Le Podcast du Foot #93 | Dois franceses nas oitavas

Dos três franceses que estavam na fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa, dois continuam vivos para as oitavas de final, que serão disputadas a partir de 2019.

O mais badalado deles é o Paris Saint-Germain. O campeão francês passou trabalho, correu riscos de ser eliminado precocemente, mas embalou após vitória sobre o Liverpool e avançou em primeiro no Grupo C. O PSG terá a companhia do Lyon, que avançou com campanha invicta, mas com um impressionante desempenho de uma vitória e cinco empates.

A decepção fica por conta do Monaco. Depois de uma semifinal em 2016/17, os monegascos param pela segunda vez seguida na fase de grupos, sem sequer vencer.

O desempenho dos três times que representavam a França foi tema de análise na edição #93 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira, Filipe Papini e Flávio Botelho comentaram sobre o desempenho, as classificações e eliminações e diagnosticaram os pontos a serem levados em conta para o mata-mata.

Confira o programa abaixo:

Anúncios

Le Podcast du Foot #88 | As variadas emoções na rodada da Champions

Foi dada a largada para a fase de grupos da Uefa Champions League e para os três representantes da França, somente um misto de emoções pode resumir o pontapé inicial no principal torneio continental da Europa.

O Paris Saint-Germain, por exemplo, foi da frustração a euforia e terminou decepcionado com a derrota por 3 a 2 diante do Liverpool, atual vice-campeão. Mais do que o revés, a forma como o time jogou deixou um recado bem claro de que a diretoria tem muito o que fazer para não repetir os fiascos recentes.

Já o Monaco, com elenco enfraquecido e temporada incerta, alimentou o sonho de uma vitória sobre o poderoso Atlético de Madrid, mas terminou triste e conformado com uma derrota de virada por 2 a 1.

Quem se sobressaiu foi o Lyon, que surpreendeu a Europa ao bater o campeão inglês, Manchester City em solo britânico. O triunfo por 2 a 1, coroado por grande atuação de Nabil Fekir – autor de um gol e uma assistência – deixa o time de Bruno Génésio na liderança do grupo que ainda tem Shakhtar Donetsk e Hoffenheim – que empataram em 2 a 2.

O misto de emoções nas estreias dos times franceses pautou a edição #88 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira e Renato Gomes analisaram os confrontos e contaram com as participações de Vinícius Ramos, do Ici c’est Paris, e Pedro Henrique Natario, do AS Monaco Brasil, que comentaram sobre seus respectivos times.

Ouça abaixo o podcast completo:

Lembranças de uma noite de setembro

O dia 13 de setembro de 2005 entrou para a história do Lyon | Foto: AFP/Jean-Phillipe Ksiazek

Se hoje é o Paris Saint-Germain quem chama a atenção dos jovens e fãs de futebol quando o assunto é clube francês, na década passada, quem cumpria esse papel com maestria era o Lyon. Com uma ascensão meteórica, o time presidido pelo lendário Jean-Michel Aulas, acostumado a ocupar posições intermediárias em solo doméstico, conquistou o primeiro título francês em 2002 e só parou de erguer taças em 2008. Tudo isso com o brilhantismo de um ídolo nato: Juninho Pernambucano. Poucas vezes se viu uma química tão grande entre clube, atleta e torcida.

Uma das grandes noites daquele time, que ainda tinha personagens marcantes como Gregory Coupet, Cris, Cláudio Caçapa, Florent Malouda e outros, foi exatamente no dia 13 de setembro de 2005. Pela frente do campeão francês, o estrelado Real Madrid, ainda na era Galáctica sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, pela primeira rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões da Europa.

Aqueles próximos 90 minutos sob o Estádio Gerland lotado entrariam para a história do clube.

Faltava protagonismo

Maribor provocou o primeiro grande pesadelo europeu do Lyon | Foto: Divulgação

Se hoje nos acostumamos a ver o Lyon disputando copas europeias, o hábito era diferente até metade da década de 90. Salvo discretas participações em torneios de segundo escalão, o OL disputou a primeira Liga dos Campeões apenas na temporada 1999/00 – depois de alguns anos com disputas pouco efetivos na antiga Copa da Uefa.

A primeira participação em Liga dos Campeões, porém, foi traumática. Jogando contra o modesto Maribor, da Eslovênia, o Lyon perdeu a vaga ainda na primeira eliminatória, ao ser derrotado nos dois jogos por 1 a 0 na França e 2 a 0 em solo esloveno.

Naquele mesmo ano, o OL conseguiu um feito ainda maior na Copa da Uefa: venceu o alemão Werder Bremen por 3 a 0 no Gerland e conseguiu perder por 4 a 0 na volta e dar adeus precocemente, na terceira fase.

Nos anos seguintes, o Lyon se recompôs e conseguiu resultados mais expressivos. Em 2000/01, por exemplo, só caiu na segunda fase de grupos da Liga dos Campeões, quando tinha os poderosos Bayern e Arsenal pela frente, e em 2003/04 e 2004/05, foi eliminado nas quartas-de-final para o futuro campeão Porto e nos pênaltis pelo PSV, respectivamente.

O time amadurecia temporada após temporada, dominava o solo doméstico e dava amostras claras de que estava pronto para dar o salto adiante na Europa.

Noite mágica no Gerland

Aulas foi atrás do veterano Houllier em 2005 | Foto: Divulgação

Para dar o passo além na temporada 2005/06, um novo treinador. Paul Le Guen pediu as contas e um velho conhecido do futebol francês foi chamado: Gérard Houllier, ex-técnico de PSG, Liverpool e seleção francesa.

Apesar de conseguir um treinador tarimbado e buscar reforços importantes, como os meio-campistas Benoît Pedretti e Tiago, o atacante norueguês John Carew e a então jovem revelação brasileira Fred, Aulas não teve forças para segurar o ótimo volante Mickael Essien. Mesmo renovando contrato com o ganês, o Chelsea investiu 28 milhões de euros no atleta e o tirou do Gerland.

O início de temporada foi promissor e o Lyon emendou cinco vitórias e um empate nas primeiras seis rodadas de Campeonato Francês. Mas isso era pouco para as ambições do clube e o grande teste veio três dias depois de desbancar o Monaco por 2 a 1, na 6ª rodada do torneio nacional.

Pela frente naquele dia 13 de setembro, o galáctico Real Madrid. De um lado, o esquadrão brasileiro de Cris, Caçapa e Juninho e, do outro, o estrelado time de Robinho, Beckham e Raúl, sob a regência de Vanderlei Luxemburgo – que estava desfalcado de Zidane, Figo e Ronaldo, é bem verdade.

Sem dúvidas que se tratava de um jogo especial.

O Lyon sabia disso e entrou com a seriedade necessária para uma partida desta envergadura. Cris e Caçapa, como era padrão, mantinham a virilidade de seu jogo, não abandonando nenhuma dividida, sempre com o amparo de um meio-campo forte, mas ao mesmo tempo técnico, composto por Diarra, Tiago e Juninho, que constantemente trocavam de posição.

Se nas divididas isso acabava sendo positivo, em alguns momentos extrapolava e, em menos de dez minutos, o Lyon deu ao Real Madrid duas faltas na entrada da área. Beckham e Roberto Carlos não aproveitaram as chances, mas deram um aviso claro ao Lyon: poderiam errar uma cobrança, mas duas seria difícil.

Só que o recado valia para o outro lado também. O 8 do OL era simplesmente Juninho, dono de um pé direito potente e calibrado, no auge da carreira. Míchel Salgado, porém, parecia não saber disso.

Aos 19 minutos, cometeu uma falta boba em Malouda. Era uma bola quase perdida no lado esquerdo. Afoito, puxou o atacante pelo ombro, levando-o ao chão. Não era uma falta para cobrança direta, mas boa para jogar na área e provocar dores de cabeça ao goleiro Iker Casillas.

Insatisfeito por provocar tal perigo a própria meta, Salgado completou o serviço. Juninho cobrou a falta em direção da área e o lateral, além de dar ao menos três passos adiante, esticou os braços para bloquear o chute. A falta ficou mais perto ainda.

Lembram do recado “errou uma, mas duas seria difícil”? Juninho, desta vez, cobrou forte, na direção do gol. Carew, que vinha sendo o desafogo do time com seus pivôs, deu uma casquinha na bola quase imperceptível. O leve desvio foi suficiente para impedir a defesa de Casillas, que até tocou na bola, mas a viu morrer dentro das redes.

E era aberta a contagem.

De pé calibrado, Juninho participou do primeiro gol | Foto: AFP/Jean-Philippe Ksiazek

O Real, de Luxa, era uma contradição só. Se sobrava técnica com Beckham, Robinho, Raúl e Roberto Carlos, exalava jogo físico e bruto com Thomas Gravesen, Pablo García e Míchel Salgado. Em campo, um 4-4-2 bem brasileiro, com dois volantes, dois meias, um atacante mais móvel e outro para empurrar a bola para as redes.

