Prévia das oitavas de final da Champions League – Parte 1

A UEFA Champions League está de volta. O maior torneio interclubes do planeta reunirá os dezesseis melhores times da fase de grupos em oito empolgantes duelos de ida e volta. Nesta semana, serão realizados os primeiros quatro confrontos com alguns campeões e favoritos em campo. O Europa Football preparou uma prévia especial para esses quatro jogos.

Nos próximos parágrafos, você irá saber de tudo que envolve Valencia x Paris Saint-Germain, Celtic x Juventus, Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund e Real Madrid x Manchester United, com informações, estatísticas e muita opinião. Confira toda prévia abaixo:

-> Valencia x Paris Saint-Germain

O duelo que coloca frente-a-frente espanhóis e franceses tem tudo para ser interessante na questão tática. O Valencia fará o primeiro jogo no Mestalla, a tendência seria ir ao ataque e buscar o resultado, mas irá encontrar um time muito forte defensivamente e que se sai bem nos contra-ataques, porém, que enfrenta muitas dificuldades com adversários retrancados. É o dilema de Ernesto Valverde: atacar e, possivelmente, sofrer ou defender e esperar o contra ataque.

Possível time escalado por Ancelotti

Por isso, podemos afirmar que o PSG é favorito no confronto. O time de Carlo Ancelotti chegará com a responsabilidade de cumprir com todas as expctativas geradas em torno do elenco antes da temporada iniciar, porém, tem em mente que pode aplicar seu jogo de aproximação dos pontas com os atacantes e avanços dos laterais com relativa tranquilidade, pois o Valencia estará em seu dilema de enfrentamento, provavelmente, definido enquanto a bola rolar.

Outro ponto que torna o time francês favorito no duelo é seu técnico, Carlo Ancelotti, que conhece como poucos os atalhos para conquistar a orelhuda, além disso, o PSG teve a melhor campanha entre os 32 times da fase de grupos. O detalhe é que esses resultados foram obtidos no momento em que Carlo Ancelotti ainda buscava a melhor formação e curiosamente, o 4-4-2 ao melhor estilo britânico, esquema usado hoje pelo time, começou a ser testado contra o Porto, no último jogo da fase de grupos. Em outras palavras, o PSG conquistou a maior parte dos pontos sem estar em sua melhor forma tática.

A esperança parisiense fica depositada em Zlatan Ibrahimović. O sueco é, disparado, o artilheiro do Campeonato Francês e um dos principais assistentes do time. Porém, a Liga dos Campeões é uma espécie de carma do atacante, que persegue o troféu há anos, mas sempre falha no meio do caminho. Ibra tentará fugir do estigma de “pipoqueiro” na UEFA Champions League com o experiente Ancelotti no comando.

Vale observar o comportamento dos atletas do Paris Saint-Germain em campo. Muitos deles estão em sua primeira Liga dos Campeões, consequentemente, em sua primeira disputa de mata-mata na competição, talvez falte a famosa cancha. Lucas é o exemplo mais claro. O brasileiro desembarcou há pouco tempo na França e vem encontrando a melhor maneira de se encaixar no time. Teoricamente, é titular, mas talvez perca espaço nesses jogos por ser muito jovem.

Possível time do Valencia

Já o Valencia procura repetir o feito da temporada 2006/07, quando chegou pela última vez à fase de quartas-de-final. O time espanhol vive um novo momento com Ernesto Valverde, que substituiu Mauricio Pellegrino no final de 2012 e conseguiu recolocar a equipe em posições respeitáveis na Liga BBVA. Desde a chegada do novo comandante, os Che sofreram apenas duas derrotas, conseguiram empatar com o Barcelona e se tornaram realidade na briga por uma vaga na próxima Liga dos Campeões, já que o Málaga, time que ocupa a última vaga para o torneio na Espanha, está proibido de disputar a próxima edição.

