Tão perto do céu…mas longe do paraíso

É Jurado...vai ser difícil voltar a jogar o que tu jogou contra a Inter (Reuters)

Há duas semanas atrás, o Schalke 04 vencia a Internazionale por 2×1, fechava a série em 7×3 e chegava a uma inédita semifinal de Uefa Champions League. Era o auge de uma equipe que vive uma temporada conturbada, com problemas internos, mal futebol e uma péssima colocação na Bundesliga. As semifinais da Liga dos Campeões eram uma dádiva para Ralf Rangnick, que com pouco tempo de trabalho, conseguiu levar o time num lugar pouco antes imaginado.

A torcida se empolgou e nesta quarta-feira, lotou a Veltins Arena para empurrar o Schalke no duelo contra o Manchester United. Mas o que se viu em campo não parecia nada com o time que goleou a Inter e espantou o mundo, mas sim o time que espantou a confiança da torcida, nos tempos de Félix Magath. O time Azul Real esteve o tempo inteiro entregue em campo, sem nenhum esboço de reação e lembrou muito o jogo contra o Borussia Dortmund no segundo turno da Bundesliga. Só o desfecho que foi diferente.

Ah...se não fosse o Neuer (AFP)

No então clássico do Vale do Ruhr, o Schalke ficou um tempo inteiro só se defendendo e sem atacar e na etapa final, ameaçou uma ou outra subida, mas se não fosse Neuer, não saíria do Signal Iduna Park com o 0x0. Hoje a história foi quase a mesma, com a mesma situação de jogo, só que “se não fosse Neuer”, o Schalke teria perdido de muito mais. A impressão que fica é que o 2×0 dos Red Devils ficou barato e o paraíso, que estava a dois passos do time alemão, parece ficar mais distante.

Há quem atribua essa derrota azul real a um defensivismo aplicado por Ralf Rangnick, mas os times de Rangnick não tem costume de jogarem fechados. O “defensivismo” que muitos falam é ocasionado pelo Manchester United. Os Red Devils tiveram a bola durante boa parte do jogo e fizeram Manuel Neuer trabalhar e trabalhar muito mesmo. Atuação do arqueiro alemão entra no TOP 5 de sua carreira. Aliás, essa é outra semelhança com o Derby do Vale do Ruhr citado antes, onde Neuer pegou até pensamento e segurou o 0x0.

Mas cá pra nós, se o Schalke estivesse mesmo retrancado, tu acha que o Manchester conseguiria entrar tantas vezes na área adversária?

O United teve grande atuação. Teve um volume de jogo muito alto e soube aproveitar os pontos fracos do Schalke. Embora tenha demorado para abrir o placar e tenha feito “só” dois gols, merecia ter feito mais, se não fosse em alguns momentos a falta de pontaria de seus atacantes e Manuel Neuer, que em tarde inspirada, pegou tudo.

Neuerrrrrrrr (Reuters)

Já o Schalke teve uma atuação ruim e jogadores que contra a Internazionale tiveram atuações que talvez nunca mais os veremos fazer, voltaram a sua normalidade. Na zaga, o garoto Matip voltou com as inconstâncias e deu muitos espaços lá atrás. Sarpei, que deixou Schmitz no banco desde a chegada de Rangnick, comprometeu demais. Antes ele não estava jogando mal, mas não era uma grande peça. Ele simplesmente não comprometia. No meio campo, Papadopoulos se viu sobrecarregado e se não fosse a cirúrgica substituição de Rangnick – Kluge entrou para auxiliar o grego na marcação -, os Red Devils teriam entrado mais vezes na área alemã. Jurado, que jogou demais nas duas partidas da série contra a Inter, mal viu a cor da bola na tarde de hoje. Edú voltou a ruindade que apresentou durante a temporada inteira. A cada dez bolas que recebia, em uma, duas na melhor das hipóteses, ele conseguia sequenciar as jogadas.

O zagueiro Höwedes fez muita falta. Ele é o grande pilar da defesa e grande líder do time. Sua ausência, além da óbvia mexida tática – Matip entrou em seu lugar e deu no que deu… -, houve a mexida técnica, que teve grande influência gigantesca. Junto com Neuer, eles são a alma do Schalke. A defesa alemã pareceu em alguns momentos do jogo bem desentrosada.

É isso que dá ter jogadores de nível duvidoso no elenco. Eles podem até render bem em certos momentos, mas uma hora falta cancha e acima de tudo, falta bom futebol. Não me pareceu ter faltado experiência ao Schalke. Não custa lembrar que Neuer, Farfán, Raúl e até mesmo o criticado Sarpei, tem experiência bastante para encarar um jogo de um tamanho gigantesco. Faltou mesmo é bola. A zaga alemã parecia mais um queijo suíço, o meio campo estava numa palidez tamanha e por consequência, o ataque pouco participou. Raúl jogou? Não vi.

United mandou no jogo (AFP)

Mas repito, o grande fator da derrota do Schalke não foi a ruindade de seu time e sem a superioridade do Manchester, que dominou durante dos 90 minutos.

O papinho de que “o Schalke fez 5 na Inter no Giuseppe Meazza, pode fazer 3 no Manchester no Old Trafford” não cola comigo. Primeiro porque são times diferentes, então já muda totalmente o contexto da frase. Segundo que a zaga inglesa é melhor que a zaga italiana. São só três gols sofridos na Champions League inteira. Ou seja, o Schalke terá de em um jogo, fazer a mesma quantidade de gols que o United sofreu na competição inteira, ou fazer dois terços dos gols sofridos. Pra resumir: os alemães terão de suar sangue!

Difícil imaginar o Schalke conseguindo a vaga, mas vai saber? Eu sou um “Bundesligafanático” e acabo sendo mais otimista com os clubes da terra do chucrute. Os Azuis Reais podem espelhar o placar do jogo de ida, seria mais fácil do que fazer 3×0. Mas o Schalke precisa simplesmente fazer com que jogadores (medíocres) como Jurado e Edú jogarem o que jogaram contra a Inter.

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