h1

Blanc em Paris: para fazer mais do que criar laços

25 de junho de 2013
Blanc já era cravado em Paris há uma semana (Foto: PSG.fr)

Blanc já era cravado em Paris há uma semana
(Foto: PSG.fr)

O fator “laços com a França” deve ter pesado na hora em que Nasser Al-Khelaifi decidiu trazer Laurent Blanc para assumir o Paris Saint-Germain. O xeique que preside o clube parisiense tem frisado há algum tempo que busca criar relação com o público francês e para isso já mudou o escudo do time e até mesmo o uniforme da próxima temporada terá as cores do país (apesar de eu ter achado a camisa horrível).

Alguns consideram essa tentativa de relacionamento público superficial e de pouco acréscimo futebolístico, mas eu não penso assim. Destes novos clubes milionários, o PSG me parece ser um dos poucos que possui ao menos um dono interessado no time e em como fazê-lo progredir. Muitos largam mão, só injetam dinheiro e esperam que os resultados venham da noite para o dia, já Khelaifi convive com o elenco e está presente na maioria dos jogos do time. Logo, ele deve ter percebido que o clube, que é jovem, necessite criar uma relação com Paris e toda França. É um desejo aceitável e mexe com a estrutura da divisão de torcedores no país.

Para seguir esse projeto, Laurent Blanc era mesmo o melhor nome para treinar o time. O campeão do mundo em 1998 como jogador já mostrou na prática que é capaz de conseguir bons resultados dentro das quatro linhas, como foi visto no Bordeaux campeão francês e quadrifinalista da Liga dos Campeões 09/10, e até mesmo na seleção francesa que se classificou para a Eurocopa de 2012.

Ainda assim, seu nome não traz tanta segurança para torcida e mídia francesa. O motivo é claro: durante a própria Euro do ano passado, os Bleus tiveram diversos problemas internos como bate-bocas dentro do vestiário com Blanc se omitindo no tratamento dessas situações. Muitos não o consideram a pessoa ideal para tratar de um elenco milionário e que tem como astro o polêmico Zlatan Ibrahimović.

Mas isso só será visto na prática e no trabalho diário com o elenco. É complicado cravar que terá dificuldades com isso porque será apenas o terceiro trabalho da carreira de Laurent Blanc, mas a pulga fica pulando atrás da orelha.

O PSG DE BLANC

O Paris Saint-Germain ainda nem começou a se mexer efetivamente nesta janela de transferências, alguns jogadores podem deixar o clube (pupilos de Ancelotti?), outros podem levar suas malas para a cidade luz, o fato é que o clube parisiense precisa se reforçar para fazer bonito no cenário internacional na próxima temporada.

Com novo técnico, já podemos até começar a projetar alguns pontos que podem vigorar no time com Laurent Blanc. Para começar, o PSG deve voltar a ter cinco homens no meio-campo. Com Ancelotti, o time até jogou assim em alguns momentos, mas adotou o 4-4-2 na última temporada e assim jogou por quase todo ano. Blanc usa bastante o 4-2-3-1, variando para o 4-1-4-1. Pode faltar um armador, mas não faltarão dois pontas auxiliados por dois laterais.

Quem também deve voltar será o “volantão”. Alou Diarra foi esse cara durante muito tempo com Blanc, tanto no Bordeaux, quanto na seleção, e em Paris, Thiago Motta pode ser esse cara. O brasileiro naturalizado italiano andou muito tempo contundido e perdeu espaço com Ancelotti, mas tem características semelhantes às de Diarra, tem um passe melhor que o francês e também poderia dar maior espaço para os sempre precisos avanços de Blaise Matuidi e Marco Verratti (que formaram a dupla de volantes nesta temporada e não agradaram completamente). Também vale ressaltar que o volante tcheco Jaroslav Plašil jogava avançado com Blanc no Bordeaux e isso pode também acontecer com o italiano Verratti, não seria nenhum absurdo.

Outra característica marcante dos times de Blanc é a presença ativa de seus laterais no ataque (justificando a presença de um volante mais fixo). No Bordeaux era Mathieu Chalmé pela direita e Benoît Trémoulinas na esquerda, ambos de vital importância nas históricas campanhas dos Girondins no final da última década. No PSG, Maxwell já é uma válvula de escape pela esquerda, mas a possível chegada de Lucas Digne do Lille tornaria o clube da capital ainda mais semelhante ao Bordeaux campeão francês de 2009 pela ofensividade do garoto. Na direita, a tendência é que van der Wiel tome a vaga de titular que é de Jallet justamente por ser ofensivo, apesar de o francês ser “menos ruim”.

Confira abaixo uma possível escalação do PSG com Blanc, sempre levando em conta que a janela de transferências está aberta:

ScreenHunter_01 Jun. 25 14.16

Leia também a análise de Andrés Onrubia Ramos no blog em espanhol “Fútbol desde Francia”: http://bit.ly/15C3oAX

2 comentários

  1. […] técnico do PSG começou com Thiago Motta na cabeça de área, algo que eu já havia previsto quando foi contratado, mas, observando que o Bordeaux abdicara do ataque e que o ítalo-brasileiro ficaria sem função, […]


  2. […] não estavam no gosto principal de Ancelotti. O retorno do volante ítalo-brasileiro era esperado (como dito aqui no blog), afinal, Blanc sempre foi inclinado a escalar volantes de maior poder de marcação na faixa […]



Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: