11 na História: Bordeaux 1998/1999

Inauguramos agora mais uma seção no blog, o “11 na História”. Neste quadro, vamos recordar alguns times que marcaram na Europa – com foco, é claro, na França – seja pelos resultados ou por um legado futebolístico que tenha deixado. A ideia é valorizar os times pelos seus feitos e resgatar a história destas conquistas.

O time que abre a nossa série é o Bordeaux da temporada 1998/1999, campeão nacional depois de mais de uma década. A equipe também marcou a história do Campeonato Francês ao apresentar ao mundo um quarteto ofensivo de dar inveja a muitos times, composto por Ali Benarbia, Johan Micoud, Lilian Laslandes e Sylvain Wiltord, o astro da companhia.

Relembre mais dessa história:

Período de reconstrução

Nos anos 80, o Bordeaux se notabilizou como uma das equipes mais fortes do futebol francês ao conquistar três títulos do Campeonato Francês entre 1984 e 1987. Neste meio tempo, venceu duas edições da Copa da França e chegou a semifinal da Copa dos Campeões da Europa em 1984/1985, quando ficou por um gol de chegar à final – perdeu na ida para a Juventus por 3×0 e venceu na volta por 2×0. Naquela época, se notabilizaram no clube atletas renomados, como Jean Tigana, Alain Giresse, René Girard e Dieter Müller.

Sob a batuta do clube estava Claude Bez, presidente girondino, imortalizado pelos bons resultados no período de construção do sucesso nos anos 80. Entretanto, o que era um sonho para o Bordeaux, tornou-se em um pesadelo em pouco tempo. Ao término da temporada 1990/1991, a Direção Nacional de Controle de Gestão (DNCG, na sigla em francês) decidiu rebaixar os Girondins por causa do déficit orçamentário, que batia na casa dos € 45 milhões. Bez foi forçado a renunciar e o clube disputou a segunda divisão por uma temporada.

Com esse rápido recuo, o Bordeaux teve uma década de 90 de pura reconstrução. Novos parceiros, novos jogadores e objetivos sendo alcançados passo a passo. Foi nesta época que o clube lançou atletas como Christophe Dugarry e Bixente Lizarazu, teve no elenco Zinedine Zidane e, com eles, foi vice-campeão da Copa da Uefa em 1996, diante do Bayern – só ressaltando que os franceses fizeram a partida de ida sem o citado trio e perderam por 3×0.

O treinador: Elie Baup

Baup foi de auxiliar a campeão francês no Bordeaux | Foto: Jean Jacques Saubi

Baup foi de auxiliar a campeão francês no Bordeaux | Foto: Jean Jacques Saubi

O ápice dessa reconstrução do Bordeaux começou a ser concretizado na metade da temporada 1997/1998. Longe da briga pelo título, a diretoria optou por trocar o técnico. Guy Stephan foi embora e deu lugar a Elie Baup, que era o auxiliar-técnico. Ao término da temporada, os Girondins ficaram na 5ª colocação, com 56 pontos e Baup mantido no posto.

Sempre com seu bonezinho na beirada do gramado, Baup teria na temporada seguinte o grande desafio da carreira. Depois de uma fracassada passagem pelo Saint-Étienne entre 1994 e 1996, onde conseguiu rebaixar o clube duas vezes (na primeira vez, não caiu pelo escândalo envolvendo Marseille e Valenciennes), ele teria em mãos um elenco talentoso, que tinha como grandes expoentes os jovens Ali Benarbia e Sylvain Wiltord, além do talentoso Johan Micoud e o matador Lilian Laslandes.

Jogos chave

22ª rodada – Bordeaux 4×1 Marseille

A briga pelo título estava polarizada entre Bordeaux e Marseille. Ambos possuíam campanhas sólidas e faziam jus a tal status. O OM, líder com 48 pontos, tinha a melhor defesa e contava com uma equipe experiente, composta pelos campeões mundiais Laurent Blanc e Christian Dugarry e pelo italiano goleador Fabrizio Ravanelli. Além deles, compunham o elenco os cobiçados Willy Gallas e Robert Pirès. Rolland Courbis tinha em mãos um time bastante forte.

Do outro lado, porém, estavam os Girondins, campeões do primeiro turno, sofreram dois tropeços no início da segunda parte da competição e acabaram ficando na vice-liderança com 45 pontos. Ainda assim, tinham o melhor ataque, com 44 gols marcados.

A gana de vencer e diminuir essa diferença fez com que tivessem 20 minutos de gala. Entre os 14 e 34 minutos da primeira etapa, o Bordeaux abriu 4×0 e encaminhou a vitória que lhe recolocou na liderança. Dugarry chegou a descontar na etapa final, apenas para fazer valer a “Lei do Ex”, mas insuficiente para estragar a festa dos Girondins, que assumiram a liderança da competição.

PSG: O fiel da balança

Contra o PSG, Wiltord foi quem decidiu com dois gols | Foto: Divulgação

Contra o PSG, Wiltord foi quem decidiu com dois gols | Foto: Divulgação

Depois da vitória no confronto direto, a liderança tornou-se uma batata quente, que queimava de mão em mão. Só houve uma estabilização no posto entre a 29ª e a 31ª rodada, quando o Bordeaux acumulou três tropeços seguidos e o Marseille se aproveitou.

Entretanto, faltando duas rodadas para o término da temporada, entrou em cena o Paris Saint-Germain. Com uma péssima campanha, ocupando a indigesta 10ª colocação, a equipe da capital francesa receberia o Marseille na 32ª rodada e o Bordeaux na última. Seria o legítimo fiel da balança, que decidiria o campeonato de forma indireta.

Tudo corria de vento em popa para o OM durante a rodada 32. Vencia o clássico por 1×0 e via os Girondins empatando em 2×2 com o Lens. Com essa combinação, chegaria a 68 pontos e abriria quatro pro Bordeaux, podendo ser campeão na rodada seguinte. Essa história virou pó a partir dos 37 minutos do segundo tempo dos dois jogos.

Neste mesmo minuto, Sylvain Wiltord acertou um chute de rara felicidade, do meio da rua, e virou a partida para o Bordeaux em Lens. A vantagem, que era de quatro pontos, voltava para dois. Um minuto depois, em Paris, Marco Simone finalizou de fora da área para empatar o clássico – e também o campeonato. Não deu muito tempo para respirar, e em um vacilo na saída de bola, Bruno Rodriguez aproveitou, virou a partida para o PSG e abriu caminho para o título do Bordeaux.

O trágico 2×1 tirou o Marseille da ponta e colocou lá o time de Élie Baup, que precisava manter a regularidade para ser campeão. E assim o fez ao vencer o Lyon por 1×0 e o próprio PSG por 3×2, numa emocionante partida decidida no minuto 88 por Pascal Feindouno, garoto de 18 anos que fez naquela noite o primeiro gol como profissional.

Cabe aqui abrir parênteses: essa vitória do Bordeaux sobre o Paris é até hoje questionada, especialmente pelo Marseille, pela vontade – ou falta dela – do PSG em vencer o jogo, tendo em vista a rivalidade criada pelas duas equipes.

Para o Bordeaux, essa rixa entre marseilaises e parisienses pouco importa. O que valeu foi o título, que veio 12 anos depois, superando frustrações como um vice-campeonato europeu, campanhas ruins e até um rebaixamento.

Time-base:

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Jogadores-chave:

Lassina Diabaté: meio-campista defensivo de bom combate, Diabaté era peça de confiança de Elie Baup. Canhoto e incansável, ajudou a solidificar o meio-campo da equipe, que ainda tinha o capitão Michel Pavon e os talentosos Ali Benarbia e Johan Micoud.

Ali Benarbia: O talentoso meia argelino ficou apenas uma temporada no Bordeaux, mas fez valer a pena cada uma das 25 partidas que disputou. Ao lado de Micoud, Wiltord e Laslandes, compôs um dos quartetos ofensivos mais poderosos dos últimos tempos na França. Com destaque nas assistências, foi eleito o melhor jogador da temporada antes de migrar para a capital e vestir a camisa do PSG.

Johan Micoud: Jogador de muita classe e técnica refinada, Micoud fez sua história especialmente no Bordeaux, por onde passou seis temporadas. O título em 1999 foi a grande conquista que teve pelo clube. Ao todo, anotou nove gols e deu seis assistências na temporada, sendo decisivo para o título e também para seu ingresso na seleção francesa – em 2000, seria campeão europeu com a França.

Lilian Laslandes: Centroavante a moda antiga, Laslandes teve a melhor temporada da carreira no ano do título do Bordeaux. Esteve em campo em 33 dos 34 jogos e marcou 15 gols, incluindo um triplé diante do Metz, na goleada por 6×0. Ingressou na lista de maiores artilheiros da história do clube e cravou nome entre os ídolos girondins.

Sylvain Wiltord: Para formar dupla letal com Laslandes, nada melhor que um atacante rápido e incisivo como Sylvain Wiltord. A combinação deu certo e ele anotou 22 gols na temporada, sendo o artilheiro do campeonato. Ou seja, 37 dos 66 gols saíram da dupla. Wiltord, porém, acabou sendo mais decisivo, com dois gols importantes no jogo do título diante do PSG, na vitória sobre o Marseille e em outros jogos de placares apertados, onde seus gols aumentaram em importância. O atacante do Bordeaux acabou sendo eleito o jogador francês do ano pela revista France Football – a última vez que o premiado foi um jogador girondin foi o ídolo Jean Tigana.

Futuro

Mesmo mantendo boa parte da base, o Bordeaux não teve uma temporada 1999/2000 das mais felizes. A dupla Laslandes e Wiltord foi às redes apenas 14 e 13 vezes, respectivamente, e não conseguiram ajudar os Girondins a conquistarem mais do que um 4º lugar. Além disso, o time ficou marcado por ter sido eliminado da Copa da França na fase semifinal diante do modesto Calais RUFC, clube da quarta divisão.

O seguinte – e até agora último – título francês do Bordeaux veio apenas na temporada 2008/2009, no histórico time comandado por Laurent Blanc.

Lances:

No vídeo abaixo, você confere todos os gols da campanha do Bordeaux no título da temporada 1998/1999, os 11 na História do Europa Football:

A megalomania brasileira do Rennes 2000/2001

Luís Fabiano (centro) e Lucas (esq.) estão no ranking das maiores contratações da história do clube | Foto: SportPierre Minier / Icon Sport

Luís Fabiano (centro) e Lucas (esq.) estão no ranking das maiores contratações da história do clube | Foto: SportPierre Minier / Icon Sport

De Jairzinho a Juninho Pernambucano, passando ainda por Paulo César Caju e Raí, a história de jogadores brasileiros no futebol francês é longa e bem-sucedida. Clubes como Paris Saint-Germain e Olympique Lyonnais, por exemplo, possuem vastas e positivas histórias com atletas de sangue verde e amarelo.

Olhando para esse histórico, daria para dizer que a receita do sucesso é injetar dinheiro no Brasil, certo? Bom, na temporada 2000/2001, o Rennes seguiu este conselho e se deu muito mal.

Abastecido financeiramente pela venda de Shabani Nonda ao Monaco por € 20 milhões e pelo milionário François-Pinault, que assumiu a presidência do clube em 1998, o clube decidiu ir às compras. Das cinco maiores contratações da história do clube bretão, estão dois brasileiros, que juntos somaram € 28 milhões, mas apenas seis gols.

Luís Fabiano e Lucas Severino chegaram ao Rennes em 2000/2001. O primeiro era uma revelação da Ponte Preta, comprado por € 7 milhões, enquanto o segundo era estrela no Atlético Paranaense, jogador da seleção olímpica em 2000. A negociação de Lucas foi a maior da história do clube, que investiu € 21 milhões no atleta – que estava acertado com o Marseille, até os bretões dobrarem a proposta. Nenhum dos dois chegou perto de vingar.

O Fabuloso atuou sete vezes em 2000/2001, antes de ser emprestado ao São Paulo, e mais quatro vezes na temporada seguinte. Não marcou nenhum gol e voltou para o Tricolor Paulista, desta vez, em definitivo. Anos depois, quando despontava como um dos principais atacantes da Europa, na época em que defendia o Sevilla, muitos na Bretanha se perguntavam o que aconteceu para que ele não tivesse dado certo por lá…

FOTO 2: Luís Fabiano deixou o Rennes sem marcar um gol sequer | Foto: Divulgação

FOTO 2: Luís Fabiano deixou o Rennes sem marcar um gol sequer | Foto: Divulgação

Já Lucas se tornou o símbolo do fracasso em grandes negociações. O brasileiro chegou à França bem gabaritado, sendo elogiado por Raí e comparado a Ronaldo pelo presidente da Internazionale, Massimo Moratti. Ele foi apresentado junto do argentino Lucas Turdó, contratado também por uma singela bagatela de € 12 milhões – e se tornou outro grande flop.

Mesmo sem aguentar o fardo do valor investido, o Rennes teve paciência de sobra com Lucas, que foi titular durante duas temporadas e marcou apenas sete gols. Depois de fracassados empréstimos a Corinthians e Cruzeiro, retornou ao clube, jogou algumas partidas e foi vendido ao futebol japonês, sacramentando uma grande decepção para a torcida. Hoje, não é nada anormal encontrar o nome dele nas listas de grandes flops da história do Campeonato Francês.

Lucas é tido como o maior flop da história do Rennes | Foto: Divulgação

Lucas é tido como o maior flop da história do Rennes | Foto: Divulgação

Vânder e César

Naquela mesma temporada, o Rennes trouxe outros dois brasileiros, que não eram tão conhecidos assim do grande público. Além de Luís Fabiano, os Rouge et noir trouxeram da Ponte Preta o meio-campista Vânder, na época, com 26 anos. Atrapalhado por uma série de lesões, entrou em campo apenas 18 vezes em duas temporadas, sem ter marcado um único gol. Chegou a ser emprestado ao Cruzeiro em 2002, mas depois rodou por clubes de médio porte no Brasil, até se aposentar em 2010.

Caso semelhante viveu César. Zagueiro formado na Portuguesa, chegou a seleção no fim dos anos 90 e logo se transferiu ao PSG, onde teve poucas oportunidades. Aproveitando a “onda brasileira”, o Rennes decidiu investir € 5 milhões em sua contratação. Eis outro negócio fracassado.

Logo na estreia, diante do Lyon, um empate em 2×2 no Gerland, César foi expulso no fim da partida por acúmulo de cartões. Duas rodadas depois, se redimiu, ao marcar um gol no empate em 1×1 diante do Monaco. Porém, o prestígio com o técnico Christian Gourcuff durou somente uma temporada. No ano seguinte, atuou na primeira metade do campeonato, até voltar ao Brasil e começar a rodar. Pelo Rennes, foram 37 jogos, dois gols, seis cartões amarelos e um vermelho.

O alto investimento em brasileiros não trouxe grandes resultados ao Rennes. Irregular durante toda a temporada, os bretões precisaram se contentar com um 6º lugar, com 50 pontos, com uma vaga na extinta Copa Intertoto. Para piorar, na última rodada, chegaram a abrir 3×1 no Lyon, que já era o vice-campeão, e cederam a virada em casa. A derrota, somada com a vitória do Sedan sobre o Auxerre, fez com que perdessem a vaga na Copa Uefa.

Rennes 2000/2001: um time que ficou lembrado pela “onda brasileira” | Foto: Divulgação

Rennes 2000/2001: um time que ficou lembrado pela “onda brasileira” | Foto: Divulgação

Sem samba na Bretanha

Mas engana-se quem pensa que a temporada 2000/2001 foi exceção na relação Rennes e brasileiros. Se há um clube francês que não se dá bem com atletas tupiniquins, certamente é o Rennes.

Ao longo da história, o clube bretão teve o atacante Emerson Sheik (na época conhecido como Emerson Passos), o zagueiro Adaílton, o volante Dudu Cearense (ambos campeões mundiais sub-20 em 2003) e até Baltazar (o conhecido “Artilheiro de Deus”) em seus elencos e nenhum deixou saudades.

Atualmente, quem está lá é Pedro Henrique, que alterna entre o time titular e reserva desde que chegou na temporada 2014/2015. Já são 79 jogos, com oito gols e oito assistências. Seria ele capaz de mudar esse cenário?

Depay e Sanson: os grandes negócios da janela francesa

O período de abertura da janela de transferências de inverno vai seguindo para as semanas finais, mas, na França, pelo menos nesta semana, não foi para Paris que se direcionaram os grandes negócios no Campeonato Francês. A dupla de Olympiques – Lyonnais e Marseille – acertou as contratações de Memphis Depay e Morgan Sanson, respectivamente, e movimentaram os últimos dias na Ligue 1.

Das duas, a negociação que mais chamou a atenção foi a de Depay, de 22 anos, que está no Manchester United. A transferência ainda não é oficial, mas está quase lá. O Lyon, inclusive, publicou foto do holandês chegando na França para finalizar os últimos termos do contrato. Especula-se entre os órgãos de imprensa franceses e ingleses que o OL pagará € 16,5 milhões, mais € 8 milhões de bônus, caso atinja alguns objetivos.

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Depay já está na França para acertar os últimos detalhes da transferência | Foto: Divulgação/Lyon

Valorizado após a Copa do Mundo de 2014, Depay não correspondeu às expectativas em duas temporadas e meia em Manchester e em 56 jogos pelo clube, anotou apenas sete gols e deu sete assistências.

Nesta temporada, com José Mourinho no comando, os números são piores e o holandês atuou em apenas 134 minutos, distribuídos em míseros oito jogos. São estatísticas que contrastam bastante com os 50 gols e 29 assistências nos tempos de PSV Eindhoven, na Holanda.

Na França, Depay tem tudo para dar certo na ponta esquerda do Lyon. Talento tem de sobra e pode acrescentar com um jogo mais agressivo pelas laterais. Uma das ideias, evidentemente, é fazer com que o OL, time que tem a maior média de chutes por jogo da Ligue 1 e é o terceiro melhor ataque da temporada, consiga explorar ainda mais este recurso.

Entretanto, dois fatores preocupam. O primeiro deles é o ritmo de jogo. Como citei acima, Depay foi pouco aproveitado por Mourinho e, em função disso, está inativo desde o dia 24 de novembro do último ano, quando atuou por apenas oito minutos contra o Feyenoord, pela Liga Europa. Importante ressaltar que o máximo de minutos que o holandês teve em uma partida nesta temporada foi 55, contra o Northampton Town, pela Copa da Liga.

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

Nem mesmo a lendária camisa 7 fez com que Depay ganhasse minutos nesta temporada pelo United | Foto: Facebook/Memphis Depay

O outro fator seria uma possível decepção pelas cifras envolvidas. Ao pagar a bagatela de mais de € 16 milhões, o Lyon transmite um recado bem claro a Depay: “queremos você jogando e sendo decisivo”.

O próprio OL tem um trauma com altos investimentos que deram errado, vide os casos de Yoann Gourcuff (€ 22 milhões), Kader Keitä (€ 16,8 milhões) e Aly Cissokho (€ 16,2 milhões), contratados a peso de ouro, mas que deixaram o clube pela porta dos fundos. Uma nova decepção em um investimento caro seria um duro golpe na autoestima de um clube que busca, a sua maneira, competir com os milionários PSG e Monaco.

Além disso, vale ressaltar que a Ligue 1 tem sido terreno fértil para clubes de outros ligas deitarem e rolarem, gastando pouco e tendo um retorno muito maior, tanto dentro de campo, quanto financeiramente. Alguns exemplos são Dimitri Payet, contratado pelo West Ham junto ao Marseille por € 15 milhões, e N’Golo Kanté, trazido do Caen pelo Leicester City por € 9 milhões, valores que são relativamente pequenos para clubes ingleses.

Alguns torcedores, desconfiados com a contratação de Depay, se perguntam: não seria melhor garimpar algum talento na França por um valor menor? Só o tempo para responder.

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

Na Inglaterra, o holandês não repetiu dos bons números que obteve no futebol holandês | Arte: Europa Football

A negociação que já é oficial, entretanto, envolve o meio-campista Morgan Sanson, de 22 anos. Ele foi contratado pelo Marseille, junto ao Montpellier, pelo valor de € 9 milhões, com € 3 milhões de bônus.

O OM adquiriu um meio-campista completo. Sanson pode fazer a função defensiva e ofensiva e deve contribuir de várias maneiras ao time comandado por Rudi Garcia. É um jogador de muita técnica, boa distribuição de jogo e que possui, principalmente, boa decisão de jogadas e sabe o que fazer na hora de articular uma situação de gol.

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Sanson vestirá a camisa 8 no OM | Foto: Allan Chaussard/OM

Na atual temporada, Sanson era um dos poucos que vinha se salvando na péssima temporada do Montpellier, tendo marcado três gols e distribuído sete assistências. Já não é de hoje que vinha fazendo boas exibições no MHSC e foi premiado agora com essa transferência.

O grande impasse sobre Sanson é sobre a concentração mesmo. O Marseille já trouxe a pouco tempo outras revelações do futebol francês, como Florian Thauvin e Remy Cabella, mas ambos não conseguiram ainda repetir as atuações que os projetaram até a Premier League, por exemplo. Certamente há um temor em Garcia e em toda a direção que um novo garoto problema surja. O histórico de Sanson não aponta isso, mas o ambiente turbulento do OM é propício para pressões extremas, “criando” novos flops. À primeira vista, é um grande negócio do OM.

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Sanson era um dos destaques do frágil Montpellier | Arte: Europa Football

Com o passar das semanas, a tendência é que o mercado fique mesmo mais agitado. Quem ainda almeja algo na temporada, certamente vai mexer os pauzinhos para trazer novos reforços e cumprir com as metas. Alguns ainda vão tentar se estabelecer com o que tem e segurar as suas peças. A única certeza é que o mercado francês já está tendo suas movimentações de impacto.

As maiores transferências da história da Ligue 1 – antes dos times milionários

A cada abertura de janela de transferências, há um frisson na Europa sobre qual será a grande investida do Paris Saint-Germain. Fortemente abastecido financeiramente pela Qatar Sports Investiments, o clube da capital francesa já foi capaz de realizar ousadas contratações como as de Edinson Cavani (€ 64 milhões), Ángel Dí Maria (€ 63 milhões) e David Luiz (€ 50 milhões), todos frutos desta ambição parisiense.

Dá para englobar nessa lista ainda o Monaco, do bilionário russo Dmitri Rybolovlev, que investiu € 60 milhões em Falcao García e € 45 milhões em James Rodríguez. Claro, ressalte-se, que ele diminuiu drasticamente os investimentos após algumas polêmicas pessoais.

Mas muitos ainda se perguntam: afinal, antes das injeções de dinheiro em Paris e em Monaco, quais eram as maiores negociações da história do Campeonato Francês? Para sanar essa dúvida, decidi trazer hoje o levantamento das cinco maiores transferências do Francesão… antes dos investimentos milionários de PSG e Monaco. Os dados foram todos extraídos do site Transfermarkt. Confira!

5º – Sonny Anderson – Lyon – € 19 milhões

Sonny Anderson se notabilizou como um dos brasileiros mais bem sucedidos do futebol francês | Foto: Divulgação

Sonny Anderson se notabilizou como um dos brasileiros mais bem sucedidos do futebol francês | Foto: Divulgação

Sem larga carreira no Brasil, Sonny Anderson teve bom desempenho no exterior, especialmente na França. Nos anos 90, fez boas temporadas em Marseille e Monaco, antes de passar dois anos no Barcelona. O nome que construiu em terras gaulesas fez com que o Lyon, já iniciando a era hegemônica do começo da última década, investisse € 19 milhões no brasileiro em 1999/2000. O investimento não se mostrou ruim e Anderson balançou as redes 94 vezes em 165 partidas e ainda participou dos dois primeiros títulos franceses da série de sete do clube. Deixou a equipe em 2003, aos 33 anos, para jogar pelo Villarreal.

No ranking geral, Sonny Anderson é o 24º.

4º – Shabani Nonda – Monaco – € 20 milhões

Nonda fechou a conta no histórico 3x1 sobre o Chelsea | Foto: Panoramic

Nonda fechou a conta no histórico 3×1 sobre o Chelsea | Foto: Panoramic

Depois de duas belas temporadas no Rennes, o congolês Shabani Nonda foi contratado pelo Monaco por € 20 milhões na temporada 2000/2001. Na época, ele veio para suprir a ausência de David Trezeguet, vendido para a Juventus naquele mesmo ano. O ápice do atacante foi em 2002/2003, ano em que o clube do Principado foi vice-campeão europeu. Nonda fez 28 gols em 40 jogos na temporada, inclusive o terceiro na vitória por 3×1 sobre o Chelsea, que colocou o ASM na final da Liga dos Campeões. Deixou o clube ao término da temporada 2004/2005, quando encerrou o contrato, com a sensação de que cumpriu bem o seu papel.

Shabani Nonda é o 23º no nosso ranking.

3º – Yoann Gourcuff – Lyon – € 22 milhões

Gourcuff não venceu as lesões e fracassou no Lyon | Foto: IconSport

Gourcuff não venceu as lesões e fracassou no Lyon | Foto: IconSport

Yoann Gourcuff era um dos pilares do Bordeaux campeão francês de Laurent Blanc, razão que fez com que o Lyon investisse € 22 milhões em sua contratação na temporada 2010/2011. Entre altos e baixos, a vinda do talentoso meia se mostrou um completo fracasso. Tentando vencer as lesões, Gourcuff não conseguiu entrar em campo 30 vezes em três das cinco temporadas no Gerland. Em 30 de junho de 2015, o contrato venceu e o Lyon não renovou.

No nosso ranking, Gourcuff está em 19º lugar.

2º – Lisandro López – Lyon – € 24 milhões

Bons números e a interminável disposição em campo fizeram com que Lisandro conquistasse a torcida do Lyon | Foto: Flash Press

Bons números e a interminável disposição em campo fizeram com que Lisandro conquistasse a torcida do Lyon | Foto: Flash Press

Jogador do ano em Portugal em 2008, onde também foi artilheiro do campeonato nacional com 24 gols, o argentino Lisandro López parou em Lyon por € 24 milhões em 2009. Maior contratação da história do Olympique Lyonnais, Licha, como passou a ser carinhosamente chamado pela torcida, fez valer todo o investimento – diferentemente de Gourcuff. Durante cinco temporadas (quatro completas), fez 82 gols em 168 jogos, sendo o 10º maior artilheiro da história do clube. Deixou o OL na temporada 2013/2014 ovacionado pelo torcedor, que reconheceu o ídolo que foi formado.

No ranking geral, Lisandro está em 18º.

1º – Nicolas Anelka – PSG – € 34,5 milhões

A contratação de Anelka foi um dos atos megalomaníacos de grandeza do PSG antes de se tornar milionário | Foto: Divulgação

A contratação de Anelka foi um dos atos megalomaníacos de grandeza do PSG antes de se tornar milionário | Foto: Divulgação

Revelado pelo Paris Saint-Germain em 1996, Nicolas Anelka retornou a capital francesa quatro anos depois em uma transferência que assombrou a Europa. Com o investimento € 34,5 milhões, o PSG firmou com o atacante, que estava no Real Madrid, um contrato de sete anos em um negócio recorde para o ano 2000. O retorno se mostrou um grande problema. Com dificuldades de relacionamento, Anelka durou somente duas temporadas no clube, com 20 gols em 66 jogos. Em 2002/2003, foi negociado com o Manchester City, por € 20 milhões.

No ranking geral, a negociação envolvendo Anelka e PSG ocupa a 10ª colocação no ranking geral do Campeonato Francês.

Quem completa o top-10?

Jogador Clube Valor Temporada
Lucho Gonzalez Marseille € 19 milhões 2009/2010
Michel Bastos Lyon € 18 milhões 2009/2010
Kader Keita Lyon € 16,8 milhões 2007/2008
Aly Cissokho Lyon € 16,2 milhões 2009/2010
André-Pierre Gignac Marseille € 16 milhões 2010/2011


E na lista geral?

Jogadores Clubes Valores Temporada
Edinson Cavani PSG € 64,5 milhões 2013/2014
Ángel Dí Maria PSG € 63 milhões 2015/2016
David Luiz PSG € 49,5 milhões 2014/2015
James Rodríguez Monaco € 45 milhões 2013/2014
Falcao Monaco € 43 milhões 2013/2014
Thiago Silva PSG € 42 milhões 2012/2013
Javier Pastore PSG € 42 milhões 2011/2012
Julian Draxler PSG € 40 milhões 2016/2017
Lucas PSG € 40 milhões 2012/2013
Nicolas Anelka PSG € 34,5 milhões 2000/2001

Top-5 vendas:

Jogador Clubes envolvidos Valores
James Rodríguez do Monaco para o Real Madrid € 75 milhões
Anthony Martial do Monaco para o Manchester United € 50 milhões
Michy Batshuayi do Marseille para o Chelsea € 39 milhões
Didier Drogba do Marseille para o Chelsea € 38,5 milhões
Michael Essien do Lyon para o Chelsea € 38 milhões

O inferno de Mamadou Sakho

Sakho está fora dos planos de Jürgen Klopp, no Liverpool | Foto: Getty Images

Sakho está fora dos planos de Jürgen Klopp, no Liverpool | Foto: Getty Images

Mamadou Sakho é o típico zagueiro francês: alto, de ombros largos, forte fisicamente e parece ter duas vezes o tamanho que realmente tem. Na França, em qualquer esquina é possível encontrar defensores assim e todo time deve ter um ou dois no elenco.

Entretanto, diferente de muitos outros, Sakho nasceu para o futebol em algo semelhante a um berço de ouro. Formado no Paris Saint-Germain, na época em que o clube não era milionário, o zagueiro era tido como a grande esperança do futuro de uma equipe que era grande só no papel. Ainda longe dos xeiques e das cifras hipnotizantes, os parisienses sonhavam alto e tinham no zagueiro uma grande referência para crescer.

Lapidado desde os 12 anos de idade em Camp des Loges, o defensor cresceu rápido, inclusive sendo titular do PSG campeão nacional sub-18… quando tinha apenas 15 anos. Dois anos depois, já estava entre os profissionais do clube. Em pouco tempo, Sakho foi de promessa a capitão do time e foi um dos que ganhou respeito da torcida parisiense por conseguir transitar da “era pobre” pro momento milionário da equipe.

Ótimo no jogo físico e de boa qualidade técnica para um defensor do biótipo que tem, ele sempre se saiu bem em Paris. Salvo um ou outro equívoco, coisa natural para um jovem, Sakho fez valer todo o cuidado e dedicação que recebeu na base do clube.

Deixou o PSG em 2013 com o título de campeão francês, o ápice que teve pelo clube. Além disso, acumulou conquistas individuais, como Jogador Jovem do ano da União Nacional dos Futebolistas Profissionais (UNFP em francês) em 2011, mesma temporada em que entrou na seleção do campeonato.

Formado em Paris, Sakho foi capitão do PSG durante algumas temporadas | Foto: Divulgação/PSG

Formado em Paris, Sakho foi capitão do PSG durante algumas temporadas | Foto: Divulgação/PSG

Hoje, com 26 anos (fará 27 em fevereiro) e na quarta temporada na Inglaterra, Sakho se vê em cenário totalmente oposto. Longe de Paris, o zagueiro vive um inferno que parece não ter fim em Liverpool, culminando com uma temporada 2016/2017 desastrosa, onde somente entrou em campo pelo time sub-23 dos Reds.

O que agrava a situação do francês é que o problema principal passa longe de estar somente dentro das quatro linhas. Dentro de campo, aliás, acumula boas atuações – apesar de deixar a impressão de que poderia render mais. Ao longo da passagem pelo futebol inglês, entretanto, Sakho possui uma série de episódios controversos, que foram minando-o dentro do próprio clube.

Em 2014, por exemplo, ao saber que ficaria de fora do clássico contra o Everton, simplesmente abandonou o estádio. O episódio foi contornado após um pedido de desculpas. Dois anos depois, teve a suspeita de doping no mês de abril, que fez com que a Uefa o investigasse. O Liverpool optou por afasta-lo durante a investigação. Ele chegou a ser suspenso, mas foi absolvido em julho. Neste meio tempo, perdeu tempo, espaço e ficou fora da Eurocopa, que seria disputada na própria França.

O estopim, entretanto, foi durante a pré-temporada. O atraso no voo para os Estados Unidos, onde o Liverpool se preparava para a temporada, e também para sessões de tratamento médico e refeição desagradaram ao técnico alemão Jürgen Klopp, que o mandou embora da terra do Tio Sam e o afastou para o time sub-23, situação que se mantém até este momento.

A irresponsabilidade na pré-temporada esfriou a relação entre Klopp e Sakho | Foto: Getty Images

A irresponsabilidade na pré-temporada esfriou a relação entre Klopp e Sakho | Foto: Getty Images

Longe da seleção francesa desde março de 2016, Sakho não jogou pelo time principal nesta temporada. A última aparição pelos Reds foi em 20 de abril de 2016, na goleada por 4×0 sobre o Everton, onde foi bastante elogiado pela marcação em cima do belga Romelu Lukaku. Cabe acrescentar que o declínio do francês teve início em um de seus principais momentos no clube, se não o melhor. O zagueiro era titular de Klopp, vinha de boas atuações e com gols decisivos, como na classificação para a semifinal da Europa League, na vitória por 4×3 sobre o Borussia Dortmund.

Porém, o episódio do doping – depois comprovado que era inocente – o deslocou totalmente do cenário do clube. Perdeu espaço e prestígio e não mostrou responsabilidade para recuperar dentro da pré-temporada.

Somado a tudo isso, o histórico de lesões é preocupante e contribuiu para que não conseguisse ter uma grande sequência. Desde que chegou ao Liverpool foram sete problemas, conforme o site Transfermarkt:

– Temporada 13/14: estiramento na coxa – 59 dias;

– Temporada 14/15: estiramento na coxa – 77 dias;

– Temporada 14/15: lesão no quadril – 14 dias;

– Temporada 14/15: estiramento na coxa – 46 dias;

– Temporada 15/16: ruptura dos ligamentos do joelho – 38 dias;

– Temporada 15/16: lesão no joelho – 7 dias;

– Temporada 16/17: problemas no tendão de Aquiles – 42 dias;

Somente por lesão, Sakho perdeu 52 partidas do Liverpool, quase a mesma quantidade de jogos que teve na Premier League: 56. Números estarrecedores que aumentam a sensação de inferno que vive em Liverpool.

O francês agora tem jogado pelo time sub-23 do Liverpool | Foto: Getty Images

O francês agora tem jogado pelo time sub-23 do Liverpool | Foto: Getty Images

O fato é que os Reds querem se livrar de Sakho de qualquer maneira. O problema é que o zagueiro renovou contrato em 2015 e agora tem vínculo até junho de 2020, o que faz com que o Liverpool queira ao menos £20 milhões para deixa-lo sair. Sevilla, Galatasaray e Swansea City surgiram como interessados. Até o fechamento da janela, muita coisa vai rolar.

Sem confiança, sem moral dentro do clube e sem condição física ideal, Sakho, em uma idade onde poderia estar atingindo o auge de uma carreira que iniciou de forma meteórica, hoje se vê no ocaso dela, buscando um clube para jogar e, enfim, voltar a velha forma.

Angers e Nice saem perdendo com a CAN 2017

Jean Seri será um dos desfalques na Ligue 1 | Foto: Divulgaçãoi/Instagram @mika_seri6

Jean Seri será um dos desfalques na Ligue 1 | Foto: Divulgaçãoi/Instagram @mika_seri6

A cada dois anos acontece o torneio mais importante entre seleções do continente africano: a Copa Africana de Nações – CAN. A edição de 2017 acontece no Gabão, de 14 de janeiro a 5 de fevereiro, reunindo 16 equipes.

Porém, a tradicional festa das torcidas africanas observada nas arquibancadas se contrasta com o desespero dos clubes europeus, que em plena metade de temporada precisam ver alguns de seus principais atletas perderem semanas de jogos importantes nas ligas nacionais para disputar a CAN.

A França é um dos países mais afetados por isso. Muitos países africanos são colônias francesas, por isso, diversos atletas encontram no país gaulês refúgio para conflitos sociais e também uma maneira de desenvolver o próprio futebol.

Nesta edição, são 34 jogadores apenas da Ligue 1 desfalcando 18 dos 20 times – somente Bordeaux e Nantes não perderam atletas. O Lille acabou sendo a equipe que mais perdeu jogadores. Como se não bastasse a campanha ruim, marcada por um decepcionante 12º lugar, a equipe do norte da França perdeu cinco atletas para a disputa da CAN. Somente Mali e Marrocos tomaram quatro do LOSC.

A seleção malinesa, comandada pelo ex-jogador francês Alain Giresse, tirou do Lille os jovens Youssouf Koné (zagueiro) e Yves Bissouma (meio-campista). Dos dois, apenas o meio-campista tem minutos na Ligue 1, tendo participado de nove jogos na temporada. Não chega a ser titular, mas joga com frequência.

Já na seleção marroquina de Hervé Renard, que já treinou o Lille, estão convocados o meia Mounir Obbadi e o defensor Hamza Mendyl. Ambos não devem fazer falta. O primeiro, aos 33 anos, não obteve espaço desde que chegou do Monaco e sofreu com lesões nesta temporada, tendo jogado pouco, enquanto o segundo, garoto de apenas 19 anos, sequer entrou em campo na Ligue 1.

Porém, é o tunisiano Naïm Sliti quem fará falta. Titular na reta final do primeiro turno, o meia é o jogador com segunda melhor média de dribles da equipe e o site WhoScored, especialista em estatísticas, o coloca com a segunda melhor média geral do LOSC.

Arte: Europa Football

Arte: Europa Football

O alento para o Lille é que dos cinco jogadores, quatro não são vitais a equipe. O mesmo não pode ser dito para o Angers, que lutando contra o rebaixamento perde quatro titulares de uma levada só, sendo um dos mais prejudicados com a CAN 2017.

Ekambi defenderá Camarões; Ndoye e Diedhiou estarão com Senegal; já Pepé estará com a seleção costa-marfinense. Deste quarteto estão simplesmente 12 dos 15 gols do Angers na Ligue 1. Será um árduo desafio para Stéphane Moulin, que viu sua equipe vencer um e perder seis dos últimos dez jogos.

Líder desfalcado

O outro grande derrotado é o líder da Ligue 1. O surpreendente Nice de Lucien Favre perdeu uma peça fundamental no meio-campo: Jean Michaël Seri, que defenderá Costa do Marfim na CAN 2017 – aliás, Costa do Marfim e Senegal, com seis cada, são as seleções que mais convocaram atletas do Campeonato Francês.

Seri foi um dos achados do Nice na temporada passada ao ser contratado junto ao Paços de Ferreira, em Portugal, e agora se firmou como um dos grandes nomes do time. Ele é o líder em assistências na Ligue 1 – oito ao todo.

Arte: Europa Football

Arte: Europa Football

Além do impressionante número de passes para gol, Seri tem um elevado aproveitamento de 89,1% de passes certos. Segundo o site Squawka, o costa-marfinense errou 98 passes na Ligue 1, média de 6,1. Em passes certos, porém, esse número sobe para 984, média de 61,5 por partida. O detalhe é que não são passes inertes. Confira abaixo o gráfico da Squawka que comprova bem a eficácia deles:

Arte: Squawka

Arte: Squawka

Os números positivos de Seri são refletidos nos dados de chances criadas após passes dele. Conforme a Squawka, 38 chances de gol saíram depois de seus passes, sendo que em oito saíram gols. Prejuízo grande para o técnico Lucien Favre, que poderia ser ainda maior caso Younes Belhanda não tivesse ficado de fora da lista de Herve Renard, na seleção marroquina. Uma lesão tirou o jogador da competição.

Confira a seguir todos os jogadores da Ligue 1 que foram convocados e seus números:

Angers

Jogador Seleção JG G A
Karl Toko Ekambi Camarões 18 2 3
Cheikh Ndoye Senegal 18 2 3
Famara Diedhiou Senegal 18 6 2
Nicolas Pepé Costa do Marfim 18 2 1

Bastia

Jogador Seleção JG G A
Lassana Coulibaly Mali 16 0 2

Caen

Jogador Seleção JG G A
Syan Ben Youssef Tunísia 6 0 0

Dijon

Jogador Seleção JG G A
Fouad Chafik Marrocos 16 0 0
Mehdi Abeid Argélia 15 2 1

Guingamp

Jogador Seleção JG G A
Jordan Ikoko RD Congo 17 0 1

Lille

Jogador Seleção JG G A
Naïm Sliti Tunísia 10 1 1
Hamza Mendyl Marrocos 0 0 0
Mounir Obbadi Marrocos 5 0 0
Youssouf Koné Mali 0 0 0
Yves Bissouma Mali 9 0 0

Lorient

Jogador Seleção JG G A
Benjamin Moukandjo Camarões 15 7 0
Zargo Touré Senegal 16 1 0

Lyon

Jogador Seleção JG G A
Nicolas N’Koulou Camarões 7 0 0
Rachid Ghezzal Argélia 14 2 2

Marseille

Jogador Seleção JG G A
Clinton N’Jie Camarões 13 3 1

Metz

Jogador Seleção JG G A
Georges Mandjeck Camarões 17 2 6
Ismaïla Sarr Senegal 18 0 0
Cheick Doukouré Costa do Marfim 14 0 0

Monaco

Jogador Seleção JG G A
Nabil Dirar Marrocos 7 0 1
Adama Traoré Mali 5 2 0

Montpellier

Jogador Seleção JG G A
Yacouba Sylla Mali 9 1 0

Nancy

Jogador Seleção JG G A
Serge N’Guessan Costa do Marfim 7 0 0
Yousseff Ait-Bennasser Marrocos 15 3 1

Nice

Jogador Seleção JG G A
Jean Serri Costa do Marfim 17 2 8

PSG

Jogador Seleção JG G A
Serge Aurier Costa do Marfim 11 0 3

Rennes

Jogador Seleção JG G A
Giovanni Sio Costa do Marfim 18 5 0
Ramy Bensebaini Argélia 12 0 0

Saint-Étienne

Jogador Seleção JG G A
Henri Saivet Senegal 11 1 1
Cheikh M’Bengue Senegal 12 0 0

Toulouse

Jogador Seleção JG G A
Steeve Yago Burkina Faso 16 0 0

Estamos de volta!

Até a seleção holandesa vibrou com a volta do blog (Foto: Ian Walton | Getty Images)

Até a seleção holandesa vibrou com a volta do blog (Foto: Ian Walton | Getty Images)

O blog Europa Football nasceu como um hobbie de um guri que sempre foi apaixonado por futebol e se encantou ainda mais pelo jogo no continente europeu.

Começamos com relatos dos jogos. Passando o tempo, me deram um toque: “Eduardo, pra relatos de jogos tem os portais. Blog é espaço pra análise”. Considerei a ideia e assim fomos com posts mais analíticos, com minha cara mesmo. Critiquei, elogiei, viajei e acertei na mosca. De tudo um pouco, uns mais, outros menos.

No meio disso tudo, entraram algumas histórias. Times que marcaram época, jogadores que viveram fatos curiosos e partidas que ficaram marcadas para sempre ganharam espaço no Europa Football. Com uma dessas histórias, ficamos na capa do Globoesporte.com numa época natalina. Dia inesquecível, com certeza.

O blog foi crescendo. Colunistas entraram e saíram e os acessos foram aumentando. Não foi um “noooooooossaaaaa, quantos acessos”, mas foi o suficiente para me agradar. Vieram os “Contos da Euro”, os boletins na Rádio Globo e nasceu o meu querido “Le Podcast du Foot”. É, o Europa Football ganhou conteúdo.

No meio deste tempo todo, este nobre blogueiro entrou na faculdade. Foram quatro árduos anos de trabalho e estudo. Quatro anos acordando cedo e dormindo tarde. Quatro anos que deixaram o blog em segundo plano. De 119 publicações em 2012, último ano antes de entrar no ensino superior, foram apenas sete em 2016.

Mas eis que os quatro anos passaram, a faculdade acabou e volto a fazer algo que sempre gostei: falar de futebol no blog. A partir deste dia 9 de janeiro de 2017, criarei uma rotina de textos para publicar aqui no site. Sim, a maioria das publicações será sobre futebol francês, mas sempre que possível darei meus pitacos de acontecimentos de outros países do continente.

Agradeço a todos que leem este post, seja quem aguardava por mais textos, seja quem está conhecendo o espaço agora. Espero que continuem fieis nas próximas semanas, assim como espero cumprir com o objetivo de trazer ao menos três posts por semana.

É por isso que, com imensa alegria, anuncio que estamos de volta!