400 vezes Hilton

Hilton é o brasileiro com mais jogos na história do Campeonato Francês | Foto: Divulgação/MHSC

Ao pisar no gramado do Estádio de La Mosson na tarde do último sábado (4), no empate por 1 a 1 entre Montpellier e Amiens, Vitorino Hilton entrou para a história. Aos 40 anos, o zagueiro chegou a expressiva marca de 400 jogos na carreira no Campeonato Francês. Entre todos os brasileiros que já disputaram o torneio, ninguém tem mais aparições do que ele.

Desconhecido no Brasil, o brasiliense, de 40 anos – jogador mais velho da atual temporada da Ligue 1 – tem carreira sólida na França. Filho de mãe costureira e pai trabalhador de construção, Hilton passou pela base da Chapecoense, mas se profissionalizou pelo Paraná Clube, antes de passar três anos no Servette, da Suíça, entre 2001 e 2004. Por lá, trabalhou com o técnico Lucien Favre, hoje no Nice, e participou da melhor campanha europeia do clube, parando nas oitavas-de-final da Copa da Uefa de 2002.

Desembarcou em terras gaulesas na temporada 2003/04, quando tinha 25 anos, para defender o Bastia. A passagem, que seria apenas por empréstimo, ficou para a eternidade. Suas qualidades nas antecipações, recuperação de bola e visão de jogo chamaram a atenção no curto período em que ficou na Ilha de Córsega e, na temporada seguinte, foi contratado em definitivo pelo tradicionalíssimo Lens.

Lens foi o segundo clube de Hilton na França | Foto: Reprodução

A mudança de clube significava o primeiro dos saltos que daria dali em diante. Em 2004, enquanto o Bastia escapou do rebaixamento somente na última rodada, o Lens foi o 8º colocado e havia disputado a Liga dos Campeões na temporada anterior.

No Norte da França, foi titular por quatro temporadas e se tornou capitão rapidamente. Anos depois, em 2013, em entrevista ao Eurosport, disse ter vivido os melhores anos da carreira no clube e que, na França, não há torcida mais apaixonada que a do Lens. “Meu único arrependimento foi não ter ganhado nada no clube”, admitiu.

O destaque foi tanto que entrou na seleção da temporada 2007/08, elaborada pela União Nacional dos Futebolistas Profissionais (UNFP), mesmo tendo sido o ano em que o clube Sangue e Ouro foi rebaixado para a segunda divisão.

Com a queda, abriu-se caminho para o Olympique de Marseille, de Didier Deschamps, e logo Hilton foi contratado por um dos mais tradicionais clubes franceses – o único do país a conquistar a Liga dos Campeões.

No OM, a primeira temporada foi brilhante. Participou de 36 dos 38 jogos do campeonato, e novamente foi colocado na seleção da temporada da UNFP. Em 2009/10, sem ter a mesma regularidade de antes, foi campeão francês e da Copa da Liga pelo Marseille, quebrando uma seca de quase 20 anos sem qualquer título.

No OM, Hilton foi campeão francês | Foto: Divulgação/OM.net

Porém, a saída do OM foi turbulenta. Assaltantes invadiram a residência do atleta, o agrediram e apontaram uma arma para sua cabeça diante dos próprios filhos. Após escapar desse episódio que poderia ter consequências ainda piores, o reflexo parecia único: sair do clube.

Foi aí que surgiu o Montpellier na vida de Hilton, em 2010/11. No ano seguinte, formando uma sólida dupla de zaga com o jovem Mapou Yanga-Mbiwa, conquistou o inédito título nacional, batendo o já milionário Paris Saint-Germain. Na mesma temporada, novamente foi lembrado na seleção da temporada da UNFP.

Considerado um profissional exemplar, dentro e fora de campo, Vito é capitão do time desde 2012, quando Mbiwa deixou o clube para se aventurar no futebol inglês. Desde então, tem sido líder e extremamente regular. Apenas na temporada passada fez menos de 30 jogos – ficou perto, 27.

Até o fim do campeonato, Hilton deve quebrar recordes de outros jogadores históricos como, por exemplo, Ludovic Giuly (401 jogos), Jean Tigana (411) e Dominique Rocheteau (417).

Hoje, sem dúvida alguma, é idolatrado pelo torcedor. Um exemplo foi relatado pela RFI Brasil, em maio deste ano. “Ao final do apito da partida em que o Montpellier perdeu de 2 a 0 para o Paris Saint-Germain, pela 34ª rodada do Campeonato Francês, Hilton chamou seus companheiros para agradecer a presença de um grupo pequeno de torcedores acomodados na lateral do estádio Parc des Princes reservada à torcida adversária. Apenas um jogador seguiu o gesto elegante do capitão da equipe. ‘Essa é a imagem que um jogador tem que deixar aos seus torcedores. Eles fazem um esforço de viajar até Paris, e o mínimo que devemos fazer é agradecer a presença deles’, explicou na entrevista na saída do estádio”.

Aos 40 anos, Vito é idolatrado no Montpellier | Foto: MHSC

Na mesma entrevista, Hilton foi sincero e revelou que não pretende voltar ao Brasil, pois está estabelecido na França e que retornar ao país onde nasceu seria reiniciar uma vida. “Espero encerrar minha carreira no Montpellier”, confessou.

Quando isso acontecer, a tendência é continuar no clube. Em mais uma oportunidade, o brasileiro manifestou a intenção de trabalhar na formação de novos atletas, mas, à rede de televisão francesa TF1, Hilton revelou que, mais adiante pode ser até treinador no MHSC.

Com 1,80m, Hilton é um gigante. A história que construiu, aliás, é gigante. Se adaptou rápido a França, cresceu no meio da paixão sangue e dourada do Lens, saiu da fila com o Marseille e calou muitas boca$ no Montpellier. Merece respeito e admiração por ser um dos zagueiros mais regulares do século XXI no futebol francês. Bicampeão, quatro vezes entre os melhores do país. Podemos repetir isso 400 vezes para valorizar um dos grandes brasileiros que trilhou os gramados gauleses.

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Exclusivo: Girotto enaltece trabalho de Ranieri: “procuro aprender todo dia”

Andrei Girotto foi contratado nesta temporada | Foto: FC Nantes

Blumenau, Belo Horizonte, São Paulo, Kyoto, Chapecó e agora Nantes. O roteiro da carreira de Andrei Girotto é um tanto quanto incomum. Circulou por clubes de pequeno e médio porte, teve chances em grandes centros, fez gols importantes (palmeirenses que me digam) e agora tem a grande chance da carreira no futebol europeu.

Desde agosto deste ano, o meio-campista de 26 anos veste a camisa do Nantes, equipe oito vezes campeã francesa. Nesta temporada, os Canários são uma das atrações da Ligue 1, já que são comandados pelo italiano Claudio Ranieri, campeão inglês da temporada 2015/16 com o modesto Leicester City. É o primeiro clube que comanda desde a saída do time britânico.

O início de temporada tem sido promissor e a equipe ocupa a 4ª colocação, com 16 pontos. Girotto, titular em cinco jogos, já marcou um golaço, na vitória por 1 a 0, sobre o Caen.

No momento, o Nantes estaria voltando a disputar um torneio europeu, fato que não ocorre desde a temporada 2004/05. Engana-se quem pensa que isso é um sonho. Em entrevista exclusiva ao Europa Football, Girotto confirmou que o objetivo é buscar uma dessas vagas internacionais e enalteceu o trabalho de Ranieri. “Busco sempre estar atento ao que ele fala para ir aprendendo com o tempo”, afirmou o camisa 20 do Nantes.

Confira abaixo como foi o bate papo com o meio-campista brasileiro:

Europa Football: Você estava bem na Chapecoense e acabou se transferindo para a Europa. Como foi que o Nantes entrou na tua carreira? Foi uma decisão difícil?

Andrei Girotto: Foi uma decisão muito complicada, pois eu estava num ótimo momento na Chapecoense, feliz no clube e na cidade, quando chegou a proposta do Nantes. Porém, sempre tive o sonho de jogar no futebol europeu e o Nantes é um grande clube e tem grandes ambições na temporada. Além disso, o futebol francês tem uma visibilidade muito grande e isso tudo fez com que eu aceitasse a proposta para jogar na França.

Chegasse já com a temporada andando. Como isso influenciou na sua adaptação?

Cheguei aqui após as duas primeiras rodadas do Campeonato Francês, então precisei tentar me adaptar o mais rápido possível. O elenco possui alguns brasileiros e eles me ajudaram muito no dia-a-dia para me sentir o mais à vontade. É claro que a adaptação completa leva tempo, mas no decorrer dos dias a gente vai se sentindo mais em casa e as coisas evoluem naturalmente.

O Nantes tem Lima e Diego Carlos, ambos também brasileiros. Como foi a recepção dos dois?

A recepção deles foi muito boa, e me ajudaram muito no meu começo aqui no Nantes. Acho importante essa parceria para que as coisas aconteçam da melhor forma possível e estou muito feliz por esse companheirismo.

Lima (esq.) é um dos brasileiros do elenco | Foto: FC Nantes

A Ligue 1 é um campeonato mais pegado que alguns outros, e você já recebeu três cartões amarelos em seis jogos. Isso tem relação ou os cartões foram questões casuais, de jogo mesmo?

O futebol na França realmente é mais pegado, mas os cartões que tomei, dois deles, pelo menos, eu contesto até agora. Um, a falta não existiu; o outro, foi numa dividida normal de jogo, onde o adversário e eu buscamos pegar a bola. Mas são coisas que acontecem, fazem parte do jogo, e o importante é não receber muitos cartões para não desfalcar a equipe.

O que tem aprendido com Claudio Ranieri? Como ele se comporta com os jogadores?

É um grande treinador e eu procuro aprender todo dia com ele. Muitos jogadores tem a vontade de estar com ele, pois é um cara que tem uma ótima relação com todo mundo e busco sempre estar atento ao que ele fala para ir aprendendo com o tempo.

Nantes começou muito bem a Ligue 1, ocupando as primeiras colocações. Até onde vai o fôlego do time? Dá para pensar em vaga em torneio internacional?

Começamos muito bem, com uma ótima sequência de vitórias, e pretendemos continuar assim até o fim do campeonato. Sabemos que é um torneio muito difícil, com grandes equipes, mas vamos pensando jogo a jogo para conseguir pontos importantes, que nos credenciem a, no final do torneio, ocupar as primeiras posições, buscando vaga nos torneios internacionais.

No que você entende que precisa melhorar?

Eu me adaptei muito bem ao estilo de jogo que o treinador gosta de colocar em prática. Acho que o ritmo de jogo daqui é diferente em relação ao Brasil, então, isso é algo que, com o tempo, a gente vai aperfeiçoando.

A torcida do Nantes é reconhecidamente fanática. Qual sua primeira impressão dos torcedores e também do estádio Le Beaujoire, do ambiente criado nos jogos?

A torcida é fantástica e o ambiente no estádio é o melhor possível. Eles são muito fanáticos, não param de apoiar um minuto sequer e para quem está ali no campo é muito importante sentir esse carinho e essa vibração. Fiquei muito feliz com a recepção que eles me deram aqui no Nantes e procuro devolver esse carinho dentro de campo.

A curva descendente de Martin

Lesões e baixo rendimento no Lille atrapalharam Martin | Foto: Reprodução

Meia clássico, de toque de bola refinado, com passes precisos de pé direito e movimentos que confundiam as mais rígidas marcações. Ao despontar no fim da última década com essas características, Marvin Martin era certeza de sucesso no Velho Continente para os anos seguintes.

Ao surgir como capitão do Sochaux durante a histórica conquista da Copa Gambardella de 2007 (tradicional torneio de base francês), o talentoso meia de 1,71cm demonstrava estar pronto para ingressar no time profissional, o que se comprovou na temporada 2008/09. Com apenas 20 anos na época, ajudou a equipe a escapar do rebaixamento com um gol e três assistências – duas delas no decisivo 2 a 1 sobre o Nantes, na penúltima rodada, quando deixou a zona de queda.

O tempo foi passando e ele foi evoluindo. Ao lado de Ryad Boudebouz, formou uma das mais atrevidas duplas do futebol francês no que trata de times de menor expressão. O entendimento dos dois era perfeito. Uniam velocidade, agilidade e rapidez de raciocínio. Eram apostas certas para clubes maiores.

Quase dez temporadas depois, tudo isso ficou para trás. Se Boudebouz ao menos teve passagens de destaque por Bastia e Montpellier, conseguindo agora a sonhada transferência internacional – defenderá o Real Bétis na Espanha – aquele outro menino talentoso, de estilo refinado, que chegou a estabelecer um recorde de 17 assistências – quebrado há duas temporadas por Dí Maria – não cumpriu metade das expectativas que foram criadas quando iniciou a carreira profissional e se encontra numa espiral de queda na carreira.

Ainda no Sochaux, chegou a alcançar a seleção francesa em 2011 e, logo na estreia, marcou dois gols na goleada por 4 a 1 sobre a Ucrânia em amistoso disputado em Donetsk (confira os gols no vídeo acima). Dias depois dessa triunfante estreia, veio o fardo que carrega até hoje: o jornal Le Parisien estampou em sua capa uma foto de Martin e a pergunta: é o novo Zidane?

