Neymar versus Cavani: a disputa que nunca existiu

Falta química entre Neymar e Cavani? Números derrubam argumento | Foto: AFP/Getty Images

A derrota por 3 a 1 para o Real Madrid, na primeira mão das oitavas-de-final da Liga dos Campeões da Europa, trouxe uma série de repercussões negativas para o Paris Saint-Germainalgumas delas foram discutidas na edição #73 de Le Podcast du Foot.

Muitos falaram das tomadas de decisão de Neymar, das escolhas de Unai Emery, da forma como o time joga, enfim, poucas vezes uma derrota arrasou a milionária terra parisiense como essa.

Diversos desses argumentos, de fato, rendem discussão e bons debates. Alguns passam do limite, seja por críticas descabidas e até desconectadas com o jogo, seja por simplesmente serem mentirosas.

A que mais me intrigou foi a da tal “falta de química” entre a dupla Neymar e Edinson Cavani. Como argumento, utilizaram um dado que indicava que um não tocou a bola para o outro na partida. O fato, em si, não condiz com a verdade, como mostrou o analista de desempenho e jornalista Eduardo Cecconi em seu Twitter:

A informação provocou uma série de reações, inclusive, comentários desconectados da realidade. Cito aqui o do jornalista André Rizek, do Sportv (e deixo claro que a intenção não é desmerece-lo, porém, entendo que se fosse algo que eu tivesse dito, gostaria que fosse citado para corrigir ou, ao menos, rebater).

Em seu perfil no Twitter, logo após o jogo, disse que Neymar e Cavani “não são uma dupla, são uma disputa”. Assisti a um trecho do Redação Sportv do dia seguinte, Rizek reforçou o argumento e citou a referida informação de que Cavani e Neymar não trocaram passes entre si.

Pois bem, fui atrás de números, dados concretos e irrefutáveis que rebatessem essa afirmação. Encontrei estatísticas simples, pouco profundas, mas que jogam por terra o argumento da “disputa” entre os dois. Neymar deu 12 assistências na temporada do Campeonato Francês. Seis delas foram para Cavani. Já o uruguaio, que nunca foi afeito a passes para gol, deu quatro, duas para o brasileiro.

Se isso é falta de química, me desculpem, mas não sei o que é entendimento entre dois jogadores de ataque.

Para complementar, tomei o cuidado de olhar assistência por assistência, analisar com cuidado para ver se não foram lances fortuitos, casos de sorte mesmo. Portanto, segue abaixo um relato de cada passe para gol de Neymar e, em seguida, de Cavani – no título estão os links que redirecionam para os vídeos dos lances:

1 – Guingamp 0-3 PSG | 2ª rodada 

Neymar recebe a bola na faixa central e observa o deslocamento de Cavani entre os zagueiros. O uruguaio é lançado e marca após dois toques na bola.

2 – Metz 1-5 PSG | 5ª rodada 

Lance semelhante ao primeiro: Neymar recebe no centro, enxerga o deslocamento de Cavani e Kyllian Mbappé. O Pistolero chega antes depois do lançamento e marca o gol.

3 – PSG 6-2 Bordeaux | 8ª rodada 

A jogada deste gol envolveu o trio Mbappé, Neymar e Cavani. Os dois primeiros tabelaram e o brasileiro encontrou o uruguaio em condições de marcar na saída de Benoît Costil.

4 – PSG 2-0 Troyes | 15ª rodada 

Jogada mais simples: Neymar recebeu na esquerda, tinha marcação por perto, diferente de Cavani, que estava livre na marca do pênalti. O camisa 9 foi acionado e guardou.

5 – Rennes 1-4 PSG | 18ª rodada 

Este foi, certamente, um dos gols mais bonitos. Neymar, com liberdade pela área central, lançou Cavani por elevação. Antes da chegada do goleiro, tocou por cobertura e marcou.

6 – PSG 6-2 Strabourg | 26ª rodada 

E, finalmente, o lance mais recente, mas que teve muita semelhança com outras jogadas: Neymar livre na área central, observa a movimentação de Cavani e o lança. O uruguaio, oportunista, guardou mais um.

Já nos passes de Cavani…

1 – Guingamp 0-3 PSG | 2ª rodada 

O gol saiu muito facilmente, mas ficou marcado por Cavani evitando a saída da bola pela linha de fundo e rolando para trás, onde estava Neymar, que fez o primeiro gol com a camisa parisiense.

