Lesão de Sidibé coloca Debuchy no jogo

Debuchy vive a expectativa de voltar à seleção | Foto: Equipe de France / FEP

No quebra-cabeça para a montagem do time que irá à Rússia, a peça com a face de Mathieu Debuchy entra em cena. Fora da seleção francesa desde 2015, ele retornou à França para defender o Saint-Étienne na metade desta temporada e, com a lesão de Djibril Sidibé, ganha espaço para entrar na lista final de Didier Deschamps, mesmo fora de todo o período de preparação para a Copa do Mundo.

Bom frisar já de início que a ausência de Sidibé ainda não é certa. Mas o fato de a lesão ter sido no joelho – o que já causa uma preocupação normal – e o Monaco ter emitido nota apenas confirmando o problema físico, mas não o tempo de parada, já levantam as especulações quanto a um corte para a Copa do Mundo.

A dor de cabeça para Deschamps se dá pela falta de opções. Christophe Jallet, que durante muito tempo foi o reserva da posição, realizou cirurgia no joelho esquerdo no fim do ano passado e também teve problemas no tendão. Não joga desde fevereiro e perdeu espaço em função disso.

Quem passou a preencher a lacuna foi Benjamin Pavard, do Stuttgart. O problema, porém, é a característica do defensor de 22 anos. Segundo o WhoScored, em 30 jogos na Bundesliga, ele atuou como zagueiro em 22, sendo lateral-direito em apenas três oportunidades.

Valeria a pena mudar o jeito de jogar do time em função disso? Penso que não. Sidibé era peça importante da França, sempre com boas subidas e mostrando qualidades como cruzamentos e jogadas de ultrapassagem. Pavard dificilmente forneceria isso.

O mais próximo de manter esse panorama é mesmo com Debuchy. Apesar de não ter a força física do lateral monegasco, ele tem a característica ofensiva que torna o jogo de ataque francês mais forte. Já são quatro gols em dez jogos na Ligue 1, o suficiente para lhe colocar no gosto do torcedor dos Verts e no radar da Copa.

O defensor do ASSE, que enfim se livrou das lesões que o atrapalharam na Inglaterra, também não sentiria o peso de vestir a camisa da seleção. Foram quatro anos como titular, quase 30 jogos, inclusive com Eurocopa e Copa do Mundo no currículo. Não precisa ser testado, diferente de Pavard, que começou a ganhar minutos em novembro do ano passado.

Debuchy está no jogo e cresceu na hora certa. O retorno para o futebol francês fez bem ao Saint-Étienne e principalmente para ele, que encontrou um lugar onde se sente bem dentro e fora de campo e lhe colocou em condições reais de disputar a segunda Copa da carreira.

Premiado pela regularidade

Ben Yedder enfim foi lembrado por Deschamps | Foto: Reprodução

Em outubro do ano passado, pedia neste mesmo espaço que Wissam Ben Yedder fosse lembrado por Didier Deschamps e ganhasse minutos pela seleção francesa. Na época, justifiquei esse pedido não só pelo rendimento na Espanha, mas também pelo possível encaixe no time e também pela questão disciplinar, que foi um tabu quando mais jovem – sinal de que amadureceu com as pancadas que já sofreu na carreira.

Cinco meses depois do post, precisou o atacante do Sevilla calar o Old Trafford e eliminar o Manchester United da Liga dos Campeões da Europa com dois gols para, enfim, ser lembrado pelo comandante dos Bleus. Na convocação para os amistosos contra Colômbia (dia 23) e Rússia (27), o nome do sevillista foi uma das surpresas apresentadas por DD.

Óbvio que a convocação não se deu apenas pelos tentos decisivos para colocar o time espanhol entre os oito melhores da Europa, mas eles serviram para plantar uma pulguinha atrás da orelha de Deschamps horas antes de comunicar a convocação oficial.

Ben Yedder está longe de ser o mais badalado jogador francês, porém, é um dos mais regulares na década, e é dentro dessa regularidade que é premiado com a convocação. Com os dois gols em Manchester, chegou a 19 em 34 jogos na temporada. Desde 2012/13, ele entrega ao menos 15 tentos por seus clubes.

