Le Podcast du Foot #95 | O Monaco tem salvação?

A situação do Monaco no Campeonato Francês é calamitosa. Acumulando tropeços, alguns bem acachapantes, como uma derrota para o Strasbourg por 5 a 1, em pleno estádio Louis II, o time treinado por Thierry Henry está na vice lanterna e não parece ter forças para escapar do rebaixamento.

Até mesmo após a movimentação na janela de inverno, com a chegada de nomes pesados, como Cèsc Fàbregas e Naldo, o time não anda. Para ter uma noção, Henry treinou os monegascos em 20 jogos e perdeu 11 deles. É uma crise profunda que não parece ter fim.

Afinal de contas, o Monaco tem salvação? Para analisar os cenários e tentar responder a essa questão, Eduardo Madeira, Renato Gomes e Pedro Henrique Natário se reuniram na edição #95 de Le Podcast du Foot.

Dê play abaixo e escute a mais nova edição do programa:

Fora Benzema (?)

Até onde vai a paciência com Benzema?(Getty Images)

Até onde vai a paciência com Benzema?
(Getty Images)

O nome de Karim Benzema finalmente começou a ser questionado na seleção francesa, infelizmente, pelos motivos errados. O movimento francês Front National (FN), por meio de sua presidente, Marine Le Pen, criticou o atacante do Real Madrid por não cantar o hino nacional antes dos jogos da seleção e cobra a exclusão do jogador nas próximas convocações.

Antes de entrar no mérito das críticas levantadas, vale lembrar que o FN é qualificado como um grupo político de extrema-direita, apesar de Le Pen e outros membros afirmarem que “não são nem de direita, nem de esquerda”. Além disso, o FN tem características neofascistas e de repressão a imigrantes.

Creio que a maioria dos leitores passou a desconsiderar as críticas do FN apenas lendo o segundo parágrafo e com alguma razão, afinal de contas, Karim Benzema é neto de argelinos, apesar de ter nascido e vivido em Lyon boa parte de sua vida.

E convenhamos, os franceses poderiam enumerar diversos motivos que classificam como vergonhosos e antipatrióticos em sua seleção, menos o que foi levantado pelo FN. A baderna na África do Sul, as escolhas “astrais” de Raymond Domenech, a falta de respeito com outros profissionais como Carlos Alberto Parreira do próprio Domenech e por aí vão os inúmeros motivos que você pode escolher.

Cantar o hino é o menor dos problemas. Como o próprio Benzema chegou a dizer, “se marcar três gols, ninguém vai reclamar do fato de não cantar o hino”. Esse nacionalismo nas seleções nacionais não existe mais, essa é a realidade, sem falar da série de regras empíricas que o mundo tenta impor em todos os âmbitos da sociedade. “Não canta o hino, não gosta do país”, “não faz tal coisa, é isso”, “faz tal coisa, é aquilo”, essa tentativa de padronização que há no mundo incomoda e o futebol, que muitas vezes parece ser um mundo novo e diferente, se assemelha ao que vemos diariamente em nossa vida.

Mas olhando para dentro de campo, vale questionar a presença de Benzema na seleção francesa? A convocação, creio que não, mas seu status de intocável no time titular, sim. Como destaquei em outubro de 2012, o atacante tem números ruins pela seleção, principalmente se compararmos com Thierry Henry, principal referência da posição na França na última década.

Aos 25 anos, Henry tinha marcado 16 gols em 45 partidas internacionais, sendo três gols na Copa do Mundo de 1998 e outros três na Eurocopa de 2000. Benzema, que completou 25 anos em dezembro de 2012, fez 55 partidas, mas apenas 15 gols. Seu último tento foi anotado no dia 05 de junho de 2012 contra a Estônia, desde então, o atacante participou de dez jogos – sendo quatro pela Eurocopa – e saiu de campo sem marcar gols em todos eles. Enquanto isso, a maior seca de Henry foi em sua fase descendente e perdura até hoje. Desde o gol marcado contra a Áustria em outubro de 2009, o atacante disputou oito partidas, incluindo duas pela trágica Copa do Mundo de 2010, mas não balançou as redes. Nunca mais foi convocado após a citada competição.

Para piorar o cenário envolvendo Benzema, sua situação no Real Madrid não é das melhores. Após 37 jogos na temporada, o francês balançou as redes em 15 oportunidades, número mais baixo desde seu ano inicial com a camisa madridista, onde fez nove gols em 33 partidas. Aliás, Benzema tem aparecido mais fora de campo – chegou a ser multado por andar em alta velocidade – do que dentro dele, não à toa, Gonzalo Higuaín tem tomado seu espaço no time de José Mourinho.

Benzema se defende das diversas críticas envolvendo essa seca de gols, tanto no clube, quanto na seleção, afirmando que tem criado muitas chances para seus companheiros marcarem, mas quando você é o principal atacante de sua seleção, esse argumento se torna vazio. Seus companheiros é que deveriam criar chances para você e não o inverso.

O técnico Didier Deschamps tem que rever essa situação, afinal, Olivier Giroud e Bafétimbi Gomis pedem passagem. Apesar de não viverem seus melhores momentos – principalmente o atacante do Lyon –, ambos marcaram em amistosos recentes e aparecem como melhores opções para o lugar de Benzema. Deschamps sempre foi um técnico enérgico e nunca pestanejou diante de estrelas, o problema será controlar o nada frio ambiente da seleção francesa caso a exclusão do madridista do time titular cause grandes transtornos.

Mas é uma pena que essa válida discussão sobre a omissão de Benzema em comparação com estrelas do passado venha aparecer por causa de uma crítica política descabida. Se o atacante merece perder espaço na seleção francesa, é pelo futebol apresentado e não por deixar de cantar o hino nacional.

Bastou uma bola

Desfalcado por causa da CAN, Wenger teve de ir atrás de um velho ídolo (Arsenal.com)

Era quinta-feira à noite e de férias, estava de bobeira. Eis que recebo a escala de transmissões da Futebol Plus. Nesta escala, sou convocado para a transmissão de Arsenal e Leeds United pela Copa da Inglaterra, juntamente com os bravíssimos Felipe Silva e Thiago Ienco. Logo bateu aquela ansiedade para a partida. E o motivo era único, Thierry Henry.

Sua contratação ainda não havia sido oficializada, mas todos já davam como certo seu retorno. O próprio Arsene Wenger, técnico do Arsenal, já mostrava otimismo para com a vinda do eterno ídolo Gunner.

Não sou torcedor do Arsenal – aliás, não torço pra ninguém na Inglaterra – mas nunca neguei a ninguém a minha paixão pelo futebol francês. Isso não ficou preso somente aos clubes franceses e se estendeu também para a seleção francesa. Por isso virei um admirador do futebol de Henry. Com 51 gols, ele é o maior artilheiro da história de Les Bleus, com dez gols à mais que Michel Platini e vinte em relação a Zinedine Zidane. Sem falar que The King é o segundo jogador que mais atuou com a camisa francesa, 123 jogos.

O fato de ser símbolo do Arsenal na última década se tornou a cereja do bolo.

Chegava sexta-feira e o que todos já sabiam, apenas se concretizou. Henry retornara ao Arsenal por dois meses!

E lá estava eu catando notícias e informações importantes para comentar a peleja. No então jogo, teria de cobrir o Arsenal e não dava outra: só se falava em Henry. A cada dez notícias no site Gunner, oito eram sobre o francês. Poderiam ser as palavras do francês, de Wenger, de qualquer outro jogador ou até do porteiro do clube… Só se falava de Henry!

Parecia que nos lados londrinos, se importavam mais com a presença do francês no duelo contra o Leeds do que propriamente com a partida. Apenas o time adversário estava ligado no jogo. Como manda o figurino dos visitantes, The Whites jogaram fechados – pra não dizer retrancados – e ficaram esperando “uma bola” pra decidir.

Já os jovens Gunners  pareciam agoniados em campo. Não encontravam espaços e sempre paravam na barreira adversária. A sensação era de que eles queriam provar que poderiam vencer a partida sem Henry. Mas não dava! O atacante era Chamakh e não Henry. O marroquino foi decisivo em seus tempos de Bordeaux, mas contava com Gourcuff em grande forma – evento único -, por isso, recebia diversas “bolas redondas”. Nos Gunners, tinha de se virar com bolas nem tão “arredondadas” e mostra não ser um grande atacante.

Henry iniciou no banco de reservas, assim como o poupado Walcott (Arsenal.com)

Enquanto o Arsenal penava para furar a firme defesa do Leeds, Henry estava lá, quietinho no banco, só esperando a sua vez. Uma hora não teve jeito, ele precisou ser chamado por Wenger. O frisson foi de outro mundo. Era nele que a torcida do Arsenal depositava a sua confiança de dias melhores. Não era em Chamakh, Arshavin, Ramsey ou qualquer outro, nenhum deles chegava aos pés de Henry.

67 minutos! Este foi o tempo que a torcida do Arsenal precisou esperar para ir ao delírio. Exatamente no minuto 67, Henry entrara em campo no lugar do apagado Chamakh.

Bastou apenas uma bola pro francês tirar o grito de gol que estava entalado na garganta dos torcedores. Poucos mais de dez minutos em campo foram necessários para Henry receber uma bela bola de Song e mandar pras redes. Foi gol de artilheiro! O francês recebeu já com o corpo posicionado pro tiro colocado. Cabeça erguida, sem perder a bola e o goleiro de vista. Henry simplesmente ajeitou e bateu colocado, marcando o gol que colocou o Arsenal na fase seguinte da FA Cup.

Henry precisou somente de uma bola pra decidir o duelo (Arsenal.com)

Agora vestindo a 12 que lhe consagrou na Seleção da França, Henry proporcionou uma vibração nunca vista por torcedores do Arsenal no Emirates Stadium. Os Gunners estão carentes de títulos! Eles estão cansados de ver seu time bater um oponente direto na briga pelo título e cair diante de times pequenos. Henry trouxe essa alegria de volta!

Serão dois meses de pura nostalgia pro torcedor do Arsenal. Não é garantido que nesse período, Henry vá fazer gols à rodo e os Gunners irão iniciar uma arrancada rumo ao título inglês, mas à cada gol do francês, o torcedor do Arsenal vai se lembrar dos tempos em que Henry, Pirès, Vieira e Ljungberg eram uma das equipes mais poderosas do planeta.

Henry já deve ter pedido a força física, velocidade, arranque, talvez até um pouco da inteligência dentro de campo, mas o faro de gol… Ah, o faro de gol! Vai precisar acontecer um estrago daqueles pra ele perder isso.

Com a 12, Henry se consagrou na França, mas no Arsenal? Igualará seus feitos com a 14? (Arsenal.com)

Após o jogo, Henry deu entrevistas destacando o que sente pelo Arsenal. Não é força de expressão, a torcida o ama e ele os ama também. Henry não precisa fazer “coraçõeszinhos” pra demonstrar esse amor. Ele mostra isso voltando ao clube, se dedicando dentro de campo, marcando gols e se tornando cada vez mais um ídolo Gunner.

Sou fã de Henry. Um monstro! Um dos melhores atacantes que já vi. Cabe facilmente no top 5 da França na última década e talvez até no top 5 mundial do mesmo período. Habilidoso, inteligente, matador e decisivo. O Arsenal pode crescer com ele e van Persie, mas sempre ficará aquela pontinha de desconfiança: “até quando Henry aguenta?”. Dois meses me parece tempo suficiente pro francês dar aquele último gás na carreira. Se for notado que o agora camisa 12 pode aguentar mais, por que não insistir com o pessoal do NY Red Bulls pra liberá-lo por mais um tempo?

PS: O servidor nos derrotou e não conseguimos transmitir a partida pela Futebol Plus