O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?

Kimpembe, Mendy, Mbappé… A necessária renovação de Deschamps

A França vice-campeã europeia em 2016 tinha no elenco oito jogadores com pelo menos 30 anos e somente quatro sub-23. Para um país que vem produzindo tantos bons atletas nos últimos anos, o recado para o futuro era claro: uma renovação era necessária para a Copa de 2018, na Rússia. Não pelos resultados recentes (além do vice europeu, o desempenho na Copa do Mundo de 2014 foi satisfatório), mas pela visão de inclusão entre os experientes ainda em forma com os jovens expoentes do país.

O técnico Didier Deschamps percebeu esta necessidade e começou a incluir os garotos na seleção. Na última convocação, para enfrentar Luxemburgo, pelas Eliminatórias Europeias, e Espanha, em amistoso, o número de ‘trintões’ caiu para cinco e de sub-23 subiu para oito. Medida mais do que acertada, tendo em vista que o jogo oficial é contra uma equipe inferior tecnicamente e o amistoso será um bom teste contra uma campeã mundial.

Mas voltando ao foco da convocação, entre os nomes que mais chamam a atenção está o de Kylian Mbappé. O atacante de apenas 18 anos vem se destacando no Monaco e foi chamado pela primeira vez por DD.

Mbappé conquistou o Campeonato Europeu Sub-19 em 2016 | Foto: Sportsfile

Mais do que os 12 gols marcados na Ligue 1, número bastante expressivo para um jogador de tal idade e que divide atenções com Radamel Falcao, Mbappé chega para disputar um espaço que se viu polarizado por Olivier Giroud e Karim Benzema por, pelo menos, cinco temporadas. Com a instabilidade do Gunner e a ausência do Merengue por toda aquela polêmica do caso com Mathieu Valbuena, encontrar uma opção era necessário e trabalhar com o monegasco desde cedo é uma bela cartada de Deschamps.

O Monaco, aliás, é o time que mais forneceu jogadores para a seleção ao lado do Paris Saint-Germain: ambos cederam cinco atletas. Do clube do Principado, porém, vieram cinco abaixo dos 25 anos.

Entre eles está Benjamin Mendy, de 22. Frequentador das seleções de base da França desde o sub-16, foi tratado como uma grande joia na reconhecida base do Le Havre (Vikash Dhorasoo, Steve Mandanda e Paul Pogba são alguns dos que foram formados ali) e evoluiu muito no Monaco, após frustrante passagem pelo Marseille. Hoje, Mendy é um dos líderes em interceptação e em assistências do time, além de ter a melhor média de cruzamentos certos.

Em uma posição que passou praticamente uma década dominada por Patrice Evra, que teve como sombra um burocrático Gaël Clichy, a boa nova é ver Mendy em ótimo nível. Ah, lembremos que essa função também está servida pelos ótimos Laywin Kurzawa e Lucas Digne (apenas o primeiro foi convocado).

A zaga do futuro?

Kimpembe já está na segunda convocação | Foto: Sky Sports

Para compor a defesa, a grande novidade foi Presnel Kimpembe, de 21 anos. Formado no PSG, o franco-congolês esteve próximo de defender a seleção da República Democrática do Congo. Chegou a jogar pela equipe sub-20 e chamado para a principal, mas recusou para defender os Bleus sub-20. É sua segunda convocação, mas ainda não jogou.

Apesar de disputar posição com os brasileiros Marquinhos e Thiago Silva, o garoto já é o terceiro do time em interceptações (atrás do próprio Thiago e Kurzawa) e é o atleta com maior porcentagem de passes certos do PSG, com 93,8%.

Kimpembe é a grande aposta para formar dupla no futuro com outro garoto, que já é realidade: Sammy Umtiti. A exemplo do parisiense, o defensor de apenas 23 anos se mostra em casa no Barcelona e vem mostrando as razões de ser um dos zagueiros mais promissores do planeta. Em meio a tantas estrelas, é o jogador com maior porcentagem de passes certos (93,3%), segunda maior média de vitórias em disputas aéreas e o terceiro em intercepções e chutes bloqueados.

A tendência inicial é DD apostar em Umtiti ao lado do experiente Laurent Koscielny, de 31 anos, mas nada impede de já tentar ver o que ele pode render com Kimpembe. Podemos esperar uma dupla de muita técnica e com ótima capacidade de recuperação.

Injustiça com Lacazette

Artilheiro do Lyon, Lacazette foi colocado de lado por Giroud e Gameiro | Foto: Divulgação

A convocação de Deschamps, entretanto, não foi 100% maravilhosa. No ataque, é inconcebível que ele tenha deixado de fora Alexandre Lacazette, do Lyon, para optar por Olivier Giroud, do Arsenal, e Kevin Gameiro, do Atlético de Madrid. Qualquer um dos dois poderia ter sido sacado para a convocação do artilheiro do OL.

Em 2.757 minutos jogados em toda a temporada, Lacazette marcou impressionantes 29 gols, o que lhe dá uma média de um gol a casa 95 minutos (a cada um jogo e cinco minutos). Seus concorrentes não possuem números sequer semelhantes.

Giroud é o que mais se aproxima. O Gunner marcou 12 gols divididos em 1.247 minutos, tendo média de um a cada 103 minutos (um jogo e 13 minutos). Com Gameiro, fica até injusto comparar. O Colchonero tem 14 tentos em 2.065 minutos, praticamente um gol a cada dois jogos.

Somente no ano de 2017, Lacazette marcou 14 gols. Isso mesmo! Só nesses quase três meses de ano, ele tem mais gols que Giroud e igualou os números de Gameiro em toda a temporada. Se há alguém pronto para assumir o protagonismo no ataque francês, certamente este alguém é Lacazette.

Pílulas da convocação

– Ao todo, sete convocados não estrearam pela seleção francesa. Alguns, como o citado caso de Kimpembe e Alphonse Areola, já foram até convocados, mas não entraram em campo;

– Reconheço que a temporada de Areola não é nada boa, mas levando em conta que a função de terceiro goleiro de seleção é praticamente figurativa, considerei interessante a escolha, até por ele ter potencial. Viver o ambiente de seleção com Hugo Lloris e também com Benoît Costil será de boa valia ao parisiense;

Impossível não gostar das opções de meio-campo da França. Dos mais conhecidos, como o vigoroso Blaise Matuidi e do talentoso Dimitri Payet, a jovens de muito talento, como Adrien Rabiot e Thomas Lemar, ambos de 21 anos. Somente as opções de meio-campo valeriam outro post;

– Sobre os jogos, o primeiro, contra Luxemburgo, é praticamente uma vitória protocolar sobre um adversário que acumulou apenas um ponto. Com Bulgária e Holanda se enfrentando, os três pontos se tornam fundamentais visando já a próxima rodada, em junho, contra a Suécia. Será o confronto direto que vai delinear os rumos do Grupo A;

– Já o amistoso diante da Espanha se caracteriza num bom teste para o jovem time francês. O jogo ganha um atrativo a mais pelo fato de a Fúria também passar por um processo de renovação. As duas seleções poderão provar seus poderes de fogo nesse confronto;

Os convocados:

Goleiro: Alphonse Areola (PSG), Hugo Lloris (Tottenham) e Benoît Costil (Rennes)

Laterais: Christophe Jallet (Lyon), Djibril Sidibé (Lille), Layvin Kurzawa (PSG) e Benjamin Mendy (Monaco)

Zagueiros: Presnel Kimpembe (PSG), Laurent Koscielny (Arsenal), Adil Rami (Sevilla) e Samuel Umtiti (Barcelona)

Meio-campistas: Tiemoue Bakayoko (Monaco), N’Golo Kanté (Chelsea), Thomas Lemar (Monaco), Blaise Matuidi (PSG), Adrien Rabiot (PSG) e Corentin Tolisso (Lyon)

Atacantes: Ousmane Dembele (Borussia Dortmund), Kevin Gameiro (Atlético de Madrid), Olivier Giroud (Arsenal), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid), Kylian Mbappé (Monaco), Dimitri Payet (Marseille) e Florian Thauvin (Marseille)

Le Podcast du Foot #58 – O vice da França

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Foto: Aurélien Durand/FFF – Matuidi é consolado após derrota na final

O esperado terceiro título europeu não veio e a França precisou se contentar com o vice da Uefa Euro 2016. Mesmo jogando diante de seu torcedor, os Bleus pararam na seleção portuguesa, que pela primeira vez na história ergueu o principal troféu do continente europeu.

A França, comandada por Didier Deschamps, teve como grande pilar Antoine Griezmann. Artilheiro do torneio com seis gols, o atacante do Atlético de Madrid ainda foi eleito o principal jogador da competição. Além disso, os Bleus tiveram campanha praticamente impecável. Foram cinco vitórias e dois empates – contabilizando o empate da decisão, já que a partida foi definida na prorrogação.

Entretanto, estes fatores não impediram a seleção das críticas. Desempenho ruim, decisões contestáveis de Deschamps e atuações decepcionantes de Paul Pogba foram alguns dos temas que geraram questionamentos durante a competição.

Enfim, a Euro deixou perguntas e respostas no ar e Le Podcast du Foot, em sua edição #58, debate muitas delas. O programa teve apresentação de Eduardo Madeira e comentários de Filipe Papini e Renato Gomes, além de um drop de Bruno Pessa.

Clique no player e ouça o programa!

Sem título

Vai que é tua, Griezmann!

Foto: AP

Foto: AP

A Copa do Mundo nem começou e a França já sofreu a primeira derrota. Franck Ribéry foi vencido pelas dores nas costas e teve de ser cortado da competição. Desde que os 30 atletas convocados (23 para a lista final e sete na de espera) chegaram ao centro de Clairefontaine para iniciar a preparação para o mundial, o atleta do Bayern não havia participado de nenhum coletivo e causava imensas dúvidas na comissão técnica até a última sexta-feira (06), quando foi decretada a retirada do camisa 7.

Este corte tem muita relação com a situação de Zinedine Zidane em 2002. Durante amistoso diante da Coreia do Sul, no dia 26 de maio, em Suwon, Zizou sentiu um músculo da coxa e deixou a partida antes dos 40 minutos da etapa inicial. Quatro dias depois, a França iniciou a trágica campanha na Copa na derrota por 1-0 para Senegal. Zidane só pode entrar em campo na rodada final diante da Dinamarca, quando só uma vitória poderia lhes classificar. A derrota por 2-0 para os nórdicos sacramentou a pior campanha francesa em Copas até então (superada em 2010).

Iniciar o Mundial tendo o principal astro baleado não é bom, principalmente para o lado psicológico dos atletas que estão em campo, principalmente pelas pressões externas. Torcida e imprensa começariam a questionar quando o atleta poderia entrar em campo. Alguns jogadores mais paranoicos poderiam pensar que tamanha angústia em ver a estrela do time poderia representar desconfiança aos substitutos.

Se o tempo de recuperação de Ribéry era incerto ou até mesmo poderia lhe colocar à disposição em fases agudas da Copa do Mundo, o melhor mesmo é deixa-lo de fora. Quanto mais cedo o time aprender a viver sem ele, melhor.

Há vida sem ele

Foto: AFP

Foto: AFP

E também não custa ressaltar que o atleta do Bayern não é vital para a seleção francesa. Não quero desmerece-lo, longe disso. Quem me conhece sabe que sou fã dele, admiro demais o estilo de jogo “abusado” de Ribéry. Apenas quero pontuar que há vida sem ele na seleção.

Não canso de dizer que o coração da equipe do técnico Didier Deschamps é o meio-campo. O setor composto por Yohan Cabaye, Paul Pogba e Blaise Matuidi tem enorme qualidade e o trio se completa justamente por terem valores técnicos diferentes. Cabaye tem o excelente passe e, atuando recuado, é efetivo nos desarmes; Matuidi acrescenta com as passadas largas, marcação firme e ocupação de espaços; já Pogba é a joia do time, com uma classe com a bola no pé sem igual. Se o trio for desmanchado, aí sim é motivo para maiores preocupações.

A ausência de Ribéry tira uma boa porcentagem ativa do cérebro do time. Perde-se alguma parte agressiva, de improvisação e ousadia nos dribles. Mas não é isso que fará o coração parar de bater.

Deschamps tem até o dia 15 (data da estreia diante de Honduras, no estádio Beira-Rio) para recuperar a parte cerebral perdida com a ausência de Ribéry. Minha sugestão não poderia ser outra: GRIEZMANN NELES!

O atleta de 23 anos participa da seleção desde fevereiro deste ano. Pouco tempo, reconheço, mas nada disso está valendo agora. O que conta é bola no pé, e Griezmann tem talento de sobra para assumir a bronca.

O jogador da Real Sociedad não é tão agressivo quanto Ribéry, mas é muito técnico, tem excelente condução de bola e é extremamente inteligente dentro de campo. A inteligência e rapidez de raciocínio foram comprovadas no segundo gol que marcou na goleada por 8-0 diante da Jamaica, onde tocou de calcanhar, estando a poucos centímetros do arqueiro adversário.

Os números também jogam a seu favor. Ao longo da temporada na Espanha, foram 20 gols e cinco assistências em 31 jogos. O próprio Ribéry teve números semelhantes na Alemanha (15 gols e 15 assistências), só que em mais jogos. Em dados gerais, Griezmann participou de 25 dos 62 gols da Real Sociedad na temporada (mais de 40%), enquanto Ribéry foi atuante em 30 de 94 tentos bávaros (31%). Não podemos de nos esquecer de fazer a ressalva que um jogou no campeão alemão e o outro no 7º colocado do Campeonato Espanhol. Mas que os números chamam a atenção, chamam.

Segundo o WhoScored, site especializado em dados estatísticos, Griezmann ainda teve a quarta melhor média de chutes do Campeonato Espanhol, acima de Diego Costa, Rakitić, Neymar e do companheiro de seleção Benzema. Ele também foi eleito pelo mesmo site como Homem do Jogo em quatro partidas. Neste quesito na Sociedad, perdeu apenas para o mexicano Carlos Vela, que teve temporada absurda (21 gols e 14 assistências).

A realidade é que ele só precisa se provar na seleção francesa simplesmente porque pouco jogou, participando apenas de amistosos. Talvez se fosse convocado antes, já não teríamos esta dúvida em cima dele.

Insisto que apostaria nele. Habilidoso, agressivo, agudo e nem forçaria Deschamps a mexer no esquema. Griezmann tem qualidades que podem acrescentar a França sem fazer com que a ausência de Ribéry seja sentida. Como disse acima, o coração e a alma francesa estão no meio-campo. O que vem adiante é complemento do bom time de DD.

Pogba e Benzema

Foto: Getty

Foto: Getty

Sem Ribéry, é hora de surgirem novas lideranças técnicas no time. Uma delas, sem dúvida alguma, é Karim Benzema. Com os dois gols sobre a Jamaica, ingressou na lista dos dez maiores artilheiros da seleção francesa. Peça de confiança de Deschamps e vindo de ótima temporada no Real Madrid, o mínimo que se espera dele é assumir a bronca no elenco.

Mas também é momento de afirmação para Paul Pogba. É impressionante como a camisa azul da França cai bem nele. É o maestro do meio-campo. É um craque! Aos 21 anos, solto na seleção e consolidado na Juventus, não vejo hora melhor para se fixar de vez como um dos “caras” da equipe de Deschamps.

Vejo Pogba subindo alguns degraus no ranking da responsabilidade com a ausência de Ribéry. O vejo também como capaz de assumir essa carga extra de trabalho e ajudar a carregar o time ao lado de Benzema.

Opções

Na goleada por 8-0 sobre a frágil Jamaica, Deschamps mostrou ter opções para substituir o meia-atacante do Bayern. Começou a partida no mesmo 4-3-3 habitual, mas com Benzema jogando pela esquerda, tendo Olivier Giroud como centroavante. O sistema lembrou os tempos de Benzebut no Lyon, quando o homem de centro no ataque era Fred.

Esta opção se mostrou interessante, vide que Benzema e Valbuena estiveram próximos em boa parte do tempo e se entenderam bem. O atacante do Real Madrid sabe trabalhar fora da área e não se mostrou distante da grande área, o que é bom, pois aumenta o poder de finalização do time.

A contrapartida negativa é a recomposição. Benzema não fez isso e deixou Patrice Evra exposto nas poucas vezes em que os jamaicanos ousaram atacar.

Outra variação que o esquema de Deschamps proporcionou, e que também se mostrou interessante, é a utilização do 4-4-2 em linha. Neste sistema, Moussa Sissoko atuaria aberto pelo flanco direito, com Valbuena deslocado para a esquerda. O acréscimo disto é a movimentação do meia do Marseille, se aproximando mais dos centroavantes e tendo maior ângulo de chute.

Remy é outra opção, mas aí sem mexida de esquema. Seria o mesmo caso de Griezmann. A escolha, portanto, se torna particular de DD (apesar de já ter feito meu jabá em prol de Griezmann).

Este leque de opções só comprovam minha tese: Ribéry não é vital para a seleção francesa. É craque, é importante, blá, blá, blá, mas há vida sem ele. O coração do time é o tripé de meio-campo.

Problema

A França ainda tem um problema que não sei medir o quão grave é devido aos adversários das últimas semanas: a defesa. A dupla de zaga titular jogou pouco durante a temporada. Raphaël Varane atuou só 23 vezes pelo Real Madrid (a contrapartida é que 17 foram em 2014), já Mamadou Sakho participou de apenas 19 jogos pelo Liverpool (seis vezes em 2014).

Mas o problema maior não é o número de jogos, mas sim o que foi visto em campo. O único gol sofrido na preparação para a Copa foi em jogada aérea, na partida diante do Paraguai. Mais do que isso, a defesa francesa mostrou hesitação em levantamentos na grande área diante dos sul-americanos e também diante da Jamaica.

Sempre é bom lembrar que Deschamps tardou a encontrar a dupla de zaga ideal. Laurent Koscielny, que hoje é banco, já foi titular. Eric Abidal, que ficou fora da lista de convocados, também já foi. O próximo da fila é Eliaquim Mangala. Será que DD mantém esta dupla de zaga até o fim da Copa? Veremos.

Quem serão os 23 de Deschamps?

Foto: FFF - Deschamps anunciará uma lista de 30 jogadores na próxima terça (13)

Foto: FFF – Deschamps anunciará uma lista de 30 jogadores na próxima terça (13)

A próxima terça-feira (13) será decisiva para a Seleção Francesa. Será neste dia que o técnico Didier Deschamps anunciará a lista com 30 atletas pré-selecionados para defender a França durante a Copa do Mundo deste ano.

O objetivo principal de DD é fazer os Bleus recuperarem a moral perdida desde o Mundial de 2006. De lá para cá, os franceses acumularam vexames nas Eurocopas de 2008 e 2012 e deixaram a última Copa do Mundo de forma vergonhosa com uma rebelião do elenco contra o técnico Raymond Domenech.

Atualmente a história é outra. Apesar de atletas como Franck Ribéry, Patrice Evra e Hugo Lloris permanecerem no elenco, o plantel de 2014 conta com jovens valores como Paul Pogba, Antoine Griezmann e Raphäel Varane, com meias em ótima fase (Blaise Matuidi e Yohan Cabaye) e com Benzema finalmente podendo jogar a primeira Copa, após desavenças com Domenech em 2010.

Mas ainda restam algumas dúvidas para DD. Quem será o terceiro goleiro? E a defesa já está definida? Apenas dois centroavantes serão convocados? E Griezmann, citado anteriormente, ganhou uma vaga com apenas um jogo?

Diante disso, acionei alguns fanáticos pela seleção francesa para tentar prever a convocação de terça-feira. Filipe Papini, Flávio Botelho e Vinícius Ramos, trio integrante de Le Podcast du Foot, recebeu uma lista de atletas selecionáveis e ranquearam a chance de convocação ou não.

O sistema de votação é por notas de 1 a 4. Entenda o que cada valor significa:

1 – Sem chances de ser convocado;

2 – Têm chances, mas a presença é incerta;

3 – Entre as dúvidas de DD, é um dos primeiros que pode ser lembrado para sana-la;

4 – Já está garantido na Copa do Mundo;

Além disso, o trio de especialistas apontará uma carta na manga de Deschamps. Este jogador é alguém pouco cotado ou até mesmo descartado por imprensa e torcida, mas que pode surgir em cima da hora.

Sem mais delongas, vamos aos pitacos de Filipe Papini, Flávio Botelho e Vinícius Ramos:

GOLEIROS

Goleiros

LATERAIS-DIREITO

Laterais-Direitos

LATERAIS-ESQUERDO

Laterais-Esquerdos

ZAGUEIROS
Zagueiro 2

Zagueiro

VOLANTES

Volante

Volante2

MEIASMeias1

meias2

ATACANTES

Atacantes2

Atacantes

Carta na manga – Filipe Papini

Não vou citar somente um, mas uma pequena lista e falar rapidamente sobre. Eu acho que na lateral ainda pode pintar um cara, além do Evra. Talvez Trémoulinas ou Kurzawa, que fazem ótimas temporadas, ao invés do Digne, que é banco. Na zaga, Mexès talvez seja lembrado pela experiência e por jogar em um time de ponta da Europa. Na frente, vejo somente Giroud, Benzema, Valbuena e Ribéry como nomes certos. Não me espantaria se aparecessem caras como Cabella, Thauvin, Ben Arfa (se prometer ficar quietinho) e até mesmo o Brandão… Quem sabe?!

Carta na manga – Vinícius Ramos

Alexandre Lacazette é mais um jovem da excelente base do Lyon. Sempre foi destaque na base francesa, mas só conseguiu se sobressair entre os profissionais nesta temporada pelo OL. Com 22 anos, corria o risco de ser mais uma “eterna promessa”, mas este parece ter sido o ano de afirmação de Lacazette, que conseguiu ser convocado pela primeira vez para a seleção principal (amistosos contra Uruguai e Brasil) em 2013. Apesar de não ter sido chamado novamente, pode ser a carta na manga de DD, caso ocorra um imprevisto.

Análises da convocação:

Filipe Papini: Dentre todas as seleções que vão pra Copa, a França, definitivamente, é uma daquelas que possui um dos maiores carteis de jogadores à disposição. Deschamps tem ótimos nomes nas mãos – inclusive de jogadores que são capazes de desequilibrar uma partida, como Ribéry, Benzema e Pogba, por exemplo. A questão é saber domar esse elenco, que desde muito tempo, e com outros dois treinadores, pipocaram na hora de competições internacionais importantes. É hora de mostrar quem é o verdadeiro dono do boné dentro do vestiário.

Vinícius Ramos: Deschamps ainda não tem o grupo pronto e isso ficou claro na decisão de treinar com 30 jogadores até a data limite. Pela dificuldade em se classificar nas Eliminatórias, DD acabou convocando muita gente e mostrou ainda ter dúvidas no amistoso diante da Holanda, em fevereiro, quando testou como titulares jogadores como Mangala e Griezmann, e ambos agradaram, o que pode fazer um medalhão sobrar no grupo.

Flávio Botelho: Didier Deschamps já tem o sistema defensivo praticamente definido e montado. A grande dor de cabeça será do meio de campo para frente. Griezmann, Payet, Nasri e Grenier brigam por duas, talvez até uma vaga no meio ofensivo, se DD optar por levar mais um volante ou um atacante. Payet e Nasri fizeram temporadas medianas, Grenier brilhou no início de temporada, mas decaiu ao longo dela, e Griezmann surge como um candidato a surpresa. Já no ataque, a dúvida recai sobre quem levar da dupla de ataque do Lyon: Gomis ou Lacazette, que fizeram um excelente segundo turno na Ligue 1. Gignac também ressurgiu das cinzas, e tem a seu favor o fato de já ter sido treinado por DD.

Portanto, se fizermos uma média das opiniões, a lista final de Deschamps seria a seguinte:

Goleiros: Hugo Lloris, Steve Mandanda e Stéphane Ruffier

Laterais: Mathieu Debuchy, Bacary Sagna, Patrice Evra, Lucas Digne/Gaël Clichy

Zagueiros: Mamadou Sakho, Raphaël Varane, Laurent Koscielny e Eric Abidal

Volantes: Yohan Cabaye, Paul Pogba, Blaise Matuidi, Rio Mavuba/Moussa Sissoko

Meias: Franck Ribéry, Mathieu Valbuena, Antoine Griezmann, Samir Nasri e Clément Grenier

Atacantes: Olivier Giroud, Karim Benzema e Loïc Remy

E vocês apostam em quem na convocação?

Le Podcast du Foot #39

PSG-39A briga entre Monaco e Paris Saint-Germain está ficando boa na França. Os dois times milionários venceram na 9ª rodada do Campeonato Francês e permanecem invictos e líderes da temporada.

Os dois times tinham adversários difíceis e passaram apuros para vencer. Os monegascos bateram o Saint-Étienne por 2-1 e só conseguiram o gol, anotado por Lucas Ocampos, nos minutos finais da partida. Já o time da capital venceu Le Classique de virada e com um homem a menos: também 2-1.

Mas outro destaque da rodada foi a porrada que o Montpellier deu no Lyon. A equipe de Rémi Garde sofreu cinco gols em menos de 70 minutos e deixou o Stade de la Mosson com o 5-1 contra na bagagem.

Esses três jogos e toda rodada do Campeonato Francês foi destaque de mais uma edição de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira esteve na apresentação e os comentários ficaram a cargo de Flávio Botelho e do estreante Gustavo Vargas.

Ouça no player abaixo:

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

A turnê pela América mantém Deschamps com dúvidas

Benzema segue com sua terrível fase (France Football)

Benzema segue com sua terrível fase
(France Football)

Antes de começarmos a destrinchar a atual situação da seleção francesa, é importante frisar que os amistosos diante de Uruguai e Brasil serviam mais para os sul-americanos que disputam competições oficiais nas próximas semanas do que para os europeus que vieram desfalcados e doidos para descansar. Mas também se deve destacar que isso não pode ser usado como muleta para justificar os dois tropeços. A França jogou mal e só mostrou bom futebol no primeiro tempo diante da seleção celeste, só, nada mais.

O fato é que o técnico Didier Deschamps retorna para a França com dúvidas de como levar esse time para frente. Poupando os titulares Franck Ribéry e Patrice Evra, que nem convocados foram, e desfalcados de Paul Pogba (a serviço da seleção sub-20) e Raphaël Varane (contundido), o comandante Bleu se deu ao luxo de testar alguns jogadores que não vinham sendo convocados. O polêmico meia Samir Nasri seria um dos testados, mas foi cortado de última hora.

Os principais testes foram do meio-campo para o ataque. Deschamps utilizou 12 jogadores nas seis posições reservadas aos atletas de meio e ataque. Por fim, o comandante francês não sanou suas dúvidas.

Começando pelo esquema: 4-4-2 contra os uruguaios e 4-3-3 contra os brasileiros. De igual entre as duas pelejas foram as participações de Blaise Matuidi, Mathieu Valbuena e Dimitri Payet. O último, aliás, deu uma dorzinha de cabeça a Deschamps, pois foi o principal atleta nas duas partidas, embora seja, teoricamente, reserva. No 4-4-2 é inviável que seja titular, mas caso o 4-2-3-1 seja adotado, ele pode ser um dos homens dos flancos junto com Ribéry e Valbuena.

As novidades entre os dois jogos: contra o Uruguai, Gourcuff; contra o Brasil, Guilavogui. O meio-campista do Lyon, que já não fazia por merecer uma convocação, fez valer as críticas e foi peça nula em campo. Já o garoto do Saint-Étienne foi um dos grandes valores positivos da turnê sul-americana da França. Guilavogui não sentiu o peso da camisa e mostrou a Deschamps que tem tudo para brigar por uma vaga entre os 23 que irão para a Copa do Mundo – caso a classificação venha mesmo.

O zagueiro Mamadou Sakho também teve boa participação contra o Brasil e ganhou pontos na concorrida luta por uma vaga entre os titulares. Teoricamente, ele, Koscielny e Varane lutam pelas duas vagas. Adil Rami corre por fora.

Quem saiu em baixa foi Mathieu Debuchy. O lateral do Newcastle teve participação terrível na partida realizada na Arena do Grêmio, errando muito no ataque e mostrando muita precipitação na marcação. A tendência é que Deschamps passe a utilizar mais Bacary Sagna, embora eu o considere abaixo de Debuchy.

No lado oposto é até difícil avaliar. Jérémy Mathieu e Benoît Trémoulinas são, indiscutivelmente, bons laterais, mas Gaël Clichy e Patrice Evra estão, pelo menos na cabeça do técnico, acima. A convocação da dupla serviu mais como preenchimento do elenco do que para outra coisa.

No ataque segue o drama de Karim Benzema que, novamente, saiu de campo sem balançar as redes. Já passou da hora de Deschamps procurar uma alternativa diferente e não digo utilizar Giroud ou Gomis, substitutos imediatos da posição – ou até apostar em Aliadière, centroavante de características diferentes e que fez ótima temporada – mas sim apostar em um esquema novo, talvez até utilizando Payet ou Ribéry como homens de frente. Não é o ideal, mas o momento não é bom dos centroavantes franceses.

Uma ideia que pode ser útil na seleção é a inserção de Alexandre Lacazette no time titular e como homem centralizado. Apesar de ser jogador de lado, Remi Garde já o utilizou como centroavante no Lyon e pode ser uma alternativa. Vale ressaltar que tanto Lacazette como seu companheiro Clément Grenier receberam chances nesses amistosos, mas merecem ser mais observados por terem futuros brilhantes pela frente.

FUTURO

A França ainda fará quatro jogos em 2013 – amistoso contra a Bélgica (14/agosto) e jogos das eliminatórias contra Geórgia (06/setembro), Bielorrússia (10/setembro) e Finlândia (15/outubro) – sem contar os possíveis confrontos pela repescagem que acontecem em novembro. A esperança de Deschamps fica em cima de alguns nomes que estarão de volta, como Ribéry e Evra.

Tratando como base o seu trabalho desde o término da Eurocopa de 2012, tentei traçar o que seria seu possível time titular nos próximos jogos. Confira:

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Algumas considerações sobre essa escalação:

1) Sempre fiquei com a sensação de que Deschamps confia mais em Sagna do que em Debuchy, depois dessa excursão pela América do Sul essa sensação deve ficar mais nítida com a péssima atuação do jogador do Newcastle contra o Brasil;

2) A boa partida de Sakho contra a seleção brasileira me faz crer que será titular, mas sua briga é com Koscielny. Considero o jogador do PSG melhor, mas não confio em nenhum dos dois. Varane é o único que sobra, mas lhe falta experiência;

3) No meio campo optei por Capoue, mas nada impede que Moussa Sissoko ou Maxime Gonalons sejam os cães de guarda da defesa. Quem sabe até o próprio Joshua Guilavogui ganhe espaço após os amistosos na América. O fato é que essa posição está aberta, podendo até ser ocupada por um meia-atacante caso Deschamps opte por mexer no esquema;

4) Não escalei Paul Pogba da Juventus muito pela expulsão contra a Espanha. Deschamps frisou muito que falta maturidade ao garoto, logo, passo a acreditar que sua inclusão no time titular vai tardar um pouco;

5) Samir Nasri tem tudo para ser titular do time de Deschamps, mas, hoje, não é. A convocação para as partidas frente Brasil e Uruguai foi a primeira após a Eurocopa e isso se deve muito a seu temperamento explosivo. Em uma seleção com histórico recente de problemas, o técnico tem também que priorizar esse quesito e por isso Nasri não é presença certa;

6) Deschamps tem apostado muito no 4-3-3, por isso o esquema em minha prévia, mas os amistosos na América do Sul mostraram que ele não está tão seguro dessa decisão. Portanto, esse esquema não é definitivo;

E vocês? O que acharam da França? E pro futuro da seleção, o que imaginam? Estabeleçam o debate na caixa de comentários!