Na França, gramados sintéticos não caíram no gosto e tem data para acabar

Primeiramente, amigos, gostaria de me desculpar pela semana ausente no blog. Simplesmente tive problemas sérios em meu notebook, que somados a carga de trabalho me impediram de voltar a escrever na última semana. Mas agora voltamos ao ritmo normal de posts.

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No Moustoir, o Lorient seguiu forte com grama sintética | Foto: Divulgação/Eurosport

No Moustoir, o Lorient seguiu forte com grama sintética | Foto: Divulgação/Eurosport

Com a CBF proibindo gramados artificiais no Campeonato Brasileiro a partir de 2018, atingimos o ápice das discussões sobre o assunto em nosso país. O Atlético Paranaense é o principal clube afetado, já que verá o alto investimento no terreno da Arena da Baixada ir água abaixo menos de dois anos depois da conclusão.

Na França, essa discussão transcorreu durante toda esta década e, aparentemente, com fim negativo a quem defende os gramados artificiais. O Lorient foi o pioneiro ao adotar este terreno no estádio Moustoir, em 2010.

Olhando friamente os números, os Merlus não apresentaram grandes mudanças no rendimento em casa. Nas quatro temporadas sem o gramado sintético, teve aproveitamento de 53,9%, inclusive conquistando um número bem satisfatório de vitórias, como no último ano com grama natural, onde venceu dez jogos em casa e teve 64,9% de aproveitamento. Com a grama sintética, o aproveitamento médio é parecido: 52,5%.

Com gramado sintético Sem gramado sintético
Temp. J V E D % Temp. J V E D %
2010/11 19 8 8 3 56,1 2009/10 19 10 7 2 64,9
2011/12 19 8 6 5 52,6 2008/09 19 5 7 7 38,5
2012/13 19 10 6 3 63,1 2007/08 19 9 7 3 59,6
2013/14 19 8 7 4 54,3 2006/07 19 8 6 5 52,6
2014/15 19 6 5 8 40,3            
2015/16 19 7 7 5 49,1            

Num modo geral, o Lorient não se tornou mais forte ou mais fraco por trocar de gramado. Apenas seguiu impondo as mesmas dificuldades que impôs quando jogou em casa – numa escala relativizada para cada país, é algo semelhante ao que acontece com o Atlético-PR por aqui, que sempre foi bastante forte no Paraná.

Em maio de 2016, entretanto, o clube optou por trocar o gramado artificial pela tecnologia AirFibr, que já é vista em estádios como Vélodrome, do Marseille, Geoffrey Guichard, do Saint-Étienne, e o Matmut-Atlantique, do Bordeaux. No caso, será um gramado que une grama natural e microfibra sintética.

Bom citar que a própria Ligue 1 possui um ranking que estabelece quais são os melhores gramados da temporada seguindo alguns critérios (trajetória da bola no chão, flexibilidade e qualidade do gramado, por exemplo) e o piso do Moustoir está em segundo, atrás apenas do Parque dos Príncipes, do PSG.

Nos resultados, porém, a mudança não poderia ter sido pior. Com 22 pontos em 26 rodadas, os Merlus ocupam a lanterna, tendo o quarto pior desempenho entre os 20 mandantes. A equipe, que está em sua 11ª temporada consecutiva na primeira divisão (feito inédito na história do clube de 90 anos), já está vendo a segunda divisão mais de perto do que nunca antes nos anos recentes.

Já no Marcel Picot, o Nancy não conseguiu crescer | Foto: Divulgação/So Foot

Já no Marcel Picot, o Nancy não conseguiu crescer | Foto: Divulgação/So Foot

O próximo clube a trilhar o mesmo caminho é o Nancy. Clube que, assim como o Lorient, nunca teve resultados expressivos na França, os Vermelhos e Brancos também adotaram o gramado sintético no estádio Marcel Picot na temporada 2010/11. O desempenho, a exemplo dos bretões, seguiu o mesmo. A grande diferença é que o Lorient, ao menos, tinha bom rendimento em casa…

Em três temporadas na primeira divisão, o Nancy sequer atingiu 50% de aproveitamento em casa. Em números gerais, teve média de 37% jogando no gramado sintético do Marcel Picot. Avaliando friamente, o número contrasta com os enganosos 57,9% vistos nas três temporadas pré grama artificial, isso porque em 2007/08 obteve um assombroso 77,1% de aproveitamento em casa, que desequilibrara bastante os dados.

Com gramado sintético Sem gramado sintético
Temp. J V E D % Temp. J V E D %
2010/11 19 8 3 8 47,3 2009/10 19 6 4 9 38,5
2011/12 19 6 9 4 47,3 2008/09 19 5 8 6 40,3
2012/13 19 5 5 9 35% 2007/08 19 13 5 1 77,1

Nesta temporada, a última com gramado sintético e a primeira após voltar à primeira divisão, o Nancy está com a segunda pior campanha como mandante. Em 19 partidas, foram cinco vitórias, um empate e seis derrotas.

A partir da próxima temporada, saberemos mais qual será o efeito disso, tendo em vista que o Nancy adotará também o gramado híbrido.

Críticas além dos resultados

O gramado híbrido está se tornando tendência na Europa | Foto: Divulgação/Natural Grass

O gramado híbrido está se tornando tendência na Europa | Foto: Divulgação/Natural Grass

O ápice das discussões sobre os gramados sintéticos na França foi atingido na temporada 2015/2016, quando o meia Sofiane Boufal, na época no Lille, sofreu grave lesão no menisco em partida contra o Lorient, na Bretanha. O então técnico dos Dogues, Frédéric Antonetti não poupou o gramado e o discurso foi endossado pela UNFP (União Nacional dos Futebolistas Profissionais, na tradução para português), que afirmou que o terreno artificial pode causar traumas musculares, torções, estresses sobre as articulações e queimaduras.

Em contrapartida, tanto Nancy, quanto Lorient, acabam saindo como beneficiados na época de inverno. Tão normal é observamos invernos rigorosos na França, que adiavam jogos na Ligue 1, pois a neve tomava conta dos gramados, o que tornava as partidas impraticáveis. No Moustoir e no Marcel Picot, isso não acontecia.

Ao longo das temporadas, sempre foi assim. Jogadores e técnicos reclamam, enquanto outros enxergam como uma mudança válida. A LFP, órgão que cuida do Campeonato Francês, entretanto, tomou uma decisão e decidiu proibir gramados sintéticos a partir de 2018.

Em um primeiro momento, a discussão não parece ter ido adiante e a preocupação com a condição física dos atletas venceu os anseios dos clubes na questão de manutenção do gramado. Talvez no próximo inverno europeu, já sem gramados artificiais, tenhamos uma noção mais ampla do impacto que a ausência deles trará.

*Colaboraram com essa postagem: Filipe Papini e Renato Gomes;

Edinson Cavani: besta ou bestial?

Os números de Edinson Cavani na temporada 2016/2017 são absurdamente assombrosos. São 29 gols em 29 partidas. Fatalmente, El Pistolero baterá o desempenho de 2014/2015 pelo Paris Saint-Germain, onde balançou as redes 31 vezes em 53 oportunidades. Tal estatística já o coloca como segundo maior goleador da história do clube, com 112 gols.

É possível reclamar de um atacante com números tão bons como os de Cavani? Dá para encontrar defeitos em quem vem marcando gols jogo sim, jogo com certeza? Pois então, existem críticos do uruguaio e com argumentos bastante convincentes.

Cavani é creditado como um jogador que participa pouco das ações durante a partida, tendo atuação mais efetiva apenas nas fases decisivas do gramado. Esse dado é ilustrado pelo Opta Jean, durante o primeiro tempo do empate por 1×1, diante do Monaco, pela 23ª rodada da Ligue 1. Enquanto Falcao García, atleta de mesma função, participou relativamente bastante da construção do jogo , o uruguaio apenas tocou na bola nas proximidades da grande área.

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Gráfico mostra a esquerda a participação de Cavani e, a direita, Falcao García, no 1º tempo de PSG 1×1 Monaco | Foto: Opta Jean

E esse dado não é isolado. Cavani, de fato, tem pouca participação em outras fases do jogo. Até o momento, ele deu apenas uma assistência durante toda a temporada. O detalhe é que esse passe para gol foi em uma partida da Liga dos Campeões, o que faz com que seja o único jogador das cinco grandes ligas com no mínimo 12 gols que ainda não tenha dado uma assistência – número do Opta Jean.

Já segundo o WhoScored, o uruguaio tem média de 0.5 passes chave por jogo, uma das mais baixas da equipe. Cavani também tem média baixa de dribles certos e também de passes concluídos – não chega a 13 passes por jogo.

Apesar dos gols, Cavani tenta superar a pouca efetividade em outras ações do jogo | Foto: Team Pics/PSG 

Apesar dos gols, Cavani tenta superar a pouca efetividade em outras ações do jogo | Foto: Team Pics/PSG

Enquanto isso, El Pistolero tem a maior média de finalizações certas da Ligue 1, com 3.6 por jogo, a mais alta ao lado do italiano Mario Balotelli, do Nice. É um dado que registra a capacidade de criar situações de gol, mas que, ao mesmo tempo, demonstra como é um jogador de participação “limitada” dentro do jogo.

Cavani também é fruto de uma equipe que não consegue render com Unai Emery. Por mais que seja o time com maior média de posse de bola entre os 20 do Campeonato Francês, o PSG vem apresentando dificuldades em diversas partidas, principalmente após a virada do ano. Um dos defeitos mais visíveis é a demora em marcar seus gols. Nas vitórias contra Lille e Dijon, por exemplo, o Paris marcou os tentos decisivos nos últimos 20 minutos de jogo.

Não bastasse a dificuldade em marcar gols nas últimas rodadas, a equipe da capital vem se notabilizando como “cruzador de bolas”. A média, segundo o Who Scored, é de 23 por jogo e isso é refletido no desempenho do próprio Cavani. De todos os 23 gols na Ligue 1, 11 partiram de cruzamentos.

