Quem serão os 23 de Deschamps?

Foto: FFF - Deschamps anunciará uma lista de 30 jogadores na próxima terça (13)

Foto: FFF – Deschamps anunciará uma lista de 30 jogadores na próxima terça (13)

A próxima terça-feira (13) será decisiva para a Seleção Francesa. Será neste dia que o técnico Didier Deschamps anunciará a lista com 30 atletas pré-selecionados para defender a França durante a Copa do Mundo deste ano.

O objetivo principal de DD é fazer os Bleus recuperarem a moral perdida desde o Mundial de 2006. De lá para cá, os franceses acumularam vexames nas Eurocopas de 2008 e 2012 e deixaram a última Copa do Mundo de forma vergonhosa com uma rebelião do elenco contra o técnico Raymond Domenech.

Atualmente a história é outra. Apesar de atletas como Franck Ribéry, Patrice Evra e Hugo Lloris permanecerem no elenco, o plantel de 2014 conta com jovens valores como Paul Pogba, Antoine Griezmann e Raphäel Varane, com meias em ótima fase (Blaise Matuidi e Yohan Cabaye) e com Benzema finalmente podendo jogar a primeira Copa, após desavenças com Domenech em 2010.

Mas ainda restam algumas dúvidas para DD. Quem será o terceiro goleiro? E a defesa já está definida? Apenas dois centroavantes serão convocados? E Griezmann, citado anteriormente, ganhou uma vaga com apenas um jogo?

Diante disso, acionei alguns fanáticos pela seleção francesa para tentar prever a convocação de terça-feira. Filipe Papini, Flávio Botelho e Vinícius Ramos, trio integrante de Le Podcast du Foot, recebeu uma lista de atletas selecionáveis e ranquearam a chance de convocação ou não.

O sistema de votação é por notas de 1 a 4. Entenda o que cada valor significa:

1 – Sem chances de ser convocado;

2 – Têm chances, mas a presença é incerta;

3 – Entre as dúvidas de DD, é um dos primeiros que pode ser lembrado para sana-la;

4 – Já está garantido na Copa do Mundo;

Além disso, o trio de especialistas apontará uma carta na manga de Deschamps. Este jogador é alguém pouco cotado ou até mesmo descartado por imprensa e torcida, mas que pode surgir em cima da hora.

Sem mais delongas, vamos aos pitacos de Filipe Papini, Flávio Botelho e Vinícius Ramos:

GOLEIROS

Goleiros

LATERAIS-DIREITO

Laterais-Direitos

LATERAIS-ESQUERDO

Laterais-Esquerdos

ZAGUEIROS
Zagueiro 2

Zagueiro

VOLANTES

Volante

Volante2

MEIASMeias1

meias2

ATACANTES

Atacantes2

Atacantes

Carta na manga – Filipe Papini

Não vou citar somente um, mas uma pequena lista e falar rapidamente sobre. Eu acho que na lateral ainda pode pintar um cara, além do Evra. Talvez Trémoulinas ou Kurzawa, que fazem ótimas temporadas, ao invés do Digne, que é banco. Na zaga, Mexès talvez seja lembrado pela experiência e por jogar em um time de ponta da Europa. Na frente, vejo somente Giroud, Benzema, Valbuena e Ribéry como nomes certos. Não me espantaria se aparecessem caras como Cabella, Thauvin, Ben Arfa (se prometer ficar quietinho) e até mesmo o Brandão… Quem sabe?!

Carta na manga – Vinícius Ramos

Alexandre Lacazette é mais um jovem da excelente base do Lyon. Sempre foi destaque na base francesa, mas só conseguiu se sobressair entre os profissionais nesta temporada pelo OL. Com 22 anos, corria o risco de ser mais uma “eterna promessa”, mas este parece ter sido o ano de afirmação de Lacazette, que conseguiu ser convocado pela primeira vez para a seleção principal (amistosos contra Uruguai e Brasil) em 2013. Apesar de não ter sido chamado novamente, pode ser a carta na manga de DD, caso ocorra um imprevisto.

Análises da convocação:

Filipe Papini: Dentre todas as seleções que vão pra Copa, a França, definitivamente, é uma daquelas que possui um dos maiores carteis de jogadores à disposição. Deschamps tem ótimos nomes nas mãos – inclusive de jogadores que são capazes de desequilibrar uma partida, como Ribéry, Benzema e Pogba, por exemplo. A questão é saber domar esse elenco, que desde muito tempo, e com outros dois treinadores, pipocaram na hora de competições internacionais importantes. É hora de mostrar quem é o verdadeiro dono do boné dentro do vestiário.

Vinícius Ramos: Deschamps ainda não tem o grupo pronto e isso ficou claro na decisão de treinar com 30 jogadores até a data limite. Pela dificuldade em se classificar nas Eliminatórias, DD acabou convocando muita gente e mostrou ainda ter dúvidas no amistoso diante da Holanda, em fevereiro, quando testou como titulares jogadores como Mangala e Griezmann, e ambos agradaram, o que pode fazer um medalhão sobrar no grupo.

Flávio Botelho: Didier Deschamps já tem o sistema defensivo praticamente definido e montado. A grande dor de cabeça será do meio de campo para frente. Griezmann, Payet, Nasri e Grenier brigam por duas, talvez até uma vaga no meio ofensivo, se DD optar por levar mais um volante ou um atacante. Payet e Nasri fizeram temporadas medianas, Grenier brilhou no início de temporada, mas decaiu ao longo dela, e Griezmann surge como um candidato a surpresa. Já no ataque, a dúvida recai sobre quem levar da dupla de ataque do Lyon: Gomis ou Lacazette, que fizeram um excelente segundo turno na Ligue 1. Gignac também ressurgiu das cinzas, e tem a seu favor o fato de já ter sido treinado por DD.

Portanto, se fizermos uma média das opiniões, a lista final de Deschamps seria a seguinte:

Goleiros: Hugo Lloris, Steve Mandanda e Stéphane Ruffier

Laterais: Mathieu Debuchy, Bacary Sagna, Patrice Evra, Lucas Digne/Gaël Clichy

Zagueiros: Mamadou Sakho, Raphaël Varane, Laurent Koscielny e Eric Abidal

Volantes: Yohan Cabaye, Paul Pogba, Blaise Matuidi, Rio Mavuba/Moussa Sissoko

Meias: Franck Ribéry, Mathieu Valbuena, Antoine Griezmann, Samir Nasri e Clément Grenier

Atacantes: Olivier Giroud, Karim Benzema e Loïc Remy

E vocês apostam em quem na convocação?

Deschamps: Coerente e incoerente na mesma lista

Foto: Sportsfile - Destaque nas seleções de base, Griezmann terá primeira oportunidade nos Bleus

Foto: Sportsfile – Destaque nas seleções de base, Griezmann terá primeira oportunidade nos Bleus

A Copa do Mundo vai se aproximando e Didier Deschamps, assim como muitos técnicos, ainda não sabe que plantel trará ao Brasil para defender a França na disputa da competição. O francês, aliás, vive um dilema curioso. Faltam-lhe defensores mais seguros, assim como centroavantes mais regulares, mas lhe sobram meio-campistas e meias-atacantes habilidosos e modernos.

A prova desta “gordura” na faixa central foi comprovada nesta quinta-feira, 27, na convocação para o amistoso contra a Holanda, que acontece no próximo dia 5. O jovem Antoine Griezmann, de apenas 22 anos, da Real Sociedad, foi convocado pela primeira vez para a seleção, justamente nos preparativos derradeiros para a Copa do Mundo.

Não existem dúvidas quanto ao merecimento desta convocação. Em 23 jogos no Campeonato Espanhol, Griezmann fez 15 gols e deu quatro assistências. O francês já participou de 38 partidas na temporada, 34 como titular, sendo que, dos quatro como reserva, três foram na Copa do Rei, jogos em que, teoricamente, jogadores de poucos minutos ganham chance de jogar.

Os números desta temporada já são superiores aos da temporada passada, quando ajudou a Sociedad a chegar à Liga dos Campeões da Europa. Foram 35 jogos, 11 gols e cinco assistências.

O menino vem crescendo ano pós ano e podemos considerar nome certo para a disputa da Eurocopa de 2016, principalmente porque Franck Ribéry e Mathieu Valbuena, dois dos meias-atacantes mais habilidosos da França, já serão ‘trintões’. Uma apresentação acima da média diante da Holanda poderá representar o carimbo do passaporte para o Brasil. E a chance de isto acontecer não está nem perto de ser pequena.

Incoerência I

Mas se Deschamps foi coerente ao chamar Griezmann, o mesmo não pode ser dito quanto à convocação de Lucas Digne. O lateral é um dos jovens mais promissores da França, mas a reserva no Paris Saint-Germain não deveria lhe credenciar a uma vaga na Copa do Mundo.

Maxwell sobra na posição na capital parisiense. Seguro na defesa e importantíssimo no apoio ao ataque, principalmente como elemento-surpresa, o brasileiro não oferece grandes chances a Digne. O francês revelado pelo Lille, em contrapartida, ainda não disse a que veio. Foram apenas 13 jogos na temporada (1185 minutos).

Como se não fosse o bastante, o garoto de 20 anos não consegue ser eficaz na sua especialidade, que é a subida ao ataque. Pior ainda: tem mostrado fragilidade imensa na defesa. O lance mais marcante foi na última partida do primeiro turno do Campeonato Francês, curiosamente diante do ex-clube, o Lille. Digne, de forma afoita, derrubou Franck Béria na área e cometeu o pênalti que resultou no segundo gol do time do norte francês (partida que acabou empatada em 2-2).

Para tomar como parâmetro e constatarmos a fragilidade defensiva de Digne, basta notar que, segundo o “WhoScored” nos nove jogos que participou no Campeonato Francês, fez apenas seis faltas. Porém, Maxwell, com o dobro de jogos, fez a mesma quantidade.

Digne é o lateral do futuro da França e do próprio PSG. Maxwell não é mais garoto e é difícil imaginar que vá jogar mais do que tem jogado nas últimas duas temporadas. Deschamps deixou a coerência de lado ao convocar o defensor reserva do Paris neste momento. O velho ditado diz que “a paciência é uma virtude”, e se DD espera ficar mais tempo no cargo atual, precisava aguardar um pouco mais para chamar Digne.

Foto: ASM.fr - Kurzawa não foi lembrado por Deschamps

Foto: ASM.fr – Kurzawa não foi lembrado por Deschamps

Além do mais, se a intenção era trazer um jovem para a lateral-esquerda, Deschamps tinha a solução: bastava apostar em Layvin Kurzawa. Um ano mais velho que Digne, o defensor do Monaco é uma das gratas surpresas da temporada francesa. Já foram 26 partidas na temporada (25 como titular), com cinco gols e duas assistências.

Apresentando características semelhantes a do atleta do PSG (força ofensiva), mas com robustez na marcação e força no jogo aéreo, Kurzawa tem a segunda melhor média do elenco monegasco no Campeonato Francês, apontado pelo site “WhoScored”, atrás apenas de Jérémy Toulalan. No ranking da liga feito pelo mesmo portal, o lateral surge entre os cinco jogadores (de todas as posições) de melhor média.

Muitos o colocam, com justiça, como melhor lateral-esquerdo do Campeonato Francês.

A justificativa de que a não convocação teria se dado pela presença de Kurzawa na seleção Sub-21 não cola, principalmente porque o monegasco é mais velho que Digne. É óbvio que participar das seleções de base é importante na formação do atleta, principalmente àqueles que já estão nos profissionais e tem a síndrome do “estrelismo”, mas chega a ser um crime convocar um lateral reserva enquanto outro voa.

Incoerência II

Foto: Reuters - Gignac não foi convocado para enfrentar a Holanda

Foto: Reuters – Gignac não foi convocado para enfrentar a Holanda

Mas o crime maior de Deschamps foi deixar André-Pierre Gignac, do Olympique de Marseille, de fora desta convocação. Não existem dúvidas que ele é o segundo melhor centroavante francês da atualidade, atrás apenas de Karim Benzema. São 18 gols em 33 partidas para ‘Dedé’, números superiores aos de Olivier Giroud (36 jogos e 16 gols) e Loïc Remy (23 jogos e 12 gols), centroavantes convocados junto de Benzema (35 jogos e 20 gols).

Se fosse apostar meu dinheiro, diria que Gignac não tem mais chances de ir à Copa. A próxima convocação já será a definitiva e o atacante do Marseille nem ao menos teve chances de jogar por muito tempo com DD. ‘Dedé’ atuou somente meia-hora no medonho empate sem gols diante da Geórgia, ainda pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo. Muito pouco para um atacante que já acumula 36 gols nas últimas duas temporadas.

O que leva Deschamps a não convoca-lo? Honestamente, não sei. Seria a rixa que os dois tiveram nos tempos de Marseille? O temperamento do atacante? Ou DD, pura e simplesmente, acredita que os atacantes que convoca são melhores que Gignac?

No começo do ano já destrinchei o assunto e clamava por uma convocação do atacante do Marseille. Hoje me dou conta que Deschamps tem suas convicções, e não consigo concordar com elas. DD não consegue agradar a todos, principalmente quando consegue ser coerente e incoerente na mesma medida.

Pílulas da convocação

– Tá certo que o principal motivo da ausência de Mickäel Landreau é a lesão que sofreu na partida diante do Olympique de Marseille, mas não dava para ignorar as ótimas temporadas de Stéphane Ruffier. Porém, não creio que tenha vindo pra ficar;

– Apostar de novo em Elaquim Mangala foi uma bola dentro de Didier Deschamps. Com Adil Rami tentando se reafirmar na carreira e Eric Abidal sem convencer na seleção, a virtude do zagueiro do Porto pode ser uma cartada interessante para o elenco da Copa;

– Porém, o mesmo Mangala preocupa na questão dos cartões. Em 31 jogos na temporada, o defensor viu o cartão amarelo dez vezes;

– Vejo com bons olhos a insistência em Rio Mavuba. Deschamps tem investido muito em volantes técnicos e de boa saída de jogo. Ter alguém de estilo diferente no banco tem lá sua utilidade;

– Além disso, Mavuba, que fará 30 anos no próximo dia 8, tem espírito de liderança e é jogador “bom de grupo”. Não é craque, muito menos midiático, mas pode ser muito importante no ambiente francês;

– Deschamps precisa explicar a presença de Dimitri Payet entre os convocados. Sete gols e seis assistências em 33 jogos é muito pouco para um jogador que veio bem gabaritado para o Marseille e começou o Campeonato Francês com três gols em dois jogos;

– Para ver que a corneta não é infundada, Alexandre Lacazette, do Lyon, com 18 gols e seis assistências em 38 partidas, merecia muito mais que o jogador do Marseille;

É a vez de Gignac

Foto: Reprodução - Marcando há sete jogos consecutivos, André-Pierre Gignac pede passagem na seleção

Foto: Reprodução – Marcando há sete jogos consecutivos, André-Pierre Gignac pede passagem na seleção

Didier Deschamps tem dois problemas para resolver na seleção francesa nos meses que antecedem a Copa do Mundo: a dupla de zaga e o centroavante. O primeiro problema está mais próximo de ser resolvido. Depois de testar várias duplas, DD parece ter encontrado o duo ideal com Raphaël Varane e Mamadou Sakho, apesar da juventude de ambos (terão 21 e 24 anos na Copa, respectivamente).

No ataque, a história tem outro cenário. Karim Benzema é titular, mas não convence. O atleta do Real Madrid passou mais de um ano (15 jogos) sem marcar pela seleção em qualquer tipo de jogo. Em partidas oficiais, Benzema ficou dois anos (12 jogos) sem balançar as redes pela França. Com isso, vêm as intensas críticas de imprensa e torcida (muitas delas relacionadas à ascendência argelina do jogador) e a perda da posição, em alguns jogos, para atletas como Olivier Giroud e Loïc Remy. Ambos, porém, também não conseguiram se fixar na posição e Deschamps sempre acaba voltando com o madridista.

Até a estreia na Copa do Mundo, no dia 15 de junho no Beira-Rio em Porto Alegre, contra Honduras, a França disputará quatro amistosos, sendo três desses (Noruega, Paraguai e Jamaica) provavelmente com o elenco que virá ao Brasil para o Mundial, já que serão nas semanas que antecedem a Copa.

Então, o amistoso do dia 5 de março, contra a Holanda, ganha uma importância singular para quem ainda almeja entrar no grupo de atletas convocados para a Copa do Mundo.

Foto: Reprodução - Gignac vive excelente momento no Marseille

Foto: Icon Sport – Gignac vive excelente momento no Marseille

Para este jogo, entendo ser de sumária importância que Deschamps abra os olhos… ou melhor, arregale os olhos para André-Pierre Gignac, do Olympique de Marseille. O centroavante marcou nos últimos sete jogos do OM e já acumula 15 gols na temporada (nove no Campeonato Francês, quatro na Copa da França e dois na Copa da Liga), faltando três para igualar o número de gols que teve em toda temporada 2012/13.

Apesar dos chamativos números, Gignac só participou de uma partida com Didier Deschamps, ainda assim, atuando por apenas meia-hora contra a Geórgia. É verdade também que, num primeiro momento, falou-se muito que a não aparição do atacante nas convocações se deu por causa de entreveros que teve com Deschamps quando este ainda treinava o Marseille, mas, após várias e várias entrevistas, ficou esclarecido que aquele episódio já fora superado por ambos.

Logo, não existem motivos plausíveis para que Gignac fique de fora da seleção francesa, nem mesmo o temperamento do atacante. Vale lembrar que Samir Nasri e Patrice Evra, que são muito mais explosivos, estiveram nas últimas convocações de DD, sendo que o último citado é titular absoluto e capitão do time.

A mim é nítido que não se trata de apenas “uma boa fase” de Gignac. Acredito que “fase” mesmo foram suas duas primeiras temporadas no Marseille, quando acumulou nove gols em dois anos. Hoje, quando se fala de Gignac, se fala em um atacante de 28 anos que atingiu o ápice da carreira.

O “9” do Marseille não é só um empurrador de bola nas redes, ele tem recurso. Apesar de forte fisicamente, Gignac tem explosão e se movimenta de forma muito inteligente nos arredores da grande área. Com a bola no pé é ágil e articula as jogadas com muita velocidade.

Sobre a movimentação, um ponto interessante que ele faz em quase todos os jogos e poucos times conseguem anular: Gignac vem muito pro canto esquerdo de ataque, muitas vezes até pra lateral. Quando tem a bola controlada, carrega até o bico da grande área e busca ângulo pra finalização de pé direito. É uma jogada clássica e eficaz do atacante.

Aproveitando essa movimentação, o técnico interino (?) do Marseille, José Anigo, já chegou a escala-lo na ponta-esquerda, tendo o tunisiano Saber Khalifa como centroavante. Esta é uma alternativa válida até para Deschamps aproveitar no decorrer dos jogos em que Mathieu Valbuena ou Franck Ribéry não consigam exercer os seus estilos.

Enfim, elenquei alguns motivos que tornam obrigatória um imediato teste com Gignac no amistoso contra a Holanda. Não falo de teste de um tempo ou poucos minutos. Falo de um jogo inteiro, ao lado do time considerado titular. O auge que vive, os recursos técnicos que tem apresentado e a necessidade da seleção francesa em encontrar opções confiáveis no ataque faz com que seja um crime o desperdício de tal potencial.

Ganso francês

Foto: MAXPPP - Assim como Ganso, Gourcuff recebe o clamor da mídia para voltar a seleção

Foto: MAXPPP – Assim como Ganso, Gourcuff recebe o clamor da mídia para voltar a seleção

Uma situação que enche o saco de muita gente aqui no Brasil são as atuações do meio-campista Paulo Henrique Ganso, do São Paulo. Qualquer lampejo de bom futebol já rende assunto a semana inteira no noticiário esportivo e, por consequência, surge o papo de “Ganso seleção”.

A França também tem seu Ganso. Falo de Yoann Gourcuff, do Lyon. O meia, que já foi chamado de “novo Zidane”, faz boa temporada, isso não discuto, mas cogita-lo na seleção, como fez, por exemplo, a France Football, é, por enquanto, muito precipitado.

A boa temporada de Gourcuff é em cima das próprias limitações físicas que têm. Ele fez 22 jogos dos 34 do Lyon. Em apenas 50% dos jogos atuou por 90 minutos, sem falar de cinco partidas em que saiu do banco. Além disso, dos 12 jogos ausentes, 11 foram motivados por lesões.

