O dilema de Oliver

FC Bayern Muenchen v Chelsea FC - UEFA Champions League FinalSeis horas da manhã. Era esse o horário que o despertador tocava, marcando o momento em que se iniciava um novo dia para Oliver. Bom, talvez não tão “novo” assim. Ele tinha uma rotina: levantava, tomava um banho, preparava um reforçado café, vestia sua camisa social e sua calça jeans e pegava o metrô para ir ao trabalho, de onde retornava apenas no fim da tarde.

Não era e nunca seria a rotina de seus sonhos, mas não gostava de reclamar. Seu emprego era em uma escola do outro lado da cidade. Oliver era uma espécie de assessor de imprensa ou secretário, nem ele sabia descrever exatamente seu cargo, mas recebia um bom salário, suficiente para um homem solteiro sobreviver.

Nessa rotina um tanto quanto monótona encontrava-se uma de suas maiores paixões: o Bayern. Oliver não perdia nenhum jogo de seu time de coração. Se não havia jeito de ir ao estádio, sentava no sofá e assistia pela TV. Se nem isso era possível, procurava um bar, um vizinho, um amigo, um parente ou até mesmo aquelas lojas de vendas que deixam os televisores a mostra na vitrine para saber quanto estava o jogo do Bayern.

Apesar da paixão pelo time bávaro, Oliver nunca foi um fanático. Ele condena as ações hostis contra adversários, até mesmo xingamentos, prefere criticar o jogador expulso e não o árbitro que o botou pra rua, é contra as contratações milionárias e os salários astronômicos, mas apoia a modernização dos estádios e acha que a Uefa está certa em colocar cadeiras nos locais reservados aos torcedores que preferem ficar em pé.

Oliver viu o Bayern ser campeão alemão diversas vezes, sempre comemorou os títulos e nunca pestanejou em comemorar os triunfos com seus amigos em festas banhadas de cerveja. Mas nunca ter visto seu time ganhar a Liga dos Campeões não era uma mera decepção, e sim uma enorme ferida ainda não cicatrizada.

Apesar dos 23 anos de idade, Oliver não comemorou o título europeu de 2001. Ele tinha 11 anos na época e aguardava ansiosamente pela partida. Uma das lembranças mais fortes é de seu pai falando insistentemente após a semifinal contra o Real Madrid que não trabalharia no dia da final, mesmo correndo o risco de ser demitido.

Por ironia do destino, seu pai, que deveria estar ocupado na hora da partida, conseguiu uma folga para acompanhar Bayern x Valencia, enquanto Oliver, que deveria ser a pessoa livre da ocasião, não pôde assistir ao jogo.

No mesmo dia da decisão havia uma viagem da escola para o “interior do interior do interior” da Alemanha, um local tão isolado que ninguém sabia como estava no mapa do país. Se estivesse na forma geométrica dividida para as nações asiáticas ou americanas no Mapa Mundi, Oliver entenderia tal distância, mas era Alemanha e custava a acreditar.

O fato era que a cidade estava tão distante do que alguns consideram como “civilização” que não havia nenhum telefone na cidade, muito menos internet ou televisão. Poderiam encontrar alguns rádios durante o caminho, mas a sintonia não era das melhores e as estações se preocupavam mais em tocar músicas tradicionais ou anunciar o preço do arroz.

Os moradores, então, nem se interessavam por esportes. Para eles era perda de tempo, coisa inútil. Mais valia uma plantação bem feita, animais bem tratados e o aconchego familiar do que um jogo bobo.

Como a viagem duraria três dias, Oliver só saberia do resultado no sábado.

– Maldito dia que vim ao mundo – pensava o garoto.

Não havia o que fazer.

O Bayern ganhou, o pai de Oliver festejou, Munique estava em êxtase e ele só soube do motivo quando a população estava de ressaca. O garoto lembra-se de poucas coisas daquela época, era muito jovem, mas guarda com angústia aqueles momentos de distância do time. A partida foi reprisada diversas vezes naquela semana, mas ele optou pelo afastamento da televisão. Não queria ver aquilo, só lhe traria lembranças ruins, recordações do dia que não festejou a glória máxima de seu time.

Em 2010 veio o momento da libertação. Mais maduro, formado no ensino médio, trabalhando e independente, Oliver ia sozinho aos jogos do Bayern e não titubeava em ir aos bares próximos beber após as massacrantes vitórias. Já era um homem, já era um torcedor bávaro.

Cogitou a possibilidade de viajar a Madrid para assistir a decisão contra a Internazionale, mas algo lhe dizia que não seria uma boa ideia. Durante alguns dias, Oliver passou por uma espécie de “inferno astral”, quase sofrendo acidentes, se machucando, recebendo broncas que não recebia normalmente. Em sua ingênua cabeça, aquilo estava acontecendo porque pensou em ir para Espanha assistir ao jogo, logo desistiu da ideia.

No dia da final, reuniu os amigos em sua casa, preparou a cerveja e armou todo ambiente para que se sentissem dentro da decisão. Mas o inferno astral não havia ido embora. O Bayern perdeu, a cerveja esfriou e o clima ficou quente. Houve bate-boca entre os amigos e alguns deles não se falam até hoje.

Sua paciência com o Bayern e a sina de não vencer a Liga dos Campeões da Europa estava acabando. 2012 era o ano limite. A final seria em Munique, os bávaros foram às compras e trouxeram Manuel Neuer para ser o tão aguardado substituto de Kahn, ídolo de Oliver na infância.

Neuer era um dos poucos que não lhe inspiravam confiança, mas não era pelo motivo que trazia os mesmos suspiros em outros torcedores – ser cria do Schalke 04 – mas sim por ele ser o primeiro grande goleiro do Bayern desde Oliver Kahn. Oliver era fã de seu xará e não aceitava qualquer um na meta de seu time. Se fosse para vestir a camisa 1, que fosse para honrá-la e mostrar ao mundo toda raça bávara e Neuer seria cobrado até demonstrar tais características.

Essa birra de Oliver só caiu na semifinal, novamente contra o Real Madrid. Ele havia assistido todos os jogos em casa, mas se engajou em viajar para Espanha acompanhar aquela partida e não se arrependeu… Ou melhor, se arrependeu. Naquele mesmo dia, pediu perdão por todas as críticas, cornetadas, xingamentos e tudo mais que havia feito a Neuer nos últimos meses.

Ver aquele alemão embaixo dos três postes agindo como um leão perante um adversário espanhol em uma disputa de pênaltis lhe trouxe a imagem nunca vista de Kahn contra o Valencia em 2001. No instante que Neuer agia, Oliver voltou a se sentir como um garoto de 11 anos, imaginando que via em campo Élber, Effenberg, Scholl e, principalmente, Kahn. Foi com aquele time que teve sua iniciação em campos de futebol e guarda lembranças sentimentais destes jogadores até hoje.

Nada o faria perder a decisão da Allianz Arena, nem mesmo um novo “inferno astral”. Os ingressos já estavam comprados, os compromissos desmarcados e o teste cardíaco… Bom, o teste seria durante o jogo, dentro do estádio.

Oliver fazia parte daquele mar vermelho, ele sentia que aquilo poderia pesar contra o Chelsea. O adversário, aliás, era um time que não lhe inspirava nenhuma simpatia. Lembra-se daquele assunto que nosso personagem “não gosta de transferências milionárias”? Pois é, esse é o motivo que fazia com que Oliver alimentasse certo ódio pelo time azul.

A bola havia rolado e o coração batia de forma nunca antes notada. Era um momento único e nosso protagonista não aceitava sair do estádio sem o título.

O placar zerado ao fim dos tensos 45 minutos iniciais deixavam Oliver cada vez mais nervoso. Seu tradicional lanche de intervalo ficou de lado. Preferiu ir ao banheiro e jogar uma água no rosto, ele suava como nunca.

Seu nervosismo era tanto que, na volta para seu lugar no estádio, passou por amigos e colegas de trabalho e não os viu. Dias depois foi cobrado por não dizer nada, cumprimentar ou fazer um simples sinal, mas não havia o que falar. Enquanto seguia o percurso, a única coisa que enxergava era sua cadeira. Não era concentração, era tensão.

Durante o segundo tempo, Oliver não tinha certeza se passaria no teste cardíaco. Perdeu a conta de quantas vezes ficou sentado em lances de perigo e em pé em bolas controladas da defesa. Perdeu a noção de tudo, não conseguiu distinguir o que era certo ou errado e xingava até passe certo de seu time.

Quando começou a se conformar com mais trinta minutos de sufoco, veio o gol de Thomas Müller. Oliver não se conteve. A característica “frieza alemã” deu espaço a euforia, a loucura e aos gritos e pulos de alívio.

Oliver não sabia e tudo aquilo era verdade ou se o coração já estava parado e o que acontecia era obra da fantasia criada em sua mente. Ele sabia que a mente poderia pregar peças, mas o trapaceiro da vez não foi seu cérebro e sim Didier Drogba.

O marfinense foi durante toda semana a maior preocupação bávara. As esperanças de título do Chelsea passavam por ele e o Bayern sabia disso. Oliver nunca foi daqueles que levantavam a ideia de “quebrem o craque adversário”, mas na partida, sua mente estava tão agitada que gritava “quebra, quebra” nos poucos toques na bola de Drogba.

Ninguém do time o ouviu. Talvez se ouvissem, quebrassem o jogador ou nem dessem bola. Se dessem, sairiam no lucro. O golpe de cabeça do marfinense no gol de empate londrino foi de mesma intensidade que um tiro no peito. Direto, reto, veloz e fatal.

Oliver desabou, não sabia o que fazer. Ele tinha consciência de que teria a prorrogação pela frente, mas não acreditava que aquele gol havia acontecido.

O tempo extra tinha um sentimento diferente para nosso personagem. Ele não estava nervoso como antes, parecia mais um ser em estado vegetativo, se é que podemos descrever assim. Seu corpo estava lá, sua visão acompanhava cada lance, mas a alma estava perdida. Nem mesmo quando Robben perdeu o pênalti ele esboçou uma reação mais clamorosa. Lamentou, como todos no estádio fizeram, mas, feito um robô, voltou seus olhos ao jogo.

Era chegada a hora da disputa por pênaltis. Havia um misto de emoções na Allianz Arena. Uns choravam, outros gritavam, uma parte do estádio mostrava confiança, outra parte sentia medo. Alguns poucos ficavam de costas para o gramado só para não ver o que se passaria.

Oliver mantinha seu status robótico. Ele estava de pé, com os braços cruzados e com os olhos fixos em Manuel Neuer. Em algum lugar de seu peito queria que o antigo arqueiro do Schalke voltasse a invocar Kahn e deixasse a ‘orelhuda’ em Munique. A fixação era tão grande e assustadora que Oliver nem notou as cobranças desperdiçadas por Ivica Olić e Bastian Schweinsteiger. Só se deu conta de que voltaria a viver uma decepção quando viu Drogba convertendo a cobrança que rendeu o título ao Chelsea.

Esse dia ficou marcado como um divisor de águas para Oliver. Enquanto 90% dos torcedores bávaros deixavam a Allianz Arena de forma cabisbaixa, o rapaz permanecia em sua cadeira e tentando entender o que havia se passado. Aquele momento foi o pior de sua vida, nunca havia presenciado algo tão chocante, isso que trabalhava em uma escola lotada de crianças que adoram correr de forma aloprada e que invariavelmente surgiam com cortes profundos em suas frágeis pernas.

Daquele dia em diante, Oliver queria fazer sua própria felicidade e decidiu não se envolver tanto com o futebol. Ele percebeu que não era muito saudável andar cabisbaixo por causa de uma derrota em um jogo e que era burrice demais entregar o estilo de seu comportamento a 11 jogadores que vestem uma camisa vermelha.

Coincidência ou não, sem Oliver torcendo ferrenhamente, o Bayern vive uma de suas mais gloriosas temporadas da história. Em nenhum momento pensou em ir a Allianz Arena acompanhar seu time. Além disso, passou a se contentar em saber apenas o resultado da última partida, às vezes, nem isso era preciso para que seu dia transcorresse normalmente.

O único jogo que ousou bisbilhotar pela televisão foi contra o Arsenal. Viu o começo e desligou após o gol londrino, percebeu que não era uma boa ideia continuar em frente à telinha. Efeito do “choque Chelsea”.

O tempo foi passando e o terremoto bávaro seguia em Munique. Oliver tentava se manter distante do Bayern, mas o Bayern queria ficar próximo de Oliver. Não havia escapatória, apesar da relutante fuga.

Hoje faltam dois jogos para o término da temporada, duas decisões, diga-se de passagem. Oliver acreditava que poderia permanecer alheio a tudo, mas ele não esperava que um episódio acontecesse.

Faltando uma semana para o embate com o Borussia Dortmund pela Liga dos Campeões, o chefe de Oliver o chamou em sua sala para receber um convite. Nosso protagonista já imaginava se tratar de uma promoção ou um aumento de salário, mas não era nada disso.

O filho do chefe trabalha em uma das empresas que patrocinava a Liga dos Campeões. Empresa essa que distribuiu algumas dezenas de ingressos para funcionários e o chefe de Oliver também recebeu alguns. Inesperadamente, vários empregados da escola receberam ingressos e passagens pagas para a decisão como forma de agradecimento do chefe pelos vários anos de dedicação.

Oliver foi um dos contemplados e nem sabia o que dizer. Não queria fazer a desfeita de rejeitar um presente daqueles, assim como não queria quebrar sua sina de deixar o Bayern de lado naquele ano. Aceitou o convite, mas não decidiu se vai ou não para Londres. Esse é o dilema.

E vocês? O que fariam na situação de Oliver?

TOP 7 – Momentos chave das oitavas-de-final

Barcelona, Bayern, Borussia Dortmund, Galatasaray, Juventus, Málaga, Paris Saint-Germain, Real Madrid são os grandes vencedores da fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League. Os oito times citados estarão envolvidos no sorteio da sexta-feira que irá encadear os caminhos de cada um na próxima fase da competição.

Para valorizar cada feito, o Europa Football selecionou sete momentos chave das oitavas-de-final. Confira:

7 – O gol de Claudio Marchisio

Celtic x Juventus em Glasgow foi uma partida interessante de assistir. Os italianos foram eficazes e converteram em gol um terço de suas finalizações, enquanto os escoceses finalizaram 17 vezes e não balançaram as redes. Mas a partida em si foi tensa, afinal, o Celtic usou e abusou da bola aérea e do jogo físico, causando alguns apuros para a Vecchia Senhora.

Só que aos 33 minutos da etapa complementar, o meia juventino Claudio Marchisio fez belo gol e deixou a partida em 2×0. O tento italiano derrubou o Celtic que não teve mais forças para atacar e ainda sofreu o terceiro gol. Marchisio acabou trazendo toda tranquilidade que a Juve necessitaria para o restante do jogo, que com 1×0 seria tenso, e para a partida de volta em Turim.

6 – Primeiro tempo

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa(Getty Images)

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa
(Getty Images)

Tanto Bayern quanto Paris Saint-Germain passaram sufoco em seus jogos em casa para garantirem acesso as quartas-de-final da Liga dos Campeões. O que foi preponderante para a afirmação da vaga de ambos, porém, foi o primeiro dos quatro tempos disputados nos dois jogos.

Os bávaros massacraram o Arsenal no Emirates Stadium e levaram o 2×0 para o intervalo, complicando a missão inglesa. O placar final foi 3×1 para o Bayern, o que deu uma margem para uma – exagerada – acomodação no duelo de volta, vencido pelos Gunners por 2×0, mas que valeu a qualificação alemã.

Já o Paris Saint-Germain fez primeiro tempo primoroso contra o Valencia no Mestalla e, assim como o Bayern, foi para os vestiários com dois gols de vantagem e com a sensação de que poderia ter sido melhor. O 2×1 apontado ao término do jogo possibilitou ao PSG o empate obtido no duelo de volta, que lhe garantiu nas quartas-de-final.

Isso só aumenta minha teoria de que o jogo mais importante de um mata-mata é o de ida, pois é onde o confronto está aberto e seu time pode abrir vantagem. Paris Saint-Germain e Valencia aproveitaram bem esse fator, diferentemente do Porto…

5 – Antigas convicções deixadas de lado

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Mircea Lucescu e Fatih Terim, técnicos de Shakhtar Donetsk e Galatasaray, respectivamente, foram duas figuras que abriram mão de suas convicções nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Como o futebol não é uma ciência exata, ucranianos e turcos seguiram caminhos contrários.

O Shakhtar era um time caracterizado por um jogo imponente, de marcação por todo o campo e constante avanço de “homens surpresas”, como Fernandinho e Srna, porém, no duelo de volta contra o Borussia Dortmund, mesmo precisando do gol, os ucranianos decidiram esperar a equipe alemã na defesa e caíram do cavalo. O Shakhtar foi para o intervalo com 2×0 de desvantagem. No 2º tempo, com menos de cinco minutos, o time de Lucescu, mais ousado, fez mais do que toda etapa inicial, mas já era tarde e a eliminação não foi evitada.

Já Fatih Terim, mesmo com Didier Drogba e Wesley Sneijder reforçando seu time, não abriu mão de seu 4-4-2, mesmo deslocando o holandês para o lado esquerdo. Ao ver que o sistema tático não estava funcionando, Terim escalou seu time no 4-3-1-2 na volta contra o Schalke em Gelsenkirchen. Sneijder, outrora sumido, teve atuação destacável como armador e foi um dos responsáveis, ao lado de Yilmaz e Terim, pela classificação turca.

4 – Olho neles

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto(Getty Images)

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto
(Getty Images)

Durante a fase de grupos da competição, dois jogadores chamaram a atenção sem estar nos times considerados favoritos: Isco do Málaga e Burak Yilmaz do Galatasaray. Na fase de mata-mata, onde seria normal que sentissem a pressão de serem os grandes nomes de seus times, corresponderam à altura.

O espanhol Isco participou dos dois gols do Málaga na vitória sobre o Porto que lhe garantiu na fase seguinte do torneio. O meia abriu o placar com um belo chute de fora da área e deu o passe para Santa Cruz anotar o tento de qualificação. Já Yilmaz manteve a escrita de marcar desde a terceira rodada da fase de grupos e balançou as redes nos dois duelos contra o Schalke, acumulando oito dos onze gols do Galatasaray e lhe deixando com a artilharia da Liga dos Campeões ao lado de Cristiano Ronaldo.

3 – A expulsão de Nani

A partida entre Manchester United e Real Madrid ganhava contornos dramáticos. Os ingleses venciam por 1×0 e garantiam a classificação, enquanto os espanhóis precisavam do empate para forçar a prorrogação. Parecia que teríamos um restante de partida movimentado e tenso, porém, o árbitro chamou a atenção para si.

Aos 11 minutos da etapa final, após bola rebatida da entrada da área do Manchester, Nani estava soberano e tentou dominar com o pé no ar. Observando apenas a bola, o português não viu a chegada de Arbeloa e atingiu o adversário. Lance acidental, talvez para cartão amarelo, mas o rigoroso Cüneyt Çakir decidiu expulsar Nani.

A exclusão do jogador português mudou os rumos da partida. O Manchester, que já marcava mais do que atacava, teve de recuar por completo, enquanto o Real Madrid se mandou para o ataque e conseguiu o resultado que desejava, a virada. Parte da classificação deve ser colocada na conta de Çakir e na expulsão de Nani.

2 – Bola na trave de Niang

A tônica de Barcelona x Milan no Camp Nou era previsível: catalães no ataque e italianos se defendendo, esperando uma mísera chance para marcar o gol que complicaria a vida do adversário. Com o Barcelona vencendo pela placar mínimo, o que ainda era favorável ao Milan, veio a grande chance aos 37 minutos da etapa inicial. Após falha de Mascherano, o jovem M’Baye Niang escapou com liberdade e ficou cara-a-cara com Victor Valdés. O francês de 18 anos sentiu a pressão e acertou a trave. Foi a grande chance do Milan na partida toda. Para piorar, menos de dois minutos depois, Messi fez o segundo gol do Barcelona e deu sequência a goleada catalã.

O possível gol de Niang daria ares dramáticos a partida, afinal de contas, o empate milanista obrigaria o adversário a fazer três gols para se classificar para fase seguinte.

1 – Fazendo jus ao nome

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona(Getty Images)

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona
(Getty Images)

Cristiano Ronaldo e Messi são, indiscutivelmente, os melhores jogadores da atualidade. Na fase de oitavas-de-final do torneio eles fizeram jus a tal status e ajudaram a dupla Barça-Madrid a conquistar a classificação.

O gajo português evitou a derrota madridista na ida ao marcar um gol de cabeça semelhante ao feito na final da competição em 2008, quando defendia justamente o Manchester United. No duelo de volta, em Old Trafford, Cristiano Ronaldo, mais apagado que o normal, apareceu na hora certa e anotou o segundo tento do Real Madrid, classificando seu time para a próxima fase.

Enquanto isso, seu “rival” Messi, após nem aparecer na ida em San Siro, foi um dos grandes responsáveis pela virada no duelo de volta, quando fez os dois primeiros gols do Barcelona na goleada por 4×0 sobre o Milan.

Não bastou ter o status, mas eles fizeram justiça a tal alcunha.

Prévia das oitavas de final da Champions League – Parte 1

A UEFA Champions League está de volta. O maior torneio interclubes do planeta reunirá os dezesseis melhores times da fase de grupos em oito empolgantes duelos de ida e volta. Nesta semana, serão realizados os primeiros quatro confrontos com alguns campeões e favoritos em campo. O Europa Football preparou uma prévia especial para esses quatro jogos.

Nos próximos parágrafos, você irá saber de tudo que envolve Valencia x Paris Saint-Germain, Celtic x Juventus, Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund e Real Madrid x Manchester United, com informações, estatísticas e muita opinião. Confira toda prévia abaixo:

-> Valencia x Paris Saint-Germain

O duelo que coloca frente-a-frente espanhóis e franceses tem tudo para ser interessante na questão tática. O Valencia fará o primeiro jogo no Mestalla, a tendência seria ir ao ataque e buscar o resultado, mas irá encontrar um time muito forte defensivamente e que se sai bem nos contra-ataques, porém, que enfrenta muitas dificuldades com adversários retrancados. É o dilema de Ernesto Valverde: atacar e, possivelmente, sofrer ou defender e esperar o contra ataque.

Possível time escalado por Ancelotti

Por isso, podemos afirmar que o PSG é favorito no confronto. O time de Carlo Ancelotti chegará com a responsabilidade de cumprir com todas as expctativas geradas em torno do elenco antes da temporada iniciar, porém, tem em mente que pode aplicar seu jogo de aproximação dos pontas com os atacantes e avanços dos laterais com relativa tranquilidade, pois o Valencia estará em seu dilema de enfrentamento, provavelmente, definido enquanto a bola rolar.

Outro ponto que torna o time francês favorito no duelo é seu técnico, Carlo Ancelotti, que conhece como poucos os atalhos para conquistar a orelhuda, além disso, o PSG teve a melhor campanha entre os 32 times da fase de grupos. O detalhe é que esses resultados foram obtidos no momento em que Carlo Ancelotti ainda buscava a melhor formação e curiosamente, o 4-4-2 ao melhor estilo britânico, esquema usado hoje pelo time, começou a ser testado contra o Porto, no último jogo da fase de grupos. Em outras palavras, o PSG conquistou a maior parte dos pontos sem estar em sua melhor forma tática.

A esperança parisiense fica depositada em Zlatan Ibrahimović. O sueco é, disparado, o artilheiro do Campeonato Francês e um dos principais assistentes do time. Porém, a Liga dos Campeões é uma espécie de carma do atacante, que persegue o troféu há anos, mas sempre falha no meio do caminho. Ibra tentará fugir do estigma de “pipoqueiro” na UEFA Champions League com o experiente Ancelotti no comando.

Vale observar o comportamento dos atletas do Paris Saint-Germain em campo. Muitos deles estão em sua primeira Liga dos Campeões, consequentemente, em sua primeira disputa de mata-mata na competição, talvez falte a famosa cancha. Lucas é o exemplo mais claro. O brasileiro desembarcou há pouco tempo na França e vem encontrando a melhor maneira de se encaixar no time. Teoricamente, é titular, mas talvez perca espaço nesses jogos por ser muito jovem.

Possível time do Valencia

Já o Valencia procura repetir o feito da temporada 2006/07, quando chegou pela última vez à fase de quartas-de-final. O time espanhol vive um novo momento com Ernesto Valverde, que substituiu Mauricio Pellegrino no final de 2012 e conseguiu recolocar a equipe em posições respeitáveis na Liga BBVA. Desde a chegada do novo comandante, os Che sofreram apenas duas derrotas, conseguiram empatar com o Barcelona e se tornaram realidade na briga por uma vaga na próxima Liga dos Campeões, já que o Málaga, time que ocupa a última vaga para o torneio na Espanha, está proibido de disputar a próxima edição.

O empate entre Valencia x Barcelona é um tema pertinente a ser levantado por Ancelotti a seus jogadores. Na partida em questão, Valverde conseguiu estabelecer uma estratégia para neutralizar a presença de Messi. Convenhamos, se conseguiram parar o argentino, conseguem parar qualquer um, não que seja fácil, mas já é um ótimo parâmetro.

Vale destacar também o embate defesa-ataque. O PSG tem sofrido poucos gols e o goleiro italiano Salvatore Sirigu quebrou o recorde de Bernard Lama ao permanecer 948 minutos sem ser vazado. Enquanto isso, o Valencia tem um ataque forte e muito entrosado com Soldado e Jonas.

Porém, o time francês não deverá contar com Thiago Silva que está lesionado. Alex, parceiro de Thiago, retornou do estaleiro somente agora, podendo formar uma zaga mais física com Sakho. O possível desfalque do time espanhol pode ser Cissokho, ex-Lyon.

DE OLHO: Muitas atenções às duplas ofensivas dos dois times. De um lado, Lucas e Ibrahimović, do outro, Soldado e Jonas. Pela equipe parisiense, o ex-são-paulino Lucas já descobriu qual é a receita do sucesso e já começou a distribuir suas assistências para Ibra, enquanto o sueco vive fase esplendorosa. Apesar de contar ainda com nomes do naipe de Pastore e Lavezzi – e Beckham, que ainda não iniciou a série de treinamentos – a dupla milionária é a que chama mais atenção. Já a dupla, Jonas e Soldado possui mais rodagem e são os principais nomes do time ao lado de Feghouli, porém, somente a dupla formada por Jonas e Soldado é responsável por 14 dos 32 gols do time na Liga BBVA.

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-> Celtic x Juventus

Fazia tempo que não escutávamos o nome de Celtic e Juventus em uma fase eliminatória da Liga dos Campeões. Os escoceses passaram algumas edições morrendo ainda na fase prévia do torneio, enquanto os italianos, neste momento de reconstrução, tiveram de amargar alguns anos longe da competição. Nos números, é a primeira participação do Celtic nas oitavas de final desde a temporada 2007/08, enquanto a Juventus esteve nesta fase pela última vez na temporada 2008/09.

Possível Celtic de Neil Lennon

Falando dos times, começamos com o Celtic, que sem o rival Rangers em sua liga doméstica, lidera com tranquilidade, com dezoito pontos de vantagem para o vice-líder Inverness. A equipe de Neil Lennon tem o ataque mais positivo, a defesa menos vazada, a maior quantidade de vitórias e a menor de empates, liderança absoluta.

O principal jogador do time tem sido o atacante Gary Hooper, de 25 anos. Ele foi o artilheiro do Celtic nas últimas temporadas e nessa já balançou as redes em 13 oportunidades. Em 2013, Hooper tem cinco gols em quatro jogos no Campeonato Escocês. Outro nome de destaque do time é o queniano Victor Wanyama, que é peça de confiança de Lennon por cumprir bem as funções de volante e zagueiro.

A tendência é que o Celtic vá a campo com o 4-4-2, variando para o 4-4-1-1, mas não se surpreenda caso Neil Lennon escale seu time com três zagueiros. O treinador norte-irlandês testou o 3-5-2 em algumas partidas do Campeonato Escocês, provavelmente pensando no que irá encarar contra o time italiano.

A Juve não deve abandonar o 3-5-2

A Juventus não vem tendo vida tão fácil assim na Série A. Apesar da liderança, o time de Antônio Conte é perseguido de perto pelo Napoli. A distância entre as duas equipes é de cinco pontos. Porém, assim como o adversário escocês, a Juve tem o maior número de vitórias, é o que menos perdeu e tem o melhor saldo do campeonato.

Chama à atenção no elenco juventino, a mescla de experiência e juventude, ao mesmo tempo, com a adequação de cada setor ao protagonismo. Buffon, Barzagli e Pirlo são pra lá de experientes. O trio já ultrapassou a marca dos trinta anos, são atletas de seleção, mas são tão importantes quanto Giovinco, Vidal e Pogba, que não tem a mesma bagagem dos demais citados, mas tem sido tão decisivos quanto.

Aliás, falando em Pogba, suas participações têm sido muito importantes nessa temporada. O francês já anotou quatro gols na temporada e mesmo aos 19 anos, joga com regularidade e vê seu nome sendo especulado na seleção francesa. Atuar próximo de Pirlo deve dar a liberdade necessária ao garoto para brilhar na pesada UEFA Champions League.

DE OLHO: Visão atenta aos goleiros menos vazados das ligas da Escócia e Itália, não só por este feito, mas pelo contraste da idade: Buffon tem 35 anos, já Forster tem 24. O italiano é ídolo em Turim, é um dos melhores goleiros do planeta e, com certeza, um dos principais nomes da posição nos últimos 20 anos. Ainda tem lenha para queimar e se livrou das lesões, é uma das peças decisivas da Juventus para o confronto, pois o Celtic irá de franco atirador e Gigi terá de trabalhar pouco, mas de forma eficaz. Já Fraser Forster é jovem ainda, é nove anos mais novo que Buffon, mas só ganhou notoriedade na temporada 2009/10, atuando pelo Norwich City. O goleiro está desde 2010 no Celtic e chamou a atenção do mundo no duelo contra o Barcelona pela fase de grupos da UEFA Champions League, onde fez defesas monumentais e teve uma atuação de “classe mundial”.

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-> Shakhtar Donetsk x Borussia Dortmund

Esse é um dos confrontos mais interessantes da fase de mata-mata. O Shakhtar Donetsk mostrou ao continente que há bom futebol na Ucrânia, obra de Mircea Lucescu e sua frota brasileira, agora falta provar em um âmbito maior. Já o Borussia Dortmund mostrou que sua nova geração não está destinada a brilhar apenas em campos germânicos e deixou Real Madrid, Ajax e Manchester City para trás na fase de grupos.

Shakhtar de Lucescu

Na Ucrânia, o Shakhtar nada de braçada e lidera o campeonato nacional com treze pontos de vantagem para o Dnipro com uma campanha quase perfeita: 17 vitórias e uma derrota em 18 jogos. O time de Lucescu balançou as redes 52 vezes, sofreu apenas nove gols e ainda conta com o artilheiro Mkhitaryan, 18 tentos. Porém, o Campeonato Ucraniano está parado nesta época do ano e o ritmo de jogo pode atrapalhar demais o Shakhtar neste momento da temporada. Outros times dessa região da Europa já mostraram, em anos anteriores, que essa pausa pode ser prejudicial.

Ficamos sabendo do que o os ucranianos são capazes ainda na fase de grupos: marcação avançada, pressão na saída de bola, movimentação constante dos homens de frente, toques rápidos e participação efetiva dos homens de trás, como o brasileiro Fernandinho, que é um dos diferenciais deste time.

O outro diferencial era o compatriota Willian, mas ele optou por se transferir para o Anzhi da Rússia. Para seu lugar chegou o também brasileiro Taison, que defendia o Metalist. Mudam as características – Willian é mais habilidoso e técnico, enquanto Taison é vertical e muito veloz – mas não as funções, que é atuar pela beirada do campo.

Borussia DortmundO Borussia Dortmund ainda sonha com tricampeonato nacional, apesar da distância para o Bayern. O time comandado por Jürgen Klopp iniciou 2013 com a corda toda, marcando muitos gols e confirmando a dependência de Kuba, que dá outro ritmo ao time borussiano, apesar das envolventes participações de Reus, Götze e Lewandowski. Sem o polonês, a cadencia fica excessiva, é justamente ele que imprime ritmo e é uma peça chave do elenco.

Favorito no confronto, o Dortmund chega para o duelo carregando nas costas um duro tropeço diante do Hamburg no último fim de semana. Os comandados de Klopp foram goleados por 4×1 pelo time do norte alemão em jogo marcado por uma arbitragem fraca e pela péssima atuação defensiva do BvB.

Vale destacar o retorno de Nuri Şahin, que tem tudo para dar outra dinâmica ao time de Klopp. Apesar de ainda ser reserva e não ter incorporado o estilo de jogo, o turco é uma opção para ajudar o time a controlar o meio campo, afinal, tem bom toque de bola, característica semelhante ao de Gündoğan, titular da posição.

Tecnicamente, não há qualquer questionamento quanto ao time do Borussia Dortmund. Eu já acreditava que pudessem surpreender na temporada passada, quando fracassaram na fase de grupos, agora se tornou realidade pelas imponentes participações contra os campeões de Holanda, Espanha e Inglaterra. O único “porém” está na questão da cancha do elenco. Dentre os atletas mais utilizados por Klopp, apenas o capitão Kehl tem vasta experiência, no restante, apesar de participações internacionais, ainda falta uma bagagem que apenas o camisa 5 tem.

Vale ressaltar a falta do zagueiro sérvio Neven Subotić, que se contundiu na pré-temporada e vem retornando aos poucos. O brasileiro Felipe Santana tem o substituído, mas claramente não está a altura do titular, que além de ser muito técnico e eficiente no jogo aéreo, se completa com Mats Hummels.

DE OLHO: Batalha muito interessante no meio campo. O Shakhtar deverá ter Stepanenko na proteção, com Fernandinho mais solto, buscando conduzir a bola ao setor ofensivo e ainda se preocupar com a defesa. Mais a frente, Taison, Mkhitaryan e Alex Teixeira devem dar trabalho a desfalcada defesa alemã, como fizeram com Chelsea e Juventus. No lado borussiano, Kehl e Bender lutam por um lugar no time, o escolhido protegerá a defesa e desempenhará função tática importante ao dar a liberdade necessária para Gündoğan sair para o jogo e se juntar a Kuba, Reus e Götze, que se movimentam como poucos e confundem qualquer tipo de marcação, fora a qualidade técnica do quarteto, que nem é preciso repetir. São formações com características semelhantes e que devem dar ao jogo uma característica bem agradável.

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-> Real Madrid x Manchester United

Esse é o confronto mais esperado desta fase. Frente a frente, dois dos mais vitoriosos times do continente e também o duelo de dois técnicos marcantes da história recente do futebol inglês: Sir Alex Ferguson e José Mourinho. Porém, o que deveria ser um confronto imprevisível, já começa com um favorito destacado: o Manchester United.

Claro que o time inglês tem seus méritos, mas parte significativa desse status vem da fraca campanha do Real Madrid no Campeonato Espanhol. O time merengue acumula nove tropeços – cinco derrotas e quatro empates –, três há mais que na temporada anterior. Pior ainda é ver o Atlético, rival local e eterno motivo de chacota, estar com quatro pontos de vantagem.

Real MadridNão é segredo para ninguém que estes resultados ruins são obras da intensa crise interna vivenciada pelo clube. As informações que circulam na imprensa dão conta de um racha no elenco, que estaria dividido entre os amigos de Mourinho – entenda-se, agenciados por Jorge Mendes – e inimigos de Mourinho.

Entre os desafetos do português, deve estar Kaká. O brasileiro tem apenas oito participações no Campeonato Espanhol e em muitos jogos nem é colocado no banco de reservas. Enquanto isso, Callejón entra em diversas partidas para mudar quase nada. Sim, sei que são de posições diferentes, mas é absurdo gastar tanto em um jogador do nível do Kaká para não ficar nem no banco.  Outro desafeto era o goleiro e capitão Iker Casillas, que chegou a ir para o banco de reservas por “deficiência técnica”. Ele se contundiu e está fora do duelo e o Real agiu rápido ao trazer Diego López para substituí-lo.

A esperança fica toda depositada em um “brilhareco” de Cristiano Ronaldo, que apesar do conturbado ambiente interno, um inacreditável gol contra marcado contra o Granada e a interminável briga estatística com Messi – com o argentino, quase sempre, levando vantagem – ainda é um dos principais jogadores do mundo. Foram 24 gols em 22 partidas do time no Campeonato Espanhol, não podemos rejeitar isso. Além disso, Ronaldo irá enfrentar o clube que deu um up em sua carreira, o Manchester, isso é uma motivação para o português.

ManUtdA vida mancuniana tem sido bem mais tranquila que a madridista. O time lidera a Premier League com doze pontos de vantagem para o rival local, Manchester City, tem o melhor ataque, é a equipe que menos empatou na competição e ainda fez uma das principais contratações da temporada europeia: Robin van Persie.

O holandês, trazido a peso de ouro do Arsenal, não sentiu nenhuma dificuldade em vestir a camisa do rival dos londrinos e lidera o ranking de artilheiros da Premier League com 19 gols. Junto com Wayne Rooney, que já balançou as redes em 10 oportunidades, van Persie tem formado um dos ataques mais avassaladores da Europa com 62 gols marcados.

Porém, a defesa deixa um pouco a desejar. Foram 31 gols sofridos e entre os dez primeiros colocados da Premier League, apenas Liverpool, Everton e West Bromwich viram suas redes serem balançadas em mais oportunidades. Parte desses dados pode ser jogado na conta da ausência de Vidić, que ficou muito tempo lesionado, mas nem todo o peso, afinal, o sérvio tem jogado com regularidade em 2013 e o United segue sofrendo muitos gols.

É esse fator que dá uma equilibrada no duelo. O avassalador ataque inglês terá de ser mais eficaz que o monstro português para levar o duelo, pois é improvável que sua defesa dê conta. Expectativa de muitos gols nesse duelo.

DE OLHO: Em Cristiano Ronaldo. Sei que nos outros confrontos destaquei algum duelo individual ou coletivo da partida, mas chama muito a atenção o retorno do português ao Teatro dos Sonhos. Além de ser a grande, senão única, esperança madridista para o confronto, Cristiano Ronaldo baterá de frente com uma defesa que conta com bons nomes, mas que não desempenha em campo toda a eficiência prevista. O Manchester United é favorito, mas esse ponto deixa o duelo menos desequilibrado, porque o português, além de estar no hall de melhores do mundo, é decisivo e vive grande fase na carreira.

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E se a Conmebol fizesse o sorteio da Liga dos Campeões?

O sorteio dos jogos das oitavas de final da UEFA Champions League já foi realizado e, certamente, vocês já conhecem todos os duelos e até imaginam o que poderá acontecer no início de 2013. Essa análise deixo para o ano que vem, afinal, muita água vai rolar debaixo da ponte até lá.

Mas você já parou para imaginar qual seria o desfecho desse sorteio se os critérios adotados pela UEFA fossem os mesmos da Conmebol? Como não é segredo para ninguém, a organização europeia é muito criteriosa nos seus sorteios e divide os times em dois potes: dos líderes e dos vice-líderes. Além disso, impede que times do mesmo país e que estiveram no mesmo grupo se encontrem logo de cara nas oitavas de final. Enquanto isso, a confederação da América do Sul obriga os times a fazerem contas nas rodadas finais da fase de grupos da Copa Libertadores para escolherem seus adversários, pois há uma classificação geral onde o melhor colocado enfrenta o pior, o segundo encara o décimo quinto e assim por diante.

Pensando nisso, mostro abaixo quais seriam os jogos das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa se fossem seguidos os critérios de sorteio da Copa Libertadores. Confira:

UCL

Oitavas cópia

Analisando os dois sorteios, pude tirar algumas conclusões:

*A vida do Milan ficaria mais tranquila… Mas nada que tornasse sua chance de classificação muito real;

*O Arsenal também teria um adversário mais fraco e talvez tivesse mais chance com o Valencia do que o Milan teria com o PSG;

*O Real Madrid respiraria aliviado, pois pegar o Porto não é tão complicado quanto enfrentar o Manchester United;

*Porém, os mancunianos continuariam com tarefa complicada diante dos campeões italianos;

*E o Schalke seguiria com relativa sorte ao bater de frente com o Málaga;

E vocês? Comparando os dois sorteios, o que acharam? Invadam a caixa de comentários e deem seus pitacos antes que o mundo acabe!

TOP 7: Os quinze campeões (Parte 2)

Dando sequência à série com os quinze treinadores europeus que venceram torneios nacionais, continentais e mundiais, passo hoje os últimos sete nomes desta lista. Nesta segunda parte, teremos duas faixas bônus, sendo um técnico europeu e outro sul-americano, mas que obteve tal feito por um clube europeu.

Confira a parte final desta lista abaixo:

Faixa Bônus1 – Helenio Herrera – Internazionale

Está certo que Helenio Herrera é argentino, mas ele tem traços franceses e fortes relações com os italianos, então vale essa menção honrosa. Herrera ganhou quatro campeonatos espanhóis, dois pelo Barcelona e dois pelo Atlético de Madrid. Porém, Milão foi o local onde concluiu a trinca de títulos. Foi pela Inter que venceu o Campeonato Italiano em 1962/63 e a Liga dos Campeões na temporada seguinte – curiosamente, vitória sobre o Real Madrid, seu rival em tempos de Espanha. No Mundial Interclubes, os nerazzurri reverteram a vantagem do Independiente da Argentina em três jogos e venceram o torneio. No ano seguinte, novo título europeu para Herrera, esse sobre o Benfica e mais um título mundial em cima do Independiente.

7) Marcelo Lippi – Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

O italiano Marcelo Lippi passou por uma penca de times em sua carreira, mas suas conquistas mais gloriosas foram na Juventus – além de vencer a Copa de 2006 pela Itália. Foram treze títulos na equipe de Turim. A primeira vez que conquistou o Campeonato Italiano foi na temporada 1994/95. No ano seguinte, veio o título europeu conquistado em cima do Ajax na disputa por pênaltis.

Em dezembro de 1996, a Juventus deu de cara com o River Plate na final do Mundial Interclubes. Em jogo muito disputado, a decisão veio dos pés de Del Piero, que aos 36 minutos da etapa complementar, fez o gol que valeu o título mundial ao time de Lippi.

A Juve quase repetiu este feito em outras oportunidades. O título italiano veio mais quatro vezes, mas a Liga dos Campeões bateu na trave três vezes. Em 1997 contra o Borussia Dortmund, 1998 diante do Real Madrid e em 2003 contra o rival Milan.

Faixa Bônus2 – Guus Hiddink – PSV Eindhoven e Real Madrid

Conhecido por seus trabalhos em seleções, o holandês Guus Hiddink também botou suas manguinhas de fora nos clubes em que passou. Pelo PSV, foram duas passagens, ambas somando títulos. Entre 1987 e 1990, foram três conquistas do Campeonato Holandês e duas da Copa da Holanda. A temporada 1987/88 foi a mais marcante de Hiddink em Eindhoven. O título holandês veio graças ao ataque avassalador de 117 gols e em seguida, veio o título europeu. Diferentemente do torneio doméstico, a campanha continental não foi das melhores – três vitórias, cinco empates e uma derrota -, mas ainda assim veio o título nos pênaltis diante do Benfica.

No Mundial Interclubes não deu outra: novo empate, desta vez, em 2×2 com o Nacional do Uruguai. Na decisão por pênaltis, vitória dos sul-americanos. Hiddink só completou a série de títulos dez anos depois treinando o Real Madrid. Na final, os madridistas bateram o Vasco da Gama.

Em sua segunda passagem pelo PSV, já nos anos 2000, conquistou três vezes o Holandês.

6) Ottmar Hitzfeld – Dortmund e Bayern

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

O suíço Ottmar Hitzfeld está no seleto grupo de técnicos que conquistaram a UEFA Champions League por duas equipes diferentes, primeiro pelo Borussia Dortmund em 1997 e depois pelo Bayern em 2001. Curiosamente, antes de conquistar a Europa por esses times, ele já acumulava dois títulos alemães por cada clube. A grande diferença é que Hitzfeld parou nesses dois com os aurinegros, mas com os bávaros vieram mais três conquistas.

Também foi com o time da Baviera que veio seu título mundial. Em 2001, Samuel Kuffour salvou o Bayern na prorrogação contra o Boca Juniors e os alemães levaram o caneco. Hitzfeld só não fez isso pelo Borussia Dortmund por ter deixado o clube após o título europeu.

5) Vicente Del Bosque – Real Madrid

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Vicente Del Bosque está próximo de completar 62 anos e se, hipoteticamente, decidir se aposentar, vai poder dizer, com o maior orgulho, que ganhou praticamente tudo que disputou. Antes mesmo de conquistar o Campeonato Espanhol, o Real Madrid de Del Bosque já havia ganhado a “orelhuda” na final espanhola diante do Valencia em 2000. Porém, os espanhóis pararam no Boca Juniors de Riquelme e Palermo e não se sagraram campeões mundiais.

Na temporada seguinte, o Real Madrid voltou vencer o Campeonato Espanhol após três anos. No ano posterior, não veio o bicampeonato nacional, mas veio outro título europeu, conquistado graças a maestria de Zidane. No final do ano, os merengues foram à forra e conquistaram o mundo ao bater o Olímpia do Paraguai por 2×0.

Anos mais tarde, Del Bosque completou sua sala de troféus, simplesmente, com a Eurocopa e a Copa do Mundo.

4) Carlo Ancelotti – Milan

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Foram oito anos vitoriosos de Carlo Ancelotti no Milan, onde ganhou muita coisa e se fixou como um dos grandes técnicos do continente. Assim como o comandante citado anteriormente, o italiano ganhou primeiro o título europeu. A conquista veio em 2003, na disputa de pênaltis vencida diante da Juventus. Nos pênaltis também veio a derrota no Mundial Interclubes para o Boca Juniors. No ano seguinte, os rossoneros conquistaram seu 17° scudetto na Itália, primeiro de Ancelotti.

Após perder uma Champions League de forma inacreditável para o Liverpool em 2005, o Milan retornou a final do torneio em 2007 e se vingou do time inglês ao vencer por 2×1. A outra vingança veio no final do ano contra o mesmo Boca Juniors na decisão do Mundial de Clubes.

Carlo Ancelotti ainda acumulou um título do Campeonato Inglês, mas as conquistas internacionais pararam com o Mundial de 2007.

3) Alex Ferguson – Manchester United

Ferguson posou com a "orelhuda" em 1999

Ferguson posou com a “orelhuda” em 1999

Alex Ferguson é outro que pode se gabar de ter ganhado praticamente tudo na carreira, desde os tempos longínquos no Aberdeen e agora no Manchester United. Seus primeiros títulos nacionais foram na Escócia em 1979/80, 1983/84 e 1984/85. Nos Red Devils, o primeiro Campeonato Inglês veio em 1992/93 e juntaram-se a esse título mais onze.

Em 1998/99 e 2007/08, anos em que conquistou o principal campeonato do país, o Manchester de Ferguson também ganhou a Europa e o mundo. Juventus e Chelsea pagaram caríssimos preços em âmbito europeu com dolorosas derrotas, enquanto Arsenal e o próprio Chelsea viram o United ganhar a Premier League por uma diferença curta de pontos.

Em 1999, os ingleses bateram o Palmeiras no Mundial Interclubes, na histórica falha do goleiro Marcos aproveitada por Roy Keane. Em 2008, os derrotados da vez foram os equatorianos da LDU com nova vitória por placar mínimo, desta vez, com gol de Rooney.

2) Rafael Benítez – Valencia, Liverpool e Internazionale

Benítez fez a trinca por três times diferentes

Benítez fez a trinca por três times diferentes

O espanhol Rafa Benítez fez uma “escadinha” pra obter o feito supracitado nesta matéria. Seus únicos títulos de campeonatos nacionais foram na Espanha com o Valencia. Essas conquistas vieram nas temporadas 2001/02 e 2003/04, onde desbancou Barcelona, Real Madrid e, o na época forte, Deportivo La Coruña.

Ao se transferir para a Inglaterra, Rafa venceu de forma heroica a Champions League de 2005 com o Liverpool. Os ingleses foram para o intervalo perdendo por 3×0 e arrancaram o empate no tempo normal e a vitória nos pênaltis. No Mundial de Clubes, os Reds não furaram a barreira armada pelo São Paulo e ficaram com o segundo lugar.

Em passagem nada marcante pela Internazionale, Rafa Benítez ao menos deixou sua marca e bateu o surpreendente Mazembe do Congo na decisão do Mundial de Clubes, completando a trinca de títulos. O espanhol poderá se tornar bicampeão mundial treinando o Chelsea neste ano.

1) Josep Guardiola – Barcelona

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Pep Guardiola é o técnico mais desejado do momento, principalmente dos times que possuem donos milionários dispostos a abrir o cofre para trazê-lo a seu clube. Tal obsessão não existe em vão. O catalão ganhou de tudo no Barcelona. Guardiola disputou quatro edições do Campeonato Espanhol e ganhou três, sendo essas consecutivas.

Já na Liga dos Campeões, o Barça estabeleceu uma freguesia com o Manchester United de Alex Ferguson. Foram duas finais, em 2009 e 2011, e duas vitórias. No Mundial de Clubes, sem grandes decepções. Vitórias sobre Estudiantes e Santos. Se contarmos sua passagem pelo time B do Barcelona, Guardiola acumula quinze títulos em cinco anos de carreira.

*Crédito das imagens: Getty Images

Chance de ouro

O Lyon terminou a temporada 2010/11 aos frangalhos.

Claude Puel era criticado; jogadores do próprio elenco criticavam o técnico; haviam até casos de atletas que saiam no braço com torcedores, graças a má campanha da equipe; contratações como a de Yoann Gourcuff se tornaram verdadeiros fracassos; e a vaga para os playoffs da Uefa Champions League foi conquistada muito mais pelos vários vacilos do Paris Saint-Germain do que por seus próprios méritos.

Era normal então que os torcedores do Lyon não tivessem grandes ambições para a temporada seguinte.

Rémi Garde feliz da vida com o bom início do Lyon

A grande alegria dos torcedores foi a saída de Claude Puel. Porém, no lugar do controverso treinador, chegou o inexperiente Rémi Garde. “Patrimônio” do Lyon – Garde é cria do clube e jogou no OL de 1987 até 1993 -, Garde teria no OL seu primeiro desafio profissional como técnico. Anteriormente, ele havia sido assistente técnico de Paul Le Guen e Gérard Houllier quando estes passaram pelo Lyon. De lá pra cá, virou dirigente e mais tarde treinador dos times de base do OL.

Somada a essa inexperiência, poucos reforços chegaram para Garde, que teve que se virar basicamente com o que Puel também tinha.

Era esperado um início turbulento no Campeonato Francês, sem esquecer da Champions League. O Lyon havia caído num complicado grupo, onde bateria de frente com equipes como Real Madrid e Ajax.

Mas o início de temporada do Lyon foi totalmente diferente do que os torcedores poderiam imaginar.

Nas primeiras seis rodadas da Ligue 1, Les Gones permaneceram imbatíveis. Apenas na 7ª rodada o Lyon veio a perder – 1×0 diante do Caen. Hoje, os comandados de Rémi Garde tem 17 pontos e dividem com Paris Saint-Germain e Toulouse a liderança da liga após 8 jogos.

Não eram só os resultados que chamavam a atenção, mas também o modo como a equipe jogava e se portava dentro das quatro linhas. Era uma atitude bem diferente da vista nos tempos de Puel.

Já na Champions League, o Lyon terá nesta terça-feira uma chance de ouro de começar a encaminhar a vaga para as oitavas-de-final do torneio.

Ajax e Lyon ficaram no zero (Reuters)

Após interessante 0x0 contra o Ajax em Amsterdã, o OL receberá no Gerland a equipe mais fraca do grupo, o Dínamo de Zagreb. Chance de ouro pro Lyon vencer – e vencer bem para fazer saldo – e ir tranquilo pros dois jogos seguidos diante do Real Madrid.

O Lyon tem se mostrado uma equipe bem equilibrada. Lovren e Koné tem estado firmes na marcação, sempre contando com a segurança de Hugo Lloris na meta. No meio campo, Gonalons tem jogado muito bem e feito a torcida do Lyon esquecer Toulalan, enquanto Källstrom segue sendo o maestro da “meiuca”. Mais à frente, o brasileiro Michel Bastos e o francês Gomis tem mostrado bom entrosamento e sempre são a válvula de escape do time. A velocidade de Bastos somada com a presença de área de Gomis são fatores que contribuem para uma maior combinação entre ambos, e consequentemente, no entrosamento e evolução do time.

Jogando em casa, o Lyon tem a obrigação de bater o Dínamo de Zagreb, pois se não conseguir isso, o 0x0 conquistado na Amsterdã ArenA de nada servirá. Uma boa vitória sobre os croatas deixará o time francês mais leve e tranquilo para enfrentar o Real Madrid por duas vezes seguidas. Essas características são boas, pois tornam o Lyon um franco-atirador nesses duelos, podendo partir para cima sem aquele temor de sofrer gols nos contra-ataques.

Outro motivo para tornar a vitória sobre o Dínamo de Zagreb obrigatória. Pegar o Real Madrid por duas vezes seguidas, tendo como obrigação vencer pelo menos um dos dois jogos é difícil. Os jogadores não ficam só pressionados, como ficam também com medo de partir pra cima e estragar tudo lá atrás.

É a chance do Lyon começar a encaminhar a vaga no enroscado Grupo D!

Curtinhas da rodada:

Jupp Heynckes prepara o Bayern pra pegar o City

– O grande jogo da rodada acontecerá na Alianz Arena, Bayern x Manchester City. Os Citizens entrarão na partida com a obrigação de vencer, já que empataram na 1ª rodada. Tarefa complicada, já que os bávaros sofreram somente um gol na temporada. O Napoli receberá o Villarreal e tem tudo para vencer e começar a complicar a vida do Manchester City no grupo;

– No Grupo B, Inter e Lille jogarão fora de seus domínios, mas ambos tem a obrigação de vencer. Os italianos perderam em casa pro Trabzonspor e agora não podem pensar nem em empatar com o perigoso CSKA na Rússia. Já o Lille deixou a vitória escapar contra os russos e agora tem de perder a ingenuidade e partir pra cima do Trabzonspor;

– Rodada importante para Leverkusen e Valencia no Grupo E. Os alemães pegam o Genk e os espanhóis o Chelsea. Ambos jogam em casa e nenhum dos dois pode pensar em perder pontos antes dos confrontos diretos nas rodadas 3 e 4;

– Jogo dos renascidos no Vélodrome: O Marseille, que finalmente venceu na Ligue 1, contra o Borussia Dortmund, que voltou a vencer na Bundesliga. Os franceses podem até especular com o empate, mas o BVB nem tanto, já que empatou no primeiro jogo;

“Grandes” brasileiros = “pequenos” europeus

No sábado, lá estava eu, num frio e chuvoso sábado à noite, enrolado em meu cobertor fuçando o twitter. Eis que aparece um tweet do comentarista dos canais ESPN, Leonardo Bertozzi:

Claramente, o tema central da mensagem de Bertozzi é a ofensividade do Real Madrid de José Mourinho, que para muitos jornalistas – que assistem jogos dos times do português só em anos bissextos – é retranqueiro. Mas não é exatamente isso que irei abordar, embora concorde plenamente com a frase digitada.

Recentemente, o Valencia venceu La Liga

Minutos depois, um dos seguidores de Bertozzi respondeu, dizendo que “com o elenco que tem, o Real Madrid deveria fazer 6 em todos os pequenos da Espanha”. Logo, o jornalista, corretamente retrucou: “Valencia? Pequeno?”. Segundo Bertozzi, não se deve confundir o abismo entre a dupla Barça-Madrid para as demais equipes espanholas, com o tamanho dos clubes. E isso é uma verdade. Os dois gigantes tem altos investimentos, fortes categorias de base e jogadores milionários, enquanto o resto se vira com investimentos menores, com garotos da base tendo de ser lançados precocemente ou então vendidos para a dupla Barça-Madrid, além de atuar com renegados de ligas menores e da própria dupla de gigantes. Ou seja, os grandes de antigamente, são “obrigados” a se portar de forma pequena.

Porém, o seguidor seguiu com a tese de que Valencia e times do gênero são pequenos, mas Bertozzi lembrou dos títulos recentes dos Ches, como a Copa da Uefa 03/04 e os títulos espanhóis de 01/02 e 03/04, meramente taxados como “acidentes de percurso” pelo seguidor.

Mas também não é exatamente isso que quero debater. É que essa troca de ideias entre o jornalista e o “cidadão comum” me fez puxar pela memória um assunto que vive me chamando a atenção: como será que o estrangeiro enxerga certos times brasileiros? Será que é como nós enxergamos certos times europeus?

O Atlético Mineiro, por exemplo, até ontem era o “primeiro campeão brasileiro” – “até ontem”, porque após a canetada da CBF, o Bahia se tornou o primeiro campeão brasileiro -, isso lá em 1971. De lá pra cá, o time de BH se limitou a títulos estaduais. Então imagina o que um estrangeiro que acompanha o futebol brasileiro pensaria do Atlético? O time simplesmente não tem ganho nada de uns tempos pra cá, além de ter frequentado da segunda divisão brasileira. Será que o considera time grande, ou somente um clube pequeno, mas que tem uma torcida fanática?

É assim no mundo todo. Há times que tem suas glórias nos anos 50, 60, 70 e nas épocas mais recentes acabam por ficar sem título algum e com essa expansão do futebol para mídias do mundo inteiro, quem conhece uma parte da história, fica sem conhecer a verdadeira história.

O "primo pobre" do Real Madrid é o 3º maior campeão espanhol

Pegando o exemplo da Espanha: aqui no Brasil, o Atlético de Madrid é visto apenas como “primo pobre” do Real Madrid. Mas duro é alguém saber que os Colchoneros estão em 3º no ranking de maiores campeões da liga espanhola, com 8 troféus. Mas quando foi o último título? 1995/1996. Já se vão mais de quinze anos e nesse meio tempo, o Atlético chegou a frequentar a segunda divisão de seu país. Junto com os Colchoneros e o Valencia, pode-se colocar na lista de “injustiçados” o Athletic de Bilbao, grande papa títulos dos anos 30, com 4 títulos de 29/30 até 35/36. Mas de uns anos pra cá, o time basco tem se limitado a sonhar com as competições européias.

E na Inglaterra então…Muita gente coloca o Chelsea como um “gigante”, mas mal sabem que times como Sunderland, Aston Villa e Everton, que de um tempo pra cá são coadjuvantes no futebol britânico, tem mais títulos que eles. Sem falar que na Inglaterra há vários times “simpáticos”, que por títulos passados acabam sendo chamados de grandes. Diga-se de passagem, nada muito diferente daqui, onde vimos clubes que por causa de dois ou três times históricos que teve, viram grandes. Não discuto se é certo ou errado, e sim a semelhança dos países.

Mas a discussão é longa. Aqui no Brasil, há uma porrada de times que possuem poucos troféus em sua sala de títulos, mas são chamados de grandes e na maioria das vezes, não há discussão. Mas o Campeonato Brasileiro tem se exportado no quesito transmissão de TV. Países como Inglaterra e Espanha transmitem nosso campeonato e quem conhece a história pela metade pode julgar que times como Atlético Mineiro, Goiás, Sport, Palmeiras (…) não são exatamente “grandes” e sim, na melhor das hipóteses, tradicionais, times que pararam no tempo. O mais radical, poderia chamá-los até de pequenos, coisa que acontece no Brasil na questão Europa, como vimos na breve história contada acima sobre Leonardo Bertozzi e seu seguidor.

Não é conhecendo a história recente que se julga a história completa de um clube. É preciso conhecer, vivenciar, ler, aprender, enfim, fazer de tudo para saber a verdadeira história do clube. O Valencia não é pequeno, pelo contrário, assim como aqui no Brasil, o Atlético Mineiro não é um time minúsculo. Mas o que faz as pessoas pensarem que o europeu supracitado é um time pequeno? Entendo eu, que seja a história recente. O futebol brasileiro não tem uma abismal diferença de grandes para pequenos, mas no velho continente há. Enquanto times como Real Madrid, Chelsea, Bayern (…) fazem altos investimentos, disputam as grandes competições e lutam pelos títulos, os “grandes que pararam no tempo”, ficam com as sobras.

E eu sigo com a minha curiosidade de perguntar a algum gringo, seja um inglês tradicional ou um jamaicano curtindo seu reggae, mas que acompanhe o futebol brasileiro, o que eles acham das histórias dos clubes X e Y.

Vamos ler sobre as histórias do clubes, gente