Ahn?!?!?

Toda janela de transferências é a mesma história. Acontecem as contratações já esperadas, os empréstimos para tapar buraco em um elenco curto e deficitário, as contratações milionárias, as pechinchas, as surpresas… Enfim, rola de tudo nesse período do ano.

Outro tipo de negociação que eu invetei uma classificação é a “Ahn?!”. Isso mesmo, “Ahn?!”. Recebe essa alcunha aquela contratação que você, por algum motivo, estranha e suas primeiras palavras após o iminente choque é “Ahn?!”. Outras fontes são consultadas, a negociação acaba por se confirmar e a dúvida e até o inconformismo batem em você.

Esse tipo de negociação pode acontecer quando algum clube contrata um jogador de nível duvidoso, ou quando um outro atleta acaba trocando um clube de alto nível por outro de nível mais baixo. Derivados também contam!

Fria ou grande chance de reerguer time tradicional? (werder.de)

A negociação do momento, que me fez olhar e dizer “Ahn?!” foi a de Andreas Wolf, que se transferiu do Werder Bremen pro Monaco.

Wolf foi o capitão e um dos grandes destaques do Nüremberg na surpreendente temporada 2010/11, que quase rendeu ao clube bávaro uma vaguinha na Uefa Europa League. Na metade de 2011, ele foi comprado pelo Werder Bremen. Nada de anormal! Quando um time que não tem grandes aspirações num campeonato nacional consegue superar seus objetivos e ir longe, a chance deste time perder seus principais jogadores para equipes que tem condições de sonhar alto em todas as temporadas se torna algo completamente normal. Foi o que aconteceu com o Nüremberg, que além de Wolf, perdeu Ekici, Schieber – este já estava por empréstimo, mas o Stuttgart está aproveitando o jogador – e Wollscheid – que irá pro Leverkusen na próxima temporada.

No Werder Bremen, Wolf não chegava a ser um titular absoluto, mas atuava com enorme frequencia. Dos 17 jogos do time de Thömas Schaaf no primeiro turno do Campeonato Alemão, o zagueiro/volante participou de 15 deles, sendo só um como reserva e tendo sido substituído duas vezes. Números bastante significativos, que representavam que Wolf era uma peça importante do elenco de Schaaf.

Quando vi que o Monaco estava atrás dele, não dei muita bola. Comprado recentemente por um magnata russo, era se de se esperar que muitos jogadores fossem especulados em torno do clube monegasco. Mas aos poucos fui notando que Wolf era o único especulado, aí percebi que a coisa era séria.

Eis que na tarde da última segunda-feira, os sites oficiais, tanto do Monaco, quanto do Werder Bremen confirmaram a negociação. Valores não foram informados pelo fato do clube monegasco ainda não ter efetuado o pagamento, mas o contrato de Wolf será válido até 2015.

Antes de chegar ao lado estranho da negociação, só quero acrescentar que o Monaco fez um belo negócio. O elenco monegasco é jovem e isto está pesando para a campanha ruim do time na Ligue 2 – 18ª colocação, com 19 pontos – e os veteranos do clube estão se arrastando. Wolf tem 29 anos, mas tem muita vitalidade, tem raça, é determinado e costuma ter um enorme espírito de liderança. Pode ser o cara que equilibre mentalmente esse jovem time do Monaco.

Mas agora sim vamos para a parte estranha: O que Andreas Wolf ganha trocando o Werder Bremen, time que está lutando por vaga na Liga dos Campeões, onde é titular na maioria dos jogos pelo Monaco, clube que mesmo sendo tradicional na França, está afundado na segunda divisão e tradicionalmente é um clube bagunçado e de pequena – e fiel- torcida?

De capitão do surpreendente Nüremberg, para novo jogador do afundado Monaco (Reuters)

Talvez nos próximos dias saberemos disso. Wolf chegará na quinta-feira em Monaco e provalvemente seja anunciado o valor da transação. Somente os números me dão motivos para imaginar esta transferência, porque profissionalmente, não sei o que o jogador ganharia, honestamente. Somente uma proposta boa financeiramente, tanto para o Werder quanto para Wolf me fazem imaginar isto. Respeito o Monaco, é um clube de muita história e quem me segue no twitter, sempre percebe que eu passo os resultados do time monegasco na Ligue 2, enfim, tento dar espaço pro clube, mas não faz sentido nenhum o Wolf trocar o Bremen pelo clube francês justamente agora. O defensor saiu valorizado do Nüremberg! E chegou valorizado em Bremen! A minha aposta é que se Wolf se for bem no Monaco, fatalmente ele irá pra algum grande na França já na próxima temporada.

O que resta agora é desejar boa sorte a Andreas Wolf! Viel glück ou bonne chance!

Balanço da janela: Alemanha

A janela de transferências se fechou e só negociações internas podem acontecer. Mas como a janela barulhenta acabou de se fechar, farei um balanço dos principais negócios, pros internautas não só saberem o que rolou, mas saberem também a minha opinião sobre algumas transações.

Começando pela Alemanha!

Torcedor dá as boas vindas a Neuer

O time que mais gastou foi o Bayern de Munich. Os bávaros investiram uma singela bagatela de 44 milhões de euros. O jogador mais caro e mais batalhado pelo clube foi Manuel Neuer. O ex-arqueiro do Schalke chegou por 22 milhões de euros. O Bayern também batalhou para trazer Jêrome Boateng. O Manchester City insistiu em não liberar, mas após ver os 13 milhões de euros, decidiu vender.

Ainda chegaram na Baviera, Nils Petersen, Rafinha e Usami. Deixaram o clube de graça Kraft e Ottl, que foram pro Hertha, Altintop, pro Real Madrid e Klose, que foi pra Lazio. Ekici foi o único que encheu os cofres bávaros. O Bremen pagou 5 milhões de euros pelo atleta.

O Bayern investiu pesado. Muita grana em um goleiraço como Neuer, mas talvez exagerada em um zagueiro de nível duvidoso como Boateng. Mas claramente o investimento bávaro chega pra corrigir a defesa, que foi o ponto falho na última temporada.

Outra equipe que manteve o costume de gastar bastante foi o Wolfsburg. Os Lobos gastaram bem menos que o Bayern, “só” 21 milhões e diferentemente do time bávaro, não focou em um ajuste em determinada posição, mas fez sim uma enorme lista de contratações para várias posições.

Os Lobos pagaram 9 milhões por Träsch

Começando pela defesa, onde chega do rebaixado Frankfurt Marco Russ e o brasileiro Chris, Träsch vem do Stuttgart – negócio mais caro do Wolfsburg, 9 milhões – Kyrgiakos do Liverpool e Cale do Trabzonspor. Pro meio campo, vem Ochs do Frankfurt, Klich do MKS Cracóvia, Salihamidzic da Juventus, Hitzlsperger do West Ham e Hleb do Barcelona – os últimos três voltam ao futebol alemão. Pro ataque, vem do Kaiserslautern, Srdjan Lakic e Jönsson do Helsingborg.

Jogadores acostumados a jogar pelo time titular do Wolfsburg acabaram deixando o clube. Grafite foi vendido pro Al-Ahli, Riether pro Colônia, enquanto Kjaer, Diego e Pekarik foram emprestados para Roma, Atlético de Madrid e Kayserispor, respectivamente. Ainda deixam o clube Fabian Johnson, Ziani, Ben Khalifa, Gogia e Tuncay.

Como pode-se notar, há uma gastança desenfreada nos Lobos. Vem jogadores para todas as posições, não há, como no Bayern, um critério definido para os reforços. Talvez até alguns desses reforços não irão jogar. O Wolfsburg é mais um caso de time que tem dinheiro, mas parece não saber gastar.

Nos dois primeiros colocados da última temporada da Bundesliga, apenas alguns ajustes.

Bakalorz, Gundogan, Leitner, Löwe e Perisic prontos pra nova batalha

No Dortmund, veio Gundogan pro lugar de Nuri Sahin – grande perda do BVB -, vendido ao Real Madrid. Löwe chegou para ser o reserva imediato de Schmelzer, enquanto o artilheiro da última Liga Belga, Perisic, surge como um bom reserva ofensivo. No Leverkusen, Toprak chegou para coordenar a problemática defesa. Bernard Leno vem para ser o substituto de Adler, que anda se contundindo demais. Sem falar de Schürrle, que está contratado desde a temporada passada e chegou para ser titular.

Acima, já havia falado da grande perda do Dortmund, falta a do Leverkusen, que curiosamente também é na posição de volante. Arturo Vidal, que foi tantas vezes especulado no Bayern e que obrigou o presidente do Leverkusen, Wolfgang Holzhäuser a repetir dezenas de vezes que pro time bávaro ele não iria, acabou indo para a Juventus.

Só pra constar, BVB e Leverkusen, juntos, gastaram 21 milhões de euros, a mesma quantia gasta pelo Wolfsburg…

Afundando o Hamburgo, seu Arnesen?

Outra equipe que fez barulho na Alemanha durante a janela de transferências foi o Hamburgo, com Frank Arnesen como novo diretor de esportes. O dinamarquês trabalhou de 2005 até 2009 no Chelsea. Resultado disso: 5 jogadores dos Blues vieram parar no HSV. São eles: Töre, Bruma, Sala, Mancienne e Rajkovic.

Além dos desconhecidos Skjelbred e Neuhaus, o Hamburgo trouxe do Kaiserslautern o meia Ivo Ilicevic. Por ter se destacado no Lautern, a sua contratação parece ser mais segura que a garotada vinda do Chelsea.

O balanço hamburguês é meio negativo. Muitos negócios duvidosos!

BOLA DENTRO (CONTRATAÇÕES)

– O Hannover trouxe de graça Christian Pander, ex-Schalke. Pode jogar tanto na meia esquerda quanto na lateral do mesmo lado. Bom jogador e que já teve passagens pela Seleção Alemã. O Hannover, que já tem um time muito bem armado por Mirko Slomka, começa a armar um elenco forte também;

– Por empréstimo do Schalke, Mario Gavranovic chegou no Mainz. Suíço bom de bola. Boa pro garoto, que ganha experiência e bom pro clube do sudoeste alemão, que ganha um bom jogador e o principal, um jovem, sempre lembrando que Thomas Tüchel se dá bem que essa “espécie” de jogador;

Wolf chega pra ser o cherife do meio campo Verde

– O Werder Bremen tirou do Nüremberg o jogador Andreas Wolf. Marcador e polivalente, que pode atuar como volante e como zagueiro. Destaque pra seu espírito de liderança, que pode mudar o ânimo da equipe que não anda dos melhores;

– Duas bolas dentro do Schalke: Ralf Fährmann e Christian Füchs. O goleiro mostrou pelo Eintracht Frankfurt que tem futuro e pode sim ser o substituto de Neuer. Já o lateral-esquerdo se destacou muito no Mainz, principalmente nas assistências. Somente Fuchs “obrigou” o Schalke a gastar alguma coisa. Foram quase 4 milhões de euros;

– O Hertha Berlin também deu duas bolas dentro: Tunay Torun e Ânis Ben-Hatira. Ambos são jovens promissores e tem muito a evoluir do time berlinense;

BOLA DENTRO (SAÍDAS)

– Antes de tudo: falarei só dos jogadores que foram vendidos. Há muitos que ficaram sem contrato e se transferiram pra outra equipe. Esses não contam.

– Muitas do Hamburgo. Vamos por tópicos:

– Alex Silva, Flamengo: Nunca rendeu no Hamburgo. Sai sem deixar saudades.
– Pitroipa, Rennes: Fraquíssimo. Só corre. Não sabe passar, muito menos finalizar
– Rozehnal, Lille: Perdeu espaço no HSV
– Mathjisen, Málaga: Declinou demais. A zaga precisava ser renovada.
– Eljero Elia, Juventus: Mais uma enganação do mundo futebolístico.

– Três do Schalke: Hao Junmin, que chegou pra ser uma espécie de revide a Kagawa no Dortmund, mas pouco jogou; Lukasz Schmitz, que fez péssima temporada e precisava mudar de ares; Anthony Annan, sabe-sa lá como foi parar no Schalke;

BOLA FORA (CONTRATAÇÕES)

– O Colônia trouxe Henrique Sereno. Um verdadeiro Zé-Ninguém que estava no Porto. Quer fugir da degola como?

– Sokratis Papasthoopoulos veio pro Bremen pra ajudar a estabilizar a defesa do time de Thomas Schaaf. Mas entre Prödl, Naldo e o grego, prefiro os dois primeiros, sem pestanejar;

– O Schalke não deu só bola dentro nas contratações, mas errou ao trazer o limitado Marica. Pelo menos trouxeram pra ser reserva…;

BOLA FORA (SAÍDAS)

– O Leverkusen não tem um vasto número de atacantes e acabou (novamente) emprestando um jogador que poderia ser aproveitado no time principal: Zvonko Pamic, que se destaca nas seleções de base da Croácia. Ele jogará no Duisburg;

– O Stuttgart optou por emprestar o garoto Patrick Funk ao St. Pauli. Vi poucos jogos dele na última temporada, mas gostei mesmo assim. Acho que poderia disputar posição com o atual titular da lateral-direita, Boulahrouz;

– O Wolfsburg sofre tantos problemas na lateral direita e o jogador a ser vendido foi justamente Sascha Riether, atleta da posição. Não venderia, principalmente pro Colônia, que está abaixo dos Lobos.

– Sem oportunidades, Idrissou trocou o Monchengladbach pelo Eintracht Frankfurt. Pro atacante camaronês, é bom, jogará mais. Mas pros Potros nem tanto. O elenco não é dos melhores e pra este blogueiro, Idrissou é melhor que Hanke e Bobadilla, que pro técnico Lucien Favre estão à frente do camaronês;

Está fechado o primeiro balanço das transferências. Nos próximos dias, darei sequencia a análise.

Até a próxima!