TOP 7: Os quinze campeões (Parte 2)

Dando sequência à série com os quinze treinadores europeus que venceram torneios nacionais, continentais e mundiais, passo hoje os últimos sete nomes desta lista. Nesta segunda parte, teremos duas faixas bônus, sendo um técnico europeu e outro sul-americano, mas que obteve tal feito por um clube europeu.

Confira a parte final desta lista abaixo:

Faixa Bônus1 – Helenio Herrera – Internazionale

Está certo que Helenio Herrera é argentino, mas ele tem traços franceses e fortes relações com os italianos, então vale essa menção honrosa. Herrera ganhou quatro campeonatos espanhóis, dois pelo Barcelona e dois pelo Atlético de Madrid. Porém, Milão foi o local onde concluiu a trinca de títulos. Foi pela Inter que venceu o Campeonato Italiano em 1962/63 e a Liga dos Campeões na temporada seguinte – curiosamente, vitória sobre o Real Madrid, seu rival em tempos de Espanha. No Mundial Interclubes, os nerazzurri reverteram a vantagem do Independiente da Argentina em três jogos e venceram o torneio. No ano seguinte, novo título europeu para Herrera, esse sobre o Benfica e mais um título mundial em cima do Independiente.

7) Marcelo Lippi – Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

Lippi fez a trinca na Juventus

O italiano Marcelo Lippi passou por uma penca de times em sua carreira, mas suas conquistas mais gloriosas foram na Juventus – além de vencer a Copa de 2006 pela Itália. Foram treze títulos na equipe de Turim. A primeira vez que conquistou o Campeonato Italiano foi na temporada 1994/95. No ano seguinte, veio o título europeu conquistado em cima do Ajax na disputa por pênaltis.

Em dezembro de 1996, a Juventus deu de cara com o River Plate na final do Mundial Interclubes. Em jogo muito disputado, a decisão veio dos pés de Del Piero, que aos 36 minutos da etapa complementar, fez o gol que valeu o título mundial ao time de Lippi.

A Juve quase repetiu este feito em outras oportunidades. O título italiano veio mais quatro vezes, mas a Liga dos Campeões bateu na trave três vezes. Em 1997 contra o Borussia Dortmund, 1998 diante do Real Madrid e em 2003 contra o rival Milan.

Faixa Bônus2 – Guus Hiddink – PSV Eindhoven e Real Madrid

Conhecido por seus trabalhos em seleções, o holandês Guus Hiddink também botou suas manguinhas de fora nos clubes em que passou. Pelo PSV, foram duas passagens, ambas somando títulos. Entre 1987 e 1990, foram três conquistas do Campeonato Holandês e duas da Copa da Holanda. A temporada 1987/88 foi a mais marcante de Hiddink em Eindhoven. O título holandês veio graças ao ataque avassalador de 117 gols e em seguida, veio o título europeu. Diferentemente do torneio doméstico, a campanha continental não foi das melhores – três vitórias, cinco empates e uma derrota -, mas ainda assim veio o título nos pênaltis diante do Benfica.

No Mundial Interclubes não deu outra: novo empate, desta vez, em 2×2 com o Nacional do Uruguai. Na decisão por pênaltis, vitória dos sul-americanos. Hiddink só completou a série de títulos dez anos depois treinando o Real Madrid. Na final, os madridistas bateram o Vasco da Gama.

Em sua segunda passagem pelo PSV, já nos anos 2000, conquistou três vezes o Holandês.

6) Ottmar Hitzfeld – Dortmund e Bayern

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

A primeira Champions League de Hitzfeld foi no Dortmund

O suíço Ottmar Hitzfeld está no seleto grupo de técnicos que conquistaram a UEFA Champions League por duas equipes diferentes, primeiro pelo Borussia Dortmund em 1997 e depois pelo Bayern em 2001. Curiosamente, antes de conquistar a Europa por esses times, ele já acumulava dois títulos alemães por cada clube. A grande diferença é que Hitzfeld parou nesses dois com os aurinegros, mas com os bávaros vieram mais três conquistas.

Também foi com o time da Baviera que veio seu título mundial. Em 2001, Samuel Kuffour salvou o Bayern na prorrogação contra o Boca Juniors e os alemães levaram o caneco. Hitzfeld só não fez isso pelo Borussia Dortmund por ter deixado o clube após o título europeu.

5) Vicente Del Bosque – Real Madrid

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Del Bosque fez história no Real Madrid e na seleção espanhola

Vicente Del Bosque está próximo de completar 62 anos e se, hipoteticamente, decidir se aposentar, vai poder dizer, com o maior orgulho, que ganhou praticamente tudo que disputou. Antes mesmo de conquistar o Campeonato Espanhol, o Real Madrid de Del Bosque já havia ganhado a “orelhuda” na final espanhola diante do Valencia em 2000. Porém, os espanhóis pararam no Boca Juniors de Riquelme e Palermo e não se sagraram campeões mundiais.