O empate entre Valencia x Barcelona é um tema pertinente a ser levantado por Ancelotti a seus jogadores. Na partida em questão, Valverde conseguiu estabelecer uma estratégia para neutralizar a presença de Messi. Convenhamos, se conseguiram parar o argentino, conseguem parar qualquer um, não que seja fácil, mas já é um ótimo parâmetro.

Vale destacar também o embate defesa-ataque. O PSG tem sofrido poucos gols e o goleiro italiano Salvatore Sirigu quebrou o recorde de Bernard Lama ao permanecer 948 minutos sem ser vazado. Enquanto isso, o Valencia tem um ataque forte e muito entrosado com Soldado e Jonas.

Porém, o time francês não deverá contar com Thiago Silva que está lesionado. Alex, parceiro de Thiago, retornou do estaleiro somente agora, podendo formar uma zaga mais física com Sakho. O possível desfalque do time espanhol pode ser Cissokho, ex-Lyon.

DE OLHO: Muitas atenções às duplas ofensivas dos dois times. De um lado, Lucas e Ibrahimović, do outro, Soldado e Jonas. Pela equipe parisiense, o ex-são-paulino Lucas já descobriu qual é a receita do sucesso e já começou a distribuir suas assistências para Ibra, enquanto o sueco vive fase esplendorosa. Apesar de contar ainda com nomes do naipe de Pastore e Lavezzi – e Beckham, que ainda não iniciou a série de treinamentos – a dupla milionária é a que chama mais atenção. Já a dupla, Jonas e Soldado possui mais rodagem e são os principais nomes do time ao lado de Feghouli, porém, somente a dupla formada por Jonas e Soldado é responsável por 14 dos 32 gols do time na Liga BBVA.

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-> Celtic x Juventus

Fazia tempo que não escutávamos o nome de Celtic e Juventus em uma fase eliminatória da Liga dos Campeões. Os escoceses passaram algumas edições morrendo ainda na fase prévia do torneio, enquanto os italianos, neste momento de reconstrução, tiveram de amargar alguns anos longe da competição. Nos números, é a primeira participação do Celtic nas oitavas de final desde a temporada 2007/08, enquanto a Juventus esteve nesta fase pela última vez na temporada 2008/09.

Possível Celtic de Neil Lennon

Falando dos times, começamos com o Celtic, que sem o rival Rangers em sua liga doméstica, lidera com tranquilidade, com dezoito pontos de vantagem para o vice-líder Inverness. A equipe de Neil Lennon tem o ataque mais positivo, a defesa menos vazada, a maior quantidade de vitórias e a menor de empates, liderança absoluta.

O principal jogador do time tem sido o atacante Gary Hooper, de 25 anos. Ele foi o artilheiro do Celtic nas últimas temporadas e nessa já balançou as redes em 13 oportunidades. Em 2013, Hooper tem cinco gols em quatro jogos no Campeonato Escocês. Outro nome de destaque do time é o queniano Victor Wanyama, que é peça de confiança de Lennon por cumprir bem as funções de volante e zagueiro.

A tendência é que o Celtic vá a campo com o 4-4-2, variando para o 4-4-1-1, mas não se surpreenda caso Neil Lennon escale seu time com três zagueiros. O treinador norte-irlandês testou o 3-5-2 em algumas partidas do Campeonato Escocês, provavelmente pensando no que irá encarar contra o time italiano.

A Juve não deve abandonar o 3-5-2

A Juventus não vem tendo vida tão fácil assim na Série A. Apesar da liderança, o time de Antônio Conte é perseguido de perto pelo Napoli. A distância entre as duas equipes é de cinco pontos. Porém, assim como o adversário escocês, a Juve tem o maior número de vitórias, é o que menos perdeu e tem o melhor saldo do campeonato.

Chama à atenção no elenco juventino, a mescla de experiência e juventude, ao mesmo tempo, com a adequação de cada setor ao protagonismo. Buffon, Barzagli e Pirlo são pra lá de experientes. O trio já ultrapassou a marca dos trinta anos, são atletas de seleção, mas são tão importantes quanto Giovinco, Vidal e Pogba, que não tem a mesma bagagem dos demais citados, mas tem sido tão decisivos quanto.

Aliás, falando em Pogba, suas participações têm sido muito importantes nessa temporada. O francês já anotou quatro gols na temporada e mesmo aos 19 anos, joga com regularidade e vê seu nome sendo especulado na seleção francesa. Atuar próximo de Pirlo deve dar a liberdade necessária ao garoto para brilhar na pesada UEFA Champions League.

DE OLHO: Visão atenta aos goleiros menos vazados das ligas da Escócia e Itália, não só por este feito, mas pelo contraste da idade: Buffon tem 35 anos, já Forster tem 24. O italiano é ídolo em Turim, é um dos melhores goleiros do planeta e, com certeza, um dos principais nomes da posição nos últimos 20 anos. Ainda tem lenha para queimar e se livrou das lesões, é uma das peças decisivas da Juventus para o confronto, pois o Celtic irá de franco atirador e Gigi terá de trabalhar pouco, mas de forma eficaz. Já Fraser Forster é jovem ainda, é nove anos mais novo que Buffon, mas só ganhou notoriedade na temporada 2009/10, atuando pelo Norwich City. O goleiro está desde 2010 no Celtic e chamou a atenção do mundo no duelo contra o Barcelona pela fase de grupos da UEFA Champions League, onde fez defesas monumentais e teve uma atuação de “classe mundial”.

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-> Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund

Esse é um dos confrontos mais interessantes da fase de mata-mata. O Shakhtar Donetsk mostrou ao continente que há bom futebol na Ucrânia, obra de Mircea Lucescu e sua frota brasileira, agora falta provar em um âmbito maior. Já o Borussia Dortmund mostrou que sua nova geração não está destinada a brilhar apenas em campos germânicos e deixou Real Madrid, Ajax e Manchester City para trás na fase de grupos.

Shakhtar de Lucescu

Na Ucrânia, o Shakhtar nada de braçada e lidera o campeonato nacional com treze pontos de vantagem para o Dnipro com uma campanha quase perfeita: 17 vitórias e uma derrota em 18 jogos. O time de Lucescu balançou as redes 52 vezes, sofreu apenas nove gols e ainda conta com o artilheiro Mkhitaryan, 18 tentos. Porém, o Campeonato Ucraniano está parado nesta época do ano e o ritmo de jogo pode atrapalhar demais o Shakhtar neste momento da temporada. Outros times dessa região da Europa já mostraram, em anos anteriores, que essa pausa pode ser prejudicial.

Ficamos sabendo do que o os ucranianos são capazes ainda na fase de grupos: marcação avançada, pressão na saída de bola, movimentação constante dos homens de frente, toques rápidos e participação efetiva dos homens de trás, como o brasileiro Fernandinho, que é um dos diferenciais deste time.

O outro diferencial era o compatriota Willian, mas ele optou por se transferir para o Anzhi da Rússia. Para seu lugar chegou o também brasileiro Taison, que defendia o Metalist. Mudam as características – Willian é mais habilidoso e técnico, enquanto Taison é vertical e muito veloz – mas não as funções, que é atuar pela beirada do campo.

Borussia DortmundO Borussia Dortmund ainda sonha com tricampeonato nacional, apesar da distância para o Bayern. O time comandado por Jürgen Klopp iniciou 2013 com a corda toda, marcando muitos gols e confirmando a dependência de Kuba, que dá outro ritmo ao time borussiano, apesar das envolventes participações de Reus, Götze e Lewandowski. Sem o polonês, a cadencia fica excessiva, é justamente ele que imprime ritmo e é uma peça chave do elenco.

Favorito no confronto, o Dortmund chega para o duelo carregando nas costas um duro tropeço diante do Hamburg no último fim de semana. Os comandados de Klopp foram goleados por 4×1 pelo time do norte alemão em jogo marcado por uma arbitragem fraca e pela péssima atuação defensiva do BvB.

Vale destacar o retorno de Nuri Şahin, que tem tudo para dar outra dinâmica ao time de Klopp. Apesar de ainda ser reserva e não ter incorporado o estilo de jogo, o turco é uma opção para ajudar o time a controlar o meio campo, afinal, tem bom toque de bola, característica semelhante ao de Gündoğan, titular da posição.

Tecnicamente, não há qualquer questionamento quanto ao time do Borussia Dortmund. Eu já acreditava que pudessem surpreender na temporada passada, quando fracassaram na fase de grupos, agora se tornou realidade pelas imponentes participações contra os campeões de Holanda, Espanha e Inglaterra. O único “porém” está na questão da cancha do elenco. Dentre os atletas mais utilizados por Klopp, apenas o capitão Kehl tem vasta experiência, no restante, apesar de participações internacionais, ainda falta uma bagagem que apenas o camisa 5 tem.

Vale ressaltar a falta do zagueiro sérvio Neven Subotić, que se contundiu na pré-temporada e vem retornando aos poucos. O brasileiro Felipe Santana tem o substituído, mas claramente não está a altura do titular, que além de ser muito técnico e eficiente no jogo aéreo, se completa com Mats Hummels.

DE OLHO: Batalha muito interessante no meio campo. O Shakhtar deverá ter Stepanenko na proteção, com Fernandinho mais solto, buscando conduzir a bola ao setor ofensivo e ainda se preocupar com a defesa. Mais a frente, Taison, Mkhitaryan e Alex Teixeira devem dar trabalho a desfalcada defesa alemã, como fizeram com Chelsea e Juventus. No lado borussiano, Kehl e Bender lutam por um lugar no time, o escolhido protegerá a defesa e desempenhará função tática importante ao dar a liberdade necessária para Gündoğan sair para o jogo e se juntar a Kuba, Reus e Götze, que se movimentam como poucos e confundem qualquer tipo de marcação, fora a qualidade técnica do quarteto, que nem é preciso repetir. São formações com características semelhantes e que devem dar ao jogo uma característica bem agradável.

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-> Real Madrid x Manchester United

Esse é o confronto mais esperado desta fase. Frente a frente, dois dos mais vitoriosos times do continente e também o duelo de dois técnicos marcantes da história recente do futebol inglês: Sir Alex Ferguson e José Mourinho. Porém, o que deveria ser um confronto imprevisível, já começa com um favorito destacado: o Manchester United.

Claro que o time inglês tem seus méritos, mas parte significativa desse status vem da fraca campanha do Real Madrid no Campeonato Espanhol. O time merengue acumula nove tropeços – cinco derrotas e quatro empates –, três há mais que na temporada anterior. Pior ainda é ver o Atlético, rival local e eterno motivo de chacota, estar com quatro pontos de vantagem.

Real MadridNão é segredo para ninguém que estes resultados ruins são obras da intensa crise interna vivenciada pelo clube. As informações que circulam na imprensa dão conta de um racha no elenco, que estaria dividido entre os amigos de Mourinho – entenda-se, agenciados por Jorge Mendes – e inimigos de Mourinho.

Entre os desafetos do português, deve estar Kaká. O brasileiro tem apenas oito participações no Campeonato Espanhol e em muitos jogos nem é colocado no banco de reservas. Enquanto isso, Callejón entra em diversas partidas para mudar quase nada. Sim, sei que são de posições diferentes, mas é absurdo gastar tanto em um jogador do nível do Kaká para não ficar nem no banco.  Outro desafeto era o goleiro e capitão Iker Casillas, que chegou a ir para o banco de reservas por “deficiência técnica”. Ele se contundiu e está fora do duelo e o Real agiu rápido ao trazer Diego López para substituí-lo.

A esperança fica toda depositada em um “brilhareco” de Cristiano Ronaldo, que apesar do conturbado ambiente interno, um inacreditável gol contra marcado contra o Granada e a interminável briga estatística com Messi – com o argentino, quase sempre, levando vantagem – ainda é um dos principais jogadores do mundo. Foram 24 gols em 22 partidas do time no Campeonato Espanhol, não podemos rejeitar isso. Além disso, Ronaldo irá enfrentar o clube que deu um up em sua carreira, o Manchester, isso é uma motivação para o português.

ManUtdA vida mancuniana tem sido bem mais tranquila que a madridista. O time lidera a Premier League com doze pontos de vantagem para o rival local, Manchester City, tem o melhor ataque, é a equipe que menos empatou na competição e ainda fez uma das principais contratações da temporada europeia: Robin van Persie.

O holandês, trazido a peso de ouro do Arsenal, não sentiu nenhuma dificuldade em vestir a camisa do rival dos londrinos e lidera o ranking de artilheiros da Premier League com 19 gols. Junto com Wayne Rooney, que já balançou as redes em 10 oportunidades, van Persie tem formado um dos ataques mais avassaladores da Europa com 62 gols marcados.

Porém, a defesa deixa um pouco a desejar. Foram 31 gols sofridos e entre os dez primeiros colocados da Premier League, apenas Liverpool, Everton e West Bromwich viram suas redes serem balançadas em mais oportunidades. Parte desses dados pode ser jogado na conta da ausência de Vidić, que ficou muito tempo lesionado, mas nem todo o peso, afinal, o sérvio tem jogado com regularidade em 2013 e o United segue sofrendo muitos gols.

É esse fator que dá uma equilibrada no duelo. O avassalador ataque inglês terá de ser mais eficaz que o monstro português para levar o duelo, pois é improvável que sua defesa dê conta. Expectativa de muitos gols nesse duelo.

DE OLHO: Em Cristiano Ronaldo. Sei que nos outros confrontos destaquei algum duelo individual ou coletivo da partida, mas chama muito a atenção o retorno do português ao Teatro dos Sonhos. Além de ser a grande, senão única, esperança madridista para o confronto, Cristiano Ronaldo baterá de frente com uma defesa que conta com bons nomes, mas que não desempenha em campo toda a eficiência prevista. O Manchester United é favorito, mas esse ponto deixa o duelo menos desequilibrado, porque o português, além de estar no hall de melhores do mundo, é decisivo e vive grande fase na carreira.

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Trampolim quebrado

Não vou ficar no Shakhtar minha vida inteira. Quero fazer dele um trampolim para atingir meu objetivo, que é jogar por um grande clube na Europa. Uma ponte para um lugar melhor (…)

Douglas Costa e Messi no mesmo gramado: só como adversários

A frase acima foi dita pelo meio-campista brasileiro Douglas Costa, no início de 2010, quando deixava o Grêmio em direção do Shakhtar Donetsk. Pois é, dois anos e meio se passam e o atleta segue na Ucrânia, sem grandes perspectivas quanto ao seu sonho de atuar em um gigante europeu.

A declaração do garoto só mostra o quão ingênuos são alguns brasileiros quando se transferem para países periféricos, principalmente quando falamos de Rússia e Ucrânia. Não é segredo pra ninguém que eles possuem muito dinheiro, o bastante para contratar e se sustentarem sem precisar vender seus atletas. Chamar os donos desses clubes de “casquinhas” pode ser uma alcunha cabível, mas convenhamos, eles apenas defendem seus ‘patrimônios’. Basicamente, são times que não precisam vender, apenas comprar.

É fato que, muitas vezes, o cheque cheio de zeros seduz uma alma juvenil, mas é verdade também que a influência do empresário pode surtir um grande efeito, até porque ele também lucrará com a transferência. O papinho do trampolim, somado aos bens que podem ser consumidos com o ‘gorducho’ salário são alguns argumentos que o empresário pode usar com um jovem jogador e seduzi-lo a assinar o contrato.

Douglas Costa ainda sonha em chegar a um grande clube europeu

Com o “trampolim” e a “ponte para um lugar melhor”, Douglas Costa talvez não tivesse a intenção de atingir o clube e os torcedores, talvez eles nem tenham sabido desta declaração – registrada nesta matéria do Portal UOL -, mas, obviamente, ele não queria ir para a Ucrânia conquistar a Europa e “se tornar o melhor do mundo” – maior bobagem inventada pelos jogadores -, mas pensava mesmo em usar o clube como trampolim, até porque viver em Donetsk não parece ser o sonho de um jovem latino-americano. Douglas tem idade olímpica, poderia estar entre os atletas convocados para a competição, mas ficou de fora da lista final – fica o alento de ter ficado de fora apenas no último corte.

Geralmente, transferir-se para um clube do Leste Europeu é uma ‘furada’, mas admito que mudar-se para um Shakhtar ou para um CSKA Moscow, por exemplo, pode ter lá seu valor na carreira, já que são equipes que são constantemente vistas em competições européias, mas ser contratados por eles imaginando que poderá num futuro próximo, alçar um vôo gigantesco e chegar a uma grande liga – oi, Keisuke Honda – gerando imensas expectativas, é ingenuidade.

Olhando também o histórico de transferências do Shakhtar Donetsk, pode-se notar que é um clube que raramente vende jogadores para fora da Ucrânia, quiçá a grandes clubes europeus. Muitos dos que deixam o time ucraniano são por causa do término do contrato, outros são emprestados constantemente, até serem vendidos por um preço mais ‘camarada’, comparado ao que foi comprado. O brasileiro naturalizado boliviano, Marcelo Moreno é um exemplo. O Shakhtar o tirou do Cruzeiro por nove milhões de euros e o vendeu por seis milhões ao Grêmio, isso depois de quatro anos de sua compra e algumas temporadas fracassadas, tanto na Ucrânia, quanto na Alemanha e na Inglaterra.

A grande venda recente do Shakhtar para um verdadeiro grande clube europeu foi de Dmytro Chygrynskiy, mas não podemos de deixar de notar o quão estranha foi essa transação, já que o zagueiro não enchia os olhos de ninguém e foi comprado pelo Barcelona por 25 milhões de euros. Após algumas temporadas de lesões e poucos jogos na Cataluña, o defensor voltou para a Ucrânia por 15 milhões de euros. Jádson, Fernandinho, Srna, Luís Adriano e outros tinham grande destaque pelo Shakhtar, mas quem conseguiu ser comprado por um grande clube foi Chygrynskiy. Estranho, não?

Pode ser que até o final desta janela de transferências, Douglas Costa cale minha boca e mostre que não seja tão ingênuo assim, conseguindo saltar de seu trampolim e arranjar uma transferência para um grande clube da Premier League, Bundesliga ou La Liga, mas enquanto os ucranianos seguirem ‘defecando’ dinheiro, sem precisar vender seus atletas, congelará no Leste Europeu ou voltará para o Brasil.

*Crédito das Imagens: Reuters

Elétrico!

Bela festa dos Gunners

Assisti com atenção a partida entre Arsenal e Barcelona.

Foi um baita jogo, mas fiquei um bom tempo pensando num bom título pro post. Foi até difícil pensar sobre isso. É meio inexplicável ver um jogo tão bom que você não consiga rotulá-lo com algo. Mas após essa busca insana pelo “título perfeito”, encontrei: “Elétrico!”.

E não me resta dúvidas. Foi um jogo muito eletrizante. Ataque pra cá, ataque pra lá. Nada de retranca, nada de bicão. Jogo bonito e bom de se ver

O 2×1 pro Arsenal foi justo. Assim como se o placar fosse favorável ao Barcelona, também seria justo. As duas equipes jogaram muito. Não desgrudei os olhos da TV.

Não dava!

Estava hipnotizado pela velocidade da partida.

Gol de Villa no Emirates pode decidir na volta

No começo, o Arsenal pressionava, tanto a saída de bola quanto o gol adversário. Mas só pressionar a saída de bola do Barcelona não adiantava. Eles sabem trocar passes como poucos. Sabiam se desvencilhar da forte pressão e aos poucos tomaram conta do jogo e abriram o placar, com Villa, aproveitando passe perfeito de Messi.

As rápidas escapadas do Barcelona entre os zagueiros londrinos sempre davam trabalho, assim como a correria de Walcott atormentava a defesa catalã – desfalcada de Carles Puyol e na volta, ele deverá voltar, mas não pra jogar com Piqué, que foi suspenso.

Esse foi o ponto alto da decepcionante temporada de Arshavin

Mas o 2º tempo chegou e o Arsenal era melhor. Tinha a mesma tática do início do jogo, mas parecia dar mais trabalho ao Barcelona. Os catalães não tinham o mesmo futebol e mesmo espaço pra jogar como tinham no 1º tempo, só que junto com isso vinham as falhas defensivas. A falha geral foi no primeiro gol dos Gunners. Robin Van Persie recebeu nas costas da dupla de zagueiros e soltou um canudo, que foi entre a trave e Valdés. A zaga deu uma grande bobeira por levar bola nas costas, o goleiro também falhou feio em tentar pegar o cruzamento e não fechar o ângulo. Minutos depois, Nasri recebeu nas costas de Maxwell e ainda viu uma zaga toda bagunçada, teve calma pra preparar a jogada e tocar pra Arshavin, que soltou um belo chute de pé direito, virando a peleja.

O jogo ficou mais elétrico ainda. Eu tinha a impressão que nos dez minutos finais, mais um gol sairia. Quando o Arsenal pegava a bola, o Barça parecia atordoado e perto de sofrer mais um gol. Quando o Barcelona pegava na bola, os Gunners pareciam determinados a tirar a bola de qualquer jeito, mas sem se preocupar com um posicionamento decente.

Pena não ter saído mais nenhum gol!

O jogo cumpriu suas expectativas e a volta, no Camp Nou será coisa de outro mundo. Acho que o Barcelona segue como favorito e as finalizações de Messi que não entraram hoje, talvés entrem na partida de volta. Mas sabe aquela história dos contra-ataques? O Barça costuma sofrer com eles. A diferença é que na Liga BBVA, os times jogam muito fechados e com jogadores lentos no ataque, proporcionando contra-ataques não muito eficientes, agora, o Arsenal deverá ter Walcott, que é um motorzinho humano, então a defesa catalã terá de dormir com um barulho desses.

Eu tenho a sensação de que o Barcelona, por incrível que pareça, não vai ter tanto trabalho pra bater o Arsenal. Talvés seja como no ano passado, após o primeiro gol, a porteira abre.

Jádson e o gol da derrocada italiana

Tragédia no Olímpico!

Tá certo que a Roma conseguiu sair de seu estádio com um placar não tão desfavorável, mas não acho que tenha forças pra reverter o 3×2 sofrido no Olímpico contra o Shakhtar. Os Gialorossi chegaram a abrir o placar com Perrotta, mas após o gol de empate de Jádson, a Roma perdeu a cabeça. Não assisti ao jogo, mas pelos relatos, a Roma se mandou pro ataque desesperadamente e deixou espaços na defesa. Primeiro pra Douglas Costa acertar um belo chute e virar, mais tarde, Riise tinha a bola dominada na lateral e caiu e acabou vendo Luiz Adriano marcar. Ranieri também não fez nada demais em suas alterações. Castellini no lugar de Riise e Borriello no lugar de Vucinic não são as alterações das mais ofensivas. Mesmo assim, a Roma diminuiu na individualidade de Menez, que arrancou e acertou um petardo de fora da área.

Quero ver a Roma se virar na Ucrânia. Não tem jogado bem, Ranieri é contestado, dizem haver várias rusgas entre o treinador e os jogadores, enquanto o Shakhtar tem um time ajeitado e que joga junto há anos. Olha, se no jogo entre Arsenal x Barcelona dá pra apostar nos dois, nesse outro jogo apostaria minhas fichas somente nos ucranianos…