Pássaro novo na Renânia do Norte-Vestfália

Não! Não é um post ecológico que vai defender o habitat natural de aves da região alemã. Por incrível que pareça, falo de futebol.

É que recentemente, migrou para a cidade de Leverkusen um tal de pardal. Dizem que ele é professor e que descolou um emprego de treinador do time da região que disputa a primeira divisão da Bundesliga.

É, pard... ops, Dutt! (Reuters)

Antes de me esquecer, chamam esse pardal de Robin Dutt!

Já faz algumas rodadas que fiquei com essa impressão do pobre cidadão, mas antes de acusá-lo injustamente, decidi ter calma, pois ele quase levou o Freiburg para a Europa League na última temporada, era início de trabalho no Leverkusen e se ele fez um time como o Freiburg, com poucos investimentos e jogadores bem limitados, quase ir para a Europa League, por que ele não conseguiria com um time de maior investimento e de jogadores renomados como o Leverkusen?

Não acusei nada, não quis me precipitar, mas acho que este é o momento certo para botar a boca no trombone: Robin Dutt é sim um professor pardal!

A prova final veio hoje. O Leverkusen vencia o Hamburgo na BayArena por 2×0 e cedeu o empate ao HSV. Se eu pudesse escolher um único culpado, seria Dutt.

Na primeira etapa, o Leverkusen estava armado num interessante 4-3-3, com Rolfes jogando centralizado, protegendo a defesa e com a dupla Bender e Ballack saindo pro jogo. Mais na frente, Sam e Schürrle jogavam abertos, com Stefan Kiessling na referência. Esse esquema deu certo. Até sair o primeiro gol, o Leverkusen não deixou o Hamburgo jogar. Depois que o primeiro zero saiu do marcador, a deficiência do adversário permitiu um domínio maior dos Aspirinas.

A saída de bola do Hamburgo era muito lenta e feita somente de toques de lado. O time não avançava com a pelota! O Leverkusen nem fazia força pra roubá-la, pois sabia que uma hora ou outra, o HSV erraria um passe. O segundo gol, marcado por Lars Bender foi de total merecimento, não só pro Leverkusen como pro jogador. O irmão de Sven – jogador do Dortmund – era o condutor do time. Fez sua parte na defesa e controlava o ritmo ofensivo da equipe. Foi o melhor em campo na etapa inicial.

O gol que o Leverkusen sofreu no final da primeira etapa foi só uma repetição de jogos passados: bola na área, surge alguém livre e manda pras redes. Esse “alguém” no caso foi o zagueiro Heikko Westemann.

Não era pro Leverkusen sofrer tanto por um gol bobo… mas sofreu demais e agradeceu aos céus quando ouviu o último apito de Knut Kircher.

Era só botar a cabeça no lugar e voltar pra etapa final… assim como era pro Leverkusen seguir tranquilo após o gol sofrido…

Se vira, Reinartz (Reuters)

Robin Dutt resolveu agir e tirou de campo Sidney Sam para colocar Reinartz. Pra quem não acompanha a Bundesliga, Sam é meia/atacante, enquanto Reinartz é zagueiro, mas sabe Deus porque, Dutt o colocou como volante. Deu tudo errado! Ele mexeu na estrutura do meio campo e o time morreu.

Rolfes passou a jogar atrás de uma linha de quatro formada por Schürrle, Reinartz, Ballack e Bender, pelo menos eu acho que era isso, pois o time de desestruturou. Um negócio escroto e sem noção que o nobre pardal armou. Dutt acabou com seu meio campo, viu o Hamburgo pressionar e empatar, com Jansen.

Dutt percebeu a besteira que havia feito e tirou de campo Rolfes e colocou Derdyiok. O esquema ficou semelhante ao original, mas o atacante suíço não tem a agilidade de Sam – que estava muito mal na partida, diga-se de passagem – e por isso tornava o esquema apenas “semelhante”.

A grande mudança que esse esquema causou foi no surgimento de Castro. Reconhecidamente um lateral ofensivo, o camisa 27 ficou muito preso, porque Reinartz “inteliJentemente” subia junto com ele e ficava um enorme buraco na direita. Até que chegou o momento que Castro se tocou que era pra ficar atrás… Quando Derdyiok entrou e Reinartz virou o primeiro volante, Gonzalo Castro pôde avançar com mais tranquilidade.