O mais interessante dessa marca é que sempre foi em escalas diferentes de ambição pelos times que defendeu. Na França, defendeu o Toulouse, clube de aspirações modestas, mas onde conseguiu marcar 71 gols em seis temporadas, tornando-se o maior artilheiro de todos os tempos do TFC.

Agora está no segundo ano na Espanha defendendo o Sevilla, equipe de nível mais elevado, disputa campeonatos internacionais e segue com rendimento alto.

Na troca de Eduardo Berizzo por Vincenzo Montella perdeu um pouco de espaço, é verdade, mas os decisivos gols no Teatro dos Sonhos, que colocaram o Sevilla nas quartas da Liga dos Campeões e lhe tornaram o vice artilheiro da competição com oito gols, deixam a sensação de que voltará a ter mais minutos com o técnico italiano.

Pela seleção, fica a expectativa em ver de que forma será explorado por Deschamps. Olivier Giroud é absoluto na posição e só uma catástrofe o fará perder a posição. Ben Yedder seria um substituto no 4-3-3 ou uma alternativa para formar dupla com o atleta do Chelsea em um eventual 4-4-2? Num mesmo 4-4-2, poderia ser ele a formar dupla com Griezmann, quem sabe?

À primeira vista, parece-me que DD procura mesmo alguém para estar a disposição quando não puder contar com Giroud. O substituto natural Lacazette não explodiu ao ponto de até ameaçar o atual titular. Ben Yedder surge dentro deste contexto. Os dois amistosos serão chances de ouro para cavar uma vaguinha na Rússia.

Laterais e ataque abertos

É natural que faltando tão pouco tempo para a Copa do Mundo, Deschamps tenha sua base de convocados bem delineada e com escassas brechas para eventuais surpresas. Mas há, sim, alguns pontos que ainda causam dúvidas.

A começar pelas laterais. Djibril Sidibé na direita e Lucas Digne na esquerda já estão na Copa, mas as reservas possuem grandes ressalvas. Quem fará sombra ao defensor do Monaco?

Christophe Jallet? O tempo dele parece que passou.

Mathieu Debuchy? Cresceu ao retornar para a França, mas não foi o suficiente para convencer Deschamps.

O testado da vez, portanto, será Pavard, do Stuttgart.

Na esquerda é onde reside a maior questão de DD. Reserva na Catalunha devido a grandíssima fase de Jordi Alba, Digne ainda convive com as dúvidas na seleção, já que virou titular após a vertiginosa queda de Patrice Evra, que passou a se dedicar mais ao perfil no Instagram do que com a vida de atleta.

Somado a isso, Laywin Kurzawa, que despontava como potencial substituto, tem temporada decepcionante em Paris, fora Benjamin Mendy, que se recupera de grave lesão e ainda não se sabe qual será sua condição até a Copa.

Quem surge em meio a esse turbilhão é Lucas Hernandez, a surpresa de Deschamps na lista para enfrentar colombianos e russos. O franco-espanhol tem alternado atuações na lateral e na zaga do Atlético de Madrid e surge como opção para a posição em meio as dúvidas quanto a Digne.

Entre Espanha e França, Hernandez escolheu os Bleus | Foto: FFF

Agora, se na lateral as dúvidas surgem pela falta de opções, no ataque elas aparecem pelo acúmulo de atletas. Na atual convocação, por exemplo, Deschamps deixou fora Dimitri Payet, do Marseille. Contundidos, Nabil Fekir, Kingsley Coman e Alexandre Lacazette também não foram chamados.

Para entrar um dos quatro (ou até os quatro), terá que sair alguém. E aí? Quem perderia espaço? A lista de atacantes vai de jovens talentosos, como Ousmane Dembelé e Florian Thauvin a peças de confiança de DD, como Giroud e Griezmann. Ainda há Martial, Mbappé e o nosso personagem Ben Yedder.

É muita gente boa e com potencial para fazer a diferença dentro das quatro linhas. Deschamps que se vire com essa dor de cabeça.