A bola da vez

Desempenho na temporada faz Lacazette ser cobiçado por grandes clubes europeus | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Com contrato válido até junho de 2019 e avaliado em € 40 milhões, segundo o site Transfermarkt, o atacante Alexandre Lacazette é a bola da vez da França. No inconstante time de Bruno Genésio, é ele quem desequilibra, decide jogos e vem se tornando alvo de grandes clubes do continente europeu.

Até o momento, Laca já balançou as redes 31 vezes em 40 jogos na temporada, o que lhe dá uma impressionante média de um gol a cada 101 minutos. Só para termos ideia, o gabonês Pierre-Emerick Aubameyang, artilheiro da atual temporada da Bundesliga, tem 34 gols em 41 jogos na temporada inteira e, ainda assim, e tem a mesma média de um tento a cada 101 minutos.

Na Ligue 1, o aproveitamento do camisa 10 do Lyon é ainda mais impressionante: 24 gols em 2.173 minutos, distribuídos em 27 jogos, o que lhe dá média de um gol a cada 91 minutos, praticamente um por jogo. Ele é o vice artilheiro do torneio, atrás apenas do uruguaio Edinson Cavani, do PSG, que está com absurdos 31 gols em 31 jogos, um a cada 84 minutos.

Para serviço de comparação com os artilheiros das principais ligas europeias, em tempo médio de tentos, Lacazette só está atrás de três jogadores: além de Cavani, está Lionel Messi, do Barcelona (um gol a cada 78 minutos), e Aubameyang, do Borussia Dortmund (um a cada 90 minutos).

Camp. Artilheiro Clube J G Tempo pra gol
ESP Lionel Messi Barcelona 29 31 78 minutos
FRA Edinson Cavani Paris SG 32 31 84 minutos
ALE Pierre Aubameyang Dortmund 28 27 90 minutos
ITA Andrea Belotti

Edin Dzeko

Torino

Roma

33

33

25

25

105 minutos

109 minutos

ING Romelu Lukaku Everton 33 24 121 minutos
FRA Alexandre Lacazette Lyon 27 24 91 minutos

Convenhamos que ficar atrás de Messi é algo natural. Cavani, no nível que atingiu nesta temporada, também. Com Aubameyang, é praticamente um empate técnico nos números.

Hoje é fato: Lacazette é um dos principais fios condutores do Lyon nesta temporada. Decisivo, importante e poderoso em suas finalizações, ele é o ponto de desequilíbrio e quem pode decidir jogos para a equipe. Na Liga Europa, por exemplo, já vimos isso contra Roma e Besiktas nas últimas fases. Aliás, apenas um parêntese: a lesão que sofreu contra a equipe turca pode o tirar das semifinais diante do Ajax, o que significa um prejuízo quase que incalculável para o técnico Bruno Genésio.

Mas voltando aos números, essa importância de Lacazette ao Lyon fica mais evidente quando observamos que 36% dos gols da equipe no Campeonato Francês saíram de conclusões dele. Mais impressionante ainda é constatar que 50% dos gols do time como visitante foram do artilheiro lyonnais.

Contrato de Laca com o OL vai até o meio de 2019 | Foto: S. Guiochon/Le Progrés

Atualmente, Lacazette possui muitas valências que um jogador de sua posição precisa ter: inteligência, bom posicionamento, velocidade, saída da área e poder de finalização. Peca ainda em algumas questões de repertório na hora da conclusão, tendo em vista que 19 dos 24 gols foram marcados de pé direito – um foi de cabeça e outro de canhota.

Ainda assim, vale o investimento. Aos 25 anos de idade, ele já está atuando em excelente nível e ainda possui boa margem de progressão para as próximas temporadas. A renovação contratual dificilmente irá sair e, com isso, Ligue 1, que tem sido um ótimo celeiro de atletas para clubes de ligas mais competitivas (a Premier League me confirma essa afirmação), apresenta ao mercado um Lacazette pronto para explodir. Cabe agora chegarem a um meio-termo com Jean-Michel Aulas, presidente do Lyon.

Le Podcast du Foot #62 | Desafios europeus de Monaco e Lyon

Os sobreviventes franceses nas competições europeias estiveram em pauta na edição #62 de Le Podcast du Foot. Eduardo Madeira conduziu o programa, que teve os comentários de Renato Gomes, do Centrocampismo, e Vinícius Ramos, do Ici C’est Paris.

Entre os assuntos debatidos esteve o confronto entre Monaco e Borussia Dortmund, pela Champions League. Na terça (11), começa a disputa com a partida de ida, na Alemanha. Será que o time do Principado terá força e ritmo para disputar a série com o BvB e manter o pique nas competições domésticas?

Já o Lyon, que declaradamente abriu mão do Campeonato Francês e passou a focar na Europa League, vai encontrar o Beşiktaş, de Şenol Güneş (técnico responsável por levar a Turquia ao terceiro lugar na Copa de 2002). Ao contrário do Monaco, os gones jogarão a primeira partida em casa, na quinta (13). Não será um confronto fácil e o podcast avaliou as chances do OL no confronto.

Você pode ouvir o programa clicando na imagem abaixo:

Trilha: Ao fundo da edição #62 de Le Podcast du Foot você estará ouvindo a banda Noir Desir e o álbum Des Visages des Figures, lançado em 2001. Com esse álbum, o grupo formado nos anos 80 e que seguiu na ativa até 2010 obteve o disco de platina e ainda ganhou o prêmio de “Álbum de Rock do Ano”, em 2002. O CD completo está disponível no YouTube:

Depay e Sanson: os grandes negócios da janela francesa

O período de abertura da janela de transferências de inverno vai seguindo para as semanas finais, mas, na França, pelo menos nesta semana, não foi para Paris que se direcionaram os grandes negócios no Campeonato Francês. A dupla de Olympiques – Lyonnais e Marseille – acertou as contratações de Memphis Depay e Morgan Sanson, respectivamente, e movimentaram os últimos dias na Ligue 1.

Das duas, a negociação que mais chamou a atenção foi a de Depay, de 22 anos, que está no Manchester United. A transferência ainda não é oficial, mas está quase lá. O Lyon, inclusive, publicou foto do holandês chegando na França para finalizar os últimos termos do contrato. Especula-se entre os órgãos de imprensa franceses e ingleses que o OL pagará € 16,5 milhões, mais € 8 milhões de bônus, caso atinja alguns objetivos.

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Valorizado após a Copa do Mundo de 2014, Depay não correspondeu às expectativas em duas temporadas e meia em Manchester e em 56 jogos pelo clube, anotou apenas sete gols e deu sete assistências.

Nesta temporada, com José Mourinho no comando, os números são piores e o holandês atuou em apenas 134 minutos, distribuídos em míseros oito jogos. São estatísticas que contrastam bastante com os 50 gols e 29 assistências nos tempos de PSV Eindhoven, na Holanda.

Na França, Depay tem tudo para dar certo na ponta esquerda do Lyon. Talento tem de sobra e pode acrescentar com um jogo mais agressivo pelas laterais. Uma das ideias, evidentemente, é fazer com que o OL, time que tem a maior média de chutes por jogo da Ligue 1 e é o terceiro melhor ataque da temporada, consiga explorar ainda mais este recurso.

Entretanto, dois fatores preocupam. O primeiro deles é o ritmo de jogo. Como citei acima, Depay foi pouco aproveitado por Mourinho e, em função disso, está inativo desde o dia 24 de novembro do último ano, quando atuou por apenas oito minutos contra o Feyenoord, pela Liga Europa. Importante ressaltar que o máximo de minutos que o holandês teve em uma partida nesta temporada foi 55, contra o Northampton Town, pela Copa da Liga.

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

O outro fator seria uma possível decepção pelas cifras envolvidas. Ao pagar a bagatela de mais de € 16 milhões, o Lyon transmite um recado bem claro a Depay: “queremos você jogando e sendo decisivo”.

O próprio OL tem um trauma com altos investimentos que deram errado, vide os casos de Yoann Gourcuff (€ 22 milhões), Kader Keitä (€ 16,8 milhões) e Aly Cissokho (€ 16,2 milhões), contratados a peso de ouro, mas que deixaram o clube pela porta dos fundos. Uma nova decepção em um investimento caro seria um duro golpe na autoestima de um clube que busca, a sua maneira, competir com os milionários PSG e Monaco.

Além disso, vale ressaltar que a Ligue 1 tem sido terreno fértil para clubes de outros ligas deitarem e rolarem, gastando pouco e tendo um retorno muito maior, tanto dentro de campo, quanto financeiramente. Alguns exemplos são Dimitri Payet, contratado pelo West Ham junto ao Marseille por € 15 milhões, e N’Golo Kanté, trazido do Caen pelo Leicester City por € 9 milhões, valores que são relativamente pequenos para clubes ingleses.