2 – PSG 4-0 Montpellier | 23ª rodada 

Este talvez seja o único que dê para discutir se foi uma assistência intencional ou não, embora tenha me parecido proposital. Em rápido contra-ataque, Cavani recebeu na saída do goleiro e, sem o ângulo ideal, tocou por elevação. Antes de a bola entrar, Neymar marcou o gol.

Cavani e Neymar é a dupla fatal do PSG | Foto: Reprodução

Bom, lendo as descrições e assistindo aos lances, me parece claro que a tal “disputa” não existe. E ainda não entram na conta lances que não viraram gols, como aquele que Cecconi mostrou em Real x PSG. Esse dado poderia ser ainda maior.

O que se detectou foi, principalmente, um Neymar mais cerebral, jogando em uma faixa de campo mais recuada, mas sendo igualmente fatal, principalmente por ter um goleador nato em sua frente.

Aliás, quantos talvez tenham percebido isso ao longo da temporada? Como jornalista, sou muito crítico a minha profissão e me parece muito claro que, cada vez mais, se assiste menos futebol, mesmo existindo infinitas maneiras de acompanhar os jogos. Quantas partidas do PSG foram assistidas por nossa crônica especializada?

Ouso dizer que poucas.

E o reflexo é visto aí. Propaga-se uma opinião equivocada de que não há sintonia entre dois atletas que são responsáveis por mais da metade dos gols do PSG na liga nacional (42 de 81). Mais gritante ainda é ver que muitos desses tentos saíram de jogadas construídas pelos dois.

Se há uma rixa interna entre a dupla pouco importa. Isso é bom para vender jornais e caçar cliques de quem pouco está interessado em entender o jogo. Dentro das quatro linhas há entendimento e podemos ser categóricos: Neymar e Cavani não são uma disputa, como foi sugerido, mas, sim, uma dupla e tanto.

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Le Podcast du Foot #72 | Janela fechada

A janela de transferências de inverno enfim foi fechada na França, e alguns clubes trataram de se mexer para tentar resultados melhores na temporada. Saint-Étienne e Bordeaux são dois exemplos, já que trataram de buscar reforços para crescer no Campeonato Francês depois de inícios ruins.

Em Le Podcast du Foot #72, Eduardo Madeira e Filipe Papini analisam as principais movimentações da janela francesa e projetam os encaixas dos times com os planteis definidos.

É só dar play abaixo e acompanhar o programa:

Máquina de fazer dinheiro

Poucos clubes na Europa sabem fazer dinheiro como o Monaco. Não, não estou insinuando nada em relação a Dmitry Rybolovlev, milionário dono russo do clube, e a possíveis negócios escusos que vira e mexe esses endinheirados se envolvem. Faço apenas referência ao fato de conseguir colocar na prática o discurso velho e batido de formar ou captar, valorizar e vender atletas.

O exemplo mais atual é o do atacante Guido Carrillo. O argentino, de 26 anos, nunca foi peça de destaque no time monegasco e sequer acumula temporadas como titular, mas foi negociado com o Southampton por impressionantes 22 milhões. Sabem por quanto foi contratado na temporada 2015/16? Menos da metade, € 9 milhões.

Mesmo sem ser titular, Carrillo rendeu € 22 milhões aos monegascos | Foto: Divulgação/AS Monaco

E o Hermano não é o único dessa lista. Abaixo, separei algumas transferências recentes do Monaco, com os valores investidos e o quanto que recebeu pela venda futura:

Jogador Comprado Venda
James Rodríguez 45 milhões | FC Porto 75 milhões | Real Madrid
Geoffrey Kondogbia 20 milhões | Sevilla 36 milhões | Internazionale
Bernardo Silva 15,7 milhões | Benfica 50 milhões | Man. City
Benjamin Mendy 13 milhões | Marseille 57,5 milhões | Man. City
Aymen Abdennour 13 milhões | Toulouse 22 milhões | Valencia
Anthony Martial 5 milhões | Lyon 60 milhões | Man. Utd
Timoué Bakayoko 8 milhões | Rennes 40 milhões | Chelsea

São números muito impressionantes de atletas contratados por valores baixos e vendidos por cifras significativas. Alguns, inclusive, negociados por quantias até cinco vezes maiores do que investidas no começo, como Bakayoko e Martial.

O atacante do Manchester United, aliás, é o exemplo mais claro dessa nova filosofia. Apesar da carreira nas seleções de base, nunca foi aproveitado com frequência no time principal do Lyon. Chegou ao Monaco por singelos 5 milhões, foi posto a jogar por Leonardo Jardim e logo foi vendido por impressionantes € 60 milhões aos Red Devils.