"Eu mal tenho condições de jogar, vou ter mesmo de decidir..." Deve ter pensado o mascarado Ballack

Nada disso adiantou pra tirar o 2×2 do placar.

Dediquem esse marcador a Robin Dutt, que destruiu o time do Leverkusen. Tinha uma equipe muito bem armada na primeira etapa, desarrumou, sabe-se lá porque tirou Bender da faixa central e abriu na esquerda, colocou um zagueiro de volante, prendeu seus dois laterais – que tem boas qualidades ofensivas – e fica achando que Ballack, jogando o que está jogando, será a solução de seus problemas. Pobre coitado…

…e o Hamburgo!

Já vejo evoluções no time. Claro que táticamente fica difícil notar alguma grande mudança nesse início de trabalho de Thornsten Fink, mas a grande dessarrumação vista anteriormente sumiu. Os laterais sobem alternadamente, Marcell Jansen já vem entendendo o que significa jogar no meio campo e parou de ficar sempre esperando que alguém de trás venha salvar sua vida, percebendo que ele é que tem de salvar a vida de quem está à sua frente.

Também está nítido que a posição de Gokhän Töre é mesmo aberto na direita. Antes do início da temporada, falei que a técnica deste garoto me chamou a atenção e centralizado ele não conseguia mostrar o que tinha de melhor. Pelo flanco direito, Töre consegue criar jogadas mais agudas, vide o lance do segundo gol do Hamburgo, onde ele veio por dentro e deu belo passe por elevação para Jansen, que concluiu para as redes.

…e a arbitragem!

Está uma lástima nesta rodada! Na sexta, o senhor Guido Wilkmann deu um pênalti absurdo em Nicolai Müller do Mainz e estragou o jogo. Na ocasião, o time da Renânia Palatinado virou o jogo e deixou o time do Stuttgart nervoso em campo. O Mainz venceu por 3×1.

Em outro jogo da rodada que vi – que por acaso foi o supracitado Leverkusen x HSV -, o árbitro Knut Kircher anulou um gol muito esquisito do Hamburgo, onde não ficou claro se ele assinalou toque de mão de Jansen – que não houve – ou falta de Guerrero em Friedrich – não vi falta no lance. Mais tarde, ele deixou de marcar um pênalti de Töre em Bender. Em outras palavras, prejudicou os dois times.

Não vi os outros jogos – exceto Dortmund x Wolfsburg, onde nada de anormal aconteceu – pra saber se aconteceram irregularidades, apenas pênaltis em Bremen x Colônia e Nüremberg x Freiburg. QUERO IBAGENS!

Foi na empolgação

Na empolgação de Rodolfo Cardoso, o Hamburgo saiu da série sem vitórias

Após longas sete rodadas, finalmente veio a primeira vitória do Hamburgo na Bundesliga.

Foi um verdadeiro drama. O HSV e seus torcedores se gabam tanto por nunca terem sido rebaixados, tanto que tem um contador do tempo que permanece na primeira divisão alemã em seu site e na Nordbank Arena, e agora viam seu time não vencer nenhum dos sete jogos iniciais da Bundesliga.

Muita história rolou para que essa série sem vitórias ocorresse. E a história tem de ser contada desde a temporada passada.

Armin Veh não conseguia fazer seu time jogar. O elenco era envelhecido e ele não conseguia tirar mais nada do elenco, até que foi demitido. Michael Oenning assumiu em seu lugar, mas também não fez grande coisa.

Frank Arnesen chegou para ser o diretor esportivo do clube propondo uma nova filosofia. Jogadores veteranos como Rost, Zé Roberto, Mathijsen e Nistelrooy deixaram a equipe, para a entrada de garotos como Rajkovic, Bruma e Töre, todos esses trabalharam com Arnesen no Chelsea.

Mas nada dava certo!

Oenning não conseguiu tirar nada de positivo do time envelhecido, e muito menos do rejuvenescido. Não à toa foi demitido após a derrota em casa pro Borussia Monchengladbach, onde após sofrer o gol, pouco ameaçou a meta de ter Stegen.

Rodolfo Cardoso teve sucesso no time B do Hamburgo e veio pra apagar o fogo

Para apagar o incêndio, foi chamado Rodolfo Cardoso, argentino que comandava o time B do Hamburgo. Solução caseira, porém, inteligente.

O time B do Hamburgo disputa a Regionalliga do norte – Regionalliga é a quarta divisão, que é dividida por regiões – e lidera a competição, com 15 pontos em seis jogos. Se era pra pegar alguém da casa, que pegasse alguém com alguma experiência. E isso foi feito.

Hoje aconteceu a estreia de Rodolfo Cardoso. Jogo difícil contra o Stuttgart na Mercedes-Benz Arena. Os mandantes vinham de importante vitória sobre o Freiburg e poderiam ser considerados uma das equipes que mais evoluiu de uma temporada pra outra na Bundesliga. Porém, o Stuttgart sucumbiu a animação e motivação proporcionado por Rodolfo Cardoso no time do Hamburgo. Derrota de virada por 2×1.

A impressão que tive é que Rodolfo ganhou o grupo em pouco tempo.

Um dos motivos está no fato de ele ter colocado quatro jogadores do time B entre os 18 relacionados. E o surpreendente: Rodolfo Cardoso colocou em campo como titular o garoto Zhi-Gin Lam, de 20 anos e que nunca havia atuado na Bundesliga. O mais surpreendente ainda foi o fato dele ter jogado bem. Lam se entendeu bem com Gokhän Töre – que finalmente teve uma atuação convincente – e foi um dos melhores em campo.

Outro ponto que só saberemos quando algum jogador vier a público falar, seria o papo de vestiário de Rodolfo. O Hamburgo não fez um mal primeiro tempo. Jogava de igual para igual quando sofreu o primeiro gol, mas sentiu demais essa baixa. Mas no fim da etapa inicial, já estava meio recuperado, mas saiu no barato o 1×0 contra, pois o goleiro Drobný fez defesas importantes na etapa inicial.

Bruma vibrou demais com o gol de empate do HSV

No segundo tempo, o Hamburgo voltou com outra atitude. Virou o jogo com autoridade, administrou bem a vantagem e sofreu poucos sustos. Rodolfo pode ter dado um esporro daqueles, assim como pode ter simplesmente dado orientações mais detalhadas, coisa que na beira do gramado é meio impossível.

As imagens de Rodolfo Cardoso que apareciam na TV pelo menos, não o mostravam fazendo grandes indicações de posicionamento ou algo do tipo. Parecia mais gesticulações do estilo: “Vamú lá! Força rapaziada! É assim mesmo!”. E isso pareceu motivar o time.

Michael Oenning é meio “morto” na beira do gramado. Ele cruza os braços e dá uma instrução aqui e outra acolá, mas não é muito agitado. Não acho que agitação seja um ponto importante para definir o que é ou não um bom treinador, mas em determinadas situações, como a terrível situação vivida pelo Hamburgo, o melhor era ter um treinador mais agitado, que apoiasse e vibrasse junto após cada momento bom vivido por seu time na partida. Basta ver o momento dos gols marcados por Bruma e Tesche: todos foram vibrar com Rodolfo, que realmente parecia feliz por fazer o Hamburgo vencer.

É muito cedo para falar isso, mas Rodolfo Cardoso conquistou o grupo do Hamburgo!

Não sei se vale seguir apostando no argentino. A experiência que Rodolfo tem é na quarta divisão! Será mesmo que ele tem conhecimentos táticos, técnicos e experimentais para treinar um time gigante, ameaçado pelo descenso mas que nunca foi rebaixado?

E outra: se ele não tem esses conhecimentos, vai na motivação, né? Hoje deu certo. Nas próximas rodadas pode dar certo também. Mas se uma série de derrotas vier e a motivação acabar, o que acontece? Manda ele embora e traz o locutor do estádio para dar motivação ao time?

Huub Stevens deve voltar ao Hamburgo

Mas a tendência mesmo é Rodolfo Cardoso voltar ao time B do Hamburgo. O diário alemão Bild dá como certa a contratação de Huub Stevens, que foi muito bem no Schalke e não muito bem no próprio Hamburgo.

No HSV, foram 49 jogos, 23 vitórias, 15 empates e 11 derrotas.

É uma aposta mais sensata, mas fica a dúvida: será que o experiente Huub Stevens conseguirá conquistar a confiança do grupo como o novato Rodolfo Cardoso conseguiu?