Baup tirou o máximo do mínimo e o mínimo do máximo

Baup será substituído interinamente por José Anigo

Baup será substituído interinamente por José Anigo

Temperamento frio, poucas palavras e gestos tímidos dentro de campo. Esse é Élie Baup, que assumiu o Marseille no meio de 2012 com o objetivo de renovar o elenco esfacelado deixado por Didier Deschamps e ainda fazer frente ao milionário rival Paris Saint-Germain. Na última sexta-feira, ele foi demitido após derrota diante do Nantes e pode dizer que não cumpriu o objetivo traçado no dia que chegou. O diretor de esporte José Anigo assumirá em seu lugar.

Qualquer treinador poderia elencar vários motivos para este fracasso, começando com a desigualdade financeira. O Marseille não só não tem cacife para fazer frente à PSG e Monaco, como ainda enfrenta o drama de reformar o estádio Vélodrome, visando a Euro 2016, o que lima parte das finanças (problema que clubes como Bordeaux, Lyon e Lille também sofrem).

Se quisesse, também poderia culpar a escassez do elenco, outro motivo que lhe impediria bater de frente com os milionários rivais. Mas seria justamente ai que Baup começaria a perder a razão (sempre levando em conta que essas reclamações não passam de suposições).

Na primeira temporada no comando do Marseille, foi investido cerca de 8 milhões de euros em contratações e ficou, aos trancos e barrancos, com o 2º lugar da Ligue 1. Dos 38 jogos em solo nacional, o OM venceu 21 partidas, 12 por 1-0 e outros seis por um gol de diferença. E isso tudo com elenco escasso e cheio de jovens, já que Baup utilizou 25 jogadores na temporada, sendo que despachara uma série de atletas úteis (como Brandão, M’Bia, Azpilicueta, Diarra, Kaboré e Remy) durante a temporada.

Para esta temporada, tudo foi diferente. O Marseille investiu quase 43 milhões de euros em contratações, incluindo atletas de muito potencial como Dimitri Payet, Giannelli Imbula e o badalado Florian Thauvin. Além disso, ninguém de grande relevância deixou o clube, tornando o sonho do título palpável.

Porém, com 17 rodadas, o OM tem desempenho decepcionante e ocupa apenas a 5ª colocação com 27 pontos, 13 atrás do líder PSG e oito atrás do Monaco, primeiro time no G-3 da Ligue 1. Na temporada anterior, com as mesmas 17 partidas disputadas, o Marseille tinha 32 pontos, era o 3º colocado e estava só três pontos atrás do então líder Lyon.

Curiosamente, o OM tinha 22 gols marcados no ano passado e 23 agora. Evolução irrisória para um time que se reforçou com muitos atletas para o ataque.

Baup - Tabela

Burocrático

Muitos chamavam Baup de “treinador burocrático” pelos inúmeros placares magros. Eu considerava injusta essa marcação simplesmente por ele ter um elenco pobre em mãos, mas hoje reconheço que esse termo possui lógica quando colocada ao citado treinador. É inadmissível que um técnico que tenha a disposição Gignac, Valbuena, André Ayew, Payet, Thauvin e outros, faça o time marcar míseros 23 gols em 17 jogos.

Baup não mostrou ter grandes ideias táticas para o Marseille. Foi do 4-2-3-1 do início ao fim de sua passagem pelo Vélodrome, dando algumas passadinhas pelo 4-3-3, mas pouco diferenciando do esquema habitual.

O treinador também foi teimoso em muitos jogos ao manter Gignac no banco e insistir com o displicente Jordan Ayew, que está muito abaixo do irmão André, por exemplo.

A demissão de Baup é justificada. Ele até tem motivos para elaborar explicações contra, mas os motivos favoráveis pesam mais. O treinador, de forma curiosa, conseguiu levar o Marseille a um lugar que nunca chegaria com o elenco escasso que tinha em 2013, mas não saiu do “lugar comum” quando contava com atletas de ótimo nível.

O Marseille precisa de alguém que consiga extrair o máximo do bom elenco que tem. Alguém que não seja teimoso e traga ideias novas e capazes de igualar com os milionários clubes do país. Resumindo: o Marseille precisa de alguém que não seja Élie Baup.

Bola de segurança

Courbis volta ao Montpellier para ser o salvador do time

Courbis volta ao Montpellier para ser o salvador do time

A “dança das cadeiras” rolou solta na França na última semana. Outra mudança foi no Montpellier: Jean Fernandez não resistiu ao sétimo jogo seguido sem vitória (14º no campeonato) e foi demitido. Neste sábado, Rolland Courbis foi anunciado como substituto de Fernandez.

Courbis tem enorme experiência na França e atua como técnico desde a metade dos anos 80 (colecionando diversas polêmicas judiciais). As principais passagens da carreira foram nos anos 90, quando levou Bordeaux, Toulouse e Marseille as cinco primeiras colocações do Campeonato Francês.

Neste século passou a figurar em times de rabeira e segunda divisão. Entre 2007 e 2009 trabalhou no Montpellier. Quando chegou, evitou o rebaixamento do time a terceira divisão e, dois anos depois, colocou o clube na elite do futebol francês, dando, então, lugar a René Girard, que viria a ser o técnico mais importante da história do MHSC.

Desde então, Courbis teve passagens obscuras pelo Sion, da Suíça, e USM Alger, da Argélia.

Mesmo em baixa na carreira, a aposta do presidente Louis Nicollin é na bola de segurança. Em 17º lugar com 15 pontos, o momento do Montpellier é delicadíssimo. A ala radical da torcida cobrava insistentemente a demissão de Fernandez, alguns até pediam a renúncia de Nicollin. Os jogos no Stade de la Mosson estão cada vez mais vazios. A torcida está em clima de guerra com o elenco e a diretoria, principalmente porque o presidente não mede palavras na hora de criticar a torcida quando pensa ser conveniente.

Entre torcida e Nicollin, um lado precisava ceder nesse intenso cabo-de-guerra. Quem cedeu foi a presidência. A chegada de Courbis é a forma que Nicollin encontrou para tentar trazer os torcedores de volta para seu lado, mesmo contando com um treinador na curva descendente da carreira. A aposta é arriscada, mas tem boas chances de dar certo, vide o fato do Montpellier não ter um time ruim.
 
*Crédito das imagens: Frédéric Speich (Baup) e Franck Valentin (Courbis)

O maior de todos!

A enquete recebeu mais de 13 mil votos e Hitzfeld ganhou com sobras (Reuters)

O portal do diário Bild fez uma enquete com seus leitores para eleger o maior técnico de todos os tempos da Bundesliga. Com 46% dos votos, Ottmar Hitzfeld, que ergueu a Salva de Prata em sete oportunidades foi o vencedor.

Nascido em Baden-Württemberg, terceiro maior estado alemão, Hitzfeld foi formado como jogador no TuS Stetten-Lörrach. Como profissional, atuou no FV Lörrach – digamos que é uma associação ao Stetten-Lörrach – antes de se transferir pro Basel em 71. Desde então sua carreira deslanchou, tendo passagens consistentes não só pelo Basel, mas também por Stuttgart, Lugano e Luzern.

Centro-avante azul e vermelho por quatro temporadas, Hitzfeld conquistou a artilharia do Campeonato Suíço em 1973, ao marcar 18 gols. Outro recorde interessante do ex-atacante foi na temporada 1976/77, quando o Stuttgart – na época, seu clube – venceu o SS Jahn Regensburg por 8×0 e Hitzfeld anotou 6 gols. Nenhum outro jogador conseguiu igualar este feito até hoje na história da segunda divisão alemã.

Na temporada 1982/83, Hitzfeld encerrara sua carreira de jogador atuando pelo Luzern. No mesmo ano, iniciara sua vida como técnico de futebol. Certamente, ele não imaginaria que faria tanto sucesso como fez e faz até hoje…

Em seu primeiro time e em sua temporada inicial, Ottmar Hitzfeld levou o pequenino FC Zug da segunda para a primeira divisão suíça. O sucesso foi tanto que o alemão migrou para o FC Aarau, tradicional time do país, mas que estava sem ganhar o campeonato nacional desde 1914.

Hitzfeld ficou no Aarau de 1984 até 1988, onde conquistou uma Copa da Suíça e levara o time para a Copa da Uefa.

De 88 até 91, o alemão deu um salto ainda maior na carreira, comandando o Grasshopper, um dos grandes clubes da Suíça. Após início de anos 80 avassalador, com três títulos em cinco temporadas, o então presidente Fritz Peter trouxe Hitzfeld para fazer o clube reerguer um troféu.

Título foi o que não faltou nesta época! Bi-campeão da Copa da Suíça – 1989 e 1990 – além de bi-campeão nacional em 1990 e 1991. Em 1990 também veio o título da Supercopa Suíça. Com menos de dez anos de carreira, o alemão conseguira em sua carreira, feitos que técnicos calejados e com enorme rodagem ainda não conseguiram.

Hitzfeld conquistou sua primeira Bundesliga comandando o Dortmund

Em 1991, Ottmar Hitzfeld tomou uma das decisões mais importantes e desafiantes de sua carreira: trocar o Grasshopper pelo então decadente Borussia Dortmund. Ele reergue o BVB, tirou da rabeira e levou aos picos mais altos da tabela da Bundesliga. Sem contar os feitos internacionais! Hitzfeld levou o Dortmund para uma final de Copa Uefa e mais outra de Champions League. Nas duas, enfrentou a Juventus. Perdeu uma, mas levou a mais importante, a UCL.

De 1991 até 1997, Hitzfeld conquistou o Campeonato Alemão e a Supercopa Alemã em duas oportunidades, além de ser o técnico responsável por levar o Dortmund a seu único título de Champions League.

Anos mais tarde, Ottmar se tornaria o segundo técnico a conquistar a Champions League por dois times diferentes. Em sua passagem pelo Bayern de Munich, ele chegou a duas finais da competição da UEFA, mas só foi igualar Ernst Happel na segunda tentativa. Após perder tragicamente pro Manchester em 99, Hitzfeld conseguiu levantar a orelhuda pela segunda vez dois anos mais tarde, em Milão, na vitória do Bayern sobre o Valencia.

Além da UCL, os bávaros conquistaram três – finadas – Copas da Liga, duas Copas da Alemanha, um Mundial de Clubes e quatros títulos da Bundesliga na ” primeira era Hitzfeld”.

Ottmar sentiu saudades do clube bávaro e mesmo após deixar o clube em 2004, viu as portas abertas e decidiu voltar três anos depois para erguer mais uma Salva de Prata, além da Copa da Liga e da Copa da Alemanha.

Desde 2009, Ottmar Hitzfeld treina a Suíça e foi o responsável pela maior zebra da Copa do Mundo de 2010, ao bater a Espanha por 1×0.

O técnico alemão tem sido o encarregado de comandar a transição do futebol suíço, que antes era conhecido por suas retrancas e por um jogo “medonho”, mas que atualmente conta com uma geração jovem e talentosa – Shaqiri, Emeghara, Timm Klose, Ben Khalifa e Gavranovic são só alguns nomes que surgiram recentemente – e com alguns experientes que podem acrescentar bastante – como Derdyiok, Gokhan Inler, Barnetta e Diego Benaglio. Hitzfeld tem a missão de conseguir formar uma base sólida e levar este time para a próxima Copa do Mundo, já que a vaga na Eurocopa não veio.

Mesmo experiente, rodado e talvez até ultrapassado, Ottmar Hitzfeld ainda se mostra importante no mundo do futebol! Sua escolha é totalmente merecida. Poucos técnicos na Bundesliga tem números como os dele. Até agora, somente na Seleção Suíça ele não obteve grandes resultados, mas é um projeto totalmente diferente do que esteve envolvido em seus clubes. Hitzfeld conseguiu mostrar aos clubes alemães que mesmo não tendo o glamour de ligas como a inglesa e a espanhola, é possível quebrar as fronteiras de seu país e dominar a Europa!

Confira abaixo, os 5 mais votados e um pequeno histórico de cada um:

1 – Ottmar Hitzfeld

2 – Udo Lattek

Lattek treinou vários clubes alemães, mas obteve maior sucesso em Bayern e Monchengladbach. Nos bávaros, ganhou 6 Bundesligas, 3 Copas da Alemanha e uma Liga dos Campeões. Nos Potros, foram dois títulos alemães e uma Copa da Uefa.

3 – Otto Rehhagel

Assim como Lattek, Rehhagel passou por diversas equipes alemãs, tendo ganhado a Bundesliga duas vezes no Werder Bremen e uma vez no Kaiserslautern. Mas com certeza, seu grande feito foi ganhar a Eurocopa pela Grécia.

4 – Hennes Weisweller

Histórico técnico de Colônia e Monchengladbach, Weisweller conquistou quatro títulos da Bundesliga, três vezes nos Potros e uma vez pelso Bodes.

5 – Thomas Schaaf

Schaaf foi criado no Werder Bremen, jogou somente no Bremen e só treinou os Verdes. Um título alemão, três da copa alemã, além de uma final de Copa UEFA pra ele.