E dessa contradição, a truculência parecia falar mais alto. Num intervalo rápido, de pouco mais de dois minutos, três faltas, duas em Juninho e uma em Diarra. Pobre do time que não aprende com os próprios erros.

A falta de Raúl em Diarra foi típica de quem não sabe marcar. Foi um prato cheio para Juninho. A distância não foi problema, ainda mais quando Casillas colocou apenas três jogadores na barreira. Chute forte, de pé direito, rasante. O único quique no chão foi antes de fugir do alcance do goleiro espanhol e beijar as redes.

Como um boxeador prestes a ir a lona, o Real Madrid balançava no gramado do Gerland. Não sabia para onde ia, tampouco qual o rumo das jogadas do Lyon. Quando o relógio marcava 31 minutos, veio o golpe que praticamente nocauteou os galácticos.

De Wiltord para Réveillère.

De Revéillère para Wiltord.

De Wiltord para o gol.

O jogo no Gerland nem bem tinha completado 30 minutos e o Lyon já colocava um imponente 3 a 0 em cima do Real Madrid. Três gols dos 21 aos 31 minutos. Dez minutos de loucura, de brilhantismo, que mostraram para o que o OL vinha naquela temporada.

O estrago só não foi maior porque Juninho desperdiçou um pênalti aos 40 minutos.

A segunda parte do jogo foi protocolar. Numa nova analogia ao boxe, Juninho e companhia esperavam apenas o fim da luta para vencer por pontos. O Real Madrid se esforçou e martelou, mas esbarrou em Cris e Caçapa. Imponentes e eficientes, os brasileiros tiveram atuação para ser lembrada.

Se a primeira impressão é a que fica, a imagem que o Lyon deixou naquela estreia pautou toda a campanha ao longo da Liga dos Campeões. O time de Houllier ficou a apenas dois minutos da semifinal da competição. Na fase de grupos, além do Real, ficaram pelo caminho Olympiakos e Rosenborg.

Nas oitavas-de-final, uma revanche para cima do PSV Eindhoven, que na temporada anterior tirou o OL nos pênaltis em jogo polêmico até hoje devido a um pênalti – escandaloso – não marcado em cima de Nilmar na prorrogação. Desta vez, atropelo: 5 a 0 no agregado.

Os franceses caíram apenas nas quartas-de-final para o Milan em dois jogos duros. Na ida, no Gerland, 0 a 0. No San Siro lotado, com mais de 80 mil pessoas, Inzaghi colocou o Milan em vantagem, mas Diarra empatou ainda na primeira etapa. O placar se manteve assim até os 43 minutos da etapa complementar, quando Pippo apareceu novamente, aproveitando sobra de bola que bateu nas duas traves, fez 2 a 1 e abriu caminho para a classificação, que seria completada com mais um gol.

Momentaneamente, ficou a tristeza de não vir uma classificação para a semifinal que esteve a ponto de se concretizar. Na história, porém, ficou o legado daquele time. O Lyon, dominante em solo local, mostrou, enfim, que poderia ir além. Bateu poderosos, jogou de igual para igual com times pesados, mostrou do que era capaz. Aquele 13 de setembro durou longos anos para uma torcida inebriada por uma equipe que deixa saudades até hoje.

Ficha técnica:

Lyon 3×0 Real Madrid

Liga dos Campeões – Grupo F

Estádio Gerland | 40.309 pessoas

Arbitragem: Massimo De Santis (Itália)

Lyon (4-3-3): Coupet; Réveillère, Cris, Caçapa e Berthod; Diarra, Tiago (Pedretti, aos 43’/2º) e Juninho; Wiltord (Govou, aos 36’/2º), Carew (Fred, aos 27’/2º) e Malouda – Técnico: Gérard Houllier

Real Madrid (4-4-2): Casillas; Salgado, Helguera, Ramos e Roberto Carlos; Gravesen (Guti, aos 16’/2º), Garcia, Beckham e Júlio Baptista; Robinho e Raúl – Técnico: Vanderlei Luxemburgo

Gols: 1×0 Carew, aos 21’/1º; 2×0 Juninho, aos 26’/1º; e 3×0 Wiltord, aos 31’/1º;

Cartões amarelos: Salgado, aos 20’/1º; Berthod, aos 23’/1º; Garcia, aos 39’/1º; Diarra, aos 7’/2º; e Beckham, aos 45’/2º;

Le Podcast du Foot #75 | Conturbado Lyon

O Lyon vive temporada atípica. Enfim estabilizado financeiramente após a construção do Estádio Groupama e com a venda de nomes como Alexandre Lacazette e Corentin Tolisso, o clube agiu bem no mercado de transferências, trouxe bons nomes para se juntarem as crias do clube, mas não consegue ser competitivo ao ponto de lutar pelo título francês e até mesmo pela vaga direta na fase de grupos da Liga dos Campeões.

Somado a isso, a temporada tem sido repleta de decepções, com eliminações precoces nas copas nacionais e na Liga Europa. Isso tudo coloca o trabalho do técnico Bruno Génésio em xeque e já é cogitada sua saída ao término da competição.

Le Podcast du Foot #75 debateu todas essas conjunturas da conturbada temporada do Lyon. Eduardo Madeira conduziu o programa ao lado de Filipe Papini, do Brasil Lyonnais. Ouça o programa abaixo:

Sob as bênçãos de Karim

Aos 19 anos, Aouar é uma das peças de desequilíbrio do Lyon | Foto: S. Guiochon/Le Progres

É difícil citar quem seria o principal jogador formado nas consagradas academias do Lyon, mas o certo é que entre tantos nomes citados, o de Karim Benzema estaria nas cabeças, seja pela qualidade e pelo que entregou dentro de campo, seja pela bem-sucedida carreira já fora do clube. E é exatamente sob as bênçãos do franco-argelino que surge a nova joia bruta do clube: Houssem Aouar.

Assim como Karim, o meio-campista de 19 anos tem raízes na Argélia, mas, por ter nascido em Lyon (curiosamente, nasceu em meio a Copa do Mundo no país, em 1998), adotou a França como casa. Igualmente ao madridista, Aouar também foi lapidado no OL assim que chegou ao clube aos 11 anos de idade.

Desde então, queimou etapas, explodiu no sub-17 ainda abaixo da idade limite (aos 16 anos, fez 27 gols e deu 15 assistências em uma única temporada na categoria) e defendeu a equipe sub-19 sem nem ter 17 anos. O caminho natural era crescer cedo entre os profissionais, e é isso que estamos vendo de Aouar desde 2016/17.

“Eu gosto dele. Ele é técnico, tem boa visão e se bem trabalhado, pode ir longe”, disse Benzema no mês de março a RMC. E sob a bênção de Karim, começou a trajetória do meia.

Assim como em outros tantos casos da história recente do Lyon, Aouar ganhou espaço mediante a lacuna deixada por outros atletas mais tarimbados que não corresponderam. No caso dele, foi do holandês Memphis Depay, contratado por pomposos 25 milhões de euros, mas que viveu períodos de inconstância nos primeiros seis meses de França. Como Maxwell Cornet e Rachid Ghezzal não ofereciam a competitividade desejada, Aouar passou a garimpar espaço.

Já havia sido assim com Alexandre Lacazette tomando lugar de Jimmy Briand, com Maxime Gonalons ocupando brechas de Jean II Makoun e, mais recentemente, com Mouctar Diakhaby desbancando Nicolas N’Koulou. Depay, que chegou ao OL com status de estrela, se viu obrigado a jogar mais após ver a presença de um atrevido garoto de 19 anos.

Versatilidade como ponto forte

Aouar e seu fino trato com a bola | Foto: Instagram Oficial/Aouar

Aouar é o que muitos chamam de “falso lento”: parece caminhar em campo, estar desligado da partida, quando, na verdade, está atento 100% do tempo, possuindo uma agilidade e rapidez de pensamento impressionantes. A capacidade de leitura de jogo e movimentos também chamam a atenção no garoto de precoces 19 anos.

Observando esses predicados, o técnico Bruno Genesio já encontrou algumas fórmulas para encaixar Aouar no time titular, mesmo tendo um poderoso setor ofensivo com o já citado Depay, Mariano Diaz e Bertrand Traoré. Mediante a versatilidade do garoto, que tem o drible para abrir espaços pelo lado, mas possui o passe que quebra linhas, já o aproveitou na primeira faixa do meio-campo, ao lado de Tousart, em um 4-2-3-1.

Apesar de atuar também pelos lados (assim que começou a incomodar Depay), foi na função encontrada por Genesio que conseguiu ser mais influente para o time. Pode não ser um meio-campista rompedor, como era Corentin Tolisso, transferido do Lyon para o Bayern nesta temporada, mas é combativo, enxerga e preenche bem os espaços e possui passe de extrema qualidade, capaz de romper linhas adversárias. Curiosamente, sempre teve como referências o próprio Tolisso e Juninho Pernambucano, que jogavam exatamente naquela função.

Fora essas virtudes no passe, Aouar é um driblador nato. Somando esta qualidade ao raciocínio rápido e leitura de movimentos de adversários, ele se mostra capaz de fazer os mais ríspidos marcadores parecerem baratas tontas quando baterem de frente com ele.

Hoje, Aouar está no time ideal do Campeonato Francês do site WhoScored, especializado em estatísticas, com média de 7.6. Já o Squawka aponta que ele tem média de 85% passes certos, sendo que 57,5% são passes para frente. Fatalmente, será eleito a revelação da temporada na França e, com alguma sorte, poderá pintar na lista dos favoritos de Didier Deschamps para a Copa da Rússia – por que não?

Sorte a nossa de ver mais um talento puro que o Lyon apresenta para o mundo. Sob as bênçãos de Karim, será mais um que nos fará admirar ainda mais o bom futebol que une em um único jogador as maiores virtudes argelinas e francesas.

O passo adiante de Lacazette

Lacazette foi anunciado no Arsenal nesta quarta-feira (5) | Foto: Divulgação/Arsenal

Chegou a hora de Alexandre Lacazette. Após algumas temporadas tendo nome ventilado em algumas das principais equipes do futebol europeu, enfim apareceu o momento de deixar o Olympique Lyonnais e buscar voos maiores no Arsenal, disputando a badalada Premier League.

Vendido aos Gunners por € 53 milhões, o atacante formado no próprio Lyon sai do clube com diversas sensações. Individualmente, deixa a França com o status de quarto maior goleador da história do OL, com 129 tentos. Se continuasse onde está, fatalmente subiria mais no ranking, já que o terceiro e o quarto colocado, Serge Chiesa e Bernard Lacombe, respectivamente, estão com 134 e 149 gols.

Além disso, Lacazette se tornou o jogador do Lyon com mais gols em uma única temporada do Campeonato Francês. Primeiro, em 2014/15, bateu recorde histórico de André Guy, de 1968/69, com 25 gols, terminando o ano com 27 tentos. Na última edição do torneio nacional, Laca bateu o próprio recorde e marcou 28 vezes.

Em contrapartida, coletivamente, a sensação é de que deixa um clube que não foi capaz de estar em mesmo nível. Desde a temporada 2009/10 entre os profissionais, conquistou apenas a Copa da França de 2012 pelo OL. Pouco, muito pouco.

As razões para esse currículo pouco extenso em títulos são várias e passam muito pelos técnicos incapazes de fazer o time render mais e até mesmo da montagem dos elencos, quase sempre desequilibrados e pautados no que o clube produzia na base. Lacazette, entregando pelo menos 20 gols desde 2013/14, certamente é o menor dos culpados por não ter conquistado tantos títulos.

O Lyon agora fica para trás e ele terá um árduo desafio pela frente na Premier League. O Campeonato Francês vem fornecendo um terreno fértil para os clubes ingleses, mas Lacazette é um dos poucos que vai com status elevado nas últimas temporadas. Com a iminente saída de Alexis Sanchez, o francês chega para ser o grande nome do comando de ataque do time de Arsène Wenger, até mesmo pelo status de maior negociação da história do clube inglês.

Só que da mesma maneira em que ir para a Premier League é um novo desafio na carreira de Lacazette, essa transferência também é um risco assumido a menos de um ano para a Copa do Mundo. Com apenas 11 jogos na seleção principal, um passo em falso na Inglaterra pode enterrar qualquer chance de estar no time inicial de Didier Deschamps na Rússia.

E sempre gosto de lembrar: a posição mais aberta dos Bleus é o ataque. A sombra de Lacazette ronda a posição há muito tempo, só que, hoje, Olivier Giroud é o cara da função. O estilo bruto de jogo do Gunner e os poucos indícios de que pode ser um atacante realmente capaz de decidir jogos grandes, porém, mantém a função órfã do descartado Karim Benzema. Em meio a isso, surgiu Kyllian Mbappé, o prodígio que desponta como o futuro francês e que já dá amostras de que pode ser aproveitado agora.

Por outro lado, é claro, Lacazette pode acertar em cheio, ter uma temporada de ouro e, enfim, se tornar um nome de peso na seleção. Basta lembrar o caso de Dimitri Payet, que trocou o Marseille pelo West Ham na temporada que culminaria com a Eurocopa. Explodiu na Inglaterra, teve temporada de destaque nos Hammers e chegou ao torneio europeu com status de peça-chave do time. Por que não pode acontecer o mesmo com o novo reforço do Arsenal?

A bola da vez

Desempenho na temporada faz Lacazette ser cobiçado por grandes clubes europeus | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Com contrato válido até junho de 2019 e avaliado em € 40 milhões, segundo o site Transfermarkt, o atacante Alexandre Lacazette é a bola da vez da França. No inconstante time de Bruno Genésio, é ele quem desequilibra, decide jogos e vem se tornando alvo de grandes clubes do continente europeu.

Até o momento, Laca já balançou as redes 31 vezes em 40 jogos na temporada, o que lhe dá uma impressionante média de um gol a cada 101 minutos. Só para termos ideia, o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, artilheiro da atual temporada da Bundesliga, tem 34 gols em 41 jogos na temporada inteira e, ainda assim, e tem a mesma média de um tento a cada 101 minutos.

Na Ligue 1, o aproveitamento do camisa 10 do Lyon é ainda mais impressionante: 24 gols em 2.173 minutos, distribuídos em 27 jogos, o que lhe dá média de um gol a cada 91 minutos, praticamente um por jogo. Ele é o vice artilheiro do torneio, atrás apenas do uruguaio Edinson Cavani, do PSG, que está com absurdos 31 gols em 31 jogos, um a cada 84 minutos.

Para serviço de comparação com os artilheiros das principais ligas europeias, em tempo médio de tentos, Lacazette só está atrás de três jogadores: além de Cavani, está Lionel Messi, do Barcelona (um gol a cada 78 minutos), e Aubameyang, do Borussia Dortmund (um a cada 90 minutos).

Camp. Artilheiro Clube J G Tempo pra gol
ESP Lionel Messi Barcelona 29 31 78 minutos
FRA Edinson Cavani Paris SG 32 31 84 minutos
ALE Pierre Aubameyang Dortmund 28 27 90 minutos
ITA Andrea Belotti

Edin Dzeko

Torino

Roma

33

33

25

25

105 minutos

109 minutos

ING Romelu Lukaku Everton 33 24 121 minutos
FRA Alexandre Lacazette Lyon 27 24 91 minutos

Convenhamos que ficar atrás de Messi é algo natural. Cavani, no nível que atingiu nesta temporada, também. Com Aubameyang, é praticamente um empate técnico nos números.

Hoje é fato: Lacazette é um dos principais fios condutores do Lyon nesta temporada. Decisivo, importante e poderoso em suas finalizações, ele é o ponto de desequilíbrio e quem pode decidir jogos para a equipe. Na Liga Europa, por exemplo, já vimos isso contra Roma e Besiktas nas últimas fases. Aliás, apenas um parêntese: a lesão que sofreu contra a equipe turca pode o tirar das semifinais diante do Ajax, o que significa um prejuízo quase que incalculável para o técnico Bruno Genésio.

Mas voltando aos números, essa importância de Lacazette ao Lyon fica mais evidente quando observamos que 36% dos gols da equipe no Campeonato Francês saíram de conclusões dele. Mais impressionante ainda é constatar que 50% dos gols do time como visitante foram do artilheiro lyonnais.

Contrato de Laca com o OL vai até o meio de 2019 | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Atualmente, Lacazette possui muitas valências que um jogador de sua posição precisa ter: inteligência, bom posicionamento, velocidade, saída da área e poder de finalização. Peca ainda em algumas questões de repertório na hora da conclusão, tendo em vista que 19 dos 24 gols foram marcados de pé direito – um foi de cabeça e outro de canhota.

Ainda assim, vale o investimento. Aos 25 anos de idade, ele já está atuando em excelente nível e ainda possui boa margem de progressão para as próximas temporadas. A renovação contratual dificilmente irá sair e, com isso, Ligue 1, que tem sido um ótimo celeiro de atletas para clubes de ligas mais competitivas (a Premier League me confirma essa afirmação), apresenta ao mercado um Lacazette pronto para explodir. Cabe agora chegarem a um meio-termo com Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon.