Sem sentido

Lewandowski no Manchester: tem sentido?(Foto: Getty Images)

Lewandowski no Manchester: tem sentido?
(Foto: Getty Images)

Nunca foi de meu feitio comentar as especulações que tanto aparecem na mídia. A maioria é rasa em informações e feita apenas para vender mais jornais e ganhar mais cliques em portais na internet. Mas uma das mais comentadas atualmente me soa tão absurda, porém, possível que seja concretizada, que me senti obrigado a abrir o blog pra comentar. O rumor em questão envolve o atacante do Borussia Dortmund, Robert Lewandowski, que estaria migrando para o Manchester United.

Mas o que o polonês deseja fazer em Manchester? Pegar chuva? Pergunto isso porque jogar não me parece ser um dos principais objetivos com uma eventual mudança. Ainda assim, muitos veículos de imprensa falam com tanta clareza que essa transferência pode ser efetuada, que me soa absurdamente estúpido – dos dois lados – que isso aconteça.

Um primeiro ponto de estupidez seria pela grana gasta pelo Manchester United em um curto espaço de tempo para jogadores de funções semelhantes. Robin van Persie foi comprado por 30 milhões de euros no começo da temporada e segundo a imprensa inglesa, a contratação de Lewandowski superaria a marca dos 20 milhões. Gastar mais de 50 milhões em menos de seis meses para dois atacantes não é uma das ideias mais sensatas que se pode ter.

Essa contratação teria sentido maior se o Manchester United tivesse a pretensão de formar uma dupla de ataque com van Persie e Lewandowski, não me parece ser esse o caso. Alex Ferguson ainda tem a disposição Wayne Rooney, que, convenhamos, não é um atacante que possa ser desprezado. Além disso, o mexicano e pouco badalado Chicharito Hernández vem fazendo seus gols e tem se tornado uma espécie de talismã do técnico escocês.

E com a Premier League virando uma espécie de passatempo para o Manchester – principalmente se passarem “ilesos” dessa incontável série de jogos entre o fim de 2012 e início de 2013 –, a UEFA Champions League vai se tornar o sonho principal do time e Lewandowski não poderia disputar a competição por já ter jogado pelo Dortmund.

Jornais ingleses afirmam categoricamente que Lewandowski jogará no time de Ferguson

Jornais ingleses afirmam categoricamente que Lewandowski jogará no time de Ferguson

Veículos de imprensa da Inglaterra defendem a ideia de que o polonês sairá da Alemanha por ainda não ter renovado seu contrato. Detalhe: seu vínculo com o clube do Vale do Ruhr vai até o meio de 2014, ou seja, o fato de ter rejeitado uma renovação no passado, não significa que não possa mudar de ideia nos próximos 18 meses.

Honestamente, ninguém sairá ganhando com essa troca. Olhando pela ótica do Lewandowski, ele sairá de um clube onde é titular absoluto e que fará muita falta – ainda me explicarão o que Julian Schieber faz em Dortmund – para disputar posição com dois dos melhores atacantes do mundo e com um jovem confiante e que vem sendo lapidado por Ferguson. Enquanto o Manchester United gastará demais em um setor bem abastecido de jogadores e nem poderá utilizar o polonês na Liga dos Campeões. É claro que tanto Rooney quanto van Persie podem atuar em outras posições, mas não vão render o máximo e nem fazer os gols que tanto esperam que façam. Além do mais, Chicharito deverá perder espaço e ganhar novo status em outra equipe, possivelmente, em um rival do United.

Nada faz sentido nessa especulação. O dinheiro não seria gasto conscientemente pelo Manchester, Lewandowski não teria a mesma estabilidade que tem em Dortmund e o clube alemão ficaria órfão de seu principal artilheiro. Pode ter coelho nesse mato – alguém conseguirá tirar Rooney da Inglaterra? – mas enquanto não surgir algo mais concreto, não darei tanta ênfase a essa especulação. Se todas as afirmações categóricas da imprensa inglesa forem confirmadas, poderemos soar as cornetas, pois essa transferência só tem lógica pra quem quer vender jornal, mas no campo, nada.

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Às avessas

Agüero proporcionou uma das cenas mais marcantes de 2012

Desde que foi comprado pelo sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, a rotina do Manchester City é ir à forra e gastar pra valer. Segundo o site “Transfermarkt”, o clube inglês gastou 94 milhões de euros em 2011/12, 182 milhões em 2010/11, 147 milhões em 2009/10 e 157 milhões de euros em 2008/09, totalizando quase 600 milhões em quatro anos.

Se na última temporada o dinheiro investido já havia sido mais “modesto”, comparado com valores de temporadas passadas, você nem imagina o quanto que o City gastou para a edição 2012/13 da Barclays Premier League. Os campeões ingleses gastaram apenas 15 milhões de euros e em apenas um jogador, Jack Rodwell.

Caiu a ficha do sheik Mansour e de todos no Manchester City de que “gastar por gastar” não adianta muita coisa. O clube fará barulho, chamará a atenção da mídia e dos torcedores, mas criará uma pressão monstruosa sobre todos que participam deste projeto. Gastando com inteligência e com precisão cirúrgica, tudo pode dar certo.

Afinal de contas, o Manchester City foi campeão inglês, não havia muito para o que mexer. A não ser que Mansour queira, desesperadamente e a qualquer custo, vencer a UEFA Champions League, fazendo com que não meça esforços para chegar a tal objetivo. O título ele quer – quem não quer? -, mas tentando seguir a linha de raciocínio traçada na última temporada.

De que adianta a vinda de Rodwell? Simples! Yaya Touré, peça importantíssima da conquista nacional jogando como meia-armador, teve de jogar várias vezes como volante – sua posição original – para qualificar a saída de bola, que é uma pequena deficiência de Gareth Barry e Nigel De Jong. Rodwell atua nessa faixa central, fazendo o que os ingleses costumam chamar de “box-to-box”, com isso, Touré pode ser efetivado como um meia-ofensivo.

Mesmo com um único reforço, o Manchester City segue muito forte, já que não perdeu ninguém importante e mantém a espinha-dorsal, formada por Joe Hart, Vincent Kompany, Yaya Touré, David Silva e Agüero.

Além disso, o argentino Carlos Tévez tem se redimido de seus atos indisciplinares no passado e tem conquistado a confiança de Roberto Mancini. O treinador italiano já chegou a afirmar que “se tiver vontade de jogar, Tévez é um dos melhores”.

Com esses acréscimos todos, os adversários é que passaram a abrir o bolso para tentar desbancar o City. Até mesmo o vizinho United decidiu mexer-se da cadeira para contratar. Às vésperas do início da Premier League, os Red Devils investiram 30 milhões de euros em Robin van Persie, principal jogador do Arsenal. O holandês se juntará ao também recém chegado Shinji Kagawa, destaque do Borussia Dortmund.

O problema para Alex Ferguson será encaixar essa dupla com Wayne Rooney. No esquema que Fergie costuma utilizar, só caberiam dois deles, no caso, um homem de área e um segundo atacante. Fica a dúvida se o escocês colocará Kagawa como winger ou box-to-box, já que os atacantes deverão ser Rooney e van Persie.

Eden Hazard irá se aventurar em Londres

O time que mais fez apostas interessantes na hora de gastar sua grana foi o Chelsea. Os campeões europeus decidiram reforçar o setor que passava por maior instabilidade: a armação. Caracterizada como uma equipe veloz e de contra-ataque, Roman Abramovich decidiu investir em atletas dotados de maior técnica, como Oscar e Eden Hazard, ambos contratados por mais de 30 milhões de euros.

Mesmo com esses reforços vindo a peso de ouro, a maior esperança dos londrinos está depositada em Fernando “Niño” Torres. O espanhol, contratado por quase 60 milhões de euros em 2011, ainda não decolou em Stamford Bridge e com a saída de Didier Drogba, a diretoria decidiu fazer valer toda a grana investida e dar um voto de confiança a Torres.

Acredito que esse trio deverá brigar pelo título inglês. Foram os que mais investiram nas últimas temporadas e os que possuem elencos mais fortes e competitivos. Chegam forte não só para a Premier League, como para a UEFA Champions League.

A Premier League continuará com seu alto nível. Nos últimos anos, a edição que está para começar é a que tem os favoritos em maior força. O City tem a base campeã, o United se reforçou com o artilheiro da última temporada e o Chelsea trouxe dois brilhantes atletas da nova geração mundial.

É certeza de grandes jogos e emoção até o último minuto!

TOP 7: As decepções da Euro

Muitos jogadores de futebol vivem de “momentos”. Em tal “momento” estão bem, em tal “momento” estão mal e por aí vai. Na etapa onde vivem o auge, os atletas tendem a achar que se manterão neste estágio ou evoluirão. Porém, nos momentos onde devem provar que vivem grandes “momentos”, esses jogadores decepcionam e fraquejam quando suas ações mais são necessárias.

Não foi diferente na UEFA Euro 2012. Alguns jogadores prometiam demais para a competição, mas não conseguiram corresponder a todas as expectativas e deixaram o torneio com uma pequena mancha em suas carreiras.

Confira abaixo, os sete jogadores que mais decepcionaram na Eurocopa:

Ben Arfa é mais um francês com histórico de indisciplina

7 – Hatem Ben-Arfa (França)

Uma das surpresas de Laurent Blanc na lista prévia para o torneio, Hatem Ben-Arfa teve premiada sua grande temporada pelo Newcastle com uma convocação para a fase decisiva da Euro. Com um lugar vago no setor ofensivo do time, ele possuía boas chances de ser o titular. Embora tenha estreado bem, a revelação do Lyon perdeu moral com o desrespeito a Blanc no confronto diante da Suécia. Ele atendeu o celular no vestiário e foi repreendido pelo técnico. Ainda assim, bateu boca com Blanc por uma substituição, dizendo que muitos jogaram menos que ele e permaneciam titulares. Sua rebeldia pode custar uma suspensão da FFF, além da moral já perdida com essa crise.

6 – Christian Eriksen (Dinamarca)

Grande aposta do futebol dinamarquês para o futuro, Christian Eriksen não conseguiu ser a “cabeça pensante” do meio campo de sua seleção. Principal jogador do Ajax campeão holandês da última temporada, o armador teve atuações pra lá de apagadas e deixou uma impressão ruim após o torneio. Eriksen tem apenas 20 anos e a Euro 2012 fez parte de seu amadurecimento, mas ele tem construído um histórico preocupante de sumiços em jogos importantes.

5 – Lukasz Piszczek (Polônia)

Após duas temporadas de destaque no bicampeão alemão, Borussia Dortmund, o polonês Lukasz Piszczek já desperta as atenções de várias equipes do Velho Continente, porém, deve ter decepcionado quem foi ao torneio só para vê-lo jogar. Esforçado na marcação e preciso nos cruzamentos, o lateral-direito se tornou, na Eurocopa, uma avenida na defesa e uma peça improdutiva no ataque. Suas atuações apagadas ajudam a justificar a precoce eliminação polonesa.

4 – Franck Ribéry (França)

Após temporada muito boa pelo Bayern, Franck Ribéry chegava, juntamente com Benzema, como a grande esperança para a França na Eurocopa. Porém, diferentemente do que se imaginava, a dupla não esteve em sintonia e o jogador bávaro pouco produziu. Aparentemente perdido em uma “ilha” no lado esquerdo, Ribéry corria, corria e corria, mas não saia do lugar. O francês é um dos que começa a alimentar a fama de “pipoqueiro”, embora eu discorde dela.

Robben segue tropeçando

3 – Arjen Robben (Holanda)

Arjen Robben fez uma temporada muito boa pelo Bayern, mas desandou no final, ao perder dois pênaltis decisivos para os bávaros. O holandês poderia ter encerrado bem a temporada na UEFA Euro, porém, manteve o embalo ruim na competição. Assim como seu parceiro, Ribéry, Robben parecia estar isolado na beirada do campo e não produziu nada, nem mesmo a tradicional jogada do corte pro pé esquerdo funcionou. Foi um dos que afundou junto com a barca holandesa na Eurocopa.

2 – Karim Benzema (França)

A camisa 10 da França já foi de Michel Platini e Zinedine Zidane. Em 2012, ela pertenceu a Karim Benzema e, obviamente, todos depositavam muita confiança no atacante do Real Madrid. Quem fez isso, se decepcionou. Autor de 18 finalizações no torneio inteiro, Benzema não fez nenhum gol e ainda caracterizou-se por jogar mais fora da área do que dentro dela. Embora tenha sido um dos mais esforçados da França, não fez o que era esperado de si: gols.

Artilheiro da Premier League, van Persie fez apenas um gol na Euro

1 – Robin van Persie (Holanda)

Artilheiro da badalada Premier League, o holandês Robin van Persie sofria com a sombra do goleador máximo da Bundesliga, Huntelaar. Ainda assim, Bert van Marwijck e os torcedores da Laranja depositavam enormes esperanças no atacante do Arsenal. Com treze finalizações e um mísero gol nos três jogos que participou, RvP é apontado, por este blogueiro que vos fala, como a grande decepção da Eurocopa. Poderia ter ajudado muito mais a sua seleção, mas não foi capaz e sucumbiu ainda na fase inicial.

*Crédito das imagens: Presse Sports, AFP e Getty Images

EURO 2012: Grupo da morte?

Entra torneio, sai torneio e a necessidade da mídia e torcedores em encontrarem um “grupo da morte” persiste. Até quando a maioria considera não haver algo do tipo, insistem em encontrar um “grupo do assalto” ou de algum que se aproxime da morte. Acredito que seja esse o caso do grupo B da UEFA Euro 2012.

Alemães e holandeses estiveram presentes nas semifinais da última Copa do Mundo e terão como concorrentes duas seleções que passaram despercebidas pelo citado torneio. É verdade que este é o único grupo da competição que reúne quatro times presentes no Mundial de 2010, mas isso não significa que seja um “grupo da morte”. Vejo Alemanha e Holanda acima de Portugal e Dinamarca.

Confira abaixo a análise dos quatro selecionados:

HOLANDA: Agora vai?

Seria Huntelaar o salvador da pátria?

Em todo torneio que chega, a Holanda gera certa expectativa em torno de seu desempenho. Sempre se espera boas campanhas e futebol vistoso, porém, a Laranja Mecânica sempre esbarrou em potências e, até hoje, só conquistou a Eurocopa de 1988. Para esta edição do torneio europeu a expectativa não é diferente!

Geralmente, olhamos para os craques holandeses e não para o conjunto que a seleção apresenta. Para esta Euro, há essa pequena mudança. Os principais jogadores do país não vivem o melhor momento técnico e psicológico e a parte estrutural acaba tornando-se um ponto mais primordial para as vitórias do que propriamente os destaques individuais.

Arjen Robben e Wesley Sneijder vêm de temporadas fracassadas por seus clubes. O primeiro, embora tenha números interessantes – 19 gols em 36 partidas -, pôs tudo a perder ao desperdiçar os pênaltis contra Borussia Dortmund e Chelsea. Por terem sido jogos na reta final da temporada, podemos dizer que Robben chega à Euro atravessando uma curva descendente.

Já Sneijder conviveu com as inúmeras lesões e não participou nem de trinta jogos na temporada. O holandês evoluiu na reta final, porém, o estrago já estava feito e ele pouco pôde fazer para ajudar a Inter. Fica a esperança holandesa que Sneijder possa repetir as brilhantes atuações de 2010, onde chegou a ser considerado por muitos como melhor jogador do mundo.

Robin van Persie ficaria incumbido de ser o grande nome desta Holanda. O atacante do Arsenal foi o artilheiro do Campeonato Inglês, com 30 gols. Porém, a indefinição de seu futuro pode atrapalhar. O clube londrino quer renovar seu contrato, mas outras equipes estão de olho no atleta, que faz um “charminho” para definir seu novo time.

Outro ponto que pesa contra van Persie é o seu “sumiço” em jogos decisivos. Mesmo com 26 gols com a camisa laranja, o atacante foi uma das decepções da Holanda na última Copa, marcando apenas um gol.

Porém, o técnico Bert van Marwijk tem uma excelente opção para eventuais más atuações – ou até para jogar ao lado – de van Persie: Klaas-Jan Huntelaar. O atacante do Schalke 04 teve passagens frustradas pelos poderosos Real Madrid e Milan, mas se encontrou na Alemanha. Artilheiro da Bundesliga com 29 gols, The Hunter já tem em seu currículo mais gols pela Holanda do que van Persie, 31 contra 28. Caso ultrapasse a marca de 40 tentos, o atacante do Schalke se tornará o maior artilheiro da história da Seleção Holandesa, deixando Patrick Kluivert para trás.

O detalhe é que caso marque dois gols, Huntelaar igualará o número de Johan Cruyff com 33 gols.

É um desafio e tanto para o jogador que apareceu muito bem no Ajax, mas que em grandes potências européias não conseguiu mostrar seu valor. Agora, consagrado na Alemanha, Huntelaar tem de assumir a “responsa” e ser o artilheiro que a Holanda tradicionalmente tem.

Se no ataque, gols não devem ser problemas, a defesa é a dor de cabeça de Marwijk. Van der Wiel, Heitinga e Mathijsen são entrosados, mas na lateral-esquerda, Pieters, substituto de Gio van Bronckhorst – que se aposentou após a Copa – está contundido e não disputará a Eurocopa. O volante Schaars deve ser improvisado na função.

A Holanda é certamente uma das grandes favoritas a conquista do torneio, porém, sempre existe aquele “pé atrás” com a seleção laranja. Além das tradicionais “amareladas” em jogos decisivos, a Laranja Mecânica obtêm o mesmo histórico inglês de quase nunca vencer uma disputa por pênaltis. No futebol moderno, onde o medo de perder sobrepõe-se a vontade de ganhar, esse se torna um detalhe importante.

Porém, van Marwijk tem gente capacitada para decidir jogos no tempo normal. Robben, Sneijder, van Persie e Huntelaar formam um quarteto interessante demais e podem atormentar as defesas adversárias.

CONVOCADOS:

Goleiros: Maarten Stekelenburg (Roma-ITA), Michel Vorm (Swansea-ING) e Tim Krul (Newcastle-ING)

Defensores: Khalid Boulahrouz (Stuttgart-ALE), John Heitinga (Everton-ING), Joris Mathijsen (Málaga-ESP), Ron Vlaar (Feyenoord), Wilfred Bouma (PSV), Gregory van der Wiel (Ajax) e Jetro Willems (PSV)

Meio-Campistas: Ibrahim Afellay (Barcelona-ESP), Mark van Bommel (Milan-ITA), Nigel de Jong (Manchester City-ING), Stijn Schaars (Sporting-POR), Wesley Sneijder (Inter de Milão-ITA), Kevin Strootman (PSV) e Rafael van der Vaart (Tottenham-ING)

Atacantes: Klaas-Jan Huntelaar (Schalke 04-ALE), Luuk de Jong (Twente), Dirk Kuyt (Liverpool-ING), Luciano Narsingh (Heerenveen), Robin van Persie (Arsenal-ING) e Arjen Robben (Bayern-ALE)

DINAMARCA: Bom passo para a renovação

Eriksen é o grande jogador dinamarquês do momento

Desde 2000 no comando técnico da seleção dinamarquesa, Morten Olsen traz para Ucrânia e Polônia uma geração renovada e que visa a Eurocopa como um torneio para fortalecer o time para a Copa de 2014. Jogadores como Christian Poulsen, Dennis Rommedahl, Thomas Kahlenberg e Stephan Andersen seguem no elenco que disputou a Euro de 2004, porém, eles se reúnem a outros nove jogadores com 25 anos ou menos.

O grande nome desta nova geração é Christian Eriksen, meia do Ajax. Nesta temporada da Eredivisie, o garoto distribuiu 21 assistências e foi um dos grandes nomes do título do Ajax. É um jogador ainda em fase de amadurecimento. Seu clube não disputa grandes ligas européias em alto nível e na Eurocopa Sub-21 do ano passado, Eriksen decepcionou na fraca campanha dinamarquesa.

Além do meia do Ajax, Andreas Bjelland e Daniel Wass são dois jogadores que participaram do torneio Sub-21 e que estarão na Ucrânia e na Polônia. Outro jovem atleta que estará presente na competição é Jones Okore, de 19 anos, defensor do campeão dinamarquês Nordsjælland.

No setor ofensivo, Olsen tem boas opções. O experiente Dennis Rommedahl deve auxiliar Eriksen na armação, enquanto o técnico Kahlenberg deverá disputar posição com Michael Krohn-Dehli, um dos poucos destaques da fraca campanha do Brondby na Dinamarca.

Na frente, a esperança de gols é Nicklas Bendtner. Inconstante nos clubes em que atua, o atacante de 1,92 de altura costuma jogar bem por sua seleção e não deixa de ser um perigo nas bolas aéreas. Como a Dinamarca deve atuar nos contra-ataques, o jogador do Sunderland tem a obrigação de aproveitar as raras chances que tiver.

Mesmo em processo de renovação, a Dinamarca ficou duas vezes na frente de Portugal, adversária na primeira fase. Nas eliminatórias para a Copa e para a Euro, os portugueses ficaram atrás dos dinamarqueses e se viram obrigados a disputar a repescagem. Esse histórico favorável diante dos lusitanos dá uma motivação ao selecionado nórdico que deve ser uma pedra no sapato de alemães e holandeses, favoritos do grupo. Imaginar um novo título, como em 1992, é um pouco demais, mas pensar que podem fazer barulho, isso os dinamarqueses podem sonhar. Digamos que será a Euro de “adaptação” dos novos jogadores ao futebol de alto nível.

CONVOCADOS:

Goleiros: Kasper Schmeichel (Leicester-ING), Stephan Andersen (Evian Thonon Gaillard-FRA), Anders Lindegaard (Manchester United-ING)

Defensores: Lars Jacobsen (Copenhagen), Daniel Wass (Evian Thonon Gaillard-FRA), Daniel Agger (Liverpool-ING), Simon Kjaer (Roma-ITA), Andreas Bjelland (Nordsjaelland), Simon Poulsen (AZ Alkmaar-HOL), Jores Okore (Nordsjaelland)

Meio-Campistas: Christian Poulsen (Evian Thonon Gaillard-FRA), Jakob Poulsen (Midtjylland), William Kvist (Stuttgart-ALE), Niki Zimling (Club Brugge-BEL), Thomas Kahlenberg (Evian Thonon Gaillard-FRA), Christian Eriksen (Ajax-HOL), Michael Silberbauer (Young Boys-SUI), Lasse Schone (NEC Nijmegen-HOL)

Atacantes: Dennis Rommedahl (Brondby), Nicklas Bendtner (Sunderland-ING), Michael Krohn-Dehli (Brondby), Tobias Mikkelsen (Nordsjaelland), Nicklas Pedersen (Groningen-HOL)

PORTUGAL: Por um brilho de Cristiano Ronaldo

Sem um “matador” na frente, Cristiano Ronaldo terá de se virar para ajudar Portugal

Finalista em 2004 e quadrifinalista em 2008, a seleção de Portugal chega à nova edição da Eurocopa sem grandes aspirações. Mesmo contando com um dos melhores jogadores do mundo, Paulo Bento carece de opções confiáveis nos demais setores do time, além de um rejuvenescimento do elenco. Do time vice-campeão mundial Sub-20 no ano passado, Nélson Oliveira é o único que disputou a competição e jogará a Euro.

Na defesa, o desmiolado Pepe e o supervalorizado Coentrão são as peças mais importantes. Com Ricardo Carvalho afastado da seleção por problemas com o treinador, Rolando surge como a grande opção para formar dupla com o defensor madridista.

Se na defesa o problema está na irregularidade dos principais atletas, no ataque o problema é técnico. Hélder Postiga e Hugo Almeida não são, nem de longe, jogadores em que se possam confiar a dura tarefa de marcar gols. A revelação Nélson Oliveira desponta como possível titular, mas como já foi visto na sua temporada pelo Benfica, ele carece de um amadurecimento.

Talvez a grande peça de apoio a Cristiano Ronaldo seja Luís Nani, mas o meia do Manchester United é outro que precisa provar muito na carreira. Mesmo em um clube de grande porte mundial, Nani não consegue ser um jogador que encha os olhos. Apesar de ser veloz e finalizar bem de longa distância, ele precisa aplicar isso em um ritmo mais expressivo durante os jogos.

A esperança acaba vindo mais de trás, com João Moutinho e Raúl Meireles. Bons passadores, a dupla pode ser um ponto de equilíbrio do time. Ambos têm características de marcação, mas também de avanço ao ataque, podendo se tornar elementos surpresas em jogos complicados.

Com esses problemas, o peso cai todo sobre Cristiano Ronaldo. O astro do Real Madrid vive grande forma, mas diferente do que acontece no seu clube, falta um melhor elenco de apoio. Em Portugal, ele terá de fazer tudo: do desarme, à finalização, o jogo português dependerá de CR7. Em um grupo que ainda conta com as semifinalistas da última Copa, Holanda e Alemanha, além da Dinamarca, seleção que tem deixado os lusitanos na freguesia, isso é muito pouco. Portugal precisa de um conjunto forte, mas falta material humano para Paulo Bento.

Bento, aliás, que em 2002 foi para a Ásia disputar a Copa do Mundo. Aquele time de Portugal tinha nomes consagrados, como Luís Figo, Jorge Andrade, Pauleta e Rui Costa, mas parou na primeira fase da competição. Dez anos depois, o time lusitano tem valores escassos e tudo cairá nas costas de Cristiano Ronaldo. História repetida?

CONVOCADOS

Goleiros: Rui Patrício (Sporting), Eduardo (Benfica) e Beto (Cluj-ROM)

Defensores: João Pereira (Sporting), Miguel Lopes (Braga), Pepe (Real Madrid-ESP), Bruno Alves (Zenit-RUS), Rolando (Porto), Ricardo Costa (Valencia-ESP) e Fábio Coentrão (Real Madrid-ESP)

Meio-campistas: João Moutinho (Porto), Raúl Meireles (Chelsea-ING), Carlos Martins (Granada-ESP), Miguel Veloso (Genoa-ITA), Rúben Micael (Zaragoza-ESP), Custódio (Braga)

Atacantes: Cristiano Ronaldo (Real Madrid-ESP), Nani (Manchester United-ING), Ricardo Quaresma (Besiktas-TUR), Silvestre Varela (Porto), Hugo Almeida (Besiktas-TUR), Hélder Postiga (Zaragoza-ESP) e Nélson Oliveira (Benfica)

ALEMANHA: Favoritos até a página 2

Jogando bem abaixo do normal, Schmelzer não se firma na Nationalelf

Após a Copa do Mundo, a Alemanha foi a seleção que apresentou o futebol mais vistoso do mundo. Bom toque de bola, controle de jogo preciso, velocidade e muita habilidade das jovens revelações do país. Os bons resultados credenciam o time germânico a conquista da Eurocopa, que não vem desde 1996. Porém, os problemas defensivos deixam os torcedores com um pé atrás.

Se no ataque, a dúvida de Joachim Löw é só de quem escalar, sempre sabendo que o nível será o mesmo, na defesa o problema é um mistério. Jerome Boateng, Per Mertesacker, Holger Badstuber, Mats Hummels e Marcel Schmelzer brigam por três vagas – levando em conta que uma é de Philipp Lahm -, mas os cinco não conseguem apresentar na seleção o que jogam em seus clubes. Pior do que simplesmente jogar bem na Alemanha, mas ser espetacular em seus times, é que os jogadores citados falham demais nos jogos internacionais, sendo totalmente o inverso do que são nos clubes.

O grande exemplo disso é Marcel Schmelzer. O lateral-esquerdo do Borussia Dortmund domina a posição na Bundesliga, mas na Alemanha tem erros infantis na defesa e não vai bem no apoio ao ataque. Sobre a questão defensiva, a ausência de Kevin Grosskreutz pode explicar um pouco, já que ele auxilia demais na marcação, porém, a ineficácia ofensiva, que deveria ser um dos pontos fortes de Schmelzer, é um verdadeiro mistério.

Löw parecia inclinado a colocar Hummels, também do Dortmund, como titular, mas ele é outro que não repete na seleção as suas atuações pelo clube amarelo. A tendência é que Mertesacker forme dupla de zaga com Badstuber, embora, com a situação de momento, seja mais seguro apostar na entrosada dupla Boateng e Badstuber, que se entenderam bem no Bayern.

No setor ofensivo, o problema é somente o encaixe. Sami Khedira é o ponto de equilíbrio do time e é titular absoluto. Bastian Schweinsteiger não perde sua posição de jeito nenhum. Podolski e Özil são outros dois a terem a confiança de Löw. Sobraria uma vaga no meio-campo, onde Marco Reus, Thomas Müller e Toni Kroos brigariam por esta posição.

No ataque, uma luta sadia: Mário Gomez e Miroslav Klose. O primeiro foi artilheiro do Bayern por mais uma temporada e tem correspondido na seleção, enquanto o segundo deixou o time bávaro e se desafiou no futebol da Velha Bota e se deu bem na Lazio. A tendência é que o atacante de origem polonesa seja o titular, mas seja quem for o homem preferido de Löw para posição, a Nationalelf estará bem servida.

Mas ainda assim, a Alemanha é uma das grandes favoritas ao torneio, graças a esta geração jovem e talentosa que surgiu no país. Mas devemos dar ressalvas à defesa do time, que ainda não está formada e baterá de frente na primeira fase com os artilheiros máximos das ligas inglesa e alemã – van Persie e Huntelaar, respectivamente.

CONVOCADOS

Goleiros: Manuel Neuer (Bayern), Tim Wiese (Werder Bremen), Ron-Robert Zieler (Hanover 96)

Defensores: Holger Badstuber (Bayern), Jerome Boateng (Bayern), Benedikt Hoewedes (Schalke 04), Mats Hummels (Borussia Dortmund), Philipp Lahm (Bayern), Per Mertesacker (Arsenal-ING), Marcel Schmelzer (Borussia Dortmund)

Meias: Lars Bender (Bayer Leverkusen), Mario Götze (Borussia Dortmund), Ilkay Gündogan (Borussia Dortmund), Sami Khedira (Real Madrid-ESP), Toni Kroos (Bayern de Munique), Thomas Müller (Bayern de Munique), Mesut Özil (Real Madrid-ESP), Lukas Podolski (Colonia), Marco Reus (Borussia Mönchengladbach), Andre Schürrle (Bayer Leverkusen), Bastian Schweinsteiger (Bayern)

Atacantes: Mario Gomez (Bayern de Munique) e Miroslav Klose (Lazio-ITA)

*Crédito das imagens: Reuters

Azar total!

A UEFA Champions League retorna no meio desta semana com quatro jogos que abrirão a fase de oitavas-de-final da competição. Como não poderia de ser, vocês poderão ler abaixo uma prévia dos duelos que serão realizados nesta semana!

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Azar. Esta palavra pode definir bem o Bayer Leverkusen. Segundo colocado no grupo que tinha Chelsea, Valencia e Genk, os comandados de Robin Dutt terminaram na segunda colocação, quando poderiam terminar na ponta caso vencessem o time belga. Para a maioria, pareceu um absurdo o Leverkusen não vencer o Genk, mas não custa reforçar que o representante da Bélgica não perdeu para ninguém jogando em casa.

Porém, o time alemão pagou um preço caro por não vencer o Genk e como segundo colocado, irá pegar o Barcelona, atual campeão europeu e mundial. O sorteio por si só já é algo que demonstre certo azar dos Aspirinas, mas acontece que o time catalão não vive seu melhor momento. O time de Guardiola tropeçou em muitos jogos na Liga BBVA e já estão bem atrás do Real Madrid na briga pelo título nacional. Sorte dos alemães? Nada disso!

Ballack acumula confusões desde que retornou ao Leverkusen (Foto: Andreas Pohl)

O início de 2012 tem sido muito conturbado nos lados de Leverkusen. Um dos grandes responsáveis é Michael Ballack, que no duelo contra o Mainz – que o Leverkusen venceu por 3×2 – foi substituído quando a partida estava empatada, não gostou nada disso e criou um grande mal-estar envolvendo ele, seu empresário, a comissão técnica, os diretores e até o presidente Wolfgang Holzhauzer. Rudi Völler, diretor esportivo do clube, já disse que se o meio-campista aprontar outra dessas, não pisa mais na BayArena. Ballack está contundido e não pega o Barça, mas mesmo inteiro, não sei se jogaria…

Para completar, Sidney Sam e Eren Derdyiok, duas peças importantes do time de Dutt se contundiram. O primeiro chegou a voltar de lesão contra o Stuttgart, mas com menos de 10 minutos em campo, sofreu uma lesão muscular e ficará um bom tempo fora. Já o suíço se cortou em seu banheiro e será mais um a ficar longe dos gramados.

A boa notícia para Robin Dutt é que Renato Augusto está de volta e nos dois jogos anteriores – Stuttgart e Dortmund – que entrou no decorrer da partida, o brasileiro esteve bem e se o treinador assim quiser, pode utilizá-lo já como titular.

Enquanto isso na Bundesliga o time não vai bem. A vaga para a próxima Champions League está muito distante e no momento, a Liga Europa é a realidade. Até agora, em 2012, foram dois empates, uma derrota e uma vitória.

O problema do Barcelona já é diferente do problema alemão. O time simplesmente parou com a mágica. No último domingo, os Blaugranas perderam fora de casa para o Osasuna, 3×2 e já estão dez pontos atrás do líder Real Madrid.

O antes incessante e mágico toque de bola, se tornou um não menos incessante, porém, sonolento toque de bola. Está faltando objetividade!

É nisso que o Leverkusen terá de se agarrar no confronto de ida. Apostar em mais uma atuação ruim do Barcelona e se superar dentro de campo. Os problemas precisarão ser deixados de lado e a eficiência tem de ser o ponto alvo, já que é quase impossível jogar “por uma bola” contra o time catalão. O Leverkusen pode até conseguir essa bola, mas fatalmente sofrerá mais gols.

Assim como os alemães, o Barcelona precisa jogar os problemas de lado e ter o espírito de Champions League, que é algo que não falta aos comandados de Pep Guardiola.

Para essa partida de ida, aposto no 1×1.

CORAGEM, GARDE!

Rémi Garde precisa pedalar firme para conquistar a vaga nas quartas-de-final (Reuters)

Rémi Garde está em sua primeira temporada como técnico, mas já mostra seus valores comandando o Lyon. Inteligente taticamente, bom nas alterações e não cede as pressões. Julgando seu currículo, era de se esperar que alguma hora, Yoann Gourcuff seria titular absoluto do time, mesmo sendo um flop do clube. Garde não é assim e o aspirante a seleção francesa é banco e há jogos que nem pisa dentro do gramado.

Beleza, isto é um ato corajoso! Mas a coragem que cobro do treinador do Lyon está na questão de postura do time. Les Gones são muito acomodados em confrontos diretos. Vide o duelo contra o Marseille, a duas semanas atrás. O Lyon saiu perdendo por 2×0 e antes do intervalo buscou o empate. Só que na etapa final desistiu do jogo e se contentou com a igualdade no marcador. Na Liga dos Campeões foi a mesma história. O Lyon não precisaria ter ido a Zagreb meter 7×1 no Dínamo se tivesse tido uma postura corajosa diante do Ajax no Gerland, tentando evitar o placar zerado.

Jogando em casa, contra a zebra APOEL, o time francês tem a responsabilidade de ir para cima desde o início e conseguir uma vantagem confortável já neste jogo de ida. O Lyon é mais time, joga uma liga mais forte e tem costume de disputar a Liga dos Campeões, tudo conspira a seu favor.

Se Garde for corajoso e mandar seu time para frente, o Lyon não precisará reerguer a fama de “Time da Virada” – já temos alguns exemplos na temporada do time francês conseguindo viradas improváveis.

O APOEL já chegou longe, surpreendendo muita gente. Mas não é um time bobo. O time titular inteiro é praticamente formado por estrangeiros, contando com um enorme número de brasileiros, que mesmo desconhecidos, vão se destacando na maior competição interclubes do mundo.

Porém, o grande nome da equipe é do próprio Chipre. Konstantinos Charalambidis, de 30 anos, veste a camisa 10 do time e é a cabeça pensante do meio-campo do APOEL.

Para muitos, é um confronto equilibrado, mas para mim, o Lyon tem obrigação de se impor neste duelo. É mais time, tem mais história e melhores jogadores. Rémi Garde, se não for covarde, coloca seu time pra frente e leva o duelo já na ida. Meu palpite: 2×0 pro Lyon.

O CALENDÁRIO DESEQUILIBRA

O calendário do futebol russo é igual ao calendário brasileiro, é anual. Porém, haverá uma mudança e o calendário será adaptado ao do resto da Europa. Enquanto isto não acontece, os times do país seguiram prejudicados por causa disso.

O Zenit irá pegar o Benfica, mas será seu primeiro jogo oficial em 2012. Nessa horas, o fato de ter um bom time, um técnico de alto nível e um entrosamento adquirido após anos de jogos em conjunto de pouco adiantará. Será que eles terão pernas para correr 90 minutos na fria Rússia? Acho que não!

O que piora a situação do Zenit é a lesão do português Danny, um dos grandes nomes do time. Eu até entendo quem diz que ele é “supervalorizado” – também acho que Danny joga menos do que se fala sobre ele -, mas mesmo assim, ele é uma peça importante do time de Luciano Spaletti. Sem o português, a responsabilidade cairá sobre os experientes Kerzhakov e Bukharov.

Aliás, falar de “jogadores experientes” beira a redundância, já que a média de idade do Zenit é de quase 27 anos.

O brasileiro Bruno César tem sido um dos destaques da invicta campanha encarnada (Reuters)

Se o time russo vem sem ritmo pela pausa de inverno, a história é diferente nos lados do Benfica. São oito vitórias consecutivas na liga portuguesa e os comandados de Jorge Jesus seguem invictos no campeonato nacional. O melhor de tudo está no fato dos Encarnados ocuparem a parte mais alta da tabela de classificação, com oito pontos de vantagem para o vice-líder Porto.

O times são equilibrados, são forças de suas ligas nacionais e fatalmente levarão os títulos, cada um em seu país, mas para mim, o ritmo de jogo vai desequilibrar a favor dos portugueses.

Se o Benfica jogar de forma inteligente, com a bola no pé, forçando o Zenit a correr atrás da bola e cozinhando a partida para matar na hora certa, tem tudo para vencer. Não acredito que o time russo vá ter um “prazo de validade físico” tão grande assim…

Aposto em 1×0 pros portugueses.

OS TRAUMATIZADOS

De um lado, o Milan, acostumado a ser eliminado nas oitavas-de-final da Champions League por clubes ingleses; do outro, o Arsenal, equipe que tem o hábito de se dar mal em sorteios da UEFA. Alguém quebrará este trauma!

Mesmo alcançando a liderança da Serie A – com a Juventus tendo dois jogos por fazer -, o Milan vive um momento que precisa provar do que é capaz. Ibrahimovic foi suspenso na Itália, Prince Boateng e Pato estão voltando lentamente, Cassano está fora, e ainda há a instabilidade nas laterais. É o momento de Massimo Allegri provar do que é capaz, fugir do já tradicional e imutável 4-3-1-2 e mostrar que o Milan pode sim jogar de outros modos.

Falta a Champions para Ibra... (Reuters)

Além do técnico Rossonero, outro que precisa provar algo é o sueco Zlatan Ibrahimovic. Campeão das ligas nacionais desde a temporada 2003/04, o atacante ainda não conseguiu conquistar uma UEFA Champions League. E o pior, sempre some nos jogos mais importantes da competição. O motivo disto? Só Ibra sabe…

É o momento do sueco mostrar que pode ser decisivo em campos internacionais, não só com as habituais assistências – sim, mesmo sendo centro-avante, Ibra tem se destacado na atual temporada pelos passes para gols – mas também fazendo a rede balançar!

Já no caso do Arsenal, a fase do “pé atrás” já se foi. Antigamente, sempre ficava a esperança de ver um “algo mais” do clube londrino, que se notabilizava por jogar um futebol muito técnico, mas que falhava na hora decisiva.

A história é diferente nos dias atuais. Os Gunners dependem demais de Robin van Persie, que é o faz tudo do time. Marca gols, arma as jogadas, cobra faltas, escanteios… Enfim, o holandês é o coração do Arsenal.

O time londrino ainda contará com a despedida de Thierry Henry, que fará sua última partida pelo clube inglês contra o Milan. O francês, que neste retorno ao futebol inglês mostrou ainda ter estrela, irá retornar para o New York Red Bulls e jogará a Major League Soccer. Mas nada impede Henry de decidir a partida de ida.

Outro fator positivo do Arsenal é o garoto Oxlade-Chamberlain, contratado nesta temporada. O rapaz de 18 anos, que deveria apenas adquirir experiência em sua primeira jornada longa no clube, hoje se vê como peça importante de Wenger, que conta com Walcott com uma irregularidade tremenda e Arshavin confirmando o seu fracasso.

O problema do Arsenal, só pra variar, são as lesões. Depois de Jack Wilshere – e mais um time inteiro -, o zagueiro Per Mertesacker se reúne a infinita lista de jogadores machucados do clube. Uma pena, já que o alemão, acostumado com as lesões, estava inteiro desde que chegou a Inglaterra, mas desfalcará o time por um bom tempo.

O jogo tem tudo para ser muito bom, mas meu palpite é 2×1 pro Milan.

Na próxima semana, analiso os outros quatro jogos da Champions League. Até!

Arsenal em queda livre

Texto de: Romário Henderson

Arsenal sofrendo gols atrás de gols...

A gigante tradição do Arsenal não condiz com o momento instável e preocupante que vive momentaneamente a equipe. A temporada se inicia com resultados desfavoráveis, pressão da torcida, jogadores profícuos sendo vendidos, reposições questionáveis e perspectivas de uma reviravolta obscura.

A equipe londrina não é uma das favoritas ao título da Premier League, e com as perdas de Cesc Fábregas e Samir Nasri, atletas de suma importância, a luta para conseguir uma vaga na Champions 2012/2013 será bastante complicada. Segundo o técnico Arsène Wenger, que, diga-se, não é mais unanimidade perante os torcedores, as contratações serão feitas gradativamente. Wenger ainda ressalta que os setores mais carentes são a defesa e o meio-campo.

Nós nunca tivemos medo de assumir uma aposta. O que você esquece é que temos comprado jogadores. Compramos Gervinho, Chamberlain, Jenkinson, Miyaichi e você vai ver durante a temporada que são jogadores de primeira qualidade. Mas no momento temos que dar-lhes algum tempo

Nós vamos comprar. As pessoas sentem que eu sou teimoso, eu não sou, eu só quero fazer o melhor para a equipe e comprar os jogadores certos. Se eu tenho mostrado uma coisa nos últimos 15 anos, é que eu trouxe bons jogadores para o clube. Vamos trazer jogadores experientes. Mas as pessoas simplesmente falam em ‘comprar’, mas comprar o jogador certo não é uma tarefa fácil

Arsène Wenger

Espera-se que o Arsenal faça propostas aos jogadores Yann M’Vila (Rennes), Per Mertesacker (Werder Bremen), Phil Jagielka (Everton), Gary Cahill (Bolton), Chris Samba (Blackburn Rovers) e Scott Dann (Birmingham). Cá entre nós, muito pouco para a grandeza deste clube que, com essas opções de compra, mostra-se que para a temporada vigente não traça planos ambiciosos, pelo contrário, apenas lamenta a situação e resignam-se.

O Arsenal está no grupo F, da Champions. Grupo que ainda conta com o forte Borussia Dortmund, Olympiakos e Olympique de Marseille. Sem dúvida alguma, a tarefa para conseguir a classificação não será nada fácil, haja vista que, ambas as partidas contra os aurinegros serão duríssimas, e os jogos fora contra os gregos e os franceses também serão complicados.

Rooney deu show no humilhante 8x2

Até aqui, em três rodadas da Premier League, nenhuma vitória, sendo que já enfrentou Liverpool e Manchester United e foi derrotado. No Emirates, derrota para o Liverpool por 0x2. E, no último domingo, em Old Trafford, derrota acachapante e humilhante, por 2×8.

No elenco atual, Van Persie e Walcott são os melhores, e, convenhamos, jogadores que, em minha visão, ainda não possuem qualidades suficientes para liderar um grande clube, sobretudo quando este encontra-se mal servido em quantidade e qualidade.

Faltou um…Henry…um Vieira

Vá ser tolo assim lá.... (Getty Images)

O Arsenal foi eliminado da Champions League.

Esperado, pra não dizer muito previsível.

Tinha a vantagem, mas pegava um time muito melhor fora de casa.

Mas poderia sim vencer o jogo, o problema é que falta alguma coisa…Uma coisa chamada liderança.

Zanetti foi/é o líder da Inter

É difícil imaginar um time sem líder vencer a maior competição de clubes do mundo. Atuais campeões, a Inter tinha Javier Zanetti, que mesmo veterano, seguia esbanjando categoria, pulmão e garra. Campeão da Champions League 08/09, o Barcelona tinha Puyol com a raça e Messi a bola no pé. No ano anterior, Giggs, Scholes e Ferdinand eram os pilares do Manchester campeão europeu, junto com um tal de Cristiano Ronaldo. E daria pra citar outras centenas de exemplos, mas não quero me alongar.

Mas o Arsenal atual? Quem você enxerga com o dom de liderar a equipe, de bater no peito quando a coisa tá feia, que tem a vontade de mostrar que “eu sou o líder dessa bagaça e junto iremos longe”? Ninguém.

O capitão da equipe, Cesc Fábregas é – pelo menos pra mim – supervalorizado. Uns o chamam de craque, outros de gênio, mas pra mim não passa de um jogador muito boa, nada mais que isso. A tarja de capitão em seu braço não passa de um mero símbolo. Mero símbolo que outrora havia sido honrado com muito fervor e paixão por jogadores como Patrick Vieira e Thierry Henry.

Gostava de uma briga ou não o tal do Vieira?

Vieira comprava briga por seu time e mandava prender e soltar no meio campo londrino, já Henry era o genial, aquele que não só empurrava a bola pras redes, como era a referência e o diferencial. Fábregas não une nenhuma dessas qualidades. Ele some. Não briga, não tem vontade, corre, corre e nada mais que isso. A referência e o diferencial ficam reservados a poucos momentos – diminuidos pelos poucos momentos que joga. Que tipo de líder sai jogando de letra na entrada da área, dando de graça um gol ao adversário? Se você considera Fábregas um símbolo de liderança, ele é esse tipo.

Faltou um Vieira no lugar do Fábregas…assim como faltou um Henry no lugar de van Persie. Que expulsãozinha estúpida! Pra falar a verdade ele já poderia ser expulso de primeira, pois tentou agredir Dani Alves, mas conseguiu o grande feito de errar. Levou amarelo, tudo bem…No segundo tempo, ele recebe em impedimento e dá um bico na bola. A desculpa de que não ouviu o apito é válida, já que o Camp Nou estava lotado, mas o auxiliar ficou um mês com a bandeira erguida, ele poderia ter visto. Discordar, dizendo que foi injusta a expulsão, tudo bem, agora já vi gente dizendo que foi absurda. Ué, mas não tá na regra que bicuda depois do árbitro parar o lance não é cartão amarelo? Ele já tinha. Pra mim, Busacca foi correto na expulsão do holandês.

Agora, vendo o histórico do Henry no Arsenal, você acha mesmo que ele seria expulso de forma tão estúpida? Ele teria ao menos o bom senso de parar no lance.

Os candidatos a “líderes do Arsenal”, Nasri e Wilshere se assemelham com os ídolos anteriores. Samir é técnico e tem aparecido quando preciso, lembrando Henry, já Jack tem ao menos disposição, coisa que Fábregas não teve e Vieira tinha. O único problema é que eles não tem exemplos no Arsenal pra seguir e podem cair no marasmo e relaxamento de uns e outros…

Reclamem do juíz...mas nem chutaram em gol (AFP)

O Arsenal reclama da arbitragem, se esquecendo que Messi foi calçado por Diaby dentro da área e Busacca nada marcou. Reclama da expulsão, se esquece que van Persie foi ingênuo e estúpido demais nos dois lances. Não custa lembrar que se ele não tentasse dar um safanão em Dani Alves, ele não seria expulso por dar uma bicuda na bola. Reclama do pênalti no terceiro gol, mas quem manda ficar socado dentro da área? Koscielny derrubou Pedro, foi pênalti. Mas se van Persie não fosse expulso e o pênalti em Pedrito não fosse marcado, alguém garante que os Gunners venceriam? Não! Pelo andar da carruagem, o 3×1 viria naturalmente, com ou sem ação da arbitragem. Mas poderia ser que o Arsenal vencesse. Com a bolinha que estava jogando, não venceria, mas vai saber…

Último detalhe pra Wenger e seus amiguinhos chorões: Se o Arsenal não tivesse tropeçado no ‘poderoso’ Braga na fase de grupos, teria ficado em 1º na sua chave e não pegaria o Barcelona.

Dá pra competir com isso? (AFP)

Sobre a partida, o 3×1 é incontestável. O Arsenal entrou pra se defender e não estava pronto pra atacar. Quando teve a bola não soube o que fazer. Não deu um mísero chute à gol – só a ingênua bicuda de van Persie que lhe rendeu uma expulsão -, seu tento foi um verdadeiro “achado” – Busquets desviou de cabeça pro gol. O Barcelona envolveu o adversário com sua troca de passes, meteu 3×1 de forma indiscutível, não foi o árbitro que estragou o jogo. Xavi jogou demais. Messi, igualmente. Iniesta apareceu quando preciso. Adriano foi um baita elemento surpresa. E repito: Mesmo que os lances em que o Arsenal se diz prejudicado não fossem anotados, continuo achando que o Barcelona meteria 3×1 de novo.

É o famoso chorôrô londrino…Wenger que procure encontrar uma liderança entre os garotos ou vai emendar mais alguns anos na fila…

REAÇÕES

Impedimos o adversário de fazer mais do que três passes seguidos e criamos muitas ocasiões de gol. Analisámos o jogo de ida e decidimos o que devia ser alterado para esta partida. Eles possuem uma filosofia de jogo, mas nós não deixamos que a colocassem em prática.

Josep Guardiola, técnico do Barcelona

São coisas que acontecem no futebol, existem regras no futebol, a culpa é sua

Eric Abidal, defensor do Barcelona

Nós perdemos contra um bom time, mas se tivéssemos ficado com 11 jogadores cada um, então eu poderia aceitar a eliminação. Infelizmente não foi esse o caso, e nós temos muitos lamentos hoje. A maneira como nós perdermos hoje torna isso difícil de aceitar

Arsene Wenger, técnico do Arsenal

Minha expulsão influenciou massivamente no resultado da partida. Foi uma piada completa. Como eu podia ouvir o apito quando existiam 95 mil pessoas pulando e fazendo barulho. Ele foi mal durante toda a noite, e eu não sei por que ele está aqui.

Robin van Persie, atacante do Arsenal

Olha só um ex-Arsenal se destacando...

No outro jogo do dia, nenhuma surpresa, embora tenha sido um vexame pro time perdedor. A Roma, que agora não é mais de Adriano – sorte pro clube romanista -, tomou 3×0 do Shakhtar Donetsk e deixa de forma vergonhosa a Champions League. O vexame foi maior porque quando a partida estava 1×0 pros ucranianos, Borrielo perdeu um pênalti. Quando a Roma esboçava uma reação, parecendo que podia conseguir algo, Mexès foi expulso e tudo foi pro lixo. O Shakhtar se classifica com méritos e olho nesse time. Não é aquela famosa equipe lotada de brasileiros que não jogam nada, é uma equipe que tem sim vários brasileiros, mas que são bons de bola.

REAÇÕES

Não podemos pensar que só vencemos a Roma por ter ficado com dez jogadores. Também jogámos muito bem contra 11 e teríamos igualmente ganho o jogo.

Mircea Lucescu, técnico do Shakhtar

Os rapazes mostraram que estão progredindo, apesar do resultado. Eles ainda podem fazer melhor, mas não há necessidade de ficar desmoralizado pelo resultado, pois estamos no caminho certo

Vincenzo Montella, técnico da Roma