O fim da geração 87

O time que prometeu e não vingou | Foto: Reprodução/L’Equipe

Antes mesmo de uma mescla de gerações, composta por Kyllian Mbappé, Thomas Lemar, Benjamin Mendy, Paul Pogba e outros tantos atletas talentosos, encherem os olhos dos franceses e criarem imensas expectativas para um novo título mundial, outro grupo de jogadores de imenso potencial cativou o Velho Continente.

A famosa Geração 1987 apresentou à Europa nomes de peso, como Franck Songo’o, Jérémy Ménez, Samir Nasri, Hatem Ben Arfa e Karim Benzema. Juntos, conquistaram o Campeonato Europeu Sub-17 em 2004, na própria França, com 100% de aproveitamento – cinco jogos, cinco vitórias, 11 gols marcados e apenas três sofridos.

Na grande decisão diante da Espanha, de Gerard Piqué, Cesc Fabregas e Javi García, um cartão de visitas logo no início, com um gol relâmpago de Kévin Constant, após assistência de Ménez, em cruzamento da direita. Os espanhóis buscaram o empate na etapa final, com Piqué, de cabeça – já era uma de suas especialidades na época. Só que aos 34 minutos, Nasri, o responsável por vestir a mística camisa 10, acertou um grandioso chute de fora da área e deu o título aos franceses.

Nasri (D) foi decisivo com o gol do título | Foto: Uefa

Nasri, na época com 16 anos, era um dos mais badalados atletas daquela geração. Habilidoso, inteligente, jogava de cabeça erguida e tinha no pé direito um precioso poder de finalização, capaz de furar as mais pesadas barreiras.

Poucos meses depois de conquistar a Europa ao lado de Benzema, Ménez e Ben Arfa, Nasri estreou como profissional pelo Olympique de Marseille. Na época, a joia do OM era cortejada por clubes da Premier League, como Arsenal, Chelsea e Liverpool.

O destino inglês, como era previsível, aconteceu, só que mais de dez anos depois e já com status de “trintão”, Nasri nunca foi nem metade do que prometeu. Passou por Arsenal e Manchester City, chegou a acumular bons números e desempenho aceitável, mas nada que lhe desse a importância e o peso que aparentemente teria quando surgiu.

Na seleção francesa, acumulou polêmicas extracampo e se aposentou precocemente após ser descartado para a Copa do Mundo de 2014.

Com a chegada de Pep Guardiola ao City na temporada 2016/17, foi escanteado em Manchester, passou uma temporada emprestado no Sevilla (onde ficou marcado por uma imbecil expulsão contra o Leicester, no jogo que marcou a eliminação na Liga dos Campeões) e agora se juntou a Samuel Eto’o e Maicon Bolt no Antalyaspor, disputando o Campeonato Turco.

Aliás, o Antalyaspor foi atrás de outro astro da Geração 87: Jérémy Ménez. Badalado pelas jogadas de velocidade e dos abusados dribles, ele chegou a Turquia em baixa, após ter temporada abaixo da crítica no Bordeaux. Formado no Sochaux, passou ainda por Monaco, Roma, PSG e Milan, em nenhum conseguiu se fixar como um jogador internacional e capaz de desequilibrar jogos.

O único daquele time que atingiu esse status foi Karim Benzema, que deixou o Lyon idolatrado pela torcida e acumula vencedora passagem pelo Real Madrid, onde já tem mais de 200 gols em quase 430 jogos. Sua carreira na seleção só não foi mais concreta por birra de Raymond Domenech e pela polêmica judicial com Mathieu Valbuena. Caso contrário, esse status seria ainda maior.

O grande caso a parte daquela geração é Hatem Ben Arfa. Indiscutivelmente talentoso e com uma capacidade incrível para driblar e criar espaços, mas com um gênio indomável, não houve um lugar onde não tenha arrumado polêmica extracampo. Hoje está encostado no PSG, sem saber para onde irá.

Anos depois, os quatro notáveis da Geração 87 se encontraram na seleção principal | Foto: Reprodução

Mas por que daquele time, apenas esses quatro atletas conseguiram se notabilizar e construir uma carreira, sejam elas sólidas ou não? Philippe Bergeroo, treinador daquela talentosíssima geração, detectou logo o problema por não terem explodido. “Depois do título, os respectivos clubes fizeram com que assinassem um contrato profissional para não os ver ir em outro time. Mas eles não estavam maduros o suficiente para ganhar dinheiro tão cedo e pensaram que tinham chegado lá”.

É uma geração que definitivamente morreu. Benzema é o único ponto fora da curva e que estabeleceu uma carreira mais consolidada. Talvez seja mera coincidência, talvez seja sinal de um grupo de atletas deslumbrados. O fato é que o hiato de novos valores que a França viveu entre a metade da última década e começo dessa tem muito a ver com o fracasso da Geração 1987.

Por onde andam?

Goleiros

Benoit Costil: Titular daquele time, Costil se notabilizou como um dos principais goleiros do futebol francês, especialmente após a carreira construída no Rennes. Porém, apesar dos cortejos de times de outros países, ficou na França e, hoje, aos 30 anos, está na primeira temporada no Bordeaux.

Remy Riou: Formado no Lyon, nunca jogou pelo OL, especialmente por ter surgido na época do excelente Grégory Coupet. Em função disso, rodou por equipes de menor porte e fez carreira no Nantes, onde jogou cinco temporadas. Em 2017/18, migrou para a Turquia e joga no Alanyaspor. Em 2004, foi reserva de Costil e não entrou em campo.

Defensores

Thomas Mangani: Titular em toda campanha, Mangani atuou por algumas temporadas no Monaco, clube que o formou, mas esteve entre os titulares quando a equipe foi rebaixada a Ligue 2 em 2011. Desde então, vem rodando por alguns clubes e, atualmente, está no Angers desde 2015.

Maxime Josse: Lateral-direito titular, Josse, hoje com 30 anos, foi um dos que teve carreira mais alternativa. No mesmo ano em que conquistou a Europa pela França, debutou entre os profissionais do Sochaux, onde jogou até 2011 (com rápidos empréstimos a Brest e Angers), só que desde que deixou os Lionceaux jogou na Bulgária, Israel, Grécia e Finlândia. Hoje defende o CA Bastia, clube da quarta divisão francesa.

Karim El Mourabet: Ele era zagueiro titular em 2004 e atuou por cinco anos no Nantes, clube que o formou, e teve um rápido empréstimo no Laval. Neste meio tempo, optou por defender a seleção marroquina e jogou um amistoso por Marrocos, e foi exatamente lá onde deu sequência à carreira jogando por Rabat e Safi (clube onde está até hoje). Antes disso, jogou dois anos no time B do Lille, que joga torneios amadores na França.

Steven Thicot: Assim como El Mourabet, Ticot, que foi capitão do time em 2004, é formado no Nantes. Nos Canários, porém, sequer atuou profissionalmente e debutou apenas no Sedan, em um curto período de empréstimo. Depois disso, virou uma espécie de nômade da bola. Jogou na Escócia, pelo Hibernian, na Romênia, pelo Dínamo Bucareste, e em Portugal por Naval, Belenenses e Tondela. Nesta temporada, acertou com o AEL Larissa, da Grécia.

Irélé Apo: A conquista de 2004 foi a única grande glória da carreira de Apo, mesmo sem ter entrado em campo, isso porque sequer jogou pelo Auxerre, clube que o formou, e ainda passou discretamente por Evian, Nantes e Carquefou. O registro mais recente que encontrei dava conta de que ele defendia o FC Chauray, da quinta divisão francesa, mas o site do clube já não indica a presença dele no elenco.

Serge Akakpo: O zagueiro, que fez apenas um jogo em 2004, é outro que foi parar na Turquia, mas teve carreira bem alternativa. No Auxerre, clube formador, jogou poucas partidas e depois trilhou por clubes da Romênia, Eslovênia, Eslováquia, Ucrânia e está desde 2015 no país turco – começou pelo 1461 Trabzon, passou pelo Trabzonspor e hoje veste a camisa do Gaziantep. Apesar de ter defendido as seleções sub-17 e sub-19 da França, optou pela segunda nacionalidade e desde 2008 veste a camisa de Togo, onde jogou duas Copas Africanas.

Kevin Constant: Lateral-esquerdo e autor do primeiro gol da grande decisão, Constant jogou poucas partidas pelo Toulouse, clube que o formou, e depois jogou no Chateauroux, passando a rodar no futebol italiano, onde defendeu o Milan, inclusive. Nesta temporada, é jogador do Sion, da Suíça. Bom frisar que Constant é mais um caso de atleta que optou por defender outra seleção: desde 2007, defende Guiné.

Meio-campistas:

Franck Songo’o: O filho do goleiro camaronês Jacques Songo’o, badalado por ter passado por La Masia ao lado de Lionel Messi, Gerard Piqué e Cesc Fabregas, jogou todas as cinco partidas, mas acabou sendo um andarilho da bola. Debutou como profissional em 2005, no Portsmouth (já havia passado por Metz, La Coruña e Barcelona na base) e depois foi emprestado a Bournemouth, Preston, Crystal Palace e Sheffield Wednesday. O melhor momento da carreira foi entre 2008 e 2010, onde jogou constantemente pelo Zaragoza e chegou a ser convocado para a seleção camaronesa. Desde 2010, porém, passou por Real Sociedad, Albacete, foi para os EUA defender o Portland Timbers e ainda jogou na Grécia por Glyfada e PAS Giannina – este foi, em 2014, o último clube o qual encontrei registros dele.

Pierre Ducasse: Formado no Bordeaux, foi volante titular na campanha e é mais um que não viu a carreira decolar. Nos Girondins, atuou regularmente, mas sem tanto prestígio, entre 2005 e 2011. Neste meio tempo, passou um ano emprestado ao Lorient. Já entre 2011 e 2014, defendeu o Lens e esteve no Boulogne entre 2015 e 2017. Nesta temporada, veste a camisa do Stade Bordelais, da quarta divisão nacional.

Stéphane Marseille: Esse atleta, que jogou três partidas na campanha, talvez tenha tido a história mais trágica. Marseille foi formado no Stade de Reims na época em que o clube tentava se remontar depois de se tornar amador nos anos 90, mas teve escassas oportunidades. Decidiu, então, migrar para o Nancy, onde não jogou e retornou ao Reims, onde novamente não entrou em campo. O meio-campista partiu para o futebol amador até 2012, quando decidiu se dedicar a família. Em 2015, retornou ao futebol amador, mas uma grave lesão no tendão de Aquiles fez com que abandonasse a carreira efetivamente.

Ahmed Yahiaou: O franco argelino não teve metade do status de Nasri ou Ben Arfa, mas o desempenho fora das quatro linhas foi similar. No Marseille, clube onde foi formado, foi dispensado após se atrasar a um treinamento. Em seguida, defendeu o Istres, na Ligue 2, e partiu para o Sion, onde foi demitido após viajar para a França para realizar exames médicos e nunca mais voltar. A partir daí virou um cigano da bola, migrando entre times amadores da França e profissionais da Argélia. O último registro encontrado dele foi no FC Martigues, clube amador francês, em 2015.

Jean-Christophe Cesto: Com apenas uma partida no torneio europeu, Cesto foi outro a ter carreira, de certa forma, trágica. Formado no Nantes, viu suas chances se esvaírem no clube após ter detectado um problema cardíaco em 2005. Após se recuperar, recomeçou do zero nas ligas amadoras e conseguiu um espaço no Bastia, então na segunda divisão, onde teve passagem discreta. Com a decepção no profissional, construiu carreira no futebol amador.

*Os atacantes eram os já citados Karim Benzema, Jérémy Ménez e Hatem Ben Arfa;

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Quem serão os 23 de Deschamps?

Foto: FFF - Deschamps anunciará uma lista de 30 jogadores na próxima terça (13)

Foto: FFF – Deschamps anunciará uma lista de 30 jogadores na próxima terça (13)

A próxima terça-feira (13) será decisiva para a Seleção Francesa. Será neste dia que o técnico Didier Deschamps anunciará a lista com 30 atletas pré-selecionados para defender a França durante a Copa do Mundo deste ano.

O objetivo principal de DD é fazer os Bleus recuperarem a moral perdida desde o Mundial de 2006. De lá para cá, os franceses acumularam vexames nas Eurocopas de 2008 e 2012 e deixaram a última Copa do Mundo de forma vergonhosa com uma rebelião do elenco contra o técnico Raymond Domenech.

Atualmente a história é outra. Apesar de atletas como Franck Ribéry, Patrice Evra e Hugo Lloris permanecerem no elenco, o plantel de 2014 conta com jovens valores como Paul Pogba, Antoine Griezmann e Raphäel Varane, com meias em ótima fase (Blaise Matuidi e Yohan Cabaye) e com Benzema finalmente podendo jogar a primeira Copa, após desavenças com Domenech em 2010.

Mas ainda restam algumas dúvidas para DD. Quem será o terceiro goleiro? E a defesa já está definida? Apenas dois centroavantes serão convocados? E Griezmann, citado anteriormente, ganhou uma vaga com apenas um jogo?

Diante disso, acionei alguns fanáticos pela seleção francesa para tentar prever a convocação de terça-feira. Filipe Papini, Flávio Botelho e Vinícius Ramos, trio integrante de Le Podcast du Foot, recebeu uma lista de atletas selecionáveis e ranquearam a chance de convocação ou não.

O sistema de votação é por notas de 1 a 4. Entenda o que cada valor significa:

1 – Sem chances de ser convocado;

2 – Têm chances, mas a presença é incerta;

3 – Entre as dúvidas de DD, é um dos primeiros que pode ser lembrado para sana-la;

4 – Já está garantido na Copa do Mundo;

Além disso, o trio de especialistas apontará uma carta na manga de Deschamps. Este jogador é alguém pouco cotado ou até mesmo descartado por imprensa e torcida, mas que pode surgir em cima da hora.

Sem mais delongas, vamos aos pitacos de Filipe Papini, Flávio Botelho e Vinícius Ramos:

GOLEIROS

Goleiros

LATERAIS-DIREITO

Laterais-Direitos

LATERAIS-ESQUERDO

Laterais-Esquerdos

ZAGUEIROS
Zagueiro 2

Zagueiro

VOLANTES

Volante

Volante2

MEIASMeias1

meias2

ATACANTES

Atacantes2

Atacantes

Carta na manga – Filipe Papini

Não vou citar somente um, mas uma pequena lista e falar rapidamente sobre. Eu acho que na lateral ainda pode pintar um cara, além do Evra. Talvez Trémoulinas ou Kurzawa, que fazem ótimas temporadas, ao invés do Digne, que é banco. Na zaga, Mexès talvez seja lembrado pela experiência e por jogar em um time de ponta da Europa. Na frente, vejo somente Giroud, Benzema, Valbuena e Ribéry como nomes certos. Não me espantaria se aparecessem caras como Cabella, Thauvin, Ben Arfa (se prometer ficar quietinho) e até mesmo o Brandão… Quem sabe?!

Carta na manga – Vinícius Ramos

Alexandre Lacazette é mais um jovem da excelente base do Lyon. Sempre foi destaque na base francesa, mas só conseguiu se sobressair entre os profissionais nesta temporada pelo OL. Com 22 anos, corria o risco de ser mais uma “eterna promessa”, mas este parece ter sido o ano de afirmação de Lacazette, que conseguiu ser convocado pela primeira vez para a seleção principal (amistosos contra Uruguai e Brasil) em 2013. Apesar de não ter sido chamado novamente, pode ser a carta na manga de DD, caso ocorra um imprevisto.

Análises da convocação:

Filipe Papini: Dentre todas as seleções que vão pra Copa, a França, definitivamente, é uma daquelas que possui um dos maiores carteis de jogadores à disposição. Deschamps tem ótimos nomes nas mãos – inclusive de jogadores que são capazes de desequilibrar uma partida, como Ribéry, Benzema e Pogba, por exemplo. A questão é saber domar esse elenco, que desde muito tempo, e com outros dois treinadores, pipocaram na hora de competições internacionais importantes. É hora de mostrar quem é o verdadeiro dono do boné dentro do vestiário.

Vinícius Ramos: Deschamps ainda não tem o grupo pronto e isso ficou claro na decisão de treinar com 30 jogadores até a data limite. Pela dificuldade em se classificar nas Eliminatórias, DD acabou convocando muita gente e mostrou ainda ter dúvidas no amistoso diante da Holanda, em fevereiro, quando testou como titulares jogadores como Mangala e Griezmann, e ambos agradaram, o que pode fazer um medalhão sobrar no grupo.

Flávio Botelho: Didier Deschamps já tem o sistema defensivo praticamente definido e montado. A grande dor de cabeça será do meio de campo para frente. Griezmann, Payet, Nasri e Grenier brigam por duas, talvez até uma vaga no meio ofensivo, se DD optar por levar mais um volante ou um atacante. Payet e Nasri fizeram temporadas medianas, Grenier brilhou no início de temporada, mas decaiu ao longo dela, e Griezmann surge como um candidato a surpresa. Já no ataque, a dúvida recai sobre quem levar da dupla de ataque do Lyon: Gomis ou Lacazette, que fizeram um excelente segundo turno na Ligue 1. Gignac também ressurgiu das cinzas, e tem a seu favor o fato de já ter sido treinado por DD.

Portanto, se fizermos uma média das opiniões, a lista final de Deschamps seria a seguinte:

Goleiros: Hugo Lloris, Steve Mandanda e Stéphane Ruffier

Laterais: Mathieu Debuchy, Bacary Sagna, Patrice Evra, Lucas Digne/Gaël Clichy

Zagueiros: Mamadou Sakho, Raphaël Varane, Laurent Koscielny e Eric Abidal

Volantes: Yohan Cabaye, Paul Pogba, Blaise Matuidi, Rio Mavuba/Moussa Sissoko

Meias: Franck Ribéry, Mathieu Valbuena, Antoine Griezmann, Samir Nasri e Clément Grenier

Atacantes: Olivier Giroud, Karim Benzema e Loïc Remy

E vocês apostam em quem na convocação?

Deschamps: Coerente e incoerente na mesma lista

Foto: Sportsfile - Destaque nas seleções de base, Griezmann terá primeira oportunidade nos Bleus

Foto: Sportsfile – Destaque nas seleções de base, Griezmann terá primeira oportunidade nos Bleus

A Copa do Mundo vai se aproximando e Didier Deschamps, assim como muitos técnicos, ainda não sabe que plantel trará ao Brasil para defender a França na disputa da competição. O francês, aliás, vive um dilema curioso. Faltam-lhe defensores mais seguros, assim como centroavantes mais regulares, mas lhe sobram meio-campistas e meias-atacantes habilidosos e modernos.

A prova desta “gordura” na faixa central foi comprovada nesta quinta-feira, 27, na convocação para o amistoso contra a Holanda, que acontece no próximo dia 5. O jovem Antoine Griezmann, de apenas 22 anos, da Real Sociedad, foi convocado pela primeira vez para a seleção, justamente nos preparativos derradeiros para a Copa do Mundo.

Não existem dúvidas quanto ao merecimento desta convocação. Em 23 jogos no Campeonato Espanhol, Griezmann fez 15 gols e deu quatro assistências. O francês já participou de 38 partidas na temporada, 34 como titular, sendo que, dos quatro como reserva, três foram na Copa do Rei, jogos em que, teoricamente, jogadores de poucos minutos ganham chance de jogar.

Os números desta temporada já são superiores aos da temporada passada, quando ajudou a Sociedad a chegar à Liga dos Campeões da Europa. Foram 35 jogos, 11 gols e cinco assistências.

O menino vem crescendo ano pós ano e podemos considerar nome certo para a disputa da Eurocopa de 2016, principalmente porque Franck Ribéry e Mathieu Valbuena, dois dos meias-atacantes mais habilidosos da França, já serão ‘trintões’. Uma apresentação acima da média diante da Holanda poderá representar o carimbo do passaporte para o Brasil. E a chance de isto acontecer não está nem perto de ser pequena.

Incoerência I

Mas se Deschamps foi coerente ao chamar Griezmann, o mesmo não pode ser dito quanto à convocação de Lucas Digne. O lateral é um dos jovens mais promissores da França, mas a reserva no Paris Saint-Germain não deveria lhe credenciar a uma vaga na Copa do Mundo.

Maxwell sobra na posição na capital parisiense. Seguro na defesa e importantíssimo no apoio ao ataque, principalmente como elemento-surpresa, o brasileiro não oferece grandes chances a Digne. O francês revelado pelo Lille, em contrapartida, ainda não disse a que veio. Foram apenas 13 jogos na temporada (1185 minutos).

Como se não fosse o bastante, o garoto de 20 anos não consegue ser eficaz na sua especialidade, que é a subida ao ataque. Pior ainda: tem mostrado fragilidade imensa na defesa. O lance mais marcante foi na última partida do primeiro turno do Campeonato Francês, curiosamente diante do ex-clube, o Lille. Digne, de forma afoita, derrubou Franck Béria na área e cometeu o pênalti que resultou no segundo gol do time do norte francês (partida que acabou empatada em 2-2).

Para tomar como parâmetro e constatarmos a fragilidade defensiva de Digne, basta notar que, segundo o “WhoScored” nos nove jogos que participou no Campeonato Francês, fez apenas seis faltas. Porém, Maxwell, com o dobro de jogos, fez a mesma quantidade.

Digne é o lateral do futuro da França e do próprio PSG. Maxwell não é mais garoto e é difícil imaginar que vá jogar mais do que tem jogado nas últimas duas temporadas. Deschamps deixou a coerência de lado ao convocar o defensor reserva do Paris neste momento. O velho ditado diz que “a paciência é uma virtude”, e se DD espera ficar mais tempo no cargo atual, precisava aguardar um pouco mais para chamar Digne.

Foto: ASM.fr - Kurzawa não foi lembrado por Deschamps

Foto: ASM.fr – Kurzawa não foi lembrado por Deschamps

Além do mais, se a intenção era trazer um jovem para a lateral-esquerda, Deschamps tinha a solução: bastava apostar em Layvin Kurzawa. Um ano mais velho que Digne, o defensor do Monaco é uma das gratas surpresas da temporada francesa. Já foram 26 partidas na temporada (25 como titular), com cinco gols e duas assistências.

Apresentando características semelhantes a do atleta do PSG (força ofensiva), mas com robustez na marcação e força no jogo aéreo, Kurzawa tem a segunda melhor média do elenco monegasco no Campeonato Francês, apontado pelo site “WhoScored”, atrás apenas de Jérémy Toulalan. No ranking da liga feito pelo mesmo portal, o lateral surge entre os cinco jogadores (de todas as posições) de melhor média.

Muitos o colocam, com justiça, como melhor lateral-esquerdo do Campeonato Francês.

A justificativa de que a não convocação teria se dado pela presença de Kurzawa na seleção Sub-21 não cola, principalmente porque o monegasco é mais velho que Digne. É óbvio que participar das seleções de base é importante na formação do atleta, principalmente àqueles que já estão nos profissionais e tem a síndrome do “estrelismo”, mas chega a ser um crime convocar um lateral reserva enquanto outro voa.

Incoerência II

Foto: Reuters - Gignac não foi convocado para enfrentar a Holanda

Foto: Reuters – Gignac não foi convocado para enfrentar a Holanda

Mas o crime maior de Deschamps foi deixar André-Pierre Gignac, do Olympique de Marseille, de fora desta convocação. Não existem dúvidas que ele é o segundo melhor centroavante francês da atualidade, atrás apenas de Karim Benzema. São 18 gols em 33 partidas para ‘Dedé’, números superiores aos de Olivier Giroud (36 jogos e 16 gols) e Loïc Remy (23 jogos e 12 gols), centroavantes convocados junto de Benzema (35 jogos e 20 gols).

Se fosse apostar meu dinheiro, diria que Gignac não tem mais chances de ir à Copa. A próxima convocação já será a definitiva e o atacante do Marseille nem ao menos teve chances de jogar por muito tempo com DD. ‘Dedé’ atuou somente meia-hora no medonho empate sem gols diante da Geórgia, ainda pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Muito pouco para um atacante que já acumula 36 gols nas últimas duas temporadas.

O que leva Deschamps a não convoca-lo? Honestamente, não sei. Seria a rixa que os dois tiveram nos tempos de Marseille? O temperamento do atacante? Ou DD, pura e simplesmente, acredita que os atacantes que convoca são melhores que Gignac?

No começo do ano já destrinchei o assunto e clamava por uma convocação do atacante do Marseille. Hoje me dou conta que Deschamps tem suas convicções, e não consigo concordar com elas. DD não consegue agradar a todos, principalmente quando consegue ser coerente e incoerente na mesma medida.

Pílulas da convocação

– Tá certo que o principal motivo da ausência de Mickäel Landreau é a lesão que sofreu na partida diante do Olympique de Marseille, mas não dava para ignorar as ótimas temporadas de Stéphane Ruffier. Porém, não creio que tenha vindo pra ficar;

– Apostar de novo em Elaquim Mangala foi uma bola dentro de Didier Deschamps. Com Adil Rami tentando se reafirmar na carreira e Eric Abidal sem convencer na seleção, a virtude do zagueiro do Porto pode ser uma cartada interessante para o elenco da Copa;

– Porém, o mesmo Mangala preocupa na questão dos cartões. Em 31 jogos na temporada, o defensor viu o cartão amarelo dez vezes;

– Vejo com bons olhos a insistência em Rio Mavuba. Deschamps tem investido muito em volantes técnicos e de boa saída de jogo. Ter alguém de estilo diferente no banco tem lá sua utilidade;

– Além disso, Mavuba, que fará 30 anos no próximo dia 8, tem espírito de liderança e é jogador “bom de grupo”. Não é craque, muito menos midiático, mas pode ser muito importante no ambiente francês;

– Deschamps precisa explicar a presença de Dimitri Payet entre os convocados. Sete gols e seis assistências em 33 jogos é muito pouco para um jogador que veio bem gabaritado para o Marseille e começou o Campeonato Francês com três gols em dois jogos;

– Para ver que a corneta não é infundada, Alexandre Lacazette, do Lyon, com 18 gols e seis assistências em 38 partidas, merecia muito mais que o jogador do Marseille;

É a vez de Gignac

Foto: Reprodução - Marcando há sete jogos consecutivos, André-Pierre Gignac pede passagem na seleção

Foto: Reprodução – Marcando há sete jogos consecutivos, André-Pierre Gignac pede passagem na seleção

Didier Deschamps tem dois problemas para resolver na seleção francesa nos meses que antecedem a Copa do Mundo: a dupla de zaga e o centroavante. O primeiro problema está mais próximo de ser resolvido. Depois de testar várias duplas, DD parece ter encontrado o duo ideal com Raphaël Varane e Mamadou Sakho, apesar da juventude de ambos (terão 21 e 24 anos na Copa, respectivamente).

No ataque, a história tem outro cenário. Karim Benzema é titular, mas não convence. O atleta do Real Madrid passou mais de um ano (15 jogos) sem marcar pela seleção em qualquer tipo de jogo. Em partidas oficiais, Benzema ficou dois anos (12 jogos) sem balançar as redes pela França. Com isso, vêm as intensas críticas de imprensa e torcida (muitas delas relacionadas à ascendência argelina do jogador) e a perda da posição, em alguns jogos, para atletas como Olivier Giroud e Loïc Remy. Ambos, porém, também não conseguiram se fixar na posição e Deschamps sempre acaba voltando com o madridista.

Até a estreia na Copa do Mundo, no dia 15 de junho no Beira-Rio em Porto Alegre, contra Honduras, a França disputará quatro amistosos, sendo três desses (Noruega, Paraguai e Jamaica) provavelmente com o elenco que virá ao Brasil para o Mundial, já que serão nas semanas que antecedem a Copa.

Então, o amistoso do dia 5 de março, contra a Holanda, ganha uma importância singular para quem ainda almeja entrar no grupo de atletas convocados para a Copa do Mundo.

Foto: Reprodução - Gignac vive excelente momento no Marseille

Foto: Icon Sport – Gignac vive excelente momento no Marseille

Para este jogo, entendo ser de sumária importância que Deschamps abra os olhos… ou melhor, arregale os olhos para André-Pierre Gignac, do Olympique de Marseille. O centroavante marcou nos últimos sete jogos do OM e já acumula 15 gols na temporada (nove no Campeonato Francês, quatro na Copa da França e dois na Copa da Liga), faltando três para igualar o número de gols que teve em toda temporada 2012/13.

Apesar dos chamativos números, Gignac só participou de uma partida com Didier Deschamps, ainda assim, atuando por apenas meia-hora contra a Geórgia. É verdade também que, num primeiro momento, falou-se muito que a não aparição do atacante nas convocações se deu por causa de entreveros que teve com Deschamps quando este ainda treinava o Marseille, mas, após várias e várias entrevistas, ficou esclarecido que aquele episódio já fora superado por ambos.

Logo, não existem motivos plausíveis para que Gignac fique de fora da seleção francesa, nem mesmo o temperamento do atacante. Vale lembrar que Samir Nasri e Patrice Evra, que são muito mais explosivos, estiveram nas últimas convocações de DD, sendo que o último citado é titular absoluto e capitão do time.

A mim é nítido que não se trata de apenas “uma boa fase” de Gignac. Acredito que “fase” mesmo foram suas duas primeiras temporadas no Marseille, quando acumulou nove gols em dois anos. Hoje, quando se fala de Gignac, se fala em um atacante de 28 anos que atingiu o ápice da carreira.

O “9” do Marseille não é só um empurrador de bola nas redes, ele tem recurso. Apesar de forte fisicamente, Gignac tem explosão e se movimenta de forma muito inteligente nos arredores da grande área. Com a bola no pé é ágil e articula as jogadas com muita velocidade.

Sobre a movimentação, um ponto interessante que ele faz em quase todos os jogos e poucos times conseguem anular: Gignac vem muito pro canto esquerdo de ataque, muitas vezes até pra lateral. Quando tem a bola controlada, carrega até o bico da grande área e busca ângulo pra finalização de pé direito. É uma jogada clássica e eficaz do atacante.

Aproveitando essa movimentação, o técnico interino (?) do Marseille, José Anigo, já chegou a escala-lo na ponta-esquerda, tendo o tunisiano Saber Khalifa como centroavante. Esta é uma alternativa válida até para Deschamps aproveitar no decorrer dos jogos em que Mathieu Valbuena ou Franck Ribéry não consigam exercer os seus estilos.

Enfim, elenquei alguns motivos que tornam obrigatória um imediato teste com Gignac no amistoso contra a Holanda. Não falo de teste de um tempo ou poucos minutos. Falo de um jogo inteiro, ao lado do time considerado titular. O auge que vive, os recursos técnicos que tem apresentado e a necessidade da seleção francesa em encontrar opções confiáveis no ataque faz com que seja um crime o desperdício de tal potencial.

Ganso francês

Foto: MAXPPP - Assim como Ganso, Gourcuff recebe o clamor da mídia para voltar a seleção

Foto: MAXPPP – Assim como Ganso, Gourcuff recebe o clamor da mídia para voltar a seleção

Uma situação que enche o saco de muita gente aqui no Brasil são as atuações do meio-campista Paulo Henrique Ganso, do São Paulo. Qualquer lampejo de bom futebol já rende assunto a semana inteira no noticiário esportivo e, por consequência, surge o papo de “Ganso seleção”.

A França também tem seu Ganso. Falo de Yoann Gourcuff, do Lyon. O meia, que já foi chamado de “novo Zidane”, faz boa temporada, isso não discuto, mas cogita-lo na seleção, como fez, por exemplo, a France Football, é, por enquanto, muito precipitado.

A boa temporada de Gourcuff é em cima das próprias limitações físicas que têm. Ele fez 22 jogos dos 34 do Lyon. Em apenas 50% dos jogos atuou por 90 minutos, sem falar de cinco partidas em que saiu do banco. Além disso, dos 12 jogos ausentes, 11 foram motivados por lesões.

Na temporada, ele tem cinco gols e seis assistências, números razoáveis, podemos considerar assim. No Campeonato Francês, a estatística impressiona: somente 13 jogos, mas três tentos anotados e cinco passes para gol, isso em menos de 850 minutos em campo.

Números bons? Claro! Como disse acima: para isso, não há discussão alguma.

Mas quere-lo na seleção é forçar a barra. É querer, na marra, que ele seja o que sempre prometeu e poucas vezes cumpriu. No fundo, quem quer Gourcuff na seleção é viúva de Zidane.

Weidenfeller não mereceu ser convocado

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Aos 33 anos, Roman Weidenfeller, goleiro do Borussia Dortmund, recebeu sua primeira convocação para defender a Seleção Alemã. Convocação injusta, diga-se de passagem.

Weidenfeller não merece porque é ídolo de um time que ajudou a tirar da lama.

Não merece porque está há pelo menos dois anos jogando mais que Manuel Neuer, que é mero expectador dos jogos do Bayern.

Não merece porque não vale a pena ser banco deste mesmo Neuer.

Não merece porque toda vez que entra no Signal Iduna Park, se sente pisando em uma arena de gladiadores, e que a camisa amarela e preta é um escudo muito mais forte que a branca com o brasão alemão bordado.

Não merece porque não precisa estar entre os ditos “melhores” para ser “o melhor”.

Não merece porque tem alma, coisa que uns e outros convocados não têm.

Não merece porque preza pelo amor ao jogo e ao clube, coisa que outros tantos convocados nunca nem ouviram falar.

Não merece porque ser sinônimo de Borussia Dortmund é muito mais relevante que ser mais um na seleção.

Não merece porque não é jogador pra ser convocado quando a Alemanha não precisa de resultado.

Não merece porque a seleção não tem necessidade, assim como ele não necessita estar nela.

Não merece porque Joachim Löw é louco.

Não merece porque sua carreira não vai ser um algo mais só por ter o nome presente em uma fichinha da DFB (Federação Alemã).

Weidenfeller não precisa da seleção!

Ele não merece defender o time de Löw. Tudo que ele precisa para ter carreira completa está em Dortmund e nunca sairá de lá. O que lhe completa é o clube, a torcida e a mística do Westfalenstadion.

A Seleção Alemã não vai ser nada na sua carreira. Vai acrescentar o que? Que jogou por um time que não ganha nada desde os anos 90?

Recuse Weidenfeller! Recuse a convocação e deixe Löw fracassar junto com os “desalmados”.

Le Podcast du Foot #40

RibéryA seleção francesa bem que tentou e venceu a Finlândia em Paris, mas, com a vitória da Espanha sobre a Geórgia, ficou apenas com a vaga na repescagem, tendo assim que passar por duelo de ida e volta para garantir presença na Copa do Mundo do próximo ano.

Nos potes de sorteio, a França está no bloco dois ao lado de Suécia, Romênia e Islândia. O adversário sairá do pote composto por Portugal, Croácia, Grécia e Ucrânia.

Para fazer um panorama dos Bleus nesse período, traçando um paralelo entre as eras de Blanc e Deschamps e prevendo o que pode acontecer na repescagem, Eduardo Madeira, Flávio Botelho e Vinícius Ramos (mais Filipe Papini na edição) se reuniram para uma edição especial de Le Podcast du Foot.

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A copa do amadurecimento

Paul Pogba assumiu a capitania da seleção francesa sub-20

Paul Pogba assumiu a capitania da seleção francesa sub-20

A expulsão contra a Espanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo – Brasil 2014 marcou o início da passagem de Paul Pogba pela seleção francesa principal. Muitos colocaram a culpa da derrota pelo placar mínimo em cima do jogador da Juventus, mas o técnico Didier Deschamps, consciente, relativizou o lance pela juventude do atleta (20 anos completado em março) e frisou que ele ainda amadurecerá.

Como consequência, Pogba ficou de fora da turnê francesa pela América do Sul em junho, mas não por punição do comandante bleu, mas sim por um processo que classifico como “Período de Amadurecimento”. Ao invés da excursão por nosso continente, o juventino foi convocado por Pierre Mankowski para o Mundial Sub-20 realizado na Turquia.

Pogba chegou com status de astro, principal jogador e capitão do time e todas essas funções estão sendo exercidas com maestria pelo meio-campista. A França já é semifinalista do mundial com 13 gols marcados e cinco sofridos.

O juventino também é um dos condutores do time de Mankowski. Jogando sempre de cabeça erguida e errando poucos passes, Paul Pogba não tem tido o aproveitamento ofensivo que normalmente tem – seu primeiro gol foi de pênalti contra o Uzbequistão nas quartas-de-final – mas forma um tripé interessantíssimo no meio-campo francês com Veretout no Nantes e Kodogbia do Sevilla. Essa trinca talentosa dá toda liberdade de movimentação a outro trio, esse formado pelos habilidosos Thauvin e Bahebeck, complementada pelo centroavante Yaya Sanogo.

Entre todos esses talentos, Pogba é o que enxerga o Brasil mais de perto. Se a França conquistar a vaga para a Copa do Mundo (o que pode acontecer via repescagem) seu nome será cobrado na lista final de Deschamps e parte dessa exigência passará pelo futebol demonstrado na Juventus e, principalmente, pelo que mostrou no “Período de Amadurecimento” como capitão da seleção sub-20 de Mankowski.

É sempre importante que o jogador tenha em mente que esse momento não é uma exclusão ou punição por um erro (até porque tem gente que fez coisa pior e ainda veste a camisa da seleção), mas apenas uma nova etapa na carreira. Pogba tem de saber que os dois jogos na América do Sul em junho não serão tão importantes quanto à experiência de um Mundial Sub-20 como capitão de uma forte equipe.

ABRE O OLHO, DESCHAMPS!

Yaya Sanogo já deixará o futebol francês

Yaya Sanogo já deixará o futebol francês

A seleção sub-20 da França não se resume a Paul Pogba e a vaga na semifinal do mundial demonstra isso com clareza.

Depois do atleta da Juventus, o principal jogador do time é Yaya Sanogo. O atacante é o artilheiro com quatro gols e já está acertado com o Arsenal. É um centroavante alto (1,91m), de porte físico e pouca técnica, mas é inteligente na questão de posicionamento e muito veloz. Se sua primeira temporada na Inglaterra for proveitosa, pode entrar no radar de Deschamps, afinal, o grande ponto de interrogação da seleção é o ataque onde Benzema enfrenta uma seca enorme de gols.

Outro jogador que poderia ser observado com mais carinho pelo comandante bleu é Samuel Umtiti. O defensor do Lyon demonstra enorme frieza dentro de campo, além de ser bom tecnicamente e jogar em três das quatro posições de defesa (só não é lateral-direito). Pode não ser opção para agora, mas dar um pouco de cancha ao garoto neste momento é olhar para o futuro e vislumbrar uma dupla com Raphäel Varane já na Euro 2016.

Kodogbia, Thauvin e Digne também se destacam nessa seleção e em seus clubes, mas, no atual momento, sofrem com a concorrência na seleção principal e podem ser consideradas apenas apostas para o futuro.

Imagens: Joern Pollex e Jamie McDonald (ambos da Getty Images)