Martin e o fardo carregado desde 2011 | Foto: Reprodução

A matéria, que pode ser conferida neste link, buscou semelhanças, como uma maluca equação relacionando as letras iniciais dos nomes dos dois (ZZ = MM), os dois gols em menos de cinco minutos no debute pela seleção e o fato de jogar com a camisa 10, que fora do próprio Zidane e de outras lendas, como Michel Platini e Raymond Kopa. Isso que não inclui os afagos elogiosos, como “prodígio” e “menino de ouro”, enfatizados na reportagem.

Só que como fora com Camel Meriem, Yoann Gourcuff e outros, a alcunha “novo Zidane” se tornou mais do que um fardo e alcançou o peso de maldição para Martin. Por mais que ele negue ter se vislumbrado com tal reconhecimento, é fato inegável que a carreira não decolou.

Durante a Eurocopa de 2012, foi anunciada a transferência para o Lille. Os Dogues ainda estavam em época de vacas gordas, com elenco caro e prestes a inaugurar novo estádio.

O sonho de se fixar como um dos principais jogadores da França e ser um dos 23 convocados para a Copa do Mundo de 2014 virou pesadelo e Martin viveu quatro temporadas de ostracismo, sem nenhum gol marcado, assistências escassas, um discreto empréstimo ao Dijon e várias contusões (inclusive, passou por duas duras cirurgias no joelho), que fizeram com que os Dogues se arrependessem amargamente dos € 10,5 milhões investidos em sua contratação – era a mais cara do clube até a chegada de Thiago Maia, por € 14 milhões.

Sobre seleção? Esquece, desde 2012 não é chamado e dificilmente vestirá a camisa azul de novo.

Martins assinou com o Reims por uma temporada | Foto: Twitter Stade de Reims

Por fim, o vínculo entre Martin e Lille foi amigavelmente encerrado na última semana e o meia, agora com 29 anos, vestirá a camisa do Stade de Reims na segunda divisão por uma temporada. Ao anunciar a nova contratação, o tradicional clube que imortalizou Raymond Kopa destacou no site oficial a “técnica e a experiência” do jogador, que espera fazer uma temporada completa sob todos os aspectos e recuperar o tempo que perdeu, se livrando da pesada maldição de ser mais um dos fracassados “novos Zidanes”.

Le Podcast du Foot #66 | Neymar em Paris

Depois de uma arrastada novela, enfim Neymar estreou pelo Paris Saint-Germain. E o debute foi em grande estilo, com um gol e uma assistência na vitória por 3 a 0 sobre o Guingamp.

Pequena amostra ou o adversário facilitou? Foi dessa estreia e da projeção de Neymar em Paris que Eduardo Madeira, Renato Gomes e Vinícius Ramos se reuniram para a gravação de mais um Le Podcast du Foot.

Na edição #66 do programa, você confere a avaliação da estreia do brasileiro e os reflexos de sua chegada na Ligue 1. Ouça o podcast no player abaixo:

Os descartáveis

Lucas e Matuidi estão na lista de descartáveis parisienses | Foto: Getty

O Paris Saint-Germain virou o time mais visado da Europa nas últimas semanas. Dos apreciadores do bom futebol, há uma espera em ver como Neymar, contratado por generosos € 222 milhões, irá se encaixar na equipe e como se adaptará ao Campeonato Francês. Os adversários em nível doméstico também têm essa curiosidade, já que terão de encara-los a cada fim de semana.

Mas, certamente, quem está com os olhinhos atentos a tudo que cerca o PSG são os adversários de outras ligas, equipes com dinheiro para gastar e que procuram os alvos certos para negociar. A chegada de Neymar, além de provocar natural alteração no elenco para ajuste financeiro, deve mexer nos brios de alguns jogadores, que além de perder holofotes, devem ficar com espaço reduzido no elenco.

O exemplo mais claro disso é de Lucas Moura. Contratado em 2013 por € 40 milhões e com vínculo até 2019, o ex-são-paulino nunca foi peça unânime dentro do clube. Chegou na época do italiano Carlo Ancelotti, que atuava num clássico 4-4-2, onde não se encontrou. Não possuía capacidades para compor a segunda linha de quatro, tampouco conseguia render mais adiantado, junto de Ibrahimović.

Com Laurent Blanc, que trocou o 4-4-2 pelo 4-3-3, e também com Unai Emery, rendeu mais, cresceu nas estatísticas, mas nunca explodiu. Na última temporada, por exemplo, atuou 53 vezes, marcou 19 gols e deu 11 assistências, mas não completou 90 minutos nem em 15 jogos.

Na segunda metade da temporada, perdeu mais espaço ainda com o crescimento de Ángel Dí Maria e a chegada de Julian Draxler. Virou reserva e, na estreia contra o Amiens, sequer ficou no banco.

Avaliado pelo Transfermarkt em € 38 milhões, Lucas já virou peça descartável para o PSG. Uma saída é o melhor caminho para que os parisienses assumam o fracasso do negócio e que o próprio brasileiro tente render mais a menos de um ano da Copa do Mundo da Rússia.

Rumo a Itália?

Juventus é uma das interessadas em Matuidi | Foto: P.Lahalle/L’Equipe

Outro jogador que pode mudar de ares já visando o Mundial é Blaise Matuidi. Com contrato até junho de 2018, o PSG não demonstra intenção em renovar com o meio-campista de 30 anos, muito pela filosofia de jogo de Emery.

Matuidi não é dos jogadores mais técnicos e virtuosos e ganha espaço na aptidão física e condução de bola. O espanhol prepara seus times para reter a bola, atuar com triangulações, tendo combatividade. Talvez isso explique Adrien Rabiot ganhar mais espaço.

Já Blaise, que começou a temporada na reserva, deve estar pensando no melhor caminho para ganhar minutos visando 2018. Especulações colocam a Juventus como uma das interessadas no volante. O único impasse, porém, seria o desejo do time italiano de contar com um atleta mais jovem que o francês.

Avaliado em € 30 milhões, o empecilho da idade pesa, deve abaixar o valor e fazer com que essa novela se arraste até o fechamento da janela.

Os meninos-problemas

Aurier parece não fazer parte dos planos de Unai Emery | Foto: F.Faugere/L’Equipe

Se Matuidi e Lucas estão com a cabeça em outros times por pura falta de espaço ou de encaixe nas ideias de Emery, Serge Aurier e Hatem Ben Arfa vivem situações totalmente opostas e o PSG procura algum clube corajoso a segurar essas bombas.

Tanto o marfinense quanto o francês aprontaram o que podiam e o que não podiam e, mediante a atuação do clube no mercado, estão totalmente descartados. Ambos começaram a temporada sonhando em retomar espaço, mas viram as pretensões caírem por terra depois das chegadas de Daniel Alves para a posição de Aurier e Neymar para a função de Ben Arfa.

A questão financeira não é o principal impasse. O marfinense está avaliado em € 15 milhões, já o francês é cotado em € 14 milhões. Além disso, os dois tiveram nomes ventilados em algumas equipes, como Manchester United, Inter (Aurier) e Fenerbahçe (Ben Arfa). A grande questão é: o valor monetário não é problema, mas, e o valor agregado? Quem quer pegar a bomba de dois jogadores-problemas, de extracampo pesadíssimo e que reflete em campo? O PSG só espera algum clube responder “eu quero” para uma dessas perguntas.

Pílulas

– Além desses casos que detalhei acima, há outros em que o descarte é mais escancarado. Grzegorz Krychowiak e Jesé Rodríguez, por exemplo, dificilmente jogarão nesta temporada, muito em conta pelo rendimento decepcionante no último ano e pelas contratações que foram feitas;

– E ainda há quem esteja de stand by. No gol, por exemplo, Kevin Trapp começou o ano no banco de Alphonse Areola e, com a forte especulação de Jan Oblak, do Atlético de Madrid, pode ser que procure novos ares;

– Retornando a linha de frente, a nova especulação do momento envolve a contratação de Kylian Mbappé. Se o prodígio do Monaco vier, alguém deve ir embora de Paris. Há quem aposte que o goleador Edinson Cavani procuraria novos ares, outros acreditam que Julian Draxler poderia partir. Enfim, se confirmada a vinda do monegasco, as especulações das peças descartáveis tendem apenas aumentar;

Sem projeto consolidado, Lyon tenta não ficar para trás

Mesmo sob críticas, Genésio é o técnico nesta temporada | Foto: S. Guiochon

Entre os times postulantes ao título ou a vagas em torneios europeus, o Lyon é o que tem o ponto de interrogação maior para a temporada que recém iniciou na França. O OL não conta com o aporte financeiro do Paris Saint-Germain, tampouco tem projetos promissores e ousados como Lille e Olympique de Marseille.

Em contrapartida, o clube gerido por Jean-Michel Aulas tem dinheiro no bolso após as vendas pomposas de Corentin Tolisso e Alexandre Lacazette (juntos, suas vendas somaram € 94 milhões).

Apesar das negociações, a atuação no mercado de transferências não foi das mais agressivas. Das seis contratações efetuadas, quatro jogadores estão abaixo dos 25 anos e são legítimas apostas. Entre Bertrand Traoré, Mariano Díaz, Ferland Mendy, Kenny Teté e os brasileiros Marcelo e Fernando Marçal, não há nenhum que encha os olhos e seja garantia de retorno de imediato.

Até mesmo a dupla de brasileiros, que é a mais experiente (Marcelo tem 30 anos e Marçal 28), não possui muita rodagem na Europa, quase sempre atuando em ligas ou times de menor escalão. Os demais contratados mostraram valor por onde passaram (especialmente Traoré), mas ainda são jogadores em construção e a tendência é errar mais do que acertar.

Dentro deste cenário, abre-se um vazio para a formação de líderes. Os próprios Tolisso e Lacazette, vendidos nesta janela de transferências, eram figuras de respeito dentro do elenco. Christophe Jallet, lateral com Copa do Mundo no currículo, cabe na lista. Entre todos eles, porém, a figura máxima era a de Maxime Gonalons, vendido a Roma por € 5 milhões.

Gonalons trocou o Lyon pela Roma | Foto: S. Guiochon

Aos 28 anos de idade, o volante foi formado no Lyon e estava no clube desde 2000. Era capitão e líder nato no meio de campo, além de ser considerado ídolo da torcida. A saída, porém, foi tumultuada.

Além de já ter saída cogitada há algumas temporadas, publicamente ele disse “faltar ambição” ao time após tomar quatro do Ajax, na partida de ida das semifinais da Liga Europa. A frase foi o estopim de uma crise entre o staff do jogador e Aulas, que trocaram farpas via imprensa.

Esse vácuo acaba sendo amplificado na figura do próprio Mathieu Valbuena, que não era exatamente um líder do elenco, mas a vivência futebolística lhe daria um status diferente nesta temporada. O baixinho meia quase foi expulso do clube, vide a pouca vontade demonstrada pela direção em mantê-lo devido ao alto salário. Assim como Maxime, saiu se manifestando contra diretoria e comissão técnica.

A figura da liderança dentro do plantel, até mesmo como exemplo de adaptação para os novos contratados, recairá sobre Nabil Fekir, que tenta retomar o ótimo nível técnico após uma série de lesões, do goleiro Anthony Lopes e do próprio Memphis Depay, contratado a peso de ouro na metade da última temporada e que tem papel de referência cada vez mais evidenciado com as saídas de Lacazette e Tolisso.

E é dentro deste cenário que Genésio terá que se impor. Os rachas internos, que faziam com que os jogadores mais experientes perdessem parte do respeito pelo técnico, somadas as críticas da torcida, que não confiam em seu desempenho na casamata, fazem com que transforme esse desafio ainda maior.

Diferente dos outros clubes que citei ainda no primeiro parágrafo, o Lyon não conta com uma coesão de ideias entre comissão técnica e diretoria e isso pode pesar no fim da temporada.

Início animador

Apesar de todas essas variantes, o Lyon começou a temporada com o pé direito, goleando o recém-promovido Strasbourg, por 4 a 0. Mariano Díaz, vindo do Real Madrid, já marcou dois.

O domínio do OL ficou escancarado muito além do placar, aja vista que os comandados de Genésio finalizaram 12 vezes, sendo que sete desses arremates foram contra a meta de Kamara. Além disso, teve amplo controle da posse de bola, com 61,6% de domínio, tendo concluído mais de 457 passes.

Entretanto, preocupa o estilo “boxeador” que Genésio impõe. Apesar das 12 finalizações, o Strasbourg, que deve se limitar a lutar contra o rebaixamento, arrematou em sete oportunidades. Três desses chutes saíram quando a partida ainda estava 1 a 0, o que se tornou um risco sério de estrago do placar.

Nas próximas duas rodadas, o OL terá testes de fogo que poderão mostrar a que pé anda a própria evolução. Na sexta (11), o adversário será o remodelado Rennes, na Bretanha, e oito dias depois, recebe o Bordeaux, tentando se reerguer após um conturbado início de temporada – marcado por eliminação na Liga Europa e empate na rodada inicial da Ligue 1. Diferentemente do que ocorreu com o Strasbourg, a “trocação” característica da equipe pode pesar ao lado contrário nos próximos duelos.

O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?