 No raio-x dos gols, Cavani se destaca com muitos tentos de pé direito | Foto: Team Pics/PSG 


No raio-x dos gols, Cavani se destaca com muitos tentos de pé direito | Foto: Team Pics/PSG

Enquanto a bola estiver entrando, certamente isso não será encarado como um grande problema. Cavani está decidindo e é isso que importa para torcida do PSG. Unai Emery, entretanto, precisa pensar em uma nova maneira de explorar outros recursos do uruguaio. O Paris era acostumado a ter um tal de Zlatan Ibrahimovic, que possuía uma capacidade de criação de situações e abertura de espaços bastante interessante, sendo um articulador de jogo e finalizador em uma mesma jogada. O sueco nunca foi apenas um empurrador de bolas para as redes e sempre entregou um bom número de assistências ao time – 37 em quatro temporadas.

O futebol atual exige que haja essa participação em todas as fases da partida e Cavani peca nisso. Tem sido o “empurrador de bolas para as redes”, como citei no parágrafo acima. Claro, tem sido o goleador que muitos times querem – só na Ligue 1, fez mais gols que seis equipes – mas pode ser preciso um “algo mais” para que o PSG consiga dar o passo adiante em nível interacional. Esse impasse faz com que surja a dúvida: Cavani, besta ou bestial? 

Le Podcast du Foot #61: Resumo da janela de inverno

O PSG abriu os cofres na janela de inverno | Foto: C.Gavelle/PSG

O PSG abriu os cofres na janela de inverno | Foto: C.Gavelle/PSG

Está no ar mais um Le Podcast du Foot. Na edição #61 do programa, Eduardo Madeira, Filipe Papini e Renato Gomes se reuniram para discutir as principais movimentações da janela de inverno no mercado de transferências europeia.

Diferente de outros anos, os clubes se movimentaram bem mais do que o normal neste período da temporada. Além do Paris Saint-Germain, que já é tradicional nas gastanças, também foram às compras times como Marseille, Lyon e Lille.

Portanto, clique na imagem abaixo e confira as principais análises das contratações que mais agitaram a janela da Ligue 1:

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Chegada de Draxler “acorda” concorrentes de posição

Draxler já tem dois gols em três jogos pelo PSG | Foto: C. Gavelle/PSG

Draxler já tem dois gols em três jogos pelo PSG | Foto: C. Gavelle/PSG

O alemão Julian Draxler foi uma das cartadas do Paris Saint-Germain na janela de inverno. Unai Emery precisava ter em seu elenco alguém capaz de articular o jogo pelo lado do campo, compondo ainda a faixa central com a bola, e foi direto ao Wolfsburg buscar o atleta por € 40 milhões. Javier Pastore era um dos que poderia compor esta função, mas as lesões estão sendo um obstáculo para o argentino, que fez poucos mais de 20 jogos desde a temporada 2015/2016, enquanto o compatriota Ángel Dí Maria tem desempenho abaixo da crítica.

Draxler já começou a mostrar a que veio e já tem dois gols marcados em três jogos (174 minutos). No 4-3-3 de Emery, o alemão vem atuando pelo flanco esquerdo na linha ofensiva. O técnico espanhol forma o ataque com Lucas pela direita e Edinson Cavani pelo centro, além do germânico pela canhota.

Desenho tático do setor ofensivo parisiense com Draxler | Foto: Football User

Desenho tático do setor ofensivo parisiense com Draxler | Foto: Football User

Nesse começo, Dí Maria foi desbancado. Na primeira temporada em Paris, após ser contratado junto ao Manchester United por € 50 milhões, o argentino até teve desempenho destacado, com 15 gols e 25 assistências (dez gols e 18 assistências na Ligue 1), mas tem sido uma negação em 2016/2017. Em 26 partidas, fez seis gols e deu nove assistências. No Campeonato Francês, porém, onde o PSG passa apuros com Monaco e Nice, balançou as redes somente uma vez e deu cinco passes para gol.

O interessante disso tudo é que a chegada de Draxler, de certa forma, deu uma animada no argentino e em outros concorrentes. O canal Infosport+ trouxe no Twitter um dado interessante nesta semana: desde a chegada do meia alemão, Dí Maria fez três gols e deu duas assistências, enquanto Lucas, que vem sendo titular, fez um e deu três passes para tentos.

Lucas e Dí Maria precisaram agir após a chegada do alemão | Arte: Infosport+

Lucas e Dí Maria precisaram agir após a chegada do alemão | Arte: Infosport+

O próprio Hatem Ben Arfa pode ser enquadrado na lista. Por mais que tenha ainda apenas um gol na temporada (exatamente no primeiro jogo, na Supercopa da França), o winger de 29 anos deu duas assistências na goleada por 7×0 sobre o Bastia, na Copa da França, jogo de estreia de Draxler com a camisa azul de Paris.

