Boateng, Oliver Kahn tem nojo de você

ATENÇÃO: Este post contém altas doses de parcialidade, rancor e revolta, além de não possuir nada, realmente nada de vergonha na cara e nenhum fim jornalístico. Se você não entendeu a motivação, favor ler o post anterior; se você entendeu e se indignou, só lamento, eu tentei avisar.

Em 2001, Oliver Kahn mostrou que até o mais feroz dos titãs pode ter seu lado sensível…

Kahn ganhou o prêmio Fair Play pelo consolo ao derrotado Cañizares

Kahn ganhou o prêmio Fair Play da Uefa pelo consolo ao derrotado Cañizares

… em 2013, Jérôme Boateng mostrou que a inteligência é limitada e a imbecilidade não tem fim.

Boateng repetiu a provocação de Subotic do ano anterior

Boateng repetiu a provocação de Subotic do ano anterior

Esse parágrafo pode beirar a hipocrisia, mas a provocação do Subotić foi diferente a qual sofreu. Quando o sérvio praticamente invocou todos os espíritos malignos de Mun-Ha para cima de Robben, após o holandês perder um pênalti, ainda havia jogo, ou seja, o Bayern poderia empatar. Além disso, o campeonato teria sequência, alguém poderia fazer lavagem cerebral em todo elenco do Dortmund e eles perderem todos os jogos e o caneco parar na Baviera.

Já Boateng parou de fazer festa só para tirar onda com Subotić, tudo estava acabado, a festa era deles e poderia ter passado sem essa.

Não creio que Oliver Kahn tenha gostado disso.

Anúncios

Os onze gols que a Alemanha precisava

A final da Liga dos Campeões será alemã (Franck Fife - AFP/Getty Images)

A final da Liga dos Campeões será alemã
(Franck Fife – AFP/Getty Images)

Bayern de Munique x Borussia Dortmund é a final de Liga dos Campeões da Europa que o futebol alemão tanto aguardava. De um jeito ou de outro o campeão será germânico e isso por si só será um alívio para todos que trabalham com o futebol no país. Desde o título europeu e mundial do Bayern em 2001, os clubes alemães e também a seleção têm acumulado decepções em momentos decisivos.

Desde 2001, Borussia Dortmund e Werder Bremen foram vice-campeões da Copa da Uefa, o Bayern ficou com o segundo lugar da Liga dos Campeões em duas oportunidades e a seleção alemã teve de se contentar com um vice-campeonato e o terceiro lugar da Copa do Mundo em duas oportunidades, além de um vice-campeonato europeu e uma inesperada eliminação na semifinal da edição de 2012.

Vale salientar que, tirando o vice-campeonato do Borussia Dortmund na Copa da Uefa e da Alemanha na Copa do Mundo, ambos em 2002, todos os outros tropeços foram depois de 2006, quando novas gerações de jogadores passaram a vestir as camisas dos grandes clubes do país, além, é claro, da seleção.

Bastian Schweinsteiger, Manuel Neuer e Phillip Lahm são apenas alguns dos que já vem desde a geração de 2006 – apesar do goleiro não ter disputado a Copa daquele ano – outros como Mário Götze, Marco Reus, Mesut Özil e Toni Kroos surgiram mais recentemente, mas todos eles sofrem até hoje com o estigma de serem ótimos jogadores, formarem times condizentes com suas qualidades individuais, mas que pecam na hora da decisão.

Os onze gols que Bayern e Dortmund marcaram contra a poderosa dupla Barcelona e Real Madrid se tornou o momento chave da afirmação da força do futebol no país. Futebol envolvente, toques rápidos e nenhum medo do rival. Essas foram as características que colocaram a Alemanha, pelo menos nesta temporada, no topo do futebol europeu.

No fundo, a decisão que será realizada no Wembley será um grande teste para o futuro da seleção alemã. No dia 25 de maio, Joachim Löw poderá observar nos dois times quem são os “caras”, quem não treme e pode ser decisivo para tirar a Alemanha da fila que será de 18 anos sem título em 2014.

Thomas Müller marcou nos dois jogos diante do Barcelona (Quique Garcia - AFP/Getty Images)

Thomas Müller marcou nos dois jogos diante do Barcelona
(Quique Garcia – AFP/Getty Images)

No momento, o grande nome é Thomas Müller. Apesar de Reus e Götze pintarem como futuras estrelas da seleção, o meia-atacante bávaro voltou a jogar bem após acumular atuações fracas depois da Copa do Mundo de 2010. Müller é peça fundamental do time de Jupp Heynckes e o período em que colocou Arjen Robben no banco foi primordial para seu amadurecimento.

O momento ruim do holandês proporcionou a Müller a vaga no time titular em sua melhor função: a ponta direita e por ali voltou a mostrar o bom futebol que lhe rendeu vários elogios durante a última Copa.

O amadurecimento se mostrou nítido após a lesão de Toni Kroos, ainda nas quartas-de-final da Liga dos Campeões. Robben entrou no time, o que forçou um deslocamento de Müller para a faixa central na linha de três meias do Bayern e ele, diferente de temporadas anteriores, apresentou um bom futebol e marcou três dos sete gols de seu time na massacrante série sobre o Barcelona nas semifinais.

Falta esse amadurecimento pegar em outros atletas do time. Thomas Müller é ótimo jogador, mas não chega a ser um grande craque. Como citado anteriormente, Mário Götze e Marco Reus se aproximam mais dessa alcunha e essa final de 2013 marca o ponto de ebulição para, no mínimo, o início do amadurecimento desses atletas. Enquanto isso, para Schweinsteiger, Lahm, Weidenfeller e outros será a caminhada final rumo à consagração máxima que suas carreiras necessitam.

Mas, acima de todo amadurecimento e quebra do jejum de títulos, a final da Liga dos Campeões de 2013 será o momento em que a supremacia alemã será sentida. Desde 2010 fala-se nisso. Desde 2010 fala-se da nova geração. Desde 2010 fala-se do novo estilo de jogo do país. E, principalmente, desde 2001 fala-se do tão almejado título internacional.

TOP 7 – Momentos chave das oitavas-de-final

Barcelona, Bayern, Borussia Dortmund, Galatasaray, Juventus, Málaga, Paris Saint-Germain, Real Madrid são os grandes vencedores da fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League. Os oito times citados estarão envolvidos no sorteio da sexta-feira que irá encadear os caminhos de cada um na próxima fase da competição.

Para valorizar cada feito, o Europa Football selecionou sete momentos chave das oitavas-de-final. Confira:

7 – O gol de Claudio Marchisio

Celtic x Juventus em Glasgow foi uma partida interessante de assistir. Os italianos foram eficazes e converteram em gol um terço de suas finalizações, enquanto os escoceses finalizaram 17 vezes e não balançaram as redes. Mas a partida em si foi tensa, afinal, o Celtic usou e abusou da bola aérea e do jogo físico, causando alguns apuros para a Vecchia Senhora.

Só que aos 33 minutos da etapa complementar, o meia juventino Claudio Marchisio fez belo gol e deixou a partida em 2×0. O tento italiano derrubou o Celtic que não teve mais forças para atacar e ainda sofreu o terceiro gol. Marchisio acabou trazendo toda tranquilidade que a Juve necessitaria para o restante do jogo, que com 1×0 seria tenso, e para a partida de volta em Turim.

6 – Primeiro tempo

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa(Getty Images)

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa
(Getty Images)

Tanto Bayern quanto Paris Saint-Germain passaram sufoco em seus jogos em casa para garantirem acesso as quartas-de-final da Liga dos Campeões. O que foi preponderante para a afirmação da vaga de ambos, porém, foi o primeiro dos quatro tempos disputados nos dois jogos.

Os bávaros massacraram o Arsenal no Emirates Stadium e levaram o 2×0 para o intervalo, complicando a missão inglesa. O placar final foi 3×1 para o Bayern, o que deu uma margem para uma – exagerada – acomodação no duelo de volta, vencido pelos Gunners por 2×0, mas que valeu a qualificação alemã.

Já o Paris Saint-Germain fez primeiro tempo primoroso contra o Valencia no Mestalla e, assim como o Bayern, foi para os vestiários com dois gols de vantagem e com a sensação de que poderia ter sido melhor. O 2×1 apontado ao término do jogo possibilitou ao PSG o empate obtido no duelo de volta, que lhe garantiu nas quartas-de-final.

Isso só aumenta minha teoria de que o jogo mais importante de um mata-mata é o de ida, pois é onde o confronto está aberto e seu time pode abrir vantagem. Paris Saint-Germain e Valencia aproveitaram bem esse fator, diferentemente do Porto…

5 – Antigas convicções deixadas de lado

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Mircea Lucescu e Fatih Terim, técnicos de Shakhtar Donetsk e Galatasaray, respectivamente, foram duas figuras que abriram mão de suas convicções nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Como o futebol não é uma ciência exata, ucranianos e turcos seguiram caminhos contrários.

O Shakhtar era um time caracterizado por um jogo imponente, de marcação por todo o campo e constante avanço de “homens surpresas”, como Fernandinho e Srna, porém, no duelo de volta contra o Borussia Dortmund, mesmo precisando do gol, os ucranianos decidiram esperar a equipe alemã na defesa e caíram do cavalo. O Shakhtar foi para o intervalo com 2×0 de desvantagem. No 2º tempo, com menos de cinco minutos, o time de Lucescu, mais ousado, fez mais do que toda etapa inicial, mas já era tarde e a eliminação não foi evitada.

Já Fatih Terim, mesmo com Didier Drogba e Wesley Sneijder reforçando seu time, não abriu mão de seu 4-4-2, mesmo deslocando o holandês para o lado esquerdo. Ao ver que o sistema tático não estava funcionando, Terim escalou seu time no 4-3-1-2 na volta contra o Schalke em Gelsenkirchen. Sneijder, outrora sumido, teve atuação destacável como armador e foi um dos responsáveis, ao lado de Yilmaz e Terim, pela classificação turca.

4 – Olho neles

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto(Getty Images)

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto
(Getty Images)

Durante a fase de grupos da competição, dois jogadores chamaram a atenção sem estar nos times considerados favoritos: Isco do Málaga e Burak Yilmaz do Galatasaray. Na fase de mata-mata, onde seria normal que sentissem a pressão de serem os grandes nomes de seus times, corresponderam à altura.

O espanhol Isco participou dos dois gols do Málaga na vitória sobre o Porto que lhe garantiu na fase seguinte do torneio. O meia abriu o placar com um belo chute de fora da área e deu o passe para Santa Cruz anotar o tento de qualificação. Já Yilmaz manteve a escrita de marcar desde a terceira rodada da fase de grupos e balançou as redes nos dois duelos contra o Schalke, acumulando oito dos onze gols do Galatasaray e lhe deixando com a artilharia da Liga dos Campeões ao lado de Cristiano Ronaldo.

3 – A expulsão de Nani

A partida entre Manchester United e Real Madrid ganhava contornos dramáticos. Os ingleses venciam por 1×0 e garantiam a classificação, enquanto os espanhóis precisavam do empate para forçar a prorrogação. Parecia que teríamos um restante de partida movimentado e tenso, porém, o árbitro chamou a atenção para si.

Aos 11 minutos da etapa final, após bola rebatida da entrada da área do Manchester, Nani estava soberano e tentou dominar com o pé no ar. Observando apenas a bola, o português não viu a chegada de Arbeloa e atingiu o adversário. Lance acidental, talvez para cartão amarelo, mas o rigoroso Cüneyt Çakir decidiu expulsar Nani.

A exclusão do jogador português mudou os rumos da partida. O Manchester, que já marcava mais do que atacava, teve de recuar por completo, enquanto o Real Madrid se mandou para o ataque e conseguiu o resultado que desejava, a virada. Parte da classificação deve ser colocada na conta de Çakir e na expulsão de Nani.

2 – Bola na trave de Niang

A tônica de Barcelona x Milan no Camp Nou era previsível: catalães no ataque e italianos se defendendo, esperando uma mísera chance para marcar o gol que complicaria a vida do adversário. Com o Barcelona vencendo pela placar mínimo, o que ainda era favorável ao Milan, veio a grande chance aos 37 minutos da etapa inicial. Após falha de Mascherano, o jovem M’Baye Niang escapou com liberdade e ficou cara-a-cara com Victor Valdés. O francês de 18 anos sentiu a pressão e acertou a trave. Foi a grande chance do Milan na partida toda. Para piorar, menos de dois minutos depois, Messi fez o segundo gol do Barcelona e deu sequência a goleada catalã.

