Acabou o amor

A temporada 12/13 será a única de Barton na França?(Getty Images)

A temporada 12/13 será a única de Barton na França?
(Getty Images)

Antes de pisar em gramados franceses de forma oficial, falei aqui mesmo que o meio-campista Joey Barton parecia mais simpático (!) após sua transferência para o Olympique de Marseille. Carregando uma pesada suspensão oriunda de seus turbulentos tempos de Queens Park Rangers, o inglês demorou a estrear no Campeonato Francês e foi um ilustre torcedor do OM. Durante este período, Barton foi só elogios a tudo, ao time, ao técnico, aos jogadores, a torcida, a cidade, a comida, ao tio do táxi, a velhinha da lanchonete… Os ares da litorânea cidade francesa pareciam ter arejado sua confusa cabeça.

Foi só aparência.

Logo veio 2013, junto chegou à má fase do Marseille, a primeira expulsão – injusta, por sinal – e as diversas polêmicas, a grande maioria gerada via Twitter. A princípio, essas confusões criadas na rede social afetavam apenas sua imagem, mas foi só o Marseille ser envolvido que a diretoria se viu na obrigação de tomar as rédeas da situação.

A gota d’água foi nesta semana quando o brasileiro Thiago Silva, em entrevista ao L’Equipe, disse não conhecer “o inglês falastrão do Marseille”, fazendo referência as ultra dimensionadas críticas de Barton à Neymar. O britânico, como não poderia deixar de ser, não ficou quieto e chamou o capitão parisiense de “supervalorizado, metrossexual e gorducho”.

A confusão atingiu os clubes e o PSG entrou como uma ação no Comitê Disciplinar da LFP – Liga de Futebol Profissional da França – contra Barton, ação que não resultou em nada, porém, o Olympique de Marseille teve de soltar uma nota oficial pedindo desculpas ao clube e a Thiago. Além disso, deve ter existido alguma cobrança interna.

Nós, brasileiros, ajudamos a “criar esse monstro”, devemos reconhecer. Se a repercussão das primeiras críticas a Neymar fosse justa, o assunto morreria na hora. A única coisa minimamente relevante no caso foi o fato de um jogador criticar outro, coisa rara nos dias atuais, mas apenas isso, nada relacionado com o tamanho absurdo da repercussão que observamos até hoje. Porém, acabamos dando os holofotes que o inglês queria.

Mas o grande fato é que Joey Barton ultrapassou os limites ao atacar Thiago Silva. Sua temporada é boa, ele é titular do time de Élie Baup e é peça importante do meio-campo do Marseille, mas seu contrato acaba no fim da temporada e confusões como essas fazem a diretoria do clube pensar mil vezes antes de tentar uma renovação.

Sem falar do fator técnico. Barton é bom jogador, não mais que isso, está na média. Dá para arrumar alguém melhor e mais jovem tranquilamente e é aí que pesam as polêmicas. Qual a validade de ter um jogador bom e experiente, mas que se “sobressai” nas confusões extracampo? É mais vantajoso garimpar um garoto que tenha potencial pra superá-lo tecnicamente e que ainda se comporta fora das quatro linhas e fica mandando mensagens de Deus na internet.

Nessas horas que falta inteligência à Barton. Se controlar em uma discussão no mano-a-mano, sendo xingado na cara dura é uma coisa, mas manter a postura estando com um computador, notebook, tablet ou qualquer coisa parecida em mãos é diferente, era pra ser muito mais tranquilo. A questão pode ser resolvida se o inglês parar por trinta segundos e pensar que aquilo prejudica a imagem e sua carreira, que já não é das mais bem resolvidas.

Outra questão que Barton parece não observar é da adoração que a torcida tem por ele. Idolatria chega a ser exagero, mas os fãs olimpianos criaram respeito pelo inglês, fazendo com que todo gosto do inglês para o ambiente de Marseille não ficasse reservado para um único lado, mas para as duas partes. Suas polêmicas fora de campo talvez não afetem sua imagem com o cego torcedor, mas com os dirigentes é outra história e uma dispensa passa a ser considerada. Essas atitudes extracampo podem provocar a decepção justificada de milhares de torcedores

Aquele bom moço que apareceu quando chegou a Marseille sumiu, o bad boy reconhecido mundialmente está adormecido, mas o jogador que aparece mais fora de campo do que dentro dele ainda está ativo. Isso já marcou negativamente a carreira de Joey Barton e deve cravar sua saída do Olympique de Marseille.

Um jogo com a cara do campeonato

Todo fim de semana estou de olho no Campeonato Francês e admito que o futebol do país não tem uma cara definida para mim. Afinal, como descrever o estilo de jogo de uma nação que possui um campeonato com dez campeões diferentes em vinte temporadas seguidas e que ainda contou com um time heptacampeão neste período? O “Francesão” é um torneio, de certa forma, imprevisível.

É justamente essa a cara que o principal jogo de dezembro na França nos transmite. Paris Saint-Germain e Olympique Lyonnais conseguiram, em um curto espaço de tempo, passar por momentos completamente opostos, o que torna o desafio do próximo domingo uma tarefa inglória de se prever o resultado.

O PSG passava por grave crise há duas semanas, com Carlo Ancelotti e Leonardo tendo seus cargos ameaçados. O italiano falou que faria “mudanças radicais” e de lá pra cá, foram três jogos, um novo esquema tático e 100% de aproveitamento. Enquanto o Lyon, que há pouco tempo era massacrado pelo Toulouse de Ben Yedder, conseguiu se recuperar e disparar na liderança. Porém, com o inesperado empate diante do vice-lanterna Nancy, a história mudou de figura e um tropeço contra a equipe da capital pode resultar em perda da liderança.

Ibra é o artilheiro isolado da Ligue 1

Ibra é o artilheiro isolado da Ligue 1

Para o confronto do domingo, o grande trunfo parisiense é Zlatan Ibrahimović. O sueco está impossível e já balançou as redes em 17 oportunidades. O que serve de alento para a torcida do PSG é que, o que era “Ibradependência” semanas atrás, começa a se tornar conjunto. Ancelotti adotou o 4-4-2 no melhor estilo britânico, com duas linhas de quatro e dois homens na frente, sendo um mais móvel. Essa formatação tática tem dado certo principalmente pela participação mais efetiva de Javier Pastore, Jérémy Ménez e Ezequiel Lavezzi.

El Flaco Pastore, caracterizado como um meia mais cerebral e de posicionamento fixado no centro, passou a jogar na beirada do campo e acordou pra vida. O argentino tem mostrado um futebol ainda não visto em terras francesas, com passes mais vistosos, ágeis e inteligentes. A imprensa francesa notou isso e tem elogiado demais o garoto.

Já Lavezzi e Ménez têm ganhado mais notoriedade pela movimentação. Ambos não se fixam em suas posições e flutuam bastante entre a beirada do campo e a grande área, não só confundindo as marcações adversárias, como auxiliando Ibrahimović. A citada dupla teve parcela considerável nas recentes vitórias.

Lá atrás, nem é preciso comentar muito. Thiago Silva tem sido o maestro e um dos poucos alheios as oscilações que o time tem enfrentado. Ao seu lado, vinha ganhando entrosamento com Alex, mas com a lesão do compatriota no duelo diante do Valenciennes, fica a dúvida do rendimento de Mamadou Sakho, que caiu demais do princípio de temporada pra cá. Nas laterais, Maxwell se fixou como um dos melhores da posição, deixando até a pergunta no ar: por que o PSG corre tanto atrás de outros laterais esquerdos?

Mas não custa reforçar: essa é a impressão do PSG dos últimos três jogos, porque anteriormente víamos muita dependência de Ibrahimović, enorme lentidão e pouca organização. Além disso, os jornais franceses destacavam toda hora algumas “guerras de egos” – supracitada em nosso podcast semanal – que podem resultar em transferências na janela de inverno.

Já o Lyon pode sim ser considerado uma das surpresas do campeonato. Tradição à parte, o clube presidido por Jean-Michel Aulas se enfraqueceu demais nos últimos anos e não conseguiu repor seus principais jogadores com o nível desejado. Estar na liderança com uma equipe formada por muitos pratas da casa é uma surpresa.

Malbranque e Gomis são os grandes nomes do Lyon na temporada

Malbranque e Gomis são os grandes nomes do Lyon na temporada

A cada rodada que passa, os nomes de Maxime Gonalons, Clément Grenier e Alexandre Lacezette se tornam mais conhecidos França afora, todos são crias do Lyon. Até mesmo o veterano Steed Malbranque – que ficou um ano parado -, outro formado no clube, soltou suas manguinhas e é um dos melhores jogadores do campeonato, sendo cogitado até para a seleção francesa. Além destes, Samuel Umtiti, Rachid Ghezzal e Yassine Benzia passam a ganhar espaço com Rémi Garde.

No ataque, a dependência de Lisandro Lopez não é mais tão explícita. O argentino passou algum tempo machucado e a estrela de Bafetimbi Gomis brilhou nesse período. O Predador tem 10 gols no Campeonato Francês – o dobro de tentos que Lisandro anotou -, sendo cinco entre novembro e dezembro.

Protegendo a meta, Remy Vercoutre fez valer toda a confiança imposta por Aulas e tem substituído Lloris a altura. Quem não tem valorizado a força dada pelo presidente é Yoann Gourcuff. O meia até tenta jogar, quando entra em campo colabora bastante, mas seu físico é muito frágil, tanto que só fez oito partidas na Ligue 1, conseguindo completar os 90 minutos apenas duas vezes – o máximo de minutos que jogou até ser substituído foi 74.

Aliás, as lesões tem sido a grande barreira do caminho de Rémi Garde. Além de Gourcuff, nomes úteis como Jimmy Briand e o já citado Clément Grenier também estão no departamento médico. Além disso, Lisandro e Lovren retornam aos poucos de contusão e talvez não atuem por muito tempo.

Esses problemas do Lyon tornam o duelo, de certa forma, mais interessante. Claro que seria melhor assistirmos dois times com forças máximas, mas o contraste das equipes no Parque dos Príncipes será um tanto quanto curioso: de um lado, o Paris Saint-Germain, clube milionário e que busca os jogadores mais caros do mundo a qualquer preço; do outro lado, o Lyon, clube multicampeão na última década, mas que enfraquecido, se vê na obrigação de colher o que plantou em sua horta. Esse é o jogo que deve traçar o futuro das equipes nas próximas semanas, mas o “Francesão” é tão imprevisível que este duelo pode não decidir nada.

*Imagens: Getty Images

Veja como ficou a Seleção Europa Football

O amigo internauta, de boa fé participou, espalhou, votou e montou a Seleção Europa Football da temporada 2010/11.

Antes do resultado, deixa eu rasgar um pouquinho de seda. Muito obrigado a todos que votaram. Cada enquete – 12 no total – tiveram pelo menos 30 votos, o que pode parecer pouco, mas pra este humilde blogueiro é ótimo, mostra que há malucos que acessam este blog. Um muito obrigado e o resultado!

Técnico: Guardiola - 52%