voltando ao foco da convocação, entre os nomes que mais chamam a atenção está o de Kylian Mbappé. O atacante de apenas 18 anos vem se destacando no Monaco e foi chamado pela primeira vez por DD.

Mbappé conquistou o Campeonato Europeu Sub-19 em 2016 | Foto: Sportsfile

Mais do que os 12 gols marcados na Ligue 1, número bastante expressivo para um jogador de tal idade e que divide atenções com Radamel Falcao, Mbappé chega para disputar um espaço que se viu polarizado por Olivier Giroud e Karim Benzema por, pelo menos, cinco temporadas. Com a instabilidade do Gunner e a ausência do Merengue por toda aquela polêmica do caso com Mathieu Valbuena, encontrar uma opção era necessário e trabalhar com o monegasco desde cedo é uma bela cartada de Deschamps.

O Monaco, aliás, é o time que mais forneceu jogadores para a seleção ao lado do Paris Saint-Germain: ambos cederam cinco atletas. Do clube do Principado, porém, vieram cinco abaixo dos 25 anos.

Entre eles está Benjamin Mendy, de 22. Frequentador das seleções de base da França desde o sub-16, foi tratado como uma grande joia na reconhecida base do Le Havre (Vikash Dhorasoo, Steve Mandanda e Paul Pogba são alguns dos que foram formados ali) e evoluiu muito no Monaco, após frustrante passagem pelo Marseille. Hoje, Mendy é um dos líderes em interceptação e em assistências do time, além de ter a melhor média de cruzamentos certos.

Em uma posição que passou praticamente uma década dominada por Patrice Evra, que teve como sombra um burocrático Gaël Clichy, a boa nova é ver Mendy em ótimo nível. Ah, lembremos que essa função também está servida pelos ótimos Laywin Kurzawa e Lucas Digne (apenas o primeiro foi convocado).

A zaga do futuro?

Kimpembe já está na segunda convocação | Foto: Sky Sports

Para compor a defesa, a grande novidade foi Presnel Kimpembe, de 21 anos. Formado no PSG, o franco-congolês esteve próximo de defender a seleção da República Democrática do Congo. Chegou a jogar pela equipe sub-20 e chamado para a principal, mas recusou para defender os Bleus sub-20. É sua segunda convocação, mas ainda não jogou.

Apesar de disputar posição com os brasileiros Marquinhos e Thiago Silva, o garoto já é o terceiro do time em interceptações (atrás do próprio Thiago e Kurzawa) e é o atleta com maior porcentagem de passes certos do PSG, com 93,8%.

Kimpembe é a grande aposta para formar dupla no futuro com outro garoto, que já é realidade: Sammy Umtiti. A exemplo do parisiense, o defensor de apenas 23 anos se mostra em casa no Barcelona e vem mostrando as razões de ser um dos zagueiros mais promissores do planeta. Em meio a tantas estrelas, é o jogador com maior porcentagem de passes certos (93,3%), segunda maior média de vitórias em disputas aéreas e o terceiro em intercepções e chutes bloqueados.

A tendência inicial é DD apostar em Umtiti ao lado do experiente Laurent Koscielny, de 31 anos, mas nada impede de já tentar ver o que ele pode render com Kimpembe. Podemos esperar uma dupla de muita técnica e com ótima capacidade de recuperação.

Injustiça com Lacazette

Artilheiro do Lyon, Lacazette foi colocado de lado por Giroud e Gameiro | Foto: Divulgação

A convocação de Deschamps, entretanto, não foi 100% maravilhosa. No ataque, é inconcebível que ele tenha deixado de fora Alexandre Lacazette, do Lyon, para optar por Olivier Giroud, do Arsenal, e Kevin Gameiro, do Atlético de Madrid. Qualquer um dos dois poderia ter sido sacado para a convocação do artilheiro do OL.

Em 2.757 minutos jogados em toda a temporada, Lacazette marcou impressionantes 29 gols, o que lhe dá uma média de um gol a casa 95 minutos (a cada um jogo e cinco minutos). Seus concorrentes não possuem números sequer semelhantes.

Giroud é o que mais se aproxima. O Gunner marcou 12 gols divididos em 1.247 minutos, tendo média de um a cada 103 minutos (um jogo e 13 minutos). Com Gameiro, fica até injusto comparar. O Colchonero tem 14 tentos em 2.065 minutos, praticamente um gol a cada dois jogos.

Somente no ano de 2017, Lacazette marcou 14 gols. Isso mesmo! Só nesses quase três meses de ano, ele tem mais gols que Giroud e igualou os números de Gameiro em toda a temporada. Se há alguém pronto para assumir o protagonismo no ataque francês, certamente este alguém é Lacazette.

Pílulas da convocação

– Ao todo, sete convocados não estrearam pela seleção francesa. Alguns, como o citado caso de Kimpembe e Alphonse Areola, já foram até convocados, mas não entraram em campo;

– Reconheço que a temporada de Areola não é nada boa, mas levando em conta que a função de terceiro goleiro de seleção é praticamente figurativa, considerei interessante a escolha, até por ele ter potencial. Viver o ambiente de seleção com Hugo Lloris e também com Benoît Costil será de boa valia ao parisiense;

Impossível não gostar das opções de meio-campo da França. Dos mais conhecidos, como o vigoroso Blaise Matuidi e do talentoso Dimitri Payet, a jovens de muito talento, como Adrien Rabiot e Thomas Lemar, ambos de 21 anos. Somente as opções de meio-campo valeriam outro post;

– Sobre os jogos, o primeiro, contra Luxemburgo, é praticamente uma vitória protocolar sobre um adversário que acumulou apenas um ponto. Com Bulgária e Holanda se enfrentando, os três pontos se tornam fundamentais visando já a próxima rodada, em junho, contra a Suécia. Será o confronto direto que vai delinear os rumos do Grupo A;

– Já o amistoso diante da Espanha se caracteriza num bom teste para o jovem time francês. O jogo ganha um atrativo a mais pelo fato de a Fúria também passar por um processo de renovação. As duas seleções poderão provar seus poderes de fogo nesse confronto;

Os convocados:

Goleiro: Alphonse Areola (PSG), Hugo Lloris (Tottenham) e Benoît Costil (Rennes)

Laterais: Christophe Jallet (Lyon), Djibril Sidibé (Lille), Layvin Kurzawa (PSG) e Benjamin Mendy (Monaco)

Zagueiros: Presnel Kimpembe (PSG), Laurent Koscielny (Arsenal), Adil Rami (Sevilla) e Samuel Umtiti (Barcelona)

Meio-campistas: Tiemoue Bakayoko (Monaco), N’Golo Kanté (Chelsea), Thomas Lemar (Monaco), Blaise Matuidi (PSG), Adrien Rabiot (PSG) e Corentin Tolisso (Lyon)

Atacantes: Ousmane Dembele (Borussia Dortmund), Kevin Gameiro (Atlético de Madrid), Olivier Giroud (Arsenal), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid), Kylian Mbappé (Monaco), Dimitri Payet (Marseille) e Florian Thauvin (Marseille)

Le Podcast du Foot #58 – O vice da França

aurelien durand

Foto: Aurélien Durand/FFF – Matuidi é consolado após derrota na final

O esperado terceiro título europeu não veio e a França precisou se contentar com o vice da Uefa Euro 2016. Mesmo jogando diante de seu torcedor, os Bleus pararam na seleção portuguesa, que pela primeira vez na história ergueu o principal troféu do continente europeu.

A França, comandada por Didier Deschamps, teve como grande pilar Antoine Griezmann. Artilheiro do torneio com seis gols, o atacante do Atlético de Madrid ainda foi eleito o principal jogador da competição. Além disso, os Bleus tiveram campanha praticamente impecável. Foram cinco vitórias e dois empates – contabilizando o empate da decisão, já que a partida foi definida na prorrogação.

Entretanto, estes fatores não impediram a seleção das críticas. Desempenho ruim, decisões contestáveis de Deschamps e atuações decepcionantes de Paul Pogba foram alguns dos temas que geraram questionamentos durante a competição.

Enfim, a Euro deixou perguntas e respostas no ar e Le Podcast du Foot, em sua edição #58, debate muitas delas. O programa teve apresentação de Eduardo Madeira e comentários de Filipe Papini e Renato Gomes, além de um drop de Bruno Pessa.

Clique no player e ouça o programa!

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