É inegável que a contratação do alemão serviu para tirar muita gente da zona de conforto dentro do PSG. Ou alguém acredita que Ben Arfa não esteja com uma pulga atrás da orelha? Ou que o próprio Lucas não esteja preocupado ao ver um Dí Maria no banco? O argentino, aliás, é o caso mais emblemático deste novo cenário parisiense. Caso queira manter-se em alto nível, precisará encarar a concorrência, retomar o bom futebol e tornar-se importante para Emery no restante da temporada. Caso contrário, terá de tomar outro rumo – e pode ser a China.

Gonçalo Guedes

Guedes chegou a Paris querendo repetir os feitos de Pauleta | Foto: PSG

Guedes chegou a Paris querendo repetir os feitos de Pauleta | Foto: PSG

Para embaralhar ainda mais as cartas no setor ofensivo do PSG, o clube francês confirmou nesta semana a chegada de Gonçalo Guedes. O atacante de 20 anos, revelação portuguesa do Benfica, foi contratado por € 30 milhões, com vínculo até 2021.

O lusitano começou a carreira atuando aberto pela direita, mas nesta temporada tem jogado preferencialmente como centroavante. Ele chega à Paris para ser uma opção a Cavani, que vive fase esplendorosa em Paris (são 26 gols em 26 jogos).

Na chegada ao clube, Guedes projetou um caminho de sucesso e até citou o compatriota Pedro Miguel Pauleta, segundo maior artilheiro da história do clube com 109 gols (Cavani já igualou a marca com dois tentos sobre o Bordeaux, na Copa da Liga, na última terça-feira, dia 24).

“Sei que Pauleta foi muito apreciado pelos torcedores parisienses. Espero me sair tão bem e ser, um dia, tão popular quanto ele”, Gonçalo Guedes

Currículo para obter tal status não falta. O ESPN FC elencou cinco coisas a se saber de Gonçalo Guedes e algumas delas me chamaram a atenção, como o talento observado já desde os cinco anos de idade, a preferência pelo estilo mais reservado, sem tatuagens ou joias, mostrando não se deslumbrar com a fama, além das comparações com Cristiano Ronaldo desde a base do Benfica.

Apesar de não poder jogar a Champions League por já ter disputado o torneio pelo Benfica, Guedes é a peça que faltava no elenco de Emery. Caso haja qualquer problema com o uruguaio, o técnico parisiense vem sendo obrigado a improvisar na função, utilizado um centroavante mais móvel, de característica bastante diferente a de Cavani. O português supre essa necessidade.

Além disso, o português passa a ser uma opção para o futuro. El Pistolero completará 30 anos em fevereiro e chega num momento decisivo na carreira. Pode escolher ficar em Paris enquanto for competitivo, buscar novos objetivos em outra liga (como aconteceu com o sueco Zlatan Ibrahimović) ou até mesmo encher o bolso de dinheiro nos mercados periféricos da Ásia e do Mundo Árabe. Independente de qual for a decisão, o PSG terá Guedes preparado para substitui-lo.

11 anos depois, Patrice Evra volta à França

O lateral-esquerdo Patrice Evra é, indiscutivelmente, um dos jogadores franceses mais bem-sucedidos no exterior nos últimos tempos. Foram 11 anos de desempenho de alto nível. Com o Manchester United, conquistou 15 títulos, incluindo uma Uefa Champions League, já com a Juventus foram cinco troféus em três anos. Só para termos de comparação (do currículo, só para deixar claro), Zinedine Zidane concluiu a carreira com 12 títulos em dez temporadas divididas na Itália e Espanha.

Agora o lateral está de volta. Após perder espaço na Juventus (fez apenas 13 jogos na temporada), Evra, aos 35 anos, acertou com o Olympique de Marseille, com um contrato de um ano e meio. É uma volta em um cenário bastante diferente do que deixou o país, na metade da temporada 2005/2006. De grande expoente quando saiu, volta com o status de veterano de sucesso.

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra atuou por duas temporadas no Nice | Foto: Arquivo/Nice Matin

Evra, que nasceu em Senegal e se mudou para a França antes de completar o primeiro ano de vida, curiosamente, começou a carreira profissionalmente na Itália, jogando pelos modestos Marsala, da 3ª divisão, e pelo Monza, da 2ª. Somente em 2000, no Nice, que recebeu a primeira oportunidade no país onde cresceu. Claro, o fato de Fédérico Pastorello, diretor geral do clube, ser o seu empresário facilitou nesta chegada.

Mas antes de retornar ao país gaulês e também no começo de sua passagem pelo clube, Evra viveu um momento de muita incerteza. Quando garoto, nos testes que fez alguns clubes, incluindo o Paris Saint-Germain, chegou a ser chamado de “novo Romário” por um amigo que lhe levou a uma das peneiras. Isso chegou pela altura, mas também pelo fato de ser atacante. Quando chegou ao Nice, já atuava no meio.

No clube rubro-negro, entretanto, viu a carreira crescer. Chegou quando a equipe estava na segunda divisão, estreou numa derrota impiedosa por 7×2, jogou pouco, mas tomou conta da lateral-esquerda no ano seguinte de forma surpreendente, sendo eleito o melhor lateral-esquerdo da temporada, conseguindo a transferência para o Monaco ao término do contrato.

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

Didier Deschamps foi um dos grandes mentores da carreira de Evra | Foto: Getty Images

No clube do Principado, tinha em mente que atuaria como winger pelo flanco esquerdo. Entretanto, entraria na história o técnico Didier Deschamps. O ex-defensor, campeão mundial com a França em 1998, o convenceu a atuar na lateral-esquerda e que lhe faria um marcador melhor. Dito isso, Evra passou a compor a defesa ao lado de Jurietti, Rafa Márquez e Squillaci.

A estratégia deu certo. Evra se notabilizou como um dos principais laterais do país e, com o vice-campeonato europeu em 2004, teve nome vinculado a grandes clubes, como Arsenal, Milan, Juventus e Barcelona. Decidiu deixar a França apenas em setembro de 2005, quando optou por aceitar a proposta do Manchester United, se transferindo na janela de inverno daquela temporada.

Pelo Monaco, foram 154 partidas em três temporadas e meia, com dois gols e três assistências. Coletivamente, ergueu apenas a Copa da Liga em 2002/2003, mas viu o clube ser vice-campeão europeu e sempre ficar nas três primeiras posições enquanto esteve por lá. Tamanho desempenho fez com que fosse reconhecido pela torcida, que o colocou como o melhor lateral-esquerdo da história do clube em votação no site oficial do próprio Monaco.

Acréscimo importante

Evra chega para reforçar o OM por uma temporada e meia | Foto: Divulgação/OM

Apesar de não ser mais aquele jovem vigoroso dos tempos de Monaco, tampouco o regular e eficiente lateral dos tempos de Manchester e seleção francesa, Evra deve acrescentar bastante ao Marseille, de Rudi Garcia.

A posição é uma das principais, se não a principal, carência do OM. No momento, o camaronês Henri Bedimo, que veio para ser o titular na função, se recupera de um grave problema no menisco e o brasileiro Dória vem sendo improvisado na lateral-esquerda.

Na péssima campanha do time na Ligue 1 (no momento, ocupa a 7ª colocação, com 30 pontos e bem distante das ligas europeias) Evra pode ser um acréscimo importante se mantiver a forma física, mantendo-se livre das lesões (o que sempre foi uma característica do atleta). Só resta saber o ritmo de jogo do jogador, que não joga oficialmente desde outubro de 2016.

Num modo geral, o Marseille vem fazendo um bom mercado, tentando corrigir o elenco e solucionar problemas pontuais que afetam o clube há alguns anos. O novo dono, o norte-americano Frank McCourt, tem consigo o diretor esportivo Andoni Zubizarreta, e os dois, ao lado de Garcia, buscam uma sintonia de ideias para formar um novo Marseille, com atletas comprometidos com o novo projeto do clube. O marfinense Didier Drogba, ídolo do clube, por exemplo, foi colocado para fora do leque de opções do OM exatamente por não se enquadrar neste perfil.

Evra pode até ter tido no passado alguns problemas (seríssimos) extracampo na seleção francesa, mas retomou a carreira nos Bleus sendo peça de confiança de Didier Deschamps e tornando-se um líder da equipe. Em reta final de carreira, mas em boas condições físicas, tende a ser uma peça de grande valia e de poder de liderança ao novo Marseille.

11 na História: Bordeaux 1998/1999

Inauguramos agora mais uma seção no blog, o “11 na História”. Neste quadro, vamos recordar alguns times que marcaram na Europa – com foco, é claro, na França – seja pelos resultados ou por um legado futebolístico que tenha deixado. A ideia é valorizar os times pelos seus feitos e resgatar a história destas conquistas.

O time que abre a nossa série é o Bordeaux da temporada 1998/1999, campeão nacional depois de mais de uma década. A equipe também marcou a história do Campeonato Francês ao apresentar ao mundo um quarteto ofensivo de dar inveja a muitos times, composto por Ali Benarbia, Johan Micoud, Lilian Laslandes e Sylvain Wiltord, o astro da companhia.

Relembre mais dessa história:

Período de reconstrução

Nos anos 80, o Bordeaux se notabilizou como uma das equipes mais fortes do futebol francês ao conquistar três títulos do Campeonato Francês entre 1984 e 1987. Neste meio tempo, venceu duas edições da Copa da França e chegou a semifinal da Copa dos Campeões da Europa em 1984/1985, quando ficou por um gol de chegar à final – perdeu na ida para a Juventus por 3×0 e venceu na volta por 2×0. Naquela época, se notabilizaram no clube atletas renomados, como Jean Tigana, Alain Giresse, René Girard e Dieter Müller.

Sob a batuta do clube estava Claude Bez, presidente girondino, imortalizado pelos bons resultados no período de construção do sucesso nos anos 80. Entretanto, o que era um sonho para o Bordeaux, tornou-se em um pesadelo em pouco tempo. Ao término da temporada 1990/1991, a Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG, na sigla em francês) decidiu rebaixar os Girondins por causa do déficit orçamentário, que batia na casa dos € 45 milhões. Bez foi forçado a renunciar e o clube disputou a segunda divisão por uma temporada.

Com esse rápido recuo, o Bordeaux teve uma década de 90 de pura reconstrução. Novos parceiros, novos jogadores e objetivos sendo alcançados passo a passo. Foi nesta época que o clube lançou atletas como Christophe Dugarry e Bixente Lizarazu, teve no elenco Zinedine Zidane e, com eles, foi vice-campeão da Copa da Uefa em 1996, diante do Bayern – só ressaltando que os franceses fizeram a partida de ida sem o citado trio e perderam por 3×0.

O treinador: Elie Baup

Baup foi de auxiliar a campeão francês no Bordeaux | Foto: Jean Jacques Saubi

Baup foi de auxiliar a campeão francês no Bordeaux | Foto: Jean Jacques Saubi

O ápice dessa reconstrução do Bordeaux começou a ser concretizado na metade da temporada 1997/1998. Longe da briga pelo título, a diretoria optou por trocar o técnico. Guy Stephan foi embora e deu lugar a Elie Baup, que era o auxiliar-técnico. Ao término da temporada, os Girondins ficaram na 5ª colocação, com 56 pontos e Baup mantido no posto.

Sempre com seu bonezinho na beirada do gramado, Baup teria na temporada seguinte o grande desafio da carreira. Depois de uma fracassada passagem pelo Saint-Étienne entre 1994 e 1996, onde conseguiu rebaixar o clube duas vezes (na primeira vez, não caiu pelo escândalo envolvendo Marseille e Valenciennes), ele teria em mãos um elenco talentoso, que tinha como grandes expoentes os jovens Ali Benarbia e Sylvain Wiltord, além do talentoso Johan Micoud e o matador Lilian Laslandes.

Jogos chave

22ª rodada – Bordeaux 4×1 Marseille

A briga pelo título estava polarizada entre Bordeaux e Marseille. Ambos possuíam campanhas sólidas e faziam jus a tal status. O OM, líder com 48 pontos, tinha a melhor defesa e contava com uma equipe experiente, composta pelos campeões mundiais Laurent Blanc e Christian Dugarry e pelo italiano goleador Fabrizio Ravanelli. Além deles, compunham o elenco os cobiçados Willy Gallas e Robert Pirès. Rolland Courbis tinha em mãos um time bastante forte.

Do outro lado, porém, estavam os Girondins, campeões do primeiro turno, sofreram dois tropeços no início da segunda parte da competição e acabaram ficando na vice-liderança com 45 pontos. Ainda assim, tinham o melhor ataque, com 44 gols marcados.

A gana de vencer e diminuir essa diferença fez com que tivessem 20 minutos de gala. Entre os 14 e 34 minutos da primeira etapa, o Bordeaux abriu 4×0 e encaminhou a vitória que lhe recolocou na liderança. Dugarry chegou a descontar na etapa final, apenas para fazer valer a “Lei do Ex”, mas insuficiente para estragar a festa dos Girondins, que assumiram a liderança da competição.

PSG: O fiel da balança

Contra o PSG, Wiltord foi quem decidiu com dois gols | Foto: Divulgação

Contra o PSG, Wiltord foi quem decidiu com dois gols | Foto: Divulgação

Depois da vitória no confronto direto, a liderança tornou-se uma batata quente, que queimava de mão em mão. Só houve uma estabilização no posto entre a 29ª e a 31ª rodada, quando o Bordeaux acumulou três tropeços seguidos e o Marseille se aproveitou.

Entretanto, faltando duas rodadas para o término da temporada, entrou em cena o Paris Saint-Germain. Com uma péssima campanha, ocupando a indigesta 10ª colocação, a equipe da capital francesa receberia o Marseille na 32ª rodada e o Bordeaux na última. Seria o legítimo fiel da balança, que decidiria o campeonato de forma indireta.

Tudo corria de vento em popa para o OM durante a rodada 32. Vencia o clássico por 1×0 e via os Girondins empatando em 2×2 com o Lens. Com essa combinação, chegaria a 68 pontos e abriria quatro pro Bordeaux, podendo ser campeão na rodada seguinte. Essa história virou pó a partir dos 37 minutos do segundo tempo dos dois jogos.

Neste mesmo minuto, Sylvain Wiltord acertou um chute de rara felicidade, do meio da rua, e virou a partida para o Bordeaux em Lens. A vantagem, que era de quatro pontos, voltava para dois. Um minuto depois, em Paris, Marco Simone finalizou de fora da área para empatar o clássico – e também o campeonato. Não deu muito tempo para respirar, e em um vacilo na saída de bola, Bruno Rodriguez aproveitou, virou a partida para o PSG e abriu caminho para o título do Bordeaux.

O trágico 2×1 tirou o Marseille da ponta e colocou lá o time de Élie Baup, que precisava manter a regularidade para ser campeão. E assim o fez ao vencer o Lyon por 1×0 e o próprio PSG por 3×2, numa emocionante partida decidida no minuto 88 por Pascal Feindouno, garoto de 18 anos que fez naquela noite o primeiro gol como profissional.

Cabe aqui abrir parênteses: essa vitória do Bordeaux sobre o Paris é até hoje questionada, especialmente pelo Marseille, pela vontade – ou falta dela – do PSG em vencer o jogo, tendo em vista a rivalidade criada pelas duas equipes.

Para o Bordeaux, essa rixa entre marseilaises e parisienses pouco importa. O que valeu foi o título, que veio 12 anos depois, superando frustrações como um vice-campeonato europeu, campanhas ruins e até um rebaixamento.

Time-base:

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Jogadores-chave:

Lassina Diabaté: meio-campista defensivo de bom combate, Diabaté era peça de confiança de Elie Baup. Canhoto e incansável, ajudou a solidificar o meio-campo da equipe, que ainda tinha o capitão Michel Pavon e os talentosos Ali Benarbia e Johan Micoud.

Ali Benarbia: O talentoso meia argelino ficou apenas uma temporada no Bordeaux, mas fez valer a pena cada uma das 25 partidas que disputou. Ao lado de Micoud, Wiltord e Laslandes, compôs um dos quartetos ofensivos mais poderosos dos últimos tempos na França. Com destaque nas assistências, foi eleito o melhor jogador da temporada antes de migrar para a capital e vestir a camisa do PSG.

Johan Micoud: Jogador de muita classe e técnica refinada, Micoud fez sua história especialmente no Bordeaux, por onde passou seis temporadas. O título em 1999 foi a grande conquista que teve pelo clube. Ao todo, anotou nove gols e deu seis assistências na temporada, sendo decisivo para o título e também para seu ingresso na seleção francesa – em 2000, seria campeão europeu com a França.

Lilian Laslandes: Centroavante a moda antiga, Laslandes teve a melhor temporada da carreira no ano do título do Bordeaux. Esteve em campo em 33 dos 34 jogos e marcou 15 gols, incluindo um triplé diante do Metz, na goleada por 6×0. Ingressou na lista de maiores artilheiros da história do clube e cravou nome entre os ídolos girondins.

Sylvain Wiltord: Para formar dupla letal com Laslandes, nada melhor que um atacante rápido e incisivo como Sylvain Wiltord. A combinação deu certo e ele anotou 22 gols na temporada, sendo o artilheiro do campeonato. Ou seja, 37 dos 66 gols saíram da dupla. Wiltord, porém, acabou sendo mais decisivo, com dois gols importantes no jogo do título diante do PSG, na vitória sobre o Marseille e em outros jogos de placares apertados, onde seus gols aumentaram em importância. O atacante do Bordeaux acabou sendo eleito o jogador francês do ano pela revista France Football – a última vez que o premiado foi um jogador girondin foi o ídolo Jean Tigana.

Futuro

Mesmo mantendo boa parte da base, o Bordeaux não teve uma temporada 1999/2000 das mais felizes. A dupla Laslandes e Wiltord foi às redes apenas 14 e 13 vezes, respectivamente, e não conseguiram ajudar os Girondins a conquistarem mais do que um 4º lugar. Além disso, o time ficou marcado por ter sido eliminado da Copa da França na fase semifinal diante do modesto Calais RUFC, clube da quarta divisão.

O seguinte – e até agora último – título francês do Bordeaux veio apenas na temporada 2008/2009, no histórico time comandado por Laurent Blanc.

Lances:

No vídeo abaixo, você confere todos os gols da campanha do Bordeaux no título da temporada 1998/1999, os 11 na História do Europa Football:

A megalomania brasileira do Rennes 2000/2001

Luís Fabiano (centro) e Lucas (esq.) estão no ranking das maiores contratações da história do clube | Foto: SportPierre Minier / Icon Sport

Luís Fabiano (centro) e Lucas (esq.) estão no ranking das maiores contratações da história do clube | Foto: SportPierre Minier / Icon Sport

De Jairzinho a Juninho Pernambucano, passando ainda por Paulo César Caju e Raí, a história de jogadores brasileiros no futebol francês é longa e bem-sucedida. Clubes como Paris Saint-Germain e Olympique Lyonnais, por exemplo, possuem vastas e positivas histórias com atletas de sangue verde e amarelo.

Olhando para esse histórico, daria para dizer que a receita do sucesso é injetar dinheiro no Brasil, certo? Bom, na temporada 2000/2001, o Rennes seguiu este conselho e se deu muito mal.

Abastecido financeiramente pela venda de Shabani Nonda ao Monaco por € 20 milhões e pelo milionário François-Pinault, que assumiu a presidência do clube em 1998, o clube decidiu ir às compras. Das cinco maiores contratações da história do clube bretão, estão dois brasileiros, que juntos somaram € 28 milhões, mas apenas seis gols.

Luís Fabiano e Lucas Severino chegaram ao Rennes em 2000/2001. O primeiro era uma revelação da Ponte Preta, comprado por € 7 milhões, enquanto o segundo era estrela no Atlético Paranaense, jogador da seleção olímpica em 2000. A negociação de Lucas foi a maior da história do clube, que investiu € 21 milhões no atleta – que estava acertado com o Marseille, até os bretões dobrarem a proposta. Nenhum dos dois chegou perto de vingar.

O Fabuloso atuou sete vezes em 2000/2001, antes de ser emprestado ao São Paulo, e mais quatro vezes na temporada seguinte. Não marcou nenhum gol e voltou para o Tricolor Paulista, desta vez, em definitivo. Anos depois, quando despontava como um dos principais atacantes da Europa, na época em que defendia o Sevilla, muitos na Bretanha se perguntavam o que aconteceu para que ele não tivesse dado certo por lá…

FOTO 2: Luís Fabiano deixou o Rennes sem marcar um gol sequer | Foto: Divulgação

FOTO 2: Luís Fabiano deixou o Rennes sem marcar um gol sequer | Foto: Divulgação

Já Lucas se tornou o símbolo do fracasso em grandes negociações. O brasileiro chegou à França bem gabaritado, sendo elogiado por Raí e comparado a Ronaldo pelo presidente da Internazionale, Massimo Moratti. Ele foi apresentado junto do argentino Lucas Turdó, contratado também por uma singela bagatela de € 12 milhões – e se tornou outro grande flop.

Mesmo sem aguentar o fardo do valor investido, o Rennes teve paciência de sobra com Lucas, que foi titular durante duas temporadas e marcou apenas sete gols. Depois de fracassados empréstimos a Corinthians e Cruzeiro, retornou ao clube, jogou algumas partidas e foi vendido ao futebol japonês, sacramentando uma grande decepção para a torcida. Hoje, não é nada anormal encontrar o nome dele nas listas de grandes flops da história do Campeonato Francês.

Lucas é tido como o maior flop da história do Rennes | Foto: Divulgação

Lucas é tido como o maior flop da história do Rennes | Foto: Divulgação

Vânder e César

Naquela mesma temporada, o Rennes trouxe outros dois brasileiros, que não eram tão conhecidos assim do grande público. Além de Luís Fabiano, os Rouge et noir trouxeram da Ponte Preta o meio-campista Vânder, na época, com 26 anos. Atrapalhado por uma série de lesões, entrou em campo apenas 18 vezes em duas temporadas, sem ter marcado um único gol. Chegou a ser emprestado ao Cruzeiro em 2002, mas depois rodou por clubes de médio porte no Brasil, até se aposentar em 2010.

Caso semelhante viveu César. Zagueiro formado na Portuguesa, chegou a seleção no fim dos anos 90 e logo se transferiu ao PSG, onde teve poucas oportunidades. Aproveitando a “onda brasileira”, o Rennes decidiu investir € 5 milhões em sua contratação. Eis outro negócio fracassado.

Logo na estreia, diante do Lyon, um empate em 2×2 no Gerland, César foi expulso no fim da partida por acúmulo de cartões. Duas rodadas depois, se redimiu, ao marcar um gol no empate em 1×1 diante do Monaco. Porém, o prestígio com o técnico Christian Gourcuff durou somente uma temporada. No ano seguinte, atuou na primeira metade do campeonato, até voltar ao Brasil e começar a rodar. Pelo Rennes, foram 37 jogos, dois gols, seis cartões amarelos e um vermelho.

O alto investimento em brasileiros não trouxe grandes resultados ao Rennes. Irregular durante toda a temporada, os bretões precisaram se contentar com um 6º lugar, com 50 pontos, com uma vaga na extinta Copa Intertoto. Para piorar, na última rodada, chegaram a abrir 3×1 no Lyon, que já era o vice-campeão, e cederam a virada em casa. A derrota, somada com a vitória do Sedan sobre o Auxerre, fez com que perdessem a vaga na Copa Uefa.

Rennes 2000/2001: um time que ficou lembrado pela “onda brasileira” | Foto: Divulgação

Rennes 2000/2001: um time que ficou lembrado pela “onda brasileira” | Foto: Divulgação

Sem samba na Bretanha

Mas engana-se quem pensa que a temporada 2000/2001 foi exceção na relação Rennes e brasileiros. Se há um clube francês que não se dá bem com atletas tupiniquins, certamente é o Rennes.

Ao longo da história, o clube bretão teve o atacante Emerson Sheik (na época conhecido como Emerson Passos), o zagueiro Adaílton, o volante Dudu Cearense (ambos campeões mundiais sub-20 em 2003) e até Baltazar (o conhecido “Artilheiro de Deus”) em seus elencos e nenhum deixou saudades.

Atualmente, quem está lá é Pedro Henrique, que alterna entre o time titular e reserva desde que chegou na temporada 2014/2015. Já são 79 jogos, com oito gols e oito assistências. Seria ele capaz de mudar esse cenário?