Na temporada, ele tem cinco gols e seis assistências, números razoáveis, podemos considerar assim. No Campeonato Francês, a estatística impressiona: somente 13 jogos, mas três tentos anotados e cinco passes para gol, isso em menos de 850 minutos em campo.

Números bons? Claro! Como disse acima: para isso, não há discussão alguma.

Mas quere-lo na seleção é forçar a barra. É querer, na marra, que ele seja o que sempre prometeu e poucas vezes cumpriu. No fundo, quem quer Gourcuff na seleção é viúva de Zidane.

Weidenfeller não mereceu ser convocado

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Weidenfeller deveria fazer essa cara ao saber da convocação

Aos 33 anos, Roman Weidenfeller, goleiro do Borussia Dortmund, recebeu sua primeira convocação para defender a Seleção Alemã. Convocação injusta, diga-se de passagem.

Weidenfeller não merece porque é ídolo de um time que ajudou a tirar da lama.

Não merece porque está há pelo menos dois anos jogando mais que Manuel Neuer, que é mero expectador dos jogos do Bayern.

Não merece porque não vale a pena ser banco deste mesmo Neuer.

Não merece porque toda vez que entra no Signal Iduna Park, se sente pisando em uma arena de gladiadores, e que a camisa amarela e preta é um escudo muito mais forte que a branca com o brasão alemão bordado.

Não merece porque não precisa estar entre os ditos “melhores” para ser “o melhor”.

Não merece porque tem alma, coisa que uns e outros convocados não têm.

Não merece porque preza pelo amor ao jogo e ao clube, coisa que outros tantos convocados nunca nem ouviram falar.

Não merece porque ser sinônimo de Borussia Dortmund é muito mais relevante que ser mais um na seleção.

Não merece porque não é jogador pra ser convocado quando a Alemanha não precisa de resultado.

Não merece porque a seleção não tem necessidade, assim como ele não necessita estar nela.

Não merece porque Joachim Löw é louco.

Não merece porque sua carreira não vai ser um algo mais só por ter o nome presente em uma fichinha da DFB (Federação Alemã).

Weidenfeller não precisa da seleção!

Ele não merece defender o time de Löw. Tudo que ele precisa para ter carreira completa está em Dortmund e nunca sairá de lá. O que lhe completa é o clube, a torcida e a mística do Westfalenstadion.

A Seleção Alemã não vai ser nada na sua carreira. Vai acrescentar o que? Que jogou por um time que não ganha nada desde os anos 90?

Recuse Weidenfeller! Recuse a convocação e deixe Löw fracassar junto com os “desalmados”.

Le Podcast du Foot #40

RibéryA seleção francesa bem que tentou e venceu a Finlândia em Paris, mas, com a vitória da Espanha sobre a Geórgia, ficou apenas com a vaga na repescagem, tendo assim que passar por duelo de ida e volta para garantir presença na Copa do Mundo do próximo ano.

Nos potes de sorteio, a França está no bloco dois ao lado de Suécia, Romênia e Islândia. O adversário sairá do pote composto por Portugal, Croácia, Grécia e Ucrânia.

Para fazer um panorama dos Bleus nesse período, traçando um paralelo entre as eras de Blanc e Deschamps e prevendo o que pode acontecer na repescagem, Eduardo Madeira, Flávio Botelho e Vinícius Ramos (mais Filipe Papini na edição) se reuniram para uma edição especial de Le Podcast du Foot.

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A copa do amadurecimento

Paul Pogba assumiu a capitania da seleção francesa sub-20

Paul Pogba assumiu a capitania da seleção francesa sub-20

A expulsão contra a Espanha nas Eliminatórias para a Copa do Mundo – Brasil 2014 marcou o início da passagem de Paul Pogba pela seleção francesa principal. Muitos colocaram a culpa da derrota pelo placar mínimo em cima do jogador da Juventus, mas o técnico Didier Deschamps, consciente, relativizou o lance pela juventude do atleta (20 anos completado em março) e frisou que ele ainda amadurecerá.

Como consequência, Pogba ficou de fora da turnê francesa pela América do Sul em junho, mas não por punição do comandante bleu, mas sim por um processo que classifico como “Período de Amadurecimento”. Ao invés da excursão por nosso continente, o juventino foi convocado por Pierre Mankowski para o Mundial Sub-20 realizado na Turquia.

Pogba chegou com status de astro, principal jogador e capitão do time e todas essas funções estão sendo exercidas com maestria pelo meio-campista. A França já é semifinalista do mundial com 13 gols marcados e cinco sofridos.

O juventino também é um dos condutores do time de Mankowski. Jogando sempre de cabeça erguida e errando poucos passes, Paul Pogba não tem tido o aproveitamento ofensivo que normalmente tem – seu primeiro gol foi de pênalti contra o Uzbequistão nas quartas-de-final – mas forma um tripé interessantíssimo no meio-campo francês com Veretout no Nantes e Kodogbia do Sevilla. Essa trinca talentosa dá toda liberdade de movimentação a outro trio, esse formado pelos habilidosos Thauvin e Bahebeck, complementada pelo centroavante Yaya Sanogo.

Entre todos esses talentos, Pogba é o que enxerga o Brasil mais de perto. Se a França conquistar a vaga para a Copa do Mundo (o que pode acontecer via repescagem) seu nome será cobrado na lista final de Deschamps e parte dessa exigência passará pelo futebol demonstrado na Juventus e, principalmente, pelo que mostrou no “Período de Amadurecimento” como capitão da seleção sub-20 de Mankowski.

É sempre importante que o jogador tenha em mente que esse momento não é uma exclusão ou punição por um erro (até porque tem gente que fez coisa pior e ainda veste a camisa da seleção), mas apenas uma nova etapa na carreira. Pogba tem de saber que os dois jogos na América do Sul em junho não serão tão importantes quanto à experiência de um Mundial Sub-20 como capitão de uma forte equipe.

ABRE O OLHO, DESCHAMPS!

Yaya Sanogo já deixará o futebol francês

Yaya Sanogo já deixará o futebol francês

A seleção sub-20 da França não se resume a Paul Pogba e a vaga na semifinal do mundial demonstra isso com clareza.

Depois do atleta da Juventus, o principal jogador do time é Yaya Sanogo. O atacante é o artilheiro com quatro gols e já está acertado com o Arsenal. É um centroavante alto (1,91m), de porte físico e pouca técnica, mas é inteligente na questão de posicionamento e muito veloz. Se sua primeira temporada na Inglaterra for proveitosa, pode entrar no radar de Deschamps, afinal, o grande ponto de interrogação da seleção é o ataque onde Benzema enfrenta uma seca enorme de gols.

Outro jogador que poderia ser observado com mais carinho pelo comandante bleu é Samuel Umtiti. O defensor do Lyon demonstra enorme frieza dentro de campo, além de ser bom tecnicamente e jogar em três das quatro posições de defesa (só não é lateral-direito). Pode não ser opção para agora, mas dar um pouco de cancha ao garoto neste momento é olhar para o futuro e vislumbrar uma dupla com Raphäel Varane já na Euro 2016.

Kodogbia, Thauvin e Digne também se destacam nessa seleção e em seus clubes, mas, no atual momento, sofrem com a concorrência na seleção principal e podem ser consideradas apenas apostas para o futuro.

Imagens: Joern Pollex e Jamie McDonald (ambos da Getty Images)

Espanha procura o lateral que já tem

Carvajal se destacou no Leverkusen e o Real Madrid o recontratou (Foto: Bayer04.de)

Carvajal se destacou no Leverkusen e o Real Madrid o recontratou
(Foto: Bayer04.de)

Vice-campeã da Copa das Confederações, a Espanha retorna para a Europa com uma certeza: é necessário encontrar um lateral-direito de confiança. Álvaro Arbeloa, titular durante a competição, foi peça nula no ataque – algo que todos têm conhecimento – e conseguiu se sair mal na única função que exerce com relativa eficiência: marcação.

Na final diante do Brasil, o lateral do Real Madrid foi engolido pelo ataque adversário e o técnico Vicente del Bosque o substituiu no intervalo por César Azpilicueta. O jogador do Chelsea, em contrapartida, nunca mais foi o mesmo desde sua primeira temporada no Olympique de Marseille quando arrancou diversos elogios da imprensa francesa antes de lesionar-se gravemente.

A bola da vez para 2014 – e o futuro – tem nome e futebol para ser um dos melhores do mundo na posição durante as próximas temporadas: Daniel Carvajal.

O lateral de 21 anos é cria do Real Madrid, mas sempre se destacou no time B dos Merengues. Em 2012, Carvajal foi comprado pelo Bayer Leverkusen para suprir um problema crônico dos alemães, a lateral-direita. Antes da chegada do espanhol, diversos jogadores foram titulares na função, entre eles Gonzalo Castro, Daniel Schwaab e Vedran Ćorluka, e nenhum conseguiu agradar.

Carvajal não só convenceu a torcida do Leverkusen como foi, para muitos, o melhor lateral-direito da última edição do Campeonato Alemão. Durante a temporada, ele fez um gol e distribuiu oito assistências, tendo, também, média 3,09 pela revista alemã “Kicker” – as notas são de 1 a 5 e decrescentes.

Para esta temporada, Carvajal foi recontratado pelo Real Madrid, desta vez para atuar no time principal comandado por Carlo Ancelotti. A experiência com o técnico italiano, aliás, deve ser de extrema importância para o garoto que costuma atacar muito e foi ponto vulnerável em alguns jogos do Leverkusen. Reconhecidamente um treinador que preza pela defesa, Carletto pode ensinar os macetes que o garoto precise para evoluir na posição.

Caso vingue em seu clube formador, Carvajal, por consequência, desbancará o atual titular da posição, Arbeloa e também entrará no radar de Vicente del Bosque para a seleção espanhola. E hoje, pelo menos a mim, não restam dúvidas: Daniel Carvajal é o melhor nome para a lateral-direita de La Roja.

DEMAIS AJUSTES

Michu pode ser a solução do ataque espanhol? (Foto: BBC)

Michu pode ser a solução do ataque espanhol?
(Foto: BBC)

Sem o madridista Xabi Alonso, Vicente del Bosque abriu mão de utilizar dois volantes mais fixos para colocar um centroavante no time, abdicando do “falso nove”. A nova tática não deu certo. Roberto Soldado, apesar da ótima temporada no Valencia – 30 gols em 46 jogos – não agradou na Copa das Confederações, tendo marcado apenas um gol nos seus seis chutes nas partidas contra Uruguai e Nigéria.

Apesar disso, Soldado segue sendo a melhor opção de ataque ao lado de outros dois não convocados: Álvaro Negredo e Michu. O primeiro fez 31 gols em 42 jogos pelo Sevilla na última temporada e vivia a expectativa de ser lembrado por Del Bosque na lista final da Copa das Confederações, já Miguel Pérez Cuesta, o Michu, foi um dos principais nomes do surpreendente Swansea City na Premier League. Autor de 22 gols na última temporada, o jogador nunca foi convocado para a seleção espanhola.

Apesar de artilheiros do time na competição, Fernando Torres e David Villa deveriam ser considerados “passado” por Del Bosque. Somando o desempenho dos dois atletas, acumulam-se oito gols, porém, sete contra o frágil Taiti. Retrato nítido da decadência da dupla.

Vicente del Bosque também deve olhar com carinho para o substituto de Xavi Hernández. O mastro do Barcelona vem caindo na carreira, não só fisicamente, mas tecnicamente também. Seus 33 anos já dão indícios de que seu momento já está passando e que um substituto deve ser encontrado. Na Catalunha, o maior nome era Thiago Alcântara, mas ninguém sabe qual será seu futuro nas próximas temporadas.

O grande fato é que a Espanha chegou, merecidamente, como grande favorita ao título da Copa das Confederações e com pompa de maior seleção do mundo, porém, deixou o Brasil cercado de dúvidas quanto a seu futuro. Dos cinco jogos, só agradou na estreia contra o Uruguai – com todo respeito, não dá pra considerar o Taiti –, depois disso, passou sufoco no primeiro tempo contra a Nigéria, foi inferior a Itália e viu a seleção brasileira massacrá-la no Maracanã.

Ajustes precisam ser feitos e Del Bosque não pode reclamar de falta de opções.