E ainda dá para colocar na roda os casos de Laywin Kurzawa e Yannick Ferreira Carrasco. O primeiro é da base do clube e rendeu € 10 milhões com a venda para o Paris Saint-Germain, enquanto o segundo foi captado ainda jovem, no time sub-19 do Genk, e foi negociado com o Atlético de Madrid por € 17,2 milhões.

Ah, claro, tem ainda Kyllian Mbappé, que vai se tornar a segunda maior contratação da história ao término da temporada.

Rybolovev (dir.) e Vasilyev (esq.) encontraram a fórmula ideal de conduzir o Monaco | Foto: Divulgação/Monaco

Tudo isso faz parte da filosofia da equipe encabeçada pelo presidente Rybolovlev. Quando ele assumiu o comando do clube, espantou a Europa com contratações milionárias, como Falcao García e James Rodríguez (que ainda explodiria na Copa do Mundo de 2014 e renderia mais dinheiro ao ASM). Tendo ao lado o diretor geral Vadim Vasilyev, porém, mudou o ponto de vista e passou a focar mais nas academias do clube.

Hoje, os monegascos se especializaram em captar jogadores jovens, desenvolve-los, explorar ao máximo os seus potenciais e revende-los para outros centros. Tudo isso sob o olhar clínico de Bertrand Reuzeau, diretor da academia do clube desde 2016, um dos mais respeitados treinadores de base na França.

>> Para quem quiser entender mais do processo de reconstrução do Monaco, a filosofia do clube esteve em destaque na edição #68 de Le Podcast du Foot:

Isso explica bastante porque entra e sai temporada e o Monaco sempre passa por pequenas reformulações. Há quem entenda que é pensar pequeno, colocar a ganância acima do anseio futebolístico, mas eu já considero o contrário. Desta maneira, o clube não fica refém de Rybolovlev, que só gerencia e não precisa intervir mais energicamente com contratações malucas. O ASM consegue ter saúde financeira e reinvestir nas academias para ter retorno em campo.

E podem aguardar que vem mais por aí. Jorge (comprado por € 8,5 milhões), Djibril Sidibé (€ 15 milhões), Fabinho (€ 6 milhões), Keita Baldé (€ 30 milhões) e, principalmente, Thomas Lemar (€ 4 milhões) serão os próximos a engordar as contas bancárias do Monaco, que certamente é o time a ser olhado, sempre prospectando o futuro.

*Todos os valores tiveram como fonte o site Transfermarkt;

O adeus de um subestimado

Cheyrou fez mais de 300 jogos pelo Marseille | Foto: OM.net

Fim da linha para Benoît Cheyrou. Aos 36 anos, o meio-campista com passagens por Lille, Auxerre e Olympique de Marseille pendurou as chuteiras por cima, como campeão da Major League Soccer, o campeonato norte-americano, com o Toronto FC.

Clássico meio-campista, daqueles que os saudosistas se acostumaram a ver e admirar, podemos dizer que Cheyrou deixa a carreira com fama de subestimado. Inteligente, dotado de ótima técnica e potente finalização e, acima de tudo, vitorioso, dificilmente ele estará nas grandes lembranças futebolísticas, principalmente por não ter se estabelecido em nível internacional.

Parte disso se deve as poucas lembranças na seleção francesa. Apesar da consistente carreira em clubes, nos Bleus foi poucas vezes lembrado. Cheyrou defendeu o time nas categorias sub-18 (conquistou a Eurocopa em 2000, no mesmo time de Philippe Mexès e Djibril Cissé) e sub-20, mas despediu-se das quatro linhas sem uma partida sequer pela equipe principal.

Explicações são difíceis de encontrar. A partir de 2007, ano em que chegou ao Marseille, Cheyrou atingiu grande nível técnico, se notabilizando como um meio-campista defensivo capaz de quebrar linhas através de passes longos e aproximação na grande área para criar jogadas. Entre 2008 e 2010, esteve no time do ano na UNFP (em tradução, a União dos Jogadores Nacionais de Futebol) e se tornou um dos grandes jogadores do país. Isso foi insuficiente para convencer os técnicos dos Bleus a convoca-los.

O contestadíssimo Raymond Domenech foi o único a convoca-lo em 2010, mas sem colocá-lo em campo, preferindo em seu período como treinador nomes como, por exemplo, Alou Diarra, Lass Diarra, no já envelhecido Claude Makélélé e Mathieu Flamini. Passaram ainda pelo comando técnico Laurent Blanc e Didier Deschamps – o atual treinador – e nada de Cheyrou ser lembrado.

Pode ser que ele nunca pudesse ser um fator desequilibrante na França da última década, alguém capaz de trazer um título de peso que não vem desde a Euro 2000, mas fica uma lacuna em sua carreira.

Cheyrou, que atuou profissionalmente desde 1999, conseguiu ter trajetória mais vitoriosa até que a do irmão, Bruno Cheyrou (que, curiosamente, fez três jogos pela seleção francesa) e foi símbolo de um Marseille que saiu de uma seca de quase duas décadas sem títulos (apesar de uma saída conturbada em 2014). Inclusive, em votação popular, ficou num “time reserva” da história do clube quando completou 110 anos e chegou a ser eleito o melhor jogador da temporada do time em 2008/09 – quando perdeu a Ligue 1 para o Bordeaux.

Há quem desgoste da banalização da palavra “craque”, que prefira usar só em casos especiais. Penso que quem preza pelo respeito a profissão de jogador de futebol e consegue apresentar um “algo a mais”, capaz de nos prender por 90 minutos e acompanhar a um recital com a bola nos pés merece ser chamado assim. Por vezes subestimado e esquecido, mas craque e vitorioso. Assim Benoît Cheyrou pendura as chuteiras.

Carreira:

Lille (1999-2004) | 116 jogos e 3 gols

*Campeonato Francês – 2ª divisão | 1999/2000

Auxerre (2004-2007) | 131 jogos e 8 gols

*Copa da França | 2004/2005

Marseille (2007-2014) | 306 jogos e 28 gols

*Campeonato Francês | 2009/2010

*Copa da Liga | 2009/2010 e 2010/2011

*Supercopa da França | 2010 e 2011

Toronto [Canadá] (2015-2017) | 68 jogos e 5 gols

*Campeonato Canadense | 2016 e 2017

*Major League Soccer | 2017

Os esquecidos da Ligue 1

Nunca tantos holofotes bateram em cima da Ligue 1. A chegada de Neymar ao Paris Saint-Germain, somada ao acréscimo de Kyllian Mbappé, Daniel Alves e de toda áurea midiática trouxeram para a liga francesa um aspecto talvez nunca antes visto.

Somado ao milionário PSG, ainda surgiram outros tópicos interessantes, como o fracasso de Marcelo El Loco Bielsa no Lille – que foi abordado na edição #69 de Le Podcast du Foot – e o poderoso ataque do Lyon. Dá para dizer que temos uma das temporadas mais agitadas e interessantes dos últimos anos, reunindo uma série de atrativos para acompanharmos rodada após rodada da competição.

Porém, apesar de todas as câmeras e flashes na competição, há quem fique esquecido nesse cenário todo. O próprio milionário PSG tem Lucas Moura e Hatem Ben Arfa, que já estão ultra aquecidos no banco de reservas do clube. Há outros como Wesley Sneijder, Grenier… É tanta gente que me senti obrigado a levantar uma lista com alguns dos esquecidos da atual temporada francesa. Confiram:

Do Chelsea para o banco do Amiens

Esse é um dos raros registros de Nathan no Amiens | Foto: Divulgação/Amiens

O meia Nathan é mais um daqueles clássicos casos de atletas que escolhem o Chelsea para jogar na Europa e passam a rodar pelo Velho Continente, sempre por empréstimo, e vão vendo a carreira ruir. Elogiadíssimo no Atlético-PR e com passagens por seleções de base, tinha um grande futuro. Hoje, aos 21 anos, amarga a reserva no Amiens. O meia acumula apenas 161 minutos na temporada, somente nove no Campeonato Francês – na 6ª rodada, na derrota por 2 a 0 diante do Marseille, em 17 de setembro.

Sem prestígio

Contento deve ser negociado nesta janela | Foto: Divulgação/Bordeaux

A situação de Diego Contento no Bordeaux mudou drasticamente de uma temporada para outra. Se em 2016/17 o ítalo-alemão era titular nos Girondins, agora ele sequer entrou em campo na Ligue 1. Suas únicas aparições foram em jogos da Liga Europa. Sem prestígio com o técnico Jocelyn Gourvennec, o lateral-esquerdo, de passagem vitoriosa pelo Bayern, deverá deixar o clube na janela de inverno.

Persona non grata

Grenier é sombra do que já foi | Foto: Divulgação/OL

Depois de três temporadas mágicas pelo Lyon, onde se notabilizou como um meia clássico e de ótima pegada na bola – o que ocasionou as inevitáveis comparações com Juninho Pernambucano no quesito cobrança de faltasClément Grenier virou persona non grata dentro do clube. Derrubado por gravíssimas lesões (que o tiraram da Copa do Mundo de 2014) e problemas extracampo, o meia, que tem contrato até junho de 2018, atuou por apenas quatro minutos na Ligue 1 e está fora dos planos do técnico Bruno Genesio. A tendência é que deixe o clube no meio da temporada.

Dupla de ferro

Atuações ruins e concorrentes como Rami e Abdennour tiraram o espaço de Dória | Foto: Divulgação/OM

Mesmo sem o poderio financeiro do Paris Saint-Germain, o Olympique de Marseille conseguiu investir bastante nessa temporada, fazendo com que alguns nomes calejados sumissem do mapa. Um deles é o do zagueiro brasileiro Dória. Após as chegadas de Aymen Abdennour e Adil Rami, passou a atuar pouco e, atualmente, acumula apenas 85 minutos jogados na temporada e míseros três jogos na Ligue 1. Ele ficou marcado pela catastrófica atuação na goleada sofrida diante do Monaco, por 6 a 1, onde recebeu nota 1 do jornal L’Equipe. O site 10 Sport informa que o Saint-Étienne poderia ser o destino do atleta pouco aproveitado por Rudi Garcia.

Quem vive situação pior é Rod Fanni. O defensor de 34 anos, com passagens pela seleção francesa e uma história de sucesso dentro do próprio Marseille, simplesmente não entrou em campo na atual temporada. O atleta se diz bem fisicamente e tenta encerrar seu contrato com o OM para seguir com a carreira em outro clube.

Na reserva do lanterna

Zagueiro alemão sequer jogou na Ligue 1 | Foto: Divulgação/FC Metz

A terrível campanha do Metz, com míseros 11 pontos em 19 rodadas, só não é mais estranha que a situação do zagueiro alemão Philipp Wollscheid. Com passagens até pela seleção nacional, ele fez apenas uma partida pelo clube grená, e foi pela Copa da Liga. Matéria do Le Républicain Lorrain aponta que o defensor vive péssima fase física, chegando a jogar no time amador do Metz, onde também encontrou dificuldades para mostrar bom nível. Como diz a mesma reportagem, é um mistério a situação de Wollscheid no clube.

Flop rubro-negro?

Sneijder voltou a sofrer com as lesões | Foto: Divulgação/Nice

Uma das principais apostas do Nice na temporada, o holandês Wesley Sneijder foi recepcionado com muita festa do torcedor. Dentro de campo, porém, a resposta não foi em nível igual. Ausente desde a 13ª rodada da Ligue 1, o meia de 33 anos vem sofrendo com a forma física e está fora de combate há um mês devido a um problema muscular. Somando todas as competições, fez oito jogos e deu apenas uma assistência.

Trinca milionária

Lucas e Trapp são reservas de luxo do PSG | Foto: Reprodução

No recheado e milionário elenco do Paris Saint-Germain, um reflexo claro é na sobra para o banco de reservas. Três casos claros são os de Kevin Trapp, Lucas Moura e Hatem Ben Arfa.

O goleiro alemão, que se revezou na titularidade com Alphonse Areola na temporada passada, não tem mais o mesmo espaço com o técnico Unai Emery e atuou por apenas três jogos – dois no campeonato e outro na Copa da Liga. Às vésperas da Copa do Mundo, a tendência é que busque novos ares para ser um dos escolhidos do técnico Jöachim Löw.

Já Lucas, que outrora almejava vaga na seleção brasileira, entrou em campo apenas seis vezes na temporada. Ao todo, acumula 79 minutos e é um dos alvos mais cobiçados do clube parisiense.

Só que mais esquecido que os dois está Hatem Ben Arfa. Num momento de devaneio, ele imaginou que poderia ter espaço entre os titulares, mesmo com o rendimento baixo e as públicas declarações de que não jogaria, e ficou no clube. Sequer entrou em campo e dificilmente seguirá em Paris na segunda metade da temporada.

Sobre as peças descartáveis do PSG, falei mais disso em agosto aqui no Europa Football.

E aí? Entre os esquecidos na Ligue 1, esqueci de mais alguém (com o perdão da redundância)? Deixe sua lembrança na caixa de comentários.

Tecnologia da discórdia

Talvez até mais atrasado que outros esportes, o futebol, enfim, começou a entrar na era tecnológica. Árbitros de vídeo, sistemas de linha de gol e outras tantas parafernalhas estão sendo introduzidas na modalidade para minimizar erros de arbitragem e tornar os resultados das partidas mais justos.

Só que na França, ao invés de solucionar esses problemas, a tecnologia da linha do gol, da empresa Goal Control, vem causando dores de cabeça e provocando mais incômodos em todos os envolvidos no Campeonato Francês, sejam times ou cartolas.

O ápice do incômodo foi no último sábado (16). Troyes e Amiens empatavam por 0 a 0, quando os azuis abriram o placar em cabeçada de Suk Hyun-jun, onde a bola acertou o travessão e o caiu rente à linha do gol.

Com relativa demora, o relógio do árbitro François Letexier confirmou o tento. Depois de muita reclamação e mais de cinco minutos de paralisação, o gol foi anulado, causando bastante polêmica e colocando pontos de interrogação quanto ao funcionamento do serviço – a mim, pelo menos, não ficou claro se a repetição frisou a bola exatamente em cima da linha.

Menos mal para o Troyes, que ainda conseguiu vencer por 1 a 0 com um chorado gol na etapa final. Porém, para a Liga de Futebol Profissional (LFP) a dor de cabeça é imensa.

Se fosse o primeiro bug, ainda passaria, mas não é o caso. O L’Equipe levantou uma série de equívocos que foram registrados desde que a Ligue 1 adotou esta tecnologia. Entre as falhas, “mau funcionamento do sistema” e até mesmo confusão da cor da bola com o uniforme do goleiro

A preocupação se torna mais latente porque outra recente reportagem do L’Equipe, traz uma entrevista com uma antiga funcionária da GoalControl, que afirma com todas as letras que o sistema não é confiável e que ao tentar aprimora-lo, tornaram-no mais deficitário.

Na manhã desta terça-feira (19), houve uma reunião da LFP com a empresa GoalControl para manifestar a insatisfação com os erros. O grupo alegou erro tecnológico e humano e justificou que a frequência e a intensidade luminosa dos LEDs alteraram a operação das câmeras. O resultado foi que o relógio do árbitro estava com vibração errada.

Outro ponto destacado foi de que o técnico responsável pelo controle na van demorou vários minutos para verificar as imagens recebidas e informar o delegado da partida.

Hoje, não se sabe até quando durará a relação da LFP com a GoalControl. A empresa, que foi indicada e aprovada pela FIFA como forma de evitar o monopólio da Hawk-Eye – já presente na Alemanha, Inglaterra e Itália – vem sendo questionada cada vez mais e fornecendo um serviço que está mais atrapalhando do que ajudando os árbitros.

Uma coisa é certa: para 2018/19, a Ligue 1 provavelmente terá o tão conhecido VAR (Árbitro Assistente de Vídeo). A medida já foi aceita no país, falta apenas a canetada da International Football Association Board (IFAB).

Enquanto isso não chega, a LFP propôs uma série de ações corretivas, reportou as ocorrências a FIFA e deu um ultimato a GoalControl: se o sistema não for melhorado até o fim da temporada, o contrato com a empresa, que é válido até 2019, será rescindido. 

Os olhos de águia já estão em cima desse imbróglio.

Le Podcast du Foot #70 | Em busca de um lugar ao sol

Natural de Maceió (AL), Otávio foi aparecer para o mundo do futebol no Sul do Brasil. Foi vestindo a camisa do Atlético Paranaense que o volante cresceu na carreira e chamou a atenção do Bordeaux, que o contratou no início da temporada 2017/18.

Sem saber falar francês, tem se virado como pode, seja no curso de idiomas, seja com os funcionários do clube, com os brasileiros do elenco ou até mesmo com o tcheco Jaroslav Plasil, figura icônica do Bordeaux e que aprendeu falar português ao se casar com uma brasileira.

Na língua da bola, tem se entendido bem. Desde que chegou aos Girondins, vem sendo titular com alguma frequência e tem buscado evoluir o quanto pode. A ideia é seguir a linhagem de brasileiros bem-sucedidos do clube, casos de Fernando Menegazzo, Henrique, Wendel, Jussiê, Mariano e, atualmente, Malcom.

O volante de 23 anos foi personagem central da edição #70 de Le Podcast du Foot. Otávio conversou com Eduardo Madeira e Renato Gomes sobre a chegada ao Bordeaux e a primeira metade de temporada na França.

Dê play abaixo e escute o programa: