TOP 7 – Momentos chave das oitavas-de-final

Barcelona, Bayern, Borussia Dortmund, Galatasaray, Juventus, Málaga, Paris Saint-Germain, Real Madrid são os grandes vencedores da fase de oitavas-de-final da UEFA Champions League. Os oito times citados estarão envolvidos no sorteio da sexta-feira que irá encadear os caminhos de cada um na próxima fase da competição.

Para valorizar cada feito, o Europa Football selecionou sete momentos chave das oitavas-de-final. Confira:

7 – O gol de Claudio Marchisio

Celtic x Juventus em Glasgow foi uma partida interessante de assistir. Os italianos foram eficazes e converteram em gol um terço de suas finalizações, enquanto os escoceses finalizaram 17 vezes e não balançaram as redes. Mas a partida em si foi tensa, afinal, o Celtic usou e abusou da bola aérea e do jogo físico, causando alguns apuros para a Vecchia Senhora.

Só que aos 33 minutos da etapa complementar, o meia juventino Claudio Marchisio fez belo gol e deixou a partida em 2×0. O tento italiano derrubou o Celtic que não teve mais forças para atacar e ainda sofreu o terceiro gol. Marchisio acabou trazendo toda tranquilidade que a Juve necessitaria para o restante do jogo, que com 1×0 seria tenso, e para a partida de volta em Turim.

6 – Primeiro tempo

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa(Getty Images)

Em Londres, o Bayern se sentiu em casa
(Getty Images)

Tanto Bayern quanto Paris Saint-Germain passaram sufoco em seus jogos em casa para garantirem acesso as quartas-de-final da Liga dos Campeões. O que foi preponderante para a afirmação da vaga de ambos, porém, foi o primeiro dos quatro tempos disputados nos dois jogos.

Os bávaros massacraram o Arsenal no Emirates Stadium e levaram o 2×0 para o intervalo, complicando a missão inglesa. O placar final foi 3×1 para o Bayern, o que deu uma margem para uma – exagerada – acomodação no duelo de volta, vencido pelos Gunners por 2×0, mas que valeu a qualificação alemã.

Já o Paris Saint-Germain fez primeiro tempo primoroso contra o Valencia no Mestalla e, assim como o Bayern, foi para os vestiários com dois gols de vantagem e com a sensação de que poderia ter sido melhor. O 2×1 apontado ao término do jogo possibilitou ao PSG o empate obtido no duelo de volta, que lhe garantiu nas quartas-de-final.

Isso só aumenta minha teoria de que o jogo mais importante de um mata-mata é o de ida, pois é onde o confronto está aberto e seu time pode abrir vantagem. Paris Saint-Germain e Valencia aproveitaram bem esse fator, diferentemente do Porto…

5 – Antigas convicções deixadas de lado

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Terim cumprimenta suas duas principais estrelas

Mircea Lucescu e Fatih Terim, técnicos de Shakhtar Donetsk e Galatasaray, respectivamente, foram duas figuras que abriram mão de suas convicções nas oitavas-de-final da Liga dos Campeões. Como o futebol não é uma ciência exata, ucranianos e turcos seguiram caminhos contrários.

O Shakhtar era um time caracterizado por um jogo imponente, de marcação por todo o campo e constante avanço de “homens surpresas”, como Fernandinho e Srna, porém, no duelo de volta contra o Borussia Dortmund, mesmo precisando do gol, os ucranianos decidiram esperar a equipe alemã na defesa e caíram do cavalo. O Shakhtar foi para o intervalo com 2×0 de desvantagem. No 2º tempo, com menos de cinco minutos, o time de Lucescu, mais ousado, fez mais do que toda etapa inicial, mas já era tarde e a eliminação não foi evitada.

Já Fatih Terim, mesmo com Didier Drogba e Wesley Sneijder reforçando seu time, não abriu mão de seu 4-4-2, mesmo deslocando o holandês para o lado esquerdo. Ao ver que o sistema tático não estava funcionando, Terim escalou seu time no 4-3-1-2 na volta contra o Schalke em Gelsenkirchen. Sneijder, outrora sumido, teve atuação destacável como armador e foi um dos responsáveis, ao lado de Yilmaz e Terim, pela classificação turca.

4 – Olho neles

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto(Getty Images)

Isco ajudou o Málaga na virada sobre o Porto
(Getty Images)

Durante a fase de grupos da competição, dois jogadores chamaram a atenção sem estar nos times considerados favoritos: Isco do Málaga e Burak Yilmaz do Galatasaray. Na fase de mata-mata, onde seria normal que sentissem a pressão de serem os grandes nomes de seus times, corresponderam à altura.

O espanhol Isco participou dos dois gols do Málaga na vitória sobre o Porto que lhe garantiu na fase seguinte do torneio. O meia abriu o placar com um belo chute de fora da área e deu o passe para Santa Cruz anotar o tento de qualificação. Já Yilmaz manteve a escrita de marcar desde a terceira rodada da fase de grupos e balançou as redes nos dois duelos contra o Schalke, acumulando oito dos onze gols do Galatasaray e lhe deixando com a artilharia da Liga dos Campeões ao lado de Cristiano Ronaldo.

3 – A expulsão de Nani

A partida entre Manchester United e Real Madrid ganhava contornos dramáticos. Os ingleses venciam por 1×0 e garantiam a classificação, enquanto os espanhóis precisavam do empate para forçar a prorrogação. Parecia que teríamos um restante de partida movimentado e tenso, porém, o árbitro chamou a atenção para si.

Aos 11 minutos da etapa final, após bola rebatida da entrada da área do Manchester, Nani estava soberano e tentou dominar com o pé no ar. Observando apenas a bola, o português não viu a chegada de Arbeloa e atingiu o adversário. Lance acidental, talvez para cartão amarelo, mas o rigoroso Cüneyt Çakir decidiu expulsar Nani.

A exclusão do jogador português mudou os rumos da partida. O Manchester, que já marcava mais do que atacava, teve de recuar por completo, enquanto o Real Madrid se mandou para o ataque e conseguiu o resultado que desejava, a virada. Parte da classificação deve ser colocada na conta de Çakir e na expulsão de Nani.

2 – Bola na trave de Niang

A tônica de Barcelona x Milan no Camp Nou era previsível: catalães no ataque e italianos se defendendo, esperando uma mísera chance para marcar o gol que complicaria a vida do adversário. Com o Barcelona vencendo pela placar mínimo, o que ainda era favorável ao Milan, veio a grande chance aos 37 minutos da etapa inicial. Após falha de Mascherano, o jovem M’Baye Niang escapou com liberdade e ficou cara-a-cara com Victor Valdés. O francês de 18 anos sentiu a pressão e acertou a trave. Foi a grande chance do Milan na partida toda. Para piorar, menos de dois minutos depois, Messi fez o segundo gol do Barcelona e deu sequência a goleada catalã.

O possível gol de Niang daria ares dramáticos a partida, afinal de contas, o empate milanista obrigaria o adversário a fazer três gols para se classificar para fase seguinte.

1 – Fazendo jus ao nome

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona(Getty Images)

Messi abriu caminho para a virada do Barcelona
(Getty Images)

Cristiano Ronaldo e Messi são, indiscutivelmente, os melhores jogadores da atualidade. Na fase de oitavas-de-final do torneio eles fizeram jus a tal status e ajudaram a dupla Barça-Madrid a conquistar a classificação.

O gajo português evitou a derrota madridista na ida ao marcar um gol de cabeça semelhante ao feito na final da competição em 2008, quando defendia justamente o Manchester United. No duelo de volta, em Old Trafford, Cristiano Ronaldo, mais apagado que o normal, apareceu na hora certa e anotou o segundo tento do Real Madrid, classificando seu time para a próxima fase.

Enquanto isso, seu “rival” Messi, após nem aparecer na ida em San Siro, foi um dos grandes responsáveis pela virada no duelo de volta, quando fez os dois primeiros gols do Barcelona na goleada por 4×0 sobre o Milan.

Não bastou ter o status, mas eles fizeram justiça a tal alcunha.

Faltou sorte

Reus no banco: erro ou azar de Klopp?(Getty Images)

Reus no banco: erro ou azar de Klopp?
(Getty Images)

Nas duas derrotas para o Schalke 04 na atual temporada do Campeonato Alemão, o técnico do Borussia Dortmund, Jürgen Klopp, tomou decisões controversas. No primeiro turno, o atual bicampeão nacional veio a campo com três zagueiros e perdeu em casa por 2×1. Mais recentemente, no duelo realizado neste sábado (09), Klopp decidiu deixar Marco Reus, principal contratação do time na temporada, no banco de reservas e viu sua equipe ser novamente derrotada pelo mesmo placar do turno inicial.

A diferença entre as duas decisões de Klopp está na intenção do técnico, por isso, considero que ele errou no primeiro turno, mas levou azar no segundo.

No duelo realizado no Signal Iduna Park, a ideia do 3-5-2 foi totalmente descabida. Jürgen Klopp tentou utilizar um esquema que não havia usado antes, a não ser em jogos que partiu para o desespero e que a organização não valia muita coisa. Em um confronto importante e na época em que o campeonato poderia ficar aberto, ousar dessa maneira foi um erro brutal, afinal, utilizar três zagueiros era uma opção sem fundamento.

Já no duelo mais recente, Klopp tinha uma ideia fundamentada para colocar Reus no banco e iniciar a partida com Kevin Grosskreutz entre os titulares: neutralizar o lado direito do Schalke 04. Os Azuis Reais vinham motivados desde o empate com o Galatasaray pela UEFA Champions League, resultado que deu um gás para o time, além disso, jogavam em casa e partiriam para cima. Logicamente, o Schalke usaria seu lado mais forte, que é o direito de Farfán e do ofensivo lateral Uchida. A entrada de Grosskreutz era para brecar essas ações ofensivas e ajudar Schmelzer na marcação. Isso sempre foi normal, o que espantou foi a saída de Reus e não a de Kuba, que era mais rotineiro.

Obviamente, a entrada de Grosskreutz daria um decréscimo ofensivo, técnico e criativo ao Borussia Dortmund, mas acrescentaria na defesa. Convenhamos, para quem tem Gündoğan, Götze, Kuba e Lewandowski no ataque, um reforço na marcação em troca de força ofensiva não seria uma perda tão sentida.

Porém, o que vimos em campo foi uma superioridade do Schalke, jogando por terra a mexida de Klopp. Farfán e Uchida ‘engoliram’ Schmelzer e Grosskreutz, não à toa, a jogada dos dois gols saíram no setor da dupla amarela. Na volta do intervalo, Klopp se viu obrigado a mexer no time e sacou Grosskreutz e Hummels – que fez outra partida ruim, mostrando estar com forma física ruim – colocando Reus e Şahin. O BvB melhorou em campo e foi superior na etapa final, mas não significa nada se levarmos pro campo da especulação de um possível início nesse sistema tático.

A estratégia inicial foi boa? Sim. Era a ideal? Há controvérsias. O fato é que o Schalke jogou melhor e soube explorar as deficiências do Borussia Dortmund, como a exposição dos zagueiros – impressionante como Bender tem jogado mal – e, claro, a já citada atuação ruim de Grosskreutz e Schmelzer.

É possível que Jürgen Klopp chame para si a responsabilidade, tome a culpa pela derrota e coloque a superioridade azul em cima da mexida que fez, mas eu não o crucifico. A entrada de Reus desde o início não significa que o resultado positivo viria, mas a sua ausência era bem fundamentada. O fato é que no primeiro turno, Klopp inventou e errou feio, neste sábado não foi invenção, mas algo premeditado. Levou azar, acontece, não o crucifico como no primeiro turno.

Prévia das oitavas-de-final da UEFA Champions League – Parte 2

Dando sequência às prévias dos jogos das oitavas-de-final da UEFA Champions League, chegamos aos jogos dos dias 19 e 20 dessa semana, que fecham a rodada de ida das oitavas-de-final da competição.

->Confira a primeira parte:

Algozes do último campeão, Chelsea, Bayern e Barcelona entram em campo nessa semana com a obrigação de mostrar o “porque” de tanta pompa de favoritismo. Os adversários são “grandes adormecidos”, mas que querem mostrar serviço, Arsenal e Milan. Além dessas equipes tradicionais, os candidatos à zebra, Schalke, Galatasaray, Málaga e Porto também vão aos gramados nesta semana.

Confira as prévias nos próximos parágrafos:

>> Arsenal x Bayern

O Arsenal não dá sorte nos sorteios da UEFA Champions League. Ora pega o Barcelona, ora dá de frente com o “antigo” Milan e dessa vez terá de encarar o poderoso Bayern de Munique, podendo encadear uma série de três anos seguidos caindo nas oitavas-de-final. Os alemães são favoritos com larga vantagem, não só por possuírem o time que forma a base da seleção alemã, mas por terem grande vantagem na liderança da Bundesliga.

BayernOs bávaros têm impressionantes dezoito vitórias, três empates e apenas uma derrota no Campeonato Alemão, além de terem o ataque mais positivo e uma defesa que só foi vazada em sete oportunidades. Há quem diga que esse é o melhor Bayern da história, o que não chega a ser um completo exagero pelos números obtidos, mas ainda falta uma conquista europeia que bateu na trave duas vezes nos últimos anos.

Para quebrar essa sina, técnico Jupp Heyckes conta com um elenco mais “gorducho” e com mais opções para cada setor do time. O exemplo mais claro disso está na defesa, onde Holger Badstuber, que está gravemente lesionado, é substituído por van Buyten e ainda tem Jérôme Boateng como reserva imediato. Nesse mesmo setor, destaca-se Dante. O brasileiro que veio do Borussia Mönchengladbach assumiu a titularidade no começo da temporada e se tornou peça de confiança de Heynckes. Porém, o zagueiro “cabeludo” sentiu a pressão em jogos iniciais da fase de grupos, fica a dúvida se sentirá agora.

No ataque, a grande força bávara está depositada na movimentação dos homens de frente, como disse no último fim de semana. Foram 57 gols em toda Bundesliga, sendo 26 divididos entre a dupla Mandžukić e Müller. O croata desbancou Mario Gomez, que iniciou a temporada machucado, e deu uma cara mais imprevisível ao ataque do Bayern, pois é mais ágil e possibilita uma troca de posições capaz de confundir a mais organizada das defesas. Já Müller parou de enganar. Após duas temporadas de pouca bola e muita fama, a revelação da última Copa do Mundo decidiu jogar e tem sido decisivo. Parte desse sucesso está depositada em seu novo… Ou velho posicionamento. Acostumado a atuar pelo lado direito, Müller foi empurrado para o centro com a chegada de Arjen Robben. O holandês iniciou a temporada machucado e perdeu espaço para o alemão que tomou sua posição e se tornou titular com autoridade.

Poderíamos passar horas e mais horas falando dos fatores que tornam o Bayern favorito – o goleiro Neuer, os eficientes Lahm e Alaba e os ótimos Ribéry, Kroos e Schweinsteiger – mas é mais fácil os bávaros mostrarem em campo, afinal, os sete gols em 22 jogos da Bundesliga podem ser diminuídos pelo fato do time de Heynces ter sofrido também sete gols em seis jogos na fase de grupos da UEFA Champions League.

ArsenalSe tudo são flores nos lados alemães, Arsène Wenger só enfrenta tempestades em Londres. Cesc Fàbregas e Robin van Persie já abandonaram o barco e restam apenas postulantes a grandes jogadores no atual elenco. O reflexo disso está nos resultados recentes: 5º lugar na Premier League e eliminações nas copas inglesas para Bradford e Blackburn, clubes das divisões menores do país.

Nesta temporada, os Gunners tem sido extremamente dependentes de Theo Walcott, que já marcou onze gols na Premier League. O jogador da seleção inglesa atuou até mesmo de centroavante no time de Wenger e, além disso, proporcionou a maior novela do clube ao demorar a renovar seu contrato. Outro nome de destaque é Lukas Podolski, que faz temporada regular em Londres. O polonês naturalizado alemão irá encontrar o ex-clube, onde não teve passagem muito feliz. Quem terá a missão de servi-los deverá ser o espanhol Santi Cazorla, que está em sua primeira temporada no Arsenal, mas parece estar no clube há anos pela frieza com a qual se encaixou no time.

Porém, a grande esperança do Arsenal e também da torcida inglesa em geral é Jack Wilshere. O jogador de 21 anos é a principal promessa do futebol britânico para o futuro e só agora tem vencido as lesões. Seu embate cerebral com Schweinsteiger e Kroos promete demais.

DE OLHO: No reencontro de Lukas Podolski com o Bayern. O meia-atacante da seleção alemã defendeu o clube bávaro entre 2006 e 2009, mas não teve passagem muito feliz, apesar de ter conquistado três títulos. O ponto alto do reencontro será com o técnico Jupp Heynckes. Poldi teve problemas de relacionamento com Jürgen Klinsmann, seu técnico na Baviera e no início de 2009, o jogador acertou seu retorno ao Köln para o fim da temporada. Klinsmann não durou até o término do campeonato e Heynckes, que chegou para “tapar o buraco”, deu chances a Podolski que enfim mostrou bom futebol. Já era tarde demais e Poldi retornou ao Köln.

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>> Porto x Málaga

Esse é, disparado, o confronto menos “charmoso” das oitavas-de-final da UEFA Champions League. Apesar de contar com um campeão europeu e com a grande zebra da fase de grupos, fica difícil imaginar que uma dessas duas equipes tenha cancha para chegar mais longe na competição. O Porto, apesar da campanha quase perfeita, lidera um campeonato onde a disputa é baseada em dois times, enquanto o Málaga faz figuração no Campeonato Espanhol, afinal de contas, está proibido de jogar torneios UEFA no próximo ano.

PortoO Porto está tentando lutar nas duas frentes nessa temporada. Em Portugal, a briga pelo título já está dividida com o Benfica, mas na Champions League a história é outra. Na fase de grupos, os Dragões quase saíram invictos e líderes, mas a derrota para o Paris Saint-Germain na rodada final custou o topo.

O grande nome do time tem sido o colombiano Jackson Martínez, autor de 20 gols no Campeonato Português. O atacante desbancou o brasileiro Kléber e é a principal esperança de gols do Porto, gerando até mesmo comparações com Falcao García, antigo titular da posição e também nascido na Colômbia. Seu parceiro é o habilidoso James Rodríguez, porém, o compatriota de Jackson retornou recentemente de lesão e sua presença no confronto de ida é incerta.

O técnico Vitor Pereira também espera que a experiência dos jogadores de meio-campo possa ser a sustentação do time, pelo menos nesse duelo com o Málaga. Lucho González e João Moutinho, principais nomes da faixa central, são jogadores calejados no cenário internacional e podem ser o diferencial nesse confronto. Não podemos nos esquecer do brasileiro Fernando, que está sempre bem posicionado na cabeça de área para controlar os avanços adversários. Além disso, o que torna o setor central do Porto um diferencial aos demais cantos do plantel é que praticamente todos os meias tem pelo menos 20 jogos UEFA, coisa não vista nos outros setores.

Apesar dos míseros nove gols sofridos na Liga Sagres e do entrosamento que Danilo, Mangala, Otamendi e Alex Sandro possuem, a defesa é um ponto que gera preocupação a Vitor Pereira. O zagueiro mais velho é o argentino, de 25 anos, o restante dos defensores está abaixo dessa idade, e o pior, com poucos jogos internacionais. A inexperiência pode preocupar, afinal, Liga dos Campeões não é Campeonato Português, longe disso.

MálagaA tão falada experiência que há e falta em alguns pontos do elenco português, está sobrando no Málaga, apesar desta ser a primeira aparição do clube em uma Liga dos Campeões. Lugano, Demichelis, Toulalan, Duda, Joaquín, Júlio Baptista, Saviola, Santa Cruz… Se não são exemplos de craques, são sim de experiência, todos eles têm pelo menos uma Copa do Mundo no currículo.

Curiosamente, entre todos esses “figurões”, o destaque do time acaba sendo um jogador de apenas 20 anos: Isco. O espanhol trás para essa fase um par de gols e assistências adquiridos na fase de grupos, onde foi uma das sensações do torneio e passou a ser especulado em diversas equipes do continente. Esses sonhos alheios foram por água abaixo, pois Isco renovou com o Málaga até 2016. O meia Eliseu é outro a se observar pela boa primeira fase feita. O português foi o artilheiro do time com três gols e ainda deu uma assistência.

Vale prestar atenção na possível entrada do brasileiro Lucas Piazón. Grande promessa do São Paulo, o garoto foi emprestado pelo Chelsea ao clube espanhol e poderá ganhar alguns minutos nesta fase. Piazón ficou no banco em algumas partidas, mas no último fim de semana, foi titular contra o Athletic de Bilbao e deu o passe que resultou no gol da vitória do Málaga, anotado por Saviola. O também brasileiro Júlio Baptista também almeja alguns minutos em campo, pois voltou recentemente de lesão e tem gratidão enorme pelo clube.

DE OLHO: Confronto de goleiros sul-americanos, mas que experimentaram gostos diferentes quando o assunto é seleção nacional olímpica. Willy Caballero já tem 31 anos e nove na Europa, mas nunca teve grande sucesso. Porém, em 2004, com 23 anos, foi o goleiro reserva da Argentina nos Jogos Olímpicos de Atenas, cedendo espaço para Germán Lux. Mesmo esquentando banco, Caballero recebeu uma medalha de ouro, coisa que Hélton não pôde fazer quatro anos antes. Titular do estelar time armado por Vanderlei Luxemburgo, que contava com Ronaldinho, Fábio Aurélio, Alex, Lúcio e outros, o atual “guarda redes” sucumbiu junto com o resto do time no trágico duelo diante de Camarões nas quartas-de-final. Curiosamente, Hélton é mais vitorioso que Caballero, pois teve carreira mais estável, repleta de títulos em Portugal e com escassas passagens pela seleção principal, coisa que o argentino não teve capacidade de conseguir.

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>> Barcelona x Milan

Se esse confronto fosse realizado no meio da década passada – como chegou a acontecer duas vezes, com duas vitórias blaugranas – daria para acreditar em um triunfo do Milan sobre o Barcelona. Hoje, em 2013, os tempos são outros e fica difícil imaginar que algum resultado que não seja a vitória catalã aconteça.

BarcelonaEm território nacional, o Barcelona caminha a passos largos rumo a mais um título espanhol, o vigésimo segundo de sua história. Os comandados de Tito Vilanova lideram a liga com 65 pontos, doze de vantagem para o vice-líder Atlético de Madrid e dezesseis para o adversário que, teoricamente, seria o mais perigoso: Real Madrid. Além disso, o Barça marcou impressionantes 80 gols em 24 partidas, média superior a três por jogo.

Não é segredo para ninguém que a força do time está em Messi. O argentino já balançou as redes trinta e sete vezes, quase 50% de todos os tentos catalães e mais até que 15 times da primeira divisão espanhola (!!!). Lio segue insaciável e, com contrato renovado, continua almejando títulos com o Barcelona, principalmente o europeu, torneio que conquistou três vezes. Na fase de grupos, Messi balançou as redes cinco vezes e ainda deu três passes pra gol, além de ter sido o segundo jogador que mais finalizou na competição, atrás apenas de Cristiano Ronaldo.

Outro poder barcelonista também não é segredo para ninguém: o toque de bola. Tirando alguns gatos pingados que entraram na fase de grupos para jogar poucos minutos, boa parte do time do Barcelona tem, pelo menos, 85% de acerto em passes. Curiosamente, Messi está abaixo dessa porcentagem, com 81% de acerto. Xavi lidera o quesito, com 92%.

Caso derrote o Milan, o Barcelona marcará presença nas quartas-de-final da Liga dos Campeões pela sexta vez consecutiva.

MilanO Milan entra como franco atirador. Antes mesmo de começar a temporada, o futuro já parecia amaldiçoado, pois os italianos viram Zlatan Ibrahimović e Thiago Silva migrarem para a França. O time demorou a reconstruir-se, chegou a figurar nas partes baixas da tabela de classificação do Campeonato Italiano e foi mal na fase de grupos da UEFA Champions League, conseguindo apenas dois pontos no San Siro, mas, atualmente, já está lutando por vaga nas competições europeias na Série A.

Esse avanço milanista se deve ao novo momento vivido pelo time em 2013. Foram sete jogos pelo Campeonato Italiano, cinco vitórias e dois empates este ano. Nesse intervalo de tempo, o Milan balançou as redes em dez oportunidades, sendo quatro gols de Mario Balotelli. Infelizmente, para o time italiano, Super Mario não poderá enfrentar o Barcelona por já ter vestido a camisa do Manchester City na fase de grupos da competição.

Outro desfalque no ataque pode ser El Shaarawy. O jovem de 20 anos sofre com dores no joelho e mesmo sendo poupado do confronto diante do Parma, ele segue se queixando de dores. O Faraó já tem 15 gols no Campeonato Italiano e já tem sido chamado por Cesare Prandelli para a seleção italiana.

Caso o El Shaarawy fique mesmo de fora, o experiente Giampaolo Pazzini terá de assumir a responsabilidade. O ex-interista tem dez gols no Campeonato Italiano, porém, ainda não balançou as redes na UEFA Champions League. E é justamente o torneio europeu que é uma espécie de pedra no sapato do atacante, que tem quase trinta aparições internacionais por seus clubes, mas apenas sete gols.

No meio-campo, o Milan aposta em Riccardo Montolivo de 28 anos. A cria da Atalanta passou a jogar mais recuado com a lesão de Nigel De Jong, fazendo uma função semelhante com a feita por Andrea Pirlo na Juventus, armando o jogo de trás. Na fase de grupos da UEFA Champions League, Montolivo foi o jogador que mais efetuou passes no time do Milan e contra o Barcelona, ele será o responsável por fazer com que os Rossoneros retenham a bola por algum tempo, já que a maior posse de bola deverá ser catalã.

DE OLHO: Com a possível ausência de El Shaarawy e a impossibilidade de Balotelli jogar a Champions League, a “bucha” talvez caia no colo de Bojan Krkic ou Robinho. Os dois estão sem muita moral no clube Rossonero por causa do baixo rendimento, mas a grande chance, para um dos dois, deverá chegar contra o Barcelona. A expectativa principal, pelo menos para mim, é por Robinho. O brasileiro chegou a negociar seu retorno a América do Sul, mas não deu certo. Caso entre em campo contra o time catalão, terá de mostrar que está com a cabeça em Milão e não em seu possível destino no futuro. Com os olhos brasileiros voltados ao duelo, também é uma grande oportunidade de mostrar a seus fãs e críticos do que ainda é capaz.

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>> Galatasaray x Schalke

O duelo entre turcos e alemães é o exemplo mais claro de como não gosto de analisar os confrontos de oitavas de final da Liga dos Campões na época do sorteio. Em dezembro, o Galatasaray estava bem, mas o tempo ausente nos mata-matas, somado a inferioridade do elenco em relação com o Schalke – que já estava mal naquela época – davam impressão de favoritismo para os alemães. Hoje, a história é outra.

GalatasarayFalar que o Galatasaray “se reforçou” é até uma escolha fraca na expressão. O time turco assinou o atestado de querer surpreender na Champions League ao trazer Wesley Sneijder, campeão europeu em 2010, e Didier Drogba, também campeão do continente em 2012. A dupla se junta aos também experientes Eboué, Hamit Altintop e Felipe Melo, além de Burak Yilmaz, um dos artilheiros da fase de grupos.

Os turcos apostam no bom entendimento da dupla Sneijder-Drogba. Foram reforços, senão pontuais, necessários para elevar o nível do time e o entrosamento dos dois é o ponto crucial para a equipe turca conseguir ser a zebra da competição. O holandês participou de quatro jogos na Turquia e, até agora, está invicto, enquanto Drogba estreou neste fim de semana com um gol.

Com a batuta em mãos, está o experiente Fatih Terim, técnico de 59 anos. Como jogador, Terim atuou por dez temporadas no Galatasaray, onde ganhou dois campeonatos turcos, como treinador, é sua terceira passagem pelo clube de Istanbul, onde já levantou cinco canecos nacionais e uma Copa da UEFA. Até o momento, o Galatasaray tem 58% de aproveitamento com Terim desde 2011, segundo melhor aproveitamento do técnico nas três passagens. Só perde para a histórica campanha de 1996 a 2000, onde obteve 64% de aproveitamento.

SchalkeSe o Galatasaray tem um técnico experiente e idolatrado em Istanbul, o Schalke não goza de mesmo status em Gelsenkirchen. O técnico Jens Keller é novo – 42 anos –, estava no time de base dos Azuis Reais, mas sua única passagem por um clube profissional, no Stuttgart, foi fraca, e esses meses pelo Schalke não tem sido diferente. O time vem despencando na tabela do Campeonato Alemão e Keller tem sido cobrado de forma demasiada. Uma queda no torneio europeu pode representar novos rumos no comando azul real.

Além disso, Lewis Holtby, principal nome do time na temporada e que já estava vendido ao Tottenham para o final da temporada, foi chamado pelos Spurs agora e deixou o Schalke. Sem o grande criador do time na temporada, Keller tem depositado suas fichas na joia Julian Draxler, que vinha atuando pela esquerda, mas que foi deslocado para o centro para substituir o antigo camisa dez.

Para ocupar o lado que era de Draxler, o Schalke tirou Michel Bastos do Lyon. O brasileiro veio com tudo e já fez três gols na Bundesliga. Quando Bastos foi contratado, critiquei a decisão da diretoria alemã e mesmo com o início promissor do ponteiro, mantenho minha posição. Nada contra Bastos, muito pelo contrário, gosto muito do jogador, mas o elenco do Schalke é extremamente desequilibrado e não havia sentido trazer mais um, entre vários, homens de frente com a defesa desguarnecida.

O Schalke não tem um goleiro confiável, não possui um lateral direito decente, conta apenas com Höwedes como boa opção para a zaga central, não tem reserva para Füchs e sofre com problemas na cabeça de área. Foi certo trazer mais um homem de ataque? Não! Além disso, Atsuto Uchida, lateral que veio cercado de expectativas, mas que só causou decepções, está lesionado e não jogará. Höwedes ou Höger devem ser improvisados na função.

Outro desfalque pode ser Klaas-Jan Huntelaar, que além da temporada decepcionante, sofreu um corte no rosto. Edu ou Pukki seriam as opções naturais, mas Keller testou, absurdamente, Farfán na função. Os bons ventos não estão rodeando Gelsenkirchen.

DE OLHO: Vamos observar os encaixes da marcação do Schalke com o ataque do Galatasaray. Jens Keller se for sensato, não abrirá mão de Höwedes pelo centro da defesa para acompanhar Drogba na grande área, porém, Matip, seu parceiro, pode causar problemas, já que é pouco confiável. Mais a frente, Neustadter deverá contar com o truculento Jermaine Jones no apoio, tudo para segurar Sneijder. Teoricamente, haverá uma sobrecarga em Höwedes e Neustadter. Seriam eles capazes de segurar a onda, sozinhos?

Bônus: Muslera versus Hildebrand, dois goleiros pouco confiáveis estarão frente-a-frente. Quem entregará menos deverá levar a melhor. 

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Azulou

Apesar de nunca ter tido a oportunidade de assistir a um jogo do Borussia Dortmund, Frantz era fanático pelo time. Ele tinha as mais variadas camisas, conhecia todo elenco, a altura, o peso, a família, as namoradas e o restante da ficha técnica e pessoal de cada atleta que vestia o manto aurinegro.

Fanatismo? Nem tanto. Frantz gostava de ver o Borussia Dortmund vencer o Bayern e, principalmente, o Schalke. Ainda assim, não alimentava nenhum tipo de sentimento ruim pelos dois times, o que importava era o BvB e nada mais.

Ricken marcou em uma final de UCL em apenas 16 segundos(Getty Images)

Ricken marcou em uma final de UCL em apenas 16 segundos
(Getty Images)

O que era sempre uma época pra lá de especial para diversos torcedores, se tornou uma espécie de “passagem depressiva” para Frantz. A UEFA Champions League nunca foi um torneio que enchesse seus olhos. Nada em relação com a qualidade técnica dos times, com a ganância dos torcedores ou a organização da competição, mas sim pela ausência do Borussia Dortmund.

Por ser jovem, Frantz nunca viu, pelo menos com alguma atenção, seu time em uma Liga dos Campeões, muito menos pôde comemorar o antológico gol de Lars Ricken em 1997, que decidiu o torneio a favor do Dortmund, com apenas 16 segundos em campo.

Era um drama pessoal de Frantz, nem por isso ele deixava de festejar os bons resultados de times alemães, afinal, para ele, com os rivais conquistando feitos satisfatórios em torneios internacionais, significaria que eles estavam se fortalecendo e que isso obrigaria, de algum jeito, o Dortmund a se reforçar também. Posteriormente, o Campeonato Alemão também ficaria com muita força. Mas era indiferente para ele, ganhando a Liga dos Campeões ou não, a imagem do campeão mudaria pouco.

2011 foi o ano em que essa visão de Frantz mudou.

A Bundesliga começava a crescer, não só economicamente, mas tecnicamente também. Jovens jogadores começavam a despontar e a visão de “cintura dura” que assolava o futebol do país estava sumindo, principalmente porque essa nova geração não encontrou dificuldades em se adaptar com o mais antigos.

Por consequência, Frantz via os avanços dos times alemães na Champions League como a ocasião exata para a afirmação do novo momento vivido pelo futebol do país. Para isso, precisou fazer algo arriscado e impensado: criar relação com os rivais.

Para dar sequência a história, retornamos a 2010, quando o Bayern voltou a uma decisão de Liga dos Campeões após quase dez anos. Frantz queria ver o time bávaro campeão, mesmo que seus amigos borussianos torcessem contra. Era o momento de confirmação e a hora certa de mostrar para que a Alemanha viria nos próximos anos.

Apesar da força dada a dupla Robbery e companhia, não adiantou. José Mourinho copou mais uma e a Inter deixou o Santiago Bernabéu com o caneco em mãos.

No ano seguinte, bávaros e nerazzurris se reencontraram pela UEFA Champions League, desta vez, em partida válida pela fase de oitavas-de-final. Na ida, em Milão, o Bayern viu Thomas Kraft brilhar e salvar o time na vitória por 1×0. Estava ali o substituto de Oliver Kahn (só que não)!

Na volta, o Bayern tinha a faca e o queijo na mão. A Allianz Arena estaria toda a seu favor, o time bávaro era melhor – apesar de estar de frente com o atual campeão europeu, “só” desfalcado de José Mourinho – e tinha a vantagem no marcador. Frantz se preparou para o duelo como se fosse o Dortmund que estivesse em campo. Assistiu ao pré-jogo – coisa que não fazia quando o assunto era “times rivais” – preparou uma pipoquinha saborosa, tirou os refrigerantes da geladeira e se apossou do sofá na hora da partida.

O ritual, tão rotineiro em partidas que envolviam o Borussia Dortmund, futuro campeão nacional naquela temporada, não deu certo. O Bayern lutou, criou chances e até fez um gol, mas a defesa, segundo ele, “parecia uma garota desesperada de solidão em uma festa e dava bola para qualquer um que passava a sua frente”. Os bávaros pararam na Inter… de novo!

Mas sua esperança não havia acabado. O time italiano bateria de frente com o Schalke 04, grande rival do Vale do Ruhr. Só que havia um impasse: torcer pelo Bayern, time que, por tantas e tantas vezes, ferrou o Schalke, era uma coisa, até uma espécie de gratidão ou solidariedade aos bávaros, mas querer que os Azuis Reais ganhassem um jogo desse tamanho e representatividade era outra história.

Seus amigos nem hesitaram: eram Inter desde bambini! Joseph, seu melhor amigo, até comprou uma camisa da Inter, branca, é claro, não havia chance de vestir uma camisa azul, apesar das listras pretas. Mas Frantz seguia em dúvida de qual caminho seguir. Seus demais amigos, motivados pela nobre arte da secação, compraram ingressos, sabe-se lá como, para o jogo de volta no setor reservado aos torcedores italianos. Era uma enorme tentação!

Poucos sabiam que Frantz era um cara um tanto quanto rancoroso. Jovenzinho, caiu aos prantos ao ver Fábio Grosso e Alessandro Del Piero marcarem para a Itália contra a Alemanha na semifinal da Copa do Mundo de 2006. O jogo foi em Dortmund, o que lhe deixou mais triste ainda. Ver o show de Bastian Schweinsteiger na disputa do terceiro lugar contra Portugal não serviu nem de consolação para Frantz.

As duas derrotas do Bayern para a Inter fez renascer aquela angústia no peito do rapaz que sentia que seria capaz de tudo para ver os italianos, pelo menos uma vez, com uma tristeza causada pelo futebol alemão, nem que fosse torcer pro Schalke. E essa foi sua decisão, querer a inédita classificação do rival para a semifinal. Seus amigos, logicamente, não entenderam. Alguns deles até evitaram o contato nos dias que antecediam ao duelo, queriam evitar um bate-boca sem motivo – como é toda discussão futebolística, convenhamos.

Chegou o dia!

5 de abril, uma terça-feira ensolarada, propícia para adotar o ritual banhado de pipocas e refrigerantes seguido por Frantz. Seus amigos se reuniram na casa de Joseph para assistir ao jogo e secar o rival. O nosso intrépido personagem foi excluído da reunião e preferiu manter sua tradição em sua própria casa.

Frantz nem havia se ajeitado na poltrona e um gol já havia acontecido. Da forma como ele ocorreu, não dava para esperar muita coisa para o time alemão. O argentino Esteban Cambiasso lançou o compatriota Diego Milito em profundidade. Manuel Neuer, como um legítimo líbero, se antecipou e de cabeça afastou o perigo… só que não! Do meio campo, Stanković acertou um chute antológico, coisa rara mesmo, 1×0 para a Inter.

“Já vi esse filme e não gostei”, reclamou Frantz.

Só que houve um engano. O que ele não sabia era que muitos diretores de filmes mudam completamente o roteiro da “parte dois” para chamar um pouco de atenção. Foi mais ou menos isso que aconteceu.

O Schalke balançou as redes do Giuseppe Meazza cinco vezes(Getty Images)

O Schalke balançou as redes do Giuseppe Meazza cinco vezes
(Getty Images)

Menos de quinze minutos depois, veio à resposta com Matip, aproveitando um rebote de Júlio César. Quem diria que o camaronês deixaria Frantz alegre por marcar um gol? Ele sempre ria das presepadas de Matip, mas nunca imaginou vibrar com seu tento. Vibrou tanto que deu um soco na almofada que carregava consigo, mandando o sempre bem vindo “chupa” para o time italiano.

Frantz parecia prever o gol da Inter somente quando o holandês Sneijder pegou na bola aos 32 minutos. Visualizou fixamente a TV e parecia dizer com os olhos: “ele tá livre, ele tá livre!”. E ele estava mesmo livre, tão sozinho que botou a bola na cabeça de Cambiasso. No instante em que a bola chegava ao argentino, Frantz explodiu. Saltou da poltrona e mandou um sonoro “OLHA O MEIO!” e viu o Schalke voltar para trás do marcador com Milito.

“Torcer para time ruim dá nisso”, dizia Frantz.

Na parte derradeira da etapa inicial, quando viu Baumjohann correndo sozinho, Frantz parecia pronto para receber o passe. Ele avançou pela sala, driblou o tapete e ficou de frente para TV, na posição exata para mandar a bola pra dentro e correr pro abraço. Lógico que não era Frantz no lance, mas sim Edu. Quando o brasileiro teve o controle da bola, nosso amigo já simulava a finalização. Ao ver o rebote de Júlio César, praticamente implorou para que saísse o chute de Edu e saiu pulando como um garoto ao ver o gol de empate. Para completar, deu um soco tão forte na parede que quase quebrou seus dedos.

Não era um dia normal naquela vizinhança. Frantz, o borussiano, vibrando com o Schalke? Não era possível! O pior… Ou melhor, depende do ponto de vista, ainda estava por vir na etapa final.

Com menos de dez minutos, Raul recebeu um belo passe de Farfán – passe que fez Frantz soltar um sonoro “nooooosa” – e fez o terceiro do Schalke. Acreditem, Frantz estava contido pelo que ainda viria.

No lance seguinte, o espanhol Jurado escapou livre pela direita e o nosso personagem já estava de pé, efusivo, gritando: “Ah, meu Deus! Vai acontecer de novo”. Aconteceu e ainda houve uma mãozinha de Ranocchia, que cortou mal e fez contra.

Parecia uma garota desesperada de solidão em uma festa e dava bola para qualquer um que passava a sua frente” diria um conhecido de Frantz para descrever a defesa interista (risos).

Não era possível imaginar a cara de parede de seus amigos. Aqueles que, por tantas vezes dividiam as alegrias e tristezas borussianas, agora se viam divididos. Um pulava de alegria como uma criança sabendo que ganhará um sorvete, os outros estavam preocupados com a possibilidade de outro time da região conquistar a Europa.

No gol anotado por Edu, o quinto na partida, Frantz saiu correndo por sua casa, rindo como nunca. Quem o conhecia, saberia que essas risadas eram pela desgraça alheia, a desgraça interista, quem não sabia direito quem era, poderia imaginar que ali estava um fanático azul real.

Soado o último apito, Frantz se recompôs rapidamente, mostrou uma expressão mais séria e respeitosa e desligou a televisão. Embora sua aparência não demonstrasse isso, aquela goleada significou a limpeza da alma. As lágrimas e lamentações que marcaram sua vida em 2006, foram transferidas para a Itália, em uma abrangência menor, é claro, mas com efeito tão destruidor e que satisfazia todas as necessidades psicológicas de Frantz.

Constrangidos, ele e seus amigos não conversaram mais sobre o Schalke, somente quando este era adversário do Borussia Dortmund. Até mesmo os ingressos comprados para o confronto de volta – vitória alemã por 2×1 – não foram utilizados.

O Schalke não conseguiu repetir o feito do rival e parou na semifinal, perdendo para o Manchester United, mas não pôde dizer que não marcou história. Não só isso, marcou a vida de muitos torcedores do time espalhados pelo mundo inteiro e até mesmo lavou a alma de um borussiano. Quem diria?

Obs: Hoje, Frantz é um contente torcedor do Borussia Dortmund e nunca mais precisou recorrer da torcida azul real (risos);

E se a Conmebol fizesse o sorteio da Liga dos Campeões?

O sorteio dos jogos das oitavas de final da UEFA Champions League já foi realizado e, certamente, vocês já conhecem todos os duelos e até imaginam o que poderá acontecer no início de 2013. Essa análise deixo para o ano que vem, afinal, muita água vai rolar debaixo da ponte até lá.

Mas você já parou para imaginar qual seria o desfecho desse sorteio se os critérios adotados pela UEFA fossem os mesmos da Conmebol? Como não é segredo para ninguém, a organização europeia é muito criteriosa nos seus sorteios e divide os times em dois potes: dos líderes e dos vice-líderes. Além disso, impede que times do mesmo país e que estiveram no mesmo grupo se encontrem logo de cara nas oitavas de final. Enquanto isso, a confederação da América do Sul obriga os times a fazerem contas nas rodadas finais da fase de grupos da Copa Libertadores para escolherem seus adversários, pois há uma classificação geral onde o melhor colocado enfrenta o pior, o segundo encara o décimo quinto e assim por diante.

Pensando nisso, mostro abaixo quais seriam os jogos das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa se fossem seguidos os critérios de sorteio da Copa Libertadores. Confira:

UCL

Oitavas cópia

Analisando os dois sorteios, pude tirar algumas conclusões:

*A vida do Milan ficaria mais tranquila… Mas nada que tornasse sua chance de classificação muito real;

*O Arsenal também teria um adversário mais fraco e talvez tivesse mais chance com o Valencia do que o Milan teria com o PSG;

*O Real Madrid respiraria aliviado, pois pegar o Porto não é tão complicado quanto enfrentar o Manchester United;

*Porém, os mancunianos continuariam com tarefa complicada diante dos campeões italianos;

*E o Schalke seguiria com relativa sorte ao bater de frente com o Málaga;

E vocês? Comparando os dois sorteios, o que acharam? Invadam a caixa de comentários e deem seus pitacos antes que o mundo acabe!

Gangorra

Os alemães estão tomando o lugar dos ingleses?

Durante a última década, nos acostumamos a ver times ingleses nas semifinais da UEFA Champions League. Não à toa, quando faltaram britânicos nesta fase na edição 2009/10, chegaram a falar em declínio da Premier League, mas preferimos tratar o caso como temporada de exceção. Na última edição do torneio, a dupla de Manchester caiu na fase de grupos, sendo que esses mesmos times foram os dois líderes do Inglês ao término da temporada. Queda? Ainda deixamos essa hipótese de lado, principalmente com o Chelsea conseguindo o almejado título europeu.

Nesta nova temporada, corre-se o risco de avançarmos para a fase mata-mata, novamente, com apenas dois ingleses. O Manchester City, atual campeão nacional, parece que ainda não aprendeu a jogar a Champions League e já está eliminado com uma rodada de antecedência. Já o Chelsea precisa de um milagre para evitar o vexame de ser o primeiro campeão europeu eliminado ainda na fase de grupos.

Em outro canto da Europa, a história é completamente oposta. Mesmo perdendo o Borussia Mönchengladbach na fase prévia da competição, a Alemanha tem seus demais representantes classificados, com o Dortmund tendo assegurado a ponta do temido “Grupo da Morte”. Enquanto isso, Schalke e Bayern dependem de seus esforços para confirmar a primeira colocação de suas chaves.

Os parágrafos anteriores demonstram uma significativa mudança no cenário europeu. Os ingleses, outrora clubes dominantes do continente, não conseguem impor internacionalmente a força vista nos campeonatos domésticos, enquanto a Alemanha, antes resumida, em cenário europeu, ao Bayern, enxerga muito mais do que resultados, mas também, bom futebol.

No Borussia Dortmund, impressiona a frieza de Marco Reus nessa primeira fase de Champions League. O garoto estreou em um torneio continental nesta temporada e não sentiu nenhum peso, chegando a marcar um gol no vislumbrante Santiago Bernabéu. O Schalke 04 está bem mais amadurecido em relação o time que chegou nas semifinais da temporada retrasada e salve um equívoco ou outro do técnico Huub Stevens, tem tudo para surpreender no torneio.

O Bayern dispensa maiores apresentações e não é exagero algum colocá-lo como um dos principais favoritos ao caneco. A campanha na Bundesliga beira a perfeição, o ataque ganhou nova movimentação com o croata Mandžukić e a defesa já não é mais o grande problema, tendo sofrido poucos gols na temporada. Acima do Barcelona no ranking de favoritos? Exagero. Mas os bávaros, se não estão acima, pelo menos estão em patamar igual ao do Real Madrid.

Deposito parte considerável desse sucesso a divisão de forças dos principais times alemães. Manuel Neuer foi o único exemplo recente de jogador que trocou uma equipe de porte por outra. No restante, os clubes buscam se reforçar com atletas de equipes menores ou então revelar jogadores. É o caso de Schalke e Dortmund, que contam com nomes do calibre de Füchs, Neustadter, Draxler, Reus, Götze, Lewandowski e Gündoğan. Todos estes citados são crias dos times citados ou foram trazidos de clubes menores da Alemanha e outros países.

O Bayern, por ser um clube mais rico, se dá ao luxo de buscar jogadores renomados internacionalmente, como foi, recentemente, com Arjen Robben e Javi Martínez. Porém, o clube bávaro tem seguido as ações dos adversários e buscou novos talentos em equipes menores, caso de Dante, Mandžukić e Luiz Gustavo.

Em contrapartida, as equipes inglesas não estão tendo a capacidade de se “reforçar mutuamente”. Basta olhar o seguinte exemplo: Liverpool e Arsenal não estão brigando por títulos, logo, seus destaques trocam de clube por esse motivo. O pior disto tudo é que esses jogadores reforçam os rivais, ou seja, entre as equipes de porte do país, um perde, outro ganha. Os principais atletas ficam concentrados nos mesmos times e a circulação de bons jogadores fica menor.

Isso indica declínio da Premier League? Eu ainda prefiro esperar antes de dar uma opinião final. Se fosse para dar uma resposta agora, diria que não, mas fica aquela pontinha de desconfiança se essa opção de buscar reforços no rival é uma boa em âmbito geral. O adversário forte lhe obriga a ser mais poderoso ainda. Se você enfraquece o rival, pode lhe causar acomodação. Se isso vier acontecer, aí sim poderemos apontar uma decadência da Liga Inglesa… Decadência mental!

Mas ainda é cedo para chegarmos a uma conclusão. Na temporada passada, vimos o campeão alemão cair na fase de grupos e outro time do país chegando na final, assim como notamos a dupla mais forte da Inglaterra afundar cedo e um desacreditado Chelsea ganhando a competição. São times que adoram brincar de gangorra quando o assunto é torneios UEFA e como toda gangorra, tem o momento que desce e o momento que sobe.

*Crédito da imagem: Getty Images

O Mineiro e o Pardal

No confronto Stevens x Klopp, venceu o holandês

A diferença entre o simples e a maluquice foi retratada no clássico entre Borussia Dortmund x Schalke, realizado no último sábado. O mineiro Huub Stevens fez o óbvio e passou a escalar seu time sem grandes invenções e acabou vencendo a disputa contra Jürgen Klopp, que decidiu testar um esquema mirabolante no duelo.

Stevens finalmente percebeu que o lugar do capitão Benedikt Höwedes é no miolo da zaga e não na lateral-direita. O defensor do Schalke foi correto durante a partida, não brilhou porque não foi tão exigido, mas ainda viu seu parceiro Joël Matip ter atuação quase perfeita – exceto por um gol perdido com a trave aberta.

Lewis Holtby já estava jogando mais avançado, como um armador – como destaquei semanas atrás – e no clássico teve grande atuação, inclusive, dando uma assistência para o segundo gol do jogo, anotado pelo volante Marco Höger. Com essas boas atuações pelo Schalke e também pela seleção sub-21, o meia azul real entra no radar de Jögi Löw e começa a sonhar com uma vaga no selecionado principal da Alemanha.

Nos basta dar os parabéns a Huub Stevens por essas atitudes que só melhoram o time do Schalke. Sim, colocar Höwedes e Holtby em suas devidas posições não foi mais do que sua obrigação e era algo óbvio, mas nenhum outro treinador do clube tinha tido essa visão anteriormente. Tomar uma decisão que saltava a vista de tão clara também é missão do treinador e Stevens parou de insistir no erro.

Já Jürgen Klopp participou do quadro “Professor Pardal por um dia”. No papel, o time escalado jogaria no habitual 4-2-3-1, mas em campo, o que se viu foi uma tática maluca.

O volante Sven Bender jogou entre os zagueiros Hummels e Subotić, formando uma trinca de defensores. Sebastian Kehl atuou na frente deste trio e atrás de uma linha de quatro jogadores, formada por Piszczek, Leitner, Perisić e Grosskreutz. Marco Reus e Robert Lewandowski formavam o ataque aurinegro.

Essa estratégia foi uma furada completa, já que Kehl, Leitner e Perisić foram totalmente envolvidos pelo meio-campo adversário e a defesa esteve perdida e desentrosada – vide o gol de Afellay, onde Bender e Subotić disputaram a mesma bola. Para completar, o time estava descompactado, com os defensores muito recuados e os atacantes muito avançados, criando um rombo no meio-campo, espaço esse muito bem aproveitado pelo Schalke.

Depois de 30 minutos de domínio azul, Klopp reajustou a equipe com certa dose de loucura. O lateral direito Piszczek foi atuar no lado oposto e Bender saiu da zaga para atuar no flanco direito. O Dortmund conseguiu dar uma equilibrada na peleja, mas o Schalke continuava com o domínio da partida.

O desespero e o ‘abafa’ da etapa final impossibilitaram que qualquer tática existisse e só bastou para justificar a vitória do Schalke 04 no clássico após duas temporadas.

Como explicar, Klopp?

Klopp declarou que foi a pior atuação do Dortmund na temporada. Também pudera, sua escalação foi um desastre e nem a desculpa dos desfalques cola para haver as drásticas mudanças que vimos. Mario Götze e Kuba já eram ausências conhecidas desde o meio da última semana e opções para substituí-los não faltavam. Gündoğan e Schmelzer foram desfalques de última hora, mas alterações “seis por meia dúzia” poderiam ser feitas. O próprio Bender, que atuou na defesa, poderia ser o substituto do turco germânico, enquanto Grosskreutz poderia ser improvisado na lateral-esquerda. Se Klopp não estivesse seguro em fazer uma improvisação, poderia colocar Chris Löwe que é da posição.

Não existem desculpas para as drásticas mudanças feitas no clássico. Fazer testes em clássico não dá. Fazer testes em uma semana como essa – onde o Dortmund ainda enfrenta o Real Madrid – é inaceitável. Jürgen Klopp tem muitos créditos pelo bicampeonato nas últimas temporadas, mas pisou feio na bola no último sábado.

Entendeu a diferença entre uma decisão simples e apostas malucas? Huub Stevens e Jürgen Klopp mostraram o resultado destas apostas no clássico. Os Azuis Reais colocam os três pontos na conta de Stevens, os aurinegros têm razões para culparem Klopp, mas a verdade é que pudemos ver os técnicos perderem e ganharem um mesmo jogo.

*Créditos das imagens: Getty Images