O possível gol de Niang daria ares dramáticos a partida, afinal de contas, o empate milanista obrigaria o adversário a fazer três gols para se classificar para fase seguinte.

1 – Fazendo jus ao nome

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona(Getty Images)

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona
(Getty Images)

Cristiano Ronaldo e Messi são, indiscutivelmente, os melhores jogadores da atualidade. Na fase de oitavas-de-final do torneio eles fizeram jus a tal status e ajudaram a dupla Barça-Madrid a conquistar a classificação.

O gajo português evitou a derrota madridista na ida ao marcar um gol de cabeça semelhante ao feito na final da competição em 2008, quando defendia justamente o Manchester United. No duelo de volta, em Old Trafford, Cristiano Ronaldo, mais apagado que o normal, apareceu na hora certa e anotou o segundo tento do Real Madrid, classificando seu time para a próxima fase.

Enquanto isso, seu “rival” Messi, após nem aparecer na ida em San Siro, foi um dos grandes responsáveis pela virada no duelo de volta, quando fez os dois primeiros gols do Barcelona na goleada por 4×0 sobre o Milan.

Não bastou ter o status, mas eles fizeram justiça a tal alcunha.

Um sopro de alívio

Jones deu o alívio necessário ao turbulento Schalke(Getty Images)

Jones deu o alívio necessário ao turbulento Schalke
(Getty Images)

Alguma coisa me dizia que o Schalke 04 poderia aprontar para cima do Galatasaray na Turquia, no jogo de ida da fase de oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Certamente, não era o atual momento dos dois times que me apontava isto. Um vem despencando em seu campeonato nacional e não inspira nenhuma confiança para o futuro, enquanto o outro lidera o principal torneio de seu país e trouxe dois atletas de renome para tentar assustar na competição. Era óbvio que os turcos eram favoritos e poderiam até passar por cima dos alemães já na ida.

Repito: algo me dizia que isso não iria acontecer!

Seja o que isso tenha significado, eu estava, em partes, certo. A partida acabou 1×1, de certa forma, injusto para o time alemão, que poderia ter conseguido algo melhor. A atuação do Schalke contra o Galatasaray foi surpreendente, não só pelo resultado, mas pela imposição e percepção dos detalhes defensivos do adversário.

O lado esquerdo turco, formado por Riera e Nounkeu, está tendo pesadelos até agora com Jefferson Farfán, afinal, o peruano, que voltou a atuar em sua posição habitual – ponta direita – armou um carnaval no setor e foi um dos principais jogadores do time. Draxler, embora um pouco perdido na função de armador, conseguiu colaborar com alguns contra-ataques na etapa complementar, assim como Michel Bastos. O brasileiro, porém, se perdeu um pouco na individualidade e apostou em muitos chutes descabidos de longa distância.

Vale ressaltar que o Schalke não se segurou na “muleta” da deficiência adversária. O Galatasaray ganhou pouquíssimas bolas pelo alto, nem por isso os alemães passaram a cruzar bolas na área insistentemente para ver no que dava. O time de Keller buscou novas alternativas de jogo, apesar da fraqueza aérea dos turcos.

Defensivamente, fiquei com alguns receios. Marco Höger, que vinha atuando como volante, voltou a lateral-direita – função que exercia quando chegou ao Schalke – e me pareceu muito afoito em alguns lances. A dupla central, formada por Höwedes e Matip, embora tenha falhado pouco, demonstrou alguma ansiedade nos cortes, sem brincar muito. Não que isso seja ruim, mas diversos lances poderiam ser mais trabalhados já de trás.

A decepção, novamente, foi Klaas-Jan Huntelaar. O holandês, que faz temporada muito abaixo do esperado, retornou de lesão no olho nesta partida e, digamos, não pareceu muito bem da vista ao não alcançar uma bola quase embaixo da trave na primeira etapa. A ineficácia de Ciprian Marica e a imaturidade de Teemu Pukki obrigam Keller a apostar apenas no holandês para o duelo de volta.

ORGULHO AMERICANO

Das vaias aos aplausos(schalke04.de)

Das vaias aos aplausos
(schalke04.de)

Autor do gol de empate no duelo, o norte-americano Jermaine Jones foi um dos pontos positivos do time alemão. O contestado volante colaborou com suas arrancadas para o ataque – uma das poucas, talvez única característica que me agrada no jogador – e na distribuição de jogo. O gol acabou sendo, por linhas tortas, uma resposta ao torcedor, alvo de críticas do norte-americano recentemente. Jones não gostou de ver a torcida, após a derrota contra o Greuther Fürth, fazer grande festa pelo retorno de Gerald Asamoah à Veltins Arena e vaiar o Schalke.

O pecado foi ter recebido um cartão amarelo que o tirou do jogo de volta. Só para fazer justiça a Jones, devo dizer que o cartão foi absurdo. Motivo da punição foi um pedido de cartão para um adversário que cometeu uma falta justamente em Jones. Não foi um pedido ríspido, nem acintoso, o que tornou a punição exagerada pelo lado do árbitro escocês William Collum.

Para a volta, Jens Keller terá de inventar na escalação, coisa que adora fazer. Possivelmente, o técnico azul real deslocará o capitão Höwedes para a lateral, recolocando Marco Höger para a cabeça de área e promovendo o retorno de Kyriakos Papadopoulos, que está parado desde novembro, mas que deve voltar a treinar na próxima semana. O grego formaria dupla de zaga com Joël Matip.

Uma coisa é certa nessas mexidas: Höger voltará para cabeça de área. A dúvida é se Keller abrirá mão da eficiência de Höwedes no centro para coloca-lo na lateral. Com Atsuto Uchida lesionado por tempo indeterminado, a tendência é que o técnico faça essa mexida por obrigação.

O importante para o Schalke é não se vislumbrar com o empate na Turquia. O time foi bem, ok. Conquistaram um importantíssimo resultado, ok, mas empolgação em uma hora dessas não é nada bom, principalmente com Sneijder e Drogba do lado oposto. O confronto está aberto, mas os alemães mostraram não estar mortos, como muitos, inclusive eu – apesar do fio de esperança –, imaginavam. Se a postura imponente for mantida, o Schalke tem tudo para superar as desconfianças de voltar as quartas-de-final da UEFA Champions League.

Prévia das oitavas de final da Champions League – Parte 1

A UEFA Champions League está de volta. O maior torneio interclubes do planeta reunirá os dezesseis melhores times da fase de grupos em oito empolgantes duelos de ida e volta. Nesta semana, serão realizados os primeiros quatro confrontos com alguns campeões e favoritos em campo. O Europa Football preparou uma prévia especial para esses quatro jogos.

Nos próximos parágrafos, você irá saber de tudo que envolve Valencia x Paris Saint-Germain, Celtic x Juventus, Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund e Real Madrid x Manchester United, com informações, estatísticas e muita opinião. Confira toda prévia abaixo:

-> Valencia x Paris Saint-Germain

O duelo que coloca frente-a-frente espanhóis e franceses tem tudo para ser interessante na questão tática. O Valencia fará o primeiro jogo no Mestalla, a tendência seria ir ao ataque e buscar o resultado, mas irá encontrar um time muito forte defensivamente e que se sai bem nos contra-ataques, porém, que enfrenta muitas dificuldades com adversários retrancados. É o dilema de Ernesto Valverde: atacar e, possivelmente, sofrer ou defender e esperar o contra ataque.

Possível time escalado por Ancelotti

Por isso, podemos afirmar que o PSG é favorito no confronto. O time de Carlo Ancelotti chegará com a responsabilidade de cumprir com todas as expctativas geradas em torno do elenco antes da temporada iniciar, porém, tem em mente que pode aplicar seu jogo de aproximação dos pontas com os atacantes e avanços dos laterais com relativa tranquilidade, pois o Valencia estará em seu dilema de enfrentamento, provavelmente, definido enquanto a bola rolar.

Outro ponto que torna o time francês favorito no duelo é seu técnico, Carlo Ancelotti, que conhece como poucos os atalhos para conquistar a orelhuda, além disso, o PSG teve a melhor campanha entre os 32 times da fase de grupos. O detalhe é que esses resultados foram obtidos no momento em que Carlo Ancelotti ainda buscava a melhor formação e curiosamente, o 4-4-2 ao melhor estilo britânico, esquema usado hoje pelo time, começou a ser testado contra o Porto, no último jogo da fase de grupos. Em outras palavras, o PSG conquistou a maior parte dos pontos sem estar em sua melhor forma tática.

A esperança parisiense fica depositada em Zlatan Ibrahimović. O sueco é, disparado, o artilheiro do Campeonato Francês e um dos principais assistentes do time. Porém, a Liga dos Campeões é uma espécie de carma do atacante, que persegue o troféu há anos, mas sempre falha no meio do caminho. Ibra tentará fugir do estigma de “pipoqueiro” na UEFA Champions League com o experiente Ancelotti no comando.

Vale observar o comportamento dos atletas do Paris Saint-Germain em campo. Muitos deles estão em sua primeira Liga dos Campeões, consequentemente, em sua primeira disputa de mata-mata na competição, talvez falte a famosa cancha. Lucas é o exemplo mais claro. O brasileiro desembarcou há pouco tempo na França e vem encontrando a melhor maneira de se encaixar no time. Teoricamente, é titular, mas talvez perca espaço nesses jogos por ser muito jovem.

Possível time do Valencia

Já o Valencia procura repetir o feito da temporada 2006/07, quando chegou pela última vez à fase de quartas-de-final. O time espanhol vive um novo momento com Ernesto Valverde, que substituiu Mauricio Pellegrino no final de 2012 e conseguiu recolocar a equipe em posições respeitáveis na Liga BBVA. Desde a chegada do novo comandante, os Che sofreram apenas duas derrotas, conseguiram empatar com o Barcelona e se tornaram realidade na briga por uma vaga na próxima Liga dos Campeões, já que o Málaga, time que ocupa a última vaga para o torneio na Espanha, está proibido de disputar a próxima edição.

O empate entre Valencia x Barcelona é um tema pertinente a ser levantado por Ancelotti a seus jogadores. Na partida em questão, Valverde conseguiu estabelecer uma estratégia para neutralizar a presença de Messi. Convenhamos, se conseguiram parar o argentino, conseguem parar qualquer um, não que seja fácil, mas já é um ótimo parâmetro.

Vale destacar também o embate defesa-ataque. O PSG tem sofrido poucos gols e o goleiro italiano Salvatore Sirigu quebrou o recorde de Bernard Lama ao permanecer 948 minutos sem ser vazado. Enquanto isso, o Valencia tem um ataque forte e muito entrosado com Soldado e Jonas.

Porém, o time francês não deverá contar com Thiago Silva que está lesionado. Alex, parceiro de Thiago, retornou do estaleiro somente agora, podendo formar uma zaga mais física com Sakho. O possível desfalque do time espanhol pode ser Cissokho, ex-Lyon.

DE OLHO: Muitas atenções às duplas ofensivas dos dois times. De um lado, Lucas e Ibrahimović, do outro, Soldado e Jonas. Pela equipe parisiense, o ex-são-paulino Lucas já descobriu qual é a receita do sucesso e já começou a distribuir suas assistências para Ibra, enquanto o sueco vive fase esplendorosa. Apesar de contar ainda com nomes do naipe de Pastore e Lavezzi – e Beckham, que ainda não iniciou a série de treinamentos – a dupla milionária é a que chama mais atenção. Já a dupla, Jonas e Soldado possui mais rodagem e são os principais nomes do time ao lado de Feghouli, porém, somente a dupla formada por Jonas e Soldado é responsável por 14 dos 32 gols do time na Liga BBVA.

 ScreenHunter_10 Feb. 10 23.38

-> Celtic x Juventus

Fazia tempo que não escutávamos o nome de Celtic e Juventus em uma fase eliminatória da Liga dos Campeões. Os escoceses passaram algumas edições morrendo ainda na fase prévia do torneio, enquanto os italianos, neste momento de reconstrução, tiveram de amargar alguns anos longe da competição. Nos números, é a primeira participação do Celtic nas oitavas de final desde a temporada 2007/08, enquanto a Juventus esteve nesta fase pela última vez na temporada 2008/09.

Possível Celtic de Neil Lennon

Falando dos times, começamos com o Celtic, que sem o rival Rangers em sua liga doméstica, lidera com tranquilidade, com dezoito pontos de vantagem para o vice-líder Inverness. A equipe de Neil Lennon tem o ataque mais positivo, a defesa menos vazada, a maior quantidade de vitórias e a menor de empates, liderança absoluta.

O principal jogador do time tem sido o atacante Gary Hooper, de 25 anos. Ele foi o artilheiro do Celtic nas últimas temporadas e nessa já balançou as redes em 13 oportunidades. Em 2013, Hooper tem cinco gols em quatro jogos no Campeonato Escocês. Outro nome de destaque do time é o queniano Victor Wanyama, que é peça de confiança de Lennon por cumprir bem as funções de volante e zagueiro.

A tendência é que o Celtic vá a campo com o 4-4-2, variando para o 4-4-1-1, mas não se surpreenda caso Neil Lennon escale seu time com três zagueiros. O treinador norte-irlandês testou o 3-5-2 em algumas partidas do Campeonato Escocês, provavelmente pensando no que irá encarar contra o time italiano.

A Juve não deve abandonar o 3-5-2

A Juventus não vem tendo vida tão fácil assim na Série A. Apesar da liderança, o time de Antônio Conte é perseguido de perto pelo Napoli. A distância entre as duas equipes é de cinco pontos. Porém, assim como o adversário escocês, a Juve tem o maior número de vitórias, é o que menos perdeu e tem o melhor saldo do campeonato.

Chama à atenção no elenco juventino, a mescla de experiência e juventude, ao mesmo tempo, com a adequação de cada setor ao protagonismo. Buffon, Barzagli e Pirlo são pra lá de experientes. O trio já ultrapassou a marca dos trinta anos, são atletas de seleção, mas são tão importantes quanto Giovinco, Vidal e Pogba, que não tem a mesma bagagem dos demais citados, mas tem sido tão decisivos quanto.

Aliás, falando em Pogba, suas participações têm sido muito importantes nessa temporada. O francês já anotou quatro gols na temporada e mesmo aos 19 anos, joga com regularidade e vê seu nome sendo especulado na seleção francesa. Atuar próximo de Pirlo deve dar a liberdade necessária ao garoto para brilhar na pesada UEFA Champions League.

DE OLHO: Visão atenta aos goleiros menos vazados das ligas da Escócia e Itália, não só por este feito, mas pelo contraste da idade: Buffon tem 35 anos, já Forster tem 24. O italiano é ídolo em Turim, é um dos melhores goleiros do planeta e, com certeza, um dos principais nomes da posição nos últimos 20 anos. Ainda tem lenha para queimar e se livrou das lesões, é uma das peças decisivas da Juventus para o confronto, pois o Celtic irá de franco atirador e Gigi terá de trabalhar pouco, mas de forma eficaz. Já Fraser Forster é jovem ainda, é nove anos mais novo que Buffon, mas só ganhou notoriedade na temporada 2009/10, atuando pelo Norwich City. O goleiro está desde 2010 no Celtic e chamou a atenção do mundo no duelo contra o Barcelona pela fase de grupos da UEFA Champions League, onde fez defesas monumentais e teve uma atuação de “classe mundial”.

ScreenHunter_11 Feb. 10 23.38

-> Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund

Esse é um dos confrontos mais interessantes da fase de mata-mata. O Shakhtar Donetsk mostrou ao continente que há bom futebol na Ucrânia, obra de Mircea Lucescu e sua frota brasileira, agora falta provar em um âmbito maior. Já o Borussia Dortmund mostrou que sua nova geração não está destinada a brilhar apenas em campos germânicos e deixou Real Madrid, Ajax e Manchester City para trás na fase de grupos.

Shakhtar de Lucescu

Na Ucrânia, o Shakhtar nada de braçada e lidera o campeonato nacional com treze pontos de vantagem para o Dnipro com uma campanha quase perfeita: 17 vitórias e uma derrota em 18 jogos. O time de Lucescu balançou as redes 52 vezes, sofreu apenas nove gols e ainda conta com o artilheiro Mkhitaryan, 18 tentos. Porém, o Campeonato Ucraniano está parado nesta época do ano e o ritmo de jogo pode atrapalhar demais o Shakhtar neste momento da temporada. Outros times dessa região da Europa já mostraram, em anos anteriores, que essa pausa pode ser prejudicial.

Ficamos sabendo do que o os ucranianos são capazes ainda na fase de grupos: marcação avançada, pressão na saída de bola, movimentação constante dos homens de frente, toques rápidos e participação efetiva dos homens de trás, como o brasileiro Fernandinho, que é um dos diferenciais deste time.

O outro diferencial era o compatriota Willian, mas ele optou por se transferir para o Anzhi da Rússia. Para seu lugar chegou o também brasileiro Taison, que defendia o Metalist. Mudam as características – Willian é mais habilidoso e técnico, enquanto Taison é vertical e muito veloz – mas não as funções, que é atuar pela beirada do campo.

Borussia DortmundO Borussia Dortmund ainda sonha com tricampeonato nacional, apesar da distância para o Bayern. O time comandado por Jürgen Klopp iniciou 2013 com a corda toda, marcando muitos gols e confirmando a dependência de Kuba, que dá outro ritmo ao time borussiano, apesar das envolventes participações de Reus, Götze e Lewandowski. Sem o polonês, a cadencia fica excessiva, é justamente ele que imprime ritmo e é uma peça chave do elenco.

Favorito no confronto, o Dortmund chega para o duelo carregando nas costas um duro tropeço diante do Hamburg no último fim de semana. Os comandados de Klopp foram goleados por 4×1 pelo time do norte alemão em jogo marcado por uma arbitragem fraca e pela péssima atuação defensiva do BvB.

Vale destacar o retorno de Nuri Şahin, que tem tudo para dar outra dinâmica ao time de Klopp. Apesar de ainda ser reserva e não ter incorporado o estilo de jogo, o turco é uma opção para ajudar o time a controlar o meio campo, afinal, tem bom toque de bola, característica semelhante ao de Gündoğan, titular da posição.

Tecnicamente, não há qualquer questionamento quanto ao time do Borussia Dortmund. Eu já acreditava que pudessem surpreender na temporada passada, quando fracassaram na fase de grupos, agora se tornou realidade pelas imponentes participações contra os campeões de Holanda, Espanha e Inglaterra. O único “porém” está na questão da cancha do elenco. Dentre os atletas mais utilizados por Klopp, apenas o capitão Kehl tem vasta experiência, no restante, apesar de participações internacionais, ainda falta uma bagagem que apenas o camisa 5 tem.

Vale ressaltar a falta do zagueiro sérvio Neven Subotić, que se contundiu na pré-temporada e vem retornando aos poucos. O brasileiro Felipe Santana tem o substituído, mas claramente não está a altura do titular, que além de ser muito técnico e eficiente no jogo aéreo, se completa com Mats Hummels.

DE OLHO: Batalha muito interessante no meio campo. O Shakhtar deverá ter Stepanenko na proteção, com Fernandinho mais solto, buscando conduzir a bola ao setor ofensivo e ainda se preocupar com a defesa. Mais a frente, Taison, Mkhitaryan e Alex Teixeira devem dar trabalho a desfalcada defesa alemã, como fizeram com Chelsea e Juventus. No lado borussiano, Kehl e Bender lutam por um lugar no time, o escolhido protegerá a defesa e desempenhará função tática importante ao dar a liberdade necessária para Gündoğan sair para o jogo e se juntar a Kuba, Reus e Götze, que se movimentam como poucos e confundem qualquer tipo de marcação, fora a qualidade técnica do quarteto, que nem é preciso repetir. São formações com características semelhantes e que devem dar ao jogo uma característica bem agradável.

ScreenHunter_12 Feb. 10 23.39

-> Real Madrid x Manchester United

Esse é o confronto mais esperado desta fase. Frente a frente, dois dos mais vitoriosos times do continente e também o duelo de dois técnicos marcantes da história recente do futebol inglês: Sir Alex Ferguson e José Mourinho. Porém, o que deveria ser um confronto imprevisível, já começa com um favorito destacado: o Manchester United.

Claro que o time inglês tem seus méritos, mas parte significativa desse status vem da fraca campanha do Real Madrid no Campeonato Espanhol. O time merengue acumula nove tropeços – cinco derrotas e quatro empates –, três há mais que na temporada anterior. Pior ainda é ver o Atlético, rival local e eterno motivo de chacota, estar com quatro pontos de vantagem.

Real MadridNão é segredo para ninguém que estes resultados ruins são obras da intensa crise interna vivenciada pelo clube. As informações que circulam na imprensa dão conta de um racha no elenco, que estaria dividido entre os amigos de Mourinho – entenda-se, agenciados por Jorge Mendes – e inimigos de Mourinho.

Entre os desafetos do português, deve estar Kaká. O brasileiro tem apenas oito participações no Campeonato Espanhol e em muitos jogos nem é colocado no banco de reservas. Enquanto isso, Callejón entra em diversas partidas para mudar quase nada. Sim, sei que são de posições diferentes, mas é absurdo gastar tanto em um jogador do nível do Kaká para não ficar nem no banco.  Outro desafeto era o goleiro e capitão Iker Casillas, que chegou a ir para o banco de reservas por “deficiência técnica”. Ele se contundiu e está fora do duelo e o Real agiu rápido ao trazer Diego López para substituí-lo.

A esperança fica toda depositada em um “brilhareco” de Cristiano Ronaldo, que apesar do conturbado ambiente interno, um inacreditável gol contra marcado contra o Granada e a interminável briga estatística com Messi – com o argentino, quase sempre, levando vantagem – ainda é um dos principais jogadores do mundo. Foram 24 gols em 22 partidas do time no Campeonato Espanhol, não podemos rejeitar isso. Além disso, Ronaldo irá enfrentar o clube que deu um up em sua carreira, o Manchester, isso é uma motivação para o português.

ManUtdA vida mancuniana tem sido bem mais tranquila que a madridista. O time lidera a Premier League com doze pontos de vantagem para o rival local, Manchester City, tem o melhor ataque, é a equipe que menos empatou na competição e ainda fez uma das principais contratações da temporada europeia: Robin van Persie.

O holandês, trazido a peso de ouro do Arsenal, não sentiu nenhuma dificuldade em vestir a camisa do rival dos londrinos e lidera o ranking de artilheiros da Premier League com 19 gols. Junto com Wayne Rooney, que já balançou as redes em 10 oportunidades, van Persie tem formado um dos ataques mais avassaladores da Europa com 62 gols marcados.

Porém, a defesa deixa um pouco a desejar. Foram 31 gols sofridos e entre os dez primeiros colocados da Premier League, apenas Liverpool, Everton e West Bromwich viram suas redes serem balançadas em mais oportunidades. Parte desses dados pode ser jogado na conta da ausência de Vidić, que ficou muito tempo lesionado, mas nem todo o peso, afinal, o sérvio tem jogado com regularidade em 2013 e o United segue sofrendo muitos gols.

É esse fator que dá uma equilibrada no duelo. O avassalador ataque inglês terá de ser mais eficaz que o monstro português para levar o duelo, pois é improvável que sua defesa dê conta. Expectativa de muitos gols nesse duelo.

DE OLHO: Em Cristiano Ronaldo. Sei que nos outros confrontos destaquei algum duelo individual ou coletivo da partida, mas chama muito a atenção o retorno do português ao Teatro dos Sonhos. Além de ser a grande, senão única, esperança madridista para o confronto, Cristiano Ronaldo baterá de frente com uma defesa que conta com bons nomes, mas que não desempenha em campo toda a eficiência prevista. O Manchester United é favorito, mas esse ponto deixa o duelo menos desequilibrado, porque o português, além de estar no hall de melhores do mundo, é decisivo e vive grande fase na carreira.

ScreenHunter_13 Feb. 10 23.39

Azulou

Apesar de nunca ter tido a oportunidade de assistir a um jogo do Borussia Dortmund, Frantz era fanático pelo time. Ele tinha as mais variadas camisas, conhecia todo elenco, a altura, o peso, a família, as namoradas e o restante da ficha técnica e pessoal de cada atleta que vestia o manto aurinegro.

Fanatismo? Nem tanto. Frantz gostava de ver o Borussia Dortmund vencer o Bayern e, principalmente, o Schalke. Ainda assim, não alimentava nenhum tipo de sentimento ruim pelos dois times, o que importava era o BvB e nada mais.

Ricken marcou em uma final de UCL em apenas 16 segundos(Getty Images)

Ricken marcou em uma final de UCL em apenas 16 segundos
(Getty Images)

O que era sempre uma época pra lá de especial para diversos torcedores, se tornou uma espécie de “passagem depressiva” para Frantz. A UEFA Champions League nunca foi um torneio que enchesse seus olhos. Nada em relação com a qualidade técnica dos times, com a ganância dos torcedores ou a organização da competição, mas sim pela ausência do Borussia Dortmund.

Por ser jovem, Frantz nunca viu, pelo menos com alguma atenção, seu time em uma Liga dos Campeões, muito menos pôde comemorar o antológico gol de Lars Ricken em 1997, que decidiu o torneio a favor do Dortmund, com apenas 16 segundos em campo.

Era um drama pessoal de Frantz, nem por isso ele deixava de festejar os bons resultados de times alemães, afinal, para ele, com os rivais conquistando feitos satisfatórios em torneios internacionais, significaria que eles estavam se fortalecendo e que isso obrigaria, de algum jeito, o Dortmund a se reforçar também. Posteriormente, o Campeonato Alemão também ficaria com muita força. Mas era indiferente para ele, ganhando a Liga dos Campeões ou não, a imagem do campeão mudaria pouco.

2011 foi o ano em que essa visão de Frantz mudou.

A Bundesliga começava a crescer, não só economicamente, mas tecnicamente também. Jovens jogadores começavam a despontar e a visão de “cintura dura” que assolava o futebol do país estava sumindo, principalmente porque essa nova geração não encontrou dificuldades em se adaptar com o mais antigos.

Por consequência, Frantz via os avanços dos times alemães na Champions League como a ocasião exata para a afirmação do novo momento vivido pelo futebol do país. Para isso, precisou fazer algo arriscado e impensado: criar relação com os rivais.

Para dar sequência a história, retornamos a 2010, quando o Bayern voltou a uma decisão de Liga dos Campeões após quase dez anos. Frantz queria ver o time bávaro campeão, mesmo que seus amigos borussianos torcessem contra. Era o momento de confirmação e a hora certa de mostrar para que a Alemanha viria nos próximos anos.

Apesar da força dada a dupla Robbery e companhia, não adiantou. José Mourinho copou mais uma e a Inter deixou o Santiago Bernabéu com o caneco em mãos.

No ano seguinte, bávaros e nerazzurris se reencontraram pela UEFA Champions League, desta vez, em partida válida pela fase de oitavas-de-final. Na ida, em Milão, o Bayern viu Thomas Kraft brilhar e salvar o time na vitória por 1×0. Estava ali o substituto de Oliver Kahn (só que não)!

Na volta, o Bayern tinha a faca e o queijo na mão. A Allianz Arena estaria toda a seu favor, o time bávaro era melhor – apesar de estar de frente com o atual campeão europeu, “só” desfalcado de José Mourinho – e tinha a vantagem no marcador. Frantz se preparou para o duelo como se fosse o Dortmund que estivesse em campo. Assistiu ao pré-jogo – coisa que não fazia quando o assunto era “times rivais” – preparou uma pipoquinha saborosa, tirou os refrigerantes da geladeira e se apossou do sofá na hora da partida.

O ritual, tão rotineiro em partidas que envolviam o Borussia Dortmund, futuro campeão nacional naquela temporada, não deu certo. O Bayern lutou, criou chances e até fez um gol, mas a defesa, segundo ele, “parecia uma garota desesperada de solidão em uma festa e dava bola para qualquer um que passava a sua frente”. Os bávaros pararam na Inter… de novo!

Mas sua esperança não havia acabado. O time italiano bateria de frente com o Schalke 04, grande rival do Vale do Ruhr. Só que havia um impasse: torcer pelo Bayern, time que, por tantas e tantas vezes, ferrou o Schalke, era uma coisa, até uma espécie de gratidão ou solidariedade aos bávaros, mas querer que os Azuis Reais ganhassem um jogo desse tamanho e representatividade era outra história.

Seus amigos nem hesitaram: eram Inter desde bambini! Joseph, seu melhor amigo, até comprou uma camisa da Inter, branca, é claro, não havia chance de vestir uma camisa azul, apesar das listras pretas. Mas Frantz seguia em dúvida de qual caminho seguir. Seus demais amigos, motivados pela nobre arte da secação, compraram ingressos, sabe-se lá como, para o jogo de volta no setor reservado aos torcedores italianos. Era uma enorme tentação!

Poucos sabiam que Frantz era um cara um tanto quanto rancoroso. Jovenzinho, caiu aos prantos ao ver Fábio Grosso e Alessandro Del Piero marcarem para a Itália contra a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2006. O jogo foi em Dortmund, o que lhe deixou mais triste ainda. Ver o show de Bastian Schweinsteiger na disputa do terceiro lugar contra Portugal não serviu nem de consolação para Frantz.

As duas derrotas do Bayern para a Inter fez renascer aquela angústia no peito do rapaz que sentia que seria capaz de tudo para ver os italianos, pelo menos uma vez, com uma tristeza causada pelo futebol alemão, nem que fosse torcer pro Schalke. E essa foi sua decisão, querer a inédita classificação do rival para a semifinal. Seus amigos, logicamente, não entenderam. Alguns deles até evitaram o contato nos dias que antecediam ao duelo, queriam evitar um bate-boca sem motivo – como é toda discussão futebolística, convenhamos.

Chegou o dia!

5 de abril, uma terça-feira ensolarada, propícia para adotar o ritual banhado de pipocas e refrigerantes seguido por Frantz. Seus amigos se reuniram na casa de Joseph para assistir ao jogo e secar o rival. O nosso intrépido personagem foi excluído da reunião e preferiu manter sua tradição em sua própria casa.

Frantz nem havia se ajeitado na poltrona e um gol já havia acontecido. Da forma como ele ocorreu, não dava para esperar muita coisa para o time alemão. O argentino Esteban Cambiasso lançou o compatriota Diego Milito em profundidade. Manuel Neuer, como um legítimo líbero, se antecipou e de cabeça afastou o perigo… só que não! Do meio campo, Stanković acertou um chute antológico, coisa rara mesmo, 1×0 para a Inter.

“Já vi esse filme e não gostei”, reclamou Frantz.

Só que houve um engano. O que ele não sabia era que muitos diretores de filmes mudam completamente o roteiro da “parte dois” para chamar um pouco de atenção. Foi mais ou menos isso que aconteceu.

O Schalke balançou as redes do Giuseppe Meazza cinco vezes(Getty Images)

O Schalke balançou as redes do Giuseppe Meazza cinco vezes
(Getty Images)

Menos de quinze minutos depois, veio à resposta com Matip, aproveitando um rebote de Júlio César. Quem diria que o camaronês deixaria Frantz alegre por marcar um gol? Ele sempre ria das presepadas de Matip, mas nunca imaginou vibrar com seu tento. Vibrou tanto que deu um soco na almofada que carregava consigo, mandando o sempre bem vindo “chupa” para o time italiano.

Frantz parecia prever o gol da Inter somente quando o holandês Sneijder pegou na bola aos 32 minutos. Visualizou fixamente a TV e parecia dizer com os olhos: “ele tá livre, ele tá livre!”. E ele estava mesmo livre, tão sozinho que botou a bola na cabeça de Cambiasso. No instante em que a bola chegava ao argentino, Frantz explodiu. Saltou da poltrona e mandou um sonoro “OLHA O MEIO!” e viu o Schalke voltar para trás do marcador com Milito.

“Torcer para time ruim dá nisso”, dizia Frantz.

Na parte derradeira da etapa inicial, quando viu Baumjohann correndo sozinho, Frantz parecia pronto para receber o passe. Ele avançou pela sala, driblou o tapete e ficou de frente para TV, na posição exata para mandar a bola pra dentro e correr pro abraço. Lógico que não era Frantz no lance, mas sim Edu. Quando o brasileiro teve o controle da bola, nosso amigo já simulava a finalização. Ao ver o rebote de Júlio César, praticamente implorou para que saísse o chute de Edu e saiu pulando como um garoto ao ver o gol de empate. Para completar, deu um soco tão forte na parede que quase quebrou seus dedos.

Não era um dia normal naquela vizinhança. Frantz, o borussiano, vibrando com o Schalke? Não era possível! O pior… Ou melhor, depende do ponto de vista, ainda estava por vir na etapa final.

Com menos de dez minutos, Raul recebeu um belo passe de Farfán – passe que fez Frantz soltar um sonoro “nooooosa” – e fez o terceiro do Schalke. Acreditem, Frantz estava contido pelo que ainda viria.

No lance seguinte, o espanhol Jurado escapou livre pela direita e o nosso personagem já estava de pé, efusivo, gritando: “Ah, meu Deus! Vai acontecer de novo”. Aconteceu e ainda houve uma mãozinha de Ranocchia, que cortou mal e fez contra.

Parecia uma garota desesperada de solidão em uma festa e dava bola para qualquer um que passava a sua frente” diria um conhecido de Frantz para descrever a defesa interista (risos).

Não era possível imaginar a cara de parede de seus amigos. Aqueles que, por tantas vezes dividiam as alegrias e tristezas borussianas, agora se viam divididos. Um pulava de alegria como uma criança sabendo que ganhará um sorvete, os outros estavam preocupados com a possibilidade de outro time da região conquistar a Europa.

No gol anotado por Edu, o quinto na partida, Frantz saiu correndo por sua casa, rindo como nunca. Quem o conhecia, saberia que essas risadas eram pela desgraça alheia, a desgraça interista, quem não sabia direito quem era, poderia imaginar que ali estava um fanático azul real.

Soado o último apito, Frantz se recompôs rapidamente, mostrou uma expressão mais séria e respeitosa e desligou a televisão. Embora sua aparência não demonstrasse isso, aquela goleada significou a limpeza da alma. As lágrimas e lamentações que marcaram sua vida em 2006, foram transferidas para a Itália, em uma abrangência menor, é claro, mas com efeito tão destruidor e que satisfazia todas as necessidades psicológicas de Frantz.

Constrangidos, ele e seus amigos não conversaram mais sobre o Schalke, somente quando este era adversário do Borussia Dortmund. Até mesmo os ingressos comprados para o confronto de volta – vitória alemã por 2×1 – não foram utilizados.

O Schalke não conseguiu repetir o feito do rival e parou na semifinal, perdendo para o Manchester United, mas não pôde dizer que não marcou história. Não só isso, marcou a vida de muitos torcedores do time espalhados pelo mundo inteiro e até mesmo lavou a alma de um borussiano. Quem diria?

Obs: Hoje, Frantz é um contente torcedor do Borussia Dortmund e nunca mais precisou recorrer da torcida azul real (risos);

E se a Conmebol fizesse o sorteio da Liga dos Campeões?

O sorteio dos jogos das oitavas de final da UEFA Champions League já foi realizado e, certamente, vocês já conhecem todos os duelos e até imaginam o que poderá acontecer no início de 2013. Essa análise deixo para o ano que vem, afinal, muita água vai rolar debaixo da ponte até lá.

Mas você já parou para imaginar qual seria o desfecho desse sorteio se os critérios adotados pela UEFA fossem os mesmos da Conmebol? Como não é segredo para ninguém, a organização europeia é muito criteriosa nos seus sorteios e divide os times em dois potes: dos líderes e dos vice-líderes. Além disso, impede que times do mesmo país e que estiveram no mesmo grupo se encontrem logo de cara nas oitavas de final. Enquanto isso, a confederação da América do Sul obriga os times a fazerem contas nas rodadas finais da fase de grupos da Copa Libertadores para escolherem seus adversários, pois há uma classificação geral onde o melhor colocado enfrenta o pior, o segundo encara o décimo quinto e assim por diante.

Pensando nisso, mostro abaixo quais seriam os jogos das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa se fossem seguidos os critérios de sorteio da Copa Libertadores. Confira:

UCL

Oitavas cópia

Analisando os dois sorteios, pude tirar algumas conclusões:

*A vida do Milan ficaria mais tranquila… Mas nada que tornasse sua chance de classificação muito real;

*O Arsenal também teria um adversário mais fraco e talvez tivesse mais chance com o Valencia do que o Milan teria com o PSG;

*O Real Madrid respiraria aliviado, pois pegar o Porto não é tão complicado quanto enfrentar o Manchester United;

*Porém, os mancunianos continuariam com tarefa complicada diante dos campeões italianos;

*E o Schalke seguiria com relativa sorte ao bater de frente com o Málaga;

E vocês? Comparando os dois sorteios, o que acharam? Invadam a caixa de comentários e deem seus pitacos antes que o mundo acabe!