Le Podcast du Foot #73 | Real 3×1 PSG

A sonhada conquista da Liga dos Campeões da Europa ficou alguns quilômetros mais distante de Paris. O trio Neymar, Cavani e Mbappé sucumbiu a grandeza do Real Madrid e ao brilhantismo de Cristiano Ronaldo, perdendo por 3 a 1, na ida das oitavas-de-final, no Santiago Bernabéu. Na volta, em Paris, o PSG precisará vencer por 2 a 0 ou por três gols de diferença para seguir na competição.

Para analisar tudo que aconteceu no confronto de ida, Eduardo Madeira, Flávio Botelho e Renato Gomes estiveram reunidos na edição #73 de Le Podcast du Foot.

Unai Emery errou na escalação? Lo Celso ou Lass? Dí Maria poderia ter jogado? Thiago Motta fez falta? E o que mudar até a volta, no dia 6 de março? Tudo isso e muito mais foi aprofundado no programa que você escuta abaixo, no MixCloud:

Com Blanc, o PSG finalmente jogou futebol

O PSG perdeu apenas dois jogos na temporada

O PSG perdeu apenas dois jogos na temporada

No próximo dia 1, o técnico Laurent Blanc completará seis meses de trabalho no Paris Saint-Germain. Anunciado no dia 25 de junho, o campeão do mundo como jogador em 1998 iniciou sua caminhada na capital no primeiro dia de julho, e, mesmo em pouco tempo, já fez o PSG liderar o Campeonato Francês com sobras, se classificar para as oitavas-de-final da Liga dos Campeões e ainda apresentar algo que não foi visto com Carlo Ancelotti e muito menos com Antoine Kombouaré (técnicos do clube na era milionária): futebol.

Blanc já chegou balançando as estruturas e mexendo em quase tudo que fora planejado por Ancelotti, a começar pelo esquema tático. Enquanto o italiano utilizava o 4-4-2 britânico, com duas linhas de quatro rígidas e de pouca movimentação, o francês passou a adotar o 4-3-3 com meio-campistas bem participativos e atacantes livres para flutuar por toda intermediária.

PSG 12-13PSG 13-14

O novo treinador também tratou de retirar das catacumbas do Parque dos Príncipes jogadores como Thiago Motta e Gregory van der Wiel, que não estavam no gosto principal de Ancelotti. O retorno do volante ítalo-brasileiro era esperado (como dito aqui no blog), afinal, Blanc sempre foi inclinado a escalar volantes de maior poder de marcação na faixa central.

Mas Motta não tem sido aquele volantão a moda antiga, daqueles que só bate e toca de lado. O italiano se notabilizou por distribuir vários lançamentos longos, originando diversas jogadas de ataque. Além disso, Motta é um dos homens das bolas paradas do time de Blanc.

O que surpreendeu foi a inclusão de van der Wiel no time titular. Via redes sociais, muitos me questionavam sobre o motivo de ele ser banco do mediano Christophe Jallet, e sempre fui direto: “van der Wiel tem atrapalhado na defesa, onde é ‘avenida’, e não contribui no ataque. Jallet tem sido mais correto”. Nesta temporada, tudo mudou.

Com Blanc, van der Wiel foi de vital auxílio ofensivo no PSG, dando dois passes para gol no Campeonato Francês e quatro na Liga dos Campeões. Defensivamente também não tem atrapalhado. Os espaços que normalmente deixava foram corrigidos com menos afoiteza no ataque. No mano-a-mano defensivo, o holandês é quase impecável. No ataque, as assistências citadas acima registram bem isto. Enquanto isso, Jallet tem ficado fora até mesmo do banco de reservas em diversas partidas.

Dinamismo de Verratti

Verratti se tornou peça chave no PSG de Blanc

Verratti se tornou peça chave no PSG de Blanc

Quem também tratou de acordar pra vida foi Marco Verratti. Desconhecido quando contratado, mas muito bem recomendado por quem o viu jogar pelo Pescara, o italiano chegou trazendo a expectativa de ser o maestro do meio-campo parisiense. Na primeira temporada, nada disso aconteceu e Verratti se notabilizou pela violência: 11 cartões amarelos em 27 partidas no Campeonato Francês.

Mas o jovem de 21 anos se controlou com Blanc e recebeu cinco cartões no primeiro turno. Número ainda elevado, mas que não sobrepõe o bom futebol apresentado. Tendo maior liberdade e sem perder o compromisso com a marcação, o italiano trouxe dinâmica ao antes quadrado jogo do PSG. Toques rápidos, visão de jogo e qualidade na armação de jogadas do círculo central foram algumas das virtudes do atleta que deu quatro passes para gol no Campeonato Francês.

Não podemos deixar de citar Blaise Matuidi, o pulmão parisiense. É o ‘casamento’ de características dele com Motta e Verratti que faz o meio-campo do PSG ser o melhor da França.

Jovens progredindo

Com Ancelotti, os jovens não tinham vez. Ele até lançou Adrien Rabiot e Kingsley Coman, mas foi na emergência. O primeiro, inclusive, foi emprestado ao Toulouse e muitos diziam que nem voltaria ao clube pela dificuldade em encontrar espaço. Com Blanc tem sido diferente.

Rabiot se tornou uma das alternativas do treinador e já participou de 22 partidas, tendo balançado as redes uma vez. Outro jovem que ganhou espaço é Hervin Ongenda. Um dos mais jovens jogadores a marcar com a camisa parisiense (fez gol na Supercopa Francesa), o atacante de 18 anos já foi utilizado quatro vezes e deu um passe para gol.

No geral, Blanc aproveitou oito jogadores de nível Sub-23 em todas as competições que o Paris Saint-Germain participou.

Arma letal

Ibra e Cavani foram responsáveis por mais de 40 gols parisienses

Ibra e Cavani foram responsáveis por mais de 40 gols parisienses

Por fim, o grande trunfo de Laurent Blanc e grande responsável por fazer o time parisiense apresentar um futebol bom se ver foi o entendimento da dupla Zlatan Ibrahimović e Edinson Cavani.

Para muitos (me incluo nessa), os dois só seriam encaixados no 4-4-2, mas Blanc conseguiu explorar Cavani no lado direito do 4-3-3, coisa que já fazia na seleção uruguaia, e sem medo de barrar Lucas. Essa mexida deu certo porque o trio completado por Ezequiel Lavezzi não é nada estático.

Ibrahimović está mais para um meia-armador do que centroavante, algo que sugere o esquema tático no papel. É normal ver o sueco trabalhar com a bola próximo da risca central, criando jogadas e agindo como um legítimo armador. E essa movimentação possibilita a Cavani a ocupação da grande área, coisa que Lavezzi, por exemplo, não seria capaz de fazer.

Para exemplificar esta movimentação, separei o primeiro gol da vitória por 2-1 sobre o Nantes, ainda na 3ª rodada. Observe o local do campo em que Ibrahimović recebe a bola e também a movimentação de Cavani, sempre buscando o espaço vazio na grande área.

Os números da dupla também assustam. Juntos, Ibrahimović e Cavani somam 41 gols em todas as competições. Além disso, Ibrahimović já deu seis passes para gols, todos no Campeonato Francês.

O que impressiona mais ainda é que será uma tremenda mentira se você falar que “o Paris Saint-Germain é só Ibrahimović e Cavani”. É óbvio que o time perde muita força sem os dois, mas o PSG não é só isso. É Verratti, é Motta, é Maxwell, é Sirigu, é Matuidi… É um time muito forte e que não sobrevive à custa de uma dupla fora de série.

Com Laurent Blanc, os torcedores parisienses puderam ver algo que há tempos não viam: futebol. Bola no chão, toques rápidos, paciência, verticalidade e dinamismo. Esse é o PSG de Blanc, esse é o time do técnico que muitos diziam ser tampão. Esse é o time que tem banca para chegar ao topo da Europa.

Vitória com o dedo de Leonardo

 

Esse polegar ajudou a mudar a Inter (Getty Images)

Na tradicional rodada do dia dos reis na Itália, tivemos uma rodada perfeita pro Milan, mas não foi por isso que a rodada se destacou, e sim pela estreia do técnico brasileiro, Leonardo no comando da Inter.

Foi a primeira vez que o brasileiro esteve na beira do campo comandando a Inter e logo já deu para ver o time Nerazzurri com uma ‘pitada’ de Leonardo. O treinador mexeu no esquema e já deu para ver que deu certo.

Na época de Benítez, a Inter jogava na maioria das vezes no 4-2-3-1 e logo em sua estreia, Leonardo optou pelo 4-3-1-2. O único desfalque a ser sentido foi Sneijder – o “1” do esquema – que foi substituído pelo sérvio Dejan Stankovic.

Cambiasso foi o "elemento surpresa" no segundo gol (Getty Images)

O meio campo da Inter apresentava um losango. Cambiasso jogava mais recuado, Zanetti ficava na direita, Thiago Motta na esquerda e Dejan Stankovic na armação, e esse meio campo apresentava uma movimentação interessante, com jogadores trocando de posição e principalmente, com boa chegada ao ataque. Assim a Inter conseguiu dois gols no Napoli. Primeiro, Thiago Motta tabelou com Stankovic na entrada da área e acertou um belo chute sem pulo; No segundo gol, quando a partida já estava 1×1 – Pazienza, de cabeça havia deixado tudo igual -, Maicon jogou na área e Cambiasso disparou para cabecear. O interessante do gol foi que Cambiasso literalmente disparou pro gol, pois ele estava marcado na entrada da área e na saída do cruzamento, ele se desmarcou e chegou em extremas condições de cabeceio. Na etapa final, um gol matou de vez o Napoli, o de Thiago Motta de cabeça.

Mas a Inter realmente mostrou uma diferença em relação aos outros jogos. Seu meio-campo não era tão exposto quanto na época ne Rafa Benítez, os meio-campistas trocavam constantemente de posição, Maicon voltou a ser uma válvula de escape, mas há pontos que devem ser destacados: O lado esquerdo de defesa continua tendo certa fragilidade e Milito, embora tenha brigado muito e se esforçado, fez uma partida muito ruim. O argentino deu sequencia a poucas jogadas e ainda ficou em impedimento várias vezes.

Thiago Motta foi o destaque na estreia de Leonardo (AP)

Enquanto o Napoli mostrou uma grande deficiência, que foi a troca de passes no campo de ataque. Embora seja uma equipe que necessite jogar com espaços, em outras palavras, uma equipe de contra-ataque, o time napolitano conseguia ocupar o campo de ataque, mas nas horas decisivas, costumava errar muitos passes. Hamsik esteve apagado em campo, Lavezzi só apareceu na etapa inicial, enquanto Cavani foi o melhorzinho, pois se movimentou e buscou o jogo.

A situação da Inter melhora…mas ainda não é boa. Os Nerazzurri estão na 6ª colocação, seis pontos atrás na 4ª colocação, Roma e 13 atrás do líder Milan. Mas cabe destacar que a Inter tem dois jogos à menos que a maioria dos times. Já o Napoli deu uma desgrudada do Milan. Mesmo estando na 3ª colocação, os Azzurris vêem os Rossoneros abrirem seis pontos na liderança.

Giro Rápido

>>A Lazio perdeu a chance de encostar no Milan e ficou no 0x0 com o Genoa em Gênova.

>>A Roma entrou de vez na briga por uma vaga na Champions League ao vencer o Catania por 4×2. Os Gialorrossi ocupam a 4ª colocação.

>>Jornada para ser esquecida pela Juventus. Primeiro, Felipe Melo dividiu com Paci e no chão, deu um legítimo ‘coice’ no adversário e foi expulso, complicando a vida da Vecchia Senhora, que levou uma surra por 4×1 contra o Parma em casa.

>>Sinal de alerta acesso na Fiorentina – agora time do goleiro brasileiro Neto, que terá de concorrer com os bons goleiros Frey e Boruc – que empatou em 1×1 com o Bologna e com 20 pontos, está na 16ª colocação, cinco pontos acima da zona de rebaixamento.

>>Outros resultados: Brescia 1×2 Cesena; Udinese 2×0 Chievo; Palermo 3×0 Sampdoria; Lecce 0x1 Bari

Reprodução: ESPN