Alguns torcedores, desconfiados com a contratação de Depay, se perguntam: não seria melhor garimpar algum talento na França por um valor menor? Só o tempo para responder.

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

A negociação que já é oficial, entretanto, envolve o meio-campista Morgan Sanson, de 22 anos. Ele foi contratado pelo Marseille, junto ao Montpellier, pelo valor de € 9 milhões, com € 3 milhões de bônus.

O OM adquiriu um meio-campista completo. Sanson pode fazer a função defensiva e ofensiva e deve contribuir de várias maneiras ao time comandado por Rudi Garcia. É um jogador de muita técnica, boa distribuição de jogo e que possui, principalmente, boa decisão de jogadas e sabe o que fazer na hora de articular uma situação de gol.

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Na atual temporada, Sanson era um dos poucos que vinha se salvando na péssima temporada do Montpellier, tendo marcado três gols e distribuído sete assistências. Já não é de hoje que vinha fazendo boas exibições no MHSC e foi premiado agora com essa transferência.

O grande impasse sobre Sanson é sobre a concentração mesmo. O Marseille já trouxe a pouco tempo outras revelações do futebol francês, como Florian Thauvin e Remy Cabella, mas ambos não conseguiram ainda repetir as atuações que os projetaram até a Premier League, por exemplo. Certamente há um temor em Garcia e em toda a direção que um novo garoto problema surja. O histórico de Sanson não aponta isso, mas o ambiente turbulento do OM é propício para pressões extremas, “criando” novos flops. À primeira vista, é um grande negócio do OM.

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Com o passar das semanas, a tendência é que o mercado fique mesmo mais agitado. Quem ainda almeja algo na temporada, certamente vai mexer os pauzinhos para trazer novos reforços e cumprir com as metas. Alguns ainda vão tentar se estabelecer com o que tem e segurar as suas peças. A única certeza é que o mercado francês já está tendo suas movimentações de impacto.

Olympique Lyonnais: a boa nova do Campeonato Francês

Foto: Guiochon - Le Progrès

Foto: Guiochon – Le Progrès

Caros irmãos e irmãs, venho por meio desta anunciar a boa nova do Campeonato Francês: o Olympique Lyonnais.

Formalidades paroquiais à parte, o Lyon realmente é a melhor notícia da Ligue 1 nesta primeira metade de temporada, encerrada no último dia 21. Em um campeonato com dois times milionários e com outra equipe que possui um treinador que é referência para, simplesmente, Pep Guardiola, ver o OL apresentando um futebol vistoso, ofensivo e, principalmente, marcado por um bom trabalho de base é o que anima os amantes do bom jogo.

Esse desempenho é notado especialmente quando comparamos números entre um ano e outro. O Lyon teve uma ceia natalina indigesta em 2013, passando as festas de fim de ano no 11º lugar, com apenas seis vitórias em 19 jogos. Além disso, a equipe então comandada por Rémi Garde havia sofrido 27 gols – apenas Ajaccio, Sochaux, Valenciennes (que estavam na zona de rebaixamento e viriam a ser rebaixados) e Evian haviam sofrido mais. Neste ano a história é diferente. Com o promissor Hubert Fournier, ex-Stade de Reims, no comando técnico, Les Gones encerraram o primeiro turno na segunda colocação, afrente do atual bicampeão Paris Saint-Germain. O Lyon têm 39 pontos e tem o melhor ataque da competição com 40 gols.

Evidentemente que boa parte desse desempenho passa pelos pés do atacante Alexandre Lacazette, autor de 17 dos 40 gols e ainda responsável por cinco assistências. Ou seja, o artilheiro da competição participou de impressionantes 55% dos gols do time no campeonato. Números impressionantes que o colocam como um dos grandes nomes da temporada europeia até o momento.

Um detalhe interessante desta marca do atacante é que ele não fez nenhum gol de pé esquerdo. Dos 17 tentos, 15 foram de pé direito e dois foram anotados de cabeça. Confira abaixo os mapas dos gols de Lacazette:

Arte: Squawka

Arte: Squawka

Combinação que dá certo

Falou em franco-argelino no Lyon, logo nos lembramos de Karim Benzema, que vestiu a camisa do OL por cinco temporadas, fez 66 gols e foi campeão francês quatro vezes. A fórmula parece que foi novamente usada e vai tendo sucesso, claro, com suas devidas proporções. Falo do habilidoso Nabil Fekir, meia-atacante de 21 anos.

O franco-argelino foi lançado por Rémi Garde na temporada passada, mas teve números discretíssimos. Apenas 544 minutos em campo na Ligue 1, sendo 11 partidas e apenas seis como titular. Fez um gol e deu duas assistências… Todos registrados no mesmo jogo (vitória por 4×1 sobre o Bastia). Na atual temporada, Fekir já tem mais que o dobro de minutos e tem desempenho além do satisfatório. Foram seis gols e quatro assistências.

Hoje ele é, tranquilamente, um dos principais jogadores do campeonato. E não são só os números que me fazem afirmar isso, mas também o contexto do time. Fekir é meia armador, joga mais centralizado no já calejado 4-3-1-2 do OL. Olhando o elenco, você sabe quem poderia jogar por ali? Clément Grenier e Yoann Gourcuff, só isso. O primeiro ainda nem estreou na temporada, sofrendo com problemas no adutor da coxa, já o segundo atuou em apenas sete jogos, mas foi importante na vitória sobre o Marseille, anotando o gol da vitória.

Sem Grenier e Gourcuff, a pressão recaiu sobre Fekir, que soube driblar bem a carga extra de cobrança (e seus marcadores também) para ser um dos destaques da equipe.

A fortaleza de aço

Foto: Guiochon - Le Progrès

Foto: Guiochon – Le Progrès

Outro fator preponderante para a excelente campanha do Lyon é o desempenho jogando no estádio Gerland. Dos 39 pontos, 27 foram conquistados em casa – 69,2% dos pontos. Como mandante, o OL tem impressionantes 90% de aproveitamento, tendo vencido nove jogos e perdido um nos dez que fez no primeiro turno. Além do mais, 25 dos 40 gols foram marcados em casa, assim como cinco dos 17 sofridos.

Para efeito de comparação, o Lyon somou 31 pontos jogando em casa na temporada passada toda e 37 na anterior! É impossível imaginar que não vá bater esses números. Aliás, o OL venceu oito jogos como mandante na temporada 2013/2014. Já tem uma vitória há mais nesta temporada.

Vale ressaltar que nos sete anos consecutivos em que ergueu o troféu de campeão nacional, o máximo de pontos que o Lyon somou em casa no primeiro turno foi 23, número que certamente anima ainda mais o torcedor mais fanático.

Base

Mas o que mais chama a atenção na ótima campanha do Lyon no Campeonato Francês é o trabalho muito bem feito com as categorias de base. Como frisei algumas vezes no blog e também no podcast, o OL tem sido muito mais um clube formador do que comprador. Isso se reflete na política do clube, que vendeu nos últimos anos Benzema, Michel Bastos, Lisandro Lopez, Hugo Lloris e outros e não repôs com contratações, mas sim com atletas criados no próprio Lyon.

Somente nesta primeira metade de temporada, o técnico Hubert Fournier utilizou 23 jogadores, 14 deles eram formados pelo clube, sendo alguns mais calejados, como Maxime Gonalons, Steed Malbranque, outros em momento de afirmação, como Samuel Umtiti, Alexandre Lacazette e Jordan Ferri e outros expoentes como Nabil Fekir, Clinton N’Jie, Corentin Tolisso e Yassine Benzia. O detalhe é que entre os dez que mais jogaram pelo OL no primeiro turno, apenas o lateral Christophe Jallet e o volante Arnold Mvuemba não são da base.

E vale lembrar que o Lyon investiu somente 3 milhões de euros nesta temporada e em apenas duas contratações: Jallet e Lindsay Rose. Para ter uma ideia, o Rennes, oitavo colocado com 28 pontos, investiu mais de 10 milhões de euros em contratações, mais que o dobro que o OL e tem resultados absolutamente inferiores.

Logo você para pra ver que esse mesmo Lyon dos 3 milhões de euros está na frente do PSG, que gastou quase 50 milhões, e coladinho no Marseille, que investiu 20,5 milhões em contratações. Em uma analogia meio fanfarrona, é a vitória da metodologia agricultora: você planta e colhe – e no futuro vai vender. O presidente Jean-Michel Aulas pode até não sair com o caneco no final da temporada, mas vai poder dizer que sua ideia está dando certo e o Lyon está formando excelentes jogadores. Que essa boa nova permaneça e possamos vê-la se disseminando em outros clubes franceses.

Le Podcast du Foot #52

Foto: Yannick Parienti (OM.net)

Foto: Yannick Parienti (OM.net)

O único programa em áudio da internet brasileira dedicado única e exclusivamente ao futebol francês está de volta! Nesta semana de festas de fim de ano, a equipe de Le Podcast du Foot se reuniu para realizar a edição #52 do programa e trazer um balanço do que teve de bom e de ruim no primeiro turno do Campeonato Francês.

Depois de 19 rodadas, o Olympique de Marseille, do argentino Marcelo Bielsa, terminou na liderança com 41 pontos. Logo em seguida, com 39, vem o surpreendente Lyon, que tem o artilheiro da competição, Alexandre Lacazette, com 17 gols. Na terceira colocação está a principal decepção da temporada: o milionário Paris Saint-Germain, que não faz jus aos investimentos e acumula oito empates no torneio, o líder no quesito.

Le Podcast du Foot #52 tem a apresentação de Eduardo Madeira e os comentários de Filipe Papini e Vinícius Ramos. Nesta edição também contaremos com a participação especial de Thiago Simões, comentarista dos Canais ESPN, que se juntou a nosso time de analistas neste podcast.

Clique na imagem abaixo e ouça o programa:

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Ultras do Lyon entram na onda do “Decime que se siente”

Foto: Bad Gones 1987 - Officiel

Foto: Bad Gones 1987 – Officiel

Durante a Copa do Mundo de 2014, a torcida argentina chamou a atenção com um canto em que provocava o Brasil, o famoso “Brasil, decime que se siente”. A música é uma paródia do clássico Bad Moon Rising, do Creedence Clearwater Revival. De lá para cá, diversas torcidas têm adotado o canto e fazendo paródias, inclusive brasileiras, como as de Vasco da GamaAmérica Mineiro.

Confira a matéria completa

no Doentes Por Futebol

Com novo esquema, Lyon encontra jogo variável, mas elenco preocupa

Gomis marcou o segundo gol do Lyon na vitória sobre o Guingamp

Gomis marcou o segundo gol do Lyon na vitória sobre o Guingamp

Após cinco partidas, o Olympique Lyonnais voltou a vencer no Campeonato Francês com o triunfo por 2-0 sobre o Guingamp, em partida válida pela 12ª rodada. Assim como na derrota contra o Monaco, na jornada anterior, Remi Garde escalou seu time no 4-3-1-2, com um losango no meio-campo, e, com equipe praticamente completa, viu seus comandados apresentarem jogo mais variável.

Essa variação aconteceu porque o tripé de meias casou direitinho. Maxime Gonalons era o homem central, ficando mais fixo e chefiando a defesa; Steed Malbranque possuía o toque mais clássico, além de ser veloz nos avanços. Se por vezes lhe faltava perna, ocasionada pela idade, sobrava qualidade no passe; já Gueida Fofana mesclava força física, velocidade e bom chute.

Em outras palavras: três jogadores e três características diferentes que foram deveras úteis para o Lyon durante a partida. O OL controlou a faixa central por possuir atletas capazes de preencher o meio tanto ofensivamente, quanto defensivamente.

Além disso, contar com uma trinca de meias versáteis possibilitou maior liberdade a Clément Grenier, que vinha de partidas muito ruins e foi ao menos mais ativo diante do Guingamp, apesar de estar, reconhecidamente, bem abaixo do que pode render.

No ataque, ficou nítido o bom entendimento tático de Bafetimbi Gomis e Alexandre Lacazette. O Predador deixa muito a área, é sua característica apesar de não ser muito técnico. Com isso, sempre deixa um vácuo em seu habitat-natural. Lacazette, observando isso, preencheu esse espaço, como visto no primeiro gol, no qual era o homem mais avançado.

Por vezes, também, os dois homens de frente abriram pelos flancos, o que possibilitava o avanço de Grenier pelo centro, como o famoso “falso nove”. Essa variação aconteceu mais diante do Monaco, já que, contra o Guingamp, o camisa 7 se deslocou mais para a direita.

Além disso, um fator tradicional dos esquemas em losango foi preponderante para o triunfo lionês: as laterais. Como esse sistema tático tende a focar a faixa central, abre-se um clarão nos flancos, logo, torna-se necessária a presença ofensiva dos laterais e, contra o Guingamp, isso foi bem explorado pelo Lyon.

No lado esquerdo, principalmente, Henri Bedimo mostrou a que veio. Após atuações pouco convincentes desde que veio do Montpellier, o atleta teve ótima participação diante dos rubro-negros e foi peça fundamental no ataque.

Mouhamadou Dabo, por visíveis deficiências técnicas, subiu pouco e preocupou-se mais com a marcação. Com isto, Grenier e Lacazette puderam flutuar mais pelo flanco direito.

Bastou um ótimo primeiro tempo (e duas falhas tolas do adversário) para o Lyon fazer o resultado de 2-0, que seguiu até o final da partida. O OL pressionou muito durante os primeiros 25 minutos, criou muitas chances e, apesar do bom comportamento defensivo adversário, mostrou uma atitude não vista nas rodadas anteriores.

Sistema

Só que o elenco é a maior preocupação de Remi Garde. O esquema em losango deu certo por contar com atletas específicos para cada posição, sem haver jogadores de características semelhantes entre os titulares. Foi necessária uma lesão para que tudo fosse desarticulado.

Gonalons sofreu entrada criminosa de Moustapha Diallo, que foi expulso, e deixou o campo lesionado, dando lugar a Jordan Ferri. Com isso, Fofana, que estava preocupado com providenciais avanços, atuou mais fixo na defesa, com Ferri, de características semelhantes à de Malbranque, atuando mais avançado.

No 11 contra 10, o Lyon não aparentava estar jogando um a mais, pois cedeu território ao Guingamp e não incomodou tanto a meta de Ndy Assembe.

E com isso fica a lição para Garde não se acomodar com o resultado, como costuma fazer. Não é porque o Lyon fez ótimo primeiro tempo no 4-3-1-2 que ele deve usar esse esquema todo jogo, já que, como fora supracitado, pro “3” do sistema, o técnico contava com três jogadores de estilos e aplicações em campo diferentes, o que lhe fornecia uma variação de jogo muito interessante.

Garde tem histórico de se acomodar após bons resultados imediatos e isto, para um técnico que trabalha com elenco curto e sem grandes valores individuais, nunca é bom. Lisandro López foi um dos que foi fritado pelo comodismo de Garde com um sistema tático. Por isso, é necessário que haja um entendimento do treinador que é necessário mexer no esquema quando as lesões lhe atrapalham. Falta material humano de qualidade, mas não falta elenco com atletas de variados valores individuais.

Na atual situação do Lyon, o importante é não se acomodar após bom resultado e atuação que apresente um horizonte agradável. A escassez do elenco não proporciona um conforto para Garde, tanto na questão dos jogos, quanto em sua situação de emprego.

Lopes está verde

Anthony Lopes deixou o gol do Lyon ainda na etapa inicial

Anthony Lopes deixou o gol do Lyon ainda na etapa inicial

Além de Gonalons, o Lyon perdeu o goleiro Anthony Lopes lesionado. Por volta dos 25 minutos da etapa inicial, o arqueiro lionês dividiu bola com o ataque do Guingamp e levou a pior, se contundindo e dando lugar a Mathieu Gorgelin.

Apesar de lamentarmos a lesão do atleta, fica uma lição para o português. A dividida se deu em um lance em que a saída da meta era absurdamente desnecessária, coisa rotineira para ele.

Hugo Lloris, quando ainda vestia a camisa do Lyon, também possuía o hábito de sair do gol em momentos errados, porém, eram em lances pontuais, como bolas na marca do pênalti e repletas de companheiros, onde sua permanência na meta lhe dava mais chances de defender. Com o tempo evoluiu e hoje, no Tottenham, pouco se ouve de falhas do francês.

Mas Lopes tem uma mania diferente: sai em todas as bolas, não importando quem está pela frente e a necessidade desse abandono de meta. Seus erros tem sido constantes e algumas vezes custam resultados, como quando saiu de forma aloprada no primeiro gol do Monaco na derrota por 2-1.

O português tem só 23 anos e só nesta temporada tem jogado constantemente. Está verde, não é maduro o suficiente para aguentar a barra da situação ruim do Lyon. Remy Vercoutre, que está retornando de lesão, deve ter sua volta adiantada caso essa contusão de Lopes seja séria. E isso, por linhas tortas, é uma notícia boa, pois Vercoutre não só tem mais cancha (além dos 33 anos, tem mais de dez anos no clube) como é um goleiro pronto. Admito que não acreditava no potencial do veterano quando Lloris foi embora, mas ele correspondeu no último ano e pode ser peça chave para a recuperação do Lyon nesta temporada.

*Crédito das imagens: Le Progress