Kimpembe, Mendy, Mbappé… A necessária renovação de Deschamps

A França vice-campeã europeia em 2016 tinha no elenco oito jogadores com pelo menos 30 anos e somente quatro sub-23. Para um país que vem produzindo tantos bons atletas nos últimos anos, o recado para o futuro era claro: uma renovação era necessária para a Copa de 2018, na Rússia. Não pelos resultados recentes (além do vice europeu, o desempenho na Copa do Mundo de 2014 foi satisfatório), mas pela visão de inclusão entre os experientes ainda em forma com os jovens expoentes do país.

O técnico Didier Deschamps percebeu esta necessidade e começou a incluir os garotos na seleção. Na última convocação, para enfrentar Luxemburgo, pelas Eliminatórias Europeias, e Espanha, em amistoso, o número de ‘trintões’ caiu para cinco e de sub-23 subiu para oito. Medida mais do que acertada, tendo em vista que o jogo oficial é contra uma equipe inferior tecnicamente e o amistoso será um bom teste contra uma campeã mundial.

Mas voltando ao foco da convocação, entre os nomes que mais chamam a atenção está o de Kylian Mbappé. O atacante de apenas 18 anos vem se destacando no Monaco e foi chamado pela primeira vez por DD.

Mbappé conquistou o Campeonato Europeu Sub-19 em 2016 | Foto: Sportsfile

Mais do que os 12 gols marcados na Ligue 1, número bastante expressivo para um jogador de tal idade e que divide atenções com Radamel Falcao, Mbappé chega para disputar um espaço que se viu polarizado por Olivier Giroud e Karim Benzema por, pelo menos, cinco temporadas. Com a instabilidade do Gunner e a ausência do Merengue por toda aquela polêmica do caso com Mathieu Valbuena, encontrar uma opção era necessário e trabalhar com o monegasco desde cedo é uma bela cartada de Deschamps.

O Monaco, aliás, é o time que mais forneceu jogadores para a seleção ao lado do Paris Saint-Germain: ambos cederam cinco atletas. Do clube do Principado, porém, vieram cinco abaixo dos 25 anos.

Entre eles está Benjamin Mendy, de 22. Frequentador das seleções de base da França desde o sub-16, foi tratado como uma grande joia na reconhecida base do Le Havre (Vikash Dhorasoo, Steve Mandanda e Paul Pogba são alguns dos que foram formados ali) e evoluiu muito no Monaco, após frustrante passagem pelo Marseille. Hoje, Mendy é um dos líderes em interceptação e em assistências do time, além de ter a melhor média de cruzamentos certos.

Em uma posição que passou praticamente uma década dominada por Patrice Evra, que teve como sombra um burocrático Gaël Clichy, a boa nova é ver Mendy em ótimo nível. Ah, lembremos que essa função também está servida pelos ótimos Laywin Kurzawa e Lucas Digne (apenas o primeiro foi convocado).

A zaga do futuro?

Kimpembe já está na segunda convocação | Foto: Sky Sports

Para compor a defesa, a grande novidade foi Presnel Kimpembe, de 21 anos. Formado no PSG, o franco-congolês esteve próximo de defender a seleção da República Democrática do Congo. Chegou a jogar pela equipe sub-20 e chamado para a principal, mas recusou para defender os Bleus sub-20. É sua segunda convocação, mas ainda não jogou.

Apesar de disputar posição com os brasileiros Marquinhos e Thiago Silva, o garoto já é o terceiro do time em interceptações (atrás do próprio Thiago e Kurzawa) e é o atleta com maior porcentagem de passes certos do PSG, com 93,8%.

Kimpembe é a grande aposta para formar dupla no futuro com outro garoto, que já é realidade: Sammy Umtiti. A exemplo do parisiense, o defensor de apenas 23 anos se mostra em casa no Barcelona e vem mostrando as razões de ser um dos zagueiros mais promissores do planeta. Em meio a tantas estrelas, é o jogador com maior porcentagem de passes certos (93,3%), segunda maior média de vitórias em disputas aéreas e o terceiro em intercepções e chutes bloqueados.

A tendência inicial é DD apostar em Umtiti ao lado do experiente Laurent Koscielny, de 31 anos, mas nada impede de já tentar ver o que ele pode render com Kimpembe. Podemos esperar uma dupla de muita técnica e com ótima capacidade de recuperação.

Injustiça com Lacazette

Artilheiro do Lyon, Lacazette foi colocado de lado por Giroud e Gameiro | Foto: Divulgação

A convocação de Deschamps, entretanto, não foi 100% maravilhosa. No ataque, é inconcebível que ele tenha deixado de fora Alexandre Lacazette, do Lyon, para optar por Olivier Giroud, do Arsenal, e Kevin Gameiro, do Atlético de Madrid. Qualquer um dos dois poderia ter sido sacado para a convocação do artilheiro do OL.

Em 2.757 minutos jogados em toda a temporada, Lacazette marcou impressionantes 29 gols, o que lhe dá uma média de um gol a casa 95 minutos (a cada um jogo e cinco minutos). Seus concorrentes não possuem números sequer semelhantes.

Giroud é o que mais se aproxima. O Gunner marcou 12 gols divididos em 1.247 minutos, tendo média de um a cada 103 minutos (um jogo e 13 minutos). Com Gameiro, fica até injusto comparar. O Colchonero tem 14 tentos em 2.065 minutos, praticamente um gol a cada dois jogos.

Somente no ano de 2017, Lacazette marcou 14 gols. Isso mesmo! Só nesses quase três meses de ano, ele tem mais gols que Giroud e igualou os números de Gameiro em toda a temporada. Se há alguém pronto para assumir o protagonismo no ataque francês, certamente este alguém é Lacazette.

Pílulas da convocação

– Ao todo, sete convocados não estrearam pela seleção francesa. Alguns, como o citado caso de Kimpembe e Alphonse Areola, já foram até convocados, mas não entraram em campo;

– Reconheço que a temporada de Areola não é nada boa, mas levando em conta que a função de terceiro goleiro de seleção é praticamente figurativa, considerei interessante a escolha, até por ele ter potencial. Viver o ambiente de seleção com Hugo Lloris e também com Benoît Costil será de boa valia ao parisiense;

Impossível não gostar das opções de meio-campo da França. Dos mais conhecidos, como o vigoroso Blaise Matuidi e do talentoso Dimitri Payet, a jovens de muito talento, como Adrien Rabiot e Thomas Lemar, ambos de 21 anos. Somente as opções de meio-campo valeriam outro post;

– Sobre os jogos, o primeiro, contra Luxemburgo, é praticamente uma vitória protocolar sobre um adversário que acumulou apenas um ponto. Com Bulgária e Holanda se enfrentando, os três pontos se tornam fundamentais visando já a próxima rodada, em junho, contra a Suécia. Será o confronto direto que vai delinear os rumos do Grupo A;

– Já o amistoso diante da Espanha se caracteriza num bom teste para o jovem time francês. O jogo ganha um atrativo a mais pelo fato de a Fúria também passar por um processo de renovação. As duas seleções poderão provar seus poderes de fogo nesse confronto;

Os convocados:

Goleiro: Alphonse Areola (PSG), Hugo Lloris (Tottenham) e Benoît Costil (Rennes)

Laterais: Christophe Jallet (Lyon), Djibril Sidibé (Lille), Layvin Kurzawa (PSG) e Benjamin Mendy (Monaco)

Zagueiros: Presnel Kimpembe (PSG), Laurent Koscielny (Arsenal), Adil Rami (Sevilla) e Samuel Umtiti (Barcelona)

Meio-campistas: Tiemoue Bakayoko (Monaco), N’Golo Kanté (Chelsea), Thomas Lemar (Monaco), Blaise Matuidi (PSG), Adrien Rabiot (PSG) e Corentin Tolisso (Lyon)

Atacantes: Ousmane Dembele (Borussia Dortmund), Kevin Gameiro (Atlético de Madrid), Olivier Giroud (Arsenal), Antoine Griezmann (Atlético de Madrid), Kylian Mbappé (Monaco), Dimitri Payet (Marseille) e Florian Thauvin (Marseille)

Só restou a rivalidade entre as torcidas

OM e PSG fazem o maior clássico da França | Foto: Yannick Parienti/OM

Olympique de Marseille e Paris Saint-Germain possuem vários atrativos para formar uma rivalidade destrutiva na Europa. Os dois clubes são de cidades antagônicas, com diferenças culturais e sociológicas, além de possuírem torcidas fanáticas que não se bicam, fazendo com que tenham um forte potencial comercial, que foi devidamente explorado durante as décadas de 1990 e 2000. Assim surgiu Le Classique, tido como o maior clássico da França.

Dentro das quatro linhas também há grande rivalidade. Enquanto o PSG se orgulhava do Parque dos Príncipes e do rápido crescimento, o Marseille batia no peito e, com muito orgulho, gritava que era o único francês a vencer uma Liga dos Campeões.

Todos esses fatores, porém, estão indo por água abaixo pela disparidade técnica entre as duas equipes nos últimos anos. Ambos se mostram incapazes de competir em níveis iguais. O cenário atual mostra um Paris milionário desde a chegada da Qatar Sports Investiments defronte um OM, que passou por dificuldades financeiras e somente agora, com o norte-americano Frank McCourt no comando, tenta se reerguer. O reflexo disso é uma doutrinação parisiense que perdura seis anos.

A última vez que os torcedores do Marseille voltaram para casa com uma vitória foi no dia 27 de novembro de 2011, quando derrotaram o já milionário PSG por 3×0. Era a primeira temporada do time da capital francesa com investimento do Qatar e a equipe ainda passou alguns maus bocados no primeiro semestre com o técnico Antoine Kombouaré, que viria a ser demitido na virada do ano. Um dos pontos altos desse preocupante rendimento foi exatamente esta derrota no Vélodrome.

Desde aquele dia, foram 14 jogos, com impressionantes 12 vitórias do PSG e dois empates. Neste período, o Paris fez 32 gols (média de 2.28 por jogo) e sofreu somente 11. Graças a esse novo cenário, o time da capital francesa passou a ser o dominador do clássico. Em 91 jogos ao longo da história, acumulou 38 vitórias contra 32 do OM e 21 empates.

No último jogo, aliás, o PSG sequer tomou conhecimento do maior rival e meteu 5×1, em pleno Vélodrome. Foi a maior goleada do clássico, igualando o mesmo placar aplicado pelo próprio PSG em janeiro de 1978.

Em fevereiro deste ano, o PSG meteu cinco na casa do rival | Foto: C. Gavelle/PSG

Se dividirmos Le Classique em antes e depois do PSG milionário, notaremos bem o desequilíbrio em que ficou este grande jogo. Antes da versão qatarina do Paris, foram 76 jogos, com 26 vitórias parisienses, 19 empates e 31 triunfos do OM, que também tinha o melhor ataque, com 105 gols contra 92. Na nova versão parisiense são 15 jogos, com 12 vitórias do time da capital, dois empates e somente uma vitória marselhesa.

É essa discrepância que me preocupa. O Marseille tinha a vantagem antes, mas era equilibrado. O OM nunca teve esses 14 jogos de invencibilidade – o máximo que atingiu foram nove jogos entre 1990 e 1994, com seis vitórias e três empates – tampouco acumulou dez vitórias seguidas como fez o PSG entre 2012 e 2016. É fora do comum e preocupante para o futuro do clássico. Hoje, somente a rivalidade entre as cidades de Marseille e Paris e das duas torcidas mantém o confronto vivo.

Unai Emery e um fracasso que vai além de resultados

Emery viu o PSG fazer 5×3 no agregado e ser eliminado pelo Barcelona | Foto: EPA

Unai Emery tem tudo em mãos em Paris. Jogadores milionários, estrutura de primeiro mundo, um dos zagueiros mais regulares da década, uma joia italiana desejada por vários clubes da Europa e uma dupla sul-americana na frente capaz de colocar medo em qualquer um. Fora isso, tem por trás a Qatar Sports Investiments (QSI), empresa que administra o Paris Saint-Germain e lhe dá capacidade de investimento quase infinita. Nem com todas essas ferramentas foi capaz em transformar o PSG em um time temido.

O vexame em Barcelona foi apenas a cereja de um bolo que queimou no forno. O time desorganizado defensivamente, afobado com a bola nos pés, displicente no ataque e posicionado atrás contra uma equipe de forte ataque tem mais do que o dedo do treinador, tem todas as mãos de Emery, que chegou gabaritado por um tricampeonato da Europa League com o Sevilla.

Para a história, ficará a virada do Barcelona como o grande feito, mas o fato é que o Paris teve o maior vexame da história. Foi muito mais uma derrota do que uma vitória. Basta ver os primeiros gols, que saíram de falhas grotescas (Marquinhos esteve muito mal nos dois primeiros lances) de uma defesa com jogadores de ótimo nível. Basta ver, também, que o PSG fez um gol quando perdia por 3×0, obrigando o adversário a dobrar o número de gols. Dí Maria e Cavani também tiveram chances claríssimas e pararam no próprio preciosismo. Foi um vexame enorme, uma hecatombe para derrubar Paris.

Não sei sequer dizer o que faltou para o PSG se classificar. Por mais que seja possível fazer uma análise técnica (a postura passiva é o principal ponto de crítica), fica difícil fugir de críticas mais passionais, como a própria falta de vergonha na cara, de perceber que se tratava de um jogo dificílimo e que valeria uma temporada.

Fosse eu que estivesse na posição do xeique Nasser Al Khelaifi, certamente iria no vestiário e soltaria aquele nada gosto “suco de urina” em todo mundo. Ia resolver algo? Provavelmente não, mas, honestamente, é impossível ficar parado vendo isso. Tomar seis gols, seja qual for a ocasião, já é de envergonhar qualquer um, porém, sofrer seis deste jeito, tendo a vantagem em mãos, com chances claras e adversário abalado após inesperado gol, é doloroso.

Dí Maria teve a chance de fazer o segundo gol parisiense no Camp Nou | Foto: Reuters

Pode parecer exagero falar tudo isso de um time que está em 2º lugar no Campeonato Francês, é finalista da Copa da Liga e segue firme e forte na Copa da França, mas, convenhamos, com o que o PSG tem à disposição, é sintomático que isso aconteça em terreno local. Os resultados vêm naturalmente dentro do território gaulês. O que mais preocupa é a incapacidade de Emery em fazer o Paris apresentar um futebol minimamente convincente com o material que tem.

Emery mantém o 4-3-3, que se tornou habitual desde os tempos de Laurent Blanc, mas priorizando a posse de bola. Entretanto, o que tem sido visto em campo é uma equipe com muita dificuldade de construir jogadas e que se esforça muito para fazer o básico.

Lembro que o time que meteu quatro no Barcelona é o mesmo que venceu o Nancy por 1×0 com um gol de pênalti, somente aos 35 minutos do segundo tempo. É o mesmo que fez 3×1 no Dijon, com dois gols nos últimos dez minutos. É o mesmo também que precisou de um gol irregular nos acréscimos para derrotar o Lille.

O PSG não consegue convencer sequer em nível doméstico. Vem sendo inconstante e está somando seus pontos em fatores que estão alheios a organização do time (como o brilhantismo de Cavani e a fragilidade de alguns adversários). Para efeitos de comparação, o time de Laurent Blanc na temporada anterior, liderava o campeonato nacional com 28 rodadas, tinha 73 pontos contra os 62 atuais, quatro vitórias a mais e um ataque de 68 gols contra 56 de hoje.

Bastou para Blanc ficar? Não. A cobrança também era por um jogo mais qualificado e um rendimento que, aparentemente, poderia ser maior. O PSG não quer mais só “resultados”. Isso o clube vem obtendo ano pós ano. O clube quer rendimento de alto nível, capaz de colocá-lo entre as principais equipes do mundo, o que ainda não foi possível.

Não descarto novo título francês, tampouco as conquistas nas copas nacionais, mas Emery não está pronto para tocar o ambicioso projeto parisiense. Dentro do que tentou propor, fracassou e nenhum resultado mudará isso.

PS: Sobre a arbitragem do jogo, só queria dizer que um time que consegue ser eliminado depois de fazer 4×0 e 5×3 no placar agregado não tem moral alguma para reclamar de arbitragem (por mais que não daria nenhum dos dois pênaltis, especialmente o segundo).

O homem que colocou o Stade de Reims no mapa do futebol

Kopa fez história no Reims | Foto: Divulgação/Stade de Reims

Kopa fez história no Reims | Foto: Divulgação/Stade de Reims

Quem é mais novo talvez não reconheça a grandeza do Stade de Reims, clube de mais de 80 anos, que já transitou entre o profissionalismo e o amadorismo e que hoje disputa a segunda divisão da França. Porém, não são todos que lembram que os Vermelhos e Brancos, em um intervalo de 15 temporadas, conquistaram cinco títulos do Campeonato Francês e se notabilizaram como um dos times mais fortes do país.

Um dos grandes responsáveis por colocar o Reims no mapa do futebol atende por Raymond Kopa. Meia-atacante de grande inteligência tática e de um drible letal, ele chegou ao clube em agosto de 1951, após ser comprado junto ao Angers, equipe que o revelou.

Foi exatamente no Reims que o mundo conheceu Kopa. Em cinco temporadas, foram quase 180 partidas disputadas em 54 gols anotados. Ao lado de grandes craques, como Michel Hidalgo, Pierre Sinibaldi e Roger Piantoni, conquistou dois títulos do Campeonato Francês e ainda foi vice-campeão europeu em 1956, perdendo uma emocionante final diante do Real Madrid, vencida de virada por 4×3 pelo time espanhol.

Na época, o Reims, comandado pelo lendário técnico Albert Batteux (técnico campeão francês oito vezes entre 1953 e 1970 e que trouxe Kopa ao clube), se notabilizou como uma equipe ofensiva, de jogo vistoso e muitos gols. Em 1952/53, por exemplo, ano em que foi campeão nacional, marcou 86 gols em 34 jogos, média de 2.52 por partida. Na época, esse time que encantou a França e cravou nome na história dos grandes esquadrões dos anos 50 era conhecido por ter o “futebol Champagne” (a região de Reims é muito conhecida por ser a “terra do Champagne”).

O Reims atuava numa espécie de 3-5-2, variante para 3-4-3, e essa variação se dava exatamente pela presença de Kopa. Dotado de grande inteligência tática e ocupação de espaço, ele já fazia algo semelhante ao que chamamos hoje de “falso 9”. Sua capacidade de abrir espaços e movimentar-se pela faixa ofensiva era fundamental para o sucesso da equipe.

Tais características fizeram com que fosse chamado de “Napoleão do Futebol”. Esse apelido foi dado pelo jornalista inglês Desmond Hackett, do Daily Express. Segundo ele, Kopa, assim como o líder político, também era baixinho e controlava o jogo como poucos, fazendo da bola a melhor forma de conquistar territórios.

De campeão a rebaixado

Depois de três temporadas de sucesso no Real Madrid, Kopa retornou ao Reims em 1959/60. Por lá, passou oito anos, os últimos da carreira. No começo, obteve sucesso e ergueu mais duas taças do Campeonato Francês. Na primeira, em 1960, formou poderosa dupla do Just Fontaine (autor de 28 gols em 28 jogos).

Entretanto, após o segundo lugar em 1962/63, o mundo de Kopa desabou. O Reims foi rebaixado à segunda divisão e não conseguiu retornar a elite no ano seguinte, voltando apenas em 1966/67, onde novamente caiu. No meio deste período, o talentoso meia chegou a ser suspenso por dois meses por recusar uma convocação para a seleção francesa por uma briga com o técnico Georges Verriest e por mais seis meses por criticar as condições de trabalho dos jogadores – que beirava a escravidão, segundo Kopa. Impotente diante desta situação, ele nada pode fazer para ajudar o clube.

Após a segunda queda, em 1967, Kopa decidiu abandonar a carreira aos 35 anos para cuidar do filho, que sofria de leucemia e também para reivindicar melhores condições de trabalho aos jogadores. A partir dali, entretanto, o clube perdeu o brilho de forma definitivamente, tornando-se uma equipe “ioiô”, transitando entre as primeiras divisões – e chegou a perder o status profissional entre 1991 e 2002.

Kopa se tornou presidente de honra do clube | Foto: Divulgação/Stade de Reims

Kopa se tornou presidente de honra do clube | Foto: Divulgação/Stade de Reims

Kopa, porém, eternizou-se na história do clube. Seja pelos títulos ou pelo futebol apresentado, ele foi um dos grandes responsáveis por colocar a pequena cidade de Reims, com pouco mais de 180 mil habitantes, no mapa francês do futebol. Não à toa, Jean-Pierre Caillot, presidente do clube desde 2004, declarou ao site oficial do clube que “Monsieur Kopa é o Stade de Reims e o Stade de Reims é Monsieur Kopa”.

Aos 86 anos, Kopa nos deixa com um legado que vai além de um futebol bem jogado e de uma carreira brilhante, com títulos coletivos e individuais que o colocam na lista dos imortais no esporte. Seu legado é de comprometimento e talento, que foram capazes de colocar um clube modesto entre os maiores de seu país, marcando época. Kopa é eterno e o Reims deve essa a ele.

Raymond Kopa | 1931-2017

Títulos pelo Stade de Reims:

  • Campeonato Francês: 1953, 1955, 1960 e 1962
  • Copa Latina: 1953;

Alguns títulos individuais:

  • Bola de Ouro: 1958;
    • 2º colocado: 1959;
    • 3º colocado: 1956 e 1957;
  • Seleção da Copa do Mundo da Suécia: 1958
  • Jogador francês do ano: 1961
  • Seleção do ano da FIFA: 1963
  • Seleção do ano da Revista World Soccer: 1963
  • Os 100 jogadores de todos os tempos da Revista World Soccer

– Para quem quiser conhecer mais da história do Reims dos anos 50, que imortalizou Raymond Kopa e outros tantos, indico dois conteúdos. O primeiro é do colega Wladimir de Castro Rodrigues Dias, de “O Futebólogo”, e o segundo é dos “Imortais do Futebol”, de Guilherme Diniz;

Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte II)

Na última semana, você conferiu no Europa Football a primeira parte do especial que trouxe a origem de dez nomes de estádios dos clubes do Campeonato Francês. Por uma grata surpresa, o post teve ótima repercussão, inclusive, sendo destaque no Trivela.

Mas passado o Carnaval e todo o feriadão, retorno com a parte final e explicando os últimos dez nomes. Lembrando que junto, a nomenclatura dos estádios, está a localização no Google Maps, para que vocês possam ver mais e conhecer a casa de cada equipe francesa. Vamos a eles:

  • Metz

Estádio Saint-Symphorien – inaugurado em 1923 – capacidade para 25.636 pessoas

Construído no início dos anos 20, o estádio Saint-Symphorien foi inaugurado em 1923, mas o desmoronamento de uma parte do telhado fez com que passasse por longa reforma até ser reinaugurado, de forma definitiva, em 1932. Essa reforma foi concluída exatamente na época em que o clube mandante mudava de nome de Club Atlético de Metz para FC Metz, o que segue até hoje. O estádio possui esse nome por estar situado no Boulevard Saint-Symphorien.

  • Monaco

Estádio Louis II – inaugurado em 1985 – capacidade para 18.523 pessoas

O novo estádio Louis II foi construído em 1985 | Foto: Divulgação/AS Monaco

O novo estádio Louis II foi construído em 1985 | Foto: Divulgação/AS Monaco

A casa atual do Monaco foi inaugurada em janeiro de 1985, sendo obra idealizada pelo príncipe Rainier III. O Louis II foi construído no distrito de Fontvielle, no lugar do estádio que tinha o mesmo nome. O local, que homenageava o príncipe Louis II, recebeu partidas do time monegasco de 1939 até 1985. Antes disso tudo, o ASM atuava no estádio Moneghetti, no bairro de mesmo nome, entre 1924 e 1939.

  • Montpellier

Estádio de la Mosson e do Mundial 98 – inaugurado em 1972 – capacidade para 32.900 pessoas

O primeiro clube a utilizar o estádio de La Mosson foi o AS Pallaide, clube que disputava torneios distritais em Montpellier. Com a fusão do clube com o Montpellier Litoral SC, (que jogava no estádio Richter), surgiu o Montpellier HSC, que passou a utiliza-lo em 1974. O estádio leva esse nome por estar próximo ao Rio Mosson. Já a referência a Copa do Mundo de 1998, disputada na França, foi feita pela escolha do estádio para sediar jogos da competição, o que fez com que fosse ampliada sua capacidade para 35 mil pessoas.

Os outros dois estádios em que o MHSC mandou jogos também possuem nomes fáceis de explicar. O primeiro foi o Parque de Esportes da Avenida da Ponte Juvenal, entre 1923 e 1967, que leva a mesma nomenclatura da localização, enquanto o estádio Richter, utilizado entre 1968 e 1974, também faz referência a sua localização.

  • Nancy

Estádio Marcel Picot – inaugurado em 1926 – capacidade para 20.087 pessoas

Chamado inicialmente de Parque de Esportes de Essey, a casa do Nancy foi oficialmente aberta em 8 de agosto de 1926. No começo, o estádio foi utilizado pela escola universitária local e pelo FC Nancy (clube que existiu entre 1901 e 1968). Com o surgimento do AS Nancy, em 1967, o local foi rebatizado no ano seguinte como estádio Marcel Picot.  Ele foi um empreiteiro que dedicou boa parte da vida ao FC Nancy e auxiliou no desenvolvimento do estádio. Por ter falecido em 1967, teve nome estampado na casa dos Vermelhos e Brancos em 1968, como forma de homenagem.

  • Nantes

Estádio de la Beaujoire-Louis Fonteneau – inaugurado em 1984 – capacidade para 37.473 pessoas

O caldeirão da Beaujoire é uma das armas do Nantes | Foto: Divulgação/Nantes

O caldeirão da Beaujoire é uma das armas do Nantes | Foto: Divulgação/Nantes

Um dos maiores caldeirões do futebol francês, La Beaujoire faz referência ao bairro do mesmo nome, em Nantes. Sua construção foi feita em razão da disputa da Eurocopa de 1984. Já o nome de Louis Fonteneau homenageia o presidente do clube entre 1969 e 1986. Ele foi um dos grandes idealizadores do projeto da construção do estádio a partir dos anos 70. Como morreu em 1989, o local foi rebatizado no mesmo ano.

Antes da nova casa, os Canários jogaram em alguns estádios: Saint-Pierre, Contrie e Procé. Após a II Grande Guerra, o Nantes passou a utilizar o estádio Marcel Saupin, que resistiu até a chegada de la Beaujoire. Atualmente, já houve uma parte demolida e o time reserva do time amarelo atua por lá.

  • Nice

Allianz Riviera – inaugurado em 2013 – capacidade para 35.624 pessoas

Assim como ocorre com muitas arenas mundo afora, o novo estádio do Nice, construído visando a Eurocopa de 2016, possui o naming rights da Allianz e a referência da região da Riviera. Entretanto, tivemos muitas reviravoltas até a concretização, isso porque, em 2010, o estádio se chamaria Olímpico de Nice. Em 2012, houve o acerto com a seguradora alemã, que pagará € 1,8 milhões por ano durante nove temporadas.

Antes da moderna arena, o Nice mandou jogos no estádio do Ray entre 1927 e 2013. O nome original deste estádio é Léo Lagrange, um secretário de estado de esportes, mas se tornou popular pelo nome do distrito onde está localizado.

  • Paris Saint-Germain

Estádio Parque dos Príncipes – inaugurado em 1897 – capacidade para 48.583 pessoas

Um dos maiores e mais antigos estádios da França, o Parque dos Príncipes recebeu este nome por causa da família real francesa, que utilizava o local de recreação e caça nos séculos XVIII e XIX. O estádio foi inaugurado, originalmente, para abrigar provas de ciclismo e o PSG passou a utilizar o parque em julho de 1974.

Antes da fusão do Paris FC e do Stade Saint-Germain, o clube mandava seus jogos no estádio municipal Georges-Lefévre. Atualmente, os times de base do PSG atuam ali e o clube se comprometeu a renovar o estádio.

  • Rennes

Estádio Parque Roazhon – inaugurado em 1912 – capacidade para 29.778 pessoas

O nome do estádio do Rennes sempre foi razão de polêmica. Tradicionalmente, o local era conhecido como Rota para Lorient, pela sua localização. Porém, durante vários anos, houve quem sugerisse uma mudança, incluindo naming rights ou homenagens a grandes ídolos da história do clube. Finalmente, em 2015, o presidente René Ruello realizou um referendo, que aprovou a mudança do nome para Parque Roazhon com 70% dos votos. Roazhon, para entendermos, significa Rennes em bretão, que é a linguagem local.

  • Saint-Étienne

Estádio Geoffroy-Guichard – inaugurado em 1931 – capacidade para 41.965 pessoas

Conhecido como “Caldeirão Verde”, o Geoffroy-Guichard vem sendo casa do Saint-Étienne desde sua profissionalização | Foto: Divulgação/ASSE

Conhecido como “Caldeirão Verde”, o Geoffroy-Guichard vem sendo casa do Saint-Étienne desde sua profissionalização | Foto: Divulgação/ASSE

O caldeirão verde do Saint-Étienne foi construído nos anos 30 e recebeu o nome do empresário Geoffroy Guichard. Ele foi um dos fundadores de clube e o terreno onde o estádio foi construído era de propriedade de uma de suas empresas. O estádio Geoffrey-Guichard acompanhou o ASSE durante todo o seu percurso profissional, a partir de 1933.

  • Toulouse

Estádio de Toulouse – inaugurado em 1937 – capacidade para 33.150 pessoas

Bom, a origem do estádio do TFC não tem muito segredo, até por ser um estádio que leva o nome da cidade onde está localizado. Conhecido como “pequeno Wembley”, o local era a casa do primeiro Toulouse FC entre 1937 e 1967 e depois do atual Toulouse (que apesar do mesmo nome e cidade, curiosamente, não tem relação alguma com o clube anterior), a partir de 1970.

Qual a origem dos nomes dos estádios franceses? (Parte I)

Não sei vocês, mas sou do tipo de pessoa que fica sempre curioso em saber os motivos de os estádios terem os nomes que têm. Fico instigado a entender se aquele cidadão que está com o nome estampado na fachada foi um jogador importante, um dirigente histórico ou apenas um político da região. Considero saber isso como algo fundamental para entendermos mais das origens dos times.

Motivado por essa curiosidade pessoal, decidir fazer um levantamento justificando os nomes dos estádios das 20 equipes que disputam a primeira divisão do Campeonato Francês nesta temporada 2016/2017.

Como em função da Eurocopa 2016 muitos mudaram de casa e até adotaram os famigerados naming rights em seus estádios, decidi também citar os nomes dos campos antecessores e a razão dos respectivos nomes. Aliás, ‘linkado’ as nomenclaturas estará a localização dos estádios no Google Maps, para que você também possa ver mais de cada um.

Confira agora a primeira das duas partes do especial:

Angers

Estádio Jean-Bouin – inaugurado em 1912 – capacidade para 16.500 pessoas

O estádio homenageia Jean Bouin, um famoso corredor francês do início do século XX, que conquistou uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1912, em Estocolmo, na Suécia. Ele foi medalhista nos 5.000 metros livres. Na França, são quase dez estádios com esse nome, incluindo um em Marseille, cidade onde nasceu. No caso do Angers, o estádio foi construído em 1912, com o nome de Bessonneau, em homenagem ao empresário local Julien Bessonneau. Na época, nem existia o Angers, mas sim o Club Sportif Bessonneau. Apenas em 1957 foi rebatizado como estádio Jean Bouin, para homenagear o ex-atleta.

Bastia

Estádio Armand Cesari – inaugurado em 1932 – capacidade para 16.078 pessoas

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Casa do Bastia, o Armand Cesari homenageia ex-capitão do time | Foto: SC Bastia

Inaugurado em 1932, a casa do Bastia teve como primeiro nome estádio Doutor Luciani, homenagem ao presidente do clube na época e idealizador do projeto. Quatro anos depois, o local foi rebatizado com o nome atual: Armand Cesari. Ele foi membro de uma família bastante atuante no clube. O irmão Jean-Marie jogou pelo time principal, enquanto o pai Joseph Cesari foi presidente do clube entre 1922 e 1925. Já Armand foi capitão da equipe durante um bom tempo, se tornando um dos atletas mais famosos do clube. Ele desapareceu em janeiro de 1936, quando tinha 33 anos. O nome do estádio foi uma forma de homenageá-lo.

Bordeaux

Estádio Matmut-Atlantique – inaugurado em 2015 – capacidade para 42.115 pessoas

O Bordeaux jogou muito tempo no estádio Chaban-Delmas até se mudar para o moderníssimo Matmut-Atlantique, construído entre 2012 e 2015, também visando a Eurocopa de 2016. A questão do nome gerou muitas discussões entre os torcedores, já que a empresa do ramo de companhia de seguros Matmut investiu € 2 milhões para estampar o nome do grupo no estádio por dez anos. Uma ala de torcedores, descontente com isso, realizou uma votação para escolher o novo nome e decidiram por homenagear René Gallice, sexto jogador com mais atuações com a camisa do clube. Por fim, ficou o nome Matmut-Atlantique e a empresa que gere o estádio é a Bordeaux Atlantique, sendo que o financiamento é feito entre a cidade de Bordeaux e a própria empresa.

Sobre o Chaban-Delmas, que homenageia o estadista francês Jacques Chaban Delmas, hoje é de domínio do Union Bordeaux Bégles, clube de rugby. O estádio passou a ser chamado assim em 2001, após a morte dele em 2000 – antes era conhecido como Parc Lescure.

Caen

Estádio Michel D’Ornano – inaugurado em 1993 – capacidade para 20.453 pessoas

Inaugurado em 1993, o estádio do Caen homenageia o político francês Michel D’Ornano. Ele morreu em 1991, após ser atropelado por uma van. A ideia de homenageá-lo foi do senador-prefeito de Caen, Jean-Marie Girault, já que ele entendia que D’Ornano era um amigo dos esportes e a construção do estádio estava ligada ao nome do político. Por via de curiosidade, antes desse estádio, os azuis e vermelhos jogavam no estádio Venoix, em razão do bairro onde está localizado. Em 2013, o local foi renomeado como estádio Claude Mercier, em homenagem a um ex-jogador do clube. O time reserva e de base do Caen utilizam o campo, assim como algumas equipes amadoras que por lá treinam.

Dijon

Estádio Gaston Gérard – inaugurado em 1934 – capacidade para 13.778 pessoas

A casa do Dijon é um dos poucos que tem o mesmo nome desde sua inauguração. Gaston Gérard, que dá nome ao estádio, foi um influente político no início do século passado, tendo sido vice-prefeito de Dijon e primeiro-ministro do Turismo francês. Ele nasceu em 1878 e morreu em 1969, vivendo sempre na mesma cidade, o suficiente para ser imortalizado no estádio da cidade.

Guingamp

Estádio Municipal de Roudourou – inaugurado em 1990 – capacidade para 18.465 pessoas

O nome do estádio do Guingamp é bem simples de explicar: ele fica localizado no distrito de Roudourou. O Guingamp, apesar de ser um clube de 114 anos, só atuou profissionalmente desde 1984. Então, antes do Roudourou, jogava no estádio Yves-Jaguin, que homenageava um ex-presidente do clube nos anos 40. Esse estádio, aliás, vive um momento curioso. O time reserva e de base do Guingamp treinavam ali, mas discute-se a possibilidade de venda do local e até mesmo de uma demolição.

Lille

Estádio Pierre Mauroy – inaugurado em 2012 – capacidade para 50.157 pessoas

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Na onda de reformas, o estádio do Lille foi o primeiro a ser concluído | Foto: LOSC

Originalmente conhecido como Grand Stade Lille Metrópole, o estádio recebeu o nome de Pierre Mauroy, em junho de 2013. A medida foi adotada pelo Conselho Metropolitano de Lille, que visava homenagear o ex-prefeito de Lille e ex-primeiro-ministro, que morreu no mesmo mês. Muitos não gostaram, pois o político não era um grande fã de esportes e que a decisão foi tomada sem consultas a outros órgãos e aos torcedores.

Antes da moderna arena, o Lille jogou em quatro estádios: o Jules-Lemaire (dentista famoso por ter descoberto propriedades antissépticas de ácido de carbono), que foi utilizado até a II Guerra Mundial; Henri Jooris (dirigente bastante atuante na região de Lille) aproveitado após a guerra e até os anos 70; Grimonprez-Jooris (uma homenagem ao próprio Henri Jooris e o ex-campeão de hóquei de campo Félix Grimonprez), utilizado entre 1975 e 2004; e mais recentemente o Lille Metropole, aproveitado entre 2004 e 2012.

Lorient

Estádio Yves Allainmat – Le Moustoir – inaugurado em 1959 – capacidade para 18.500 pessoas

O apelido de “Moustoir” acabou ficando para o estádio do Lorient por ser exatamente o bairro onde o clube fica localizado. Em 1993, a casa dos Merlus foi rebatizada com o nome de Yves Allainmat, ex-vice-prefeito da cidade, que morreu no mesmo ano.

Lyon

Parc OL – inaugurado em 2016 – capacidade para 59.186 pessoas

O moderníssimo estádio do Lyon é gerido pelo OL Groupe, que foi fundado em 1999 para supervisionar o clube. Oficialmente, o estádio se chama Parc OL, mas também é lembrado por Grand Stade de Lyon ou Stade des Lumières. O antigo estádio Gerland, inaugurado em 1920 e utilizado pelo OL desde sua fundação, em 1950, até 2015, levava esse nome por estar localizado no bairro com mesmo nome.

Marseille

Estádio Orange Vélodrome – inaugurado em 1937 – capacidade para 67.394

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Entre mudanças e reformas, o OM sempre seguiu no Vélodrome | Foto: Yannick Parienti/OM

Casa do único francês que já conquistou uma Liga dos Campeões, o mítico Vélodrome ganhou naming rights para dez anos, contando a partir de 2016, da empresa Orange. O nome original, por razões óbvias, se deve ao fato de também abrigar corridas de ciclismo.

*Nos próximos dias, possivelmente após o Carnaval, trago a segunda parte, com as origens dos demais dez times;

Na França, gramados sintéticos não caíram no gosto e tem data para acabar

Primeiramente, amigos, gostaria de me desculpar pela semana ausente no blog. Simplesmente tive problemas sérios em meu notebook, que somados a carga de trabalho me impediram de voltar a escrever na última semana. Mas agora voltamos ao ritmo normal de posts.

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No Moustoir, o Lorient seguiu forte com grama sintética | Foto: Divulgação/Eurosport

No Moustoir, o Lorient seguiu forte com grama sintética | Foto: Divulgação/Eurosport

Com a CBF proibindo gramados artificiais no Campeonato Brasileiro a partir de 2018, atingimos o ápice das discussões sobre o assunto em nosso país. O Atlético Paranaense é o principal clube afetado, já que verá o alto investimento no terreno da Arena da Baixada ir água abaixo menos de dois anos depois da conclusão.

Na França, essa discussão transcorreu durante toda esta década e, aparentemente, com fim negativo a quem defende os gramados artificiais. O Lorient foi o pioneiro ao adotar este terreno no estádio Moustoir, em 2010.

Olhando friamente os números, os Merlus não apresentaram grandes mudanças no rendimento em casa. Nas quatro temporadas sem o gramado sintético, teve aproveitamento de 53,9%, inclusive conquistando um número bem satisfatório de vitórias, como no último ano com grama natural, onde venceu dez jogos em casa e teve 64,9% de aproveitamento. Com a grama sintética, o aproveitamento médio é parecido: 52,5%.

Com gramado sintético Sem gramado sintético
Temp. J V E D % Temp. J V E D %
2010/11 19 8 8 3 56,1 2009/10 19 10 7 2 64,9
2011/12 19 8 6 5 52,6 2008/09 19 5 7 7 38,5
2012/13 19 10 6 3 63,1 2007/08 19 9 7 3 59,6
2013/14 19 8 7 4 54,3 2006/07 19 8 6 5 52,6
2014/15 19 6 5 8 40,3            
2015/16 19 7 7 5 49,1            

Num modo geral, o Lorient não se tornou mais forte ou mais fraco por trocar de gramado. Apenas seguiu impondo as mesmas dificuldades que impôs quando jogou em casa – numa escala relativizada para cada país, é algo semelhante ao que acontece com o Atlético-PR por aqui, que sempre foi bastante forte no Paraná.

Em maio de 2016, entretanto, o clube optou por trocar o gramado artificial pela tecnologia AirFibr, que já é vista em estádios como Vélodrome, do Marseille, Geoffrey Guichard, do Saint-Étienne, e o Matmut-Atlantique, do Bordeaux. No caso, será um gramado que une grama natural e microfibra sintética.

Bom citar que a própria Ligue 1 possui um ranking que estabelece quais são os melhores gramados da temporada seguindo alguns critérios (trajetória da bola no chão, flexibilidade e qualidade do gramado, por exemplo) e o piso do Moustoir está em segundo, atrás apenas do Parque dos Príncipes, do PSG.

Nos resultados, porém, a mudança não poderia ter sido pior. Com 22 pontos em 26 rodadas, os Merlus ocupam a lanterna, tendo o quarto pior desempenho entre os 20 mandantes. A equipe, que está em sua 11ª temporada consecutiva na primeira divisão (feito inédito na história do clube de 90 anos), já está vendo a segunda divisão mais de perto do que nunca antes nos anos recentes.

Já no Marcel Picot, o Nancy não conseguiu crescer | Foto: Divulgação/So Foot

Já no Marcel Picot, o Nancy não conseguiu crescer | Foto: Divulgação/So Foot

O próximo clube a trilhar o mesmo caminho é o Nancy. Clube que, assim como o Lorient, nunca teve resultados expressivos na França, os Vermelhos e Brancos também adotaram o gramado sintético no estádio Marcel Picot na temporada 2010/11. O desempenho, a exemplo dos bretões, seguiu o mesmo. A grande diferença é que o Lorient, ao menos, tinha bom rendimento em casa…

Em três temporadas na primeira divisão, o Nancy sequer atingiu 50% de aproveitamento em casa. Em números gerais, teve média de 37% jogando no gramado sintético do Marcel Picot. Avaliando friamente, o número contrasta com os enganosos 57,9% vistos nas três temporadas pré grama artificial, isso porque em 2007/08 obteve um assombroso 77,1% de aproveitamento em casa, que desequilibrara bastante os dados.

Com gramado sintético Sem gramado sintético
Temp. J V E D % Temp. J V E D %
2010/11 19 8 3 8 47,3 2009/10 19 6 4 9 38,5
2011/12 19 6 9 4 47,3 2008/09 19 5 8 6 40,3
2012/13 19 5 5 9 35% 2007/08 19 13 5 1 77,1

Nesta temporada, a última com gramado sintético e a primeira após voltar à primeira divisão, o Nancy está com a segunda pior campanha como mandante. Em 19 partidas, foram cinco vitórias, um empate e seis derrotas.

A partir da próxima temporada, saberemos mais qual será o efeito disso, tendo em vista que o Nancy adotará também o gramado híbrido.

Críticas além dos resultados

O gramado híbrido está se tornando tendência na Europa | Foto: Divulgação/Natural Grass

O gramado híbrido está se tornando tendência na Europa | Foto: Divulgação/Natural Grass

O ápice das discussões sobre os gramados sintéticos na França foi atingido na temporada 2015/2016, quando o meia Sofiane Boufal, na época no Lille, sofreu grave lesão no menisco em partida contra o Lorient, na Bretanha. O então técnico dos Dogues, Frédéric Antonetti não poupou o gramado e o discurso foi endossado pela UNFP (União Nacional dos Futebolistas Profissionais, na tradução para português), que afirmou que o terreno artificial pode causar traumas musculares, torções, estresses sobre as articulações e queimaduras.

Em contrapartida, tanto Nancy, quanto Lorient, acabam saindo como beneficiados na época de inverno. Tão normal é observamos invernos rigorosos na França, que adiavam jogos na Ligue 1, pois a neve tomava conta dos gramados, o que tornava as partidas impraticáveis. No Moustoir e no Marcel Picot, isso não acontecia.

Ao longo das temporadas, sempre foi assim. Jogadores e técnicos reclamam, enquanto outros enxergam como uma mudança válida. A LFP, órgão que cuida do Campeonato Francês, entretanto, tomou uma decisão e decidiu proibir gramados sintéticos a partir de 2018.

Em um primeiro momento, a discussão não parece ter ido adiante e a preocupação com a condição física dos atletas venceu os anseios dos clubes na questão de manutenção do gramado. Talvez no próximo inverno europeu, já sem gramados artificiais, tenhamos uma noção mais ampla do impacto que a ausência deles trará.

*Colaboraram com essa postagem: Filipe Papini e Renato Gomes;