Na temporada seguinte, o Real Madrid voltou vencer o Campeonato Espanhol após três anos. No ano posterior, não veio o bicampeonato nacional, mas veio outro título europeu, conquistado graças a maestria de Zidane. No final do ano, os merengues foram à forra e conquistaram o mundo ao bater o Olímpia do Paraguai por 2×0.

Anos mais tarde, Del Bosque completou sua sala de troféus, simplesmente, com a Eurocopa e a Copa do Mundo.

4) Carlo Ancelotti – Milan

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Ancelotti ganhou duas finais de Champions League das três que disputou

Foram oito anos vitoriosos de Carlo Ancelotti no Milan, onde ganhou muita coisa e se fixou como um dos grandes técnicos do continente. Assim como o comandante citado anteriormente, o italiano ganhou primeiro o título europeu. A conquista veio em 2003, na disputa de pênaltis vencida diante da Juventus. Nos pênaltis também veio a derrota no Mundial Interclubes para o Boca Juniors. No ano seguinte, os rossoneros conquistaram seu 17° scudetto na Itália, primeiro de Ancelotti.

Após perder uma Champions League de forma inacreditável para o Liverpool em 2005, o Milan retornou a final do torneio em 2007 e se vingou do time inglês ao vencer por 2×1. A outra vingança veio no final do ano contra o mesmo Boca Juniors na decisão do Mundial de Clubes.

Carlo Ancelotti ainda acumulou um título do Campeonato Inglês, mas as conquistas internacionais pararam com o Mundial de 2007.

3) Alex Ferguson – Manchester United

Ferguson posou com a "orelhuda" em 1999

Ferguson posou com a “orelhuda” em 1999

Alex Ferguson é outro que pode se gabar de ter ganhado praticamente tudo na carreira, desde os tempos longínquos no Aberdeen e agora no Manchester United. Seus primeiros títulos nacionais foram na Escócia em 1979/80, 1983/84 e 1984/85. Nos Red Devils, o primeiro Campeonato Inglês veio em 1992/93 e juntaram-se a esse título mais onze.

Em 1998/99 e 2007/08, anos em que conquistou o principal campeonato do país, o Manchester de Ferguson também ganhou a Europa e o mundo. Juventus e Chelsea pagaram caríssimos preços em âmbito europeu com dolorosas derrotas, enquanto Arsenal e o próprio Chelsea viram o United ganhar a Premier League por uma diferença curta de pontos.

Em 1999, os ingleses bateram o Palmeiras no Mundial Interclubes, na histórica falha do goleiro Marcos aproveitada por Roy Keane. Em 2008, os derrotados da vez foram os equatorianos da LDU com nova vitória por placar mínimo, desta vez, com gol de Rooney.

2) Rafael Benítez – Valencia, Liverpool e Internazionale

Benítez fez a trinca por três times diferentes

Benítez fez a trinca por três times diferentes

O espanhol Rafa Benítez fez uma “escadinha” pra obter o feito supracitado nesta matéria. Seus únicos títulos de campeonatos nacionais foram na Espanha com o Valencia. Essas conquistas vieram nas temporadas 2001/02 e 2003/04, onde desbancou Barcelona, Real Madrid e, o na época forte, Deportivo La Coruña.

Ao se transferir para a Inglaterra, Rafa venceu de forma heroica a Champions League de 2005 com o Liverpool. Os ingleses foram para o intervalo perdendo por 3×0 e arrancaram o empate no tempo normal e a vitória nos pênaltis. No Mundial de Clubes, os Reds não furaram a barreira armada pelo São Paulo e ficaram com o segundo lugar.

Em passagem nada marcante pela Internazionale, Rafa Benítez ao menos deixou sua marca e bateu o surpreendente Mazembe do Congo na decisão do Mundial de Clubes, completando a trinca de títulos. O espanhol poderá se tornar bicampeão mundial treinando o Chelsea neste ano.

1) Josep Guardiola – Barcelona

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Guardiola ganhou tudo e é um dos técnicos mais cobiçados do mundo

Pep Guardiola é o técnico mais desejado do momento, principalmente dos times que possuem donos milionários dispostos a abrir o cofre para trazê-lo a seu clube. Tal obsessão não existe em vão. O catalão ganhou de tudo no Barcelona. Guardiola disputou quatro edições do Campeonato Espanhol e ganhou três, sendo essas consecutivas.

Já na Liga dos Campeões, o Barça estabeleceu uma freguesia com o Manchester United de Alex Ferguson. Foram duas finais, em 2009 e 2011, e duas vitórias. No Mundial de Clubes, sem grandes decepções. Vitórias sobre Estudiantes e Santos. Se contarmos sua passagem pelo time B do Barcelona, Guardiola acumula quinze títulos em cinco anos de carreira.

*Crédito das imagens: Getty Images

O resultado do entrosamento

Os treinadores que aceitam o desafio de comandar uma seleção nacional estão sendo exigidos cada vez mais, mas tendo pouco a evoluir. Embora alguns contem com um número maior de atletas atuando em alto nível e, por consequência, contando com opções mais numerosas, eles tem de se virar para arrumar o time tendo pouco tempo para executar tal ação.

O calendário do futebol atual é muito apertado, prejudicando demais as seleções. Os treinadores acabam recebendo seus atletas convocados em um dia, treinando no outro e os mandando a campo no dia seguinte. Isso atrapalha demais os trabalhos dos treinadores, que com tempo escasso, elaboram poucas coisas, nada novo e os times se tornam previsíveis.

Para poder se sobressair entre os selecionados adversários, o entrosamento que os jogadores obtêm dos clubes se torna arma dos treinadores. Porém, nem todos conseguem ter este privilégio, não só pela birra que alguns técnicos tem com certos atletas, mas também do fato de muitos clubes grandes possuírem legiões estrangeiras em seus elencos.

Nessa situação, Vicente Del Bosque pode se considerar um ilustre privilegiado. A base de sua seleção campeã mundial e novamente campeã europeia está nos dois principais times da Espanha: Real Madrid e Barcelona. Dos 23 atletas que viajaram para Ucrânia e Polônia para disputar a UEFA Euro, cinco atuam pelo clube da capital espanhola, enquanto sete vestem a camisa catalã, sem contar David Villa e Carles Puyol, peças de confiança de Del Bosque, mas que contundidos, ficaram de fora do torneio.

O resultado dessa soberania está sendo notada pelo mundo inteiro nos últimos campeonatos entre seleções, onde a Espanha conseguiu se tornar a primeira seleção a conquistar duas Euros consecutivas, com uma Copa do Mundo entre esses títulos. Além disso, a Fúria igualou a Alemanha em números de conquistas europeias, três de cada, e ambas dividem o posto de maiores campeãs da história do torneio. Sem falar de uma série incontável de recordes que a Espanha vem batendo com as últimas conquistas.

É claro que possuir uma geração dotada de muito talento e predestinada a vencer tudo que disputar – caso contrário da geração de Raul, por exemplo – é um dos grandes méritos, se não o maior, dessa trinca de títulos, mas ter em mãos um grupo de atletas que joga junto há tempos e adquire grande entrosamento em seus clubes é um grande privilégio de Vicente Del Bosque e isso só ajuda a solidificar seu trabalho.

O treinador também tem o mérito de conseguir distribuir bem os jogadores, mesclando precisamente os valores de Real e Barça, sem desequilibrar o time. Além disso, Del Bosque conseguiu, nesta Euro, dar pequenas “pinceladas”, como o ingresso de David Silva e Jordi Alba, dois “estrangeiros”, ao time titular – embora Alba já seja novo contratado do Barcelona.

A prova final de que o talento de uma grande geração, somada ao entrosamento de longa data realmente fez efeito foi vista pelo mundo inteiro na Eurocopa. A Espanha jogou quase toda a competição abaixo do que pode render, apresentando um futebol, classificado por muitos como, “chato e burocrático” e ainda assim, foi campeã invicta, sofrendo apenas um gol, sendo esse anotado na partida de estreia.

Espanha bi-campeã europeia

Na grande decisão diante da Itália, única seleção que havia balançado as redes espanholas na competição, a Espanha apresentou a Azzurra todas as suas armas. Um toque de bola mais objetivo e envolvente, a intensa movimentação dos homens de frente, fazendo valer o fato de não possuir um centro-avante fixo e a imposição de seu já conhecido estilo de jogo.

A goleada por 4×0 serviu para consagrar Xavi e Iniesta, que tiveram atuações de gala. Ambos foram mal marcados, diga-se de passagem – principalmente Xavi -, mas a dupla mostrou o porque de tanto sucesso e aclamação as suas técnicas. A inspiração da dupla só ajudou a engolir o meio-campo italiano, que pouco produziu durante a partida.

Foi a consagração do estilo espanhol de se jogar futebol. Os constantes toques de bola e a valorização da posse da gorduchinha foram as grandes marcas deste time. Com Barcelona e Real Madrid mantendo os atuais jogadores e aumentando suas forças humanas e financeiras, o domínio nacional e talvez continental deve se tornar uma estigma, com tendência a reflexão na seleção local. Teoricamente, se isso se manter, o trabalho dos treinadores da Fúria, seja quem for, será diminuído, já que ele receberá uma base pronta para ser levemente lapidada.

Enquanto não surgir um estilo de jogo eficaz ao ponto de parar ao jeito espanhol de jogar bola, o cheiro de dinastia no mundo das seleções ficará cada vez mais forte.

O que falta a Espanha?

Pela segunda vez seguida na final da UEFA Euro e atual campeã continental e mundial, a Espanha, ainda assim, não consegue empolgar a nação futebolística. Uns dizem que é um time chato e sonolento, outros já são mais diretos e dizem que a Fúria é uma cópia mal-feita do Barcelona. Alguns são mais radicais e já dizem que a Espanha “não é nada disso”.

Qual seria o motivo de tamanha dúvida quanto a um time que pode conquistar o terceiro título seguido? Listei abaixo algumas suspeitas. Leia e tire suas conclusões.

  • Posicionamento

Na seleção, Iniesta atua pelos flancos

O Barcelona atua num 4-3-3, com Busquets, Xavi e Iniesta formando o meio-campo. Já a Espanha, de Del Bosque, atua num esquema parecido, um 4-3-3 que varia para um 4-2-3-1, mas que mexe no posicionamento do trio citado acima. Busquets e Xavi atuam juntos, mas tendo a companhia de Xabi Alonso, do rival Real Madrid. Já Iniesta é “forçado” a atuar pelas beiradas do campo e mais avançado. Acostumado a trabalhar a bola para os homens de frente blaugranas, o camisa 6 espanhol tem missão diferente pelas laterais. Na maioria das vezes, ele pega a bola dentro da área, onde o espaço para trabalhar uma jogada é menor e a finalização se torna, muitas vezes, obrigatória.

A saída de Xabi Alonso para a entrada de um ponteiro, como Navas ou Pedro, seria uma boa saída. Mas vale à pena abrir mão do volante madridista? Penso que não. Alonso me agrada bastante e, para mim, é um jogador quase completo para a função que desempenha. Claro que é um preço alto a se pagar, mas Del Bosque tem de encontrar a melhor forma de encaixar tudo que tem de melhor no time.

  • Centro-Avante

A ausência do contundido David Villa deixou Vicente Del Bosque em uma sinuca de bico. O atacante do Barcelona era o ponto de objetividade da equipe, com ele não tinha vez, era o “matador” do time. Sem Villa, o comandante campeão do mundo precisou buscar uma nova opção para o ataque, mas ainda não encontrou a ideal.

Fernando Torres consagrou-se como um dos maiores atacantes do planeta há quatro anos, ao marcar o gol do título europeu, mas hoje, se vê como uma das grandes piadas da história do futebol. Contratado a peso de ouro pelo Chelsea, El Niño não repete as atuações dos tempos de Liverpool e não passa confiança para Del Bosque. Fernando Llorente, que seria a normal segunda opção após Torres, estranhamente não é utilizado pelo selecionador espanhol e ainda vê Álvaro Negredo receber mais oportunidades.

Em meio esse acúmulo de dúvidas e incertezas, Del Bosque aposta em Fàbregas na função. Acostumado a jogar na faixa central, Cesc demonstra enormes dificuldades para ser o centro-avante do time. Porém, sem alternativa melhor, foi o titular em quase toda competição.

Fàbregas tem sido a solução de Del Bosque para a “camisa 9”

  • Objetividade

É estranho, mas a Espanha, segunda seleção que mais finalizou na Eurocopa – 49 vezes -, é criticada por muitos pela falta de objetividade. É uma crítica plausível até a página dois.

Sim, muitas vezes, falta um “cabeçudo” pra pegar a bola na entrada da área e finalizar em gol. Sim, os espanhóis parecem seguir a regra do golaço e que só vale chutar da pequena área. Sim, a Espanha dá a impressão de não ter a objetividade do Barcelona. E sim, o toque de bola da Fúria é maçante, enjoado e cadenciado além da conta.

Porém, é esse mesmo time que com a posse de bola, ao mesmo tempo em que busca o ataque, evita que o adversário o agrida. É desse time também que saem algumas jogadas geniais, muitas vezes dos pés de jogadores como Iniesta e Xavi. E como foi dito antes, a Espanha foi a segunda seleção que mais finalizou na Eurocopa, perdendo apenas para a Itália. A Fúria também tem o segundo melhor ataque do torneio, com oito gols. Ou seja, é uma crítica plausível, mas que não me parece definidora de tudo.

  • Inveja

Para muitos, o futebol apresentado pela Espanha é “bonito”. Eu entendo como uma prática vistosa, leve, mas que não me enche os olhos. Mas para muitos, as críticas levantadas nos últimos tópicos – principalmente no último ponto – são multiplicadas e transformadas em duras e injustas palavras, denegrindo todo o trabalho feito pela Espanha.

Isso não tem outro nome: inveja. Como não estou aqui para falar de sentimentos de uns e outros, por algo completamente indireto ao jogo, nem me esticarei nesse ponto.

O fato é que este time, mesmo com esses “defeitos” citados anteriormente, pode se tornar a primeira seleção na história a conquistar duas Eurocopas com uma Copa do Mundo no meio. Essa é a Espanha, que com o passar dos anos vai ganhando cancha para se fixar na história do futebol.

*Crédito das imagens: Getty Images

EURO 2012: O grupo do enrosco

Nem grupo da morte, nem grupo das ‘babas’. A chave C da UEFA Euro 2012 tem um favorito claro, porém, não deixa de apresentar a esta equipe adversários conhecidos como “carne de pescoço”.

Atual campeã do torneio, a Espanha pode ser a primeira na história a conquistar a Eurocopa, a Copa do Mundo e de novo o torneio europeu em seguida, por isso é reconhecidamente a favorita do grupo. A Itália despontava como segunda candidata a vaga, porém, um novo escândalo envolvendo o futebol do país atormenta o momento psicológico da seleção. Já a Croácia surge com um time muito técnico e capaz de surpreender, enquanto a Irlanda, mesmo longe de torneios importantes desde 2002, tem jogadores experientes, além de um técnico estrategista.

Confira abaixo a análise dos quatro selecionados.

ESPANHA: Em busca de um feito inédito

Decisivo em 2008, Torres pode receber mais uma chance com Del Bosque

Acostumada a gerar grandes expectativas antes dos torneios, mas não correspondê-las, a Espanha retorna a Eurocopa com fama de favorita e, também, com pinta de que pode novamente conquistar o continente. O time treinado por Vicente Del Bosque pode se tornar a primeira seleção na história a conquistar a UEFA Euro, a Copa do Mundo e novamente o torneio europeu em sequência. Em 2008, quando ainda era comandada por Luís Aragonés, a Fúria ergueu o caneco no seu continente, dois anos depois, já com Del Bosque de técnico, veio o primeiro título mundial.

Mas para a disputa do torneio que inicia na sexta-feira, a Espanha não poderá contar com seu artilheiro, David Villa. O atacante do Barcelona se contundiu em dezembro, na disputa do Mundial de Clubes, e não se recuperou a tempo para a competição. Com isso, a tendência é que Fernando Torres seja seu substituto. O atacante do Chelsea, novamente, não fez boa temporada, porém, foi decisivo no duelo diante do Barcelona na UEFA Champions League, onde fez o gol que eliminou o time catalão.

Caso Torres não engrene, Del Bosque deverá apostar em Fernando Llorente do Athletic Bilbao. O atacante de 1,95 de altura balançou as redes em 29 oportunidades nesta temporada, dezoito vezes há mais que o concorrente do Chelsea.

A ausência de Villa não mudará o estilo de jogo espanhol de muito toque de bola, controle de jogo e movimentação. Os grandes “caras” deste estilo são Xavi, Iniesta – que deverá jogar mais aberto – e Xabi Alonso.

Dentre esses três atletas, surge David Silva. Bem na Euro 2008 e discreto na última Copa – devido a uma lesão -, o meia fez ótima temporada pelo Manchester City e foi um dos grandes responsáveis pelo título inglês, onde foi líder no quesito assistências. Mesmo com uma queda de rendimento na segunda metade da temporada, Silva tem tudo para encontrar sua melhor forma diante dos técnicos companheiros de time.

Na defesa, uma ausência deve ser muito sentida no espírito do time: Carles Puyol. O defensor do Barcelona sofreu uma lesão no joelho no fim da temporada e por isso ficará de fora do torneio. Com isso, Sérgio Ramos deve ser deslocado para o miolo de defesa e formar dupla com Piqué.

A novidade do time está na lateral-esquerda. Após anos e anos atuando com o “patinho feio” Joan Capdevila, o técnico Vicente Del Bosque viu em Jordi Alba, de apenas 23 anos, a solução para seus problemas na posição. Com sete assistências na temporada, Alba tem pouca experiência pela seleção espanhola, mas nos cinco jogos que fez, convenceu a todos de que deveria ser o titular da posição.

Essa é a Espanha, que chega ao torneio como favorita e com a mescla Barcelona-Real Madrid, que tem tudo para dar certo nesta Eurocopa.

CONVOCADOS:

Goleiros: Iker Casillas (Real Madrid), José Manuel Reina (Liverpool-ING) e Victor Valdés (Barcelona)

Defensores: Álvaro Arbeloa, Sergio Ramos e Raúl Albiol (Real Madrid), Jordi Alba (Valencia), Juanfran Torres (Atlético de Madrid) e Gerard Piqué (Barcelona)

Meio-Campistas: Javí Martinez (Athletic Bilbao), Xabi Alonso (Real Madrid), Santiago Cazorla (Málaga), Xavi, Fabregas, Busquets e Iniesta (Barcelona), Juan Mata (Chelsea-ING), Jesus Navas (Sevilla) e David Silva (Manchester City-ING)

Atacantes: Álvaro Negredo (Sevilla), Fernando Llorente (Athletic Bilbao), Pedro (Barcelona) e Fernando Torres (Chelsea-ING)

ITÁLIA: 2006 E 1982 como exemplos

Grande destaque da Juve, Pirlo tentará carregar a Itália na Euro

Em 1982, Paolo Rossi chegava à Espanha para a disputa da Copa do Mundo graças a uma ação judicial que reduziu sua suspensão de três para dois anos. Naquela época, o escândalo Totonero fez com que diversos jogadores fossem presos e Rossi era um deles. No Mundial, o atacante, na época da Juventus, arrebentou e a Azzurra foi tri-campeã do mundo. Vinte e quatro anos depois, outro escândalo futebolístico atacava a Velha Bota, desta vez o Calciopoli. Este caso envolveu os clubes, gerou diversas punições e até rebaixou a Juventus, mas na Copa do Mundo, o Calcio deu a volta por cima e a Itália conquistou o tetra-campeonato mundial.

Em 2012, novo escândalo de apostas e agora com interferência direta na seleção do país. Domenico Criscito é um dos acusados de envolvimento no caso. Atualmente no Zenit da Rússia, o lateral-esquerdo foi excluído da lista de convocados para a Eurocopa.

Diante desses escândalos, a Itália tentará, novamente, se reerguer e levantar o caneco. Para isso, o técnico Cesare Prandelli aposta na mixagem de novos atletas com os mais experientes. No elenco atual, Gianluigi Buffon, Daniele De Rossi e Andrea Pirlo se unem a Fabio Borini, Mario Balotelli e Sebastian Giovinco nesta nova caminhada.

O setor mais produtivo do time é o meio-campo, onde está reunida muita técnica e disposição. Lá estará Andrea Pirlo, grande nome do time. O camisa 21 fez temporada brilhante pela Juventus e será o responsável por dar o toque de classe na faixa central do gramado. Como a Azzurra deve jogar sem um meia-armador, numa espécie de 4-3-3, Pirlo será o grande responsável por trabalhar a bola tanto na defesa, quanto no ataque.

Falando no setor ofensivo, é lá que Prandelli tem suas dúvidas. Mario Balotelli deverá ser titular, mas todos sabem que ele é uma bomba prestes a estourar e ficará sempre aquela interrogação quanto ao limite de sua paciência. Antônio Cassano também deverá ter sua vaguinha no time, mas o AVC que teve no final do ano o deixou durante um bom tempo inativo e acaba gerando dúvidas quanto sua forma física.

Giuseppe Rossi deveria ser o outro titular, mas o atacante do Villarreal ficou fora da lista final por estar com uma grave lesão. Com isso, sobraria uma vaga que seria disputada entre Giovinco e Di Natale. Riccardo Montolivo corre por fora, mas caso entre, será para jogar mais recuado, como um meio-campista.

Independente da formação escolhida, Cesare Prandelli opta por um ataque leve, de movimentação e sem um centro-avante fixo. Basta ver que nomes como Luca Toni e Vincenzo Iaquinta não tiveram vez com o ex-comandante da Fiorentina.

Enquanto isso, a defesa é muito consistente. Mesmo com o problema de Criscito e a lateral-esquerda, a força e rigidez do setor não fogem com a dupla Chielini e Bonucci. Na lateral-direita, Maggio, que atua como um ala no Napoli, mas parece estar se adaptando bem a função mais defensiva na Azzurra. Balzaretti, a surpresa Ogbonna e até Chielini surgem como possíveis substitutos de Criscito.

A Itália chega à Euro desacreditada. Prandelli já chegou a dizer que “para o bem do futebol no país, não seria problema nenhum não disputarem a competição”, mas eles devem jogar e tentar, na base da tradição, peso da camisa e novas ideias, chegar a um novo título europeu.

CONVOCADOS:

Goleiros: Gianluigi Buffon (Juventus), Morgan De Sanctis (Napoli) e Salvatore Sirigu (Paris Saint-Germain-FRA)

Defensores: Ignazio Abate (Milan), Federico Balzaretti (Palermo), Andrea Barzagli, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini (Juventus), Christian Maggio (Napoli) e Angelo Obinze Ogbonna (Torino)

Meio-Campistas: Daniele De Rossi (Roma), Alessandro Diamanti (Bologna), Emanuele Giaccherini, Claudio Marchisio e Andrea Pirlo (Juventus), Riccardo Montolivo (Fiorentina), Thiago Motta (Paris Saint-Germain-FRA) e Antonio Nocerino (Milan)

Atacantes: Mario Balotelli (Manchester City-ING), Fabio Borini (Roma), Antonio Cassano (Milan), Antonio Di Natale (Udinese) e Sebastian Giovinco (Parma)

CROÁCIA: Despontando como zebras

Após a ausência em 2008, Eduardo se sente aliviado por poder disputar em 2012

A Croácia foi uma das seleções que, de certa forma, herdou a técnica e habilidade da Iugoslávia. Até por isso, podemos considerar o time da marcante camisa xadrez como uma das postulantes a “zebra” na Eurocopa 2012.

A seleção armada por Slaven Bilic é jovem e muito talentosa. O grande nome desta geração é Luka Modric, do Tottenham. O meia tem muita capacidade técnica, além de qualidade para jogar na marcação e na armação do time. É o ponto de equilíbrio da equipe e tem tudo para brilhar na UEFA Euro.

Modric ainda conta com boas peças de apoio. Pela direita, o agressivo Srna deverá aparecer diversas vezes na linha de fundo. No outro lado, Ivan Rakitic deverá usar a parte mais interna do campo, além de arriscar chutes de longa distância. A única dúvida está em quem será o companheiro na faixa central do meia do Tottenham. Uns apostam em Vukojevic do Dynamo de Kiev, outros preferem acreditar que Dujmovic do Zaragoza será o titular.

No ataque, o brasileiro naturalizado croata, Eduardo da Silva deverá escrever a história que deveria ter sido escrita há quatro anos atrás. Na edição de 2008, o atacante, que era uma aposta de Bilic, não disputou o torneio por ter sofrido uma fratura no tornozelo, que o tirou de toda temporada. Agora, atuando na Ucrânia, Eduardo se sente inteiro fisicamente e pronto para ser o homem-gol da Croácia.

Seu parceiro de ataque deverá ser Mario Mandzukic, que entre brigas e abraços com o técnico Félix Magath no Wolfsburg, teve uma temporada regular. O reserva da dupla seria Ivica Olic, porém, o jogador, que recentemente deixou o Bayern, se contundiu e foi cortado. Será a grande chance para Nikica Jelavic do Everton e Nikola Kalinic do Dnipro. Ambos precisarão mostrar serviço para conquistar a confiança de Bilic.

Um problema está na defesa. Corluka e Pranjic atuaram pouco por seus clubes – o primeiro terminou a temporada no Leverkusen -, enquanto Gordon Schildenfeld necessita de mais experiência em jogos grandes. O veterano Josip Simunic deve formar dupla de zaga com Schildenfeld, mas se ele já não empolgava no auge, imagina agora aos 34 anos?

A Croácia deposita suas fichas neste jovem time que tem tudo para fazer uma boa campanha. Com os escândalos abalando o futebol italiano, o selecionado croata surge como uma candidata real a uma vaga para o mata-mata. Basta provarem que são capazes de brilhar como Suker, Prosinecki e Cia.

CONVOCADOS

Goleiros: Stipe Pletikosa (Rostov-RUS), Danijel Subasic (Monaco-FRA) e Ivan Kelava (Dinamo Zagreb)

Defensores: Jurica Buljat (Maccabi Haifa-ISR), Domagoj Vida (Dinamo Zagreb), Vedran Corluka (Bayer Leverkusen-ALE), Josip Simunic (Dinamo Zagreb), Gordon Schildenfeld (Eintracht Frankfurt-ALE), Ivan Strinic (Dnipro Dnepropetrovsk-UCR) e Danijel Pranjic (Bayern-ALE)

Meio-Campistas: Darijo Srna (Shakhtar Donetsk-UCR), Tomislav Dujmovic (Zaragoza-ESP), Ognjen Vukojevic (Dynamo Kiev-UCR), Ivan Rakitic (Sevilla-ESP), Luka Modric (Tottenham-ING), Ivan Perisic (Borussia Dortmund-ALE), Niko Kranjcar (Tottenham-ING), Milan Badelj (Dinamo Zagreb) e Ivo Ilicevic (Hamburgo-ALE)

Atacantes: Nikola Kalinic (Dnipro Dnipropetrovsk-UCR), Nikica Jelavic (Everton-ING), Mario Mandzukic (Wolfsburg-ALE) e Eduardo da Silva (Shakhtar Donetsk-UCR)

IRLANDA: Retranca empolgante

Robbie Keane tentará corresponder as expectativas da eufórica torcida irlandesa

A Copa do Mundo de 2002 foi o último torneio que a Irlanda disputou. De lá pra cá, o time bateu na trave algumas vezes antes de entrar em outra competição. A batida mais dolorosa foi em 2009, quando o time britânico caiu na repescagem para o Mundial diante da França, no fatídico jogo em que Henry deu uma “leve” ajeitada na bola com a mão e tocou para Gallas marcar.

Qualificada para a Euro 2012, a Irlanda conta com o experiente técnico Giovanni Trapattoni, que conseguiu fazer uma mistura chata para os adversários: juntou a força defensiva italiana com antiga truculência britânica. Hoje, a Irlanda possui uma defesa firme e um ataque que baseia seu jogo nas bolas aéreas.

Embora este seja um estilo de jogo feio de se ver, há tempos o povo irlandês não ficava tão empolgado com o futebol. O simples fato de disputar a Eurocopa, mesmo que seja para fazer figuração, já deixa a torcida eufórica, como poucas vezes foi visto.

Os fanáticos mais antigos lembrarão-se da única participação irlandesa na história da Eurocopa, que foi em 1988, e naquela edição, a seleção britânica protagonizou uma das maiores zebras da história do torneio. A vitória por 1×0 sobre a favorita Inglaterra foi comemorada como um título, não só por ter sido a primeira na história da competição, mas por ter sido sobre uma arrogante rival da Grã-Bretanha.

Para conseguir surpreender novamente, Trapattoni leva para Ucrânia e Polônia um time experiente, com quatro remanescentes da campanha de 2002: Robbie Keane, Damien Duff, Richard Dunne e Shay Given. O quarteto forma o grande pilar construído por Trap. Sem eles, nada disso seria possível e um surpreendente avanço para as quartas-de-final também será impossível se os quatro não estiverem em boa ligação.

Entre os veteranos, surge Darron Gibson, de apenas 24 anos. A revelação do Manchester United se notabilizou pelos chutes de longa distância. Nesta temporada, ele ficou sem espaço nos Red Devils e se viu obrigado a mudar de ares e foi jogar no Everton. Esse espaço recebido em Liverpool foi primordial para que pudesse conquistar seu lugar na Eurocopa.

Trapatonni também conta com boas opções de ataque. Além do experiente e ídolo irlandês Keane, o italiano terá à disposição Jonathan Walters do Stoke City e Shane Long do West Brom. Eles marcaram 11 e 8 gols, respectivamente, nesta temporada. A dupla atua na Inglaterra, como boa parte do elenco irlandês. Apenas Darren O’Dea, que joga na Escócia, McGeady, na Rússia e Robbie Keane, nos EUA, atuam fora da Inglaterra.

Essa é a Irlanda, que mesmo longe das competições internacionais há mais de dez anos, apresenta uma equipe calejada e chata. Não deve ir longe, mas tem tudo para ser uma pedra no sapato da tradicional Itália e das técnicas Croácia e Espanha.

CONVOCADOS:

Goleiros: Shay Given (Aston Villa-ING), Keiren Westwood (Sunderland-ING) e David Forde (Millwall-ING).

Defensores: John O’Shea (Sunderland-ING), Richard Dunne (Aston Villa-ING), Sean St Ledger (Leicester City-ING), Stephen Ward (Wolverhampton-ING), Kevin Foley (Wolverhampton-ING), Stephen Kelly (Fulham-ING) e Darren O’Dea (Celtic-ESC)

Meio-Campistas: Keith Andrews (West Bromwich-ING), Glenn Whelan (Stoke Cit-ING), Darron Gibson (Everton-ING), Damien Duff (Fulham-ING), Aiden McGeady (Spartak Moscou-RUS), Stephen Hunt (Wolverhampton-ING), Paul Green (Derby County-ING) e James McClean (Sunderland-ING)

Atacantes: Robbie Keane (Los Angeles Galaxy-EUA), Kevin Doyle (Wolverhampton-ING), Simon Cox (West Bromwich-ING), Jonathan Walters (Stoke City-ING) e Shane Long (West Bromwich-ING)